
Croácia
Dubrovnik
Muralha medieval, ilhas de barco e ostras de Ston
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
Um terceiro, se sobrar, vai para Ston e a península de Pelješac, a uma hora de carro. A cidade não serve a quem viaja com carrinho de bebê, mala pesada ou joelho ruim, porque fora do Stradun tudo é escada. Também não serve a quem procura praia de areia: as daqui são de cascalho e laje, com ouriços, e a areia mais perto fica em Lopud, de balsa. Com um dia só, entre nas muralhas às 8h pelo Pile e depois atravesse o Stradun a pé até a praça Luža e o Palácio do Reitor. Almoce em Gruž, a 8 minutos de ônibus do Pile, onde se paga metade do que custa comer dentro dos muros. Volte de ônibus para ver o pôr do sol num bar Buža, na face sul da muralha. O que decepciona é a cidade murada diante da multidão: são 13 hectares com menos de 1.500 moradores, e em julho e agosto, entre as dez e as dezesseis horas, você anda em fila pelo centro.
2–3
Quando Maio, primeira metade de junho, setembro e a primeira quinzena de outubro
Como o guia chega a este número
O verão é seco e quente: julho e agosto têm máximas de 29 a 32 °C, mar entre 24 e 26 °C, praticamente nenhuma chuva e o pico absoluto de gente, com dias em que dois navios de cruzeiro somam 4 mil desembarques antes das dez da manhã. Junho e setembro entregam quase o mesmo clima (26 a 29 °C, mar em torno de 23 °C) com filas menores e diárias 30% mais baratas. Maio e a primeira metade de outubro têm 20 a 24 °C, mar de 18 a 22 °C e bem menos visitantes, e é quando a volta pelas muralhas deixa de ser um exercício de resistência ao sol. O inverno é ameno mas molhado, com máximas de 12 a 14 °C e os dois meses mais chuvosos do ano, novembro e dezembro, com cerca de 200 mm cada um. De novembro a março o teleférico e vários restaurantes reduzem horários, os catamarãs para as ilhas rareiam e a cidade murada, que os moradores chamam de Grad, fica silenciosa, exceto em torno de 3 de fevereiro, dia de São Brás. O mês que se evita é agosto, por calor, preço e aglomeração; quem precisa de tudo aberto também deve evitar janeiro.
Por pessoa/dia Econômico 70–100 €; médio 150–220 €; confortável a partir de 300 €.
Como o guia chega a este número
Em julho e agosto some 30% a 50% a tudo isso (faixas aproximadas de 2026)
Econômico 70–100 €; médio 150–220 €; confortável a partir de 300 €. Em julho e agosto some 30% a 50% a tudo isso (faixas aproximadas de 2026)
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaDubrovnik se vê bem em dois dias: o primeiro para a cidade murada, o segundo para o mercado da manhã, a ilha de Lokrum e o morro do Srđ. Um terceiro, se sobrar, vai para Ston e a península de Pelješac, a uma hora de carro. A cidade não serve a quem viaja com carrinho de bebê, mala pesada ou joelho ruim, porque fora do Stradun tudo é escada. Também não serve a quem procura praia de areia: as daqui são de cascalho e laje, com ouriços, e a areia mais perto fica em Lopud, de balsa. Com um dia só, entre nas muralhas às 8h pelo Pile e depois atravesse o Stradun a pé até a praça Luža e o Palácio do Reitor. Almoce em Gruž, a 8 minutos de ônibus do Pile, onde se paga metade do que custa comer dentro dos muros. Volte de ônibus para ver o pôr do sol num bar Buža, na face sul da muralha. O que decepciona é a cidade murada diante da multidão: são 13 hectares com menos de 1.500 moradores, e em julho e agosto, entre as dez e as dezesseis horas, você anda em fila pelo centro.Dubrovnik cabe inteira dentro de 1.940 metros de muralha medieval sobre o Adriático, e dar a volta por cima dela é o grande motivo da viagem. Do alto se veem o porto velho, a ilha de Lokrum e os telhados, onde a telha alaranjada marca as casas refeitas depois do cerco de 1991 e 1992. Lá embaixo, o Stradun, rua plana de calcário polido sobre um canal aterrado, atravessa uma cidade barroca de fachadas iguais, reconstruída por regra depois do terremoto de 1667. Fora dos muros, um barco de 10 minutos leva a Lokrum, a ilha dos pavões, e o teleférico sobe 412 m até o morro do Srđ. Para comer, peça mexilhões na buzara numa konoba e, a uma hora de estrada, prove as ostras de Mali Ston. Venha em maio, na primeira metade de junho, em setembro ou na primeira quinzena de outubro, e reserve dois dias, com um terceiro para Ston se sobrar.
Ficha rápida
- População
- cerca de 41,6 mil no município (censo de 2021); menos de 1.500 moradores permanentes dentro das muralhas, contra cerca de 5 mil em 1991 (estimativa)
- Fundação
- Ragusa, no rochedo costeiro, a partir do século VII; primeira menção escrita ao nome Dubrovnik na Carta do ban Kulin, de 29 de agosto de 1189
- País e região
- Croácia: Dalmácia meridional, condado de Dubrovnik-Neretva, o extremo sul do país
- Idioma
- Croata, em alfabeto latino; inglês corrente no comércio e italiano comum entre os mais velhos
- Moeda
- Euro (€) desde 1º de janeiro de 2023; a kuna deixou de circular em 15 de janeiro de 2023
- Fuso
- CET, UTC+1 (CEST, UTC+2, do último domingo de março ao último de outubro)
- Melhor época
- Maio, primeira metade de junho, setembro e a primeira quinzena de outubro
- Custo médio por dia
- Econômico 70–100 €; médio 150–220 €; confortável a partir de 300 €. Em julho e agosto some 30% a 50% a tudo isso (faixas aproximadas de 2026)
Quando ir
Maio, primeira metade de junho, setembro e a primeira quinzena de outubro
janeiro
2° a 11°C
164 mm de chuva
fevereiro
3° a 12°C
158 mm de chuva
março
6° a 15°C
150 mm de chuva
abril
9° a 19°C
110 mm de chuva
julho
20° a 32°C
52 mm de chuva
agosto
20° a 32°C
68 mm de chuva
novembro
8° a 16°C
207 mm de chuva
dezembro
4° a 12°C
201 mm de chuva
O que muda ao longo do ano
O verão é seco e quente: julho e agosto têm máximas de 29 a 32 °C, mar entre 24 e 26 °C, praticamente nenhuma chuva e o pico absoluto de gente, com dias em que dois navios de cruzeiro somam 4 mil desembarques antes das dez da manhã. Junho e setembro entregam quase o mesmo clima (26 a 29 °C, mar em torno de 23 °C) com filas menores e diárias 30% mais baratas. Maio e a primeira metade de outubro têm 20 a 24 °C, mar de 18 a 22 °C e bem menos visitantes, e é quando a volta pelas muralhas deixa de ser um exercício de resistência ao sol. O inverno é ameno mas molhado, com máximas de 12 a 14 °C e os dois meses mais chuvosos do ano, novembro e dezembro, com cerca de 200 mm cada um. De novembro a março o teleférico e vários restaurantes reduzem horários, os catamarãs para as ilhas rareiam e a cidade murada, que os moradores chamam de Grad, fica silenciosa, exceto em torno de 3 de fevereiro, dia de São Brás. O mês que se evita é agosto, por calor, preço e aglomeração; quem precisa de tudo aberto também deve evitar janeiro.
Os mesmos números em tabela
| Mês | Temperatura °C | Chuva mm |
|---|---|---|
| janeiro | 2 a 11 | 164 |
| fevereiro | 3 a 12 | 158 |
| março | 6 a 15 | 150 |
| abril | 9 a 19 | 110 |
| maio · | 13 a 24 | 84 |
| junho · | 17 a 29 | 63 |
| julho | 20 a 32 | 52 |
| agosto | 20 a 32 | 68 |
| setembro · | 15 a 26 | 138 |
| outubro · | 11 a 21 | 182 |
| novembro | 8 a 16 | 207 |
| dezembro | 4 a 12 | 201 |
Dicas do Nilo
Entre na muralha às 8h, na abertura
O circuito de 1.940 m tem sentido único e quase não tem sombra. De abril a outubro as muralhas abrem às 8h: entre na abertura, ou depois das 17h, quando o sol baixa. De novembro a março abrem mais tarde e fecham por volta das 15h, então confira o horário do mês no site oficial. O ingresso de cerca de 40 € já inclui o forte Lovrijenac, que fica fora do circuito e que muita gente esquece de visitar.
Coma em Gruž, não no Stradun
O mesmo espresso custa 1,80–2,50 € em pé em Gruž e 3,50–5 € sentado no Stradun. Os restaurantes ao lado do mercado seguem a mesma tabela do mercado, não a da cidade murada. São 25 minutos a pé do Pile ou 8 de ônibus.
O bilhete de ônibus se compra no quiosque Tisak
No quiosque Tisak o bilhete sai por cerca de 1,73 € e vale 60 minutos, enquanto com o motorista custa cerca de 2,50 €. Se for usar as linhas 4, 6 ou 10 mais de três vezes no mesmo dia, compre o passe de 24 horas, de cerca de 5,30 €. Compre sempre antes de subir, porque a fila no motorista atrasa o ônibus inteiro.
Peixe: pergunte o peso antes de dizer sim
Peixe fresco é vendido por quilo, entre 60 e 120 €, e um robalo médio para dois passa fácil de 80 a 120 €. Antes de aceitar o peixe do dia, peça para ver a peça na balança, pergunte o preço e diga o tamanho que quer. Para beber, fique com o vinho da casa servido em jarra, que custa uma fração da garrafa.
Suba ao Srđ uma hora antes do pôr do sol
Nessa hora o Forte Imperial, com o Museu da Guerra Pátria, ainda está aberto, e a luz baixa cai sobre a cidade murada e sobre Lokrum. O teleférico sobe os 412 m do Srđ em quatro minutos, por cerca de 27 a 30 € ida e volta. Para voltar, a trilha em ziguezague desce a pé em cerca de uma hora e não custa nada.
São Brás em 3 de fevereiro; a ostra, em 19 de março
No dia de São Brás o Grad é dos moradores, com missa, procissão de relicários pelo Stradun, bandeiras dos antigos distritos e pombas brancas soltas. No dia de São José, a festa da ostra em Ston e Mali Ston serve ostras cruas e grelhadas com vinho branco local, os preços caem e os produtores abrem os viveiros à visita. Ston fica a 55 km pela D8 e pela ponte de Pelješac, cerca de uma hora de carro.
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Abrir o appO que ver
Dubrovnik: A faixa entre o mar e a montanha
Dubrovnik ocupa uma faixa estreita de terra entre o Adriático e a muralha calcária dos Alpes Dináricos, que sobe atrás da cidade até o morro do Srđ, 412 m, e corta o acesso ao interior. Concentra museus, restaurantes e a maior parte dos apartamentos de temporada; tem menos de 1.500 moradores permanentes e esvazia depois das dez da noite fora do verão.

Muralhas da cidade
Circuito fechado de 1.940 m percorrido em sentido único, com muros de até 25 m e 6 m de espessura voltados para o continente. O ingresso de 2026 custa cerca de 40 € e inclui o forte Lovrijenac; a volta leva de 1h30 a 2h, quase sem sombra, e a torre Minčeta, terminada por Juraj Dalmatinac em 1464, é o ponto mais alto.
A torre Minčeta, de 1464, é o ponto mais alto.
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Stradun e a praça Luža
Rua de 300 m sobre o canal aterrado, pavimentada em calcário polido pelo uso, com a Fonte Grande de Onofrio (1438, Onofrio della Cava) numa ponta e a coluna de Orlando (1418) na outra. O antebraço da estátua de Orlando media o côvado de Dubrovnik, 51,2 cm, padrão oficial de comprimento da república; ao lado ficam a torre do relógio e a igreja barroca de São Brás, de 1715, obra do veneziano Marino Gropelli.
O antebraço de Orlando media o côvado, 51,2 cm.
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Srđ, teleférico e Forte Imperial
O teleférico sobe 412 m em cerca de quatro minutos, partindo da rua Petra Krešimira IV; foi inaugurado em 1969, destruído em 1991 e reaberto em julho de 2010. No topo estão o Forte Imperial, construído pelas tropas de Napoleão entre 1806 e 1812 e defendido em dezembro de 1991 por algumas dezenas de croatas, hoje Museu da Guerra Pátria, e a cruz branca de 1935, reerguida em 2002.
O teleférico sobe 412 m em cerca de quatro minutos.
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Palácio do Reitor
Sede do governo da república, gótico-renascentista, reconstruído duas vezes depois de explosões do paiol de pólvora em 1435 e 1463. O reitor governava por um mês e não podia deixar o prédio durante o mandato; sobre a entrada da sala do conselho lê-se “Obliti privatorum publica curate”: esqueçam o que é privado, cuidem do público.
O reitor não podia deixar o prédio por um mês.
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Catedral da Assunção e o tesouro
Terceira catedral no mesmo lugar, barroca, erguida entre 1672 e 1713 sobre projeto de Andrea Buffalini de Urbino; a anterior teria sido financiada por Ricardo Coração de Leão depois de um naufrágio perto de Lokrum em 1192. O tesouro guarda o relicário com o crânio de São Brás, em forma de coroa bizantina, e mais de 180 peças de ourivesaria.
Relicário de São Brás em forma de coroa bizantina.
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Mosteiro franciscano e a farmácia de 1317
Claustro românico-gótico de 1360, atribuído a Mihoje Brajkov de Bar, com 120 colunas geminadas e capitéis todos diferentes. A farmácia Mala braća funciona desde 1317, é uma das mais antigas da Europa ainda em atividade e mantém o balcão aberto ao público na entrada.
A farmácia Mala braća funciona desde 1317.
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Forte Lovrijenac
Fortaleza triangular sobre um rochedo de 37 m a oeste da cidade, fora do circuito principal. Os muros voltados para o mar têm até 12 m de espessura e os voltados para a cidade apenas 60 cm, para que pudesse ser destruída caso caísse em mãos inimigas; sobre a porta está a inscrição “Non bene pro toto libertas venditur auro”.
Os muros voltados para a cidade têm 60 cm de espessura.
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Ilha de Lokrum
Ilha arborizada a 600 m da costa, 10 minutos de barco do Porto Velho, com abadia beneditina fundada em 1023, jardim botânico criado pelo arquiduque Maximiliano de Habsburgo a partir de 1859, pavões soltos e um lago de água salgada apelidado de Mar Morto. Reserva natural: é proibido pernoitar, e o último barco de volta define o fim do passeio.
A travessia desde o Porto Velho leva dez minutos e cobre os 600 m até a ilha, onde ficam a abadia de 1023 e o jardim de Maximiliano; na reserva natural é proibido pernoitar; o último barco de volta fecha o passeio.
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Palácio Sponza
Alfândega e casa da moeda construída entre 1516 e 1522 por Paskoje Miličević, com pátio de arcadas que mistura gótico e renascimento e sobreviveu ao terremoto de 1667. Abriga o Arquivo do Estado, com documentos contínuos desde 1022, e uma sala memorial dos mortos no cerco de 1991–92.
O pátio de arcadas de 1516–1522, que mistura gótico e renascimento e sobreviveu ao terremoto de 1667, e a sala memorial dos mortos do cerco de 1991–92 se veem em dez minutos. O resto do prédio abriga o Arquivo do Estado, com documentos contínuos desde 1022, e por isso a visita cabe numa parada curta.
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O roteiro do Nilo
Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · A cidade murada, do alto para dentro
Entrar nas muralhas pelo acesso do Pile na abertura, por volta das 8h, com água e chapéu; circuito de 1.940 m em sentido único, 1h30 a 2h, ingresso cerca de 40 €.
Descer no bastião de São João e atravessar o Stradun até a praça Luža: Fonte Grande de Onofrio, coluna de Orlando, torre do relógio e a igreja de São Brás.
Visite o Palácio do Reitor e o Palácio Sponza, na mesma praça: a sala do conselho, o pátio de arcadas e a sala memorial dos mortos de 1991–92.
Almoce numa konoba fora do eixo do Stradun, nas vielas da Prijeko ou perto da Od Puča, e peça mexilhões na buzara ou šporki makaruli.
Termine a tarde no claustro franciscano de 1360 e passe na farmácia ao lado, aberta desde 1317.
Dia 2 · Mercado, ilha e morro
Chegue às 8h ao mercado da Gundulićeva poljana, que fecha por volta das 13h, para comprar figo seco, lavanda, mel e arancini em saquinho.
Pegue o barco de 10 minutos do Porto Velho para Lokrum e veja a abadia beneditina de 1023, o jardim botânico de Maximiliano, os pavões e o lago salgado apelidado de Mar Morto.
Voltar no meio da tarde e almoçar em Gruž, ao lado do mercado de peixe da Obala Stjepana Radića, com preço de bairro.
Suba de teleférico ao Srđ uma hora antes do pôr do sol: são 412 m em quatro minutos até o Forte Imperial e o Museu da Guerra Pátria.
Descer a pé pela trilha em ziguezague, cerca de uma hora, ou voltar no teleférico e jantar na baía de Uvala Lapad.
Se ficar mais
Dia 3 · Ston, sal e ostra
Sair cedo de carro ou ônibus para Ston, 55 km pela D8 e pela ponte de Pelješac, cerca de uma hora.
Subir a muralha de Ston, erguida a partir de 1333 entre Ston e Mali Ston, com cerca de 5,5 km de traçado e 3 km restaurados.
Almoce ostras em Mali Ston, criadas na baía desde a época da república, a 2–3,50 € a unidade.
Visite as salinas de Ston, em produção contínua há cerca de dois mil anos nos mesmos tanques de evaporação, com colheita manual.
Voltar pela estrada da península com parada numa vinícola de Dingač ou Postup, em Potomje, antes do anoitecer.
Comida
Ilustração com IAOstras de Ston
Ostra europeia (Ostrea edulis) criada na baía de Mali Ston, a 55 km, com cultivo documentado desde a época da república. Servida crua com limão, custa de 2 a 3,50 € a unidade nos restaurantes da própria baía e mais na cidade; a festa da ostra acontece em 19 de março.
Ilustração com IANa buzaru
Método, não prato: mexilhões, camarões ou lagostins cozidos rapidamente em azeite, alho, salsa, vinho branco e farinha de rosca. Vem numa panela para o centro da mesa, come-se com a mão e o pão serve para raspar o fundo.
Ilustração com IAŠporki makaruli
“Macarrão sujo”, prato específico de Dubrovnik: macarrão curto com um ragu lento de carne bovina, cravo, canela e vinho tinto. Tradicionalmente é o almoço de 3 de fevereiro, dia de São Brás, e aparece em konobas o ano todo.
Ilustração com IAZelena menestra
Ensopado de couve-galega e repolho com carne de porco defumada e linguiça, cozido por horas até tudo desmanchar. É comida de inverno e de casa, servida em pratos fundos com pão; alguns restaurantes de Gruž e Lapad mantêm no cardápio.
Ilustração com IAPeka
Polvo, cabrito ou vitela com batata assados sob uma campânula de ferro coberta de brasas por duas a três horas. Precisa ser encomendado com pelo menos três ou quatro horas de antecedência e costuma ter porção mínima para duas pessoas.
Ilustração com IARožata
Pudim de leite e ovos aromatizado com rozulin, um licor local de pétalas de rosa, coberto de calda de caramelo. É a sobremesa tradicional da cidade e está registrada como especialidade protegida da região.
Ilustração com IAArancini
Tiras de casca de laranja cozidas em calda e passadas no açúcar, vendidas em saquinhos nos mercados da Gundulićeva poljana e de Gruž. Nada a ver com o bolinho de arroz siciliano de mesmo nome; aqui é doce de casca, feito em casa desde o século XIX e consumido com café.
Ilustração com IAVinhos do Pelješac e de Korčula
Tintos densos de uva plavac mali das encostas de Dingač e Postup, na península de Pelješac, e brancos pošip e grk da ilha de Korčula. A garrafa de Dingač parte de 20–25 € em loja; a jarra de meio litro de vinho da casa em konoba fica entre 8 e 12 €.
Bate-voltas

Cavtat
18 km ao sul, 40 minutos de ônibus da linha 10 ou 45 minutos de barco do Porto Velho no verão. É a antiga Epidauro, de onde saíram os fundadores de Dubrovnik; tem calçadão sem carros, a casa-museu do pintor Vlaho Bukovac e o mausoléu da família Račić, esculpido por Ivan Meštrović em 1922.

Ilhas Elafiti
Koločep, Lopud e Šipan, alcançadas por balsa da Jadrolinija saindo de Gruž em 25, 50 e 80 minutos. São sem carros ou quase, com trilhas de pedra entre olivais; Lopud tem Šunj, a única praia de areia da região, a 20 minutos de caminhada do porto.

Parque Nacional de Mljet
Ilha a cerca de 1h30 de catamarã de Gruž até Polače ou Sobra. O terço oeste é parque nacional desde 1960, com dois lagos salgados ligados ao mar, o Veliko e o Malo jezero, e um mosteiro beneditino do século XII numa ilhota dentro do lago maior; alugue bicicleta no cais para fazer a volta dos lagos.
Por onde começar
A cidade murada, do alto para dentro

Entrar nas muralhas pelo acesso do Pile na abertura, por volta das 8h, com água e chapéu; circuito de 1.940 m em sentido único, 1h30 a 2h, ingresso cerca de 40 €.
Mercado, ilha e morro

Chegue às 8h ao mercado da Gundulićeva poljana, que fecha por volta das 13h, para comprar figo seco, lavanda, mel e arancini em saquinho.
Dinheiro
A moeda é o euro desde 1º de janeiro de 2023 e o cartão por aproximação funciona em praticamente tudo, inclusive nos ônibus mais novos e nas barracas maiores do mercado. Nos caixas eletrônicos, recuse a conversão dinâmica que as máquinas Euronet oferecem e escolha sempre ser cobrado em euro. Faixas reais de 2026, aproximadas: espresso 1,80 a 5 € conforme o bairro; fatia de pizza ou burek 3–4,50 €; almoço de prato único em konoba 15–25 €; jantar com entrada, peixe e vinho 45–70 € por pessoa; chope de 0,5 L 4–6 €; jarra de meio litro de vinho da casa 8–12 €. Peixe fresco é vendido por quilo, com preço que varia bastante conforme a espécie. Hotel três estrelas: 90–150 € a diária em maio, 200–350 € em julho; apartamento de temporada em Lapad, 70–130 € fora do pico. A taxa turística por pessoa por noite fica em torno de 2 a 2,65 € na alta temporada (abril a setembro) e menos fora dela, definida por decisão municipal, com isenção para menores de 12 anos e metade do valor entre 12 e 18; confira o valor vigente na reserva. Gorjeta não é obrigatória: arredonde a conta ou deixe cerca de 10% quando o serviço for de mesa.
Como chegar e se locomover
Aeroporto: 20 km a sudeste, o ônibus espera o voo
O aeroporto de Dubrovnik (DBV) fica em Čilipi, 20 km a sudeste, perto de Cavtat. O ônibus da Platanus/Atlas sai em sincronia com os voos, leva 25 a 40 minutos e custa cerca de 13 € o trecho (2026), com paradas na rodoviária de Gruž e no Pile. O táxi fica entre 35 e 50 € e Uber e Bolt operam na cidade. Não há trem: a rede ferroviária croata não chega a Dubrovnik, e a ligação terrestre é feita pela estrada costeira D8 e pela ponte de Pelješac, de 2.404 m, aberta em julho de 2022. Da rodoviária de Gruž saem ônibus para Split (cerca de 4h30), Zagreb (cerca de 10h), Mostar (cerca de 3h), Sarajevo (cerca de 5h) e Kotor (cerca de 2h30, com parada na fronteira). No mesmo cais atracam as balsas da Jadrolinija para Bari, na Itália (travessia noturna de cerca de 9h), e os catamarãs para Korčula, Mljet, Šipan e Lastovo. A Croácia está no espaço Schengen desde 1º de janeiro de 2023: brasileiros entram sem visto por até 90 dias em cada 180, e o ETIAS, a autorização eletrônica prevista para os próximos meses, deve custar cerca de 20 € e valer três anos.
Ônibus da Libertas com bilhete do quiosque, ou a pé
Dentro da cidade, você circula de ônibus da Libertas ou a pé. O bilhete comprado antes, nos quiosques Tisak, custa cerca de 1,73 € e vale 60 minutos; com o motorista sai por cerca de 2,50 €, e o passe de 24 horas fica em torno de 5,30 € (valores aproximados de 2026). As linhas principais são a 1A e a 1B, que ligam o Pile a Gruž, a 4 e a 6 para Lapad e Babin Kuk, a 8 para Mokošica e a 10 na direção de Župa dubrovačka e Cavtat. A cidade murada é totalmente fechada a carros: o Stradun é plano, mas todo o resto é escada, o que torna carrinho de bebê, mala com rodinha e cadeira de rodas problemáticos. Do Pile a Gruž são 25 minutos a pé ou 8 de ônibus, e o teleférico do Srđ custa cerca de 27 a 30 € ida e volta. Bicicleta não compensa, porque as ruas são ladeiras de calçamento liso e não há ciclovia. Estacionar perto do Pile em julho passa de 5 a 8 € por hora, e a solução comum é deixar o carro em Gruž ou em Lapad.
Segurança
Dubrovnik tem crime violento muito baixo, e o risco real aqui é físico, não criminal. O calcário do Stradun e das escadarias fica escorregadio com chuva, e a maior parte dos acidentes com visitantes é queda. O segundo risco é insolação e desidratação no circuito das muralhas, que não tem sombra nem ponto de água em boa parte do trajeto. No mar, a entrada é por pedra: ouriço é comum e sapato de borracha resolve. Os golpes frequentes são três: táxi sem taxímetro saindo do Pile e do terminal de cruzeiros, e nesse caso combine o valor antes ou use aplicativo; restaurante que apresenta peixe sem preço por quilo; e a conversão dinâmica de moeda oferecida por caixa eletrônico e maquininha, que deve sempre ser recusada em favor da cobrança em euro. Furto é raro, mas a multidão do portão do Pile e os ônibus 1A e 1B nas horas de desembarque são os pontos onde acontece. Não há bairro a evitar e a noite é tranquila. O que exige atenção é a estrada costeira D8 e a subida do Srđ, estreitas, com curvas cegas e muita motocicleta no verão. O número único de emergência é 112 e o hospital geral fica em Medarevo, na entrada da península de Lapad.
Dicas de etiqueta
Carregue a mala, não a arraste
Não há proibição nem multa para malas com rodinhas: a notícia que circulou em 2023 foi desmentida pela prefeitura, e o que existe é uma campanha pedindo que os visitantes carreguem a bagagem. Carregue a sua, porque o ruído das rodinhas sobre o calcário ecoa nas vielas em escada, ou deixe-a no depósito perto do Pile e combine com a hospedagem o transporte por carrinho.
Camisa fora da praia
Circular sem camisa, de maiô ou de biquíni pelas ruas do centro é infração e rende multa na faixa das centenas de euros. Nas igrejas, ombros e joelhos cobertos, inclusive na catedral e no mosteiro franciscano.
Não sente nem coma nas escadarias de monumentos
É proibido sentar e fazer piquenique nos degraus de igrejas, na escadaria jesuíta e nos bancos de pedra dos palácios, e há fiscais circulando no verão. Use as praças, os bares ou o quebra-mar.
Guerra: assunto de família
O cerco de 1991–92 aparece em placas, no museu do Srđ e na sala memorial do Sponza, e quase toda família tem uma história. Perguntar com atenção é aceitável; comparar sofrimentos, opinar sobre a Iugoslávia ou usar “balcânico” como sinônimo de atraso, não.
Café: uma hora de mesa por um só espresso
Ocupar uma mesa por uma hora com um único espresso é o padrão local, e ninguém vai apressá-lo. A conta só vem quando você pedir: “račun, molim”.
Cumprimente ao entrar e ao sair
Em padarias, farmácias, lojas e konobas se diz “dobar dan” ao entrar e “doviđenja” ao sair. Entrar em silêncio e ir direto ao produto é lido como falta de educação, não como pressa.
Erros a evitar
As muralhas às dez, com os cruzeiros
Chegar às muralhas junto com os passageiros de cruzeiro, por volta das dez da manhã, garante fila do começo ao fim e sol forte num percurso quase sem sombra. Prefira a primeira hora da manhã ou o fim da tarde, quando o sol já baixou.
O peixe do dia sem perguntar o quilo
Pedir “o peixe do dia” sem perguntar o preço por quilo. A conta é feita pelo peso da peça inteira, e quem não perguntou só descobre o valor quando ela chega à mesa.
Lapad e Gruž ficam a 8 minutos de ônibus
Reservar tudo dentro das muralhas. Em julho a diária no Grad custa o dobro, o barulho dos bares vai até de madrugada e toda entrega chega a pé. Lapad, Gruž e Boninovo ficam a 8–15 minutos de ônibus e custam bem menos.
Centro fechado, sem ciclovia e em ladeira
Contar com carro ou bicicleta. O centro é fechado a veículos, não há ciclovias, o relevo é íngreme e o estacionamento no verão passa de 5 a 8 € por hora perto do Pile: alugar carro só compensa para o dia de Ston e Pelješac.
Ir à praia esperando areia
Ir para a praia esperando areia. Banje, Sveti Jakov e as praias de Lapad são de cascalho e laje, com entrada na água por pedra e ouriços. Leve sapato de borracha, ou pegue o barco até Šunj, em Lopud: a exceção de areia da costa.
Frases úteis
Dobar dan
Bom dia / boa tarde (dôbar dan): cumprimento padrão do meio da manhã ao anoitecer
Molim
Por favor, e também “de nada” e “como?” (mólim)
Hvala lijepa
Muito obrigado (rvála liépa)
Oprostite
Com licença / desculpe (oprostíte)
Račun, molim
A conta, por favor (rátchun, mólim)
Koliko košta?
Quanto custa? (kóliko kóchta)
Bairros
Grad (cidade murada)
Os 13 hectares dentro das muralhas, sem carros, com o Stradun como eixo e escadarias em todo o resto. Concentra museus, restaurantes e a maior parte dos apartamentos de temporada; tem menos de 1.500 moradores permanentes e esvazia depois das dez da noite fora do verão.
Pile
O portão oeste e a praça imediatamente à frente, ponto final da maioria das linhas de ônibus e da lançadeira dos cruzeiros. É por onde entra quase todo mundo, e onde a fila para as muralhas se forma a partir das nove da manhã.
Ploče
Encosta a leste do portão do mesmo nome, com os hotéis mais caros da cidade, a praia de cascalho de Banje e os Lazareti, o antigo complexo de quarentena do século XVII hoje usado para eventos. Do quebra-mar sai a vista frontal clássica das muralhas.
Gruž
Porto de verdade, 3 km a oeste do centro: terminal de cruzeiros, balsas da Jadrolinija, catamarãs para as ilhas e a rodoviária. O mercado de peixe e verduras da Obala Stjepana Radića funciona de manhã e pratica preços de metade dos da cidade murada.
Lapad
Península residencial onde vive boa parte da população: prédios de apartamentos, escolas, supermercados e a baía de Uvala Lapad, com calçadão fechado a carros. Fica a 10 minutos de ônibus do Pile e é a base mais equilibrada entre preço e distância.
Babin Kuk
Ponta da península de Lapad, ocupada por hotéis grandes erguidos nos anos 1970 e 1980 e por praias de cascalho, entre elas a chamada Copacabana. Circuito de caminhada de cerca de 4 km em volta da ponta, com sombra de pinheiro.
Boninovo e Montovjerna
Faixa de encosta entre a cidade murada e Lapad, com prédios do pós-guerra, o cemitério municipal, escolas e o hospital geral em Medarevo. É o trecho mais bem servido de ônibus e um dos mais baratos para dormir.
Mokošica e Rijeka dubrovačka
Bairro-dormitório construído nos anos 1980 no estuário do Ombla, 7 km a noroeste, com o centro histórico ribeirinho de Komolac ao lado. Foi para onde muita família se mudou quando o aluguel de temporada tomou o Grad.
História
séc. VII · Ragusa no rochedo
Habitantes de Epidauro, a atual Cavtat, destruída por ávaros e eslavos por volta de 614, se instalam num ilhéu calcário chamado Laus, colado à costa. Escavações sob a catedral revelaram ocupação anterior, o que enfraquece a versão de uma fundação única e súbita.

séc. XI–XII · Do canal aterrado nasce o Stradun
O braço de mar que separava a Ragusa latina do povoado eslavo de Dubrava, na encosta, é aterrado. O aterro vira a rua da Placa, hoje conhecida como o Stradun, e as duas comunidades passam a formar uma cidade só, com uma muralha comum.

1205–1358 · Sob Veneza
Depois da Quarta Cruzada, Veneza impõe um conde veneziano à cidade e a mantém por 153 anos. Dubrovnik copia as instituições venezianas, o Conselho Maior e o Conselho dos Rogados, e sai do domínio com uma administração pronta para funcionar sozinha.

1358 · Nasce a República de Ragusa
Pelo Tratado de Zadar, Veneza cede a Dalmácia ao rei húngaro-croata Luís I. Dubrovnik aceita uma suserania nominal, paga tributo anual e conquista na prática independência, frota própria e política externa própria.

1377 · A primeira quarentena
Em 27 de julho de 1377 o Conselho Maior determina que navios e caravanas vindos de áreas com peste fiquem 30 dias isolados em Mrkan ou em Cavtat antes de entrar na cidade. É a primeira quarentena institucional documentada do mundo; os Lazareti de Ploče, construídos no século XVII, são a versão de pedra dessa regra.

1416 · Fim do comércio de escravos
Em 27 de janeiro de 1416 o Conselho Maior proíbe o tráfico de escravos em todo o território da república, uma das decisões mais precoces do tipo na Europa. A frota ragusana se especializa em sal de Ston, lã, prata e chumbo dos Bálcãs, cera e trigo.

1458 · Tributo ao sultão
A república passa a pagar tributo anual ao Império Otomano, fixado em 12.500 ducados de ouro a partir de 1481, e em troca circula com liberdade pelos portos e estradas do sultão. Ao mesmo tempo mantém tratados com Espanha, com o papa e com o reino de Nápoles.

1667 · O terremoto
Em 6 de abril de 1667 um tremor seguido de incêndio derruba a maior parte da cidade e mata milhares de pessoas; as estimativas vão de 3 mil a 5 mil mortos numa população de cerca de 6 mil dentro dos muros. Sobreviveram o Palácio Sponza, o forte Lovrijenac e parte do Palácio do Reitor; o resto foi refeito em barroco contido, com fachadas padronizadas e ruas retas.

1808 · O fim da república
Tropas francesas ocupam a cidade em 1806 e, em 31 de janeiro de 1808, o marechal Marmont dissolve a República de Ragusa por decreto. O Congresso de Viena entrega a região à Áustria em 1815 e Dubrovnik vira porto secundário do Reino da Dalmácia, ligado por estrada e não por ferrovia.

1918–1945 · Iugoslávia e guerra
Com o fim do Império Austro-Húngaro a cidade entra no Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos e adota oficialmente o nome croata Dubrovnik em lugar de Ragusa. Ocupada por italianos e depois por alemães na Segunda Guerra, entra na Iugoslávia socialista em 1945 e passa a viver de turismo a partir dos anos 1960.

1991–1992 · O cerco
O Exército Popular Iugoslavo bombardeia a cidade de 1º de outubro de 1991 a maio de 1992, cortando água e energia; em 6 de dezembro de 1991 caem centenas de granadas sobre o centro murado. Cerca de dois terços dos edifícios do núcleo histórico sofreram algum dano, e a reconstrução, coordenada com a UNESCO e com telhas produzidas em Toulouse e na Eslovênia, se estendeu até o fim da década.

História completa
A fundação em Laus, por volta de 614
A cidade nasce de uma decisão defensiva. Quando Epidauro, a colônia romana da atual Cavtat, é destruída por ávaros e eslavos por volta de 614, parte da população se transfere para um rochedo calcário separado da costa por um canal raso: Laus, em grego, que vira Lausa, Rausa e enfim Ragusa. Na encosta em frente havia um povoado eslavo em meio a carvalhais, dubrava, de onde sai o nome Dubrovnik. Entre os séculos XI e XII o canal é aterrado e as duas metades viram uma cidade só: o aterro é a rua que hoje se chama Stradun, e é por isso que ela é plana, larga e reta enquanto tudo em volta é ladeira e escada. Um incêndio em 1296 arrasa o lado norte e a reconstrução segue um plano regular. A fileira de vielas paralelas que sobem do Stradun até a rua Prijeko é urbanismo medieval planejado, não acaso.
A independência veio por negociação
A independência veio por negociação. Depois de 153 anos sob um conde veneziano, o Tratado de Zadar de 1358 transfere a Dalmácia ao rei húngaro-croata Luís I, e Dubrovnik troca um tributo anual modesto por autonomia real. A república, que já tinha codificado seu Estatuto em 1272, constrói nos dois séculos seguintes um Estado pequeno e obsessivamente administrativo. O reitor era eleito por um mês e proibido de sair do palácio durante o mandato. A primeira quarentena documentada do mundo veio em 1377, o comércio de escravos foi abolido em 1416 e o orfanato abriu em 1432. Em 1438 ficou pronto o aqueduto de quase 12 km que traz a água de Šumet. A frota chegou a cerca de 180 naus, e a bandeira levava uma palavra só, Libertas. Sobre o portão do forte Lovrijenac ficou gravado, em latim, que não se deve vender a liberdade nem por todo o ouro do mundo.
O terremoto de 1667 explica a aparência
O terremoto de 6 de abril de 1667 é a fratura que explica a aparência atual. Em minutos, a cidade renascentista desabou e o incêndio consumiu o que sobrou; morreram entre 3 mil e 5 mil pessoas, uma parte grande da elite mercante e o próprio reitor. A república decidiu reconstruir por regra: fachadas de altura e ritmo iguais, portas e janelas padronizadas, ruas retas, ornamento reduzido. É por isso que Dubrovnik parece homogênea e severa, e por isso que as poucas construções anteriores (o Sponza de 1522, o Lovrijenac, o claustro franciscano de 1360) se destacam tanto. O declínio veio junto: a rota do Atlântico esvaziou o comércio mediterrâneo, os franceses ocuparam a cidade em 1806 e Marmont extinguiu a república em 1808. A Áustria administrou a região até 1918 e o porto perdeu importância para Trieste e Rijeka.
Turismo, UNESCO e depois a guerra
O século XX trouxe duas transformações opostas. A primeira foi o turismo: a partir dos anos 1960, a Iugoslávia investiu em hotéis nas penínsulas de Lapad e Babin Kuk, e o centro histórico entrou na lista da UNESCO em 1979. A segunda foi a guerra. Entre 1º de outubro de 1991 e maio de 1992, o Exército Popular Iugoslavo cercou a cidade por terra e mar, cortou água, luz e telefone e bombardeou o centro protegido; o pior dia foi 6 de dezembro de 1991. Cerca de dois terços dos prédios do núcleo murado sofreram algum dano, mais de 300 foram atingidos diretamente e o teleférico do Srđ foi destruído. A restauração, feita com apoio da UNESCO e com telha de barro encomendada fora do país, terminou no fim dos anos 1990 e deixou uma marca visível: vista do alto, a cobertura da cidade alterna telhas escuras antigas e telhas alaranjadas novas.
Turismo de massa e limite aos cruzeiros, desde 2011
Nas duas últimas décadas, a cidade entrou de vez na Europa e no turismo de massa. A Croácia entrou na União Europeia em 2013, adotou o euro e o espaço Schengen em 1º de janeiro de 2023, e a ponte de Pelješac, aberta em julho de 2022 com 2.404 metros, ligou finalmente a região ao resto do país sem passar pela Bósnia. As filmagens de Game of Thrones a partir de 2011 puseram a cidade no mapa como Porto Real e ajudaram a empurrar o número de visitantes para a casa dos milhões por ano, com pico em julho e agosto. Desde 2017 o programa municipal Respect the City limita a atracação a dois navios de cruzeiro e cerca de 4 mil passageiros por vez, restringe mesas e cadeiras em via pública e controla novas licenças de aluguel de curta temporada. O preço do metro quadrado, porém, já empurrou os moradores para Mokošica, Lapad e Župa dubrovačka, e a cidade murada funciona hoje mais como centro de trabalho do que como bairro.
Sobre o portão do forte Lovrijenac está escrito que a liberdade não se vende nem por todo o ouro do mundo, e dá vontade de passar duas vezes por baixo só para reler.
À noite, são poucas as janelas acesas dentro das muralhas: ali moram menos de 1.500 pessoas.
Geografia e forma da cidade
A faixa entre o mar e a montanha
Dubrovnik ocupa uma faixa estreita de terra entre o Adriático e a muralha calcária dos Alpes Dináricos, que sobe atrás da cidade até o morro do Srđ, 412 m, e corta o acesso ao interior. Não há rio urbano: a água da região vem do Ombla, que brota do pé da montanha a 4 km a noroeste e percorre menos de 30 metros antes de virar o estuário de 4 km da Rijeka dubrovačka.
A muralha, o Stradun e o porto
O núcleo histórico está sobre o antigo ilhéu, hoje colado à costa, com 1.940 m de muralha em circuito fechado, muros de até 25 m de altura e 6 m de espessura no lado de terra; o Stradun, com cerca de 300 m, corre sobre o canal aterrado e divide a cidade em duas lógicas: ao sul, o traçado irregular mais antigo; ao norte, o pente regular de vielas em escada refeito depois do incêndio de 1296. A oeste ficam as penínsulas de Lapad e Babin Kuk, e entre elas a enseada natural de Gruž, o porto de verdade da cidade, com cais de cruzeiro, balsas e rodoviária.
Sol, chuva de outono e dois ventos
O clima é mediterrâneo, com cerca de 2.600 horas de sol por ano, verões secos e cerca de 1.000 a 1.200 mm de chuva concentrados entre outubro e dezembro; dois ventos organizam o tempo, a bura fria de nordeste, que limpa o céu, e o jugo úmido de sudeste, que traz nuvem e mar mexido.
Os dois ventos se distinguem pelo céu: com a bura, ele fica limpo; com o jugo, fica embaçado.
Cultura

Literatura antes do turismo
A cidade tem uma tradição literária e científica que remonta a séculos antes do turismo moderno. Marin Držić (1508–1567) escreveu comédias em dialeto ragusano que continuam sendo montadas, entre elas “Dundo Maroje”, de 1551, sobre um mercador de Dubrovnik que persegue o filho gastador até Roma. Ivan Gundulić (1589–1638) escreveu o poema épico “Osman” e tem estátua de Ivan Rendić, de 1893, no meio da praça-mercado que leva seu nome. Ruđer Bošković (1711–1787), físico, astrônomo e jesuíta nascido na cidade, propôs uma teoria unificada de forças um século e meio antes do átomo moderno. A chancelaria da república escrevia em latim, italiano e croata ao mesmo tempo, e a palavra na bandeira era uma só: Libertas.
O Festival de Verão, de 10 de julho a 25 de agosto
A vida cênica se organiza em torno do Festival de Verão de Dubrovnik, criado em 1950, que ocupa de 10 de julho a 25 de agosto cerca de trinta palcos ao ar livre. O “Hamlet” montado dentro do forte Lovrijenac virou marca da cidade. Na música tradicional, o linđo é a dança de roda dálmata acompanhada pela lijerica, um instrumento de três cordas tocado com arco sobre o joelho, e o canto klapa, a cappella e em harmonia fechada, está na lista de patrimônio imaterial da UNESCO desde 2012. Fora do verão, a programação encolhe: o Teatro Marin Držić e alguns bares do Grad seguram o calendário, e a noite se concentra em Lapad e Babin Kuk.
Polo aquático no mar e Porto Real nas telas
O esporte da cidade é o polo aquático: o Jug, fundado em 1923, treina e joga no mar, na enseada de Danče, foi campeão europeu em 1981, 2001, 2006 e 2016 e formou boa parte da seleção croata. Fora da água, a fama recente veio do cinema, porque desde 2011 Game of Thrones filmou aqui as cenas de Porto Real, com o Lovrijenac como Fortaleza Vermelha, a torre Minčeta como Casa dos Imortais e a escadaria jesuíta como a rua da marcha da vergonha; em 2016, o Stradun virou o cassino de Canto Bight em “Star Wars: Os Últimos Jedi”. Daí vêm os passeios temáticos, as filas de fotografia em pontos específicos e o debate público permanente sobre quanto turismo a cidade suporta.
Festas e eventos

Festa de São Brás (Sveti Vlaho)
3 de fevereiro, com véspera em 2 de fevereiro. Padroeiro desde 972, celebrado com missa, procissão de relicários pelo Stradun, bandeiras dos antigos distritos e soltura de pombas brancas; é a data mais importante do calendário local e está na lista imaterial da UNESCO desde 2009.
Ilustração com IAFestival de Verão de Dubrovnik
De 10 de julho a 25 de agosto, desde 1950. Teatro, ópera, concertos e dança em fortes, claustros e praças da cidade murada; ingressos avulsos costumam ficar entre 15 e 60 €, e as sessões no Lovrijenac esgotam com semanas de antecedência.
Ilustração com IAFesta da ostra em Ston e Mali Ston
19 de março, dia de São José, no fim do período de colheita. Barracas na baía servem ostras cruas e grelhadas com vinho branco local; é a data em que os preços caem e os produtores abrem os viveiros à visita.
Ilustração com IAInverno em Dubrovnik (Dubrovački zimski festival)
De fim de novembro ao início de janeiro, com barracas de comida e vinho quente no Stradun, patinação improvisada e concertos gratuitos. É a única época do ano em que o centro murado é frequentado sobretudo por moradores.
Livros e filmes
“Dubrovnik: A History”, Robin Harris (2003)
A história de referência da república em inglês: explica como um Estado de poucos milhares de habitantes sobreviveu entre Veneza e o Império Otomano por meio de tributo, diplomacia e informação.
“Dundo Maroje”, Marin Držić (1551)
Comédia escrita em dialeto ragusano por um autor que tramou contra o governo da própria cidade. Mostra a Dubrovnik mercante do século XVI por dentro (dinheiro, herança e reputação) e continua sendo montada no Festival de Verão.
“Game of Thrones”, HBO (2011–2019)
Não explica a história da cidade, mas explica o presente dela: as temporadas filmadas ali como Porto Real transformaram Lovrijenac, a torre Minčeta e a escadaria jesuíta em pontos de fila e são a origem direta do debate local sobre excesso de turismo.
Perguntas frequentes
Dubrovnik: como ir do aeroporto ao centro?
O ônibus da Platanus/Atlas sai em sincronia com os voos, leva 25 a 40 minutos e custa cerca de 13 € o trecho (2026), com paradas na rodoviária de Gruž e no Pile. O táxi fica entre 35 e 50 € e Uber e Bolt operam na cidade.
Dubrovnik: como chegar a Cavtat?
Cavtat fica 18 km ao sul, a 40 minutos de ônibus da linha 10 ou a 45 minutos de barco do Porto Velho no verão.
Dubrovnik: qual é a moeda, e o cartão é aceito?
A moeda é o euro desde 1º de janeiro de 2023 e o cartão por aproximação funciona em praticamente tudo, inclusive nos ônibus mais novos e nas barracas maiores do mercado.
Dubrovnik: como é o verão?
O verão é seco e quente: julho e agosto têm máximas de 29 a 32 °C, mar entre 24 e 26 °C, praticamente nenhuma chuva e o pico absoluto de gente, com dias em que dois navios de cruzeiro somam 4 mil desembarques antes das dez da manhã.
Dubrovnik: é proibido arrastar mala de rodinhas?
Não há proibição nem multa para malas com rodinhas: a notícia que circulou em 2023 foi desmentida pela prefeitura, e o que existe é uma campanha pedindo que os visitantes carreguem a bagagem.
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