
Irlanda
Dublin
Pubs com música, o Livro de Kells e a Dublin de Joyce
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
Com um terceiro, cruze para o norte do rio e siga de DART para a costa. Com um quarto, vá a Wicklow ou a Newgrange. Não espere monumento grande, porque aqui quase tudo acontece em salas pequenas e na conversa de balcão. Com um dia só, entre às 9h no Livro de Kells e suba até o Castelo e a Chester Beatty, que é gratuita. Depois desça pelas Liberties até a catedral de São Patrício e feche com uma pinta num pub da Camden Street. Temple Bar decepciona: o paralelepípedo é bonito de manhã, mas à noite a rua fica cara e barulhenta. A cidade inteira pesa no bolso, com hotel três estrelas a 160–250 € em plena crise de moradia.
2–3
Quando Maio, junho e setembro
Como o guia chega a este número
O clima muda de hora em hora e quase nunca é extremo: 4–8 °C no inverno, 15–20 °C no verão, e uma chuva que costuma ser garoa, raramente aguaceiro. Maio, junho e setembro dão a melhor relação entre luz, preço e multidão: em junho o céu ainda tem claridade às 22h30, e em dezembro escurece por volta das 16h20. Julho e agosto são a alta temporada, com hotéis caros e filas nas atrações principais, mas também com festivais e jogos em Croke Park. Março concentra a semana de São Patrício: se você não vem pelo desfile, evite a semana do dia 17, quando a hospedagem dobra. Janeiro não compensa: dia curto, vento úmido, horários reduzidos em museus e atrações e nada no calendário para pagar por isso. Leve casaco impermeável com capuz em qualquer época, porque o vento inutiliza guarda-chuva, e leve camadas, porque a mesma tarde pode ter sol e chuva duas vezes.
Por pessoa/dia Econômico 80–110 €; médio 160–220 €; confortável a partir de 300 € (faixas aproximadas de 2026)
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaDê dois dias a Dublin: o primeiro ao sul do rio, do Trinity às catedrais, e o segundo à cervejaria Guinness, à prisão de Kilmainham e ao Phoenix Park. Com um terceiro, cruze para o norte do rio e siga de DART para a costa. Com um quarto, vá a Wicklow ou a Newgrange. Não espere monumento grande, porque aqui quase tudo acontece em salas pequenas e na conversa de balcão. Com um dia só, entre às 9h no Livro de Kells e suba até o Castelo e a Chester Beatty, que é gratuita. Depois desça pelas Liberties até a catedral de São Patrício e feche com uma pinta num pub da Camden Street. Temple Bar decepciona: o paralelepípedo é bonito de manhã, mas à noite a rua fica cara e barulhenta. A cidade inteira pesa no bolso, com hotel três estrelas a 160–250 € em plena crise de moradia.Numa noite de Dublin, violino, flauta e bodhrán tocam em roda no canto de um pub de Smithfield, sem palco nem cachê, e essa música de balcão é o melhor motivo para vir. De dia, o centro se atravessa a pé em meia hora: o Livro de Kells, iluminado por volta do ano 800, está no Trinity College, e o ouro pré-histórico e os corpos do pântano ficam no Museu Nacional de Arqueologia, de entrada gratuita. As praças georgianas de tijolo vermelho vêm do século XVIII, e as marcas de bala do Levante de 1916 ainda estão nas colunas dos Correios. Prove o coddle, ensopado pálido de salsicha e bacon, o fish and chips das casas abertas por italianos e o sanduíche de batata Tayto. A meia hora de DART fica a trilha da falésia de Howth. Venha em maio, junho ou setembro, e dê dois dias ao centro e um terceiro à costa.
Ficha rápida
- População
- Cerca de 592 mil moradores no município; a região, incluindo Meath, Kildare e Wicklow, ultrapassa 2 milhões de pessoas (2022, estimativa 2026)
- Fundação
- Assentamento gaélico de Áth Cliath; longphort viking a partir de c. 841
- País e região
- Irlanda: província de Leinster, condado de Dublin
- Idiomas
- Inglês no cotidiano; o irlandês (gaeilge) é a primeira língua oficial e aparece em todas as placas e nomes de rua
- Moeda
- Euro (€)
- Fuso
- GMT, UTC+0 (IST, UTC+1, do fim de março ao fim de outubro)
- Melhor época
- Maio, junho e setembro
- Custo médio por dia
- Econômico 80–110 €; médio 160–220 €; confortável a partir de 300 € (faixas aproximadas de 2026)
Quando ir
Maio, junho e setembro
janeiro
2° a 8°C
62 mm de chuva
fevereiro
2° a 9°C
52 mm de chuva
março
3° a 10°C
51 mm de chuva
abril
4° a 12°C
55 mm de chuva
julho
11° a 20°C
61 mm de chuva
agosto
11° a 19°C
73 mm de chuva
outubro
7° a 14°C
78 mm de chuva
novembro
4° a 10°C
83 mm de chuva
dezembro
3° a 8°C
72 mm de chuva
O que muda ao longo do ano
O clima muda de hora em hora e quase nunca é extremo: 4–8 °C no inverno, 15–20 °C no verão, e uma chuva que costuma ser garoa, raramente aguaceiro. Maio, junho e setembro dão a melhor relação entre luz, preço e multidão: em junho o céu ainda tem claridade às 22h30, e em dezembro escurece por volta das 16h20. Julho e agosto são a alta temporada, com hotéis caros e filas nas atrações principais, mas também com festivais e jogos em Croke Park. Março concentra a semana de São Patrício: se você não vem pelo desfile, evite a semana do dia 17, quando a hospedagem dobra. Janeiro não compensa: dia curto, vento úmido, horários reduzidos em museus e atrações e nada no calendário para pagar por isso. Leve casaco impermeável com capuz em qualquer época, porque o vento inutiliza guarda-chuva, e leve camadas, porque a mesma tarde pode ter sol e chuva duas vezes.
Os mesmos números em tabela
| Mês | Temperatura °C | Chuva mm |
|---|---|---|
| janeiro | 2 a 8 | 62 |
| fevereiro | 2 a 9 | 52 |
| março | 3 a 10 | 51 |
| abril | 4 a 12 | 55 |
| maio · | 7 a 15 | 57 |
| junho · | 9 a 18 | 64 |
| julho | 11 a 20 | 61 |
| agosto | 11 a 19 | 73 |
| setembro · | 10 a 17 | 63 |
| outubro | 7 a 14 | 78 |
| novembro | 4 a 10 | 83 |
| dezembro | 3 a 8 | 72 |
Dicas do Nilo
Fora de Temple Bar, a pinta custa cerca de 2 € menos
Em Temple Bar a pinta sai por 8–10 €, enquanto na Camden Street ou na Aungier Street, a uns dez minutos a pé, a mesma stout custa 6–7,50 €. Se a noite for de música, atravesse o rio até Smithfield, onde a sessão do Cobblestone não tem reserva nem palco. Chegue antes das 21h para pegar lugar perto da roda de músicos, no canto do salão.
Compre o Leap antes de precisar dele
Sem ele, a caixa do ônibus só aceita moedas e não dá troco. O que passar do valor vira um comprovante, trocado só no escritório da Dublin Bus na O'Connell Street, em horário comercial. O cartão TFI Leap custa cerca de 5 € com depósito e é vendido no aeroporto e em lojas de conveniência. Com ele, a tarifa de 90 minutos sai por 2 € na zona central e cobre as baldeações feitas nesse tempo, com teto de 6–8 € por dia e 24 € por semana. Cartão sem contato ainda não vale em todo ônibus, então não conte com ele.
Kilmainham Gaol se compra semanas antes
No verão os ingressos esgotam semanas antes, e não existe fila de última hora que resolva. A visita é só com guia, custa cerca de 8 €, e os ingressos saem online em lotes. Da cervejaria Guinness até a prisão dá para ir a pé ou pela linha vermelha do Luas.
A Long Room está com prateleiras vazias
A obra de conservação deixou livros apenas nas quatro primeiras baias. Enquanto ela durar, a visita ao Trinity vale sobretudo pelo Livro de Kells, exibido em duas páginas por vez. O ingresso tem hora marcada e custa a partir de cerca de 21,50 €, e às 9h ainda não há fila nem multidão. Para ver acervo, vá ao Museu Nacional de Arqueologia, na Kildare Street, que é gratuito e guarda os corpos do pântano, o Cálice de Ardagh e o Broche de Tara.
O DART resolve uma tarde por 2 ou 3 €
É a saída mais barata do centro, não pede reserva nenhuma e cabe entre o almoço e o jantar. A linha costeira leva a Howth em 25 a 35 minutos por cerca de 2–3 € com Leap. Lá o circuito da falésia tem 6 km, com peixarias no cais para a volta.
Culture Night, em setembro: prédios fechados abrem de graça
Numa sexta-feira de setembro, centenas de museus, ateliês, embaixadas e igrejas fechados no resto do ano abrem de graça até tarde. Ficam a poucos minutos a pé uns dos outros, então venha nessa noite se a sua data for flexível. No sentido oposto, fuja do São Patrício se não vier pelo desfile: na semana do dia 17 os hotéis cobram o dobro e lotam com meses de antecedência.
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Abrir o appO que ver
Dublin: A planície, as colinas e os rios
O Liffey, que nasce em Wicklow e corre 132 km em arco até desaguar na baía, corta a cidade ao meio e criou a divisão social que os dublinenses ainda usam como referência: northside e southside, com o sul historicamente mais rico. Quadra de ruas de paralelepípedo entre a Dame Street e o rio, salva nos anos 1980 de virar terminal rodoviário e transformada em zona cultural.

Trinity College e o Livro de Kells
Colégio de 1592 no meio do centro, com pátios de pedra e a Old Library de 1712–1732, cuja Long Room tem 65 m de comprimento. O Livro de Kells, evangeliário iluminado em velino por volta do ano 800, é exibido em duas páginas por vez. Atenção: o projeto de conservação da Old Library retirou a maior parte dos cerca de 200 mil volumes da Long Room a partir de 2023, e só as quatro primeiras baias ainda guardam livros (cerca de 20 mil); o resto da sala está com prateleiras vazias e obras em curso (2026). Ingresso com hora marcada a partir de cerca de 21,50 €; reserve pelo site.
Com hora marcada, a partir de cerca de 21,50 €, o evangeliário de Kells em velino aparece em duas páginas de cada vez. Desde 2023 a conservação tirou da Long Room a maior parte dos cerca de 200 mil volumes: só as quatro primeiras baias ainda guardam livros, cerca de 20 mil, e o resto da sala está com prateleiras vazias e obras em curso em 2026.
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Kilmainham Gaol
Prisão de 1796, desativada em 1924, onde catorze líderes do Levante de 1916 foram fuzilados no pátio dos quebra-pedras em maio daquele ano. A ala vitoriana de 1861, com galeria oval e claraboia, aparece em dezenas de filmes. A visita é só com guia, custa cerca de 8 € e o ingresso se compra online.
O passeio conduzido custa cerca de 8 € e percorre o pátio dos quebra-pedras onde fuzilaram em maio catorze chefes do Levante de 1916, continua na ala vitoriana que aparece em dezenas de filmes, e os bilhetes acabam semanas antes no verão.
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Museu Nacional da Irlanda: Arqueologia
Na Kildare Street, prédio de 1890 em rotunda de mármore. Guarda o maior acervo de ouro pré-histórico da Europa ocidental, o Broche de Tara e o Cálice de Ardagh (séc. VIII), e quatro corpos do pântano preservados por dois mil anos de turfa, com a pele e as unhas intactas. Entrada gratuita, como em todas as unidades do museu nacional.
A entrada gratuita abre o maior conjunto de ouro pré-histórico da Europa ocidental e quatro corpos que a turfa segurou com pele e unhas intactas.
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Guinness Storehouse
Antiga usina de fermentação de sete andares dentro da cervejaria de St James's Gate, aberta como museu em 2000 e hoje a atração mais visitada do país. Arthur Guinness assinou em 1759 um arrendamento de 9.000 anos por 45 libras ao ano. O documento está exposto sob o piso de vidro do térreo. Termina no Gravity Bar, com vista de 360°. Entrada cerca de 26 € e preço variável por horário; comprar online sai mais barato.
A antiga fábrica de fermentação virou a visita mais procurada do país, e o contrato de arrendamento está sob o vidro do térreo; arrendamento de 9.000 anos, assinado em 1759; entrada cerca de 26 €.
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Catedral de São Patrício
Construída entre 1220 e 1260 sobre um poço onde São Patrício teria batizado convertidos, é a maior igreja da Irlanda, com torre-agulha de 43 m. Jonathan Swift, autor de “As Viagens de Gulliver”, foi deão de 1713 a 1745 e está enterrado na nave, sob um epitáfio em latim escrito por ele mesmo.
Construída de 1220 a 1260 por cima de um poço, a catedral é a maior igreja da Irlanda, com torre-agulha de 43 m, e Swift, deão de 1713 a 1745, está enterrado na nave sob o epitáfio de próprio punho.
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Castelo de Dublin e Chester Beatty Library
Sede do poder inglês de 1204 a 1922, reconstruída depois do incêndio de 1684; restam a Record Tower medieval e os State Apartments do século XVIII. Nos jardins fica a Chester Beatty, coleção de manuscritos, papiros e livros islâmicos, chineses e europeus que o magnata do cobre trouxe para Dublin em 1950 e legou ao Estado irlandês ao morrer, em 1968; a entrada é gratuita. Confirme antes: partes do castelo fecham para eventos de Estado.
Após o fogo de 1684 ficou a torre medieval da sede do poder da Inglaterra de 1204 a 1922, e nos jardins a coleção de manuscritos islâmicos, chineses e europeus tem entrada gratuita.
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GPO e O'Connell Street
Os Correios centrais de 1818, com pórtico jônico de Francis Johnston, foram o quartel-general do Levante de 1916 e ainda têm marcas de bala nas colunas. A avenida em frente tem 49 m de largura e o Spire, agulha de aço inoxidável de 120 m instalada em 2003 no lugar da coluna de Nelson, explodida em 1966. A exposição GPO Witness History conta a semana da Páscoa dentro do próprio edifício.
Os Correios centrais de 1818 foram o quartel-general do Levante de 1916, e as colunas do pórtico ainda guardam marcas de bala. A exposição GPO Witness History conta a semana da Páscoa dentro do próprio edifício, de frente para o Spire, a agulha de aço de 120 m que substituiu a coluna de Nelson.
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Phoenix Park
Parque murado de 707 hectares criado em 1662 como coutada real, o dobro do Central Park. Dentro dele estão a Áras an Uachtaráin (residência do presidente, de 1751), o Zoológico de Dublin (1831, um dos mais antigos do mundo), o obelisco Wellington de 62 m e um rebanho de gamos que pasta solto desde o século XVII.
A antiga coutada murada cabe o dobro de um parque novaiorquino famoso e ainda solta um rebanho de gamos entre residência, zoológico e um obelisco; criado em 1662, com 707 hectares; obelisco de 62 m e zoológico de 1831.
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Christ Church e Dublinia
Fundada por volta de 1030 pelo rei nórdico Sitric Barba de Seda e reconstruída em pedra pelos normandos a partir de 1172. A cripta, de 63 m, é a maior das ilhas britânicas e guarda um gato e um rato mumificados encontrados nos tubos do órgão no século XIX. Uma passarela coberta liga a catedral ao Dublinia, museu da cidade viking e medieval.
São duas catedrais na mesma descida das Liberties, e com pouco tempo São Patrício vem antes, por ser a maior igreja da Irlanda e guardar o túmulo de Swift. O que se leva da Christ Church é a cripta de 63 m e o gato e o rato mumificados achados nos tubos do órgão no século XIX: bom de contar, mas não o suficiente para reorganizar a tarde.
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O roteiro do Nilo
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Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · Sul do rio: o colégio, o museu e a cidade medieval
Comece às 9h no Trinity College com ingresso marcado para o Livro de Kells e a Old Library; saia pelo pátio para a Grafton Street.
Suba ao St Stephen's Green (parque aberto desde 1880) e siga para o Museu Nacional de Arqueologia, na Kildare Street, para os corpos do pântano e o ouro pré-histórico: entrada gratuita, 90 minutos bastam.
Almoce um pub lunch na área da Dawson ou da South William Street, 14–20 €.
À tarde, visite o Castelo de Dublin e a Chester Beatty Library, que é gratuita, e depois passe pela Christ Church e desça pelas Liberties até a catedral de São Patrício.
Jante cedo e tome uma pinta num pub fora de Temple Bar, na Camden Street ou na Aungier Street.
Dia 2 · Cerveja, prisão e parque
Entre na Guinness Storehouse com hora marcada logo na abertura, quando o Gravity Bar ainda está vazio, e reserve duas horas.
Caminhe ou pegue a linha vermelha do Luas até Kilmainham Gaol para a visita guiada, comprada com semanas de antecedência.
Almoce no Royal Hospital Kilmainham, de 1684, que abriga o Museu Irlandês de Arte Moderna (IMMA) e tem jardins formais abertos.
Entre no Phoenix Park pelo portão de Islandbridge e caminhe até o obelisco Wellington e a área dos gamos; opção de Zoológico de Dublin com crianças.
À noite, procure uma sessão de música tradicional em Smithfield ou Stoneybatter e chegue antes das 21h para conseguir lugar.
Se ficar mais
Dia 3 · Norte do rio e a costa
Comece a manhã na O'Connell Street com a exposição GPO Witness History, dentro dos Correios de 1818, que ainda têm as marcas de bala de 1916 nas colunas.
Escolha um dos dois: 14 Henrietta Street, casa georgiana que virou cortiço e hoje conta a história das famílias que moraram nela, ou o museu da emigração EPIC, nas docas.
Almoce nas docas e veja de perto a ponte Samuel Beckett, de Calatrava (2009), e o navio-réplica Jeanie Johnston.
Pegue o DART para Howth (cerca de 30 min) e faça o trecho fácil da trilha da falésia, com peixe fresco no cais na volta; alternativa ao sul: Sandycove, a torre do “Ulisses” e o Forty Foot.
Volte a tempo de jantar na cidade e feche num pub de bairro, onde o preço da pinta cai e a conversa começa sozinha.
Comida
Ilustração com IAPinta de stout
A Guinness é servida em duas etapas: o barman enche até três quartos, deixa assentar cerca de dois minutos e completa depois; não peça pressa. Num pub comum do centro, a pinta custa cerca de 6–7,50 € (2026). Alternativas locais de cervejarias menores aparecem em quase todo pub decente.
Ilustração com IACoddle
Ensopado dublinense de salsicha, bacon, cebola e batata cozidos em caldo, sem dourar: por isso o aspecto pálido que assusta o forasteiro. Era prato de sobras de quinta-feira nas casas operárias do século XIX e hoje aparece em cardápios de pub, às vezes com pão de soda para molhar.
Ilustração com IAFish and chips do chipper
As peixarias fritas de Dublin foram abertas por imigrantes italianos a partir do fim do século XIX, e várias casas centenárias seguem em atividade. Peça “one and one”, gíria local para peixe com fritas herdada do “uno e uno” italiano; sal, vinagre de malte e, se quiser o hábito irlandês, molho de curry por cima.
Ilustração com IACafé da manhã irlandês completo
Bacon em fatias largas, salsicha, ovo, tomate grelhado, feijão, e os dois puddings: o black, com sangue, e o white, sem. Serve-se com pão de soda ou batata frita em fatias e chá forte com leite. Custa 12–18 € e é servido até o meio da tarde na maioria dos cafés.
Ilustração com IAPão de soda e brown bread
Massa sem fermento biológico, levantada com bicarbonato reagindo ao leitelho, assada em uma hora: invenção do século XIX numa ilha sem fornos de padaria em toda casa. A versão integral escura acompanha sopa de mariscos (seafood chowder) em qualquer pub à beira-mar.
Ilustração com IAFrutos do mar da baía
Ostras irlandesas, mexilhões e o lagostim conhecido como Dublin Bay prawn, que quase todo restaurante da Europa vende como scampi. Howth e Dún Laoghaire têm bancas e restaurantes junto ao cais; a combinação clássica é ostra com stout.
Ilustração com IASanduíche de batata frita
Duas fatias de pão de forma branco com manteiga e um pacote de batatas Tayto sabor queijo e cebola no meio. A marca lançou o primeiro salgadinho com sabor do mundo em 1954, em Dublin, e o sanduíche é ritual doméstico e de pub, feito na hora e sem cerimônia.
Ilustração com IAUísque irlandês
Destilado três vezes, mais leve que o escocês, quase extinto no século XX e ressuscitado a partir dos anos 2010. Em Dublin dá para visitar a Jameson na Bow Street (a produção mudou para Cork em 1975), a Teeling nas Liberties, primeira destilaria nova da cidade em 125 anos, e a Roe & Co ao lado da Guinness.
Bate-voltas

Howth, Dalkey e Dún Laoghaire (DART)
25 a 35 minutos do centro pela linha costeira, cerca de 2–3 € com Leap. Howth fica ao pé de um promontório com porto pesqueiro; Dalkey e Killiney oferecem vista da baía do alto de Killiney Hill; Dún Laoghaire tem dois quebra-mares vitorianos e o poço de mar do Forty Foot em Sandycove.

Brú na Bóinne (Newgrange), Meath
Cerca de 50 km a noroeste, 1h de carro ou 1h15 em excursão saindo do centro. Túmulo de corredor de c. 3200 a.C., anterior a Stonehenge e às pirâmides, com câmara alinhada ao nascer do sol do solstício de inverno. O acesso é só por ônibus a partir do centro de visitantes em Donore; reserve com antecedência no verão.

Glendalough e as montanhas de Wicklow
50 km ao sul, 1h15 de carro ou cerca de 2h no ônibus St Kevin's, que sai do centro. Mosteiro do século VI num vale glacial de dois lagos, com torre redonda de 30 m de pé; há trilhas sinalizadas de 1h a 4h dentro do Parque Nacional das Montanhas de Wicklow.
Por onde começar
Sul do rio: o colégio, o museu e a cidade medieval

Comece às 9h no Trinity College com ingresso marcado para o Livro de Kells e a Old Library; saia pelo pátio para a Grafton Street.
Cerveja, prisão e parque

Entre na Guinness Storehouse com hora marcada logo na abertura, quando o Gravity Bar ainda está vazio, e reserve duas horas.
Norte do rio e a costa

Comece a manhã na O'Connell Street com a exposição GPO Witness History, dentro dos Correios de 1818, que ainda têm as marcas de bala de 1916 nas colunas.
Dinheiro
A moeda é o euro, e a Irlanda do Norte, a duas horas de trem, usa libra esterlina, então guarde as duas se for cruzar a fronteira. Faixas de 2026, aproximadas: café expresso ou cappuccino 3,50–4,50 €; sanduíche de padaria 6–9 €; almoço de pub 14–20 €; jantar de restaurante médio 30–45 € por pessoa sem bebida; pinta 6–7,50 € num pub comum e 8–10 € em Temple Bar; cama em dormitório de hostel 30–50 €; hotel de três estrelas 160–250 € a diária, com picos em fins de semana de rugby, shows grandes e na semana de São Patrício. Cartão sem contato é aceito em praticamente todo comércio, inclusive para valores baixos; a exceção teimosa é o ônibus urbano, que quer moeda exata ou Leap. Gorjeta: 10% em restaurante com serviço de mesa, se não houver taxa embutida; nada no balcão do pub, onde se paga na hora e o troco fica com você; arredondar para cima no táxi. A Irlanda não cobra taxa turística por diária em 2026: a prefeitura de Dublin defende a criação de uma, ainda não aprovada. Reembolso de IVA existe para residentes fora da UE em compras de varejo, com formulário na loja.
Como chegar e se locomover
Aeroporto: 10 km ao norte, ainda sem trem
O aeroporto de Dublin (DUB) fica 10 km ao norte do centro, tem dois terminais, movimenta cerca de 35 milhões de passageiros por ano e, em 2026, ainda não tem ligação ferroviária, e por isso a chegada é de ônibus ou táxi. As opções são o Airlink Express 700 (cerca de 8–9 €, 30 a 45 minutos até o centro), os ônibus Dublin Express 782 e 784 (faixa parecida), as linhas urbanas comuns 16 e 41 (cerca de 2,60 € em dinheiro, mais lentas, param em todo lugar) e o táxi, 30 a 40 € e 25 a 45 minutos conforme o trânsito. O MetroLink, linha subterrânea prevista entre o aeroporto e Charlemont, recebeu autorização de obra em 2025 e não deve operar antes da década de 2030. Se você chega à noite, note que muitos voos low-cost pousam depois da meia-noite, quando só há táxi e algumas linhas noturnas.
O cartão Leap resolve tudo
Dentro da cidade, o cartão TFI Leap resolve tudo: vale em ônibus, nos dois bondes Luas (linha verde de Broombridge a Brides Glen, linha vermelha de Tallaght/Saggart a The Point), no trem urbano DART, que corre pela costa de Howth e Malahide até Greystones, e nos trens de subúrbio. O centro é pequeno e plano: quase tudo cabe numa caminhada de 30 minutos, e vale caminhar mais do que o necessário, só pelo prazer. Há bicicletas públicas Dublinbikes (cerca de 1.600 bicicletas, passe de três dias por volta de 5 €, primeiros 30 minutos grátis) e patinetes e bicicletas elétricas por aplicativo. Táxi se chama pela rua, no ponto ou pelo Free Now; alugar carro só faz sentido para sair da cidade.
Segurança
Dublin é uma capital segura para o padrão europeu, com crime violento contra visitantes raro, mas com furto persistente. O furto tem endereço: batedores e roubo de celular na O'Connell Street, na Henry Street, na Grafton Street, em ônibus lotados e dentro de pubs cheios, onde bolsa em encosto de cadeira e telefone sobre a mesa desaparecem. Roubo de bicicleta é endêmico. Use cadeado tipo U e não deixe a bicicleta na rua durante a noite. À noite há aglomeração alcoolizada no fechamento dos pubs, entre 23h30 e 2h30, principalmente em torno de Temple Bar, e comportamento antissocial e uso de drogas visível em partes do centro norte, em especial nas imediações da Talbot Street, da Sean McDermott Street e das passarelas do Liffey depois de escurecer. Nada disso costuma envolver estrangeiros, mas evite discussão e siga andando. Nunca deixe nada visível dentro de carro estacionado, inclusive nos estacionamentos de trilha e de praia. Emergência: 112 ou 999, gratuitos de qualquer telefone. Táxi só de ponto oficial ou por aplicativo; motorista legal tem licença amarela afixada no vidro, e vale olhar o vidro antes de abrir a porta.
Dicas de etiqueta
Rodada no pub: cada um paga na sua vez
Num grupo de pub, uma pessoa paga a bebida de todos e a vez circula. Entrar na rodada obriga a comprar a sua quando chegar o seu turno; se você não pretende beber tanto, diga no começo que vai pagar a sua e ninguém se ofende.
Não apresse a pinta
O barman enche parcialmente, deixa assentar e completa depois. Não pergunte por que está demorando e não pegue o copo antes de ele empurrar na sua direção. Essa espera faz parte do processo que garante uma pinta bem servida.
No balcão não se dá gorjeta
Peça e pague no balcão, porque a maioria dos pubs não tem serviço de mesa, e não deixe gorjeta para o barman. Não há fila visível, mas ele sabe exatamente quem chegou primeiro, e acenar dinheiro ou chamar em voz alta só atrasa o seu atendimento.
“How's it going?” é cumprimento
A pergunta sobre como você está, assim como “what's the story?”, não pede relatório: responda com a mesma frase, com “grand” ou com “not too bad”. Saiba também que “grand” quer dizer aceitável, não ótimo.
Irlanda não é Reino Unido
A República é um país independente desde 1922, com moeda e governo próprios, e a Irlanda do Norte é outra jurisdição. Não chame Dublin de cidade britânica nem trate o país como parte da Inglaterra: é o engano que mais incomoda os irlandeses.
Fale de política sem discursar
Perguntas sobre a Igreja, o Norte, a moradia e a emigração são conversa comum de balcão e as pessoas respondem com franqueza. Ouvir vale mais que opinar, e cantar canções republicanas como turista soa mal em qualquer companhia.
Erros a evitar

Ficar preso a Temple Bar e pagar mais pela pinta
Passar a noite inteira em Temple Bar, onde ficam os pubs mais caros da cidade. A dez minutos a pé, os pubs de bairro da Camden Street servem a mesma Guinness do mesmo barril.
Não reservar Kilmainham nem o Livro
Não reservar com antecedência: Kilmainham Gaol, o Livro de Kells e a Guinness Storehouse vendem por hora marcada, e o ingresso online sai mais barato.
Nota de 10 € no ônibus
Entrar no ônibus sem o cartão Leap e sem moedas contadas. A caixa aceita só moedas, não aceita nota e não devolve troco: o que você pagar a mais vira um comprovante, que só se troca em horário comercial no escritório da Dublin Bus na O'Connell Street. Separe o valor exato em moedas ou, melhor, compre o Leap logo na chegada.
Ir a Belfast sem libra esterlina
Planejar um bate-volta a Belfast sem lembrar que lá se paga em libra esterlina e que, apesar da fronteira aberta e sem controle, é outro país, com outro sistema de saúde e outra telefonia.
Alugar carro para ficar em Dublin
Alugar carro para ficar na cidade: estacionamento caro, faixas exclusivas de ônibus fiscalizadas por câmera, ruas de mão única medievais. Alugue só no dia em que for para Wicklow ou para o oeste.
Frases úteis
Sláinte
Saúde: brinde padrão, dito no primeiro gole (pronuncia-se “slân-tche”)
Go raibh maith agat
Obrigado, em irlandês (aproximadamente “gôrrev má agat”)
Dia duit
Olá, literalmente “Deus contigo” (aproximadamente “dia guit”)
What's the story?
Como vai? Cumprimento informal de rua, não pede resposta longa
Grand
Bem, aceitável, resolvido: não significa ótimo; “I'm grand” também recusa uma oferta
Craic
Conversa boa, animação, o que aconteceu; “any craic?” é “e aí, alguma novidade?” (pronuncia-se “crék”)
Bairros
Temple Bar
Quadra de ruas de paralelepípedo entre a Dame Street e o rio, salva nos anos 1980 de virar terminal rodoviário e transformada em zona cultural. Concentra o Irish Film Institute, a Gallery of Photography, o mercado de comida de sábado em Meeting House Square e os pubs mais caros da cidade.

The Liberties
Sudoeste do centro, área que ficou fora da jurisdição da cidade medieval e virou bairro de tecelões, curtumes e destilarias. Ali estão a cervejaria Guinness em St James's Gate desde 1759, as destilarias Teeling (2015) e Roe & Co (2019), a catedral de São Patrício e a Meath Street, uma das últimas ruas de comércio popular do centro.
Núcleo georgiano (Merrion, Fitzwilliam, Baggot Street)
Sudeste do centro: tijolo vermelho de três e quatro andares, portas coloridas, praças privadas com chave. Concentra Leinster House (parlamento), a National Gallery, o Museu Nacional de Arqueologia, escritórios de advocacia e consultórios; é onde se anda para ver a cidade do século XVIII de pé.
Stoneybatter e Smithfield
Norte do Liffey, o antigo mercado de gado e a destilaria original da Jameson. Casinhas vitorianas de duas janelas, cafés novos, o pub Cobblestone com sessões de música tradicional quase todas as noites, e a praça de Smithfield com sua chaminé-mirante de 1895.
Portobello e Rathmines
Sul imediato, ao longo do Grand Canal. Bairro de estudantes, moradores de aluguel e cozinhas estrangeiras; no verão, as margens do canal viram bar ao ar livre. Rathmines tem a cúpula de cobre verde da igreja de Santa Maria e uma das maiores concentrações de apartamentos alugados do país.
Docklands e Grand Canal Dock
As antigas docas reconvertidas a partir de 1987, hoje chamadas de Silicon Docks: escritórios de Google, Meta, TikTok e bancos. Marcos recentes: a ponte Samuel Beckett de Santiago Calatrava (2009) em forma de harpa deitada e o teatro Bord Gáis de Daniel Libeskind (2010).
Phibsborough e Drumcondra
Norte residencial de casas geminadas em tijolo, atravessado pela estrada para o aeroporto. Abriga Croke Park, o estádio de 82.300 lugares dos esportes gaélicos, e o Dalymount Park do Bohemian FC; em dia de jogo do All-Ireland, o bairro inteiro se converte em estacionamento e churrasqueira.
Howth, Sandycove e Dún Laoghaire
Pontas da linha costeira do DART, uma ao norte da baía e outra ao sul. Howth é um porto pesqueiro ao pé de um promontório com trilha de falésia; Dún Laoghaire tem dois quebra-mares vitorianos para caminhar; em Sandycove fica a torre Martello onde começa o “Ulisses” e o Forty Foot, poço de mar onde se nada o ano inteiro.
História
c. 841 · O longphort viking
Nórdicos instalam um acampamento fortificado de barcos onde o rio Poddle formava um poço escuro, o dubh linn, junto ao Liffey. A poucas centenas de metros já existia o povoado gaélico de Áth Cliath, que dá à cidade seu nome em irlandês.

1014 · Batalha de Clontarf
Brian Boru derrota os nórdicos de Dublin e seus aliados de Leinster na Sexta-Feira Santa, ao norte da cidade, e morre na batalha. Dublin segue como cidade nórdico-gaélica, comercial e portuária.

1170–1204 · Normandos e o castelo
Richard de Clare, o Strongbow, toma a cidade em 1170 e Henrique II desembarca em 1171. Em 1204 o rei João manda erguer o Castelo de Dublin, sede do poder inglês na Irlanda pelos 700 anos seguintes.

1592 · Trinity College
Isabel I concede carta ao colégio, construído fora das muralhas no terreno do priorado dissolvido de All Hallows. A instituição forma a elite protestante e acumula a biblioteca que hoje guarda o Livro de Kells.

1757–1800 · Dublin georgiana
A Wide Streets Commission, criada em 1757, rasga avenidas e organiza a cidade em praças: Merrion (1762), Fitzwilliam (1791). James Gandon assina a Custom House (1791) e os Four Courts (1802), e Dublin vira a segunda cidade do império britânico, com parlamento próprio em College Green.

1801 · O Ato de União
O parlamento irlandês se autodissolve e o poder passa a Londres; a aristocracia esvazia as casas georgianas. Ao longo do século XIX essas casas viram cortiços: em 1911 mais de 20 mil famílias de Dublin viviam em um único cômodo.

1845–1852 · A Grande Fome
A quebra da batata mata cerca de um milhão de pessoas e empurra outro milhão para fora da ilha. Refugiados rurais lotam Dublin, e a população da Irlanda, de 8,2 milhões em 1841, nunca mais voltou a esse número.

1913 · O Lockout de Dublin
Cerca de 300 empregadores liderados por William Martin Murphy fecham as portas a 20 mil trabalhadores sindicalizados por Jim Larkin, num impasse de oito meses. Dele saem o Liberty Hall como quartel operário e o Exército Cidadão Irlandês.

1916 · Levante da Páscoa
Cerca de 1.200 rebeldes ocupam os Correios da Sackville Street na segunda-feira de Páscoa, 24 de abril, e Patrick Pearse lê a Proclamação da República na escadaria. A artilharia britânica destrói o centro em seis dias; morrem 485 pessoas, a maioria civis, e entre 3 e 12 de maio catorze líderes são fuzilados no pátio de Kilmainham.

1919–1923 · Independência e guerra civil
Na Guerra da Independência, forças britânicas abrem fogo contra a torcida em Croke Park no Domingo Sangrento de 21 de novembro de 1920, matando catorze pessoas. Dublin vira capital do Estado Livre em 1922, e a guerra civil começa com o bombardeio dos Four Courts em junho, que incineraria o Arquivo Público e sete séculos de documentos.

1995–2026 · Tigre Celta, quebra e docas
Imposto corporativo de 12,5%, fundos europeus e empresas americanas produzem o boom de 1995–2007, seguido do colapso bancário de 2008 e do resgate de 67,5 bilhões de euros em 2010. Google (2003), Meta (2008), LinkedIn e TikTok concentram escritórios nas docas, e o aluguel médio na cidade passou dos 2.000 € mensais (2025–2026).

História completa
Fundada por quem chegou de barco para saquear
Dublin foi fundada por gente que chegou de barco para saquear e ficou para comerciar. O acampamento viking de 841 se firmou porque o ponto reunia três vantagens: um rio navegável, um vau que já era travessia gaélica e uma baía protegida na rota entre a Escandinávia, a Inglaterra e o mar da Irlanda. Por dois séculos a cidade foi um entreposto nórdico-gaélico de escravos, prata e couro, com reis próprios. Em 1014, Brian Boru derrotou os nórdicos de Dublin e seus aliados de Leinster em Clontarf, mas a cidade não foi destruída e seguiu como porto nórdico-gaélico até a chegada dos normandos.
Os normandos tomam a cidade em 1170
A virada foi 1170. Os normandos chegam a convite de um rei de Leinster deposto, tomam a cidade e nunca mais saem. O Castelo de Dublin, iniciado em 1204, transforma o porto numa capital administrativa: dali se governava o Pale, a faixa em torno da cidade onde a lei inglesa de fato valia, enquanto o resto da ilha seguia gaélica. Trinity College, de 1592, e as catedrais reformadas selam o desenho de uma cidade colonial protestante governando uma maioria católica: arranjo que produz os motins, as leis penais e as revoltas dos séculos XVII e XVIII.
O século XVIII: praças georgianas e tijolo vermelho
O século XVIII deixou o esqueleto que se vê hoje. Com parlamento próprio e uma classe proprietária rica, Dublin ganhou praças, tijolo vermelho, portas coloridas com bandeira de leque e edifícios públicos de James Gandon virados para o rio. O Ato de União de 1801 acabou com isso da noite para o dia: sem parlamento, a elite foi para Londres, e as mansões georgianas foram subdivididas em cortiços que se tornariam os piores da Europa ocidental. A Grande Fome dos anos 1840 despejou na cidade quem tinha perdido a terra, e no começo do século XX as fachadas georgianas abrigavam famílias inteiras em um só cômodo. Foi nesses cortiços que eclodiu o Lockout de 1913, e é essa a cidade que Joyce descreve nos quinze contos de “Dublinenses”.
O Levante de 1916 e a guerra civil de 1922
Entre 1916 e 1923 a cidade foi bombardeada duas vezes pelos dois lados de uma mesma disputa. O Levante da Páscoa destruiu a Sackville Street, hoje O'Connell Street; a guerra civil destruiu os Four Courts e o arquivo nacional. A república que emergiu foi conservadora, agrária, católica e pobre: até os anos 1980, a exportação principal de Dublin eram pessoas, e a resposta oficial à favelização dos cortiços foi empurrar famílias para conjuntos periféricos como Ballymun, cujas torres de 1966 foram demolidas nos anos 2000.
UE, impostos baixos e as empresas de tecnologia
A cidade de hoje saiu de três decisões e de uma crise. Em 1973 a Irlanda entrou na CEE e passou a receber fundos estruturais; o imposto corporativo baixo atraiu farmacêuticas e, depois de 2000, as plataformas americanas; e em 1987 o centro financeiro foi criado nas docas, num terreno portuário abandonado. A crise foi a bolha imobiliária que estourou em 2008, e o custo social dela ainda organiza a política local: aluguel acima de 2.000 € por mês, escassez crônica de moradia, população jovem e estrangeira (cerca de um em cada cinco moradores nasceu fora da Irlanda) e um centro onde escritórios de vidro nas docas ficam a dez minutos a pé de ruas georgianas que nunca foram restauradas.
O nome Dublin vem de dubh linn, o poço escuro que o rio Poddle formava junto ao Liffey, onde os vikings ancoraram em 841.
Geografia e forma da cidade
A planície, as colinas e os rios
Dublin ocupa uma planície baixa entre a baía e as colinas: ao sul, as montanhas de Wicklow sobem a mais de 700 m a menos de 20 km do centro; ao norte e a oeste, terra agrícola plana. O Liffey, que nasce em Wicklow e corre 132 km em arco até desaguar na baía, corta a cidade ao meio e criou a divisão social que os dublinenses ainda usam como referência: northside e southside, com o sul historicamente mais rico. Rios menores como o Poddle correm canalizados debaixo do asfalto.
Os canais, os anéis e a malha dupla
Dois canais do fim do século XVIII, o Grand (1779–1804) ao sul e o Royal (1790–1817) ao norte, cercam o núcleo georgiano num anel de água e funcionam como fronteira informal do centro; fora deles, a Circular Road e, bem mais longe, a autoestrada M50 fecham anéis sucessivos. A malha é dupla: um emaranhado medieval em torno das catedrais e do Castelo, e a grade regular de praças georgianas a leste e ao sul, resultado da Wide Streets Commission.
O clima oceânico e a baía
O clima é oceânico e ameno (4–8 °C no inverno, 15–20 °C no verão, geada rara e neve quase inexistente) e Dublin fica no lado seco da ilha: cerca de 730 mm de chuva por ano, quase metade do que cai em Galway, distribuídos em uns 150 dias de garoa. A baía é rasa, com maré grande, e o Bull Wall construído nos anos 1820 criou por acúmulo de areia a ilha de North Bull, reserva de biosfera da UNESCO desde 1981.
O rio Poddle, que deu nome à cidade, ainda corre canalizado debaixo do asfalto do centro.
Cultura
Quatro Nobel ligados à cidade
Dublin é cidade da literatura pela UNESCO desde 2010 e tem quatro Nobel de literatura ligados a ela: Yeats (1923), Shaw (1925), Beckett (1969) e Seamus Heaney (1995). A cidade aparece inteira em “Dublinenses” (1914) e “Ulisses” (1922), de James Joyce, que ambientou o romance num único dia, 16 de junho de 1904, e dizia que se Dublin fosse destruída daria para reconstruí-la a partir do livro. A tradição continua: Roddy Doyle escreveu a periferia norte nos anos 1980 e 1990, Anne Enright e Sally Rooney a classe média contemporânea. O teatro tem endereço fixo: o Abbey, fundado por Yeats e Lady Gregory em 1904 como teatro nacional, palco dos tumultos contra “O Playboy do Mundo Ocidental” em 1907 e “A Charrua e as Estrelas” em 1926, e o Gate, de 1928, onde Orson Welles estreou aos dezesseis anos.
Do pub ao rock de exportação
A música vai da sessão tradicional ao rock de exportação. Nos pubs de Smithfield e Stoneybatter, a sessão é uma roda informal de músicos com violino, flauta, bodhrán e concertina que toca de ouvido, sem palco nem cachê e sem pedido do público. Do outro lado estão os Dubliners e os Pogues, Thin Lizzy, o U2 formado em 1976 numa escola de Dublin, Sinéad O'Connor, Hozier e a geração recente de Fontaines D.C. e Lankum, que voltou a cantar a cidade e o preço do aluguel. Grandes shows acontecem no 3Arena, nas docas, e em estádios; o Vicar Street e o Whelan's dão conta do formato médio.
GAA: hurling e futebol gaélico em Croke Park
Esporte é assunto de conversa com estranhos. Croke Park, com 82.300 lugares, recebe as finais do All-Ireland de hurling e futebol gaélico entre julho e agosto: são esportes amadores, os jogadores não recebem salário e defendem o condado onde nasceram. O rugby internacional é no Aviva Stadium (51.700 lugares, inaugurado em 2010 sobre o antigo Lansdowne Road, o campo internacional mais antigo do mundo). No futebol, a Liga da Irlanda tem quatro clubes na cidade e público pequeno. Nos pubs, a conversa com estranhos também passa pela sequência de referendos que mudou o país: divórcio em 1995, casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2015 com 62% de sim e revogação da proibição do aborto em 2018 com 66%. A frequência à missa em Dublin caiu abaixo de 20%, sem que as igrejas tenham deixado a paisagem.
Na sessão de música, não há hora de início: os músicos vão chegando e a roda cresce.
Festas e eventos

St Patrick's Festival
17 de março, com quatro a cinco dias de programação em torno do desfile principal, que sai por volta do meio-dia da Parnell Square e cruza o centro. Hotéis dobram de preço e é preciso reservar meses antes; a cidade recebe centenas de milhares de visitantes.

Bloomsday
16 de junho, data em que se passa o “Ulisses”. Leituras públicas, gente vestida à moda eduardiana, café da manhã com rim de porco e a peregrinação pelos endereços do livro, incluindo o sanduíche de gorgonzola com taça de borgonha no Davy Byrnes.

Finais do All-Ireland
Hurling em julho e futebol gaélico no fim de julho ou em agosto, sempre em Croke Park. Ingresso é quase impossível de comprar sem contato de clube, mas a cidade inteira assiste em pub e o dia funciona como feriado informal.
Ilustração com IACulture Night / Oíche Chultúir
Uma sexta-feira de setembro em que centenas de museus, ateliês, embaixadas, igrejas e estúdios abrem de graça até tarde. Começou em Dublin em 2006 e hoje acontece em todo o país no mesmo dia.
Ilustração com IADublin Theatre Festival
Fim de setembro a meados de outubro desde 1957, o mais antigo festival de teatro em língua inglesa da Europa. Divide o calendário com o Dublin Fringe, em setembro, que ocupa salas pequenas e espaços improvisados.
Livros e filmes
“Dublinenses”, James Joyce (1914)
Quinze contos que percorrem a cidade rua por rua no começo do século XX, terminando em “Os Mortos”. É a maneira mais rápida de entender a paralisia social que Joyce viu em Dublin, e de reconhecer endereços que continuam ali.
“The Commitments”, Roddy Doyle (1987) e o filme de Alan Parker (1991)
Uma banda de soul montada num conjunto habitacional da zona norte nos anos 1980. Registra o desemprego, o humor e a fala da Dublin operária que não aparece nos cartões-postais do centro georgiano.
“Dogrel”, Fontaines D.C. (2019)
Disco de estreia que fala de aluguel, gentrificação e pubs que fecham, com letras que citam ruas e ônibus pelo nome. É o retrato sonoro da cidade que saiu da crise de 2008 e virou capital de escritórios de tecnologia.
Perguntas frequentes
Dublin: como ir do aeroporto ao centro?
As opções são o Airlink Express 700 (cerca de 8 a 9 €, 30 a 45 minutos até o centro), os ônibus Dublin Express 782 e 784 (faixa parecida), as linhas urbanas comuns 16 e 41 (cerca de 2,60 € em dinheiro, mais lentas, param em todo lugar) e o táxi, 30 a 40 € e 25 a 45 minutos conforme o trânsito.
Dublin: qual moeda levar?
A moeda é o euro, e a Irlanda do Norte, a duas horas de trem, usa libra esterlina, então guarde as duas se for cruzar a fronteira.
Dublin: como é o clima?
O clima muda de hora em hora e quase nunca é extremo: 4 a 8 °C no inverno, 15 a 20 °C no verão, e uma chuva que costuma ser garoa, raramente aguaceiro.
Dublin: é uma cidade segura?
Dublin é uma capital segura para o padrão europeu, com crime violento contra visitantes raro, mas com furto persistente.
Dublin: como é servida a Guinness?
A Guinness é servida em duas etapas: o barman enche até três quartos, deixa assentar cerca de dois minutos e completa depois; não peça pressa.








