
Bolívia
Salar de Uyuni
O maior salar do mundo, Incahuasi e as lagunas do sul
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
O primeiro serve para se aclimatar, ver o Cemitério de Trens e escolher a agência; o segundo, para a travessia até Incahuasi; o terceiro, para o norte do salar, com o Tunupa e as múmias de Coquesa. Quem tem fôlego troca a travessia e o norte do salar pelo circuito de três dias até a Laguna Verde, que já passa por Incahuasi, e a viagem vai a quatro dias contando o de aclimatação. Quem procura conforto vai sofrer, porque a viagem é feita de frio, poeira, horas de jipe e despertador cedo. Com um dia só, faça o tour clássico do salar, que sai por volta das 10h30 e passa pelos montes de sal de Colchani, pela Isla Incahuasi e pelo pôr do sol na crosta. Ele volta por volta das 19h, a tempo do ônibus da noite. O que pode decepcionar é o efeito espelho, que não é garantido em data nenhuma. Em fevereiro pode haver 30 cm de água, com metade do salar fechada ao tráfego.
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Quando Maio a outubro para crosta seca; meados de janeiro ao começo de março para o efeito espelho, sem garantia
Como o guia chega a este número
Há duas Uyunis, e a escolha entre elas define a viagem: não dá para ter as duas na mesma semana. De maio a outubro é a estação seca: céu limpo quase todos os dias, máximas de 13–20 °C, mínimas de −5 a −15 °C na cidade e abaixo de −20 °C no interior do salar em junho e julho, crosta firme, hexágonos visíveis e acesso garantido a Incahuasi e ao Tunupa. De dezembro a março, a estação chuvosa concentra os 100–200 mm anuais e forma a lâmina de água que produz o efeito espelho. O auge costuma ser de meados de janeiro a começo de março, com máximas de 17–20 °C e mínimas perto de 0 °C. O espelho é imprevisível: precisa de 5 a 15 cm de água, e acima disso partes do salar são fechadas ao tráfego, o que pode eliminar Incahuasi do roteiro. Abril e novembro são transição e ficam entre as duas coisas, geralmente com menos gente. Alta temporada é julho, agosto e a virada do ano: reserve hotel e tour com antecedência nessas datas. Se você não tolera frio noturno, evite a segunda quinzena de junho e a primeira de julho; se quer atravessar o salar inteiro a pé seco, evite fevereiro. Em qualquer mês, o sol a 3.656 m, a altitude do salar, exige fator 50 e óculos categoria 3 ou 4. Passe protetor também embaixo do queixo e do nariz, porque o sal reflete o sol de baixo para cima.
Por pessoa/dia US$ 40–70 com tour compartilhado, refeições e alojamento simples (2026)
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaEu daria três dias a Uyuni. O primeiro serve para se aclimatar, ver o Cemitério de Trens e escolher a agência; o segundo, para a travessia até Incahuasi; o terceiro, para o norte do salar, com o Tunupa e as múmias de Coquesa. Quem tem fôlego troca a travessia e o norte do salar pelo circuito de três dias até a Laguna Verde, que já passa por Incahuasi, e a viagem vai a quatro dias contando o de aclimatação. Quem procura conforto vai sofrer, porque a viagem é feita de frio, poeira, horas de jipe e despertador cedo. Com um dia só, faça o tour clássico do salar, que sai por volta das 10h30 e passa pelos montes de sal de Colchani, pela Isla Incahuasi e pelo pôr do sol na crosta. Ele volta por volta das 19h, a tempo do ônibus da noite. O que pode decepcionar é o efeito espelho, que não é garantido em data nenhuma. Em fevereiro pode haver 30 cm de água, com metade do salar fechada ao tráfego.No Salar de Uyuni, a crosta de sal é tão plana e tão branca que, passada Colchani, a 22 km da cidade, já não se vê onde termina o chão e começa o céu. São 10.582 km² a 3.656 m de altitude, o maior salar do mundo, e no meio dele a Isla Incahuasi, antigo recife de um vulcão submerso, sustenta cactos de até 12 m. A cidade de Uyuni nasceu em 1890 como estação da ferrovia britânica que levava o minério boliviano ao Pacífico, e as locomotivas a vapor aposentadas continuam enferrujando no Cemitério de Trens, a 3 km do centro. Mais ao sul, o circuito de jipe alcança a Laguna Colorada, cheia de flamingos, e a Laguna Verde, ao pé do vulcão Licancabur. O que você encontra depende do mês: de maio a outubro a crosta seca se desenha em hexágonos, e de meados de janeiro ao começo de março a chuva pode deixar a lâmina d'água que reflete o céu inteiro. Reserve três dias, contando um para se acostumar aos 3.669 m da cidade.
Ficha rápida
- População
- cerca de 11 mil na cidade, cerca de 30 mil no município de Uyuni
- Fundação
- 11 de julho de 1890, por decreto do presidente Aniceto Arce
- País e região
- Bolívia: departamento de Potosí, província Antonio Quijarro; 3.669 m de altitude
- Idiomas
- Espanhol; quíchua e aimará nas comunidades vizinhas e no mercado
- Moeda
- Boliviano (Bs, BOB), notas de 10 a 200; economia quase toda em espécie
- Fuso
- UTC−4 o ano inteiro, sem horário de verão
- Melhor época
- Maio a outubro para crosta seca; meados de janeiro ao começo de março para o efeito espelho, sem garantia
- Custo médio por dia
- US$ 40–70 com tour compartilhado, refeições e alojamento simples (2026)
Quando ir
Maio a outubro para crosta seca; meados de janeiro ao começo de março para o efeito espelho, sem garantia
janeiro
fevereiro
março
abril
maio
Melhor épocajunho
Melhor épocajulho
Melhor épocaagosto
Melhor épocasetembro
Melhor épocaoutubro
Melhor épocanovembro
dezembro
O que muda ao longo do ano
Há duas Uyunis, e a escolha entre elas define a viagem: não dá para ter as duas na mesma semana. De maio a outubro é a estação seca: céu limpo quase todos os dias, máximas de 13–20 °C, mínimas de −5 a −15 °C na cidade e abaixo de −20 °C no interior do salar em junho e julho, crosta firme, hexágonos visíveis e acesso garantido a Incahuasi e ao Tunupa. De dezembro a março, a estação chuvosa concentra os 100–200 mm anuais e forma a lâmina de água que produz o efeito espelho. O auge costuma ser de meados de janeiro a começo de março, com máximas de 17–20 °C e mínimas perto de 0 °C. O espelho é imprevisível: precisa de 5 a 15 cm de água, e acima disso partes do salar são fechadas ao tráfego, o que pode eliminar Incahuasi do roteiro. Abril e novembro são transição e ficam entre as duas coisas, geralmente com menos gente. Alta temporada é julho, agosto e a virada do ano: reserve hotel e tour com antecedência nessas datas. Se você não tolera frio noturno, evite a segunda quinzena de junho e a primeira de julho; se quer atravessar o salar inteiro a pé seco, evite fevereiro. Em qualquer mês, o sol a 3.656 m, a altitude do salar, exige fator 50 e óculos categoria 3 ou 4. Passe protetor também embaixo do queixo e do nariz, porque o sal reflete o sol de baixo para cima.
Dicas do Nilo
Compre o trem de Oruro na estação, um ou dois dias antes
Os dois trens da Ferroviaria Andina somam só quatro saídas por semana desde Oruro. Eu escolheria o Expreso del Sur, que sai às terças e sextas às 14h30 e chega por volta das 21h20, a tempo de dormir antes do tour. O Wara Wara del Sur, das quartas e domingos às 19h, desembarca às 2h20 da madrugada. A passagem custa de 60 a 150 Bs, conforme a classe, e o trem é mais confortável que as 10 a 12 horas de ônibus noturno desde La Paz.
Cemitério de Trens antes das 9h, por conta própria
Depois das 9h chegam em massa os jipes do tour de um dia, que fazem dele a primeira parada, e a luz fica dura. O cemitério fica 3 km a sudoeste da cidade, com entrada livre, sem cerca e sem guarda, a 40 minutos a pé ou de mototáxi por 10–15 Bs. Indo por conta própria, você gasta menos que o tour e encontra o lugar vazio.
Saque em La Paz, Sucre ou Potosí: não aqui
Os caixas eletrônicos de Uyuni costumam ficar sem dinheiro em feriados e em julho. São os do Banco Unión, do BNB e do Mercantil Santa Cruz, perto da Plaza Arce e da Avenida Potosí. Traga em espécie o que o circuito cobra na hora: a reserva, a ilha, as termas e os banheiros. Nas comunidades e no mercado ninguém aceita cartão.
Compare três balcões na Avenida Potosí e olhe o jipe
Na Avenida Potosí, quatro quadras concentram a maior densidade de agências do país, e o preço se nivela sozinho. Escolha pelo veículo: peça para ver o carro e conte os cintos. Confirme também se há segundo motorista no circuito de três dias e se existe rádio ou telefone satelital. Em 2026, pergunte na véspera se a agência já abasteceu, porque a fila de diesel adia saídas em algumas horas.
O mercado municipal só serve entre 6h e 10h
É a janela em que o mercado coberto cozinha e enche; depois das 10h, o movimento cai e só volta no fim da tarde, junto com as empresas de ônibus ao redor. O api con pastel sai por 8–15 Bs e o almoço executivo por 15–30 Bs, contra 45–90 Bs de um jantar turístico. A salteña sai de manhã até acabar, por volta das 11h, a 6–12 Bs cada.
Combine a hora de volta por escrito, no dia anterior
O tour do salar volta por volta das 19h, e essa hora decide se você pega o ônibus da noite. A saída marcada para as 10h30 costuma acontecer entre 10h45 e 11h30, e reclamar no balcão não acelera nada. Feche por escrito, na véspera, a hora de retorno e os pontos exatos do roteiro. Deixe também um dia de folga antes de qualquer voo internacional, porque bloqueios de estrada podem isolar a cidade por um ou dois dias.
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Abrir o appO que ver
Salar de Uyuni: O plano absoluto e a água
Uyuni é uma quadrícula plana em volta da ferrovia: os trilhos cortam a cidade de norte a sul, a Avenida Ferroviária corre ao lado deles com barracas de artesanato, cambistas e lojas de roupa térmica, e em cinco ou seis quadras as ruas se dissolvem no altiplano.

Salar de Uyuni
O maior salar do mundo cobre 10.582 km² de crosta de sal a 3.656 m. Na estação seca a superfície forma polígonos hexagonais de 0,8 a 1,5 m de lado, desenhados pela convecção da salmoura sob a crosta; na chuva, uma lâmina de 5 a 15 cm de água transforma tudo em espelho; acima disso, partes do salar fecham ao tráfego.
Na seca a crosta forma polígonos, com chuva a lâmina de 5 a 15 cm vira espelho, e acima disso partes do salar fecham ao tráfego, numa área de 10.582 km² a 3.656 m.
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Cemitério de Trens
Cerca de trinta locomotivas a vapor e vagões britânicos das décadas de 1900 a 1940, abandonados 3 km a sudoeste da cidade depois do colapso do estanho. Entrada livre, sem cerca e sem guarda; a luz boa é antes das 9h.
Cerca de trinta locomotivas ficam abandonadas 3 km a sudoeste desde o colapso do estanho, sem cerca e sem guarda, e a luz boa é antes das 9h.
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Isla Incahuasi
Antigo recife de um vulcão submerso, hoje ilha rochosa de 24 hectares a cerca de 80 km da cidade, coberta de cactos Echinopsis atacamensis de até 10–12 m que crescem cerca de 1 cm por ano. Entrada 30 Bs em espécie; trilha de 45 min até o topo, a 100 m acima da crosta.
O antigo recife de um vulcão submerso está coberto de Echinopsis atacamensis que crescem cerca de 1 cm por ano, a entrada é de 30 Bs em espécie e a trilha até o topo leva 45 min.
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Colchani e os montes de sal
Cooperativas familiares raspam a crosta em montes cônicos de cerca de 1 m para secar antes de moer e iodar. A produção artesanal da região gira em torno de 25 mil toneladas por ano, quase toda para consumo interno boliviano.
Parada do tour a 22 km da cidade, já na entrada do salar: dá para ver as cooperativas familiares raspando a crosta em montes cônicos de cerca de 1 m, que secam antes de virar sal de mesa, numa produção artesanal de cerca de 25 mil toneladas por ano.
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Vulcão Tunupa
Estratovulcão de 5.321 m na margem norte, com flancos listrados de vermelho, ocre e verde por oxidação. A subida usual sai de Coquesa e vai até o mirante a cerca de 4.200 m, em 2 a 3 horas ida e volta.
O cone de 5.321 m na margem norte mostra a encosta colorida pela oxidação, e a caminhada usual sai de Coquesa e para no mirante a cerca de 4.200 m, bem abaixo do cume, em 2 a 3 horas ida e volta.
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Múmias de Coquesa
Corpos pré-hispânicos em posição fetal, atribuídos a populações locais de cerca de 500 a 1.200 anos atrás, conservados pelo ar seco em uma gruta de lava na encosta do Tunupa. Visita com guia comunitário e taxa local de 15–20 Bs.
Os corpos em posição fetal, de cerca de 500 a 1.200 anos, estão conservados pelo ar seco na gruta do Tunupa, e a visita pede guia comunitário e taxa local de 15 a 20 Bs.
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Laguna Colorada
Lago raso de 60 km² a 4.278 m, dentro da Reserva Eduardo Avaroa, tingido de vermelho por algas e sedimentos. Abriga as três espécies de flamingo andino, incluindo a parina chica (flamingo-de-james), redescoberta ali em 1957.
É a parada que justifica o circuito de três dias: o lago raso a 4.278 m fica vermelho pelas algas e pelos sedimentos e reúne as três espécies de flamingo andino.
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Sol de Mañana e Laguna Verde
Campo geotérmico de fumarolas e poças de lama fervente a cerca de 4.850 m, visitado ao amanhecer, e a laguna verde-turquesa a 4.350 m ao pé do vulcão Licancabur (5.916 m), cuja cor vem do arsênio e do magnésio dissolvidos.
O circuito chega aos gêiseres de Sol de Mañana, a cerca de 4.850 m, ao amanhecer, e segue até a Laguna Verde, ao pé do Licancabur, cuja cor turquesa vem do arsênio e do magnésio dissolvidos.
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Ojos del Salar
Poços onde água subterrânea sob pressão atravessa a crosta e borbulha na superfície, a poucos quilômetros de Colchani. Não têm proteção: a borda é fina e a água está saturada de sal, e não se entra.
Valem dez minutos se o jipe já passa por ali na volta: a água fervilhando no meio do sal é curiosa, mas não justifica desviar a ida a Incahuasi, e a borda fina não deixa chegar perto.
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O roteiro do Nilo
Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · Aclimatação, trens e escolha de agência
Chegue de manhã, deixe a mochila e caminhe devagar: a 3.669 m, o primeiro dia é para andar pouco, beber água e tomar mate de coca.
Vá ao Cemitério de Trens, 3 km a sudoeste, a pé em 40 minutos ou de mototáxi por 10–15 Bs; a luz e o silêncio são melhores antes das 9h.
Compare três agências na Avenida Potosí: peça para ver o jipe, confirme cintos, o roteiro exato, se há segundo motorista e o que está incluído em espécie.
Almoce no mercado municipal por 15–30 Bs e prove api con pastel; à tarde, compre gorro, luvas e protetor fator 50 na Avenida Ferroviária.
Jante cedo, deixe roupa térmica separada e durma com duas cobertas: a mínima na cidade fica entre −5 e −15 °C no inverno.
Dia 2 · Travessia do salar até Incahuasi
Saia por volta das 10h30 rumo a Colchani (22 km) e veja os montes de sal, a cooperativa, o museu e o mercado de artesanato onde se serram os blocos.
Pare em Playa Blanca, no monumento de sal do Dakar e na praça de bandeiras, já sobre a crosta.
Suba a trilha de 45 minutos da Isla Incahuasi entre cactos de até 12 m, com vista de 360° da planície branca; a entrada custa 30 Bs em espécie.
Almoce na crosta a comida da cozinheira do jipe e faça as fotos de perspectiva no meio da tarde, quando a sombra é curta.
Veja o pôr do sol na crosta ou na lâmina d'água, conforme a estação, e volte a Uyuni por volta das 19h.
Dia 3 · Norte do salar: Tunupa, Coquesa e Ojos del Salar
Saia às 8h atravessando o salar rumo a Tahua, na base norte do vulcão Tunupa (5.321 m), a 3 a 4 horas de jipe conforme a rota.
Visite com guia a gruta das múmias de Coquesa, com taxa comunitária de 15–20 Bs, e as chullpas na encosta.
Suba o Tunupa a partir de Coquesa até o mirante a cerca de 4.200 m, 2 a 3 horas ida e volta, com vista das listras de óxido e do salar inteiro.
Almoce em Tahua quinoa real e carne de lhama e converse com os produtores sobre o ciclo do grão.
Volte pelo lado leste, parando nos Ojos del Salar, onde a água subterrânea borbulha através da crosta, e chegue a Uyuni ao anoitecer.
Comida
Ilustração com IAApi con pastel
Bebida quente e espessa de milho roxo com canela e cravo, servida com um pastel frito recheado de queijo. Café da manhã padrão do mercado, das 6h às 10h, por 8–15 Bs.
Ilustração com IACh'arki de llama
Carne de lhama salgada e desidratada ao sol e ao gelo do altiplano, método pré-hispânico. Aparece frita com milho e ovo no charquekan, ou reidratada em sopas do circuito de jipe.
Ilustração com IAQuinoa real
Variedade de grão grande cultivada na borda do salar e em Salinas de Garci Mendoza, a única região do mundo onde a quinoa real cresce. Vem em sopa (sopa de quinua), em pesque com queijo e leite, ou como acompanhamento do bife de lhama.
Ilustração com IASalteña
Pastel assado de massa levemente adocicada com caldo, carne ou frango, batata, azeitona e ovo. Vende-se de manhã até acabar, por volta das 11h; 6–12 Bs cada.
Ilustração com IAChuño e tunta
Batatas desidratadas pelo ciclo de congelar à noite, pisar e secar ao sol: chuño é a escura, tunta a branca lavada em água corrente. Acompanham quase todo prato quente da região e são a tecnologia de conservação mais antiga do altiplano.
Ilustração com IAPique macho e chairo
Dois pratos de almoço fartos: o pique macho é carne em cubos com batata frita, cebola, tomate e locoto; o chairo é uma sopa espessa de chuño, cordeiro e legumes. Ambos por 25–45 Bs em restaurante de rua.
Ilustração com IALlajua
Molho fresco de locoto e tomate moídos na pedra, presente em toda mesa boliviana. É temperado na hora e a intensidade varia de casa para casa; prove antes de cobrir o prato.
Ilustração com IASingani e chuflay
Aguardente de uva moscatel destilada em Tarija, com denominação de origem boliviana. Bebe-se puro ou no chuflay, com ginger ale, gelo e limão; a 3.600 m o efeito chega mais rápido do que no nível do mar.
Bate-voltas

Circuito sudoeste e Reserva Eduardo Avaroa: 3 dias, cerca de 600 km ida e volta
O roteiro clássico de jipe: Laguna Colorada (4.278 m) com flamingos, gêiseres de Sol de Mañana (cerca de 4.850 m) ao amanhecer, termas de Polques, Árvore de Pedra no deserto de Siloli e Laguna Verde ao pé do Licancabur (5.916 m). Entrada da reserva 150 Bs em espécie; noites a 4.200 m sem aquecimento. Também dá para fechar o circuito nesse sentido, saindo direto para o Chile.

Pulacayo: 22 km, 30 minutos de carro
Antigo acampamento da mina de prata de Huanchaca, explorada desde 1833 e praticamente congelada desde os anos 1950. Guarda a primeira locomotiva que rodou na Bolívia e um vagão que a tradição local associa ao assalto de Butch Cassidy e Sundance Kid, mortos em San Vicente, ao sul, em 1908.

San Cristóbal e a rota do sul: 90 km, 1h30 de estrada
Povoado inteiro transferido pedra por pedra nos anos 2000 para dar lugar a uma mina a céu aberto de prata, zinco e chumbo, incluindo a igreja colonial do século XVII, reconstruída no novo sítio. É a parada natural de quem segue para Villa Alota e a reserva.
Por onde começar
Aclimatação, trens e escolha de agência

Chegue de manhã, deixe a mochila e caminhe devagar: a 3.669 m, o primeiro dia é para andar pouco, beber água e tomar mate de coca.
Travessia do salar até Incahuasi

Saia por volta das 10h30 rumo a Colchani (22 km) e veja os montes de sal, a cooperativa, o museu e o mercado de artesanato onde se serram os blocos.
Norte do salar: Tunupa, Coquesa e Ojos del Salar

Saia às 8h atravessando o salar rumo a Tahua, na base norte do vulcão Tunupa (5.321 m), a 3 a 4 horas de jipe conforme a rota.
Dinheiro

A moeda é o boliviano (Bs). Depois de décadas com câmbio administrado em torno de 6,9 Bs por dólar, a taxa passou a flutuar, e em 2026 há diferença relevante entre o valor oficial e o de casas de câmbio e cambistas de rua: trate qualquer cotação lida na internet como aproximada e confirme no dia. Uyuni é uma economia de dinheiro vivo, e os caixas eletrônicos da cidade ficam vazios em feriados e em julho, então chegue com bolivianos sacados em La Paz, Sucre ou Potosí. Cartão funciona em hotéis, algumas agências e restaurantes voltados a turista, quase sempre com acréscimo de 5%. No mercado e nas comunidades, não funciona. Faixas de 2026: api con pastel 8–15 Bs; almoço executivo 15–30 Bs; jantar em restaurante turístico 45–90 Bs; cerveja 15–25 Bs; cama em dormitório 50–90 Bs; quarto duplo simples 150–300 Bs; hotel de sal 600–1.500 Bs. Tour de um dia no salar 200–350 Bs; circuito de três dias 1.100–1.800 Bs (US$ 150–250). As entradas do circuito são pagas em espécie, parada a parada: 150 Bs da Reserva Eduardo Avaroa, 30 Bs da Isla Incahuasi, cerca de 6 Bs das termas de Polques e 5 Bs de banheiro em cada parada. Gorjeta não é obrigatória; o costume é 10% em restaurante turístico e 50–100 Bs por passageiro divididos entre motorista e cozinheira no fim do circuito de três dias.
Como chegar e se locomover

Aeroporto: 4 km ao norte, com voo diário de La Paz
O aeroporto Joya Andina (UYU), aberto em 2011, fica cerca de 4 km ao norte da cidade e recebe voos diários de La Paz (El Alto) pela Boliviana de Aviación, com pouco menos de uma hora de duração; o táxi ao centro custa 15–30 Bs. Por terra, os ônibus noturnos de La Paz levam 10 a 12 horas e custam de 100 a 250 Bs conforme a poltrona (2026). Potosí fica a 4–5 horas, Sucre a 7–8, Oruro a 6–7 e Tupiza a 4–6, por estrada asfaltada. As empresas ficam concentradas perto do mercado e do terminal terrestre, a poucas quadras da Plaza Arce. De trem, a Ferroviaria Andina liga Oruro a Uyuni com dois serviços: o Expreso del Sur, às terças e sextas, sai às 14h30 e chega por volta das 21h20, e o Wara Wara del Sur, às quartas e domingos, sai às 19h e chega às 2h20, com passagem de 60 a 150 Bs. Quem vem do Chile faz o circuito de três dias no sentido inverso: sai de San Pedro de Atacama, começa o passeio no posto de fronteira do Hito Cajón, passa pelas lagunas e termina no salar e em Uyuni.
Sem transporte público: a cidade se anda em 15 a 20 minutos
Dentro de Uyuni não existe transporte público, e não faz falta: a cidade toda se atravessa a pé em quinze a vinte minutos, e os mototáxis cobram 5–15 Bs para qualquer ponto, incluindo o Cemitério de Trens. Para Colchani há minivans compartilhadas que saem da Avenida Ferroviária quando enchem, por 10–20 Bs, mas o salar em si só se percorre em 4x4 com agência: não há estrada demarcada, não há sinalização e a navegação é por GPS e por memória do motorista. Antes de fechar a agência, confira se o jipe tem cinto em todos os lugares, se há segundo motorista e rádio, e evite programar travessia noturna. Em 2026, a escassez de diesel provoca filas nos postos e adiamentos de saída de algumas horas; pergunte na véspera se a agência já abasteceu. Bicicleta se aluga em duas ou três agências da Avenida Potosí por 60–100 Bs o dia e dá para chegar a Colchani em manhã sem vento; à tarde o vento e a radiação tornam o retorno duro.
Segurança
Os riscos reais em Uyuni são ambientais e rodoviários, não criminais, e vale entender isso antes de embarcar. O mal de altitude é o mais comum: hidrate-se, evite álcool nas primeiras 24 horas, tome mate de coca e procure atendimento se aparecerem tosse persistente, confusão ou falta de ar em repouso. São sinais de edema pulmonar ou cerebral e exigem descida imediata. O segundo risco é o transporte: o salar e a Reserva Eduardo Avaroa não têm estrada demarcada, o socorro é lento e houve colisões fatais entre jipes de turismo, inclusive em 2008 e 2017. Escolha agência que declare rodízio de motoristas e recuse veículo sem cinto. Hipotermia e monóxido de carbono são perigos de alojamento: não durma com aquecedor a gás ligado e sem ventilação. A radiação UV é extrema e o reflexo do sal causa queimadura de córnea em poucas horas sem óculos adequados. Crime contra turista é raro na cidade; as ocorrências típicas são furto de bagagem no bagageiro de ônibus noturno e no terminal, então mantenha documentos, dinheiro e eletrônicos no colo. Em 2026, protestos ligados à crise econômica e à falta de combustível produzem bloqueios de estrada e paralisações que podem isolar Uyuni por um ou dois dias. Consulte a situação das rotas antes de comprar passagem e mantenha folga antes de um voo internacional. O hospital local é básico (casos sérios vão para Potosí, a 4–5 horas) e um seguro com cobertura de altitude e evacuação faz sentido aqui.
Dicas de etiqueta
Espere a ch'alla antes de entrar no jipe
Motoristas e comunidades derramam um pouco de bebida no chão para a Pachamama antes de sair ou ao entrar no salar. Não é encenação para turista: fique quieto, deixe terminar e só então embarque.
Aceite as folhas de coca com as duas mãos
O akhulliku circula entre motoristas e trabalhadores em toda parada. Pegar um punhado com as duas mãos e devolver o saquinho do mesmo jeito é o gesto correto, mesmo que você não masque.
Pergunte antes de fotografar pessoas
Em Colchani, Tahua, Coquesa e San Juan, fotografar cozinheiras, crianças, trabalhadores do sal ou caravanas de lhamas sem pedir é malvisto. Um “¿puedo?” resolve, e às vezes a resposta é não.
Chame a vendedora de caserita
No mercado, “casera” ou “caserita” é o tratamento normal entre vendedora e cliente e sinaliza freguesia. “Señora” soa formal e distante.
Não saia do rastro dentro do salar
Existem rotas conhecidas e sinais discretos que os motoristas leem. Sair delas na estação de chuva rompe a crosta e abre buracos que o carro seguinte não enxerga, e no seco atola em bolsões de lama.
Espere o atraso do tour sem brigar com o balcão
Nas agências da Avenida Potosí, a saída do tour atrasa com frequência, e cobrar pontualidade do atendente só cria atrito sem adiantar o jipe. Espere com calma e guarde a firmeza para o que foi combinado: o jipe, o roteiro e o que está incluído.
Erros a evitar

Emendar Sucre ou o Chile no circuito
Emendar Sucre (2.750 m) ou o Chile diretamente no circuito de três dias. O roteiro dorme a mais de 4.200 m em Huayllajara e passa por Sol de Mañana a cerca de 4.850 m. Sem 24 a 48 horas de aclimatação a 3.600 m, o soroche estraga o segundo dia, e não é raro atingir metade dos passageiros de um jipe.
Avaroa e Incahuasi só aceitam bolivianos
Chegar só com dólares ou só com cartão. A entrada da Reserva Eduardo Avaroa (150 Bs), a Isla Incahuasi (30 Bs), os banheiros e as comunidades só aceitam bolivianos em espécie, e o caixa eletrônico de Uyuni pode estar vazio justamente no dia em que você precisar.
Fechar o tour pelo preço, sem ver o veículo
Fechar o tour pelo preço mais baixo sem ver o veículo. Acidentes graves no salar e no circuito sul têm como causa recorrente motorista cansado, excesso de horas ao volante e álcool. Peça para ver o jipe, confirme cintos, pergunte quantas horas o motorista dirige por dia e onde ele dorme.
A luz volta refletida e queima por baixo
Subestimar sol e frio ao mesmo tempo. A luz volta refletida da crosta e queima por baixo: nariz, queixo, céu da boca de quem anda de boca aberta. O alojamento da primeira noite do circuito raramente tem aquecimento, com 5 a 8 °C dentro do quarto de madrugada.
Contar com o espelho em qualquer data
Contar com o efeito espelho em qualquer data. Em julho não há uma gota de água no salar; em fevereiro pode haver 30 cm e trechos fechados. Se o espelho é o motivo da viagem, vá entre meados de janeiro e o começo de março e aceite que continua sendo aposta.
Frases úteis
¿Cuánto cuesta, casera?
Quanto custa, dona? O tratamento normal no mercado e nas barracas da Avenida Ferroviária.
Estoy con soroche
Estou com mal de altitude. Basta dizer isso em qualquer restaurante para receber mate de coca.
¿A qué hora salimos, en serio?
A que horas a gente sai, de verdade? Pergunta útil na véspera, feita com bom humor no balcão da agência.
¿Hay agua caliente y calefacción?
Tem água quente e aquecimento? A resposta muda o que você leva na mochila para a primeira noite do circuito.
Imaynalla kashanki?
Como você está?, em quíchua (i-mai-NA-lha ka-CHÁN-ki). Resposta comum: “Waliqlla” (wa-LIK-lha), estou bem.
Yuspagarasunki
Obrigado, em quíchua (yus-pa-ga-ra-SUN-ki). Em espanhol, “gracias” funciona em toda parte.
Bairros
Avenida Ferroviária
O eixo comercial paralelo aos trilhos, com barracas de artesanato, cambistas, lojas de roupa térmica e a feira do aniversário da cidade. É onde se aluga bota de borracha na estação de chuva e se compra gorro e luva por 20–50 Bs.
Plaza Arce e o centro cívico
A praça principal, com o relógio, a prefeitura e a igreja. Concentra os cafés com wi-fi mais estáveis da cidade e é o ponto de encontro combinado por quase todas as agências.
Avenida Potosí
A avenida turística mais concentrada da Bolívia, quadra após quadra de agências.
Mercado municipal e zona do terminal
Mercado coberto com sopas, api con pastel e almoço a 15–30 Bs, cercado pelas empresas de ônibus. Movimenta-se das 6h às 10h e depois de novo no fim da tarde.

Barrio Estación e o Cemitério de Trens
A área ao redor da estação da Ferroviaria Andina e, 3 km a sudoeste, o campo de locomotivas a vapor abandonadas. Zona sem comércio, ventosa, que se percorre a pé ou de mototáxi.
Colchani
Povoado de cerca de 600 habitantes a 22 km, na beira da crosta, onde cooperativas raspam, secam, iodam e ensacam sal e onde se serram os blocos de construção. Tem mercado de artesanato, museu de sal e o monumento do Dakar.
Tahua e Coquesa
Comunidades quíchuas e aimarás na base norte do Tunupa, do outro lado do salar. Vivem de quinoa real, lhamas e de alojamentos simples; guardam as chullpas e as múmias pré-hispânicas em grutas de lava.
História
há 40.000–14.000 anos · Os lagos Minchín e Tauca
Dois grandes lagos cobriram o altiplano central em ciclos glaciais sucessivos. Ao evaporarem deixaram os salares de Uyuni e de Coipasa e os lagos Poopó e Uru Uru.
séc. XII–XV · Lípez, Killakas e o inca
Senhorios aimarás controlam as bordas do salar e as caravanas de lhamas que trocavam sal e charque por milho dos vales. O Tawantinsuyu incorpora a região no século XV.
1545 · A prata de Potosí
A descoberta do Cerro Rico, a cerca de 200 km a nordeste, cria a economia mineira colonial que quatro séculos depois justificaria a ferrovia. O sal do salar abastecia a amalgamação e a alimentação das minas.
1879–1884 · Guerra do Pacífico
A Bolívia perde o litoral para o Chile e fica sem porto próprio. A saída do minério passa a depender de trilhos que atravessam o altiplano até Antofagasta.
1889–1892 · A ferrovia britânica
Os trilhos da Antofagasta (Chili) & Bolivia Railway chegam a Uyuni em 1889 e a Oruro em 1892. Uyuni vira o maior entroncamento ferroviário do sul boliviano, com oficinas, rotunda e depósito de água.
1890 · Fundação da cidade
Em 11 de julho, decreto do presidente Aniceto Arce funda oficialmente a povoação, planejada em quadrícula rígida em torno da estação. A data segue sendo o aniversário municipal.
1900–1930 · O estanho de Patiño e a prata de Pulacayo
O estanho de Simón Patiño e a prata das minas de Huanchaca e Pulacayo escoam pelos trilhos de Uyuni. Aparecem hotéis, clube ferroviário, escolas e uma população de imigrantes britânicos, chilenos e croatas.
1952–1964 · Nacionalização e fim do vapor
A Revolução de 1952 nacionaliza as minas na COMIBOL e a ferrovia é estatizada em 1964. Dezenas de locomotivas a vapor britânicas são aposentadas e largadas 3 km a sudoeste da cidade.
1985 · Decreto 21060 e o êxodo
O ajuste econômico fecha minas estatais e demite milhares de mineiros. Uyuni encolhe; parte da população migra para Cochabamba, o Chapare e a Argentina.
1993–1998 · Os hotéis de sal e o jipe
Juan Quesada ergue o primeiro Palacio de Sal sobre a crosta, perto de Colchani, com blocos serrados do próprio salar. O turismo de 4x4 substitui a ferrovia como principal renda da cidade.

2008–2023 · O lítio do Estado
A Bolívia declara o lítio recurso estratégico e cria a estatal hoje chamada YLB. Em dezembro de 2023 é inaugurada a planta industrial de carbonato de lítio de Llipi, na borda sul do salar, com capacidade nominal de 15 mil toneladas por ano.
Ilustração com IAHistória completa
Cidade de engenharia sobre um lago seco
Uyuni é uma cidade de engenharia, mas a geografia veio primeiro: entre 40 mil e 14 mil anos atrás, os paleolagos Minchín e Tauca cobriram o altiplano central; ao secarem, deixaram uma bacia endorreica de 10.582 km² com uma crosta de cloreto de sódio de 2 a 10 metros de espessura e, abaixo dela, camadas alternadas de sal e lama saturadas de salmoura. Essa salmoura concentra lítio, potássio, magnésio e boro, e é a razão pela qual um lugar sem rio, sem porto e sem árvore acabou no centro da política econômica boliviana do século XXI.
A bacia já era corredor antes dos trilhos
Antes dos trilhos, a bacia já era um corredor. Os senhorios aimarás dos Lípez e dos Killakas organizavam caravanas de lhamas que levavam sal e ch'arki do altiplano até os vales de Cochabamba e Tarija e voltavam com milho e madeira; o inca incorporou a rede no século XV e a colônia a reaproveitou para abastecer Potosí, cujo Cerro Rico começou a ser explorado em 1545. Uyuni existe no cruzamento dessas duas lógicas: o sal que sempre circulou e o metal que precisava sair.
Consequência direta da Guerra do Pacífico
A cidade é uma consequência direta da Guerra do Pacífico. Sem litoral desde 1879, a Bolívia entregou a concessão ferroviária à britânica Antofagasta (Chili) & Bolivia Railway, cujos trilhos alcançaram o ponto onde hoje está Uyuni em 1889 e seguiram até Oruro em 1892. O decreto presidencial que fundou formalmente a povoação veio pouco depois, desenhando-a em quadrícula de ruas largas em torno da estação. Nas três décadas seguintes, o estanho de Patiño e a prata de Pulacayo passaram por ali: oficinas, rotunda de locomotivas, clube ferroviário, hotéis, e uma população mista de bolivianos, chilenos, britânicos e croatas.
Da queda do estanho ao fim do vapor
A decadência de Uyuni acompanhou a do estanho e a do vapor. A queda do preço do estanho a partir dos anos 1930, a nacionalização das minas em 1952, a estatização da ferrovia em 1964 e a troca do vapor pelo diesel deixaram dezenas de locomotivas britânicas encostadas na planície a sudoeste da cidade. O que o turismo hoje chama de Cemitério de Trens é, na prática, um depósito de sucata que ninguém removeu: o ar seco do altiplano mantém as carcaças de pé, embora o vento carregado de sal acelere a ferrugem. O último golpe veio com o Decreto Supremo 21060, de 1985, que fechou minas estatais e esvaziou o altiplano, e em poucos anos Uyuni perdeu função e população.
Hotel de sal em 1993, depois turismo de jipe
A reinvenção começou com um hotel de sal. Em 1993, Juan Quesada construiu um hotel de blocos de sal perto de Colchani, e nos anos 2000 o circuito de jipes de três dias até o parque andino ao sul transformou a cidade em base logística. O Rali Dakar passou pelo salar entre 2014 e 2018 e deixou um monumento e um bosque de mastros na entrada de Colchani. Em paralelo, o Estado boliviano declarou o lítio recurso estratégico e inaugurou em dezembro de 2023 a planta de carbonato de lítio de Llipi, na borda sul. Desde 2025, porém, a crise cambial e a escassez de diesel voltaram a mexer com a rotina: em 2026 há filas de combustível, cotações instáveis do boliviano e bloqueios de estrada esporádicos, e os preços de tour cotados em dólar mudam de semana a semana.
Geografia e forma da cidade

O plano absoluto e a água
Uyuni fica na borda sudeste da bacia endorreica do salar, a 3.669 m, em terreno absolutamente plano. O desnível de todo o salar, ao longo de mais de cem quilômetros, é de poucos decímetros, o que fez dele a superfície de calibração de altímetros de satélite como o ICESat. Não há rio permanente na cidade; a água vem de poços e da vertente do Tunupa, e o único curso relevante da região, o Río Grande de Lípez, entra no salar pelo sul.
A quadrícula ferroviária
A malha urbana é uma quadrícula ferroviária clássica: a linha férrea corta a cidade de norte a sul, a Avenida Ferroviária corre paralela aos trilhos como eixo comercial, e as ruas cruzam em ângulo reto até se dissolverem no altiplano em cinco ou seis quadras.
Colchani, os vulcões e o clima
Ao norte, a 22 km, Colchani marca a entrada na crosta; a noroeste ergue-se o vulcão Tunupa (5.321 m); a sudoeste, o terreno sobe em direção ao deserto de Siloli, às lagunas altiplânicas e à cadeia vulcânica da fronteira chilena, com o Licancabur a 5.916 m. O clima é de deserto de altitude: amplitude térmica diária de 25 a 30 °C, precipitação anual em torno de 100–200 mm concentrada entre dezembro e março, vento constante à tarde e radiação ultravioleta extrema, amplificada pelo albedo do sal.
Cultura
Quíchua, aimará e a ch'alla no cotidiano
A população de Uyuni é quíchua e aimará, numa cidade traçada pela ferrovia. O espanhol domina o comércio, mas o quíchua é a língua das comunidades do entorno (Colchani, Tahua, Coquesa, San Juan de Rosario) e reaparece nas feiras, nos apelidos e nas rezas. O calendário andino se sobrepõe ao católico sem conflito visível: a ch'alla, o gesto de derramar bebida no chão para a Pachamama, é feita antes de sair com o jipe, ao inaugurar casa e no carnaval, e ninguém trata isso como folclore. As caravanas de lhamas ainda existem em número reduzido, e a criação de camelídeos e o cultivo de quinoa real seguem sendo o sustento das famílias que não entraram no turismo.
Música do altiplano potosino: charango, sikus e bumbo
A música da região é a do altiplano potosino: charango de dez cordas, sikus, bumbo, e o repertório de huayño e tinku que aparece nas festas cívicas. A referência maior é Luzmila Carpio, cantora quíchua nascida em Qala Qala, no norte de Potosí, que gravou em quíchua quando isso não se fazia em disco. A meia dia de ônibus, Oruro sedia em fevereiro a maior festa de máscaras dos Andes, inscrita pela Unesco em 2001, e muitos uyunenses viajam para dançar ali. Na própria cidade, a vida noturna é curta: dois ou três bares na Avenida Potosí que fecham por volta de meia-noite, porque o tour do dia seguinte sai cedo.
A fotografia do salar virou economia
O que Uyuni produz hoje, além de sal e quinoa, é imagem. A fotografia de perspectiva sobre a crosta e o reflexo do céu na lâmina d'água viraram um gênero visual reconhecível no mundo inteiro, e a economia local se organizou em torno disso: motoristas que sabem a hora e o ângulo, agências que carregam adereços, alojamentos construídos com blocos serrados do próprio chão. O salar também é cenário de cinema: Werner Herzog rodou ali em 2016 e a produção de Star Wars usou a planície branca como o planeta Crait em 2017. A tensão de fundo é o lítio: a planta estatal de Llipi opera na borda sul desde 2023, e o debate sobre quanto da salmoura pode ser bombeada sem afetar o espelho e o turismo atravessa qualquer conversa local sobre o futuro.
Antes de sair para o salar, muitos motoristas derramam um pouco de bebida no chão para a Pachamama: é a ch'alla, e o passageiro espera o gesto terminar para embarcar.
Os motoristas sabem montar a foto de perspectiva no sal, e costumam posicionar os passageiros só com gestos do braço.
Festas e eventos
Ilustração com IAAniversário de Uyuni: 11 de julho
Desfile cívico, bandas escolares e feira na Avenida Ferroviária lembram o decreto de fundação de 1890. É a semana mais cheia do inverno, com hotéis lotados e mínimas de −15 °C à noite.
Ilustração com IACarnaval e a ch'alla: fevereiro ou março
Três dias de comparsas, água e serpentina, precedidos pela ch'alla: casas, lojas e jipes são enfeitados com serpentina e regados com álcool e cerveja para a Pachamama. Muita gente viaja para o Carnaval de Oruro, a cerca de 7 horas de ônibus.
Ilustração com IADia do Mar: 23 de março
Data cívica, sem folga oficial, que lembra a perda do litoral em 1879. As escolas desfilam com bandeiras e cantam a marcha naval a 3.669 m de altitude e a 400 km do oceano mais próximo.

Willkakuti, ano-novo andino: 21 de junho
Recepção do primeiro sol do solstício nas comunidades do altiplano, com oferendas e vigília. A noite anterior costuma ser a mais fria do ano na região, com mínimas abaixo de −15 °C.
Ilustração com IATodos os Santos: 1 e 2 de novembro
Montam-se mesas com t'anta wawas (pães em forma de criança), frutas e a comida preferida dos mortos; no dia 2 as famílias passam o dia no cemitério. Restaurantes e agências funcionam em ritmo reduzido.
Livros e filmes
As veias abertas da América Latina, Eduardo Galeano (1971)
O capítulo sobre a prata de Potosí explica por que existe uma ferrovia britânica cruzando um deserto de sal, e por que a discussão sobre o lítio de hoje soa tão familiar aos moradores.
Sal e Fogo, de Werner Herzog (2016)
Rodado no próprio salar e na região do Tunupa, é o filme que melhor registra a escala e a ausência de horizonte da planície, com a crosta e os ojos como personagens.
Yuyay Jap'ina Tapes, de Luzmila Carpio
Gravações da cantora quíchua nascida no norte de Potosí, com charango, coro infantil e letras em quíchua: a trilha sonora real do altiplano que começa na saída de Uyuni.
Perguntas frequentes
Salar de Uyuni: dá para chegar de Sucre ou do Chile e sair direto para o circuito?
Não sem aclimatar: o roteiro dorme a mais de 4.200 m em Huayllajara e passa por Sol de Mañana a cerca de 4.850 m. Sem 24 a 48 horas a 3.600 m, o soroche estraga o segundo dia.
Salar de Uyuni: como chegar de avião?
O aeroporto Joya Andina (UYU) fica cerca de 4 km ao norte da cidade e recebe voos diários de La Paz pela Boliviana de Aviación, com pouco menos de uma hora de duração. O táxi ao centro custa de 15 a 30 Bs.
Salar de Uyuni: o que se vê no circuito de três dias pelo sudoeste?
O circuito clássico de jipe passa pela Laguna Colorada (4.278 m), com flamingos, pelos gêiseres de Sol de Mañana ao amanhecer, pelas termas de Polques, pela Árvore de Pedra e pela Laguna Verde, ao pé do Licancabur (5.916 m).
Salar de Uyuni: como levar dinheiro para a viagem?
Em bolivianos em espécie, sacados em La Paz, Sucre ou Potosí: Uyuni vive de dinheiro vivo, e os caixas eletrônicos da cidade ficam vazios em feriados e em julho. O câmbio passou a flutuar, então confirme a cotação no dia.
Salar de Uyuni: é melhor ir na seca ou na chuva?
Depende do que você quer ver: de maio a outubro, na seca, o céu é limpo e a crosta firme mostra os hexágonos; de meados de janeiro ao começo de março, a chuva pode deixar a lâmina de água do efeito espelho, mas sem garantia em data nenhuma. Não dá para ter as duas na mesma semana.
Outras cidades do país
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Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.









