
Bolívia
La Paz
Teleférico sobre o cânion, mercados aimarás e a Alasitas
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
Um terceiro, se sobrar, vai para Tiwanaku ou Copacabana, fora do vale. Não é cidade para quem tem pressa, porque a 3.640 m cada ladeira custa fôlego. Com um dia só, tome api con pastel no Mercado Lanza antes das 9h e siga a pé para a Plaza Murillo e a Calle Jaén. Coma salteña antes do meio-dia, quando ela acaba. Nesse caso a vista limpa das 8h fica de fora, então pegue à tarde a Linha Vermelha até El Alto, atravesse o vale na Amarela e termine no mirante Killi Killi, vendo a cidade acender. Quem espera um centro de cartão-postal se decepciona: o Casco Viejo tem meia dúzia de quadras coloniais e o rio Choqueyapu corre enterrado sob o Prado. O Valle de la Luna, por sua vez, se resolve em 45 minutos de trilha.
2–3
Quando Maio a setembro: estação seca, céu limpo, madrugadas perto de 0 °C
Como o guia chega a este número
Em La Paz, o ano se divide em estação seca e estação de chuva, e a média do centro fica perto de 11 °C o ano inteiro. Dentro de um mesmo dia, porém, a variação chega a 20 °C. De maio a setembro é seco, com céu limpo, 15–18 °C ao sol do meio-dia e −2 a 3 °C de madrugada. Junho e julho são os meses mais frios. De dezembro a março chove quase toda tarde, cai granizo, o trânsito trava e as trilhas viram barro. Em compensação, o vale fica verde e há bem menos gente. Abril e outubro são transições confortáveis e baratas. A alta temporada vai de junho a agosto, com pico nas festas de junho: reserve hotel e ônibus para Copacabana com antecedência. O índice UV passa de 11 quase todo dia do ano, então ao meio-dia filtro solar e óculos escuros valem mais que casaco. O casaco volta a fazer falta às 18h, quando o sol some atrás da borda do cânion.
Por pessoa/dia US$ 25–45 por pessoa em viagem simples; US$ 70–110 com hotel de médio porte
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaLa Paz pede dois dias, contando a altitude: o primeiro no centro histórico, devagar, e o segundo no cânion visto do teleférico e de El Alto. Um terceiro, se sobrar, vai para Tiwanaku ou Copacabana, fora do vale. Não é cidade para quem tem pressa, porque a 3.640 m cada ladeira custa fôlego. Com um dia só, tome api con pastel no Mercado Lanza antes das 9h e siga a pé para a Plaza Murillo e a Calle Jaén. Coma salteña antes do meio-dia, quando ela acaba. Nesse caso a vista limpa das 8h fica de fora, então pegue à tarde a Linha Vermelha até El Alto, atravesse o vale na Amarela e termine no mirante Killi Killi, vendo a cidade acender. Quem espera um centro de cartão-postal se decepciona: o Casco Viejo tem meia dúzia de quadras coloniais e o rio Choqueyapu corre enterrado sob o Prado. O Valle de la Luna, por sua vez, se resolve em 45 minutos de trilha.La Paz ocupa as paredes de um cânion andino, e da borda, em El Alto, a 4.100 m, você vê a cidade inteira de uma vez, com casas de tijolo sem reboco nas encostas e o Illimani no fundo. Desça essa parede de teleférico, na maior rede urbana do mundo, junto com quem vai trabalhar. Aqui os bairros ricos ficam embaixo, na Zona Sur, a 3.200 m, onde há mais oxigênio e o clima é mais ameno. No centro, o relógio do Congresso na Plaza Murillo gira ao contrário e, no Mercado de las Brujas, as yatiris vendem ervas, amuletos e fetos de lhama secos para oferendas à Pachamama. Coma no ritmo da cidade: api con pastel no mercado, salteña de manhã, antes que acabe, e anticucho de carrinho à noite. Venha entre maio e setembro, na estação seca, e reserve dois dias, contando o tempo de se acostumar aos 3.640 m.
Ficha rápida
- População
- cerca de 760 mil no município e cerca de 1,9 mi na conurbação com El Alto (base censo de 2024)
- Fundação
- 20 de outubro de 1548
- País e região
- Bolívia, departamento de La Paz; altiplano andino, entre 3.200 e 4.100 m
- Idiomas
- Espanhol e aimará no dia a dia; a Constituição de 2009 reconhece 37 idiomas oficiais
- Moeda
- Boliviano (Bs, BOB); cerca de Bs 12 por US$ 1 em setembro de 2026
- Fuso
- UTC−4, sem horário de verão
- Melhor época
- Maio a setembro: estação seca, céu limpo, madrugadas perto de 0 °C
- Custo médio por dia
- US$ 25–45 por pessoa em viagem simples; US$ 70–110 com hotel de médio porte
Quando ir
Maio a setembro: estação seca, céu limpo, madrugadas perto de 0 °C
janeiro
4° a 15°C
137 mm de chuva
fevereiro
4° a 15°C
108 mm de chuva
março
3° a 15°C
85 mm de chuva
abril
1° a 15°C
33 mm de chuva
outubro
1° a 16°C
46 mm de chuva
novembro
2° a 17°C
48 mm de chuva
dezembro
4° a 16°C
104 mm de chuva
O que muda ao longo do ano
Em La Paz, o ano se divide em estação seca e estação de chuva, e a média do centro fica perto de 11 °C o ano inteiro. Dentro de um mesmo dia, porém, a variação chega a 20 °C. De maio a setembro é seco, com céu limpo, 15–18 °C ao sol do meio-dia e −2 a 3 °C de madrugada. Junho e julho são os meses mais frios. De dezembro a março chove quase toda tarde, cai granizo, o trânsito trava e as trilhas viram barro. Em compensação, o vale fica verde e há bem menos gente. Abril e outubro são transições confortáveis e baratas. A alta temporada vai de junho a agosto, com pico nas festas de junho: reserve hotel e ônibus para Copacabana com antecedência. O índice UV passa de 11 quase todo dia do ano, então ao meio-dia filtro solar e óculos escuros valem mais que casaco. O casaco volta a fazer falta às 18h, quando o sol some atrás da borda do cânion.
Os mesmos números em tabela
| Mês | Temperatura °C | Chuva mm |
|---|---|---|
| janeiro | 4 a 15 | 137 |
| fevereiro | 4 a 15 | 108 |
| março | 3 a 15 | 85 |
| abril | 1 a 15 | 33 |
| maio · | -2 a 15 | 11 |
| junho · | -4 a 14 | 7 |
| julho · | -4 a 14 | 8 |
| agosto · | -3 a 15 | 10 |
| setembro · | -1 a 16 | 25 |
| outubro | 1 a 16 | 46 |
| novembro | 2 a 17 | 48 |
| dezembro | 4 a 16 | 104 |
Dicas do Nilo
Suba de teleférico às 8h, com o cartão recarregável
Depois das 8h, a neblina da manhã sobe e esconde a vista do vale. Na primeira bilheteria, peça o cartão recarregável: com ele a primeira linha custa Bs 3 e cada transferência, Bs 2, enquanto o bilhete avulso cobra a tarifa cheia de novo a cada troca. Suba pela Vermelha até El Alto; para ver o cânion com o Illimani de frente, atravesse na Amarela.
Vá a El Alto na quinta ou no domingo, dias de feira
A feira 16 de Julho, em El Alto, a 4.050 m, só acontece às quintas e aos domingos; nos outros dias, quem sobe encontra ruas comuns. Se o seu dia lá em cima cair fora dessas datas, troque a feira pelos cholets de Freddy Mamani, os prédios coloridos do arquiteto perto da avenida Alfonso Ugarte. Na feira, ande com a carteira na frente do corpo, porque é onde mais se furta na cidade.
Salteña até o meio-dia, anticucho depois das 19h
A salteña se vende das 8h ao meio-dia e acaba de verdade, e o anticucho só aparece nos carrinhos a partir das 19h. No domingo, o fricasé também tem hora e some depois das 11h. Para o café da manhã, o api con pastel sai a partir das 6h no Mercado Lanza ou no Rodríguez, que fica no auge nas manhãs de sábado.
Troque dinheiro até sexta: no fim de semana falta nota no caixa
Os caixas eletrônicos ficam sem notas nos fins de semana e feriados. Troque numa casa de câmbio da Calle Colón ou do Prado, com passaporte e dólares em notas novas: nota rasgada é recusada no balcão, sem discussão. Peça notas pequenas, porque barraca de rua raramente tem troco para Bs 100.
Desça a pé, suba de teleférico
As ladeiras chegam a 20% de inclinação, e o mapa engana, porque poucas quadras já mudam bastante de altitude. Monte o dia no sentido da descida, de Sagárnaga até San Francisco, e faça todo trecho de subida de teleférico ou minibus. No minibus, a passagem custa Bs 2–3 e o cobrador grita a rota pela janela; para descer, grite “¡Esquina, por favor!”.
Saia para o aeroporto com folga grande
Bloqueios e manifestações fecham o Prado, a Plaza Murillo e o acesso ao aeroporto sem aviso. Em 2025 e 2026, os protestos por combustível e preços foram frequentes. Na manhã do voo, cheque a imprensa local e dobre o tempo previsto, já que em dia normal o táxi do saguão leva 30–45 minutos. Como não há Uber, chame inDrive, Yango ou rádio-táxi e confira a placa antes de entrar.
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Abrir o appO que ver
La Paz: O cânion e as três alturas
O centro administrativo fica por volta de 3.640 m, a Zona Sur desce a 3.200 m e El Alto, na borda oeste, está a 4.050 a 4.100 m. Quanto mais alto o bairro, menos oxigênio e mais frio, e por isso os bairros ricos ficam embaixo.

Plaza Murillo
Praça central desde o século XVI, com a catedral metropolitana concluída em 1925, o Palacio Quemado, incendiado em 1875 e reconstruído, e a Casa Grande del Pueblo, torre de 29 andares inaugurada em 2018. No prédio do Congresso, os ponteiros do relógio giram ao contrário desde 2014, ideia do então chanceler David Choquehuanca para marcar um “tempo do sul”.
Na praça central a catedral metropolitana ficou concluída em 1925, o Palacio Quemado foi incendiado em 1875 e reconstruído, e no Congresso os ponteiros do relógio andam ao contrário a partir de 2014 porque Choquehuanca quis marcar o tempo do sul; a torre de 29 andares abriu em 2018.
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Calle Jaén
Rua colonial de cerca de 200 m, com casario do século XVIII preservado e cinco museus municipais em sequência, entre eles o do Litoral e o de Metais Preciosos. Um único ingresso barato cobre todos.
A rua colonial mede cerca de 200 m, com cinco museus municipais em fila, incluindo o do Litoral e o de Metais Preciosos, e um único ingresso barato cobre todos. O casario do século XVIII segue preservado.
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Mi Teleférico
Dez linhas identificadas por cor, cerca de 33 km e mais de 30 estações, abertas a partir de 30 de maio de 2014: a maior rede de teleférico urbano do mundo. A Linha Vermelha sobe a El Alto em cerca de 10 minutos; a Amarela cruza o cânion com a melhor vista do Illimani.
Dez linhas e mais de 30 estações formam a maior rede de teleférico urbano do mundo, a Vermelha sobe a El Alto e a Amarela tem o melhor panorama do Illimani; datam de maio de 2014 e somam cerca de 33 km.
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Basílica de San Francisco
Fundada em 1548 e reconstruída entre 1743 e 1790, depois que a neve derrubou a primeira igreja. A fachada de barroco mestiço mistura santos católicos com sereias, macacos e frutos andinos; o ingresso do museu dá acesso ao coro, à cripta e ao telhado.
A fachada mistura santos católicos com sereias e macacos.
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Mercado de las Brujas
Nas calles Linares e Melchor Jiménez, as yatiris vendem ervas, resinas, amuletos e fetos de lhama secos, enterrados como oferenda à Pachamama sob construções novas. Fotografar as bancas sem pedir é malvisto.
Fetos de lhama são enterrados como oferenda à Pachamama.
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Mirador Killi Killi
Esporão a cerca de 3.750 m sobre o centro, de onde Túpac Katari comandou o cerco de 1781. Vista de 360 graus da bacia inteira; melhor no fim da tarde ou já com a cidade acesa.
Desse esporão Túpac Katari comandou o cerco de 1781.
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Cholets de El Alto
Os prédios de cinco a sete andares que Freddy Mamani projeta desde 2005 têm fachadas em cores fortes, salão de festas no primeiro piso e desenhos inspirados na iconografia de Tiwanaku. A maior concentração fica perto da avenida Alfonso Ugarte.
Os prédios têm salão de festas no primeiro piso.
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MUSEF
Museu Nacional de Etnografia e Folclore, instalado no palácio dos condes de Arana, de 1775, na esquina de Ingavi com Jenaro Sanjinés. A coleção de máscaras de dança e os tecidos jalq’a e candelaria são a melhor introdução ao país.
Máscaras e tecidos são a melhor introdução ao país.
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Valle de la Luna
Formações de argila erodida em Mallasa, a cerca de 10 km ao sul do centro, com duas trilhas sinalizadas de cerca de 15 e 45 minutos. O terreno é argila e arenito, não rocha: o desenho muda a cada temporada de chuva.
São formações de argila a cerca de 10 km do centro, com trilhas sinalizadas de 15 e 45 minutos, e a visita inteira se resolve em uma hora. Vale como parada curta a caminho da Zona Sur, mas quem espera um parque natural se decepciona.
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O roteiro do Nilo
Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · Centro histórico, devagar
Tome o café da manhã paceño, api con pastel, no Mercado Lanza ou no Rodríguez antes das 9h.
Caminhe até a Plaza Murillo para ver a catedral, a Casa Grande del Pueblo e o relógio do Congresso girando ao contrário.
Suba a Calle Jaén e faça dois dos cinco museus municipais com o ingresso único.
Coma salteña antes do meio-dia, na rua ou numa salteñería do centro, porque depois disso ela acaba.
Visite o MUSEF à tarde e desça a pé pela Sagárnaga até San Francisco, sem programar nada à noite: é o dia de aclimatar.
Dia 2 · O cânion visto de cima
Pegue a Linha Vermelha do teleférico até El Alto por volta das 8h, antes da neblina do meio da manhã.
Quinta ou domingo, percorra a feira 16 de Julho; nos outros dias, veja os cholets de Freddy Mamani perto da avenida Alfonso Ugarte.
Volte pela Linha Azul e troque para a Amarela e a Verde, atravessando o vale até Irpavi com vista do Illimani.
Almoce em San Miguel ou Calacoto e compare os preços e a temperatura com os do centro, 400 m acima.
Veja o fim de tarde no mirante Killi Killi e coma anticucho de carrinho depois das 19h.
Se ficar mais
Dia 3 · Fora do vale
Saia às 8h para Tiwanaku, 72 km a oeste, cerca de 1h30 de carro ou 2h de ônibus.
Percorra no sítio a Porta do Sol, o templo semissubterrâneo com as cabeças cravadas, a pirâmide de Akapana e os dois museus, que fecham no fim da tarde.
Volte por El Alto e desça de teleférico com o sol baixo sobre o cânion.
Jante em Sopocachi e feche a noite com um chuflay num bar da rua Belisario Salinas.
Comida
Ilustração com IASalteña
Empada assada de massa levemente adocicada, recheada com caldo, carne ou frango, azeitona, ovo e batata. Vende-se das 8h ao meio-dia e acaba; segura-se na vertical e morde-se a ponta para não perder o caldo. Bs 8–15.
Ilustração com IAApi con pastel
Café da manhã de mercado: api, bebida quente e espessa de milho roxo com canela e cravo, acompanhada de pastel frito com queijo e açúcar de confeiteiro. Servido a partir das 6h no Mercado Lanza e no Rodríguez.
Ilustração com IAAnticucho
Espetos de coração de boi grelhados no carvão, com batata cozida e molho de amendoim, vendidos em carrinhos nas esquinas a partir das 19h. É comida de noite; ninguém come anticucho no almoço.
Ilustração com IAFricasé
Sopa de porco com ají amarelo, mote de milho e chuño, batata desidratada pelo gelo do altiplano, servida fervendo aos domingos de manhã. É o prato de ressaca de La Paz e some depois das 11h.
Ilustração com IAPlato paceño
Choclo, favas cozidas, batata e uma fatia grossa de queijo frito, sem carne. A tradição local liga sua origem ao cerco de 1781, quando a carne acabou dentro da cidade.
Ilustração com IALlajua
Molho fresco de tomate com locoto e quirquiña, moído na pedra, que fica na mesa de qualquer restaurante. Pergunta-se “¿hay llajua?” e o pote vem sem custo.
Ilustração com IASingani e chuflay
Aguardente de uva moscatel de Alexandria destilada acima de 1.600 m, com denominação de origem boliviana desde 1992. O chuflay mistura singani, ginger ale e limão, e é o drinque padrão de qualquer bar da cidade.
Ilustração com IAMarraqueta paceña
Pão de casca dura e miolo aerado assado a 3.640 m, onde a pressão muda a fermentação e o formato de dois lóbulos. Custa centavos, sai do forno de madrugada e sustenta o café da manhã da cidade inteira.
Bate-voltas

Tiwanaku
72 km a oeste, cerca de 1h30 de carro ou 2h de ônibus saindo do Cementerio General. Centro cerimonial que dominou o altiplano entre 500 e 1000 d.C.; a Porta do Sol e o monólito Bennett explicam metade da iconografia andina que se vê na cidade. Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2000.

Copacabana e a Isla del Sol
155 km, 3h30–4h de ônibus, com travessia de balsa no Estreito de Tiquina. Cidade de peregrinação na margem do Titicaca, a 3.812 m, com a Virgem de Copacabana esculpida em 1583; de lá saem barcos de cerca de 1h30 até a Isla del Sol, onde a mitologia inca situa o nascimento do sol. Vale dormir uma noite.

Coroico e a Estrada dos Yungas
A antiga estrada dos Yungas desce cerca de 3.500 m em 64 km, do passo La Cumbre (4.650 m) até Yolosa, entre paredões sem guarda-corpo; hoje é usada quase só por ciclistas, com agências saindo de La Paz por volta das 7h. Termina em Coroico, a 1.700 m, com clima subtropical: a saída mais rápida do frio.
Por onde começar
Centro histórico, devagar

Tome o café da manhã paceño, api con pastel, no Mercado Lanza ou no Rodríguez antes das 9h.
O cânion visto de cima

Pegue a Linha Vermelha do teleférico até El Alto por volta das 8h, antes da neblina do meio da manhã.
Dinheiro
A moeda é o boliviano (Bs). Depois de quase vinte anos com o câmbio preso em Bs 6,96 por dólar, a Bolívia adotou flutuação administrada em junho de 2026. Em setembro de 2026 o dólar oficial gira em torno de Bs 12 e o paralelo praticamente colou nele. Com inflação projetada acima de 25% ao ano, todo preço em bolivianos envelhece rápido. Raciocine em dólares e confirme o valor na hora, porque uma faixa anotada numa semana pode não servir na seguinte. Faixas de setembro de 2026: café ou api Bs 8–15; almuerzo com sopa, prato e refresco Bs 15–30 no centro e Bs 45–80 na Zona Sur; jantar em restaurante bom Bs 90–180; cerveja Bs 15–25; teleférico Bs 3; hostel Bs 70–120 e hotel de médio porte Bs 350–650 a diária. Leve dinheiro vivo, porque fora dos shoppings da Zona Sur muita coisa não passa cartão. Os caixas eletrônicos ainda ficam sem notas nos fins de semana e feriados. Casas de câmbio só trocam dólar em bom estado, com passaporte na mão. Gorjeta não é obrigatória: arredonde a conta ou deixe 10% em restaurante de mesa posta.
Como chegar e se locomover

Aeroporto El Alto, 10 km do centro, com 400 m de descida
O Aeroporto Internacional El Alto (LPB) fica a 4.061 m, a uns 10 km do centro, e é um dos aeroportos internacionais mais altos do mundo. A descida de uns 400 m até a cidade já trabalha a favor da aclimatação. O táxi oficial do saguão até o centro sai por volta de Bs 70–120 e leva 30–45 minutos; o minibus que faz a mesma rota custa poucos bolivianos. Não há Uber. Funcionam inDrive e Yango, e o táxi de rádio chamado por telefone ou aplicativo é a opção mais segura, em especial depois de escurecer. No primeiro dia, não carregue mala ladeira acima: a 4.000 m, sem aclimatação, o esforço derruba gente saudável e treinada.
Mi Teleférico, dez linhas de cor por toda a cidade
O Mi Teleférico é a espinha do sistema: dez linhas identificadas por cor, cerca de 33 km, operando em geral das 6h às 22h ou 23h conforme a linha. A tarifa em 2026 é de Bs 3 na primeira linha e Bs 2 por transferência; compra-se o acesso na bilheteria, por cartão ou QR. Na rua circulam três coisas distintas, que de longe parecem uma só: os minibuses brancos, com um cobrador gritando a rota pela janela (Bs 2–3), os micros antigos e os trufis, que são táxis de rota fixa. Os ônibus municipais PumaKatari e Chikititi cobram tarifa única e param só em pontos marcados. Caminhar funciona no centro, mas as ladeiras chegam a 20% de inclinação: desça a pé e suba de teleférico ou de minibus. Nas faixas do centro, os “cebras” (jovens fantasiados de zebra, programa municipal desde 2001) organizam a travessia, e os motoristas costumam obedecer à fantasia antes de obedecer ao semáforo.
Segurança

O maior risco em La Paz não é criminal, é a altitude: 3.640 m no centro e 4.061 m no aeroporto provocam dor de cabeça, náusea e insônia, e a resposta é subir devagar, beber água, evitar álcool nas primeiras 48 horas e procurar farmácia se os sintomas não cederem. No crime predomina o furto: carteiras e celulares em minibus lotado, na feira 16 de Julho e no entorno do Mercado Rodríguez. Dois golpes são clássicos e se repetem há décadas. O primeiro é o falso policial à paisana que pede para “verificar” passaporte e dinheiro, às vezes com um cúmplice fingindo ser turista: recuse, continue andando e exija ir a uma delegacia de verdade. O segundo é o táxi não registrado que vira sequestro-relâmpago até o caixa eletrônico, e se evita chamando o carro com antecedência e conferindo a identificação do motorista. À noite, evite a área do Cementerio General, o entorno da Estação Central e caminhar sozinho por El Alto. Manifestações e bloqueios de estrada são rotina política em La Paz e fecham vias importantes sem aviso prévio, com protestos por combustível e preços cada vez mais frequentes: consulte a imprensa local no dia e saia para o aeroporto com folga grande.
Dicas de etiqueta

Cumprimente antes de perguntar
“Buenos días” ou “buenas tardes” vem antes de qualquer pergunta, inclusive a de preço. Perguntar direto soa como ordem.
Chame a vendedora de casera
No mercado, “casera” (ou “casero”) é o tratamento correto e abre a negociação. “Señora” funciona; usar “cholita” com quem você não conhece, não.
Peça licença para fotografar
Peça antes de fotografar mulheres de pollera, yatiris e bancas do Mercado de las Brujas. Muitas cobram alguns bolivianos pela foto, e outras simplesmente recusam.
Não recuse a coca de imediato
Folha de coca e mate de coca são legais, cotidianos e oferecidos tanto como hospitalidade quanto como remédio para a altitude. Aceitar um punhado, mesmo sem mascar, é gesto de cortesia.
Derrame o primeiro gole
Em brindes, inaugurações e almoços de família, derrame um pouco no chão para a Pachamama antes de beber: é a ch’alla. Ninguém explica o gesto, então faça como os outros à mesa.
Barganhe pouco e sem drama
Em mercado e feira, um desconto de cerca de 10% é normal; em loja com etiqueta, não se pechincha. Insistir depois do segundo “no” encerra a conversa.
Erros a evitar
Caminhar e comer pesado na chegada
Descer do avião e ir direto caminhar, comer pesado ou beber. As primeiras 24 horas pedem descanso, água e comida leve: o soroche derruba independentemente de idade e de preparo físico, e isso já derrubou gente que corre maratona.
Seis quadras podem ser 100 m de desnível
Achar que o centro é plano. Seis quadras no mapa podem significar 100 m de desnível, então cheque a inclinação antes de decidir ir a pé, e prefira sempre o sentido de descida.
A barraca não troca a nota de Bs 100
Contar com cartão e caixa eletrônico. Boa parte do comércio funciona só com dinheiro, e barraca de rua raramente tem troco para nota de Bs 100.
Salteña à tarde
Procurar salteña à tarde ou fricasé depois das 11h de domingo. Cada prato tem hora fixa na cidade e simplesmente acaba quando a hora passa, sem placa nem aviso.
Táxi de rua sem chamar antes
Pegar táxi de rua sem chamar antes, em especial depois de escurecer. É a porta de entrada do sequestro-relâmpago, o golpe mais recorrente da cidade.
Frases úteis
¿Cuánto está, casera?
“Quanto custa, dona?”: a forma padrão de perguntar preço no mercado
Kamisaraki: Waliki
“Como vai?” e “Vou bem”, em aimará (ka-mi-sa-RÁ-ki / wa-LÍ-ki)
Jikisiñkama
“Até logo”, em aimará (rri-ki-si-NHÃ-ka-ma)
¿Hay llajua?
“Tem llajua?” (LHÁ-rrua): o molho de locoto que acompanha quase tudo
Estoy con soroche
“Estou com mal de altitude”: frase que qualquer farmacêutico entende na hora
¡Esquina, por favor!
“Na esquina, por favor”. O que se grita para descer do minibus
Bairros

Casco Viejo (centro)
Quadras coloniais em torno da Plaza Murillo e da igreja de San Francisco, com o Congresso, a Casa Grande del Pueblo e quase todos os museus. Cheio das 8h às 19h e vazio depois disso.
Sopocachi
Bairro de classe média a oeste do Prado, feito de casarões dos anos 1920 e prédios dos anos 1970. Concentra restaurantes, bares, livrarias e a vida noturna adulta; o mirante do Montículo é o ponto de encontro.
San Pedro
Ao sul do centro, organizado em torno da praça e do presídio de San Pedro, uma prisão-cidade onde os detentos alugam as próprias celas. Comércio miúdo, pensões baratas e o mercado Rodríguez a poucas quadras.
Miraflores
Planalto residencial a leste, sede do estádio Hernando Siles, a 3.637 m, e do maior complexo hospitalar do país. Ruas largas e arborizadas, pouca vida turística e muito almoço executivo.
Max Paredes e Gran Poder
Encosta noroeste, o coração comercial aimará: ruas inteiras dedicadas a um único produto e a sede da festa do Gran Poder. Trânsito difícil, calçadas ocupadas, preços de atacado.

Rosario e Sagárnaga
Poucas quadras acima de San Francisco, onde ficam as agências, os albergues e o Mercado de las Brujas. É a zona mais turística e a mais óbvia para comparar preços antes de fechar qualquer excursão.
Zona Sur
Calacoto, San Miguel, Obrajes e Achumani, entre 3.200 e 3.400 m: shoppings, escritórios, restaurantes caros e o clima mais ameno da cidade. Os preços aqui são o dobro dos do centro.
El Alto
Na borda do cânion, a 4.050 m, com maioria aimará: dos cholets de Freddy Mamani à feira de quinta e domingo.
História
séc. XV · Chuquiago sob o Inca
Aldeias aimarás do vale do rio Choqueyapu passam ao Qullasuyu, o quarto sul do Tawantinsuyu. O ouro lavado no rio dá nome ao lugar: Chuqiyapu, “roça de ouro” em aimará.
1548 · Fundação espanhola
Alonso de Mendoza funda Nuestra Señora de La Paz em Laja, em 20 de outubro, para marcar o fim da guerra civil entre pizarristas e almagristas. Três dias depois o assentamento é transferido para o fundo abrigado do vale.

1781 · O cerco de Túpac Katari
Julián Apaza, que adotou o nome Túpac Katari, e Bartolina Sisa sitiam a cidade duas vezes, somando mais de 180 dias e milhares de mortos pela fome. Katari é esquartejado em Peñas em 14 de novembro.
1809 · Junta Tuitiva
Em 16 de julho, Pedro Domingo Murillo encabeça um dos primeiros governos autônomos da América espanhola. Murillo é enforcado na praça central em 29 de janeiro de 1810, e a praça passa a levar seu nome.
1825 · Nasce a Bolívia
A independência é proclamada em 6 de agosto e a cidade recebe o sobrenome “de Ayacucho”, em homenagem à batalha de 1824. La Paz é então a cidade mais populosa do país novo.
1899 · Guerra Federal
Os liberais paceños derrotam os conservadores de Sucre com o apoio das tropas aimarás de Pablo Zárate Willka, depois reprimidas. Sucre mantém o título de capital e o Judiciário; La Paz fica com o Executivo e o Legislativo.
1900–1930 · Estanho, bonde e Prado
O ciclo do estanho de Simón Patiño financia ferrovia, bondes elétricos e a abertura da avenida 16 de Julho, o Prado. A cidade sai das quadras coloniais e começa a subir as ladeiras.
1932–1952 · Do Chaco à Revolução
A derrota na Guerra do Chaco contra o Paraguai (1932–1935) desmoraliza a elite e cria uma geração de veteranos politizados. Em 9 de abril de 1952 a Revolução Nacional traz sufrágio universal, reforma agrária em 1953 e a nacionalização das minas.
1985 · O 21060 e El Alto
O Decreto Supremo 21060 encerra a hiperinflação com um choque de mercado e dispensa cerca de 20 mil mineiros. El Alto, município autônomo desde março daquele ano, recebe a migração e vira em uma geração uma cidade maior que La Paz.
2003 · Guerra do Gás
Bloqueios partidos de El Alto contra a exportação de gás pelo Chile terminam com mais de sessenta mortos em outubro. O presidente Gonzalo Sánchez de Lozada renuncia e deixa o país em 17 de outubro.

2014–2026 · Teleférico e crise
A Linha Vermelha do Mi Teleférico abre em 30 de maio de 2014 e inaugura a maior rede de teleférico urbano do mundo. A partir de 2023 a queda da produção de gás seca as reservas em dólares; Rodrigo Paz assume em 8 de novembro de 2025 e libera o câmbio em junho de 2026.

História completa
Comunidades aimarás antes dos incas
O vale do Choqueyapu era ocupado por comunidades aimarás quando os incas o incorporaram ao Qullasuyu, por volta de 1450, e puseram gente a lavar ouro no leito do rio. Em 20 de outubro de 1548, Alonso de Mendoza fundou Nuestra Señora de La Paz em Laja, na planície, para celebrar o fim da guerra entre pizarristas e almagristas; três dias depois, transferiu o assentamento para o fundo abrigado do cânion, uns 400 m mais baixo. A escolha define a cidade até hoje: quem pôde escolher ficou embaixo, onde há mais oxigênio e menos vento. La Paz virou posto de descanso na rota que levava a prata de Potosí ao porto de Lima, com a população indígena nas encostas da margem oeste e os espanhóis do outro lado do rio, em torno da praça maior.
Sitiada duas vezes em 1781
Em 1781 a cidade foi sitiada duas vezes por Julián Apaza, que tomou o nome de Túpac Katari, e por Bartolina Sisa, à frente de dezenas de milhares de combatentes aimarás; os cercos somaram mais de 180 dias e mataram milhares de pessoas de fome dentro das muralhas improvisadas. Katari foi esquartejado em Peñas em 14 de novembro daquele ano. Vinte e oito anos depois, em 16 de julho de 1809, a Junta Tuitiva de Pedro Domingo Murillo instalou um dos primeiros governos autônomos da América espanhola; Murillo foi enforcado na praça central em 29 de janeiro de 1810. A independência da Bolívia só veio em 6 de agosto de 1825, e a cidade ganhou o sobrenome “de Ayacucho”.
A Guerra Federal levou o poder para cá
A Guerra Federal de 1898–1899 opôs os liberais de La Paz aos conservadores de Sucre. José Manuel Pando venceu com o apoio das tropas aimarás de Pablo Zárate Willka e depois reprimiu os próprios aliados. O resultado partiu o Estado em dois pedaços que continuam separados: Sucre ficou com o título de capital e o Judiciário, La Paz com o Executivo, o Legislativo e o orçamento. Veio então o ciclo do estanho, de Simón Patiño: ferrovia, bondes elétricos, a abertura da avenida 16 de Julho. A derrota na Guerra do Chaco (1932–1935) desmoralizou a elite e produziu a geração que fez a Revolução Nacional de 9 de abril de 1952: sufrágio universal, reforma agrária em 1953, mineração estatal.
O decreto que encerrou a hiperinflação
Em agosto de 1985 o Decreto Supremo 21060 encerrou uma hiperinflação de mais de 20.000% com um choque de mercado e dispensou cerca de 20 mil mineiros. A chamada “relocalización” empurrou famílias inteiras do interior mineiro para a borda do cânion, e El Alto, município autônomo desde março de 1985, se tornou em uma geração uma cidade aimará com mais habitantes que La Paz. Foi de lá que desceram os bloqueios de 2003: na Guerra do Gás, mais de sessenta mortos em outubro derrubaram o presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, que deixou o país no dia 17. Em 22 de janeiro de 2006 Evo Morales tomou posse como primeiro presidente indígena da Bolívia.
O teleférico mudou a geografia social
Em 30 de maio de 2014 abriu a Linha Vermelha do Mi Teleférico, primeira de dez linhas que somam cerca de 33 km e reduziram a viagem entre El Alto e a Zona Sur de duas horas para quarenta minutos. A partir de 2023 a queda da produção de gás secou as reservas em dólares e o país entrou na pior crise econômica em décadas, com filas de combustível e inflação alta em 2025 e 2026. Rodrigo Paz assumiu a presidência em 8 de novembro de 2025, encerrando vinte anos de governos do MAS, adotou câmbio flutuante administrado em junho de 2026 e eliminou a exigência de visto para turistas de sete países, entre eles os Estados Unidos. Em setembro de 2026 o dólar oficial gira perto de Bs 12 e a inflação anual projetada passa de 25%.
Com a inflação projetada acima de 25% em 2026, até a marraqueta, o pão de dois lóbulos que custa centavos, pode mudar de preço de uma semana para a outra.
Geografia e forma da cidade
O cânion e as três alturas
La Paz não tem planície: a cidade inteira é a parede de um cânion de cerca de 20 km que o rio Choqueyapu abriu no altiplano, com desnível de quase 1.000 m entre a borda e o fundo. O centro administrativo fica por volta de 3.640 m; a Zona Sur desce a 3.200 m; El Alto, na borda oeste, está a 4.050–4.100 m.
Geografia social invertida e solo instável
A geografia social é invertida em relação à maioria das cidades do mundo: quanto mais baixo, mais quente, mais oxigênio e mais caro, e os bairros populares sobem as encostas. O rio foi canalizado sob a avenida principal, a Mariscal Santa Cruz, o Prado, e quase não aparece em superfície. O solo é argiloso e instável: o megadeslizamento de Callapa, em 26 de fevereiro de 2011, destruiu cerca de mil casas, e a chuva de granizo de 19 de fevereiro de 2002 alagou o centro e matou dezenas de pessoas.
Crescimento vertical e o Illimani como bússola
Sem espaço para crescer na horizontal, a cidade subiu as encostas e, desde 2014, ganhou o teleférico, que funciona como um metrô vertical entre o fundo do vale e a borda. A sudeste, o Illimani, de 6.438 m, aparece de quase todo mirante e serve de referência para se orientar.
Se estiver perdido, procure o Illimani, que aparece de quase todo mirante e fica a sudeste da cidade.
Cultura
A chola paceña e a identidade aimará
La Paz é uma cidade de maioria aimará que passou boa parte do século XX se apresentando como outra coisa. A virada está visível na rua: a chola paceña (pollera, manta bordada, chapéu-coco adotado nos anos 1920) deixou de ser marca de subalternidade e virou identidade pública, com desfiles de moda, apresentadoras de televisão e as Cholitas Luchadoras, que fazem luta livre em El Alto aos domingos desde o começo dos anos 2000. Na mesma direção correm a arquitetura neo-andina de Freddy Mamani e uma burguesia aimará que financia festas, bandas e prédios inteiros.
Bandas das entradas folclóricas, cinema e literatura
A cidade produz uma música de bandas de sopro que sustenta as entradas folclóricas (morenada, caporales, diablada) e, em paralelo, uma cena de rock, rap em aimará e cumbia concentrada em Sopocachi. No cinema, Jorge Sanjinés e o grupo Ukamau reinventaram o filme político andino com “Yawar Mallku” (1969) e “La nación clandestina” (1989); Antonio Eguino retratou quatro classes e quatro altitudes da cidade em “Chuquiago” (1977) e Juan Carlos Valdivia filmou a elite da Zona Sur em “Zona Sur” (2009). Na literatura, Jaime Saenz escreveu o cânone paceño em “Felipe Delgado” e em “Aniversario de una visión”, e Juan de Recacoechea transformou o centro em romance policial em “American Visa” (1994).
Futebol a 3.637 metros, missa e ch’alla
O futebol se joga a 3.637 m no estádio Hernando Siles, vantagem de altitude que a FIFA tentou proibir em 2007 e depois recuou, e Bolívar e The Strongest dividem a cidade. Fora do estádio, a fé também tem duas faces: a mesma família vai à missa na catedral e faz a ch’alla, derramando o primeiro gole no chão para a Pachamama, antes de inaugurar carro, casa ou loja, muitas vezes no mesmo dia.
As Cholitas Luchadoras lutam em El Alto aos domingos.
Festas e eventos

Alasitas
Começa em 24 de janeiro e dura cerca de três semanas, no Parque Urbano Central. Compram-se miniaturas (casas, carros, diplomas, maços de notas) que o Ekeko, deus da abundância, deveria converter em objetos reais; a compra deve ser feita ao meio-dia e o objeto, benzido com incenso. Patrimônio imaterial da UNESCO desde 2017.

Jisk’a Anata (Carnaval)
Fevereiro ou março, conforme o calendário. Desfile de comparsas pelo Prado, ch’alla nas casas e nas lojas com serpentina e álcool, e água jogada na rua durante dias seguidos.

Fiesta del Señor Jesús del Gran Poder
Um sábado de fim de maio ou começo de junho. Cerca de 40 mil dançarinos e milhares de músicos descem da zona Max Paredes ao centro em morenadas, caporales e diabladas, por umas quinze horas seguidas. Patrimônio imaterial da UNESCO desde 2019.
Ilustração com IAWillkakuti, o Ano-Novo andino
21 de junho, solstício de inverno. Milhares recebem o primeiro sol do ano com as palmas erguidas em Tiwanaku e nos morros da cidade; é feriado nacional desde 2010.
Ilustração com IAEntrada Universitaria
Fim de julho ou agosto. Estudantes da Universidad Mayor de San Andrés desfilam com danças de todas as regiões do país. É a versão jovem, mais barata e mais longa das entradas folclóricas.
Livros e filmes
“Chuquiago” (1977), de Antonio Eguino
“Chuquiago” (1977) e “Zona Sur” (2009): duas décadas, duas leituras da mesma escada social.
“American Visa” (1994), de Juan de Recacoechea
Romance policial nos hotéis baratos e nas ruas do centro, sobre um professor que tenta conseguir um visto para os Estados Unidos. Explica a cidade pelo avesso da burocracia.
“La nación clandestina” (1989), de Jorge Sanjinés
Um homem expulso da comunidade volta ao altiplano para dançar a própria morte. Filme-chave para entender a relação entre La Paz e o mundo aimará que a cerca.
Perguntas frequentes
La Paz: dá para passear e comer pesado logo na chegada?
Não: nas primeiras 24 horas, descanse, beba água e coma leve, porque o soroche, o mal da altitude, atinge qualquer idade e preparo físico, até quem corre maratona.
La Paz: como chegar a Tiwanaku?
Tiwanaku fica 72 km a oeste, a cerca de 1h30 de carro ou 2h de ônibus saindo do Cementerio General.
La Paz: qual é a moeda e quanto vale o dólar?
A moeda é o boliviano (Bs), que deixou o câmbio fixo em junho de 2026. Em setembro de 2026 o dólar oficial gira em torno de Bs 12, e o paralelo praticamente colou nele.
La Paz: como é o clima ao longo do ano?
La Paz tem uma estação seca e uma de chuva, com média perto de 11 °C no centro o ano inteiro. De maio a setembro o céu fica limpo, com 15 a 18 °C ao sol do meio-dia e −2 a 3 °C de madrugada; de dezembro a março chove quase toda tarde, às vezes com granizo.
La Paz: preciso cumprimentar antes de perguntar o preço?
Sim: “buenos días” ou “buenas tardes” vem antes de qualquer pergunta, inclusive a de preço, e perguntar direto soa como ordem.
Outras cidades do país
Bolívia ↗- Dias
- 3
- Quando
- mai–out
- Por pessoa/dia
- Média de 40–70 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.






