
Itália
Veneza
Mosaicos de San Marco, Tintoretto nas igrejas e cicchetti
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
Veneza não serve a quem viaja com mala grande ou pressa, porque as pontes têm degraus e nenhum caminho é reto. Em julho e agosto, entre 9h e 18h, San Marco e Rialto enchem a ponto de se andar em fila. Com um dia só, chegue à Piazza às 8h30 e veja a basílica e o Palazzo Ducale de manhã. Almoce cicchetti em pé num bacaro de Castello, a poucas calli da Riva degli Schiavoni. À tarde, pegue a linha 2 do vaporetto até San Giorgio Maggiore e siga depois para as Zattere, com o sol de frente. O que mais decepciona é a gôndola, a cerca de 90 € por 30 minutos nos mesmos canais que você cruza a pé, e a Ponte dos Suspiros, menor do que parece nas fotos. Se puder, volte à Piazza depois das 21h, quando ela fica quase vazia.
2–3
Quando Meados de abril a junho e de setembro ao começo de outubro
Como o guia chega a este número
Vá entre meados de abril e junho ou entre setembro e o começo de outubro, quando a temperatura fica entre 18 e 26 °C, os dias são longos e a chance de chuva é moderada. Julho e agosto passam de 30 °C, com a umidade alta da laguna, mosquitos ao entardecer e cheiro forte nos canais menores na maré baixa; nas duas semanas centrais de agosto muitos negócios de bairro fecham, e por isso agosto é o mês que eu evitaria. O inverno é frio e úmido, entre 2 e 8 °C, com neblina densa em dezembro e janeiro, mas é quando a cidade volta a ser dos moradores e as diárias de hotel caem à metade. De outubro a janeiro vem a acqua alta: a Piazza San Marco começa a alagar com marés de uns 80 cm, e as comportas do MOSE só sobem quando a previsão chega a 110 cm, por isso a praça continua alagando nas marés intermediárias. Nesses dias o município instala as passerelle, passarelas elevadas sobre a água; acompanhe a maré pelo aplicativo do Centro Previsioni e leve bota de borracha, ou compre uma na rua por cerca de 15 €. O Carnaval lota a cidade por cerca de duas semanas e termina na terça-feira gorda, que muda de data com a Páscoa e cai em fevereiro ou no começo de março.
Por pessoa/dia Econômico 75–110 €; conforto médio 180–330 €, quase tudo decidido pela hospedagem
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaFique dois dias: um para San Marco e o Palazzo Ducale, outro para Rialto, os Frari e Dorsoduro, e o terceiro, se sobrar, para as ilhas da laguna. Veneza não serve a quem viaja com mala grande ou pressa, porque as pontes têm degraus e nenhum caminho é reto. Em julho e agosto, entre 9h e 18h, San Marco e Rialto enchem a ponto de se andar em fila. Com um dia só, chegue à Piazza às 8h30 e veja a basílica e o Palazzo Ducale de manhã. Almoce cicchetti em pé num bacaro de Castello, a poucas calli da Riva degli Schiavoni. À tarde, pegue a linha 2 do vaporetto até San Giorgio Maggiore e siga depois para as Zattere, com o sol de frente. O que mais decepciona é a gôndola, a cerca de 90 € por 30 minutos nos mesmos canais que você cruza a pé, e a Ponte dos Suspiros, menor do que parece nas fotos. Se puder, volte à Piazza depois das 21h, quando ela fica quase vazia.Em Veneza, as 118 ilhas da laguna se ligam por cerca de 435 pontes, e os carros param na borda, em Piazzale Roma e Tronchetto. Dali para dentro, os deslocamentos são a pé ou de vaporetto. Na Basílica de San Marco, erguida a partir de 1063, mosaicos dourados cobrem cúpulas e paredes ao lado dos quatro cavalos de bronze trazidos de Constantinopla. Boa parte da grande pintura veneziana continua nas paredes para as quais foi encomendada: o “Paraíso” de Tintoretto no Palazzo Ducale, a “Assunção” de Ticiano no altar dos Frari e mais de sessenta telas de Tintoretto na Scuola Grande di San Rocco. Entre uma igreja e outra, pare num bacaro para os cicchetti, os petiscos venezianos que acompanham o spritz. Venha da segunda quinzena de abril a junho, ou em setembro e no início de outubro, antes da acqua alta, e reserve dois dias, mais um se quiser ver Murano, Burano e Torcello.
Ficha rápida
- População
- 47.652 no centro histórico (jan. 2026); cerca de 250 mil no município inteiro, incluindo Mestre e Marghera; cerca de 840 mil na cidade metropolitana
- Fundação
- Data tradicional: 25 de março de 421, na igreja de San Giacomo di Rialto; ocupação real da laguna entre os séculos V e VII
- País e região
- Itália, região do Vêneto; capital da Cidade Metropolitana de Veneza
- Idioma
- Italiano; o vêneto é falado no cotidiano e domina a toponímia (calle, campo, fondamenta)
- Moeda
- Euro (€)
- Fuso
- CET, UTC+1 (UTC+2 no horário de verão europeu)
- Melhor época
- Meados de abril a junho e de setembro ao começo de outubro
- Custo médio por dia
- Econômico 75–110 €; conforto médio 180–330 €, quase tudo decidido pela hospedagem
Quando ir
Meados de abril a junho e de setembro ao começo de outubro
janeiro
0° a 8°C
45 mm de chuva
fevereiro
1° a 10°C
51 mm de chuva
março
5° a 15°C
60 mm de chuva
julho
19° a 30°C
72 mm de chuva
agosto
19° a 30°C
73 mm de chuva
novembro
6° a 13°C
94 mm de chuva
dezembro
1° a 9°C
64 mm de chuva
O que muda ao longo do ano
Vá entre meados de abril e junho ou entre setembro e o começo de outubro, quando a temperatura fica entre 18 e 26 °C, os dias são longos e a chance de chuva é moderada. Julho e agosto passam de 30 °C, com a umidade alta da laguna, mosquitos ao entardecer e cheiro forte nos canais menores na maré baixa; nas duas semanas centrais de agosto muitos negócios de bairro fecham, e por isso agosto é o mês que eu evitaria. O inverno é frio e úmido, entre 2 e 8 °C, com neblina densa em dezembro e janeiro, mas é quando a cidade volta a ser dos moradores e as diárias de hotel caem à metade. De outubro a janeiro vem a acqua alta: a Piazza San Marco começa a alagar com marés de uns 80 cm, e as comportas do MOSE só sobem quando a previsão chega a 110 cm, por isso a praça continua alagando nas marés intermediárias. Nesses dias o município instala as passerelle, passarelas elevadas sobre a água; acompanhe a maré pelo aplicativo do Centro Previsioni e leve bota de borracha, ou compre uma na rua por cerca de 15 €. O Carnaval lota a cidade por cerca de duas semanas e termina na terça-feira gorda, que muda de data com a Páscoa e cai em fevereiro ou no começo de março.
Os mesmos números em tabela
| Mês | Temperatura °C | Chuva mm |
|---|---|---|
| janeiro | 0 a 8 | 45 |
| fevereiro | 1 a 10 | 51 |
| março | 5 a 15 | 60 |
| abril · | 8 a 19 | 76 |
| maio · | 13 a 24 | 99 |
| junho · | 17 a 28 | 83 |
| julho | 19 a 30 | 72 |
| agosto | 19 a 30 | 73 |
| setembro · | 15 a 25 | 98 |
| outubro · | 10 a 19 | 78 |
| novembro | 6 a 13 | 94 |
| dezembro | 1 a 9 | 64 |
Dicas do Nilo
O passe de 24 horas compensa a partir do terceiro vaporetto
A corrida avulsa de vaporetto custa 9,50 €, e três delas já passam dos 25 € do passe de 24 horas, então faça a conta antes do primeiro embarque. Para uma travessia só do Canal Grande, o traghetto resolve por cerca de 2 €.
Campanário de San Giorgio Maggiore, de elevador, por 8 €
De lá se vê San Marco de frente, com a Piazza inteira no enquadramento, coisa que a torre de 98,6 m da própria praça não mostra. Atravesse até San Giorgio Maggiore na linha 2 do vaporetto, numa viagem de menos de cinco minutos. A subida costuma ter pouca espera, enquanto o elevador da torre da Piazza atrai filas longas durante o dia.
Vá ao mercado de Rialto de terça a sábado, entre 7h30 e 11h
As bancas de peixe de Rialto abrem só de terça a sábado, de manhã, e domingo e segunda a ponte continua cheia com a peixaria fechada. Vá entre 7h30 e 11h para ver o que a laguna rendeu naquela semana e coma depois nos bacari em volta, que se abastecem no mesmo mercado.
Pergunte o preço por etto antes de dizer sim
Um prato de peixe do dia anunciado a 9 € pode chegar bem além disso, porque a conta soma os etti da posta inteira. A unidade do cardápio é o etto, 100 g, e o peixe é cobrado por peso. Pergunte quantos etti tem a porção antes de pedir; é uma pergunta comum e o garçom responde sem cerimônia.
Fique de pé no balcão
No bacaro, o costume é beber em pé, e sentar muda o preço da mesma bebida. O giro d'ombre, a volta por vários bacari, acontece das 11h às 13h e de novo das 18h às 20h; fora dessas janelas, o balcão fica vazio e os cicchetti, frios.
Durma na ilha para ter San Marco vazio antes das 9h
Dormindo na ilha, você chega a San Marco antes das 9h e volta depois das 21h, quando a Piazza fica quase vazia. Em Mestre a diária sai cerca de 40% mais barata, mas cada trajeto soma 15 minutos de trem. Quem dorme em qualquer hospedagem do município, seja no centro histórico, em Mestre, no Lido ou nas ilhas, fica isento do contributo di accesso de 5 ou 10 €, cobrado nos dias marcados de quem vai e volta no mesmo dia; em 2026, a cobrança terminou em 26 de julho.
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Veneza: A laguna, as 118 ilhas e as estacas
O centro histórico tem 7,8 km² e está construído sobre milhões de estacas de amieiro e carvalho cravadas até o caranto, a camada de argila compacta sob o lodo; só a igreja da Salute repousa sobre cerca de 1,1 milhão delas. Cheio das 9h às 18h, quase vazio às 8h e depois das 21h; é onde tudo custa mais e onde quase ninguém mora.

Basílica de San Marco
Igreja ducal iniciada em 1063 sobre planta de cruz grega bizantina, consagrada em 1094, com cerca de 8.000 m² de mosaicos de fundo dourado. A Pala d'Oro, retábulo de ourivesaria com cerca de 1.900 pedras, e os quatro cavalos de bronze trazidos de Constantinopla em 1204 (os da fachada são cópias) cobram entrada à parte. Reserve horário; ombros e joelhos cobertos.
A igreja ducal iniciada em 1063 reúne cerca de 8.000 m² de mosaicos de fundo dourado, e tanto a Pala d'Oro como os cavalos trazidos de Constantinopla em 1204 cobram entrada à parte.
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Palazzo Ducale
Sede do doge, dos conselhos e dos tribunais no mesmo edifício, com fachada gótica de 1340–1450 sobre arcadas. Na Sala do Maggior Consiglio está o “Paraíso” de Tintoretto, com cerca de 22 m de largura, uma das maiores telas a óleo do mundo. A visita atravessa a Ponte dos Suspiros (1600–1603) rumo às prisões novas, e o percurso “Itinerari Segreti” exige reserva separada.
No mesmo edifício fica a sede do doge, dos conselhos e dos tribunais, com o Paraíso de Tintoretto de cerca de 22 m de largura na Sala do Maggior Consiglio, e a visita atravessa a Ponte dos Suspiros rumo às prisões novas.
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Ponte e mercado de Rialto
A ponte de pedra de vão único, com 28 m, foi construída por Antonio da Ponte entre 1588 e 1591, substituindo pontes de madeira que caíam. Ao lado, a Pescheria e o Erberia funcionam desde o século XIV: peixe de terça a sábado, de manhã, e é o melhor lugar para entender o que a laguna produz em cada estação.
A ponte de pedra substituiu pontes de madeira que caíam, e a Pescheria com a Erberia segue mostrando o pescado e o que a laguna produz conforme a época.
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Santa Maria Gloriosa dei Frari
Igreja franciscana gótica em tijolo, concluída em 1443, com o segundo campanário mais alto da cidade. Sobre o altar-mor está a “Assunção da Virgem” de Ticiano (1516–1518), com quase 7 m de altura; o pintor está enterrado ali, e Canova tem um túmulo em pirâmide de 1827.
Entre pela “Assunção da Virgem” de Ticiano, de 1516–1518, com quase 7 m de altura sobre o altar-mor. O pintor está enterrado na mesma igreja franciscana de tijolo, que também guarda o túmulo em pirâmide de Canova, de 1827.
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San Giorgio Maggiore
Igreja de Andrea Palladio iniciada em 1566, com fachada de templo clássico concluída em 1610, na ilha em frente à Piazzetta. O campanário sobe de elevador e mostra San Marco de frente, do outro lado da bacia, quase sem fila; a linha 2 do vaporetto chega em menos de cinco minutos.
Suba de elevador ao campanário da igreja de Palladio: ele mostra San Marco de frente, do outro lado da bacia, quase sem fila. A linha 2 do vaporetto chega à ilha em menos de cinco minutos.
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Scuola Grande di San Rocco
Sede de uma confraria leiga onde Tintoretto pintou sozinho mais de sessenta telas entre 1564 e 1587, incluindo uma “Crucificação” que ocupa uma parede inteira. Espelhos de mão são emprestados na entrada para olhar os tetos sem torcer o pescoço.
Na sede da confraria, Tintoretto pintou sozinho mais de sessenta telas entre 1564 e 1587, e a “Crucificação” ocupa uma parede inteira. Pegue na entrada um dos espelhos de mão emprestados para olhar os tetos sem torcer o pescoço.
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Santa Maria della Salute e Punta della Dogana
Igreja votiva octogonal de Baldassare Longhena, iniciada em 1631 depois da peste e consagrada em 1687, com sacristia cheia de Ticianos e Tintorettos. Ao lado, a antiga alfândega marítima virou museu de arte contemporânea da Coleção Pinault em 2009, e a ponta é o melhor ponto para ver o Canal Grande e a Giudecca ao mesmo tempo.
A igreja octogonal de Longhena foi erguida como voto depois da peste, a partir de 1631, e a sacristia guarda telas de Ticiano e Tintoretto. Ao lado, a Punta della Dogana é o melhor ponto para ver o Canal Grande e a Giudecca ao mesmo tempo, e rende mais no fim do dia.
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Gueto de Cannaregio
Instituído em 29 de março de 1516, é o gueto mais antigo do mundo e a origem da palavra. Como não podia crescer para os lados, cresceu para cima: são os prédios mais altos do centro histórico, de até nove pavimentos com pés-direitos baixos. Cinco sinagogas dos séculos XVI e XVII são visitáveis com guia pelo Museu Judaico.
Em 29 de março de 1516 começou o gueto que está na origem da palavra, e a falta de chão lateral empurrou a construção para cima, até nove pavimentos de pé-direito baixo, com cinco sinagogas que se visitam com guia.
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Gallerie dell'Accademia
A coleção definitiva de pintura veneziana, de Bellini e Giorgione a Ticiano, Tintoretto, Veronese e Tiepolo, nas antigas Scuola della Carità e igreja de Santa Maria della Carità. Guarda o “Homem Vitruviano” de Leonardo, exposto raramente por conservação.
A Accademia reúne a coleção mais completa de pintura veneziana, mas retirada das igrejas e scuole para as quais foi pintada, e o “Homem Vitruviano” de Leonardo, que atrai muita gente, quase nunca está exposto, por conservação. Numa visita curta, a mesma pintura rende mais onde ainda está no lugar de origem.
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O roteiro do Nilo
Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · San Marco e o Estado
Chegue à Piazza San Marco às 8h30, antes dos grupos. Reserve a basílica a partir das 9h30, de segunda a sábado; aos domingos e feriados religiosos, a visita começa às 14h, então inverta a ordem do dia. A Pala d'Oro e o museu dos cavalos cobram entrada à parte.
Visite o Palazzo Ducale com o bilhete combinado dos museus da Piazza (cerca de 30 €) e atravesse a Ponte dos Suspiros até as prisões novas.
Almoce cicchetti em pé num bacaro de Castello, uma ou duas calli atrás da Riva degli Schiavoni, onde o preço cai pela metade.
Pegue a linha 2 do vaporetto até San Giorgio Maggiore e suba de elevador ao campanário para ver San Marco de fora, sem fila (cerca de 8 €).
Caminhe no fim da tarde pelas Zattere, com o sol de frente, tome uma ombra num bacaro de Dorsoduro e jante depois das 19h30, no horário dos venezianos.
Dia 2 · Rialto, Frari e Dorsoduro
Vá ao mercado de Rialto entre 7h30 e 11h, de terça a sábado, porque a peixaria fecha domingo e segunda.
Visite a Scuola Grande di San Rocco pela manhã, com os espelhos de mão emprestados na entrada, e siga 200 m até os Frari para ver a “Assunta” de Ticiano.
Atravesse o Canal Grande de traghetto, a gôndola de travessia usada em pé por cerca de 2 €, em vez de andar até a ponte mais próxima.
À tarde, escolha entre Gallerie dell'Accademia e Peggy Guggenheim; ficam a 400 m uma da outra, na mesma margem.
Veja o pôr do sol na Punta della Dogana e jante em San Polo ou no Campo Santa Margherita, mais barato e mais jovem.
Se ficar mais
Dia 3 · A laguna e o cotidiano
Pegue o vaporetto 12 em Fondamente Nove e desça primeiro em Murano, para um forno de vidro e o Museo del Vetro, antes de seguir para Burano (cerca de 45 min no total).
Siga de Burano a Torcello, a 5 minutos de barco, para ver na catedral de Santa Maria Assunta, de 639, o mosaico do Juízo Final do século XII.
Na volta, se houver tempo antes do fechamento, siga até Fondamente Nove e troque para a linha 4.1 ou 4.2 com parada em Cimitero, confirmando o sentido no embarque. San Michele é a ilha-cemitério onde estão Stravinsky, Diaghilev e Ezra Pound; a linha 12 não para ali, e o cemitério fecha no fim da tarde.
Passe a tarde em Cannaregio, entre o Gueto de 1516, a visita guiada às sinagogas do Museu Judaico e a Madonna dell'Orto, igreja de Tintoretto.
Jante na Fondamenta della Misericordia, onde os venezianos bebem à noite, e volte a pé, porque o centro inteiro se atravessa em 40 minutos.
Comida
Ilustração com IACicchetti e o bacaro
Petiscos de balcão (meia sardinha, polvo, alcachofra, bacalhau sobre pão) servidos em bares chamados bacari, entre 1,50 e 3,50 € a unidade. Come-se em pé, entre as 11h e as 13h e de novo das 18h às 20h; o giro de vários bacari se chama giro d'ombre.
Ilustração com IAOmbra e spritz
“Ombra” é a taça pequena de vinho da casa, nome que vem da sombra do campanário sob a qual os vendedores mudavam a banca ao longo do dia. Custa 1,50–3 € no balcão. O spritz veneziano leva vinho branco ou prosecco, água com gás e um amargo: Select é o local, mais do que Aperol.
Ilustração com IASarde in saor
Sardinhas fritas marinadas em cebola refogada, vinagre, uvas-passas e pinhões, criadas como conserva de bordo. Servem-se frias, no dia seguinte ao preparo, e são obrigatórias na festa do Redentore.
Ilustração com IABaccalà mantecato
É feito com stockfish norueguês, um peixe seco sem sal, deixado de molho e batido com azeite até virar creme branco. Come-se sobre polenta grelhada ou pão, e é o cicchetto mais vendido da cidade.
Ilustração com IABigoli in salsa
Massa grossa de trigo integral furada em prensa de bronze, com molho de cebola desfeita e anchovas ou sardinhas salgadas. Prato de dia magro do calendário católico, sem queijo por definição.
Ilustração com IASeppie al nero con polenta
Sépia cozida na própria tinta, servida com polenta branca: a polenta veneziana usa milho branco, não amarelo. Aparece o ano todo e mancha tudo, inclusive quem come.
Ilustração com IAMoeche e castraure
Moeche são siris capturados nas poucas semanas em que trocam a carapaça, na primavera e no outono, empanados e fritos inteiros; custam caro e só existem na laguna. Castraure são as primeiras alcachofras roxas da ilha de Sant'Erasmo, em abril e maio.
Ilustração com IABussolai, baicoli e frittelle
Bussolai são biscoitos de manteiga de Burano, em anel ou em S; baicoli são bolachas finas do século XVIII, feitas para durar em viagem de navio. As frittelle, bolinhas fritas com passas ou creme, aparecem nas padarias só entre janeiro e o Carnaval.
Bate-voltas

Pádua
Pádua fica 37 km a oeste, com trens regionais a cada 15–20 minutos, 25–50 min de viagem e passagem de cerca de 5 €. A Capela dos Scrovegni, com o ciclo de Giotto de 1303–1305, só recebe visitantes com reserva e em turnos de 15 minutos; a Basílica de Santo Antônio e o jardim botânico de 1545, o mais antigo do mundo em atividade, ficam a pé do centro.

Verona
Verona fica a 120 km, a 1h10 de trem rápido ou cerca de 2h10 de regional. A Arena, anfiteatro romano do século I, funciona como teatro de ópera ao ar livre de junho a setembro, com ingressos de arquibancada de pedra a partir de cerca de 30 €.

Colinas do Prosecco, Conegliano e Valdobbiadene
As colinas do Prosecco de Conegliano e Valdobbiadene ficam cerca de 60 km ao norte. Sem carro, vá de trem até Conegliano (cerca de 1 h) e siga de ônibus local pelas colinas, paisagem inscrita na UNESCO em 2019, com vinícolas de Cartizze que recebem visita com agendamento.
Por onde começar
San Marco e o Estado

Chegue à Piazza San Marco às 8h30, antes dos grupos. Reserve a basílica a partir das 9h30, de segunda a sábado; aos domingos e feriados religiosos, a visita começa às 14h, então inverta a ordem do dia. A Pala d'Oro e o museu dos cavalos cobram entrada à parte.
Rialto, Frari e Dorsoduro

Vá ao mercado de Rialto entre 7h30 e 11h, de terça a sábado, porque a peixaria fecha domingo e segunda.
A laguna e o cotidiano

Pegue o vaporetto 12 em Fondamente Nove e desça primeiro em Murano, para um forno de vidro e o Museo del Vetro, antes de seguir para Burano (cerca de 45 min no total).
Dinheiro
A moeda é o euro, e o cartão por aproximação funciona em quase tudo, inclusive nos totens da ACTV, mas ande com 20–30 € em dinheiro para bacari pequenos, banheiro público (cerca de 1,50 €) e traghetto. Conte com estas faixas: café expresso no balcão 1,30–1,80 €, e sentado o dobro ou o triplo; cicchetto 1,50–3,50 €; ombra 1,50–3 €; spritz 3,50–5 € num bacaro e 10–15 € numa mesa da Piazza San Marco, onde o serviço e a orquestra são cobrados à parte; almoço simples 15–25 €; jantar sentado com entrada e prato 35–60 € sem vinho, mais o coperto de 2–4 € por pessoa. Hotel três estrelas no centro fica em 130–230 € fora de temporada e 220–400 € entre maio e outubro, e hostel ou quarto compartilhado, em 45–80 €. Dormir em Mestre custa cerca de 40% menos e acrescenta 15 minutos de trem em cada sentido. Sobre a diária incide a tassa di soggiorno de 1–5 € por pessoa e por noite, conforme a categoria e a época, cobrada até cinco noites, e, nos dias marcados, o contributo di accesso de 5 ou 10 € para quem não pernoita. Gorjeta não é obrigatória: arredondar a conta ou deixar 5% já é generoso. Valores de 2026, aproximados.
Como chegar e se locomover
Do aeroporto Marco Polo ao centro, de ônibus ou barco
O aeroporto Marco Polo (VCE) fica em Tessera, na terra firme, 8 km ao norte, e há três maneiras de chegar à ilha. O ônibus ACTV linha 5 e o ATVO expresso vão até Piazzale Roma em 20–25 min, por cerca de 10 € só ida e 18 € ida e volta; os barcos de linha da Alilaguna (Blu, Arancio e Rossa) seguem até San Marco, Rialto ou Fondamente Nove em 45–90 min, por cerca de 15–18 €; e o táxi aquático privado cobra 130–160 € para até quatro ou seis pessoas e desembarca na porta de muitos hotéis. Treviso (TSF), a 40 km, é servido por ônibus ATVO em cerca de 70 min, por cerca de 12–14 €. De trem, desça em Venezia Santa Lucia, que já fica na ilha; Venezia Mestre, a estação anterior, fica na terra firme. Carros só chegam a Piazzale Roma ou ao Tronchetto, onde a diária de garagem custa 25–35 €. Valores aproximados de 2026; confira antes.
Só barco e pé, sem terceira opção
Passados os terminais rodoviários de Piazzale Roma, na borda do centro histórico, todo deslocamento é a pé ou de barco. A ACTV opera cerca de vinte linhas de vaporetto: a corrida de 75 minutos custa 9,50 €, e os passes saem por 25 € (24 h), 35 € (48 h), 45 € (72 h) e 65 € (7 dias). Compre pelo aplicativo ou nas bilheterias Venezia Unica e valide o bilhete no leitor a cada embarque, inclusive com passe. A linha 1 percorre o Canal Grande parando em quase tudo (cerca de 45 min de Piazzale Roma a San Marco) e vale como passeio; a 2 é mais rápida, e a 12, de Fondamente Nove, vai a Murano, Burano e Torcello. O traghetto, a gôndola de travessia usada em pé, cruza o Canal Grande em poucos pontos por cerca de 2 € e economiza caminhada. A pé, o centro inteiro se atravessa em 35–40 minutos, mas as cerca de 435 pontes têm degraus: mala grande, carrinho de bebê e cadeira de rodas exigem rota planejada, e o município publica itinerários acessíveis com pontes de rampa. Bicicleta é proibida no centro histórico e permitida no Lido. Em 2026, o contributo di accesso valeu em 60 datas entre 3 de abril e 26 de julho, das 8h30 às 16h: quem chegava e voltava no mesmo dia pagava 5 € reservando com pelo menos quatro dias de antecedência e 10 € depois disso, pelo portal cda.ve.it. Os hóspedes de hospedagens do município, inclusive em Mestre, no Lido e nas ilhas, são isentos e devem obter o comprovante pelo portal ou pela hospedagem. Moradores do município e menores de 14 anos não precisam de QR code, mas devem apresentar documento em caso de fiscalização. Confira no portal as datas e as regras do ano da viagem.
Segurança

Veneza é uma das cidades grandes mais seguras da Itália: crime violento é raro e caminhar de madrugada pelas calli não é problema, embora seja fácil se perder e a iluminação de alguns trechos seja fraca. O risco real é batedor de carteira, e ele fica onde há aperto: vaporetti das linhas 1 e 2, ponte e mercado de Rialto, saída da estação de Santa Lucia, Piazza San Marco em dia de Carnaval. Use bolsa cruzada e fechada e não deixe o celular na mesa. Os golpes comuns são quatro: a conta de peixe cobrada por peso sem aviso, o táxi aquático que fecha preço “por pessoa” só na hora do desembarque, a pulseira ou a rosa “de presente” que vira cobrança, e a venda de bolsas falsificadas na rua; nesse último caso, quem compra também é multado, com valores que podem chegar a milhares de euros. Os riscos físicos são mais concretos do que os outros: as fondamente não têm guarda-corpo e o musgo verde na pedra molhada escorrega de verdade; degraus de ponte com chuva pedem calçado com sola; e, na temporada de acqua alta, siga as passerelle e não tente atalho por área alagada, porque não há como ver o degrau que sumiu.
Dicas de etiqueta
Beba de pé no balcão
No bacaro, sentar muda o preço: consumo em pé custa menos e é o costume. Peça, pague na hora e devolva a taça ao balcão em vez de sair com ela.
Não sente em pontes, degraus e margens
A ordenança municipal em vigor desde 2019 proíbe sentar fora dos bancos e fazer piquenique em áreas monumentais, com multas a partir de cerca de 50 €. Vale sobretudo para a Piazza San Marco e a área de Rialto.
Ande pela direita e encoste para parar
As calli têm 1 a 2 m e são a rua de quem trabalha e entrega mercadoria. Antes de tirar foto ou abrir o mapa, saia do fluxo e encoste na parede.
Banho e bicicleta, proibidos no centro histórico
Banho em canal é proibido e multado, inclusive na Giudecca. Bicicleta é proibida em todo o centro histórico; alugue no Lido, que é onde os venezianos pedalam.
Ombros e joelhos cobertos nas igrejas
San Marco, Frari, Salute e San Giorgio recusam entrada de regata, short curto e roupa de praia. Um lenço fino na bolsa resolve no verão.
Não alimente os pombos
Vender milho e alimentar pombos na Piazza San Marco é proibido desde 2008, com multa também para quem alimenta. O motivo é conservação: a acidez do excremento corrói a pedra de Istria das fachadas.
Erros a evitar
Embarcar no vaporetto sem validar o bilhete
Embarcar sem encostar o bilhete no leitor: a validação é obrigatória a cada embarque, inclusive para quem já comprou o passe.
Sentar na San Marco sem ler a tabela
Sentar numa mesa da Piazza San Marco sem ler a tabela antes: o serviço e a música ao vivo entram na conta, e um café pode passar de 12 €.
“Peixe do dia” sem perguntar o preço por etto
Aceitar “peixe do dia” sem perguntar o preço por etto, a unidade de 100 g usada nos cardápios: é a origem da maioria das contas infladas na cidade.
As calli terminam em canal sem aviso
Confiar no tempo estimado pelo mapa do celular: as calli terminam em canal sem aviso, o número da porta segue o sestiere e não a rua, e o trajeto real costuma levar o dobro.
Entrar na gôndola sem confirmar a tarifa
Entrar numa gôndola sem confirmar a tarifa e a duração: a tabela oficial prevê 90 € por 30 minutos das 9h às 19h e 110 € por 35 minutos das 19h às 4h. O valor cobre a gôndola inteira, com até cinco pessoas; trânsito, maré e tempo podem alterar a duração em alguns minutos.
Frases úteis
Buongiorno / Bondì
Bom dia: “bondì” é a forma vêneta, comum entre moradores e nos bacari de bairro
Un'ombra, per favore
Uma taça de vinho da casa, por favor: o pedido padrão no balcão
Do cicheti, grazie
Dois cicchetti, obrigado: “do” é “dois” em vêneto
Quanto costa all'etto?
Quanto custa por 100 gramas? Pergunta obrigatória diante de peixe vendido por peso
Dov'è l'imbarcadero del vaporetto 1?
Onde fica o embarcadouro do vaporetto 1?
Il conto, per favore. È compreso il coperto?
A conta, por favor. O couvert está incluído?
Bairros
San Marco
O sestiere do poder: praça, basílica, Palácio Ducal, La Fenice e as vitrines caras da Calle Larga XXII Marzo. Cheio das 9h às 18h, quase vazio às 8h e depois das 21h; é onde tudo custa mais e onde quase ninguém mora.

San Polo e Rialto
O menor sestiere e o mais antigo mercado: peixaria e hortifrúti funcionam de manhã, de terça a sábado, com bacari em volta. Concentra também os Frari e a Scuola Grande di San Rocco, os dois maiores conjuntos de pintura da cidade fora dos museus.
Santa Croce
Porta de entrada terrestre: Piazzale Roma, garagens, terminal de ônibus e a ponte de Calatrava. Atrás disso vira residencial e silencioso, com campos como San Giacomo dell'Orio, onde ainda há crianças jogando bola à tarde.
Cannaregio
O sestiere mais populoso e o mais cotidiano, cortado por três longas fondamente paralelas. Reúne o Gueto de 1516, a Madonna dell'Orto de Tintoretto e a Fondamenta della Misericordia, onde os venezianos bebem à noite.
Castello
O maior e o mais desigual: turístico na Riva degli Schiavoni, popular nas ruas atrás do Arsenale, arborizado nos Giardini da Bienal e em Sant'Elena, bairro de casas dos anos 1920. É onde se vê roupa no varal sobre o canal.
Dorsoduro
Museus e universidade: Accademia, Peggy Guggenheim, Ca' Rezzonico, Punta della Dogana e os campi de Ca' Foscari e IUAV. As Zattere dão sol da tarde e vista para a Giudecca; Campo Santa Margherita é o ponto de encontro estudantil.
Giudecca
Ilha alongada em frente a Dorsoduro, a quatro minutos de vaporetto, com passado industrial (o Molino Stucky, de 1895, hoje hotel) e habitação popular. Tem o Redentore, de Palladio, e os preços de restaurante mais razoáveis à beira d'água.
Lido e ilhas da laguna
O Lido, cordão de areia entre a laguna e o Adriático, serve a quem quer praia no verão e a quem vem à Mostra de Cinema, que ocupa o palácio do festival; ali, como em Pellestrina, circulam carros, e a bicicleta é o jeito mais prático de percorrer a ilha. Ao norte ficam Murano (vidro desde 1291), Burano (renda e casas pintadas), Torcello (a igreja mais antiga da laguna) e San Michele, a ilha-cemitério.
História
século V–VII · Refúgio na laguna
Populações de Altino, Pádua e Aquileia fogem de godos, hunos e lombardos para as ilhas de areia da laguna. A tradição fixa a fundação em 25 de março de 421, mas a ocupação estável é dos séculos VI e VII.

810–811 · A capital muda para Rialto
Depois de um ataque franco liderado por Pepino, a sede ducal sai de Malamocco para o arquipélago de Rialto, mais defensável. É ali que a cidade atual toma forma, sob tutela nominal de Bizâncio.

828 · O corpo de São Marcos
Dois mercadores levam de Alexandria as relíquias atribuídas ao evangelista Marcos. A cidade troca o padroeiro grego São Teodoro por Marcos, ganha um argumento de independência religiosa e começa a basílica que leva o seu nome.

1204 · Saque de Constantinopla
O doge Enrico Dandolo, octogenário e quase cego, desvia a Quarta Cruzada para Constantinopla. Veneza fica com três oitavos do império bizantino, com Creta e com os quatro cavalos de bronze hoje guardados em San Marco.

1297–1310 · Serrata e Conselho dos Dez
A Serrata del Maggior Consiglio, de 1297, fecha o governo às famílias já inscritas no Livro de Ouro. Depois da conspiração Querini-Tiepolo, em 1310, cria-se o Conselho dos Dez, órgão de segurança que sobrevive até 1797.

1453–1571 · O fim do monopólio
A queda de Constantinopla em 1453 e a rota de Vasco da Gama para a Índia, em 1498, tiram de Veneza o controle das especiarias. A vitória naval em Lepanto, em 1571, coincide com a perda de Chipre; Creta cai em 1669.

1516 · O primeiro gueto
Em 29 de março de 1516 o Senado confina os judeus na antiga fundição de Cannaregio, com portões fechados à noite e guardas pagos pelos próprios confinados. A palavra “getto” sai daí para todas as línguas.

1630–1631 · A peste e a Salute
A epidemia mata cerca de 46 mil dos 140 mil habitantes em dezesseis meses. O Senado promete uma igreja votiva: Santa Maria della Salute, de Baldassare Longhena, começa em 1631 e é consagrada em 1687.

1797 · Fim da República
Em 12 de maio de 1797 o último doge, Ludovico Manin, abdica diante das tropas de Napoleão, e o tratado de Campo Formio entrega a cidade à Áustria. De 1805 a 1814 Veneza passa ao Reino da Itália napoleônico; depois volta aos austríacos, que a mantêm até 1866, com o intervalo republicano de Daniele Manin em 1848–49.

1846–1966 · A ponte e o esvaziamento
A ponte ferroviária de 1846 e a rodoviária de 1933 acabam com o isolamento; Porto Marghera, a partir de 1917, leva indústria e depois moradores para a terra firme. A maré de 194 cm em 4 de novembro de 1966 acelera o êxodo.

2003–2026 · MOSE e contributo de acesso
As 78 comportas móveis do MOSE começam a ser construídas em 2003 e sobem pela primeira vez contra uma maré real em 3 de outubro de 2020; nos anos seguintes o sistema continua em testes e obras de acabamento. Em abril de 2024 a cidade passa a cobrar contribuição de visitantes de um dia, a primeira do mundo; em 2026, a cobrança valeu por 60 dias, de 3 de abril a 26 de julho.

História completa
Origem: um recuo diante das invasões germânicas
Entre os séculos V e VII, famílias de Aquileia, Altino e Pádua se instalaram nas ilhas arenosas da laguna para escapar das invasões germânicas, e ficaram porque o lugar não interessava a ninguém: não havia terra agrícola, nem pedra, nem água doce. A primeira economia foi de sal, peixe e transporte, e a primeira riqueza veio de vender o que a laguna produzia e de intermediar o que Bizâncio comprava. Em 810–811, depois de um ataque franco, a sede ducal mudou de Malamocco para as ilhas altas de Rialto. O roubo das relíquias de São Marcos em Alexandria, em 828, deu à comunidade um padroeiro próprio e um pretexto para se declarar autônoma de Constantinopla sem romper com ela.
Um Estado desenhado para o comércio
Do século XI ao XV, Veneza construiu um Estado desenhado para o comércio. O Arsenale, de 1104, industrializou a construção naval antes de existir a palavra indústria. O desvio da Quarta Cruzada, em 1204, rendeu três oitavos do império bizantino e o começo do stato da mar, com Creta, Negroponte e portos no Peloponeso e no Adriático oriental; Corfu viria em 1386, e Chipre, em 1489. A vitória sobre Gênova na guerra de Chioggia, em 1378–1381, eliminou o rival direto, e a expansão para a terra firme a partir de 1405 anexou Pádua, Verona e Vicenza para garantir alimento e rotas. Por dentro, o poder se fechou: a Serrata de 1297 restringiu o Maggior Consiglio às famílias inscritas, o Conselho dos Dez, de 1310, vigiava a nobreza, e o doge, eleito por um processo de dez rodadas alternando sorteio e votação, governava com a autonomia de um funcionário caro.
A decadência de Veneza é lenta, com datas precisas
A decadência veio devagar, e com datas claras. Em 1453 os otomanos tomaram Constantinopla; em 1498 Vasco da Gama chegou à Índia pelo mar e levou o comércio das especiarias para Lisboa; em 1509 a Liga de Cambrai derrotou Veneza em Agnadello e quase liquidou o domínio continental. Chipre se perdeu em 1571, o mesmo ano da vitória em Lepanto, e Creta em 1669, depois de vinte e quatro anos de guerra. No meio disso, a peste de 1630–31 matou um terço da cidade. No século XVIII, já sem império, Veneza passou a viver do lazer que vendia aos estrangeiros: o Ridotto, casa de jogo pública desde 1638, um Carnaval que chegava a durar seis meses, o primeiro teatro de ópera pago do mundo, aberto em San Cassiano em 1637, Vivaldi ensinando as meninas enjeitadas do Ospedale della Pietà, Goldoni reformando a comédia e Canaletto vendendo vistas da cidade aos ingleses em viagem de formação. Em 12 de maio de 1797, Napoleão encerrou a República sem uma batalha.
Sob a Áustria e depois na Itália, a partir de 1866
Sob a Áustria, e depois dentro do Reino da Itália a partir de 1866, a cidade foi religada ao continente pela ponte ferroviária de 1846 e pela rodoviária de 1933, e perdeu, nessa mesma ligação, a razão de morar na ilha. O Lido virou estação balneária a partir dos anos 1850, com os grandes hotéis de 1900 e 1908. Em 1917 começou Porto Marghera, complexo petroquímico e portuário que atraiu emprego para a terra firme e, ao bombear água do subsolo, fez o centro histórico afundar cerca de 12 cm ao longo do século XX. Em 1951, o centro ainda tinha cerca de 175 mil habitantes. Em 4 de novembro de 1966, a maré chegou a 194 cm e cobriu a cidade inteira por mais de quinze horas, e a partir dali a saída de moradores virou hemorragia.
A população do centro histórico encolhe todo ano
Em janeiro de 2026, o centro histórico tinha 47.652 residentes, 780 a menos que um ano antes, e nesse ritmo deve ficar abaixo de 47 mil ainda em 2026; um contador numa vitrine do campo San Bartolomio publica o número desde 2008. Enquanto os moradores saem, chegam dezenas de milhões de visitantes por ano, a maioria em bate-volta, e os imóveis convertidos em aluguel de curta duração empurram para cima o preço da moradia. A cidade respondeu com medidas administrativas: em agosto de 2021 proibiu os navios acima de 25 mil toneladas no canal da Giudecca; o MOSE, acionado pela primeira vez em outubro de 2020, já fechou mais de cem vezes; e desde abril de 2024 cobra uma contribuição de acesso dos visitantes de um dia, medida inédita no mundo. Nenhuma delas trouxe morador de volta. Veneza e a sua laguna estão na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1987, e os peritos da UNESCO recomendaram incluí-las na lista do patrimônio em perigo em julho de 2021 e de novo em 2023, por três motivos: a pressão turística, as obras e a subida do nível do mar.
Em janeiro de 2026, o contador de San Bartolomio marcava 47.652 moradores.
Geografia e forma da cidade
A laguna, as 118 ilhas e as estacas
A cidade ocupa 118 ilhas no centro de uma laguna de cerca de 550 km², a maior do Mediterrâneo, separada do Adriático por dois cordões arenosos, o Lido e Pellestrina, e ligada a ele por três bocas de porto: Lido, Malamocco e Chioggia; exatamente onde ficam as 78 comportas do MOSE. O centro histórico tem 7,8 km² e está construído sobre milhões de estacas de amieiro e carvalho cravadas até o caranto, a camada de argila compacta sob o lodo; só a igreja da Salute repousa sobre cerca de 1,1 milhão delas.
O Canal Grande e as 435 pontes
O Canal Grande corta o conjunto num S de 3,8 km, com 30 a 70 m de largura e cerca de 5 m de profundidade, e é atravessado por apenas quatro pontes: Rialto (1591), Accademia (1933, reconstruída em 1985), Scalzi (1934) e Costituzione, de Calatrava (2008). Fora dele há uns 150 canais menores e cerca de 435 pontes, quase todas com degraus.
Ilhas paroquiais, vocabulário próprio e a maré
A malha não tem eixo: cresceu por ilhas paroquiais, cada uma organizada em torno de um campo com poço, igreja e canal, depois costuradas umas às outras; por isso o endereço veneziano não usa nome de rua, e sim o sestiere e um número que pode chegar a 6.000. O vocabulário urbano é próprio: calle é rua estreita, fondamenta é rua à beira d'água, rio terà é canal aterrado, sotoportego é passagem sob edifício, salizada é rua calçada antes das outras. A cidade afundou cerca de 12 cm no século XX por extração de água do subsolo e o mar subiu outros 11; o resultado é que marés que antes eram raras hoje são de calendário.
Cultura
A pintura continua onde foi encomendada
Veneza é o raro lugar onde a maior parte da pintura ainda está no edifício para o qual foi encomendada. A escola veneziana (Giovanni Bellini, Giorgione, Ticiano, Tintoretto, Veronese e, no século XVIII, Tiepolo, Canaletto e Guardi) desenvolveu o uso expressivo da cor e da luz, com destaque para a pintura a óleo sobre tela. A umidade favoreceu a adoção da tela em muitas encomendas, mas o afresco também fazia parte desse repertório. As scuole, confrarias leigas de ofício e devoção, foram o principal cliente: é por isso que San Rocco tem um ciclo inteiro de Tintoretto e a Scuola di San Giorgio degli Schiavoni, um de Carpaccio. A camada contemporânea se sobrepõe sem substituir: Peggy Guggenheim instalou a coleção no Palazzo Venier dei Leoni em 1949, a Coleção Pinault abriu Punta della Dogana em 2009, e Carlo Scarpa reformou a Querini Stampalia e a entrada da Accademia nos anos 1950 e 1960, num diálogo direto com a água.
Ópera, Vivaldi, Goldoni e a Bienal
Boa parte do espetáculo pago moderno nasceu em Veneza. Monteverdi foi mestre de capela em San Marco de 1613 a 1643, e o primeiro teatro de ópera aberto ao público por bilhete abriu em San Cassiano em 1637. Vivaldi, nascido em 1678, foi professor do Ospedale della Pietà entre 1703 e 1740, e Carlo Goldoni tirou a commedia dell'arte da improvisação e escreveu os personagens em vêneto no século XVIII. O La Fenice, de 1792, queimou em 1836 e de novo em 29 de janeiro de 1996, num incêndio criminoso, e reabriu em 14 de dezembro de 2003, com a mesma decoração e um concerto regido por Riccardo Muti. A Bienal, criada em 1895, ocupa Giardini e Arsenale entre a primavera e novembro (arte nos anos pares, arquitetura nos ímpares), e a Mostra de Cinema, no Lido desde 1932, é o festival de cinema mais antigo do mundo.
A voga alla veneta sustenta o dia a dia da cidade
A voga alla veneta, a remada em pé e de frente, é praticada por dezenas de remiere de bairro, e não só por gondoleiros. A gôndola, com 11 m e cerca de 350 kg, é assimétrica de propósito (o lado esquerdo é mais largo para compensar o remo único) e é montada com oito madeiras diferentes em squeri como o de San Trovaso, do século XVII. Murano sopra vidro desde 1291, quando os fornos foram expulsos do centro por risco de incêndio, e Burano faz renda de agulha desde o século XVI. Os cerca de 20 mil estudantes de Ca' Foscari (1868) e do IUAV são hoje uma das poucas fontes de população jovem, e o Venezia FC joga no estádio Penzo, de 1913, em Sant'Elena, o único da Itália aonde parte da torcida chega de barco.
Vivaldi escreveu boa parte da sua música instrumental para a orquestra de meninas do Ospedale della Pietà, abrigo de crianças enjeitadas onde ensinou entre 1703 e 1740.
No estádio Penzo, parte da torcida chega de barco.
Festas e eventos

Carnaval
Cerca de duas semanas entre fevereiro e o início de março, terminando na terça-feira gorda. Proibido em 1797 e recriado em 1979, hoje mistura bailes privados caros, o Volo dell'Angelo na Piazza San Marco e milhares de fantasiados amadores; é o pico de lotação do inverno.

Vogalonga
A Vogalonga acontece no domingo de Pentecostes, entre maio e junho: são cerca de 30 km de remada não competitiva pela laguna, de San Marco a Burano e de volta pelo Cannaregio, com mais de mil barcos a remo. O Canal Grande fica fechado a motor pela manhã.

Festa del Redentore
Terceiro fim de semana de julho, em memória do fim da peste de 1576. Uma ponte de barcos de 330 m liga as Zattere à Giudecca, os venezianos jantam em barcos decorados e há fogos sobre a bacia de San Marco no sábado à noite, por volta das 23h30.

Regata Storica
Primeiro domingo de setembro. Cortejo de embarcações do século XVI no Canal Grande seguido de quatro regatas de remo por categoria, disputadas a sério por remadores locais; a mais esperada é a dos gondolini, em dupla.

Festa della Salute
21 de novembro. Uma ponte de barcos atravessa o Canal Grande até a igreja da Salute e a cidade inteira acende vela pela peste de 1630; é a festa mais veneziana e a menos turística do calendário, com barracas de doces e castradina, o ensopado de carneiro do dia.
Livros e filmes
“Veneza é um peixe”, de Tiziano Scarpa (2000)
Guia escrito por um veneziano e organizado por partes do corpo: pés, olhos, boca. Explica como a cidade se anda e se ouve, não o que se fotografa.
“Marca d'água”, de Joseph Brodsky (1992)
Dezessete invernos venezianos em prosa curta, escritos por quem só vinha fora de temporada. É o melhor registro da cidade com neblina e sem fila.
“Inverno de Sangue em Veneza”, de Nicolas Roeg (1973)
Adaptação do conto de Daphne du Maurier, filmada nas calli de inverno. Usa a geografia real da cidade (becos sem saída, pontes repetidas, água escura) como estrutura do enredo.
Perguntas frequentes
Veneza: quanto custa um café sentado na Piazza San Marco?
Um café numa mesa da Piazza San Marco pode passar de 12 €, porque o serviço e a música ao vivo entram na conta: leia a tabela antes de sentar.
Veneza: como ir do aeroporto Marco Polo ao centro?
O ônibus ACTV linha 5 e o ATVO expresso vão até Piazzale Roma em 20 a 25 min, por cerca de 10 € só ida e 18 € ida e volta; os barcos de linha da Alilaguna (Blu, Arancio e Rossa) seguem até San Marco, Rialto ou Fondamente Nove em 45 a 90 min, por cerca de 15 a 18 €; e o táxi aquático privado cobra 130 a 160 € para até quatro ou seis pessoas e desembarca na porta de muitos hotéis.
Veneza: como fazer o bate-volta a Pádua?
Pádua fica 37 km a oeste, com trens regionais a cada 15 a 20 minutos, 25 a 50 min de viagem e passagem de cerca de 5 €.
Veneza: preciso andar com dinheiro vivo?
Um pouco, sim: o cartão por aproximação funciona em quase tudo, inclusive nos totens da ACTV, mas ande com 20 a 30 € em dinheiro para bacari pequenos, banheiro público (cerca de 1,50 €) e traghetto.
Veneza: qual é a melhor época para ir?
Vá entre meados de abril e junho ou entre setembro e o começo de outubro, quando a temperatura fica entre 18 e 26 °C, os dias são longos e a chance de chuva é moderada.
Outras cidades do país
Itália ↗- Dias
- 3–5
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- abr–mai · set–out
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- Média de 130–190 EURPerfil médio · por pessoa/dia
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Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
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- Quando
- mar–mai · set–out
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- 1–2
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- abr–jun · set–out
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- abr–jun · set–out
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- mai–jun · set
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- Quando
- mai–jun · set
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- jun–set
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- Quando
- mai–jun · set
- Por pessoa/dia
- Consultar custosEstimativa do guia
Escopo do custo
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