
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
O segundo, se sobrar, fica para o Castello Sforzesco, Sant'Ambrogio e os Navigli. Quem espera uma Veneza ou uma Florença estranha a cidade, porque Milão é antes de tudo um lugar de trabalho, e a Piazza del Duomo se vê em meio dia. Com um dia só, comece às 9h pela catedral, com subida ao telhado, siga para o Museo del Novecento e almoce em pé num balcão de bar. À tarde, vá à Última Ceia no horário reservado; sem reserva, troque a visita pela Pinacoteca di Brera e feche com o aperitivo das 18h30. O que decepciona é a comida cara do centro, que não é melhor que a de bairro. Os Navigli do fim de semana também cansam, lotados e visados por batedores de carteira. O que compensa os preços altos é seguir o horário de quem mora aqui: café de pé, aperitivo às 18h30 e jantar depois das 20h30.
1–2
Quando Do fim de abril ao começo de junho, e de meados de setembro ao fim de outubro
Como o guia chega a este número
Venha do fim de abril ao começo de junho ou de meados de setembro ao fim de outubro, quando as máximas ficam entre 18 e 25 °C. No verão, de junho a agosto, as máximas sobem a 30 a 35 °C, com umidade alta e quase nenhum vento, porque a planície do Pó não ventila. Agosto ainda esvazia a cidade: muita trattoria, padaria e loja de bairro fecha por duas ou três semanas em torno do Ferragosto, 15 de agosto, com o bilhete de “chiuso per ferie” na porta. O inverno vai de 0 a 7 °C, com neblina, neve rara e dias de poluição em que a prefeitura restringe carros antigos e lareiras. Outubro e novembro são os meses mais chuvosos, num total anual em torno de 900 a 1.000 mm, então traga guarda-chuva se vier no fim de outubro.
Por pessoa/dia Econômico 75–110 €; médio 150–220 €; confortável a partir de 300 €, sem contar a taxa de estadia, que em 2026 vai de 4 a 12 € por pessoa por noite
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaUm dia bem montado dá conta do essencial, com a Última Ceia, o Duomo e Brera. O segundo, se sobrar, fica para o Castello Sforzesco, Sant'Ambrogio e os Navigli. Quem espera uma Veneza ou uma Florença estranha a cidade, porque Milão é antes de tudo um lugar de trabalho, e a Piazza del Duomo se vê em meio dia. Com um dia só, comece às 9h pela catedral, com subida ao telhado, siga para o Museo del Novecento e almoce em pé num balcão de bar. À tarde, vá à Última Ceia no horário reservado; sem reserva, troque a visita pela Pinacoteca di Brera e feche com o aperitivo das 18h30. O que decepciona é a comida cara do centro, que não é melhor que a de bairro. Os Navigli do fim de semana também cansam, lotados e visados por batedores de carteira. O que compensa os preços altos é seguir o horário de quem mora aqui: café de pé, aperitivo às 18h30 e jantar depois das 20h30.A Última Ceia de Leonardo justifica planejar Milão com meses de antecedência: a entrada no refeitório é por grupos e com tempo contado. Em volta, os principais lugares se concentram num raio de 2 km, entre as agulhas de mármore do Duomo, a Galleria e a Pinacoteca di Brera. Dos terraços da catedral, um dia limpo revela os Alpes; nas salas de Brera, espere Mantegna, Rafael e Caravaggio. A capital da moda e do design também abriga a Bolsa e conserva o ritmo de uma cidade de trabalho. Acompanhe esse horário com café em pé no balcão, risoto amarelo no almoço e aperitivo ao entardecer, quando os petiscos vêm incluídos no copo. Para caminhar, escolha o intervalo entre o final de abril e os primeiros dias de junho ou entre a segunda metade de setembro e o fim de outubro, evitando as semanas de feira. Um dia planejado cobre o essencial; dois deixam espaço para andar com calma.
Ficha rápida
- População
- cerca de 1,37 mi no município (jan. 2026); cerca de 3,25 mi na Città metropolitana; cerca de 5 mi na região urbana contínua. Cerca de 296 mil residentes estrangeiros, acima de 21% da cidade
- Fundação
- Assentamento celta dos ínsubres por volta de 590 a.C.; conquistado por Roma em 222 a.C. e latinizado como Mediolanum
- País e região
- Itália: região da Lombardia, Città metropolitana di Milano
- Idioma
- Italiano; o milanês, dialeto lombardo ocidental, sobrevive em nomes de rua, letreiros e no vocabulário de comida
- Moeda
- Euro (€)
- Fuso
- CET, UTC+1; UTC+2 no horário de verão, do fim de março ao fim de outubro
- Melhor época
- Do fim de abril ao começo de junho, e de meados de setembro ao fim de outubro
- Custo médio por dia
- Econômico 75–110 €; médio 150–220 €; confortável a partir de 300 €, sem contar a taxa de estadia, que em 2026 vai de 4 a 12 € por pessoa por noite
Quando ir
Do fim de abril ao começo de junho, e de meados de setembro ao fim de outubro
janeiro
0° a 7°C
37 mm de chuva
fevereiro
1° a 10°C
38 mm de chuva
março
4° a 16°C
42 mm de chuva
julho
19° a 31°C
44 mm de chuva
agosto
19° a 30°C
59 mm de chuva
novembro
5° a 12°C
104 mm de chuva
dezembro
1° a 8°C
46 mm de chuva
O que muda ao longo do ano
Venha do fim de abril ao começo de junho ou de meados de setembro ao fim de outubro, quando as máximas ficam entre 18 e 25 °C. No verão, de junho a agosto, as máximas sobem a 30 a 35 °C, com umidade alta e quase nenhum vento, porque a planície do Pó não ventila. Agosto ainda esvazia a cidade: muita trattoria, padaria e loja de bairro fecha por duas ou três semanas em torno do Ferragosto, 15 de agosto, com o bilhete de “chiuso per ferie” na porta. O inverno vai de 0 a 7 °C, com neblina, neve rara e dias de poluição em que a prefeitura restringe carros antigos e lareiras. Outubro e novembro são os meses mais chuvosos, num total anual em torno de 900 a 1.000 mm, então traga guarda-chuva se vier no fim de outubro.
Os mesmos números em tabela
| Mês | Temperatura °C | Chuva mm |
|---|---|---|
| janeiro | 0 a 7 | 37 |
| fevereiro | 1 a 10 | 38 |
| março | 4 a 16 | 42 |
| abril · | 8 a 19 | 58 |
| maio · | 13 a 24 | 70 |
| junho · | 17 a 28 | 67 |
| julho | 19 a 31 | 44 |
| agosto | 19 a 30 | 59 |
| setembro · | 15 a 26 | 74 |
| outubro · | 10 a 19 | 82 |
| novembro | 5 a 12 | 104 |
| dezembro | 1 a 8 | 46 |
Dicas do Nilo
No metrô, encoste o cartão também na saída
No metrô, a viagem só se fecha com o mesmo cartão ou celular encostado na saída. Desde 1º de janeiro de 2026 o antigo bilhete magnético deixou de valer, e a entrada também se paga por aproximação. Se for andar quatro ou mais vezes no dia, compre o diário de 24 horas, por cerca de 7,60 €; para ficar mais tempo, o carnê de dez viagens sai por cerca de 19,50 €.
Escolha Linate ainda na compra da passagem
A M4 leva de Linate a San Babila em um quarto de hora pelo preço do bilhete urbano. O “Milão” das companhias de baixo custo costuma ser Bergamo, a 50 km, servido só por ônibus e sujeito ao trânsito. Some esse traslado à passagem antes de decidir.
Duomo às 9h: suba pela escada
A fila da escada, de cerca de 250 degraus, anda mais rápido que a do elevador. Chegue às 9h, quando o Duomo abre, com o passe que inclui os terraços já comprado. Com o mesmo passe, desça depois à área arqueológica sob a praça, a parte mais antiga do conjunto, que quase ninguém visita.
Última Ceia: marque o horário antes de organizar o dia
Os grupos entram no refeitório de Santa Maria delle Grazie em horário fixo, por 15 minutos, e é o horário conseguido que define o resto do dia. Sem reserva não se entra, e os lotes principais podem esgotar, então eu reservaria assim que soubesse as datas da viagem; se esgotarem, os adicionais saem às quartas, às 12h de Milão, para a semana seguinte. O ingresso inteiro custa 15 €.
No bar, pague no caixa antes de pedir
Quem chega ao balcão sem o recibo na mão trava a fila inteira. Em muitos bares se paga primeiro no caixa e se entrega o papel ao barista. Na hora de pedir, cappuccino e café com leite só até por volta das onze da manhã, e espresso depois disso.
Fuja das semanas do Salone del Mobile e dos desfiles: hotel a 100%
Nessas duas semanas o hotel médio de 150–260 € dobra ou triplica, sem que nada mude na cidade para quem não vai às feiras. O Salone del Mobile ocupa uma semana de abril, e os desfiles femininos, a última semana de setembro; confira as datas do ano antes de reservar. Basta mudar a viagem em uma semana para o mesmo quarto voltar ao preço normal.
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Abrir o appO que ver
Milão: Planície do Pó: os rios correm canalizados sob as ruas
Milão está no meio da planície do Pó, a cerca de 120 m de altitude, a uns 40 km ao sul dos primeiros lagos alpinos e a mais de 100 km do mar. Sobre esse terreno plano a cidade cresceu em anéis de muralha e de canal ao redor da Piazza del Duomo, para onde converge praticamente toda rua importante.

Duomo di Milano
Catedral gótica iniciada em 1386 em mármore de Candoglia, com 135 agulhas e cerca de 3.400 estátuas; a Madonnina dourada, de 1774, está a 108,5 m. A parte que justifica o ingresso são os terraços: você caminha entre os arcobotantes, no telhado, e vê os Alpes em dia limpo. Sob a praça está o batistério onde Ambrósio batizou Agostinho em 387.
A catedral gótica iniciada em 1386 vale pelos terraços, onde se caminha entre as agulhas e os arcobotantes e se veem os Alpes em dia limpo, e pela área arqueológica sob a praça, com o batistério onde Ambrósio batizou Agostinho em 387.
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Cenacolo Vinciano e Santa Maria delle Grazie
A Última Ceia, pintada por Leonardo entre 1495 e 1498 na parede do refeitório, em têmpera sobre gesso seco: técnica que começou a se degradar ainda em vida do autor e exigiu um restauro de 1978 a 1999. A visita é em grupo, dura 15 minutos cronometrados e só entra quem reservou; o ingresso inteiro fica na faixa de 15 €. A igreja ao lado tem tribuna de Bramante.
A pintura que Leonardo fez entre 1495 e 1498, em têmpera sobre gesso seco, já se perdia com o autor vivo e exigiu restauro de 1978 a 1999, a visita entra em grupo por 15 minutos contados e só com reserva, o ingresso inteiro fica na faixa de 15 €, e a igreja ao lado tem a tribuna de Bramante.
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Pinacoteca di Brera
Aberta em 1809 por decisão napoleônica com obras confiscadas de igrejas do norte. Nas 38 salas estão o “Cristo Morto” de Mantegna, a pala Montefeltro de Piero della Francesca, o “Casamento da Virgem” de Rafael (1504), a “Ceia em Emaús” de Caravaggio e “O Beijo” de Hayez (1859). O Palazzo Citterio ao lado abriu em dezembro de 2024 com o acervo do século XX.
A pinacoteca foi aberta em 1809 com peças confiscadas de igrejas setentrionais, por ordem de Napoleão.
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Galleria Vittorio Emanuele II
Galeria coberta de ferro e vidro projetada por Giuseppe Mengoni, aberta em 1867 e concluída em 1877; o arquiteto morreu ao cair do andaime dias antes da inauguração. No octógono central, o mosaico do touro de Turim tem o calcanhar de milhares de pessoas girando em cima dele por superstição.
A galeria de Mengoni foi aberta em 1867 e concluída em 1877, e ele morreu na queda do andaime nas vésperas da inauguração.
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Castello Sforzesco e Parco Sempione
Fortaleza dos Visconti reconstruída por Francesco Sforza a partir de 1450, com a torre do Filarete refeita em 1905. Os museus internos, baratos e pouco cheios, guardam a “Pietà Rondanini”, que Michelangelo esculpia dias antes de morrer, em 1564, e a Sala delle Asse pintada por Leonardo. Atrás, o parque de 38 hectares termina no Arco della Pace.
Dentro da fortaleza, os museus internos, em conta e raramente lotados, guardam a Pietà Rondanini, peça que Michelangelo talhava nas vésperas da morte, em 1564.
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Basilica di Sant'Ambrogio
Fundada pelo próprio Ambrósio entre 379 e 386 e reconstruída em românico lombardo nos séculos XI e XII, com átrio de colunas e duas torres desiguais. Na cripta está o corpo do bispo, entre os mártires Gervásio e Protásio; no altar, a obra de ourivesaria de Vuolvínio, do século IX.
Ambrósio a fundou entre 379 e 386; foi reconstruída em românico lombardo nos séculos XI e XII.
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San Lorenzo Maggiore e as Colonne
Basílica de planta central do século IV, uma das mais antigas do Ocidente, precedida por dezesseis colunas romanas do século II remontadas ali na Idade Média. A capela de Sant'Aquilino conserva mosaicos paleocristãos; a praça em frente é ponto de encontro noturno o ano inteiro.
A basílica é de planta central do século IV; há dezesseis colunas remontadas ali na Idade Média.
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Museo del Novecento
No Palazzo dell’Arengario, aberto em 2010, com arte italiana do século XX: futuristas, Morandi, De Chirico e a sala de Lucio Fontana com neon no teto. A janela final dá de frente para a fachada do Duomo. “O Quarto Estado”, de Pellizza da Volpedo (1901), está na GAM desde 2022, em outro museu.
Fica no Palazzo dell'Arengario, aberto em 2010; a janela final dá na fachada do Duomo.
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Teatro alla Scala
Inaugurado em 3 de agosto de 1778, projeto de Piermarini, destruído pelo bombardeio de 1943 e reaberto em 11 de maio de 1946 com Toscanini regendo. A temporada estreia sempre em 7 de dezembro. Sem ingresso de ópera, dá para entrar pelo museu e espiar a sala de um camarote.
Sem ingresso de ópera, você entra pelo museu e espia a sala de um camarote; as noites boas da temporada, que estreia em 7 de dezembro, se compram meses antes. A fachada, na Piazza della Scala, fica no caminho entre a Galleria e Brera e não custa nada.
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O roteiro do Nilo
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Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · Duomo, Última Ceia e Brera
Comece no Duomo às 9h, quando abre e a fila ainda é curta; compre o passe que inclui os terraços.
Caminhe os terraços entre as agulhas até a base da Madonnina, a 108,5 m, e depois desça à área arqueológica sob a praça, onde está o batistério do século IV.
Atravesse para o Museo del Novecento, no Arengario, pelos futuristas e pela sala de Lucio Fontana; depois corte a Galleria Vittorio Emanuele II e almoce em pé num balcão de bar.
À tarde, entre no Cenacolo, em Santa Maria delle Grazie, no horário que você reservou: a entrada é em grupo e dura 15 minutos cronometrados diante da Última Ceia. Sem reserva, siga direto para Brera e dê à Pinacoteca a tarde inteira.
Termine em Brera, na Pinacoteca di Brera, que fecha no começo da noite e concentra Mantegna, Piero della Francesca, Rafael, Caravaggio e Hayez; depois, aperitivo no bairro por volta das 18h30 e jantar só depois das 20h30, como todo mundo.
Se ficar mais
Dia 2 · Leonardo, os Sforza e o oeste
Volte a Santa Maria delle Grazie pela tribuna de Bramante, a parte renascentista da igreja cujo refeitório guarda a Última Ceia.
Caminhe até a Basilica di Sant'Ambrogio, fundada entre 379 e 386 e reconstruída em românico nos séculos XI e XII.
Almoce risoto amarelo ou cotoletta na zona de Sant'Ambrogio e siga para o Castello Sforzesco, onde estão a “Pietà Rondanini” de Michelangelo e a Sala delle Asse de Leonardo.
Atravesse o Parco Sempione até o Arco della Pace e pegue o metrô para CityLife, para ver de perto as três torres de Isozaki, Hadid e Libeskind sobre o terreno da antiga feira.
À noite desça aos Navigli: o Naviglio Grande, cavado entre 1177 e 1272, é um dos canais que permanecem abertos na cidade.
Comida
Ilustração com IACotoletta alla milanese
Costeleta de vitela com osso, empanada e frita na manteiga clarificada, servida alta e rosada por dentro. A variante fina, sem osso e batida até o tamanho do prato é chamada de “orecchia d'elefante” e não é a receita original. Os dois nomes aparecem no mesmo cardápio por 25 a 35 €.
Ilustração com IARisotto alla milanese
Arroz carnaroli com açafrão, tutano de boi, manteiga e grana, mexido até ficar “all'onda”. A cor vem do açafrão que, segundo a lenda datada de 1574, um aprendiz de vitralista do Duomo usava para pigmentar vidro e acabou jogando no arroz de um casamento.
Ilustração com IAOssobuco con gremolada
Rodela de músculo de vitela com o osso e o tutano, cozida horas em fundo de carne e vinho, terminada com raspa de limão, alho e salsa cruas. O par clássico é servi-lo sobre o risoto amarelo, no mesmo prato.
Ilustração com IACassoeula
Ensopado de inverno com as partes menos nobres do porco (costelinha, pé, orelha, linguiça verzini) e repolho lombardo. A regra local diz que só se faz depois da primeira geada, que adoça a verdura; aparece nos cardápios de novembro a fevereiro.
Ilustração com IAMondeghili
Bolinhas de carne cozida aproveitada do dia anterior, com miolo de pão, ovo e noz-moscada, empanadas e fritas. Nasceram como comida de sobra numa cidade que não jogava carne fora e hoje são o petisco padrão do balcão de aperitivo.
Ilustração com IAMichetta
Pão redondo de cinco gomos, oco por dentro, herdeiro do Kaisersemmel trazido pelos austríacos: a umidade da planície impediu o miolo de crescer e o vazio virou a característica. Custa poucos centavos, dura meio dia e é o pão do sanduíche de bar.
Ilustração com IAPanettone
Massa de fermentação natural com uvas-passas e frutas cristalizadas, levedada em cerca de três dias e assada em fôrma alta de papel. É doce de Natal, foi industrializado por Motta e Alemagna nos anos 1920 e 1930 e as padarias artesanais o vendem de novembro a janeiro por 25 a 45 €.
Ilustração com IAAperitivo, Campari e negroni sbagliato
Entre 18h30 e 21h você paga o drinque, 10 a 15 €, e a comida do balcão vem junto; a versão com buffet grande chama-se apericena. O Campari, criado por Gaspare Campari em Novara em 1860, chegou a Milão com o café que ele abriu em 1867, e o “sbagliato”, negroni em que o gim foi trocado por espumante, é atribuído ao Bar Basso nos anos 1960.
Bate-voltas

Lago di Como e Varenna
Pegue o trem da Trenord em Milano Centrale até Varenna-Esino, em cerca de 1h05; de lá a balsa cruza para Bellagio e Menaggio em 15 a 25 minutos. Para a cidade de Como, o trem rápido chega à estação Como San Giovanni em cerca de 40 minutos, o que permite ida e volta no mesmo dia sem correria.

Bergamo Alta
Cerca de 50 minutos de trem da Centrale, mais o funicular de 1887 até a cidade alta, cercada pelas muralhas venezianas do século XVI declaradas patrimônio da Unesco em 2017. Dá para emendar com um voo saindo de Orio al Serio.

Certosa di Pavia e Pavia
Trem regional em cerca de 30 minutos até a estação da Certosa; o mosteiro foi fundado por Gian Galeazzo Visconti em 1396 como mausoléu da família e tem fachada de mármore incrustado. Mais dez minutos de trem levam a Pavia, com universidade de 1361 e a ponte coberta sobre o Ticino.
Por onde começar
Duomo, Última Ceia e Brera

Comece no Duomo às 9h, quando abre e a fila ainda é curta; compre o passe que inclui os terraços.
Leonardo, os Sforza e o oeste

Volte a Santa Maria delle Grazie pela tribuna de Bramante, a parte renascentista da igreja cujo refeitório guarda a Última Ceia.
Fábricas convertidas e bairros novos

Comece na Fondazione Prada, destilaria de 1910 convertida por Rem Koolhaas em 2015, com a Haunted House coberta de folha de ouro.
Dinheiro
A moeda é o euro. Um espresso no balcão custa 1,20–1,80 €, e o mesmo café sentado numa mesa da Piazza del Duomo pode sair por 5 a 7 €, porque o serviço à mesa é cobrado à parte e, por lei, tem de estar impresso no cardápio. Cappuccino 1,60–2,50 €; aperitivo com drinque e comida no balcão 10–15 €; almoço com menu do dia numa trattoria 12–20 €; jantar completo com vinho 35–50 € por pessoa; cotoletta em casa séria 25–35 €. O “coperto”, de 2 a 3,50 € por pessoa, é taxa de mesa e pão, não gorjeta: gorjeta não é esperada e arredondar 1 ou 2 € já basta. Hotel de categoria média custa 150–260 € a noite e dobra ou triplica na semana do Salone del Mobile, em abril, e na semana de moda, em setembro. A taxa de estadia subiu duas vezes em 2026 e está entre as mais altas da Europa, limitada às primeiras noites consecutivas. Por noite e por pessoa, ela fica em cerca de 4 € em duas estrelas, 9,50 € em B&B ou aluguel de curta duração e 12 € em cinco estrelas. Cartão e celular são aceitos em praticamente tudo, inclusive no café de 1,20 €, e o comerciante é obrigado por lei a aceitar pagamento eletrônico.
Como chegar e se locomover
Malpensa: a 50 km, ligado por trem em 37 minutos
O aeroporto de Malpensa (MXP) fica a cerca de 50 km a noroeste, longe o bastante para pesar no primeiro dia. O trem Malpensa Express, da Trenord, sai a cada 15 a 30 minutos e leva cerca de 37 minutos até Milano Cadorna e cerca de 50 minutos até a Centrale, na faixa de 13 € o trecho. Ônibus de linha ligam os terminais à Centrale em 50 a 70 minutos por 10 a 12 €, e o táxi tem tarifa fixa em torno de 110 €. Linate (LIN) fica a 8 km do centro e desde novembro de 2022 está ligado pela linha M4 do metrô: de Linate Aeroporto a San Babila são 12 a 15 minutos pelo preço de um bilhete urbano comum, o que faz dele o aeroporto mais prático da Itália. Bergamo Orio al Serio (BGY), a cerca de 50 km e vendido pelas companhias de baixo custo como “Milão”, só tem ônibus: 50 a 70 minutos até a Centrale por 10 a 13 €, mais o trânsito. A Stazione Centrale, inaugurada em 1931 com projeto de Ulisse Stacchini, concentra a alta velocidade: Turim em cerca de 50 minutos, Florença em cerca de 1h50, Roma em cerca de 3 horas, Veneza em cerca de 2h25.
A rede da ATM: cinco linhas, 120 estações
Dentro da cidade tudo é da ATM: cinco linhas de metrô (M1 vermelha, M2 verde, M3 amarela, M4 azul, M5 lilás), cerca de 120 estações, 17 linhas de bonde, algumas ainda com os carros da série 1500 de 1928, ônibus, trólebus e o Passante ferroviário com as linhas suburbanas S da Trenord. O bilhete urbano Mi1–Mi3 custa 2,20 € e vale 90 minutos com baldeações livres; o carnê de dez viagens sai por cerca de 19,50 €, o diário de 24 horas por cerca de 7,60 €, o de três dias por cerca de 15,50 € e o passe mensal por cerca de 39 €; menores de 14 anos não pagam. A catraca aceita cartão bancário por aproximação, celular ou o RicaricaMi. O metrô roda das cerca de 5h40 à cerca de 0h30, com ônibus noturnos depois. A cidade é plana, o centro histórico cabe num raio de 2 km e há bicicletas do BikeMi e patinetes por aplicativo. Quem alugar carro enfrenta duas zonas: a Area C, o centro dentro dos Bastioni, cobra 7,50 € por dia nos dias úteis das 7h30 às 19h30, e a Area B, que cobre quase toda a cidade no mesmo horário, proíbe a entrada dos carros mais poluentes.
Segurança
Milão é segura quanto a crime violento e ruim para bolsos: é a cidade italiana com mais furtos denunciados por habitante, e a esmagadora maioria é batedor de carteira. Os pontos clássicos são a linha M1 entre Duomo e Cadorna, a M3, a Stazione Centrale, o corredor da Galleria e os bondes cheios das linhas turísticas. O furto acontece onde há aperto e distração, e quase nunca em rua com espaço. Na Piazza del Duomo funcionam três golpes há décadas: a pulseirinha “de amizade” amarrada no seu pulso e cobrada depois, o punhado de milho para pombos entregue como presente e a rosa oferecida à pessoa ao seu lado, cobrada de você. A resposta é a mesma nos três: não parar, não estender a mão, continuar andando; quem estende a mão paga depois para desfazer o nó. À noite, o entorno da Stazione Centrale e o eixo da Via Padova pedem a atenção normal de cidade grande, e a área de Rogoredo, ligada ao tráfico, não tem motivo turístico nenhum. Nos Navigli, sexta e sábado, a multidão é tanta que é ali que a carteira some. Emergência única: 112.
Dicas de etiqueta
Café tem horário
Cappuccino, latte macchiato e qualquer coisa com leite se tomam até por volta das onze da manhã; depois de comer, peça espresso. Ninguém vai negar o cappuccino às três da tarde, mas o barista vai notar que você não é dali.
Balcão e mesa: preços diferentes
Beber e comer em pé no balcão custa menos que sentar à mesa, e é assim que boa parte da cidade toma o café da manhã.
Aperitivo: um prato pequeno, no máximo dois
Pelo preço do drinque vem comida no balcão, mas ela acompanha a bebida e não é buffet livre. Encher o prato três vezes é lido como falta de medida: um prato pequeno, no máximo dois.
Jantar depois das oito
A cozinha abre por volta das 19h30 e a sala enche entre 20h30 e 21h30. Chegar às 19h significa restaurante vazio, garçom entediado e a impressão errada sobre o lugar.
Milão é formal: nada de regata, chinelo ou torso nu
Milão é a cidade mais formal da Itália no dia a dia; regata, chinelo e torso nu chamam mais atenção aqui do que em qualquer outra capital italiana, e há decreto municipal contra andar sem camisa no centro. Para entrar no Duomo e nas basílicas é preciso cobrir ombros e joelhos.
O bonde tem prioridade e não desvia
O bonde anda em trilho fixo e tem prioridade, e alguns ainda são os carros da série 1500, de 1928. Atravesse na faixa e olhe duas vezes antes de pisar nos trilhos; de bicicleta, cruze a canaleta em ângulo, porque a roda prende no trilho.
Erros a evitar
Bilhete magnético deixou de valer em janeiro de 2026
Procurar o antigo bilhete magnético de papel. Desde 1º de janeiro de 2026 ele deixou de valer. Você pode encostar cartão ou celular, comprar pelo aplicativo ou carregar uma RicaricaMi. No metrô, valide também na saída.
A Última Ceia exige reserva, mesmo nos lotes adicionais
Chegar ao Cenacolo sem reserva não dá direito a entrar. Procure ingresso com antecedência; se os lotes principais esgotarem, confira os adicionais de quarta-feira, às 12h de Milão, para a semana seguinte. A disponibilidade muda diariamente, e nenhuma dessas tentativas garante vaga.
Alugar carro sem checar a Area C
Alugar carro sem checar as zonas de pedágio e restrição do centro. As câmeras das Areas B e C cobrem quase toda a cidade, e a multa chega pelo correio, às vezes meses depois de você ter voltado para casa.
Confiar o dia inteiro ao Duomo
Confiar o dia inteiro à Piazza del Duomo. É o ponto mais fotografado de Milão e também onde se concentram os três golpes clássicos da pulseirinha, do milho para pombos e da rosa. A vida da cidade está em Brera, Isola, Porta Romana, NoLo e nas mesas de bairro depois das oito.
Viajar na semana das feiras
Marcar viagem sem olhar o calendário de feiras. Na semana do design, em abril, e na da moda feminina, no fim de setembro, os hotéis lotam e cobram o dobro ou o triplo.
Frases úteis
Buongiorno / Buonasera
Bom dia / boa tarde e boa noite. A saudação obrigatória ao entrar em qualquer bar, loja ou elevador
Un caffè al banco, per favore
Um café no balcão, por favor: a forma mais barata e mais rápida de pedir
Prendiamo un aperitivo?
Vamos tomar um aperitivo? O convite social padrão, feito para as seis e meia da tarde
Il conto, per favore
A conta, por favor. Ela não chega sozinha, é preciso pedir
Scusi, dov'è la fermata del tram?
Com licença, onde fica a parada do bonde?
Milan l'è on gran Milan
“Milão é uma grande Milão”, em dialeto milanês: a frase com que a cidade fala de si mesma sem explicar nada
Bairros

Duomo e Centro Storico
O quilômetro quadrado com a catedral, a Galleria de 1867, o Teatro alla Scala e o Palazzo Reale. É onde estão as filas, os cafés mais caros da cidade e a maioria dos golpes de rua; meio dia resolve a visita, e quase ninguém dorme ali por causa do preço.
Brera
Antigo bairro de ateliês entre a Pinacoteca e o Castello, com rua de pedra, a Accademia di Belle Arti e o Orto Botanico de 1774. Concentra galerias, restaurantes caros e, em abril, metade das exposições do Fuorisalone.
Quadrilatero della Moda
O retângulo entre Via Montenapoleone, Via della Spiga, Corso Venezia e Via Manzoni, com as vitrines das grandes marcas e o Museo Poldi Pezzoli. Serve para andar e olhar; comer ali custa o dobro de duas quadras adiante.
Ticinese e Colonne di San Lorenzo
Eixo medieval do Corso di Porta Ticinese, entre as dezesseis colunas romanas remontadas diante de San Lorenzo e a Basilica di Sant'Eustorgio. De dia, lojas independentes e brechós; de noite, gente sentada nos degraus das colunas com copo na mão.
Navigli e Darsena
Os dois canais abertos que restaram e a bacia da Darsena, reformada para a Expo de 2015. É a maior concentração de bares da cidade na sexta e no sábado, com feira de antiguidades no último domingo do mês ao longo do Naviglio Grande.
Isola e Porta Nuova
Bairro operário cortado pela ferrovia que virou, entre 2009 e 2014, o conjunto de arranha-céus da cidade: a Torre UniCredit, de 231 m, e o Bosco Verticale. Atrás da Piazza Gae Aulenti, a Isola antiga ainda tem trattorias e preços de bairro.

Porta Romana e Scalo Romana
Zona residencial de burguesia discreta que absorveu o antigo pátio ferroviário convertido em Vila Olímpica em 2026 e, depois dos Jogos, em residência universitária de cerca de 1.700 camas. É onde fica a Fondazione Prada.
NoLo e Via Padova
Sigla para “north of Loreto”, a área a nordeste da Piazzale Loreto com a população imigrante mais jovem da cidade, cozinhas do Egito, do Peru, da China e do Sri Lanka e os aluguéis que ainda cabem no orçamento. É o bairro que mais mudou em dez anos.
História
c. 590–222 a.C. · Dos ínsubres a Mediolanum
Um povo celta funda o assentamento no meio da planície, num ponto sem colina, sem porto e sem rio navegável. Roma conquista a cidade em 222 a.C. e a transforma em cruzamento de estradas para os passos alpinos.

286–402 · Capital do Império do Ocidente
Diocleciano instala em Milão a corte ocidental sob Maximiano. Em 313 Constantino e Licínio proclamam ali o Édito de Milão, que legaliza o cristianismo, e entre 374 e 397 o bispo Ambrósio cria a liturgia própria que a diocese mantém até hoje.

1162 · Barbarossa arrasa a cidade
Frederico I destrói Milão depois de um cerco de meses. A reconstrução e a Liga Lombarda levam à derrota do imperador em Legnano, em 1176.

1386 · Começa o Duomo
Gian Galeazzo Visconti lança a catedral em mármore rosado de Candoglia, trazido do lago Maggiore por canal com isenção fiscal. A obra atravessa cinco séculos e só ganha a fachada atual entre 1805 e 1813.

1450–1535 · Os Sforza e Leonardo
Francesco Sforza toma o poder em 1450 e reconstrói o castelo arrasado pela república. Ludovico il Moro banca Leonardo da Vinci, em Milão de 1482 a 1499, que pinta a Última Ceia entre 1495 e 1498 e estuda as comportas dos canais.

1535–1796 · Espanhóis e austríacos
O ducado passa aos Habsburgo espanhóis em 1535 e aos austríacos em 1706. A peste de 1630 mata perto de metade da população; em 1778 abre o Teatro alla Scala, e o Iluminismo lombardo produz o tratado de Beccaria contra a pena de morte, de 1764.

1848 · As Cinco Jornadas
Entre 18 e 22 de março a população expulsa a guarnição austríaca de Radetzky com barricadas. A independência dura poucos meses, mas fixa Milão como capital simbólica do Risorgimento.

1861–1906 · Capital industrial e editorial
Com a unificação, Milão assume o papel de centro fabril, bancário e editorial da Itália: o Corriere della Sera nasce em 1876, a Pirelli em 1872. A Galleria Vittorio Emanuele II, de Giuseppe Mengoni, abre em 1867, e a Expo de 1906 celebra o túnel do Simplon.

1943–1945 · Bombardeios e Libertação
Os ataques aliados de agosto de 1943 destroem boa parte do centro e atingem La Scala; o refeitório da Última Ceia sobrevive por pouco. Em 25 de abril de 1945 a cidade se liberta e quatro dias depois o corpo de Mussolini é exposto em Piazzale Loreto.

1950–1973 · Milagre econômico
Centenas de milhares de migrantes do sul chegam pelas plataformas da Centrale e o município chega a cerca de 1,7 milhão de habitantes. Sobem a Torre Velasca (1958) e o Pirellone de Gio Ponti (1960); em 12 de dezembro de 1969 a bomba da Piazza Fontana abre os anos de chumbo.

2015–2026 · Expo, torres e Olimpíada
A Expo 2015 recebeu cerca de 21,5 milhões de visitantes. Porta Nuova e CityLife já tinham obras anteriores à exposição; o acordo para os sete pátios ferroviários desativados veio em 2017. Em 6 de fevereiro de 2026, San Siro participou da abertura dos Jogos Milano-Cortina. Milan e Inter adquiriram o estádio e seu entorno em novembro de 2025, com um projeto de novo estádio e regeneração da área.

História completa
Assentamento celta dos ínsubres
Milão começa como assentamento celta dos ínsubres, por volta de 590 a.C., num ponto sem colina, sem mar e sem rio navegável, e isso a define até hoje: a cidade não tem defesa natural nem porto, por isso precisou ser sempre rica, murada e conectada. Roma a conquista em 222 a.C. e faz dela um nó de estradas para os passos alpinos. Em 286 Diocleciano transfere para lá a corte do Ocidente e Mediolanum passa mais de um século como capital imperial: é onde Constantino e Licínio proclamam, em 313, a tolerância ao cristianismo, e onde Ambrósio, bispo de 374 a 397, cria uma liturgia própria, o rito ambrosiano, com calendário diferente do resto da Itália. Agostinho foi batizado por ele no batistério que hoje se visita sob a praça do Duomo, em 387.
Comuna livre em 1162: Barbarossa arrasa a cidade
Na Idade Média Milão vira comuna e paga caro por isso: Frederico Barbarossa arrasa a cidade em 1162 e ela é reconstruída pela Liga Lombarda, que o derrota em Legnano em 1176. A partir de 1277 os Visconti governam como senhoria e, desde 1395, como ducado; é Gian Galeazzo quem lança o Duomo em 1386. Os Sforza sucedem em 1450, reconstroem o castelo e, com Ludovico il Moro, financiam a estada de Leonardo entre 1482 e 1499. No mesmo período se completa a obra que explica a cidade: os Navigli. O Naviglio Grande, cavado entre 1177 e 1272 para trazer a água do Ticino, e a Martesana, de 1457, ligada ao Adda, fizeram de uma cidade sem rio o porto interior mais movimentado da Lombardia. Foi por eles que desceu o mármore do Duomo.
Sob domínio estrangeiro por três séculos, desde 1535
Em 1535 o ducado passa aos Habsburgo espanhóis e Milão deixa de decidir o próprio destino por três séculos. A peste de 1630, que Manzoni reconstrói em “Os Noivos”, mata perto de metade dos habitantes. Com os austríacos, a partir de 1706, vem uma modernização de cima para baixo: o Teatro alla Scala abre em 1778 com projeto de Giuseppe Piermarini, a revista “Il Caffè” dos irmãos Verri e o tratado de Cesare Beccaria contra a pena de morte, de 1764, fazem da cidade um centro do Iluminismo italiano, e Napoleão instala em 1809 a Pinacoteca di Brera com obras confiscadas de igrejas do norte. A revolta das Cinco Jornadas, em março de 1848, expulsa os austríacos por poucos meses; em 1859 a Lombardia é anexada ao Piemonte e, em 1861, ao Reino da Itália.
Capital do dinheiro e da indústria após a unificação
Unificado o país, Milão assume o papel que mantém até hoje: capital do dinheiro, da indústria e do que se imprime. Nascem ali o Corriere della Sera (1876), as grandes editoras, a Pirelli, a Falck e a rede bancária. O século XX passa por cima da cidade: o fascismo é fundado em 23 de março de 1919 na Piazza San Sepolcro, os bombardeios de agosto de 1943 arrasam o centro, e em 25 de abril de 1945 a cidade se liberta. Vem então o milagre econômico. Entre 1950 e 1973 chegam centenas de milhares de meridionais, o município chega a cerca de 1,7 milhão de habitantes e sobem a Torre Velasca e o Pirellone. A conta chega em 12 de dezembro de 1969, com a bomba da Piazza Fontana, que abre os anos de chumbo, e de novo em 17 de fevereiro de 1992, quando a prisão de um administrador público milanês desencadeia a operação Mãos Limpas e derruba o sistema partidário italiano.
A feira, as torres e os terrenos ferroviários
A paisagem de torres e parques foi construída em etapas. CityLife nasceu da transformação da antiga área da feira: o concurso terminou em 2004, a primeira parte do parque abriu em 2013 e as três torres foram concluídas entre 2015 e 2020. Porta Nuova também tinha uma primeira fase anterior à Expo. A exposição, realizada de maio a outubro de 2015, recebeu cerca de 21,5 milhões de visitantes em outro terreno, a noroeste do centro.
Em 2017, prefeitura, região e parceiros ferroviários assinaram o acordo para transformar sete pátios desativados. Era um plano de longo prazo, com áreas verdes, usos mistos e habitação: a assinatura não significou que todas as obras estivessem entregues. Para percorrer essa Milão, escolha bairros e espaços já abertos; CityLife é servido pela estação Tre Torri da linha M5.
San Siro participou da abertura dos Jogos de Inverno Milano-Cortina em 6 de fevereiro de 2026, numa cerimônia distribuída por várias localidades. Em novembro de 2025, Milan e Inter haviam adquirido o estádio Meazza e seu entorno por meio da Stadio San Siro S.p.A. O anúncio inclui um novo estádio e a regeneração da área; para visitar, confira a programação e os acessos do estádio na data da viagem.
O mármore do Duomo desceu pelos Navigli.
A peste de 1630 matou quase metade da cidade.
Geografia e forma da cidade
Planície do Pó: os rios correm canalizados sob as ruas
Milão está no meio da planície do Pó, a cerca de 120 m de altitude, a uns 40 km ao sul dos primeiros lagos alpinos e a mais de 100 km do mar. Não há rio à vista: o Olona e o Seveso correm canalizados sob as ruas há mais de um século e só reaparecem quando transbordam, o que acontece quase todo outono. A água que fez a cidade foi cavada por mão humana, nos canais do Naviglio Grande, aberto entre 1177 e 1272, do Naviglio Pavese e do Naviglio della Martesana, de 1457, e o anel de canais que cercava o centro foi coberto entre 1929 e 1930, virando a avenida que ainda se chama Cerchia dei Navigli.
Os anéis da cidade: tudo converge ao Duomo
Os anéis de muralha e de canal explicam a malha radial e concêntrica da cidade: a Cerchia marca a muralha medieval; os Bastioni, a muralha espanhola de 1546–1560; a circonvallazione externa e as tangenziali fecham os anéis seguintes; e praticamente toda rua importante converge para a Piazza del Duomo. O terreno é plano (o ponto natural mais alto do município não passa de cerca de 147 m), o que torna bicicleta e caminhada opções reais e faz do metrô o meio mais rápido em quase todo trajeto.
O ar parado da bacia do Pó
O clima é continental úmido e sem vento: é a falta de circulação de ar na bacia do Pó que explica tanto a neblina histórica quanto os índices de poluição que rendem restrições de tráfego em dezembro e janeiro.
Cultura

Moda e design vendidos por semanas de desfile e feira
O ano de Milão gira em torno das semanas de moda e do Salone. A moda tem quatro semanas de desfiles por ano e um retângulo permanente de vitrines no Quadrilatero; o design tem o Salone del Mobile, montado na feira desde 1961, e o Fuorisalone, que ocupa a cidade inteira na mesma semana de abril. Aqui ficam as grandes editoras italianas (Mondadori, Rizzoli, Feltrinelli, Bompiani), o Corriere della Sera, desde 1876, o Il Sole 24 Ore e a Bolsa italiana, na Piazza Affari, em frente à qual Maurizio Cattelan plantou em 2010 uma mão de mármore com um dedo só de pé. É também cidade de imigração antiga: a comunidade chinesa da Via Paolo Sarpi está ali desde os anos 1920, vinda de Wenzhou, e é a mais antiga da Itália.
La Scala: reconstruída após 1943, reaberta em 1946
O Teatro alla Scala, a casa da música clássica em Milão, estreou boa parte da obra de Verdi, foi reconstruído depois da bomba de 1943 e reaberto em 1946 com Toscanini; a temporada começa sempre em 7 de dezembro, dia do padroeiro, e o país assiste pela televisão. No teatro falado, o Piccolo Teatro de Paolo Grassi e Giorgio Strehler, de 1947, foi o primeiro teatro estável da Itália. Nas artes visuais, o Futurismo se organizou em Milão em torno de Marinetti e Boccioni a partir de 1909, e nos anos 1950 e 1960 Lucio Fontana e Piero Manzoni fizeram da cidade um laboratório. O rap e a trap italianos das últimas duas décadas saíram das periferias milanesas, e os shows grandes acontecem em San Siro e no Ippodromo.
Milan e Inter dividem o San Siro desde 1947
O futebol divide a cidade e o estádio: Milan, fundado em 1899, e Inter, em 1908, jogam desde 1947 no Giuseppe Meazza de San Siro, inaugurado em 1926 e com cerca de 75 mil lugares; o clássico entre eles se chama “derby della Madonnina”, nome da estátua no alto do Duomo. Na igreja, a cidade também segue regra própria: o rito ambrosiano tem calendário distinto do romano, a Quaresma começa quatro dias depois e o Carnaval milanês termina no sábado seguinte à Quarta-feira de Cinzas. Por fim, Milão é uma cidade universitária grande: Statale, Politecnico (1863), Bocconi (1902) e Cattolica (1921) somam algo em torno de 200 mil estudantes, e são eles que enchem as Colonne di San Lorenzo e os Navigli à noite.
Milan contra Inter é o derby della Madonnina.
Festas e eventos
Ilustração com IASant'Ambrogio e Oh Bej! Oh Bej!
7 de dezembro: feriado só de Milão, feira de rua de séculos em torno do Castello Sforzesco com castanhas, brinquedo e bugiganga, e à noite a estreia da temporada do Teatro alla Scala, com protesto e tapete vermelho na mesma calçada.

Salone del Mobile e Fuorisalone
Uma semana de abril: a feira de design na Rho Fiera e, simultaneamente, centenas de exposições espalhadas por Brera, Tortona, Lambrate e Isola. Movimenta mais de 300 mil visitantes e é a semana mais cara do ano para dormir na cidade.

Semanas de moda
Desfiles femininos no fim de fevereiro e no fim de setembro, masculinos em janeiro e junho. O acesso é por convite, mas a cidade muda de ritmo: vitrines refeitas, festas, ruas fechadas no Quadrilatero e hotéis lotados.

Carnevale Ambrosiano
Por causa do rito próprio, o carnaval milanês termina no sábado seguinte à Quarta-feira de Cinzas, quatro dias depois do resto da Itália. O sinal é a Piazza del Duomo cheia de crianças fantasiadas num sábado em que a Itália já está em Quaresma.
Ilustração com IAFesta del Naviglio
Primeiro fim de semana de junho, ao longo do Naviglio Grande e da Darsena: música, artesanato, barracas de comida e barcos nos canais que ainda correm a céu aberto.
Livros e filmes
“Os Noivos”, Alessandro Manzoni (1827/1840)
O romance que fixou o italiano moderno se passa na Lombardia espanhola e reconstrói a peste de 1630, que matou perto de metade dos milaneses. Explica o fundo católico, burocrático e resignado que ainda aparece na cidade.
“Rocco e Seus Irmãos”, Luchino Visconti (1960)
Uma família da Basilicata desembarca na Stazione Centrale no auge do milagre econômico e se dissolve na cidade. É o retrato mais direto da migração do sul que fez a população de Milão explodir entre 1950 e 1973.
“Il ragazzo della via Gluck”, Adriano Celentano (1966)
A canção conta o subúrbio virando cimento a partir de uma rua real, perto de onde o cantor cresceu. Em três minutos resume o que a expansão industrial fez com o entorno da cidade.
Perguntas frequentes
Milão: o bilhete magnético do metrô ainda vale?
Não. Desde 1º de janeiro de 2026 o antigo bilhete magnético de papel deixou de valer. Você pode encostar cartão ou celular, comprar pelo aplicativo ou carregar uma RicaricaMi. No metrô, valide também na saída.
Milão: como ir de Malpensa ao centro?
O trem Malpensa Express, da Trenord, sai a cada 15 a 30 minutos e leva cerca de 37 minutos até Milano Cadorna e cerca de 50 minutos até a Centrale, na faixa de 13 € o trecho.
Milão: como chegar ao Lago di Como e a Varenna?
Pegue o trem da Trenord em Milano Centrale até Varenna-Esino, em cerca de 1h05; de lá a balsa cruza para Bellagio e Menaggio em 15 a 25 minutos.
Milão: quanto custa um café?
Um espresso no balcão custa 1,20 a 1,80 €, e o mesmo café sentado numa mesa da Piazza del Duomo pode sair por 5 a 7 €, porque o serviço à mesa é cobrado à parte e, por lei, tem de estar impresso no cardápio.
Milão: qual é a melhor época para ir?
Venha do fim de abril ao começo de junho ou de meados de setembro ao fim de outubro, quando as máximas ficam entre 18 e 25 °C.
Outras cidades do país
Itália ↗- Dias
- 3–5
- Quando
- abr–mai · set–out
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- Média de 130–190 EURPerfil médio · por pessoa/dia
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- Dias
- 2–3
- Quando
- abr–jun · set–out
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- 2–3
- Quando
- mar–mai · set–out
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- Dias
- 2–3
- Quando
- abr–jun · set–out
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- Quando
- mai–jun · set–out
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- Dias
- 2–3
- Quando
- mai–jun · set
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- Média de 170 EURPerfil médio · por pessoa/dia
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- 3
- Quando
- mai–jun · set
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- Dias
- 3
- Quando
- abr–jun · set–out
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- mai–jun · set
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