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Nilo pelo mundo
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Portão de Brandemburgo, em Berlim, com as colunas e a quadriga no alto, de manhã.
ccFoto: Thomas Wolf , www.foto-tw.de · CC BY-SA 3.0

Alemanha

Berlim

O Muro, a Ilha dos Museus, Tempelhof e os clubes

Ver o roteiro de 3 diasAbrir Berlim no mapa

Dias3–4
Quandomai–jun · set
Por pessoa/diaMédia de 120–180 EURPerfil médio · por pessoa/dia

Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.

Como o guia chega a este número

A cidade se espalha por 891 km², então divida por eixo: no primeiro dia, o bairro do governo e a Ilha dos Museus. No segundo, siga a linha do Muro da Bernauer Straße à East Side Gallery, passando pela Karl-Marx-Allee. No terceiro, vá a Kreuzberg e Neukölln até o campo de Tempelhof. Quem procura um centro compacto e bonito vai se frustrar, porque muito da história está marcado no chão e em memoriais, e pouco se explica sozinho. Com um dia só, comece de manhã pelo Memorial do Muro, gratuito, e siga de S-Bahn até o Portão de Brandemburgo e o Memorial aos Judeus Mortos da Europa. À tarde, veja Nefertiti no Neues Museum e feche o dia na East Side Gallery, com jantar em Friedrichshain. O que decepciona é achar o Pergamon fechado na Ilha dos Museus, com reabertura parcial prevista só para meados de 2027. Deixe novembro de fora: é o mês mais cinzento do ano.

3–4

Quando Meados de maio a fim de junho e todo setembro

Como o guia chega a este número

O clima é continental e o sol é escasso: são cerca de 1.600 horas de sol por ano e 570 mm de chuva bem distribuídos pelos doze meses, ou seja, chove um pouco quase sempre e nunca o bastante para virar assunto. O inverno, de dezembro a fevereiro, tem máximas de 2 a 5 °C, ocasionais −10 °C, escuridão às 16h e pouca neve que fique no chão. A primavera engata em abril; de meados de maio a fim de junho as máximas ficam entre 20 e 25 °C e o dia dura até quase 21h30 no solstício. É a melhor janela do ano, junto com setembro, quando o calor cede e as multidões diminuem. Julho e agosto têm máximas de 24 a 26 °C, ondas de calor acima de 33 °C e tempestades curtas à tarde. A maioria dos prédios não tem ar-condicionado, inclusive no metrô, e ninguém parece tratar isso como problema. Alta temporada é o verão e a temporada de mercados de Natal em dezembro. Novembro é o pior de todos: cinza, úmido, sem folhas e sem festa, com menos de duas horas de sol por dia em média.

Por pessoa/dia Econômico 60–85 €; médio 120–180 €; confortável a partir de 250 €

Como o guia chega a este número

Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.

O que o Nilo acha
Reserve três dias e, se puder, um quarto para Potsdam, a 25 a 40 minutos de trem, com o palácio de Sanssouci. A cidade se espalha por 891 km², então divida por eixo: no primeiro dia, o bairro do governo e a Ilha dos Museus. No segundo, siga a linha do Muro da Bernauer Straße à East Side Gallery, passando pela Karl-Marx-Allee. No terceiro, vá a Kreuzberg e Neukölln até o campo de Tempelhof. Quem procura um centro compacto e bonito vai se frustrar, porque muito da história está marcado no chão e em memoriais, e pouco se explica sozinho. Com um dia só, comece de manhã pelo Memorial do Muro, gratuito, e siga de S-Bahn até o Portão de Brandemburgo e o Memorial aos Judeus Mortos da Europa. À tarde, veja Nefertiti no Neues Museum e feche o dia na East Side Gallery, com jantar em Friedrichshain. O que decepciona é achar o Pergamon fechado na Ilha dos Museus, com reabertura parcial prevista só para meados de 2027. Deixe novembro de fora: é o mês mais cinzento do ano.

Em Berlim, uma linha dupla de paralelepípedos marca por onde passava o Muro que dividiu a cidade de 1961 a 1989, e seguir esse traçado é o jeito mais direto de entender o século XX dela. Na Bernauer Straße, a faixa de fronteira reconstruída mostra como os dois muros funcionavam, e a East Side Gallery guarda 1.316 m de muro original pintado em 1990. Na Ilha dos Museus, o busto de Nefertiti fica no Neues Museum, e junto ao Portão de Brandemburgo os 2.711 blocos do Memorial aos Judeus Mortos da Europa ocupam uma quadra. A cidade ficou baixa e cheia de vazios, como os 355 hectares do aeroporto de Tempelhof, hoje parque. Coma um döner em pão pide, invenção berlinense dos anos 1970, ou uma currywurst, e à noite dance nos clubes de Friedrichshain. Venha de meados de maio ao fim de junho ou em setembro e reserve três dias, ou quatro com Potsdam.

Ficha rápida

População
cerca de 3,9 mi na cidade; cerca de 6,2 mi na região metropolitana Berlim-Brandemburgo
Fundação
1237 (primeira menção documental de Cölln); fusão formal com Berlim em 1432
País e região
Alemanha; estado de Berlim, 891 km² e 12 distritos, dentro de Brandemburgo
Idioma
Alemão; inglês corrente no comércio e na noite; cerca de 1 em cada 4 moradores tem passaporte estrangeiro
Moeda
Euro (€)
Fuso
CET (UTC+1); horário de verão CEST (UTC+2) do fim de março ao fim de outubro
Melhor época
Meados de maio a fim de junho e todo setembro
Custo médio por dia
Econômico 60–85 €; médio 120–180 €; confortável a partir de 250 €

Quando ir

Meados de maio a fim de junho e todo setembro

0°10°20°30°média do ano 10°50100mmhojehojehojehojehojehojehojehojehojehojehojehojejanfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez0°15°30°100JFMAMJJASOND
melhor épocatemperatura °Cchuva mmNormais 1991-2020 da OMM (NOAA NCEI), estação Berlin-Tempelhof, a 6 km. Domínio público.

maio

9° a 20°C

52 mm de chuva

Melhor época

O que muda ao longo do ano

O clima é continental e o sol é escasso: são cerca de 1.600 horas de sol por ano e 570 mm de chuva bem distribuídos pelos doze meses, ou seja, chove um pouco quase sempre e nunca o bastante para virar assunto. O inverno, de dezembro a fevereiro, tem máximas de 2 a 5 °C, ocasionais −10 °C, escuridão às 16h e pouca neve que fique no chão. A primavera engata em abril; de meados de maio a fim de junho as máximas ficam entre 20 e 25 °C e o dia dura até quase 21h30 no solstício. É a melhor janela do ano, junto com setembro, quando o calor cede e as multidões diminuem. Julho e agosto têm máximas de 24 a 26 °C, ondas de calor acima de 33 °C e tempestades curtas à tarde. A maioria dos prédios não tem ar-condicionado, inclusive no metrô, e ninguém parece tratar isso como problema. Alta temporada é o verão e a temporada de mercados de Natal em dezembro. Novembro é o pior de todos: cinza, úmido, sem folhas e sem festa, com menos de duas horas de sol por dia em média.

Os mesmos números em tabela
MêsTemperatura °CChuva mm
janeiro-1 a 448
fevereiro-1 a 536
março1 a 941
abril5 a 1529
maio ·9 a 2052
junho ·13 a 2358
julho15 a 2572
agosto15 a 2558
setembro ·11 a 2047
outubro7 a 1444
novembro3 a 842
dezembro0 a 444

Dicas do Nilo

Vá ao aeroporto no FEX: meia hora do Hauptbahnhof

De táxi são 45 a 60 minutos e 60 a 80 € até Mitte; o FEX leva meia hora. Do Hauptbahnhof ao BER ele passa a cada 30 minutos. Na máquina, escolha o bilhete ABC, de cerca de 5 €, porque o terminal fica na zona C, fora do bilhete AB, e quem viaja com o AB paga multa.

Não há catraca, mas a multa sem bilhete é de sessenta euros

Ninguém confere bilhete na porta do trem, só fiscais sem uniforme a bordo, e quem é pego sem ele paga 60 € na hora. Para poucos dias, o simples AB custa 4,00 € e o de 24 horas AB, cerca de 11,20 €. Com o fim do passe de 7 dias em 2026, quem fica uma semana ou mais gasta menos com o Deutschlandticket, de 63 € por mês, que vale em todo transporte regional alemão.

Aos domingos as lojas fecham: compre comida no sábado

Supermercados e lojas fecham por lei aos domingos, então faça as compras de comida no sábado. No domingo só abrem Späti, padaria, restaurante e o comércio das estações. Em compensação, é o melhor dia na rua, com feira no Boxhagener Platz de manhã e feira de usados e karaokê no Mauerpark à tarde. É também dia de clube aberto à tarde, e lá dentro vale a regra da casa: nada de foto e pagamento só em dinheiro.

A cúpula do Reichstag é grátis, com cadastro prévio

Para subir à cúpula de vidro do Reichstag sem pagar, cadastre-se no site do Bundestag alguns dias antes e leve o passaporte. Marque o horário mais cedo que encontrar e, na saída, ande até o Portão de Brandemburgo e o Memorial aos Judeus Mortos da Europa, a poucos passos dali.

Cada feira tem o seu dia da semana

O mercado turco da beira do canal, no Maybachufer, em Kreuzberg, funciona terça e sexta depois do almoço. A feira do Winterfeldtplatz, em Schöneberg, abre às quartas e sábados, e a do Kollwitzplatz, em Prenzlauer Berg, às quintas, com produtos orgânicos, e aos sábados. Leve 30 a 50 € em espécie, porque banca de feira não passa cartão. Se a sua tarde livre cair numa segunda, troque a feira pelo Đồng Xuân Center, o centro vietnamita de Lichtenberg, onde um bún chả ou um phở sai por 9 a 14 €.

Tempelhof no fim da tarde, entrando pelo Columbiadamm

Entre no Tempelhofer Feld no fim da tarde pelo portão do Columbiadamm e caminhe pelas pistas do antigo aeroporto, fechado em 2008 e parque desde 2010. Nelas circulam ciclistas, patinadores e velejadores de terra até o pôr do sol. Por dentro, o prédio do aeroporto só abre em visita com guia.

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O que ver

Berlim: O vale glacial e a água

O Spree cruza Berlim de leste a oeste até desembocar no Havel, em Spandau, e, com lagos como o Müggelsee e o Wannsee, canais e braços mortos, a cidade soma mais de 180 km de vias navegáveis e cerca de 1.700 pontes.

Bode-Museum, na Ilha dos Museus de Berlim, com a cúpula sobre o rio Spree e a Torre de TV ao fundo.
Bode-Museum, na Ilha dos Museus

Ilha dos Museus

EssencialBerlin-Mitte

Cinco museus construídos entre 1830 e 1930 no braço norte do Spree, Patrimônio Mundial da Unesco desde 1999. O Pergamonmuseum está fechado desde 23 de outubro de 2023 e reabre parcialmente em 4 de junho de 2027; o busto de Nefertiti, escavado em 1912, fica no Neues Museum.

O Neues Museum, com o busto de Nefertiti, sustenta sozinho a visita, e o bilhete da ilha vale também para o Bode-Museum. Não conte com o Pergamonmuseum, que só reabre parcialmente em 2027.

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Centenas de blocos retangulares de concreto cinza, de alturas diferentes, dispostos em fileiras sobre um piso irregular, com algumas pessoas caminhando entre eles e prédios da cidade ao fundo, sob céu azul.
Memorial aos Judeus da Europa

Memorial aos Judeus Mortos da Europa

EssencialBerlin-Mitte

2.711 blocos de concreto de alturas diferentes em 19 mil m², projeto de Peter Eisenman aberto em 10 de maio de 2005, a um quarteirão do Portão de Brandemburgo. A sala de informação subterrânea, com os nomes e as cartas, é a parte que explica o campo de estelas.

Caminhar entre as estelas é só metade da visita. Desça à sala de informação subterrânea, com os nomes e as cartas das vítimas, porque é ela que dá sentido ao campo.

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Centro de visitantes do Memorial do Muro de Berlim, um prédio de fachada cor de ferrugem e vidro.
Centro de visitantes do Memorial do Muro

Memorial do Muro na Bernauer Straße

EssencialBerlim

1,4 km ao longo da antiga fronteira, com um trecho reconstruído com a faixa de morte, torre de observação e a Capela da Reconciliação. É o lugar que explica fisicamente como o Muro funcionava: dois muros, areia varrida, iluminação e patrulha entre eles.

É o lugar que mostra como o Muro funcionava, com os dois muros, a areia varrida e a torre de observação no trecho reconstruído. Eu começaria o dia do Muro por aqui, de manhã, antes de seguir pela linha até a East Side Gallery.

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Fachada oeste do Reichstag, em Berlim, com a cúpula de vidro, sob céu carregado.
Reichstag

Reichstag

Vale a visitaBerlin-Mitte

Sede do Bundestag, inaugurado em 1894 e incendiado em 27 de fevereiro de 1933. A cúpula de vidro de Norman Foster, de 1999, tem rampa em espiral sobre o plenário; a subida é gratuita, mas exige cadastro online com dias de antecedência e documento com foto.

A subida à cúpula de vidro é de graça, mas só entra quem fez o cadastro online com dias de antecedência e traz documento com foto. Vá cedo, como no primeiro dia do roteiro: da rampa em espiral se vê o plenário do Bundestag lá embaixo, e a visita leva cerca de uma hora.

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Capim alto e flores do campo no Tempelhofer Feld em primeiro plano, com a fachada longa e baixa do antigo aeroporto de Tempelhof recortada contra o céu azul ao fundo.
O Tempelhofer Feld

Tempelhofer Feld

Vale a visitaTempelhof-Schöneberg

Aeroporto até 30 de outubro de 2008 e parque público desde 8 de maio de 2010: 355 hectares com as duas pistas intactas, usadas por ciclistas, patinadores e velejadores de terra. Um referendo em 25 de maio de 2014 proibiu construir no campo; o terminal de 1936, de 1,2 km de fachada, é visitável em tour guiado.

Vale pelo espaço aberto: anda-se ou pedala-se pelas pistas de um aeroporto fechado em 2008, protegidas de construção por um referendo de 2014. Vá numa tarde de sol, de bicicleta ou patins, e reserve o tour guiado se quiser entrar no terminal de 1936.

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Torre de TV de Berlim, na Alexanderplatz, iluminada à noite, com a esfera perto do topo.
Torre de TV da Alexanderplatz

Torre de TV da Alexanderplatz

Se sobrar tempoBerlin-Mitte

368 m, inaugurada em 3 de outubro de 1969 pela RDA; é a construção mais alta da Alemanha. A plataforma fica a 203 m e o restaurante giratório a 207 m; o reflexo em forma de cruz na esfera de aço ganhou o apelido de vingança do papa.

A cúpula do Reichstag mostra a mesma cidade de graça, bastando o cadastro feito antes; aqui a plataforma dos 203 m é paga e a cidade lá embaixo é baixa e espalhada por 891 km². A torre rende mais de fora, da Alexanderplatz, do que de dentro.

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Humboldt Forum, no palácio reconstruído de Berlim, com a cúpula, visto da Schinkelplatz.
Humboldt Forum

Humboldt Forum

Se sobrar tempoBerlin-Mitte · Até meia hora

Reconstrução do Palácio Real, demolido em 1950 e substituído pelo Palácio da República da RDA até 2008; abriu em 2021 com as coleções etnológicas e asiáticas, no centro do debate alemão sobre restituição de acervos coloniais. O terraço e o pátio têm entrada gratuita.

É a reconstrução de um palácio demolido em 1950, aberta em 2021 e ainda no meio da briga alemã sobre devolver acervo colonial. O terraço e o pátio são gratuitos e resolvem a visita: o bilhete das coleções só se paga se esse debate for o seu assunto.

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O roteiro do Nilo

Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.

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  1. Dia 1 · O Reichstag, o Portão de Brandemburgo e a Ilha dos Museus

    1. Suba cedo à cúpula do Reichstag, com o cadastro online feito dias antes e o passaporte na mão; a visita leva cerca de uma hora.

    2. Caminhe até o Portão de Brandemburgo e, a um quarteirão dali, percorra o Memorial aos Judeus Mortos da Europa, incluindo a sala de informação subterrânea.

    3. Siga a pé pela Unter den Linden até a Ilha dos Museus e escolha o Neues Museum, para Nefertiti e a pré-história, ou a Alte Nationalgalerie.

    4. Suba ao terraço do Humboldt Forum, de entrada gratuita, para ver a catedral e o Spree, e tome um café no pátio.

    5. Termine a tarde na Alexanderplatz, com o relógio mundial de 1969 e a Torre de TV, e caminhe até o Hackescher Markt para jantar.

  2. Dia 2 · A linha do Muro e o leste

    1. Comece a manhã no Memorial do Muro, na Bernauer Straße, com a torre de observação e a faixa de fronteira reconstruída; a entrada é gratuita.

    2. Atravesse para o Mauerpark, ao lado, onde aos domingos há feira de usados e karaokê no anfiteatro à tarde.

    3. Almoce em Prenzlauer Berg, na região do Kollwitzplatz ou da Kastanienallee.

    4. Percorra a pé a Karl-Marx-Allee, de Strausberger Platz a Frankfurter Tor, para ver a escala do urbanismo da RDA, e siga depois para a East Side Gallery.

    5. Jante em Friedrichshain, em torno do Boxhagener Platz, e passe a noite no RAW-Gelände ou num dos clubes da Revaler Straße.

  3. Dia 3 · Kreuzberg, Neukölln e o Tempelhofer Feld

    1. Vá à feira turca do Maybachufer, às terças e sextas à tarde, ou caminhe pelo Landwehrkanal e pelo Paul-Lincke-Ufer nos outros dias.

    2. Ande pela Oranienstraße e pela Oranienplatz e, se houver tempo, visite o Museu Judaico de Daniel Libeskind, aberto em 2001.

    3. Almoce na Sonnenallee, em Neukölln, entre padarias e restaurantes árabes, com knafeh na sobremesa.

    4. Entre no Tempelhofer Feld no fim da tarde pelo portão do Columbiadamm, ande pela pista 09L/27R e fique para o pôr do sol.

    5. Jante e tome algo nos bares da Weserstraße; para encerrar com música, há clubes a dez minutos de caminhada.

Se ficar mais

  1. Dia 4 · Potsdam

    Bate-volta

    1. 25 a 40 minutos de S7 ou RE1 do centro, dentro da zona ABC. Capital de Brandemburgo e residência dos reis prussianos: o palácio de Sanssouci, de Frederico II (1747), o parque de 290 hectares, o bairro holandês e o Cecilienhof, onde ocorreu a Conferência de Potsdam em julho e agosto de 1945.

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Comida

Ilustração com IA

Currywurst

Salsicha frita, cortada em rodelas, coberta de ketchup temperado e pó de curry, servida em bandeja de papelão com garfinho de madeira. Herta Heuwer registrou o molho em 1949 num quiosque em Charlottenburg; pede-se mit Darm (com tripa) ou ohne Darm. 4–6 €.

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Döner Kebab

A versão em pão pide com salada e molho branco é uma invenção berlinense do início dos anos 1970, atribuída a vendedores turcos como Kadir Nurman. Em 2026 a mediana na cidade está em torno de 7 €, com preços de 3,50 a 8,50 € conforme o bairro.

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Berliner Weisse

Cerveja de trigo azeda, de cerca de 3%, servida em taça larga com xarope de framboesa (rot) ou de aspérula (grün, verde-fluorescente). Bebida de verão, quase sempre em beer garden.

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Club-Mate e o Späti

Refrigerante de mate com cafeína, em garrafa de 0,5 l, vendido em qualquer Späti, as lojas de esquina que abrem até tarde. Custa 1,50–2,50 € mais o Pfand do vidro, e o vendedor abre a garrafa no balcão porque a bebida é consumida andando.

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Berliner Pfannkuchen

Bolinho frito recheado de geleia, coberto de açúcar. Em Berlim ele se chama Pfannkuchen; chamar de Berliner denuncia o forasteiro. Consumido sobretudo no Ano-Novo e no Carnaval, quando um da bandeja costuma vir com mostarda dentro.

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Eisbein com Erbspüree

Joelho de porco curado e cozido, servido com purê de ervilha e chucrute. Prato de inverno das casas tradicionais; a porção costuma passar de 700 g e sai por 15–22 €.

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Königsberger Klopse

Almôndegas de vitela em molho branco com alcaparras e limão, com batata e beterraba. Receita da Prússia Oriental que virou padrão berlinense com a chegada dos refugiados do leste depois de 1945.

Ilustração com IA

Comida vietnamita

Berlim tem uma das maiores comunidades vietnamitas da Europa, formada por trabalhadores contratados pela RDA e por refugiados acolhidos no lado ocidental. O Đồng Xuân Center, em Lichtenberg, reúne desde 2003 restaurantes e atacado; um bún chả ou phở fica entre 9 e 14 €.

Bate-voltas

Pátio do Belvedere do Pfingstberg em Potsdam, com uma galeria de arcos no alto, muro de pedra clara com trepadeiras e o reflexo num espelho d’água.
Potsdam, Belvedere do Pfingstberg · Steffen Prößdorf · CC BY-SA 4.0

Potsdam

25 a 40 minutos de S7 ou RE1 do centro, dentro da zona ABC. Capital de Brandemburgo e residência dos reis prussianos: o palácio de Sanssouci, de Frederico II (1747), o parque de 290 hectares, o bairro holandês e o Cecilienhof, onde ocorreu a Conferência de Potsdam em julho e agosto de 1945.

Torre de guarda branca junto ao muro de blocos de concreto do antigo campo de Sachsenhausen, com pinheiros altos ao fundo.
Memorial de Sachsenhausen · randreu · CC BY 3.0

Memorial de Sachsenhausen

Cerca de 45 minutos de S1 até Oranienburg e mais 20 a pé, ou de trem regional em 25 minutos. Campo de concentração aberto em 1936 como modelo do sistema nazista, hoje memorial e museu; entrada gratuita, fechado às segundas, e a visita pede pelo menos três horas.

Barco de passeio em um canal do Spreewald, com passageiros sentados e uma condutora de saia azul com uma vara, entre vegetação verde.
Spreewald, passeio de barco · Jo Vert · CC BY-SA 3.0

Spreewald

1h15 de RE2 até Lübbenau. Reserva da Biosfera da Unesco desde 1991, com cerca de 200 canais navegados em barcos de fundo chato conduzidos a vara; região dos sórbios, minoria eslava da Alemanha, e origem dos pepinos em conserva vendidos em Berlim.

Por onde começar

Kreuzberg, Neukölln e o Tempelhofer Feld

Kreuzberg, Neukölln e o Tempelhofer Feld

Vá à feira turca do Maybachufer, às terças e sextas à tarde, ou caminhe pelo Landwehrkanal e pelo Paul-Lincke-Ufer nos outros dias.

Dinheiro

A moeda é o euro. O cartão é aceito na maioria dos restaurantes e lojas, mas Spätis, muitos quiosques de comida, feiras de rua e quase todos os clubes trabalham só com dinheiro. Ande com 30 a 50 € em espécie e saque em caixa de banco, evitando as máquinas independentes, que cobram taxa alta e oferecem conversão em reais na tela, o que nunca compensa. Faixas de preço: café 3–4,50 €; chope de 0,5 l em bar 4,50–6 €, garrafa de Späti 1,50–2,50 €; döner cerca de 7 €; almoço simples 10–16 €; jantar com bebida 30–50 € por pessoa; cama em hostel 25–45 €; hotel três estrelas 90–160 €, com alta nas semanas de feira (ITB em março, IFA em setembro). Sobre a diária líquida do hotel incide a City Tax de 7,5%, cobrada também de viagens a trabalho desde abril de 2024. A gorjeta é de 5 a 10% e não se deixa moeda na mesa: ao entregar o dinheiro ou o cartão, diga ao garçom o valor total que quer pagar, e ele devolve o troco certo. Pague sentado à mesa, e preste atenção à pergunta de rotina zusammen oder getrennt (junto ou separado): responder zusammen por distração pode significar pagar a noite de três pessoas.

Como chegar e se locomover

BER desde 2020, com Tegel fechado

O aeroporto é o BER (Berlin Brandenburg Willy Brandt), aberto em 31 de outubro de 2020, a cerca de 26 km a sudeste do centro e o único em operação desde o fechamento de Tegel. O trem Airport Express (FEX) liga o Hauptbahnhof ao terminal em torno de 30 minutos, duas vezes por hora. Os regionais RE7 e RB14 e as linhas S9 e S45 fazem o mesmo trajeto mais devagar. O aeroporto está na zona C, então é preciso um bilhete ABC, cerca de 5 €: comprar o AB, que é mais barato, é o erro mais comum e rende multa. De táxi ou aplicativo até Mitte são 45 a 60 minutos e 60 a 80 €, muito dinheiro para chegar depois do trem. À noite a S9 e os ônibus noturnos mantêm a ligação.

U-Bahn, S-Bahn e as três zonas da tarifa VBB

A rede é integrada sob a tarifa VBB e junta 9 linhas de U-Bahn, 16 de S-Bahn, cerca de 22 de bonde (quase todas no leste, herança da RDA) e mais de 150 de ônibus, em três zonas: A dentro da Ringbahn, B até o limite da cidade, C em Brandemburgo, incluindo BER e Potsdam. Em 2026 o bilhete simples AB custa 4,00 €, o de trecho curto (3 estações de trem ou 6 de ônibus) fica em cerca de 2,80 €, o de 24 horas AB por volta de 11,20 € e o Deutschlandticket, válido em todo o transporte regional do país, 63 € por mês. O bilhete de 7 dias foi extinto em 1º de janeiro de 2026, o que muda a conta de quem fica uma semana. Não há catraca em lugar nenhum, então compre o bilhete antes de embarcar: o sistema é de confiança, com fiscais à paisana e multa de 60 € para quem viaja sem ele. U-Bahn e S-Bahn circulam a noite inteira nas sextas, nos sábados e nas vésperas de feriado; nos outros dias há ônibus e bondes noturnos. A cidade é plana, tem mais de 1.500 km de ciclovias e o aluguel de bicicleta sai por 10–15 € o dia. Levar a bicicleta no trem exige bilhete próprio.

Segurança

Berlim é segura para o padrão de uma capital europeia e crime violento contra visitante é raro. O risco concreto é o furto, e ele tem endereço: batedores na Alexanderplatz, na Warschauer Straße, no Hauptbahnhof, na linha U8 e nos mercados de Natal, quase sempre em vagão cheio ou na escada rolante, onde ninguém tem para onde recuar. O comércio de drogas é visível no Görlitzer Park, no Kottbusser Tor e no Hermannplatz. A abordagem é insistente mas raramente agressiva, e um não firme costuma bastar. Desde março de 2026 o Görlitzer Park tem cerca em torno e fechamento noturno, medida de 1,8 milhão de euros contestada por parte dos moradores. Roubo de bicicleta é o crime mais registrado da cidade: use dois cadeados e nunca prenda só a roda, porque quem prende só a roda volta e encontra exatamente a roda. Manifestações são frequentes e legais, em especial no 1º de maio em Kreuzberg e Neukölln, e podem fechar ruas e estações; basta contornar. A água da torneira é potável, a emergência médica é 112 e a polícia, 110.

Dicas de etiqueta

Espere o boneco verde

Atravessar no vermelho rende olhar duro e, se houver criança perto, uma frase em voz alta; a multa prevista é pequena, mas a reprovação social é imediata. O boneco do lado leste usa chapéu e se chama Ampelmännchen.

Ciclovia não é calçada

A faixa vermelha ou o trecho separado do passeio pertence às bicicletas, que passam rápido e não desviam. Parar nela para olhar o mapa é a causa mais comum de campainha e grito.

Cumprimente ao entrar

Um Hallo ao entrar em padaria, farmácia, loja pequena ou consultório e um Tschüss ao sair são obrigatórios. Entrar em silêncio e ir direto à prateleira é notado como falta de educação.

Respeite a Ruhezeit

Das 22h às 6h e durante todo o domingo não se fura parede, não se aspira, não se põe música alta. A regra vale para prédios residenciais e é levada a sério, com aviso do vizinho na primeira vez.

Garrafa com Pfand fica ao lado da lixeira

Cada garrafa vale de 8 a 25 centavos devolvidos na máquina do supermercado. Quem não vai devolver deixa a garrafa apoiada ao lado do cesto, nunca dentro, para que alguém a recolha: jogar dentro é considerado desperdício.

Nada de foto dentro do clube

Na porta do Berghain e de vários outros a câmera do celular é coberta com adesivo. Fotografar dentro é o caminho mais curto para ser retirado, e a política existe para proteger o anonimato de quem está lá.

Erros a evitar

Andar sem bilhete porque não há catraca

Andar sem bilhete porque não existe catraca. A entrada é livre e por isso parece um convite, mas fiscais à paisana circulam nos trens e a multa de 60 € é cobrada na hora, com documento retido até o pagamento ou os dados anotados.

Domingo esperando compras

Chegar num domingo esperando fazer compras. Supermercados e lojas fecham por lei, salvo poucas datas autorizadas por ano; abrem apenas Spätis, padarias, restaurantes e o comércio das estações e do aeroporto. É fácil passar um domingo inteiro montando o jantar numa loja de esquina do tamanho de um corredor.

Späti, Imbiss e clube: só dinheiro

Contar só com o cartão. Späti, muitos Imbisse, feiras e a maioria dos clubes aceitam somente dinheiro, e alguns bares mantêm valor mínimo para cartão; saque de dia, não às três da manhã.

Planejar o Pergamon

Planejar a visita ao Pergamonmuseum, que não abre. O Neues Museum, com Nefertiti, e o Bode-Museum seguem abertos na mesma ilha, e o bilhete da ilha continua valendo para eles.

Concentrar tudo em Mitte, numa cidade de 891 km²

Concentrar tudo em Mitte. A cidade tem 891 km² e o que interessa está espalhado. O melhor rendimento vem de escolher dois bairros vizinhos por dia em vez de atravessar a cidade três vezes.

Frases úteis

Hallo / Tschüss

Oi / Tchau (rálo / tchüss): o par obrigatório ao entrar e sair de qualquer estabelecimento

Einmal Currywurst, bitte

Uma currywurst, por favor (áin-mal ... bíte)

Zahlen, bitte

A conta, por favor (tsá-len bíte): dito ao garçom, que cobra na mesa

Zusammen oder getrennt?

Junto ou separado? (tsu-zámen óder ge-trént): a pergunta padrão na hora de pagar em grupo

Entschuldigung, sprechen Sie Englisch?

Com licença, o senhor fala inglês? (ent-chúl-di-gung, chpré-ren zi ínglich)

Ist hier noch frei?

Este lugar está livre? (ist rir nor frái): usado antes de sentar em mesa comunitária ou banco ocupado

Bairros

Bode-Museum, na Ilha dos Museus de Berlim, com a cúpula sobre o rio Spree e a Torre de TV ao fundo.
Bode-Museum, na Ilha dos Museus

Mitte

O núcleo histórico e o governo: Unter den Linden, Ilha dos Museus, Reichstag, Alexanderplatz. Concentra a maioria dos monumentos e os preços mais altos de hotel; a parte norte, em torno do Rosenthaler Platz e do Hackescher Markt, é comercial e cheia à noite.

Kreuzberg

O antigo SO36, encostado no Muro pelo lado ocidental, recebeu trabalhadores turcos a partir dos anos 1960 e o movimento de ocupações nos anos 1980. Oranienstraße para bares, Maybachufer para a feira turca (terças e sextas), Landwehrkanal para o passeio.

Trecho do muro da East Side Gallery com a pintura de dois homens se beijando e assinaturas por cima.
East Side Gallery

Friedrichshain

Leste, com a Karl-Marx-Allee, avenida stalinista de 1952 e 90 m de largura, a East Side Gallery e o RAW-Gelände, antigo pátio ferroviário virado zona de clubes. Boxhagener Platz reúne feira de rua aos domingos e bares baratos.

Neukölln

Norte do distrito, em torno do Reuterkiez e da Weserstraße, é onde a noite mudou de endereço a partir de 2008. A Sonnenallee concentra padarias, doçarias e restaurantes árabes; a Karl-Marx-Straße é comércio popular.

Prenzlauer Berg

Quarteirões do fim do século XIX que escaparam relativamente bem dos bombardeios e foram reformados nos anos 1990. Hoje é bairro de famílias, cafés e mercados: o Kollwitzplatz tem feira às quintas e aos sábados, e o Mauerpark, aos domingos, feira e karaokê ao ar livre.

Torre danificada da Igreja Memorial Kaiser Wilhelm, em Berlim, com o campanário moderno ao lado.
Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche

Charlottenburg

O centro da antiga Berlim Ocidental: Kurfürstendamm, a loja KaDeWe (1907, sete andares), Savignyplatz e o Palácio de Charlottenburg, iniciado em 1695. Mais formal, mais silencioso e com hotéis um pouco mais baratos que Mitte.

Schöneberg

Bairro do mercado do Winterfeldtplatz (quartas e sábados) e do eixo gay em torno do Nollendorfplatz, ativo desde os anos 1920. No Rathaus Schöneberg, Kennedy fez o discurso do Ich bin ein Berliner em 26 de junho de 1963.

Treptow-Köpenick

O maior distrito em área e o mais verde: floresta de Köpenick, o lago Müggelsee, o Memorial Soviético de Treptower Park (1949, com 7 mil soldados enterrados) e o centro histórico de Köpenick com seu castelo barroco.

História

1237 · Cölln aparece num documento

Em 28 de outubro de 1237 um documento cita o padre Symeon de Cölln, povoado numa ilha do Spree; Berlim, na margem leste, é mencionada em 1244. As duas dividem prefeitura em 1307 e se fundem formalmente em 1432.

Trecho preservado da muralha entre Waisenstraße e Littenstraße, com pedras, tijolos, uma abertura e árvores.
Muralha medieval · foto de 2009 · Beek100 · CC BY-SA 3.0

1443–1451 · Os Hohenzollern tomam a cidade

Frederico II inicia um castelo na ilha de Cölln contra a vontade dos moradores. A revolta de 1448, o Berliner Unwille, é derrotada e a cidade perde privilégios e a ligação com a Liga Hanseática.

Desenho da praça de Cölln: antiga catedral à esquerda, castelo ao fundo, praça e Spree à direita, com título e margens.
Castelo e antiga catedral · desenho de 1690 · Johann Stridbeck der Jüngere

1618–1648 · Berlim na Guerra dos Trinta Anos

Peste, saque e fome reduzem a população de cerca de 12 mil para cerca de 6 mil pessoas. Metade das casas fica vazia.

Panorama gravado de Berlim e Cölln, com igrejas, castelo, casas e pequenas figuras, legenda de letras e brasões.
Berlim e Cölln · gravura publicada em 1652 · Caspar Merian · Merian Erben

1685 · Édito de Potsdam

Em 29 de outubro o príncipe-eleitor Frederico Guilherme convida huguenotes franceses perseguidos; cerca de 6.000 se instalam em Berlim. Por volta de 1700, um em cada cinco berlinenses fala francês.

Página de título integral do édito, com letras góticas sobre direitos dos reformados franceses e a data impressa de 29 de outubro de 1685.
Édito de Potsdam · página de título de 1685 · Friedrich Wilhelm von Brandenburg

1701 · Capital do reino da Prússia

Frederico I é coroado rei e Berlim vira residência real. O Zeughaus e a expansão barroca de Friedrichstadt ganham forma nesse período, ao longo da Unter den Linden, avenida de tílias plantadas em 1647.

Vista parcial da fachada do Zeughaus, com janelas, colunas, frontão, medalhão e esculturas sobre o telhado.
Fachada do Zeughaus · foto de 2016 · Fred Romero · CC BY 2.0

1871 · Capital do Império Alemão

Com a unificação, a população salta de cerca de 826 mil em 1871 para cerca de 2 milhões em 1905. Siemens, AEG e Borsig transformam a cidade na maior concentração industrial do continente e enchem os quarteirões de Mietskasernen.

Pintura da fábrica Borsig: torre, chaminés fumegantes, pátio, cavalos puxando locomotivas e um terraço no primeiro plano.
Fábrica Borsig · pintura de 1847 · Carl Eduard Biermann · Stiftung Stadtmuseum Berlin

1920 · Lei da Grande Berlim

Em 1º de outubro, 8 cidades, 59 comunas e 27 distritos rurais viram um único município: a área passa de 66 para 878 km² e a população para cerca de 3,8 milhões, então a terceira maior do mundo.

Mapa integral da Grande Berlim com limites destacados, vinte distritos numerados, áreas verdes e título que cita a lei de 27 de abril de 1920.
Grande Berlim · mapa de setembro de 1920 · Städtische Plankammer Berlin · Julius Straube · ZLB

1933–1945 · Ditadura, deportação e ruína

Hitler é nomeado chanceler em 30 de janeiro de 1933; a Conferência de Wannsee, em 20 de janeiro de 1942, organiza a deportação a vinte minutos do centro. A batalha de 16 de abril a 2 de maio de 1945 deixa cerca de um terço das construções destruídas.

Fotografia de edifícios arruinados e da torre da Georgenkirche ao fundo, com bonde, pedestres pequenos e a borda da cópia de arquivo.
Ruínas no Alexanderplatz · maio de 1945 · Henryk Gorovits · Bundesarchiv, Bild 204-012 · CC BY-SA 3.0 de

1948–1949 · Bloqueio e ponte aérea

De 24 de junho de 1948 a 12 de maio de 1949 a URSS corta os acessos terrestres a Berlim Ocidental. Cerca de 278 mil voos abastecem a cidade por Tempelhof, Gatow e Tegel.

Caixas, garrafas e cilindros no aeroporto de Frankfurt, com caminhões e aviões ao fundo; borda e crédito do arquivo preservados.
Carga da ponte aérea em Frankfurt · foto de julho de 1949 · Bundesarchiv, Bild 146-1985-064-04A · CC BY-SA 3.0 DE

1961–1989 · O Muro

A RDA fecha a fronteira em 13 de agosto de 1961 e ergue 155 km de barreira em torno de Berlim Ocidental; ao menos 140 pessoas morrem na tentativa de atravessar. O Muro é aberto na noite de 9 de novembro de 1989.

Muro branco e cerca no primeiro plano, com edifícios de Berlim Oriental, chaminé e torre de televisão ao fundo.
Muro perto do Reichstag · foto de 1986 · Lothar Weber · CC BY-SA 4.0

1990–hoje · Reunificação e volta da capital

A Alemanha se reunifica em 3 de outubro de 1990 e o Bundestag decide em 20 de junho de 1991, por 338 votos a 320, transferir a capital de Bonn para Berlim, o que se conclui em 1999. O aeroporto BER, previsto para 2011, abre só em 31 de outubro de 2020.

Vista parcial do Reichstag com cúpula de vidro, bandeiras e obras no primeiro plano; visitantes pequenos diante da entrada.
Reichstag e nova cúpula · foto de 2000 · Simone Cortesi · CC BY-SA 3.0
História completa

Duas vilas num ponto de travessia

Berlim e Cölln nasceram como um par de vilas num ponto de travessia do Spree, onde a rota comercial entre Magdeburgo e o leste cruzava o rio. Não havia porto, montanha, mina nem terra boa: só areia, pântano e um vau. As duas dividiram prefeitura em 1307 e se fundiram em 1432. Em 1443 Frederico II Dente de Ferro começou a construir um castelo na ilha de Cölln, e a revolta popular de 1448 foi esmagada: a cidade trocou a autonomia pela proteção dos príncipes de Brandemburgo, que dali em diante governaram a partir dela. A Guerra dos Trinta Anos cortou a população pela metade até 1648.

Imigração por decreto reconstruiu a cidade

O que reconstruiu Berlim foi imigração por decreto. Judeus expulsos de Viena foram acolhidos em 1671; o Édito de Potsdam, de 29 de outubro de 1685, trouxe cerca de 6.000 huguenotes franceses, que instalaram tecelagens, estufas e a primeira imprensa em língua estrangeira; holandeses drenaram o pântano. Em 1700 cerca de 20% da população falava francês, e no mesmo ano foi fundada a Academia de Ciências. Em 1701 a cidade virou capital do reino da Prússia e ganhou corte real, com a avenida Unter den Linden, cujas tílias o Grande Eleitor mandara plantar em 1647, como eixo. Desde então, boa parte do crescimento de Berlim veio de quem chegou de fora, e hoje cerca de 1 em cada 4 moradores tem passaporte estrangeiro.

Capital do Império desde 1871, maior cidade industrial

A capital do Império, a partir de 1871, virou a maior cidade industrial da Europa continental: elétrica, química, máquinas, imprensa. A população mais que dobrou em uma geração e foi alojada nas Mietskasernen, quarteirões de cinco andares com dois ou três pátios internos, o formato que ainda define os bairros do século XIX. Em 1º de outubro de 1920, a Lei da Grande Berlim engoliu Charlottenburg, Spandau, Köpenick e dezenas de aldeias, multiplicou a área por treze e criou de uma vez a metrópole de 3,8 milhões dos anos de Weimar: os estúdios de Babelsberg, os cabarés, o Bauhaus, os institutos de física e a maior comunidade judaica da Alemanha, cerca de 160 mil pessoas.

O centro administrativo do extermínio

De 1933 a 1945 Berlim foi o centro administrativo do extermínio e depois o alvo final da guerra: bombardeios sistemáticos a partir de 1943 e a batalha de rua de abril e maio de 1945 destruíram cerca de um terço das construções e deixaram centenas de milhares de apartamentos inabitáveis. A cidade foi dividida em quatro setores; o bloqueio de 1948–1949 e a construção do Muro em 1961 congelaram essa divisão por quase três décadas. Berlim Ocidental virou uma ilha subsidiada por Bonn, onde os moradores estavam dispensados do serviço militar: o que atraiu estudantes, artistas, objetores e ocupantes de imóveis, e formou a base cultural que a cidade ainda explora.

Fábricas vazias e aluguel baixo, depois de 1989

Depois de 9 de novembro de 1989 e da reunificação em 3 de outubro de 1990, o leste ficou cheio de fábricas paradas, subestações vazias e aluguéis baixíssimos: é a origem direta dos clubes em prédios industriais e das galerias em lojas abandonadas. O governo federal se mudou de Bonn entre 1994 e 1999. Desde 2010 o aluguel médio mais que dobrou e a habitação virou o assunto político central: um referendo de setembro de 2021 aprovou com 59% a desapropriação de grandes proprietárias, sem efeito prático até agora. A população passou de 3,9 milhões, o maior número desde o começo dos anos 1940.

O nome Cölln aparece em 1237, sete anos antes do de Berlim.

É fácil achar que se chegou ao último pátio de uma Mietskaserne, quando há mais dois.

Geografia e forma da cidade

O vale glacial e a água

Berlim está entre 34 e 122 m de altitude, dentro do Urstromtal berlinense, um vale de areia aberto pelo degelo glacial há cerca de 18 mil anos entre os platôs de Barnim, ao norte, e Teltow, ao sul. O Spree cruza a cidade de leste a oeste e desemboca no Havel, em Spandau; com lagos como o Müggelsee (7,4 km²) e o Wannsee, além de canais e braços mortos, a cidade soma mais de 180 km de vias navegáveis e cerca de 1.700 pontes.

Os pontos altos e os 891 km²

O ponto natural mais alto são os Müggelberge, com 115 m. O mais alto de todos, desde a medição de 2015, são os Arkenberge, colina de entulho de obra empilhado em Pankow a partir de 1984, com o topo a cerca de 122 m; o Teufelsberg, feito de entulho da guerra sobre uma escola militar nazista inacabada, chega a 120 m e vem logo depois. São 891 km², cerca de nove vezes Paris intramuros, e quase um terço da área é floresta, parque, lago ou campo.

Dois centros e os Kieze

A malha não tem centro único: a divisão de 1961–1989 consolidou dois centros funcionais (Mitte a leste, a Kurfürstendamm a oeste) e o restante se organiza em Kieze, quarteirões densos do fim do século XIX costurados pela Ringbahn, o anel ferroviário de 37 km cuja forma no mapa os berlinenses chamam de cabeça de cachorro.

Cultura

O techno nasceu nos porões

O techno é a exportação cultural mais reconhecível da cidade: nasceu nos porões e subestações vazias do leste logo depois de 1989, passou pela Love Parade (1989–2006, com mais de um milhão de pessoas no auge) e foi inscrito em março de 2024 na lista alemã de patrimônio cultural imaterial. O Berghain, aberto em 2004 numa antiga usina térmica, opera com seleção na porta, adesivo sobre a câmera do celular e sessões que atravessam o domingo. A regra é simples e vale em quase todo lugar: não se fotografa dentro do clube.

Museus: 170, quase todos públicos

A vida institucional é igualmente densa e quase toda pública. São cerca de 170 museus, três casas de ópera (Staatsoper Unter den Linden, Deutsche Oper e Komische Oper), a Filarmônica de Berlim na sala de Hans Scharoun de 1963, dezenas de teatros (Volksbühne, Schaubühne, Berliner Ensemble, fundado por Bertolt Brecht em 1949) e a Neue Nationalgalerie de Mies van der Rohe (1968), reaberta em 2021 após seis anos de reforma. Os estúdios de Babelsberg, em Potsdam, funcionam desde 1912 e são os mais antigos do mundo em operação.

Futebol: Hertha BSC (Charlottenburg) e Union Berlin (Köpenick)

No futebol, a cidade se divide entre o Hertha BSC, de Charlottenburg, no oeste, e o 1. FC Union Berlin, de Köpenick, no leste, cujo estádio An der Alten Försterei mantém arquibancadas de pé e reúne a torcida para cantar canções de Natal em dezembro. O Olympiastadion, de 1936, recebe a final da Copa da Alemanha todo mês de maio. A Maratona de Berlim, no fim de setembro, tem percurso plano e é onde a maior parte dos recordes mundiais recentes foi quebrada.

No Natal, a torcida do Union canta no estádio.

Festas e eventos

Interior do Berlinale Palast com escadas, passarelas de metal, paredes de vidro e luzes quentes, com pessoas ao fundo.
Berlinale Palast · 2007 · Martin Kraft · CC BY-SA 2.5

Berlinale

Fevereiro, cerca de onze dias. Festival de cinema criado em 1951 no setor ocidental, é o maior do mundo em bilheteria para o público comum: os ingressos vão à venda poucos dias antes e as sessões concorridas esgotam em minutos.

Dragão dourado de tecido conduzido por uma multidão em fantasias em uma avenida arborizada no Karneval der Kulturen de 2025, em Berlim.
Karneval der Kulturen 2025 · Lear 21 · CC BY-SA 4.0

Karneval der Kulturen

Fim de semana de Pentecostes, entre maio e junho. Desfile de rua em Kreuzberg desde 1996 com carros e grupos das comunidades imigrantes; reúne perto de um milhão de pessoas em quatro dias.

Multidão com bandeiras de arco-íris na avenida perto do Portão de Brandemburgo durante o Christopher Street Day de 2019, em Berlim.
Christopher Street Day, Berlim 2019 · Leonhard Lenz · CC0

Christopher Street Day

Fim de julho. A parada LGBT sai geralmente da Kurfürstendamm ou do Nollendorfplatz rumo ao Portão de Brandemburgo, com centenas de milhares de participantes; a semana anterior concentra festas e atos por toda a cidade.

Três corredores com números de peito passam por uma rua de Berlim na Maratona de Berlim de 2015.
Maratona de Berlim 2015 · Denis Barthel · CC BY-SA 4.0

Maratona de Berlim

Último fim de semana de setembro. Cerca de 50 mil corredores em percurso plano que termina no Portão de Brandemburgo; no sábado há a prova de patins. Grande parte do centro fecha ao trânsito no domingo.

Mercado de Natal Weihnachtszauber na Gendarmenmarkt, em Berlim, à noite, com árvore de Natal e barracas iluminadas diante do edifício.
Weihnachtszauber, Gendarmenmarkt · Andreas Trojak · CC BY 2.0

Mercados de Natal

Do fim de novembro até 26 ou 31 de dezembro. Cerca de 80 mercados espalhados pela cidade; o do Gendarmenmarkt cobra entrada simbólica, o de Spandau ocupa a cidade velha e o da Alexanderplatz tem pista de gelo.

Livros e filmes

“Berlin Alexanderplatz”, Alfred Döblin (1929)

O romance que fixou a fala e o ritmo da cidade operária de Weimar, seguindo Franz Biberkopf pelas ruas em torno da praça que dá nome ao livro.

“Asas do Desejo”, Wim Wenders (1987)

Berlim Ocidental filmada ainda dividida, com a faixa de morte e a Potsdamer Platz como terreno baldio; o filme registra uma paisagem que deixou de existir dois anos depois.

“Heroes”, David Bowie (1977)

Gravado no estúdio Hansa, a poucos metros do Muro, com Brian Eno e Tony Visconti. A faixa-título nasceu da vista da janela do estúdio e resume a Berlim isolada dos anos 1970.

Perguntas frequentes

Berlim: dá para fazer compras no domingo?

Não: supermercados e lojas fecham por lei aos domingos, salvo poucas datas autorizadas por ano, e abrem apenas Spätis, padarias, restaurantes e o comércio das estações e do aeroporto.

Berlim: como ir do aeroporto BER ao centro?

O trem Airport Express (FEX) liga o Hauptbahnhof ao terminal em torno de 30 minutos, duas vezes por hora. Os regionais RE7 e RB14 e as linhas S9 e S45 fazem o mesmo trajeto mais devagar.

Berlim: o cartão é aceito em toda parte?

Não: o cartão passa na maioria dos restaurantes e lojas, mas Spätis, muitos quiosques de comida, feiras de rua e quase todos os clubes trabalham só com dinheiro.

Berlim: como é o clima e quanto chove?

O clima é continental e o sol é escasso: são cerca de 1.600 horas de sol por ano e 570 mm de chuva bem distribuídos pelos doze meses, ou seja, chove um pouco quase sempre e nunca o bastante para virar assunto.

Berlim: posso atravessar no sinal vermelho?

Não: dá multa, ainda que pequena, e a reprovação é imediata, com olhar duro e, se houver criança perto, uma frase em voz alta.

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