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Eclusas de Miraflores
ccFoto: Ivo Kruusamägi · CC BY-SA 4.0

Panamá

Cidade do Panamá

Canal do Panamá, cidades antigas e floresta urbana

Ver o roteiro de 2 diasAbrir Cidade do Panamá no mapa

Dias2–3
Quandojan–abr · dez
Por pessoa/diaMédia de 55–110 USDPerfil médio · por pessoa/dia≈ R$ 285–570 · câmbio de 24 de set. de 2026

Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.

Como o guia chega a este número

Com um terceiro, vá à floresta de Gamboa e à baía. Não é cidade para andar o dia inteiro a pé nem para praia de cartão-postal, porque na maré baixa a orla vira lama, um banhado protegido onde param milhões de aves migratórias. Com um dia só, chegue a Miraflores às 8h30 para ver um navio subir 16,5 m, porque os trânsitos se concentram entre 9h e 11h e entre 15h e 17h, e fora dessas janelas o mirante mostra uma câmara vazia. Depois, almoce um ceviche de US$ 3–5 no Mercado de Mariscos e passe a tarde no Casco até o pôr do sol na Plaza de Francia. O skyline decepciona de perto: Punta Pacífica e Costa del Este são condomínios fechados, e a calçada termina no meio da quadra. A foto que vendeu a cidade é tirada do outro lado da baía.

2–3

Quando Meados de dezembro a meados de abril, a estação seca

Como o guia chega a este número

A Cidade do Panamá tem duas estações bem diferentes, mesmo sem inverno. A seca, chamada localmente de verano, vai de meados de dezembro a meados de abril, com sol quase todos os dias, ventos fortes do norte, mínimas de cerca de 24 °C, máximas de 31–33 °C e quase nenhuma chuva. É a alta temporada, com hotéis mais caros e o Carnaval no meio. A chuvosa, o invierno, vai de maio a meados de dezembro, com chuva quase todo dia, quase sempre em pancadas de uma a duas horas no fim da tarde. Por isso a manhã fica inteira utilizável, e dá para viajar nessa estação desde que os passeios fiquem para antes do almoço. A temperatura muda pouco no ano; o que muda é a umidade, acima de 80% na estação chuvosa. Evite outubro e novembro, se puder escolher, porque são os meses mais chuvosos e os alagamentos fecham ruas e atrasam o trânsito. Janeiro e fevereiro são os melhores, e em agosto costuma haver algumas semanas de trégua, o veranillo, que não é garantido.

Por pessoa/dia cerca de US$ 55–110 por pessoa; mochilão cerca de US$ 35, conforto médio cerca de US$ 140 (2026)

Como o guia chega a este número

Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.

O que o Nilo acha
Dê dois dias à Cidade do Panamá: um para as duas cidades velhas, Panamá Viejo e o Casco Antiguo, e outro para o canal em funcionamento. Com um terceiro, vá à floresta de Gamboa e à baía. Não é cidade para andar o dia inteiro a pé nem para praia de cartão-postal, porque na maré baixa a orla vira lama, um banhado protegido onde param milhões de aves migratórias. Com um dia só, chegue a Miraflores às 8h30 para ver um navio subir 16,5 m, porque os trânsitos se concentram entre 9h e 11h e entre 15h e 17h, e fora dessas janelas o mirante mostra uma câmara vazia. Depois, almoce um ceviche de US$ 3–5 no Mercado de Mariscos e passe a tarde no Casco até o pôr do sol na Plaza de Francia. O skyline decepciona de perto: Punta Pacífica e Costa del Este são condomínios fechados, e a calçada termina no meio da quadra. A foto que vendeu a cidade é tirada do outro lado da baía.

Na Cidade do Panamá, os navios fazem fila na baía para entrar no canal, e do terraço das eclusas de Miraflores dá para ver um cargueiro subir 16,5 m em dois degraus. A cidade vive há cinco séculos da passagem entre dois oceanos. Foi fundada em 1519 para escoar a prata do Peru, arrasada pelo corsário Henry Morgan em 1671 e refundada dois anos depois no atual Casco Antiguo. Percorra as duas cidades antigas, as ruínas de Panamá Viejo e as praças e igrejas do Casco. É também a única capital do continente com floresta tropical dentro do perímetro urbano, e o Cerro Ancón, coberto de mata, se sobe a pé em cerca de 30 minutos. Coma um copo de ceviche no Mercado de Mariscos e sancocho de gallina numa fonda de Calidonia. Venha entre meados de dezembro e meados de abril, na estação seca, e dê dois dias à cidade, ou três para a floresta de Gamboa.

Ficha rápida

População
cerca de 1,1 mi no distrito de Panamá; cerca de 2,1 mi na área metropolitana com San Miguelito, Arraiján e La Chorrera (2026)
Fundação
15 de agosto de 1519 em Panamá Viejo; refundada no Casco Antiguo em 1673
País e região
Panamá, província de Panamá, istmo centro-americano
Idioma
Espanhol; crioulo inglês antilhano em Río Abajo e Colón; inglês corrente na área bancária
Moeda
Balboa (PAB), atrelado 1:1 ao dólar; circulam notas de dólar dos EUA e moedas de balboa
Fuso
UTC−5 o ano inteiro, sem horário de verão (mesmo horário de Nova York no inverno do norte)
Melhor época
Meados de dezembro a meados de abril, a estação seca
Custo médio por dia
cerca de US$ 55–110 por pessoa; mochilão cerca de US$ 35, conforto médio cerca de US$ 140 (2026)

Quando ir

Meados de dezembro a meados de abril, a estação seca

hojehojehojehojehojehojehojehojehojehojehojehojejanfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdezJFMAMJJASOND
melhor épocaNenhuma estação perto daqui mediu temperatura e chuva por tempo suficiente para uma média confiável. Os meses destacados são a época que o guia recomenda.

O que muda ao longo do ano

A Cidade do Panamá tem duas estações bem diferentes, mesmo sem inverno. A seca, chamada localmente de verano, vai de meados de dezembro a meados de abril, com sol quase todos os dias, ventos fortes do norte, mínimas de cerca de 24 °C, máximas de 31–33 °C e quase nenhuma chuva. É a alta temporada, com hotéis mais caros e o Carnaval no meio. A chuvosa, o invierno, vai de maio a meados de dezembro, com chuva quase todo dia, quase sempre em pancadas de uma a duas horas no fim da tarde. Por isso a manhã fica inteira utilizável, e dá para viajar nessa estação desde que os passeios fiquem para antes do almoço. A temperatura muda pouco no ano; o que muda é a umidade, acima de 80% na estação chuvosa. Evite outubro e novembro, se puder escolher, porque são os meses mais chuvosos e os alagamentos fecham ruas e atrasam o trânsito. Janeiro e fevereiro são os melhores, e em agosto costuma haver algumas semanas de trégua, o veranillo, que não é garantido.

Dicas do Nilo

Em Miraflores, chegue às 8h30 para ver os navios

Os trânsitos em Miraflores se concentram, aproximadamente, entre 9h e 11h e entre 15h e 17h. Esteja no terraço às 8h30 e fique até ver um navio subir os 16,5 m em dois degraus. Em 2026, não residentes pagam cerca de US$ 17, e residentes, cerca de US$ 3, pelo mesmo ingresso a qualquer hora.

Metrô só com cartão, de cerca de US$ 2

Nenhuma estação de metrô aceita dinheiro, então compre o cartão recarregável Metro/Metrobús, de cerca de US$ 2, na máquina da própria estação. A viagem custa US$ 0,35 na Linha 1 e US$ 0,50 na Linha 2, e o mesmo cartão vale nos ônibus vermelhos do Metrobús, por cerca de US$ 0,25 nas rotas comuns. O melhor lugar para resolver isso é Albrook, onde a estação, a Gran Terminal de Transporte, o aeroporto doméstico e o shopping ficam na mesma quadra.

Combine o preço do táxi antes de entrar

Como o táxi de rua cobra por zona, sem taxímetro, acerte o valor pela janela antes de abrir a porta. De Tocumen ao Casco, o táxi oficial fica em cerca de US$ 30–40, e Uber ou InDrive saem de 30% a 50% mais baratos, no ponto de embarque sinalizado. Se o motorista parar para pegar outro passageiro no meio do trajeto, não estranhe: a carona compartilhada é normal e não muda o preço combinado.

Coma o ceviche do Mercado de Mariscos até às 14h

O mercado trabalha de manhã até o começo da tarde, e depois das 14h resta pouco peixe. No Mercado de Mariscos, na Avenida Balboa, o copo de ceviche de corvina custa cerca de US$ 3–5 e se come em pé no balcão, com biscoito soda. Leve notas pequenas, porque ali não se passa cartão e as de 50 ou 100 são recusadas.

Pegue o trem para Colón só em dia útil, com partida única

Para Colón, o trem sai uma vez só, de manhã cedo e apenas de segunda a sexta, por cerca de US$ 25. No fim de semana, vá de carro pela transístmica. Confirme antes se há venda avulsa, porque o trem já rodou fechado para excursões de cruzeiro. Do lado caribenho, combine a viagem com as eclusas de Agua Clara, com entrada de cerca de US$ 10, e com as fortificações de Portobelo no mesmo dia.

Passeios antes do meio-dia, bares só depois das 22h

Na estação chuvosa, de maio a meados de dezembro, a chuva cai em pancadas no fim da tarde. Deixe Panamá Viejo, a Calzada de Amador e a subida de cerca de 30 minutos ao Cerro Ancón para antes do meio-dia. Para Gamboa e a Pipeline Road, saia às 6h30, porque as aves somem quando o calor sobe. À noite, não tenha pressa, porque os bares e rooftops do Casco e da Calle Uruguay só enchem depois das 22h.

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O que ver

Cidade do Panamá: A planície costeira e o istmo deitado

A Cidade do Panamá é uma linha de 30 km ao longo de uma baía rasa do Pacífico, onde a maré chega a 5 ou 6 m de amplitude e, na baixa, descobre quilômetros de lama, os banhados onde param milhões de aves migratórias. Nessa costa ficam as duas cidades antigas: Panamá Viejo, de 1519, e, oito quilômetros a sudoeste, o Casco Antiguo, refundado em 1673 numa península murada e Patrimônio Mundial desde 1997.

Torre de pedra da catedral em ruínas de Panamá Viejo, com as paredes da nave ao lado, sob céu azul.
Panamá Viejo

Panamá Viejo

EssencialPanamá

As ruínas da cidade de 1519, oito quilômetros a leste do centro, sobre a costa. A torre da catedral, de cerca de 1626, pode ser subida por escada e dá a vista dos arranha-céus por cima da mata; o museu de sítio explica a rota da prata.

As ruínas de 1519 ficam oito quilômetros a leste, a torre de cerca de 1626 mostra os arranha-céus por cima da mata, e o museu de sítio explica a rota da prata; dá para subir pela escada da catedral.

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Prédio principal das eclusas de Miraflores, no canal do Panamá: um edifício comprido e baixo, de paredes claras e telhado escuro de duas águas, com um brasão no centro da fachada.
Eclusas de Miraflores

Eclusas de Miraflores

Essencial

Centro de visitantes com terraço sobre a câmara, onde os navios sobem ou descem 16,5 m em dois degraus. Entrada de cerca de US$ 17 para não residentes e cerca de US$ 3 para residentes (2026); os trânsitos se concentram de manhã e no fim da tarde.

Do terraço sobre a câmara se vê o navio vencer 16,5 m em dois degraus, a entrada fica cerca de US$ 17 para não residentes e cerca de US$ 3 para residentes, em 2026, e os trânsitos se apertam de manhã e no fim da tarde.

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Altar de Oro, retábulo de madeira dourada da Iglesia de San José, na Cidade do Panamá.
Altar de Oro, na Iglesia de San José

Iglesia de San José e o Altar de Oro

Vale a visitaPanamá · Até meia hora

Altar barroco de madeira folheada a ouro, trazido da cidade velha após 1671. A tradição local conta que um frade o pintou de preto para escondê-lo de Morgan, e o barco em que foi levado passou pelo saque sem ser tocado.

O altar foi trazido da cidade velha após 1671.

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A fachada do Museu do Canal Interoceânico é branca, com janelas verdes, arcos no térreo e telhado de telha.
Museu do Canal Interoceânico

Museu do Canal Interoceânico

Vale a visitaAté meia hora

Na Plaza de la Independencia, no prédio de 1875 que foi o Grand Hotel e depois sede da companhia francesa. Cobre a ferrovia de 1855, o fracasso de Lesseps, a separação de 1903, os trabalhadores antilhanos e a transferência de 1999.

O museu cobre o fracasso de Lesseps no canal.

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A Calzada de Amador, vista do alto, liga as ilhas por uma estrada, com marinas e água azul em volta.
Calzada de Amador

Calzada de Amador

Vale a visitaCidade do Panamá

Dique de cerca de 6 km construído com a rocha escavada do Corte Culebra, ligando o continente às ilhas Naos, Perico, Culebra e Flamenco. É a caminhada e a pedalada mais óbvia da cidade, com o skyline de um lado e a fila de navios do outro.

O dique de cerca de 6 km, feito com a rocha escavada do Corte Culebra, é a caminhada e a pedalada mais óbvia da cidade.

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A bandeira do Panamá hasteada acima de um morro verde, com telhados vermelhos no primeiro plano.
Cerro Ancón

Cerro Ancón

Vale a visitaAté meia hora

Colina de 199 m coberta de mata, com uma bandeira nacional gigante no topo. O morro foi uma das primeiras áreas da Zona do Canal devolvidas ao Panamá quando os tratados Torrijos-Carter entraram em vigor, e a bandeira tremula ali desde esse dia, 1º de outubro de 1979. A subida leva cerca de 30 minutos a pé e costuma render preguiças, tucanos e micos de cheiro.

A colina de 199 m, de mata, tem a bandeira gigante no alto desde 1º de outubro de 1979, quando os tratados Torrijos-Carter devolveram o morro, e a subida leva cerca de 30 minutos; costuma render preguiças, tucanos e micos de cheiro.

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Prédio branco de telhado azul do Mercado de Mariscos da Cidade do Panamá, com o nome na fachada e as bandeiras do Panamá e do Japão no frontão, uma passarela de pedestres à esquerda e carros e um táxi amarelo na avenida em primeiro plano, sob céu carregado.
O Mercado de Mariscos

Mercado de Mariscos e Cinta Costera

Vale a visita

Mercado de peixe da Avenida Balboa, onde se come um copo de ceviche de corvina por cerca de US$ 3–5 em pé, de manhã até o começo da tarde. Ao lado corre a Cinta Costera, aterro de cerca de 26 ha com ciclovia, academia ao ar livre e a vista da baía, inaugurado em fases a partir de 2009.

No mercado toma-se ceviche de corvina por cerca de US$ 3 a 5, em pé, da manhã até o começo da tarde, e a Cinta Costera, aterro de cerca de 26 ha com ciclovia, academia e a vista da baía, segue junto; foi inaugurada em fases a partir de 2009.

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Biomuseo, na Cidade do Panamá, com as coberturas de metal coloridas e dobradas sobre a estrutura.
Biomuseo

Biomuseo

Se sobrar tempoCidade do Panamá · Até meia hora

Único projeto de Frank Gehry na América Latina, aberto em 2014 na entrada da Calzada de Amador, com telhado de chapas dobradas em vermelho, amarelo e azul. As oito galerias contam como o istmo se fechou há cerca de 3 milhões de anos e provocou o Grande Intercâmbio Americano de espécies.

Numa cidade que vive há cinco séculos de cobrar pela passagem entre dois oceanos, a sala que explica isso é o Museu do Canal Interoceânico, no Grand Hotel de 1875. O Biomuseo conta o outro istmo, o geológico de cerca de 3 milhões de anos, e o telhado de Gehry, de 2014, já cai no seu caminho: ele fica na entrada da Calzada de Amador. Com dois museus e três dias, comece pelo canal.

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O roteiro do Nilo

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  1. Dia 1 · As duas cidades velhas

    1. Chegue a Panamá Viejo às 8h30, antes do calor, suba a torre da catedral de cerca de 1626 e reserve uma hora para o museu de sítio e a maquete da rota da prata.

    2. Almoce em uma fonda de Calidonia: sancocho de gallina ou ropa vieja com patacones, US$ 4–7.

    3. Comece o Casco Antiguo às 15h pela Plaza de la Independencia, entre na Catedral Santa María la Antigua e siga até a Iglesia de San José para ver o Altar de Oro.

    4. Feche a tarde no Museu do Canal Interoceânico, que explica de uma vez a ferrovia de 1855, o fracasso francês e a transferência de 1999.

    5. Veja o pôr do sol na Plaza de Francia e no passeio das Bóvedas, jante no Casco e, se quiser a vista do skyline, suba a um rooftop depois das 22h, quando eles enchem.

  2. Dia 2 · O canal em funcionamento

    1. Esteja nas eclusas de Miraflores às 8h30 e fique no terraço até ver ao menos um trânsito completo, com o navio subindo 16,5 m em dois degraus.

    2. Suba o Cerro Ancón a pé, cerca de 30 minutos até o mirante da bandeira, ou troque por uma trilha curta no Parque Natural Metropolitano.

    3. Almoce em Balboa ou na Ciudad del Saber, a antiga base de Fort Clayton convertida em campus em 1999.

    4. Visite o Biomuseo de Frank Gehry às 15h, com as galerias sobre o fechamento do istmo há cerca de 3 milhões de anos.

    5. Alugue bicicleta e percorra os 6 km da Calzada de Amador até o pôr do sol, com o skyline de um lado e a fila de navios do outro.

Se ficar mais

  1. Dia 3 · Floresta, baía e bairro

    1. Saia às 6h30 para Gamboa e a Pipeline Road, no Parque Nacional Soberanía, a 45 minutos do centro, com mais de 400 espécies de aves registradas.

    2. Volte pela margem do Lago Gatún e pare para ver a entrada do Corte Culebra a partir da estrada.

    3. Almoce um copo de ceviche de corvina no Mercado de Mariscos, na Avenida Balboa, por cerca de US$ 3–5, de preferência antes das 14h.

    4. Percorra a Cinta Costera a pé ou de bicicleta até a Avenida Balboa, com a maré baixa expondo os bancos de lama da baía.

    5. Termine em El Cangrejo, na Vía Argentina, ou na Calle Uruguay, lembrando que a noite panamenha só começa depois das 22h.

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Comida

Ilustração com IA

Sancocho de gallina

Caldo de galinha caipira com ñame, milho e muito culantro: a erva de folha larga, não o coentro. É o prato nacional e se come a qualquer hora, inclusive de madrugada, com arroz branco à parte.

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Hojaldra e tortilla de maíz

O café da manhã: a hojaldra é uma massa frita achatada e a tortilla panamenha é um disco grosso de milho frito, nada parecido com a mexicana. Vêm com bisteque encebollado, ovo ou queijo branco, por cerca de US$ 2–4.

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Carimañola

Bolinho alongado de yuca cozida e amassada, recheado de carne moída temperada e frito. Vendido em qualquer fonda de manhã por cerca de US$ 1, ao lado das empanadas de milho.

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Ceviche de corvina

Corvina em suco de limão com cebola roxa e aji chombo, servido em copo plástico com biscoito soda. O ponto clássico é o Mercado de Mariscos, mas há barracas espalhadas pela cidade.

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Ropa vieja e arroz con pollo

O almoço de fonda: carne desfiada em molho de tomate ou arroz amarelo com frango, acompanhado de porotos, salada e patacones. Prato completo com sopa por US$ 4–7.

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Raspao

Gelo raspado à mão no carrinho da esquina, com xarope de frutas e leite condensado por cima. Custa cerca de US$ 1 e é a única sobremesa que a cidade vende na rua o ano inteiro.

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Chicheme e chichas

O chicheme é milho cozido com leite, canela e baunilha, bebido gelado e quase mastigável; as chichas são sucos de maracujá, tamarindo ou saril. A destilada nacional é o seco herrerano, de cana, que se bebe com leite ou com água de coco.

Ilustração com IA

Comida afro-antilhana

Herança dos trabalhadores de Barbados, Jamaica e Martinica que construíram o canal: saus (pé de porco em conserva com pepino e aji), fufú, bacalao com plátano e as plantain tarts. Encontra-se em Río Abajo, em Calidonia e nas quermesses de igreja.

Bate-voltas

Praia e casas coloridas na encosta da Ilha Taboga, vistas da água, com um barco branco de remos em primeiro plano e mata ao fundo.
Ilha Taboga, vista da praia · Ayaita · CC BY 3.0

Ilha Taboga

20 km ao largo, ferry de 30 a 45 minutos saindo da Isla Perico, na Calzada de Amador, por cerca de US$ 20–25 ida e volta. Povoado fundado em 1524, ruas sem carro, praia de água calma e uma trilha de uma hora até o Cerro de la Cruz; a ilha vizinha, Urabá, abriga uma das maiores colônias de pelicanos-pardos do Pacífico.

Muralha de pedra coberta de musgo, guarita e um canhão nas ruínas de Portobelo, com dois veleiros ancorados na baía e colinas de mata ao fundo.
Portobelo, ruínas e baía · en:User:Tedder · CC BY 3.0

Portobelo e as eclusas de Agua Clara

Portobelo fica a cerca de 100 km, a 1h30 a 2h de estrada pela transístmica, do lado caribenho. A cidade reúne fortificações espanholas dos séculos XVII e XVIII, Patrimônio Mundial e em lista de perigo desde 2012, e a igreja do Cristo Negro, cuja festa é em 21 de outubro. No caminho, perto de Colón, dá para parar nas eclusas neopanamax de Agua Clara, com entrada de cerca de US$ 10.

Vista do alto sobre a floresta tropical de Gamboa, com um rio largo entre morros cobertos de mata e nuvens no céu.
Gamboa, floresta e rio · Javier Losa · CC BY 2.0

Gamboa e o Parque Nacional Soberanía

40 km e cerca de 45 minutos, no meio do canal. A Pipeline Road é uma das trilhas de observação de aves mais conhecidas do mundo; há passeios de barco pelo Lago Gatún até as ilhas de macacos e a estação de pesquisa do Smithsonian em Barro Colorado, visitável só com reserva antecipada.

Por onde começar

Floresta, baía e bairro

Floresta, baía e bairro

Saia às 6h30 para Gamboa e a Pipeline Road, no Parque Nacional Soberanía, a 45 minutos do centro, com mais de 400 espécies de aves registradas.

Dinheiro

O dólar dos Estados Unidos circula como moeda corrente desde 1904, e quem chega com dólares não precisa de casa de câmbio. O balboa está atrelado 1:1 e só existe em moedas, do mesmo tamanho e peso das americanas, que se misturam no troco sem que ninguém repare. Faixas de 2026, aproximadas: café em fonda US$ 1–2 e em cafeteria de especialidade US$ 3–4,50; almoço completo de fonda US$ 4–7; jantar em restaurante médio US$ 15–30 por pessoa; coquetel em rooftop do Casco US$ 9–15; cerveja Balboa ou Atlas em bar de bairro US$ 1,50–2,50; metrô US$ 0,35–0,50; corrida urbana de app US$ 4–8; hostel US$ 15–25 e hotel médio US$ 70–140 a diária. O cartão é aceito em quase todo o comércio formal, mas fondas, táxis, feiras e carrinhos aceitam só dinheiro. Ande com notas de 1, 5 e 10, porque as de 50 e 100 são recusadas em quase todo lugar por medo de falsificação. O ITBMS de 7% costuma vir embutido no preço, e os hotéis somam 10% de imposto de hospedagem. Muitos restaurantes já lançam 10% de “servicio” na conta, então confira antes de deixar mais gorjeta; em táxi, não se espera gorjeta.

Como chegar e se locomover

A Calzada de Amador, vista do alto, liga as ilhas por uma estrada, com marinas e água azul em volta.
Calzada de Amador

Tocumen, o maior entroncamento da América Central

O aeroporto internacional de Tocumen (PTY) fica cerca de 24 km a leste do centro e é o maior hub da América Central, base da Copa Airlines, com dois terminais desde a abertura do T2 em 2022. Táxi oficial até Bella Vista ou o Casco custa cerca de US$ 30–40 por tarifa de zona, acertada antes de entrar. Uber e InDrive também atendem o aeroporto, embarcando no ponto sinalizado do terminal. A Linha 2 do metrô tem um ramal até o aeroporto: confirme na chegada se está operando na sua data. Há também ônibus pelo Corredor Sur, barato e lento, que vale a pena só se não houver pressa. Voos domésticos e para Guna Yala saem do aeroporto de Albrook (PAC), colado à cidade, ao lado da Gran Terminal de Transporte e do Albrook Mall.

Metrô com cartão, táxi por zona e o trem para Colón

O metrô é o transporte mais previsível da cidade. A Linha 1, aberta em 5 de abril de 2014, foi a primeira da América Central e corre no sentido norte-sul, de Albrook a Villa Zaita; a Linha 2, de 2019, corre para leste até Nuevo Tocumen. A Linha 3, um monotrilho para Panamá Oeste, está em obras com previsão para cerca de 2028. O pagamento é só por cartão Metro/Metrobús, comprado nas máquinas das estações, porque nenhuma catraca aceita dinheiro, e o mesmo cartão vale nos ônibus vermelhos do Metrobús. Os “diablos rojos”, os ônibus antigos pintados à mão, foram retirados da capital por volta de 2010–2011 e sobrevivem na periferia. Os táxis de rua não têm taxímetro e cobram por zonas, com o preço combinado pela janela antes de entrar. A carona compartilhada com desconhecidos é normal, e quem não sabe disso pode achar que o motorista errou o caminho quando ele só foi buscar outro passageiro. O trânsito trava das 7h às 9h e das 16h às 19h. A cidade é caminhável em manchas (Casco, Amador, Cinta Costera, El Cangrejo) e desconfortável a pé no resto, por calçadas interrompidas, calor e chuva. Há aluguel de bicicleta na Calzada de Amador. O Panama Canal Railway liga a capital a Colón em cerca de 1 hora, com uma só partida de manhã cedo em dias úteis, por cerca de US$ 25 o trecho.

Segurança

A fachada de um prédio colonial em amarelo, com molduras brancas ornamentadas, arcadas no andar de baixo e telhado vermelho, numa rua sombreada por uma grande árvore, sob céu claro.
Casco Antiguo

Na Cidade do Panamá o risco é previsível, por endereço e horário, e o que costuma atingir o visitante é o roubo de rua; a violência contra turista é rara. O núcleo turístico do Casco Antiguo é patrulhado, inclusive por policiais de turismo, e caminhável até tarde. As ruas que descem para oeste, em direção a El Chorrillo, mudam de caráter em um quarteirão, e não se atravessam a pé, nem de dia. Depois do anoitecer, evite Curundú, El Chorrillo, trechos de Santa Ana e do Marañón e o entorno da Terminal de Albrook. San Miguelito e Río Abajo pedem companhia local à noite. Os golpes comuns são o táxi que “não tem troco” ou cobra tarifa de estrangeiro, o guia falso que aborda na entrada de Panamá Viejo e a conta inflada em bar de rooftop sem cardápio à vista. Peça o cardápio impresso e confira o “servicio”. Não exiba o celular na Avenida Central nem na saída do metrô em hora de pico, e não deixe nada visível em carro alugado. À noite, chamar Uber ou InDrive custa poucos dólares e resolve quase tudo. A água de torneira é potável na capital, ao contrário de Bocas del Toro, e o número de emergência é o 911.

Dicas de etiqueta

Torre de pedra da catedral em ruínas de Panamá Viejo, com as paredes da nave ao lado, sob céu azul.
Panamá Viejo

Cumprimente antes de pedir

Diga “buenas” ao entrar em loja, elevador, ônibus, consultório ou sala de espera, e “permiso” para passar por alguém. Ir direto ao pedido sem cumprimentar é lido como grosseria, não como eficiência.

Trate por “usted”

O tratamento formal é padrão com desconhecidos de qualquer idade, inclusive entre jovens, e só muda quando a outra pessoa muda primeiro. Em ambiente de trabalho, use o título (licenciado, ingeniero, doctora) se alguém for apresentado assim.

Combine o preço do táxi pela janela

Táxis de rua não têm taxímetro e a tarifa é por zonas. Pergunte “¿cuánto es la carrera hasta…?” antes de abrir a porta; entrar primeiro e perguntar depois é o caminho mais rápido para pagar o dobro.

Vista-se para o ar-condicionado

Escritórios, restaurantes, ônibus e o metrô ficam entre 18 e 20 °C, contra 32 °C na rua. Leve uma camada extra mesmo em dia de sol, e note que regata e chinelo, comuns na rua, são mal recebidos em repartições, bancos e igrejas.

Canal: 6% do PIB e símbolo de soberania desde 1999

O canal responde por cerca de 6% do PIB e é símbolo da soberania nacional desde 1999. Brincadeiras sobre “o canal dos americanos” ou sobre quem deveria controlá-lo caem muito mal, mesmo entre pessoas que discordam entre si.

Peça antes de fotografar pessoas

Em Panamá Viejo, no Casco e em bairros populares, fotografar moradores, crianças ou vendedoras guna sem perguntar é considerado ofensivo. Com artesãs guna, a foto costuma ser negociada junto com a compra de uma mola.

Erros a evitar

Navio em Miraflores a qualquer hora

Achar que dá para ver um navio a qualquer hora em Miraflores. Os trânsitos se concentram aproximadamente entre 9h e 11h e entre 15h e 17h. Chegar ao meio-dia custa o mesmo preço por uma câmara vazia e um terraço de sol a pino.

As ruínas de 1519 e a cidade de 1673

Confundir Panamá Viejo com o Casco Antiguo. São dois sítios distintos, separados por oito quilômetros, com as ruínas de 1519 a leste e a cidade murada de 1673 a sudoeste, então confira qual dos dois está no passeio antes de reservar.

Escolher hotel pelo skyline

Escolher o hotel só pelo skyline: os prédios mais fotogênicos ficam sem calçada. Quem quer sair a pé se hospeda no Casco, em El Cangrejo ou em Bella Vista.

A pé do centro ao Casco à noite

Ir a pé do centro ao Casco pela beira à noite. O trajeto passa pelas bordas de Santa Ana e El Chorrillo, e a mudança de ambiente acontece em um quarteirão; de app custa US$ 4 a US$ 6.

Só notas grandes, sem cartão de metrô

Chegar só com notas grandes e sem cartão de metrô. Notas de 50 e 100 são recusadas em fondas, táxis e mercados, e nenhuma estação de metrô aceita dinheiro na catraca. O cartão custa cerca de US$ 2 nas máquinas das estações, e vale comprá-lo antes de precisar dele.

Frases úteis

¿Qué xopá?

E aí? Gíria panamenha formada invertendo as sílabas de “qué pasó”, usada entre conhecidos

Buenas

Oi / bom dia: cumprimento neutro a qualquer hora, dito ao entrar em qualquer lugar

¿Cuánto es la carrera hasta…?

Quanto custa a corrida até…? A pergunta obrigatória antes de entrar em um táxi de rua

Chuleta

Caramba: interjeição de surpresa ou susto, literalmente “costeleta”

Vaina

Coisa, treco, situação: serve para qualquer objeto ou problema cujo nome não venha à cabeça

Ahorita

Daqui a pouco: pode significar cinco minutos, três horas ou nunca, e ninguém considera isso contraditório

Bairros

A fachada de um prédio colonial em amarelo, com molduras brancas ornamentadas, arcadas no andar de baixo e telhado vermelho, numa rua sombreada por uma grande árvore, sob céu claro.
Casco Antiguo

Casco Antiguo (San Felipe)

A cidade de 1673, Patrimônio Mundial desde 1997, em cerca de quinze quarteirões caminháveis de casarões de balcão de ferro. Restaurada desde os anos 2000: hotéis-boutique, rooftops, o Teatro Nacional de 1908 e o palácio presidencial, com gentrificação e moradores antigos ainda no meio.

Calidonia e Santa Ana

Comércio popular denso entre o Casco e a área bancária, com a Avenida Central em trecho de pedestres, lojas de eletrônicos e roupa barata. Muito movimento de dia, esvaziamento à noite.

Bella Vista, Marbella e El Cangrejo

O eixo de restaurantes, bares e hotéis médios, entre a Vía España, a Vía Argentina e a Calle Uruguay. El Cangrejo tem ruas com nome de país, boa densidade de fondas e cafés, e é a melhor base para quem quer andar a pé fora do Casco.

Obarrio e área bancária

Torres de escritórios ao longo da Calle 50 e da Vía España, com dezenas de bancos internacionais. Almoço executivo lotado ao meio-dia e ruas vazias no fim de semana.

Punta Paitilla, Punta Pacífica e Costa del Este

Arranha-céus residenciais sobre aterro, com os prédios que formam a silhueta dos cartões-postais. Bonito de longe, hostil a pé: calçadas interrompidas, condomínios fechados e tudo resolvido de carro.

A Calzada de Amador, vista do alto, liga as ilhas por uma estrada, com marinas e água azul em volta.
Calzada de Amador

Amador, Ancón e Balboa

A antiga Zona do Canal, com casas baixas de madeira, gramados, ruas arborizadas e escala de subúrbio americano dos anos 1920. Concentra o Biomuseo, a Calzada de Amador, o Instituto Smithsonian e a administração do canal.

San Francisco e Parque Omar

Bairro de classe média com o parque urbano mais usado da cidade, cerca de 55 ha de gramado e pistas de corrida. Feiras, escolas e restaurantes de bairro.

Río Abajo e El Chorrillo

Bairros populares de raiz operária ligada ao canal. Río Abajo guarda a herança afro-antilhana em igrejas e comida; El Chorrillo, ao lado do Casco, foi arrasado na invasão de 1989 e reconstruído em blocos habitacionais.

História

1519 · Fundação no Pacífico

Pedro Arias Dávila funda Nuestra Señora de la Asunción de Panamá em 15 de agosto. É a primeira cidade europeia permanente na costa americana do Pacífico.

1533–1670 · A rota da prata

Com a conquista do Peru, o metal do sul começa a cruzar o istmo, e depois de 1545 é a prata de Potosí que chega por mar e atravessa em lombo de mula pelo Camino Real e pelo Camino de Cruces até as feiras de Portobelo. A cidade não produz nada; a renda dela vem das taxas cobradas sobre essa passagem.

1671 · O saque de Morgan

Henry Morgan sobe o rio Chagres com cerca de 1.400 homens e toma a cidade em 28 de janeiro. O incêndio a consome e as ruínas viram o sítio de Panamá Viejo.

1673 · Refundação murada

A coroa reconstrói a cidade oito quilômetros a sudoeste, numa península estreita e defensável, cercada de muralhas. É o atual Casco Antiguo, ou bairro de San Felipe.

1739–1821 · Declínio e independência

O istmo passa do Vice-Reino do Peru ao de Nova Granada e empobrece quando os galeões passam a contornar o Cabo Horn. Em 28 de novembro de 1821 o Panamá se separa da Espanha e adere à Grã-Colômbia.

1855 · A ferrovia interoceânica

A Panama Railroad, 76 km entre Colón e a capital, é concluída para atender a corrida do ouro da Califórnia. É a primeira ferrovia do mundo a ligar dois oceanos, construída a custo humano altíssimo.

1881–1889 · O fracasso francês

Ferdinand de Lesseps tenta um canal ao nível do mar. Febre amarela, malária e deslizamentos no Corte Culebra matam cerca de 22 mil trabalhadores e a companhia quebra em 1889.

1903 · Separação da Colômbia

Em 3 de novembro o Panamá se separa com apoio naval americano. O tratado Hay–Bunau-Varilla, de 18 de novembro, entrega aos EUA uma faixa de 16 km de largura “a perpetuidade”.

1914 · O canal abre

Em 15 de agosto o vapor Ancon faz o primeiro trânsito oficial. A campanha sanitária de William Gorgas eliminara a febre amarela da cidade em 1905.

Página de um álbum-postal mostra as eclusas de Pedro Miguel, no Canal do Panamá, com um navio dentro da câmara, muros de contenção e colinas ao fundo, emoldurada por ilustração decorativa.
As eclusas de Pedro Miguel, no Canal do Panamá, 1915 · Internet Archive Book Images

1964 e 1989 · Mártires e invasão

Em 9 de janeiro de 1964, o conflito da bandeira na Zona do Canal mata 21 panamenhos. Em 20 de dezembro de 1989 a invasão americana derruba Manuel Noriega e arrasa o bairro de El Chorrillo.

Três figuras de bronze sobem um mastro com a bandeira do Panamá, sobre uma base branca, entre palmeiras.
O monumento aos mártires de 9 de janeiro · Fermín Santana

1999 e 2016 · Canal panamenho e ampliação

Em 31 de dezembro de 1999 o canal e a antiga Zona passam ao Panamá pelos tratados Torrijos-Carter de 1977. Em 26 de junho de 2016 abrem as eclusas neopanamax de Cocolí e Agua Clara.

As bacias das eclusas, com telhados azuis, um navio à direita e morros ao fundo.Ilustração com IA
As eclusas de Agua Clara
História completa

A fundação de 1519 e a rota da prata do Peru

A cidade nasceu como ponto de transbordo entre os dois oceanos. Pedro Arias Dávila, o Pedrarias, fundou Nuestra Señora de la Asunción de Panamá em 15 de agosto de 1519, numa praia rasa do Pacífico escolhida menos pela qualidade do porto e mais pela largura mínima do istmo. Depois da conquista do Peru, em 1533, o metal do sul passou a desembarcar ali, e a partir de 1545, quando se descobriu a prata de Potosí, a carga cresceu: atravessava 80 km de mata em lombo de mula pelo Camino Real, ou por rio e trilha pelo Camino de Cruces, e reembarcava em Portobelo e Nombre de Dios rumo a Sevilha. A cidade chegou a cerca de 5 mil habitantes e a um bispado, e a fama de riqueza atraiu os corsários.

Morgan cruzou o istmo em 1671

Em janeiro de 1671, Henry Morgan cruzou o istmo pelo rio Chagres com cerca de 1.400 homens e tomou a cidade. Ela queimou, e até hoje se discute se o incêndio foi ateado pelos invasores ou pelos próprios defensores ao explodir os paióis. As ruínas ficaram de pé sobre a costa e são o sítio arqueológico de Panamá Viejo. Em 1673 a coroa refundou tudo oito quilômetros a sudoeste, numa península fácil de murar, com traçado em grade e baluartes: o Casco Antiguo. Depois de 1739, com o istmo transferido ao Vice-Reino de Nova Granada e o comércio espanhol desviado para o Cabo Horn, a cidade encolheu por quase um século.

A Ferrovia do Panamá, 76 km entre 1850 e 1855

A geografia voltou a valer com a corrida do ouro da Califórnia. Entre 1850 e 1855, empreiteiros americanos construíram a Panama Railroad, 76 km de trilho entre Colón e a capital, com mortalidade brutal entre trabalhadores chineses, irlandeses e antilhanos; foi a primeira ferrovia a ligar dois oceanos. O sucesso do atalho atraiu Ferdinand de Lesseps, que havia aberto Suez, e em 1881 começou a escavação de um canal ao nível do mar. O projeto fracassou: a febre amarela, a malária e os deslizamentos do Corte Culebra mataram cerca de 22 mil pessoas, e a falência de 1889 virou o maior escândalo financeiro da Terceira República francesa.

Os americanos compraram os ativos franceses

Os Estados Unidos compraram os ativos franceses e, quando o senado colombiano recusou o tratado, apoiaram a separação panamenha de 3 de novembro de 1903. O Hay–Bunau-Varilla, assinado duas semanas depois por um engenheiro francês em nome do país recém-criado, cedeu uma faixa de 16 km “a perpetuidade”. As obras recomeçaram em 1904, agora com um canal de eclusas e o lago artificial de Gatún, e com a campanha de William Gorgas contra o mosquito; o canal abriu em 15 de agosto de 1914, três semanas depois do início da Primeira Guerra. Dezenas de milhares de trabalhadores vieram de Barbados, Jamaica e Martinica e ficaram: é a origem da comunidade afro-antilhana de Río Abajo, do crioulo inglês que ainda se ouve e de boa parte da cozinha e da música da cidade.

A Zona do Canal, dos mártires de 1964 à devolução em 1999

O século XX panamenho girou em torno da Zona do Canal, um território estrangeiro que cortava a capital ao meio. Em 9 de janeiro de 1964, estudantes tentaram hastear a bandeira nacional em Balboa e o confronto matou 21 panamenhos, que hoje dão nome à Avenida de los Mártires. Os tratados Torrijos-Carter de 1977 fixaram a devolução para 31 de dezembro de 1999. Até lá houve o regime militar de Omar Torrijos, morto em acidente aéreo em 1981, o de Manuel Noriega e a invasão americana de 20 de dezembro de 1989, que destruiu El Chorrillo com centenas de mortos civis. Com o canal em mãos panamenhas, a cidade explodiu para leste em torres residenciais, virou praça bancária e hub logístico da Copa Airlines, abriu o primeiro metrô da América Central em 2014 e ampliou o canal em 2016. Esse crescimento trouxe os problemas de hoje: trânsito, a distância entre Costa del Este e Curundú e a seca de 2023–24, que reduziu o número de trânsitos diários e empurrou o país para discutir novos reservatórios no rio Indio.

Geografia e forma da cidade

A bandeira do Panamá hasteada acima de um morro verde, com telhados vermelhos no primeiro plano.
Cerro Ancón

A planície costeira e o istmo deitado

A cidade ocupa uma planície costeira estreita na margem leste da entrada pacífica do canal, com colinas isoladas de floresta no meio do tecido urbano. O Cerro Ancón tem 199 m e o Parque Natural Metropolitano guarda cerca de 232 ha de mata. O istmo aqui corre no sentido leste-oeste, e o canal o atravessa de noroeste a sudeste: consequência prática, a entrada do Pacífico fica mais a leste que a do Atlântico, e na Cidade do Panamá o sol nasce sobre o oceano Pacífico.

A maré, os banhados e o clima

A baía é rasa e de maré enorme para padrões tropicais, com amplitude de até cerca de 5–6 m no Pacífico contra cerca de 30 cm do lado caribenho: na maré baixa aparecem quilômetros de lama que compõem os banhados da Baía de Panamá, sítio Ramsar e parada de milhões de aves migratórias. O clima é tropical de savana, com estação seca de dezembro a abril e chuvosa de maio a dezembro.

A linha de 30 km e a expansão

A malha urbana é uma linha de 30 km ao longo da costa, porque a Zona do Canal barrou o crescimento para oeste até 1999: a cidade se mudou em etapas de Panamá Viejo (1519) para o Casco (1673), depois para Calidonia e Bella Vista no início do século XX, para Paitilla e Costa del Este a partir dos anos 1990 e para os aterros da Cinta Costera, abertos em fases desde 2009. Só depois da devolução do canal a expansão pulou a via interoceânica rumo a Arraiján e La Chorrera, hoje o vetor de crescimento mais rápido.

Cultura

Rubén Blades e a salsa de “Pedro Navaja”, 1978

A música é onde a cidade explica melhor a própria mistura. Rubén Blades nasceu em 1948 no bairro de Guachapalí, ao lado do Casco, e transformou a salsa em narrativa urbana com “Pedro Navaja” em 1978; foi ministro do Turismo entre 2004 e 2009 e candidato à presidência em 1994. Danilo Pérez, pianista de jazz formado no Panamá e em Boston, criou o Panama Jazz Festival em 2003 e uma fundação que leva o ensino musical às escolas públicas. Foi aqui também, nos anos 1980, entre descendentes de trabalhadores antilhanos do canal, que o dancehall jamaicano virou reggae en español com El General e Nando Boom, a linha direta que desemboca no reggaeton. Ao lado disso toca a música típica do interior, de acordeão e saloma, presente em qualquer festa e em boa parte do rádio.

Do Casco colonial aos bangalôs de Balboa e Ancón

A cidade é estratificada por camadas de império, e dá para atravessá-las em uma tarde. Primeiro vem a grade espanhola do Casco, os bangalôs de madeira e os gramados da antiga Zona do Canal em Balboa e Ancón, e por fim as torres de Paitilla e Costa del Este, erguidas a partir dos anos 1990. A antiga base militar de Fort Clayton virou em 1999 a Ciudad del Saber, com universidades, ONGs e escritórios regionais de agências da ONU. O Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais opera no país desde 1923, com sede em Ancón e a estação de campo de Barro Colorado, uma ilha do Lago Gatún que ficou isolada quando o lago encheu em 1914. Hoje ela é um dos trechos de floresta tropical mais estudados do mundo.

Boxe, beisebol, fé e a noite que começa às 22h

No esporte, o ídolo é o boxe: Roberto Durán nasceu em El Chorrillo em 1951 e a arena da cidade leva seu nome, e no beisebol o país produziu Rod Carew e Mariano Rivera. Na religião, o catolicismo é majoritário, com presença evangélica em crescimento e igrejas anglicanas e batistas de origem antilhana em Río Abajo; a Jornada Mundial da Juventude de janeiro de 2019 mobilizou centenas de milhares de pessoas e financiou a restauração da catedral. A noite se divide entre os rooftops do Casco, os bares da Calle Uruguay e as cantinas de bairro de El Cangrejo, e começa tarde, porque antes das 22h os lugares estão vazios.

A salsa de Rubén Blades, nascido em Guachapalí, ao lado do Casco, e o reggae en español dos descendentes de antilhanos do canal saíram da mesma cidade.

O Cerro Ancón se sobe em cerca de 30 minutos, dentro da cidade.

Os bares só enchem depois das 22h.

Festas e eventos

Fotografia antiga de uma banda desfilando em uma rua da Cidade do Panamá durante o Carnaval de 1946, com espectadores nas sacadas.
Carnaval da Cidade do Panamá, 1946 · Richard · CC BY 2.0

Carnaval

Quatro dias antes da Quarta-feira de Cinzas, em fevereiro ou março. Na capital há desfiles e os “culecos”, caminhões-pipa que molham a multidão à tarde na Cinta Costera; boa parte da cidade viaja para Las Tablas, e comércio e escritórios fecham.

Trompete de metal sobre uma cadeira de madeira, num palco vazio ao sol.Ilustração com IA
Trompete numa cadeira · Nilo pelo mundo

Panama Jazz Festival

Uma semana em janeiro, criado por Danilo Pérez em 2003. Concertos e oficinas na Ciudad del Saber e no Casco, com um show gratuito de encerramento ao ar livre.

Duas baquetas de madeira sobre uma mesa clara, ao sol.Ilustração com IA
Baquetas · Nilo pelo mundo

Mês da Pátria

Novembro inteiro, com feriados em 3 (separação da Colômbia, 1903), 4 (Dia da Bandeira), 5 (consolidação da separação na cidade de Colón, 1903), 10 (Grito de La Villa, 1821) e 28 (independência da Espanha, 1821). Bandas escolares desfilam por horas pela Vía España e pelo Casco, com tambores audíveis a quarteirões.

Coroa de folhas e flores brancas sobre um piso de pedra clara, ao sol.Ilustração com IA
Coroa · Nilo pelo mundo

Dia dos Mártires

9 de janeiro, feriado nacional em memória dos 21 mortos de 1964. Atos e romaria pela Avenida de los Mártires, ao pé do Cerro Ancón.

Nave de pedra vazia, com velas brancas nos bancos, de manhã.Ilustração com IA
Igreja vazia · Nilo pelo mundo

Fundação da cidade

15 de agosto, com missa e atos cívicos em Panamá Viejo e no Casco. Em 2019 a data marcou os 500 anos e concentrou obras de restauração no centro histórico.

Livros e filmes

“O Alfaiate do Panamá”, John le Carré (1996)

Romance sobre a cidade dos intermediários, do boato e do dinheiro em trânsito às vésperas da entrega do canal em 1999. A adaptação de 2001, com Pierce Brosnan e Geoffrey Rush, foi filmada no Casco Antiguo e em Colón.

“The Path Between the Seas”, David McCullough (1977)

A história completa do canal entre 1870 e 1914: o fracasso francês, a separação de 1903, a engenharia de Gatún e a campanha sanitária de Gorgas. É o livro que explica por que a cidade tem a forma que tem.

“Siembra”, Rubén Blades e Willie Colón (1978)

O disco que fez da salsa uma narrativa de rua, escrito por um panamenho nascido a dois quarteirões do Casco. “Pedro Navaja” conta um bairro inteiro em sete minutos e continua tocando na cidade quase cinquenta anos depois.

Perguntas frequentes

Cidade do Panamá: dá para ver navio em Miraflores a qualquer hora?

Não: os trânsitos em Miraflores se concentram aproximadamente entre 9h e 11h e entre 15h e 17h. Chegar ao meio-dia custa o mesmo preço por uma câmara vazia e um terraço de sol a pino.

Cidade do Panamá: quanto custa o táxi do aeroporto ao centro?

Táxi oficial até Bella Vista ou o Casco custa cerca de US$ 30 a 40 por tarifa de zona, acertada antes de entrar.

Cidade do Panamá: como chegar à Ilha Taboga?

A Ilha Taboga fica 20 km ao largo, a 30 a 45 minutos de ferry saindo da Isla Perico, na Calzada de Amador, por cerca de US$ 20 a 25 ida e volta.

Cidade do Panamá: qual é a moeda do país?

Na prática, o dólar dos Estados Unidos, que circula como moeda corrente desde 1904; o balboa, a moeda oficial, vale exatamente um dólar e só existe em moedas, que se misturam às americanas no troco. Quem chega com dólares não precisa de casa de câmbio.

Cidade do Panamá: como cumprimentar ao entrar numa loja?

Diga “buenas” ao entrar em loja, elevador, ônibus, consultório ou sala de espera, e “permiso” para passar por alguém.

Roteiros que passam por aqui