
Panamá
Cidade do Panamá
Canal do Panamá, cidades antigas e floresta urbana
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
Com um terceiro, vá à floresta de Gamboa e à baía. Não é cidade para andar o dia inteiro a pé nem para praia de cartão-postal, porque na maré baixa a orla vira lama, um banhado protegido onde param milhões de aves migratórias. Com um dia só, chegue a Miraflores às 8h30 para ver um navio subir 16,5 m, porque os trânsitos se concentram entre 9h e 11h e entre 15h e 17h, e fora dessas janelas o mirante mostra uma câmara vazia. Depois, almoce um ceviche de US$ 3–5 no Mercado de Mariscos e passe a tarde no Casco até o pôr do sol na Plaza de Francia. O skyline decepciona de perto: Punta Pacífica e Costa del Este são condomínios fechados, e a calçada termina no meio da quadra. A foto que vendeu a cidade é tirada do outro lado da baía.
2–3
Quando Meados de dezembro a meados de abril, a estação seca
Como o guia chega a este número
A Cidade do Panamá tem duas estações bem diferentes, mesmo sem inverno. A seca, chamada localmente de verano, vai de meados de dezembro a meados de abril, com sol quase todos os dias, ventos fortes do norte, mínimas de cerca de 24 °C, máximas de 31–33 °C e quase nenhuma chuva. É a alta temporada, com hotéis mais caros e o Carnaval no meio. A chuvosa, o invierno, vai de maio a meados de dezembro, com chuva quase todo dia, quase sempre em pancadas de uma a duas horas no fim da tarde. Por isso a manhã fica inteira utilizável, e dá para viajar nessa estação desde que os passeios fiquem para antes do almoço. A temperatura muda pouco no ano; o que muda é a umidade, acima de 80% na estação chuvosa. Evite outubro e novembro, se puder escolher, porque são os meses mais chuvosos e os alagamentos fecham ruas e atrasam o trânsito. Janeiro e fevereiro são os melhores, e em agosto costuma haver algumas semanas de trégua, o veranillo, que não é garantido.
Por pessoa/dia cerca de US$ 55–110 por pessoa; mochilão cerca de US$ 35, conforto médio cerca de US$ 140 (2026)
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaDê dois dias à Cidade do Panamá: um para as duas cidades velhas, Panamá Viejo e o Casco Antiguo, e outro para o canal em funcionamento. Com um terceiro, vá à floresta de Gamboa e à baía. Não é cidade para andar o dia inteiro a pé nem para praia de cartão-postal, porque na maré baixa a orla vira lama, um banhado protegido onde param milhões de aves migratórias. Com um dia só, chegue a Miraflores às 8h30 para ver um navio subir 16,5 m, porque os trânsitos se concentram entre 9h e 11h e entre 15h e 17h, e fora dessas janelas o mirante mostra uma câmara vazia. Depois, almoce um ceviche de US$ 3–5 no Mercado de Mariscos e passe a tarde no Casco até o pôr do sol na Plaza de Francia. O skyline decepciona de perto: Punta Pacífica e Costa del Este são condomínios fechados, e a calçada termina no meio da quadra. A foto que vendeu a cidade é tirada do outro lado da baía.Na Cidade do Panamá, os navios fazem fila na baía para entrar no canal, e do terraço das eclusas de Miraflores dá para ver um cargueiro subir 16,5 m em dois degraus. A cidade vive há cinco séculos da passagem entre dois oceanos. Foi fundada em 1519 para escoar a prata do Peru, arrasada pelo corsário Henry Morgan em 1671 e refundada dois anos depois no atual Casco Antiguo. Percorra as duas cidades antigas, as ruínas de Panamá Viejo e as praças e igrejas do Casco. É também a única capital do continente com floresta tropical dentro do perímetro urbano, e o Cerro Ancón, coberto de mata, se sobe a pé em cerca de 30 minutos. Coma um copo de ceviche no Mercado de Mariscos e sancocho de gallina numa fonda de Calidonia. Venha entre meados de dezembro e meados de abril, na estação seca, e dê dois dias à cidade, ou três para a floresta de Gamboa.
Ficha rápida
- População
- cerca de 1,1 mi no distrito de Panamá; cerca de 2,1 mi na área metropolitana com San Miguelito, Arraiján e La Chorrera (2026)
- Fundação
- 15 de agosto de 1519 em Panamá Viejo; refundada no Casco Antiguo em 1673
- País e região
- Panamá, província de Panamá, istmo centro-americano
- Idioma
- Espanhol; crioulo inglês antilhano em Río Abajo e Colón; inglês corrente na área bancária
- Moeda
- Balboa (PAB), atrelado 1:1 ao dólar; circulam notas de dólar dos EUA e moedas de balboa
- Fuso
- UTC−5 o ano inteiro, sem horário de verão (mesmo horário de Nova York no inverno do norte)
- Melhor época
- Meados de dezembro a meados de abril, a estação seca
- Custo médio por dia
- cerca de US$ 55–110 por pessoa; mochilão cerca de US$ 35, conforto médio cerca de US$ 140 (2026)
Quando ir
Meados de dezembro a meados de abril, a estação seca
janeiro
Melhor épocafevereiro
Melhor épocamarço
Melhor épocaabril
Melhor épocamaio
junho
julho
agosto
setembro
outubro
novembro
dezembro
Melhor épocaO que muda ao longo do ano
A Cidade do Panamá tem duas estações bem diferentes, mesmo sem inverno. A seca, chamada localmente de verano, vai de meados de dezembro a meados de abril, com sol quase todos os dias, ventos fortes do norte, mínimas de cerca de 24 °C, máximas de 31–33 °C e quase nenhuma chuva. É a alta temporada, com hotéis mais caros e o Carnaval no meio. A chuvosa, o invierno, vai de maio a meados de dezembro, com chuva quase todo dia, quase sempre em pancadas de uma a duas horas no fim da tarde. Por isso a manhã fica inteira utilizável, e dá para viajar nessa estação desde que os passeios fiquem para antes do almoço. A temperatura muda pouco no ano; o que muda é a umidade, acima de 80% na estação chuvosa. Evite outubro e novembro, se puder escolher, porque são os meses mais chuvosos e os alagamentos fecham ruas e atrasam o trânsito. Janeiro e fevereiro são os melhores, e em agosto costuma haver algumas semanas de trégua, o veranillo, que não é garantido.
Dicas do Nilo
Em Miraflores, chegue às 8h30 para ver os navios
Os trânsitos em Miraflores se concentram, aproximadamente, entre 9h e 11h e entre 15h e 17h. Esteja no terraço às 8h30 e fique até ver um navio subir os 16,5 m em dois degraus. Em 2026, não residentes pagam cerca de US$ 17, e residentes, cerca de US$ 3, pelo mesmo ingresso a qualquer hora.
Metrô só com cartão, de cerca de US$ 2
Nenhuma estação de metrô aceita dinheiro, então compre o cartão recarregável Metro/Metrobús, de cerca de US$ 2, na máquina da própria estação. A viagem custa US$ 0,35 na Linha 1 e US$ 0,50 na Linha 2, e o mesmo cartão vale nos ônibus vermelhos do Metrobús, por cerca de US$ 0,25 nas rotas comuns. O melhor lugar para resolver isso é Albrook, onde a estação, a Gran Terminal de Transporte, o aeroporto doméstico e o shopping ficam na mesma quadra.
Combine o preço do táxi antes de entrar
Como o táxi de rua cobra por zona, sem taxímetro, acerte o valor pela janela antes de abrir a porta. De Tocumen ao Casco, o táxi oficial fica em cerca de US$ 30–40, e Uber ou InDrive saem de 30% a 50% mais baratos, no ponto de embarque sinalizado. Se o motorista parar para pegar outro passageiro no meio do trajeto, não estranhe: a carona compartilhada é normal e não muda o preço combinado.
Coma o ceviche do Mercado de Mariscos até às 14h
O mercado trabalha de manhã até o começo da tarde, e depois das 14h resta pouco peixe. No Mercado de Mariscos, na Avenida Balboa, o copo de ceviche de corvina custa cerca de US$ 3–5 e se come em pé no balcão, com biscoito soda. Leve notas pequenas, porque ali não se passa cartão e as de 50 ou 100 são recusadas.
Pegue o trem para Colón só em dia útil, com partida única
Para Colón, o trem sai uma vez só, de manhã cedo e apenas de segunda a sexta, por cerca de US$ 25. No fim de semana, vá de carro pela transístmica. Confirme antes se há venda avulsa, porque o trem já rodou fechado para excursões de cruzeiro. Do lado caribenho, combine a viagem com as eclusas de Agua Clara, com entrada de cerca de US$ 10, e com as fortificações de Portobelo no mesmo dia.
Passeios antes do meio-dia, bares só depois das 22h
Na estação chuvosa, de maio a meados de dezembro, a chuva cai em pancadas no fim da tarde. Deixe Panamá Viejo, a Calzada de Amador e a subida de cerca de 30 minutos ao Cerro Ancón para antes do meio-dia. Para Gamboa e a Pipeline Road, saia às 6h30, porque as aves somem quando o calor sobe. À noite, não tenha pressa, porque os bares e rooftops do Casco e da Calle Uruguay só enchem depois das 22h.
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Cidade do Panamá: A planície costeira e o istmo deitado
A Cidade do Panamá é uma linha de 30 km ao longo de uma baía rasa do Pacífico, onde a maré chega a 5 ou 6 m de amplitude e, na baixa, descobre quilômetros de lama, os banhados onde param milhões de aves migratórias. Nessa costa ficam as duas cidades antigas: Panamá Viejo, de 1519, e, oito quilômetros a sudoeste, o Casco Antiguo, refundado em 1673 numa península murada e Patrimônio Mundial desde 1997.

Casco Antiguo
A cidade refundada em 1673, com traçado espanhol em grade e três séculos de arquitetura sobrepostos. Na Plaza de la Independencia foi proclamada a separação da Colômbia em 3 de novembro de 1903; a Catedral Basílica Santa María la Antigua, erguida entre 1688 e 1796, foi restaurada para a Jornada Mundial da Juventude de 2019.
Restauraram a catedral para a Jornada Mundial da Juventude.
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Panamá Viejo
As ruínas da cidade de 1519, oito quilômetros a leste do centro, sobre a costa. A torre da catedral, de cerca de 1626, pode ser subida por escada e dá a vista dos arranha-céus por cima da mata; o museu de sítio explica a rota da prata.
As ruínas de 1519 ficam oito quilômetros a leste, a torre de cerca de 1626 mostra os arranha-céus por cima da mata, e o museu de sítio explica a rota da prata; dá para subir pela escada da catedral.
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Eclusas de Miraflores
Centro de visitantes com terraço sobre a câmara, onde os navios sobem ou descem 16,5 m em dois degraus. Entrada de cerca de US$ 17 para não residentes e cerca de US$ 3 para residentes (2026); os trânsitos se concentram de manhã e no fim da tarde.
Do terraço sobre a câmara se vê o navio vencer 16,5 m em dois degraus, a entrada fica cerca de US$ 17 para não residentes e cerca de US$ 3 para residentes, em 2026, e os trânsitos se apertam de manhã e no fim da tarde.
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Iglesia de San José e o Altar de Oro
Altar barroco de madeira folheada a ouro, trazido da cidade velha após 1671. A tradição local conta que um frade o pintou de preto para escondê-lo de Morgan, e o barco em que foi levado passou pelo saque sem ser tocado.
O altar foi trazido da cidade velha após 1671.
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Museu do Canal Interoceânico
Na Plaza de la Independencia, no prédio de 1875 que foi o Grand Hotel e depois sede da companhia francesa. Cobre a ferrovia de 1855, o fracasso de Lesseps, a separação de 1903, os trabalhadores antilhanos e a transferência de 1999.
O museu cobre o fracasso de Lesseps no canal.
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Calzada de Amador
Dique de cerca de 6 km construído com a rocha escavada do Corte Culebra, ligando o continente às ilhas Naos, Perico, Culebra e Flamenco. É a caminhada e a pedalada mais óbvia da cidade, com o skyline de um lado e a fila de navios do outro.
O dique de cerca de 6 km, feito com a rocha escavada do Corte Culebra, é a caminhada e a pedalada mais óbvia da cidade.
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Cerro Ancón
Colina de 199 m coberta de mata, com uma bandeira nacional gigante no topo. O morro foi uma das primeiras áreas da Zona do Canal devolvidas ao Panamá quando os tratados Torrijos-Carter entraram em vigor, e a bandeira tremula ali desde esse dia, 1º de outubro de 1979. A subida leva cerca de 30 minutos a pé e costuma render preguiças, tucanos e micos de cheiro.
A colina de 199 m, de mata, tem a bandeira gigante no alto desde 1º de outubro de 1979, quando os tratados Torrijos-Carter devolveram o morro, e a subida leva cerca de 30 minutos; costuma render preguiças, tucanos e micos de cheiro.
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Mercado de Mariscos e Cinta Costera
Mercado de peixe da Avenida Balboa, onde se come um copo de ceviche de corvina por cerca de US$ 3–5 em pé, de manhã até o começo da tarde. Ao lado corre a Cinta Costera, aterro de cerca de 26 ha com ciclovia, academia ao ar livre e a vista da baía, inaugurado em fases a partir de 2009.
No mercado toma-se ceviche de corvina por cerca de US$ 3 a 5, em pé, da manhã até o começo da tarde, e a Cinta Costera, aterro de cerca de 26 ha com ciclovia, academia e a vista da baía, segue junto; foi inaugurada em fases a partir de 2009.
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Biomuseo
Único projeto de Frank Gehry na América Latina, aberto em 2014 na entrada da Calzada de Amador, com telhado de chapas dobradas em vermelho, amarelo e azul. As oito galerias contam como o istmo se fechou há cerca de 3 milhões de anos e provocou o Grande Intercâmbio Americano de espécies.
Numa cidade que vive há cinco séculos de cobrar pela passagem entre dois oceanos, a sala que explica isso é o Museu do Canal Interoceânico, no Grand Hotel de 1875. O Biomuseo conta o outro istmo, o geológico de cerca de 3 milhões de anos, e o telhado de Gehry, de 2014, já cai no seu caminho: ele fica na entrada da Calzada de Amador. Com dois museus e três dias, comece pelo canal.
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O roteiro do Nilo
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Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · As duas cidades velhas
Chegue a Panamá Viejo às 8h30, antes do calor, suba a torre da catedral de cerca de 1626 e reserve uma hora para o museu de sítio e a maquete da rota da prata.
Almoce em uma fonda de Calidonia: sancocho de gallina ou ropa vieja com patacones, US$ 4–7.
Comece o Casco Antiguo às 15h pela Plaza de la Independencia, entre na Catedral Santa María la Antigua e siga até a Iglesia de San José para ver o Altar de Oro.
Feche a tarde no Museu do Canal Interoceânico, que explica de uma vez a ferrovia de 1855, o fracasso francês e a transferência de 1999.
Veja o pôr do sol na Plaza de Francia e no passeio das Bóvedas, jante no Casco e, se quiser a vista do skyline, suba a um rooftop depois das 22h, quando eles enchem.
Dia 2 · O canal em funcionamento
Esteja nas eclusas de Miraflores às 8h30 e fique no terraço até ver ao menos um trânsito completo, com o navio subindo 16,5 m em dois degraus.
Suba o Cerro Ancón a pé, cerca de 30 minutos até o mirante da bandeira, ou troque por uma trilha curta no Parque Natural Metropolitano.
Almoce em Balboa ou na Ciudad del Saber, a antiga base de Fort Clayton convertida em campus em 1999.
Visite o Biomuseo de Frank Gehry às 15h, com as galerias sobre o fechamento do istmo há cerca de 3 milhões de anos.
Alugue bicicleta e percorra os 6 km da Calzada de Amador até o pôr do sol, com o skyline de um lado e a fila de navios do outro.
Se ficar mais
Dia 3 · Floresta, baía e bairro
Saia às 6h30 para Gamboa e a Pipeline Road, no Parque Nacional Soberanía, a 45 minutos do centro, com mais de 400 espécies de aves registradas.
Volte pela margem do Lago Gatún e pare para ver a entrada do Corte Culebra a partir da estrada.
Almoce um copo de ceviche de corvina no Mercado de Mariscos, na Avenida Balboa, por cerca de US$ 3–5, de preferência antes das 14h.
Percorra a Cinta Costera a pé ou de bicicleta até a Avenida Balboa, com a maré baixa expondo os bancos de lama da baía.
Termine em El Cangrejo, na Vía Argentina, ou na Calle Uruguay, lembrando que a noite panamenha só começa depois das 22h.
Comida
Ilustração com IASancocho de gallina
Caldo de galinha caipira com ñame, milho e muito culantro: a erva de folha larga, não o coentro. É o prato nacional e se come a qualquer hora, inclusive de madrugada, com arroz branco à parte.
Ilustração com IAHojaldra e tortilla de maíz
O café da manhã: a hojaldra é uma massa frita achatada e a tortilla panamenha é um disco grosso de milho frito, nada parecido com a mexicana. Vêm com bisteque encebollado, ovo ou queijo branco, por cerca de US$ 2–4.
Ilustração com IACarimañola
Bolinho alongado de yuca cozida e amassada, recheado de carne moída temperada e frito. Vendido em qualquer fonda de manhã por cerca de US$ 1, ao lado das empanadas de milho.
Ilustração com IACeviche de corvina
Corvina em suco de limão com cebola roxa e aji chombo, servido em copo plástico com biscoito soda. O ponto clássico é o Mercado de Mariscos, mas há barracas espalhadas pela cidade.
Ilustração com IARopa vieja e arroz con pollo
O almoço de fonda: carne desfiada em molho de tomate ou arroz amarelo com frango, acompanhado de porotos, salada e patacones. Prato completo com sopa por US$ 4–7.
Ilustração com IARaspao
Gelo raspado à mão no carrinho da esquina, com xarope de frutas e leite condensado por cima. Custa cerca de US$ 1 e é a única sobremesa que a cidade vende na rua o ano inteiro.
Ilustração com IAChicheme e chichas
O chicheme é milho cozido com leite, canela e baunilha, bebido gelado e quase mastigável; as chichas são sucos de maracujá, tamarindo ou saril. A destilada nacional é o seco herrerano, de cana, que se bebe com leite ou com água de coco.
Ilustração com IAComida afro-antilhana
Herança dos trabalhadores de Barbados, Jamaica e Martinica que construíram o canal: saus (pé de porco em conserva com pepino e aji), fufú, bacalao com plátano e as plantain tarts. Encontra-se em Río Abajo, em Calidonia e nas quermesses de igreja.
Bate-voltas

Ilha Taboga
20 km ao largo, ferry de 30 a 45 minutos saindo da Isla Perico, na Calzada de Amador, por cerca de US$ 20–25 ida e volta. Povoado fundado em 1524, ruas sem carro, praia de água calma e uma trilha de uma hora até o Cerro de la Cruz; a ilha vizinha, Urabá, abriga uma das maiores colônias de pelicanos-pardos do Pacífico.

Portobelo e as eclusas de Agua Clara
Portobelo fica a cerca de 100 km, a 1h30 a 2h de estrada pela transístmica, do lado caribenho. A cidade reúne fortificações espanholas dos séculos XVII e XVIII, Patrimônio Mundial e em lista de perigo desde 2012, e a igreja do Cristo Negro, cuja festa é em 21 de outubro. No caminho, perto de Colón, dá para parar nas eclusas neopanamax de Agua Clara, com entrada de cerca de US$ 10.

Gamboa e o Parque Nacional Soberanía
40 km e cerca de 45 minutos, no meio do canal. A Pipeline Road é uma das trilhas de observação de aves mais conhecidas do mundo; há passeios de barco pelo Lago Gatún até as ilhas de macacos e a estação de pesquisa do Smithsonian em Barro Colorado, visitável só com reserva antecipada.
Por onde começar
As duas cidades velhas

Chegue a Panamá Viejo às 8h30, antes do calor, suba a torre da catedral de cerca de 1626 e reserve uma hora para o museu de sítio e a maquete da rota da prata.
O canal em funcionamento

Esteja nas eclusas de Miraflores às 8h30 e fique no terraço até ver ao menos um trânsito completo, com o navio subindo 16,5 m em dois degraus.
Floresta, baía e bairro

Saia às 6h30 para Gamboa e a Pipeline Road, no Parque Nacional Soberanía, a 45 minutos do centro, com mais de 400 espécies de aves registradas.
Dinheiro
O dólar dos Estados Unidos circula como moeda corrente desde 1904, e quem chega com dólares não precisa de casa de câmbio. O balboa está atrelado 1:1 e só existe em moedas, do mesmo tamanho e peso das americanas, que se misturam no troco sem que ninguém repare. Faixas de 2026, aproximadas: café em fonda US$ 1–2 e em cafeteria de especialidade US$ 3–4,50; almoço completo de fonda US$ 4–7; jantar em restaurante médio US$ 15–30 por pessoa; coquetel em rooftop do Casco US$ 9–15; cerveja Balboa ou Atlas em bar de bairro US$ 1,50–2,50; metrô US$ 0,35–0,50; corrida urbana de app US$ 4–8; hostel US$ 15–25 e hotel médio US$ 70–140 a diária. O cartão é aceito em quase todo o comércio formal, mas fondas, táxis, feiras e carrinhos aceitam só dinheiro. Ande com notas de 1, 5 e 10, porque as de 50 e 100 são recusadas em quase todo lugar por medo de falsificação. O ITBMS de 7% costuma vir embutido no preço, e os hotéis somam 10% de imposto de hospedagem. Muitos restaurantes já lançam 10% de “servicio” na conta, então confira antes de deixar mais gorjeta; em táxi, não se espera gorjeta.
Como chegar e se locomover

Tocumen, o maior entroncamento da América Central
O aeroporto internacional de Tocumen (PTY) fica cerca de 24 km a leste do centro e é o maior hub da América Central, base da Copa Airlines, com dois terminais desde a abertura do T2 em 2022. Táxi oficial até Bella Vista ou o Casco custa cerca de US$ 30–40 por tarifa de zona, acertada antes de entrar. Uber e InDrive também atendem o aeroporto, embarcando no ponto sinalizado do terminal. A Linha 2 do metrô tem um ramal até o aeroporto: confirme na chegada se está operando na sua data. Há também ônibus pelo Corredor Sur, barato e lento, que vale a pena só se não houver pressa. Voos domésticos e para Guna Yala saem do aeroporto de Albrook (PAC), colado à cidade, ao lado da Gran Terminal de Transporte e do Albrook Mall.
Metrô com cartão, táxi por zona e o trem para Colón
O metrô é o transporte mais previsível da cidade. A Linha 1, aberta em 5 de abril de 2014, foi a primeira da América Central e corre no sentido norte-sul, de Albrook a Villa Zaita; a Linha 2, de 2019, corre para leste até Nuevo Tocumen. A Linha 3, um monotrilho para Panamá Oeste, está em obras com previsão para cerca de 2028. O pagamento é só por cartão Metro/Metrobús, comprado nas máquinas das estações, porque nenhuma catraca aceita dinheiro, e o mesmo cartão vale nos ônibus vermelhos do Metrobús. Os “diablos rojos”, os ônibus antigos pintados à mão, foram retirados da capital por volta de 2010–2011 e sobrevivem na periferia. Os táxis de rua não têm taxímetro e cobram por zonas, com o preço combinado pela janela antes de entrar. A carona compartilhada com desconhecidos é normal, e quem não sabe disso pode achar que o motorista errou o caminho quando ele só foi buscar outro passageiro. O trânsito trava das 7h às 9h e das 16h às 19h. A cidade é caminhável em manchas (Casco, Amador, Cinta Costera, El Cangrejo) e desconfortável a pé no resto, por calçadas interrompidas, calor e chuva. Há aluguel de bicicleta na Calzada de Amador. O Panama Canal Railway liga a capital a Colón em cerca de 1 hora, com uma só partida de manhã cedo em dias úteis, por cerca de US$ 25 o trecho.
Segurança

Na Cidade do Panamá o risco é previsível, por endereço e horário, e o que costuma atingir o visitante é o roubo de rua; a violência contra turista é rara. O núcleo turístico do Casco Antiguo é patrulhado, inclusive por policiais de turismo, e caminhável até tarde. As ruas que descem para oeste, em direção a El Chorrillo, mudam de caráter em um quarteirão, e não se atravessam a pé, nem de dia. Depois do anoitecer, evite Curundú, El Chorrillo, trechos de Santa Ana e do Marañón e o entorno da Terminal de Albrook. San Miguelito e Río Abajo pedem companhia local à noite. Os golpes comuns são o táxi que “não tem troco” ou cobra tarifa de estrangeiro, o guia falso que aborda na entrada de Panamá Viejo e a conta inflada em bar de rooftop sem cardápio à vista. Peça o cardápio impresso e confira o “servicio”. Não exiba o celular na Avenida Central nem na saída do metrô em hora de pico, e não deixe nada visível em carro alugado. À noite, chamar Uber ou InDrive custa poucos dólares e resolve quase tudo. A água de torneira é potável na capital, ao contrário de Bocas del Toro, e o número de emergência é o 911.
Dicas de etiqueta

Cumprimente antes de pedir
Diga “buenas” ao entrar em loja, elevador, ônibus, consultório ou sala de espera, e “permiso” para passar por alguém. Ir direto ao pedido sem cumprimentar é lido como grosseria, não como eficiência.
Trate por “usted”
O tratamento formal é padrão com desconhecidos de qualquer idade, inclusive entre jovens, e só muda quando a outra pessoa muda primeiro. Em ambiente de trabalho, use o título (licenciado, ingeniero, doctora) se alguém for apresentado assim.
Combine o preço do táxi pela janela
Táxis de rua não têm taxímetro e a tarifa é por zonas. Pergunte “¿cuánto es la carrera hasta…?” antes de abrir a porta; entrar primeiro e perguntar depois é o caminho mais rápido para pagar o dobro.
Vista-se para o ar-condicionado
Escritórios, restaurantes, ônibus e o metrô ficam entre 18 e 20 °C, contra 32 °C na rua. Leve uma camada extra mesmo em dia de sol, e note que regata e chinelo, comuns na rua, são mal recebidos em repartições, bancos e igrejas.
Canal: 6% do PIB e símbolo de soberania desde 1999
O canal responde por cerca de 6% do PIB e é símbolo da soberania nacional desde 1999. Brincadeiras sobre “o canal dos americanos” ou sobre quem deveria controlá-lo caem muito mal, mesmo entre pessoas que discordam entre si.
Peça antes de fotografar pessoas
Em Panamá Viejo, no Casco e em bairros populares, fotografar moradores, crianças ou vendedoras guna sem perguntar é considerado ofensivo. Com artesãs guna, a foto costuma ser negociada junto com a compra de uma mola.
Erros a evitar
Navio em Miraflores a qualquer hora
Achar que dá para ver um navio a qualquer hora em Miraflores. Os trânsitos se concentram aproximadamente entre 9h e 11h e entre 15h e 17h. Chegar ao meio-dia custa o mesmo preço por uma câmara vazia e um terraço de sol a pino.
As ruínas de 1519 e a cidade de 1673
Confundir Panamá Viejo com o Casco Antiguo. São dois sítios distintos, separados por oito quilômetros, com as ruínas de 1519 a leste e a cidade murada de 1673 a sudoeste, então confira qual dos dois está no passeio antes de reservar.
Escolher hotel pelo skyline
Escolher o hotel só pelo skyline: os prédios mais fotogênicos ficam sem calçada. Quem quer sair a pé se hospeda no Casco, em El Cangrejo ou em Bella Vista.
A pé do centro ao Casco à noite
Ir a pé do centro ao Casco pela beira à noite. O trajeto passa pelas bordas de Santa Ana e El Chorrillo, e a mudança de ambiente acontece em um quarteirão; de app custa US$ 4 a US$ 6.
Só notas grandes, sem cartão de metrô
Chegar só com notas grandes e sem cartão de metrô. Notas de 50 e 100 são recusadas em fondas, táxis e mercados, e nenhuma estação de metrô aceita dinheiro na catraca. O cartão custa cerca de US$ 2 nas máquinas das estações, e vale comprá-lo antes de precisar dele.
Frases úteis
¿Qué xopá?
E aí? Gíria panamenha formada invertendo as sílabas de “qué pasó”, usada entre conhecidos
Buenas
Oi / bom dia: cumprimento neutro a qualquer hora, dito ao entrar em qualquer lugar
¿Cuánto es la carrera hasta…?
Quanto custa a corrida até…? A pergunta obrigatória antes de entrar em um táxi de rua
Chuleta
Caramba: interjeição de surpresa ou susto, literalmente “costeleta”
Vaina
Coisa, treco, situação: serve para qualquer objeto ou problema cujo nome não venha à cabeça
Ahorita
Daqui a pouco: pode significar cinco minutos, três horas ou nunca, e ninguém considera isso contraditório
Bairros

Casco Antiguo (San Felipe)
A cidade de 1673, Patrimônio Mundial desde 1997, em cerca de quinze quarteirões caminháveis de casarões de balcão de ferro. Restaurada desde os anos 2000: hotéis-boutique, rooftops, o Teatro Nacional de 1908 e o palácio presidencial, com gentrificação e moradores antigos ainda no meio.
Calidonia e Santa Ana
Comércio popular denso entre o Casco e a área bancária, com a Avenida Central em trecho de pedestres, lojas de eletrônicos e roupa barata. Muito movimento de dia, esvaziamento à noite.
Bella Vista, Marbella e El Cangrejo
O eixo de restaurantes, bares e hotéis médios, entre a Vía España, a Vía Argentina e a Calle Uruguay. El Cangrejo tem ruas com nome de país, boa densidade de fondas e cafés, e é a melhor base para quem quer andar a pé fora do Casco.
Obarrio e área bancária
Torres de escritórios ao longo da Calle 50 e da Vía España, com dezenas de bancos internacionais. Almoço executivo lotado ao meio-dia e ruas vazias no fim de semana.
Punta Paitilla, Punta Pacífica e Costa del Este
Arranha-céus residenciais sobre aterro, com os prédios que formam a silhueta dos cartões-postais. Bonito de longe, hostil a pé: calçadas interrompidas, condomínios fechados e tudo resolvido de carro.

Amador, Ancón e Balboa
A antiga Zona do Canal, com casas baixas de madeira, gramados, ruas arborizadas e escala de subúrbio americano dos anos 1920. Concentra o Biomuseo, a Calzada de Amador, o Instituto Smithsonian e a administração do canal.
San Francisco e Parque Omar
Bairro de classe média com o parque urbano mais usado da cidade, cerca de 55 ha de gramado e pistas de corrida. Feiras, escolas e restaurantes de bairro.
Río Abajo e El Chorrillo
Bairros populares de raiz operária ligada ao canal. Río Abajo guarda a herança afro-antilhana em igrejas e comida; El Chorrillo, ao lado do Casco, foi arrasado na invasão de 1989 e reconstruído em blocos habitacionais.
História
1519 · Fundação no Pacífico
Pedro Arias Dávila funda Nuestra Señora de la Asunción de Panamá em 15 de agosto. É a primeira cidade europeia permanente na costa americana do Pacífico.
1533–1670 · A rota da prata
Com a conquista do Peru, o metal do sul começa a cruzar o istmo, e depois de 1545 é a prata de Potosí que chega por mar e atravessa em lombo de mula pelo Camino Real e pelo Camino de Cruces até as feiras de Portobelo. A cidade não produz nada; a renda dela vem das taxas cobradas sobre essa passagem.
1671 · O saque de Morgan
Henry Morgan sobe o rio Chagres com cerca de 1.400 homens e toma a cidade em 28 de janeiro. O incêndio a consome e as ruínas viram o sítio de Panamá Viejo.
1673 · Refundação murada
A coroa reconstrói a cidade oito quilômetros a sudoeste, numa península estreita e defensável, cercada de muralhas. É o atual Casco Antiguo, ou bairro de San Felipe.
1739–1821 · Declínio e independência
O istmo passa do Vice-Reino do Peru ao de Nova Granada e empobrece quando os galeões passam a contornar o Cabo Horn. Em 28 de novembro de 1821 o Panamá se separa da Espanha e adere à Grã-Colômbia.
1855 · A ferrovia interoceânica
A Panama Railroad, 76 km entre Colón e a capital, é concluída para atender a corrida do ouro da Califórnia. É a primeira ferrovia do mundo a ligar dois oceanos, construída a custo humano altíssimo.
1881–1889 · O fracasso francês
Ferdinand de Lesseps tenta um canal ao nível do mar. Febre amarela, malária e deslizamentos no Corte Culebra matam cerca de 22 mil trabalhadores e a companhia quebra em 1889.
1903 · Separação da Colômbia
Em 3 de novembro o Panamá se separa com apoio naval americano. O tratado Hay–Bunau-Varilla, de 18 de novembro, entrega aos EUA uma faixa de 16 km de largura “a perpetuidade”.
1914 · O canal abre
Em 15 de agosto o vapor Ancon faz o primeiro trânsito oficial. A campanha sanitária de William Gorgas eliminara a febre amarela da cidade em 1905.

1964 e 1989 · Mártires e invasão
Em 9 de janeiro de 1964, o conflito da bandeira na Zona do Canal mata 21 panamenhos. Em 20 de dezembro de 1989 a invasão americana derruba Manuel Noriega e arrasa o bairro de El Chorrillo.

1999 e 2016 · Canal panamenho e ampliação
Em 31 de dezembro de 1999 o canal e a antiga Zona passam ao Panamá pelos tratados Torrijos-Carter de 1977. Em 26 de junho de 2016 abrem as eclusas neopanamax de Cocolí e Agua Clara.
Ilustração com IAHistória completa
A fundação de 1519 e a rota da prata do Peru
A cidade nasceu como ponto de transbordo entre os dois oceanos. Pedro Arias Dávila, o Pedrarias, fundou Nuestra Señora de la Asunción de Panamá em 15 de agosto de 1519, numa praia rasa do Pacífico escolhida menos pela qualidade do porto e mais pela largura mínima do istmo. Depois da conquista do Peru, em 1533, o metal do sul passou a desembarcar ali, e a partir de 1545, quando se descobriu a prata de Potosí, a carga cresceu: atravessava 80 km de mata em lombo de mula pelo Camino Real, ou por rio e trilha pelo Camino de Cruces, e reembarcava em Portobelo e Nombre de Dios rumo a Sevilha. A cidade chegou a cerca de 5 mil habitantes e a um bispado, e a fama de riqueza atraiu os corsários.
Morgan cruzou o istmo em 1671
Em janeiro de 1671, Henry Morgan cruzou o istmo pelo rio Chagres com cerca de 1.400 homens e tomou a cidade. Ela queimou, e até hoje se discute se o incêndio foi ateado pelos invasores ou pelos próprios defensores ao explodir os paióis. As ruínas ficaram de pé sobre a costa e são o sítio arqueológico de Panamá Viejo. Em 1673 a coroa refundou tudo oito quilômetros a sudoeste, numa península fácil de murar, com traçado em grade e baluartes: o Casco Antiguo. Depois de 1739, com o istmo transferido ao Vice-Reino de Nova Granada e o comércio espanhol desviado para o Cabo Horn, a cidade encolheu por quase um século.
A Ferrovia do Panamá, 76 km entre 1850 e 1855
A geografia voltou a valer com a corrida do ouro da Califórnia. Entre 1850 e 1855, empreiteiros americanos construíram a Panama Railroad, 76 km de trilho entre Colón e a capital, com mortalidade brutal entre trabalhadores chineses, irlandeses e antilhanos; foi a primeira ferrovia a ligar dois oceanos. O sucesso do atalho atraiu Ferdinand de Lesseps, que havia aberto Suez, e em 1881 começou a escavação de um canal ao nível do mar. O projeto fracassou: a febre amarela, a malária e os deslizamentos do Corte Culebra mataram cerca de 22 mil pessoas, e a falência de 1889 virou o maior escândalo financeiro da Terceira República francesa.
Os americanos compraram os ativos franceses
Os Estados Unidos compraram os ativos franceses e, quando o senado colombiano recusou o tratado, apoiaram a separação panamenha de 3 de novembro de 1903. O Hay–Bunau-Varilla, assinado duas semanas depois por um engenheiro francês em nome do país recém-criado, cedeu uma faixa de 16 km “a perpetuidade”. As obras recomeçaram em 1904, agora com um canal de eclusas e o lago artificial de Gatún, e com a campanha de William Gorgas contra o mosquito; o canal abriu em 15 de agosto de 1914, três semanas depois do início da Primeira Guerra. Dezenas de milhares de trabalhadores vieram de Barbados, Jamaica e Martinica e ficaram: é a origem da comunidade afro-antilhana de Río Abajo, do crioulo inglês que ainda se ouve e de boa parte da cozinha e da música da cidade.
A Zona do Canal, dos mártires de 1964 à devolução em 1999
O século XX panamenho girou em torno da Zona do Canal, um território estrangeiro que cortava a capital ao meio. Em 9 de janeiro de 1964, estudantes tentaram hastear a bandeira nacional em Balboa e o confronto matou 21 panamenhos, que hoje dão nome à Avenida de los Mártires. Os tratados Torrijos-Carter de 1977 fixaram a devolução para 31 de dezembro de 1999. Até lá houve o regime militar de Omar Torrijos, morto em acidente aéreo em 1981, o de Manuel Noriega e a invasão americana de 20 de dezembro de 1989, que destruiu El Chorrillo com centenas de mortos civis. Com o canal em mãos panamenhas, a cidade explodiu para leste em torres residenciais, virou praça bancária e hub logístico da Copa Airlines, abriu o primeiro metrô da América Central em 2014 e ampliou o canal em 2016. Esse crescimento trouxe os problemas de hoje: trânsito, a distância entre Costa del Este e Curundú e a seca de 2023–24, que reduziu o número de trânsitos diários e empurrou o país para discutir novos reservatórios no rio Indio.
Geografia e forma da cidade

A planície costeira e o istmo deitado
A cidade ocupa uma planície costeira estreita na margem leste da entrada pacífica do canal, com colinas isoladas de floresta no meio do tecido urbano. O Cerro Ancón tem 199 m e o Parque Natural Metropolitano guarda cerca de 232 ha de mata. O istmo aqui corre no sentido leste-oeste, e o canal o atravessa de noroeste a sudeste: consequência prática, a entrada do Pacífico fica mais a leste que a do Atlântico, e na Cidade do Panamá o sol nasce sobre o oceano Pacífico.
A maré, os banhados e o clima
A baía é rasa e de maré enorme para padrões tropicais, com amplitude de até cerca de 5–6 m no Pacífico contra cerca de 30 cm do lado caribenho: na maré baixa aparecem quilômetros de lama que compõem os banhados da Baía de Panamá, sítio Ramsar e parada de milhões de aves migratórias. O clima é tropical de savana, com estação seca de dezembro a abril e chuvosa de maio a dezembro.
A linha de 30 km e a expansão
A malha urbana é uma linha de 30 km ao longo da costa, porque a Zona do Canal barrou o crescimento para oeste até 1999: a cidade se mudou em etapas de Panamá Viejo (1519) para o Casco (1673), depois para Calidonia e Bella Vista no início do século XX, para Paitilla e Costa del Este a partir dos anos 1990 e para os aterros da Cinta Costera, abertos em fases desde 2009. Só depois da devolução do canal a expansão pulou a via interoceânica rumo a Arraiján e La Chorrera, hoje o vetor de crescimento mais rápido.
Cultura
Rubén Blades e a salsa de “Pedro Navaja”, 1978
A música é onde a cidade explica melhor a própria mistura. Rubén Blades nasceu em 1948 no bairro de Guachapalí, ao lado do Casco, e transformou a salsa em narrativa urbana com “Pedro Navaja” em 1978; foi ministro do Turismo entre 2004 e 2009 e candidato à presidência em 1994. Danilo Pérez, pianista de jazz formado no Panamá e em Boston, criou o Panama Jazz Festival em 2003 e uma fundação que leva o ensino musical às escolas públicas. Foi aqui também, nos anos 1980, entre descendentes de trabalhadores antilhanos do canal, que o dancehall jamaicano virou reggae en español com El General e Nando Boom, a linha direta que desemboca no reggaeton. Ao lado disso toca a música típica do interior, de acordeão e saloma, presente em qualquer festa e em boa parte do rádio.
Do Casco colonial aos bangalôs de Balboa e Ancón
A cidade é estratificada por camadas de império, e dá para atravessá-las em uma tarde. Primeiro vem a grade espanhola do Casco, os bangalôs de madeira e os gramados da antiga Zona do Canal em Balboa e Ancón, e por fim as torres de Paitilla e Costa del Este, erguidas a partir dos anos 1990. A antiga base militar de Fort Clayton virou em 1999 a Ciudad del Saber, com universidades, ONGs e escritórios regionais de agências da ONU. O Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais opera no país desde 1923, com sede em Ancón e a estação de campo de Barro Colorado, uma ilha do Lago Gatún que ficou isolada quando o lago encheu em 1914. Hoje ela é um dos trechos de floresta tropical mais estudados do mundo.
Boxe, beisebol, fé e a noite que começa às 22h
No esporte, o ídolo é o boxe: Roberto Durán nasceu em El Chorrillo em 1951 e a arena da cidade leva seu nome, e no beisebol o país produziu Rod Carew e Mariano Rivera. Na religião, o catolicismo é majoritário, com presença evangélica em crescimento e igrejas anglicanas e batistas de origem antilhana em Río Abajo; a Jornada Mundial da Juventude de janeiro de 2019 mobilizou centenas de milhares de pessoas e financiou a restauração da catedral. A noite se divide entre os rooftops do Casco, os bares da Calle Uruguay e as cantinas de bairro de El Cangrejo, e começa tarde, porque antes das 22h os lugares estão vazios.
A salsa de Rubén Blades, nascido em Guachapalí, ao lado do Casco, e o reggae en español dos descendentes de antilhanos do canal saíram da mesma cidade.
O Cerro Ancón se sobe em cerca de 30 minutos, dentro da cidade.
Os bares só enchem depois das 22h.
Festas e eventos

Carnaval
Quatro dias antes da Quarta-feira de Cinzas, em fevereiro ou março. Na capital há desfiles e os “culecos”, caminhões-pipa que molham a multidão à tarde na Cinta Costera; boa parte da cidade viaja para Las Tablas, e comércio e escritórios fecham.
Ilustração com IAPanama Jazz Festival
Uma semana em janeiro, criado por Danilo Pérez em 2003. Concertos e oficinas na Ciudad del Saber e no Casco, com um show gratuito de encerramento ao ar livre.
Ilustração com IAMês da Pátria
Novembro inteiro, com feriados em 3 (separação da Colômbia, 1903), 4 (Dia da Bandeira), 5 (consolidação da separação na cidade de Colón, 1903), 10 (Grito de La Villa, 1821) e 28 (independência da Espanha, 1821). Bandas escolares desfilam por horas pela Vía España e pelo Casco, com tambores audíveis a quarteirões.
Ilustração com IADia dos Mártires
9 de janeiro, feriado nacional em memória dos 21 mortos de 1964. Atos e romaria pela Avenida de los Mártires, ao pé do Cerro Ancón.
Ilustração com IAFundação da cidade
15 de agosto, com missa e atos cívicos em Panamá Viejo e no Casco. Em 2019 a data marcou os 500 anos e concentrou obras de restauração no centro histórico.
Livros e filmes
“O Alfaiate do Panamá”, John le Carré (1996)
Romance sobre a cidade dos intermediários, do boato e do dinheiro em trânsito às vésperas da entrega do canal em 1999. A adaptação de 2001, com Pierce Brosnan e Geoffrey Rush, foi filmada no Casco Antiguo e em Colón.
“The Path Between the Seas”, David McCullough (1977)
A história completa do canal entre 1870 e 1914: o fracasso francês, a separação de 1903, a engenharia de Gatún e a campanha sanitária de Gorgas. É o livro que explica por que a cidade tem a forma que tem.
“Siembra”, Rubén Blades e Willie Colón (1978)
O disco que fez da salsa uma narrativa de rua, escrito por um panamenho nascido a dois quarteirões do Casco. “Pedro Navaja” conta um bairro inteiro em sete minutos e continua tocando na cidade quase cinquenta anos depois.
Perguntas frequentes
Cidade do Panamá: dá para ver navio em Miraflores a qualquer hora?
Não: os trânsitos em Miraflores se concentram aproximadamente entre 9h e 11h e entre 15h e 17h. Chegar ao meio-dia custa o mesmo preço por uma câmara vazia e um terraço de sol a pino.
Cidade do Panamá: quanto custa o táxi do aeroporto ao centro?
Táxi oficial até Bella Vista ou o Casco custa cerca de US$ 30 a 40 por tarifa de zona, acertada antes de entrar.
Cidade do Panamá: como chegar à Ilha Taboga?
A Ilha Taboga fica 20 km ao largo, a 30 a 45 minutos de ferry saindo da Isla Perico, na Calzada de Amador, por cerca de US$ 20 a 25 ida e volta.
Cidade do Panamá: qual é a moeda do país?
Na prática, o dólar dos Estados Unidos, que circula como moeda corrente desde 1904; o balboa, a moeda oficial, vale exatamente um dólar e só existe em moedas, que se misturam às americanas no troco. Quem chega com dólares não precisa de casa de câmbio.
Cidade do Panamá: como cumprimentar ao entrar numa loja?
Diga “buenas” ao entrar em loja, elevador, ônibus, consultório ou sala de espera, e “permiso” para passar por alguém.











