
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
Quem procura praia e céu aberto se frustra. O mar é frio, as praias são de seixo ao pé de um paredão de 60 a 80 metros e de maio a outubro o céu fica encoberto quase todos os dias. Fique dois dias: um no damero de 1535 e no centro histórico, outro entre a Huaca Pucllana e os 4 km de malecón até Barranco. O terceiro, se sobrar, vai para o Museo Larco de manhã e um jantar longo à noite. Com um dia só, entre no Museo Larco às 9h, almoce ceviche entre 12h30 e 14h em Surquillo e caminhe o malecón de Miraflores a Barranco antes do pôr do sol. Deixe de fora o centro histórico, que pede um dia inteiro. O que mais decepciona é o trânsito, que toma horas do seu dia e não tem solução à vista enquanto a Linha 2 não ficar pronta.
2–3
Quando Fim de janeiro a começo de abril, quando o céu abre; junho a setembro é garúa fechada, 14–19 °C
Como o guia chega a este número
De dezembro a abril é verão em Lima, com 20 a 29 °C, praias da Costa Verde e do sul cheias nos fins de semana e alta temporada doméstica, mas o céu firme, a melhor janela do ano, vai do fim de janeiro ao começo de abril. De maio a outubro chega a garúa: a umidade fica entre 85% e 95%, as temperaturas entre 14 e 19 °C, e o céu passa semanas encoberto. Não faz frio de verdade, e as mínimas raramente descem de 12 °C, mas quase nenhuma casa tem aquecimento, e a umidade faz o interior parecer mais frio que a rua. Chove menos de 10 mm por ano, em qualquer estação, então guarda-chuva é quase inútil e um casaco corta-vento resolve. Anos de El Niño esquentam o mar e mudam tudo, inclusive a pesca e o preço do peixe. Se você quer sol, evite julho e agosto, que ainda somam os preços altos de Fiestas Patrias.
Por pessoa/dia Mochilão S/120–180; conforto médio S/350–550; com jantares de alta cozinha, S/900 ou mais
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaVenha pela comida e pelas construções de épocas diferentes lado a lado: pirâmide de adobe, damero de 1535 e torre de escritório no mesmo quarteirão. Quem procura praia e céu aberto se frustra. O mar é frio, as praias são de seixo ao pé de um paredão de 60 a 80 metros e de maio a outubro o céu fica encoberto quase todos os dias. Fique dois dias: um no damero de 1535 e no centro histórico, outro entre a Huaca Pucllana e os 4 km de malecón até Barranco. O terceiro, se sobrar, vai para o Museo Larco de manhã e um jantar longo à noite. Com um dia só, entre no Museo Larco às 9h, almoce ceviche entre 12h30 e 14h em Surquillo e caminhe o malecón de Miraflores a Barranco antes do pôr do sol. Deixe de fora o centro histórico, que pede um dia inteiro. O que mais decepciona é o trânsito, que toma horas do seu dia e não tem solução à vista enquanto a Linha 2 não ficar pronta.Em Lima, a Huaca Pucllana, uma pirâmide de adobe erguida entre os séculos III e VII, ocupa um quarteirão de Miraflores entre prédios de janelas espelhadas. A poucas quadras dali ficam algumas das cozinhas mais premiadas da América do Sul, e é pela comida que se vem a Lima. O ceviche se come no almoço, com camote e cancha, e o caldo que sobra no fundo do prato, a leche de tigre, se toma em copo à parte. A herança dos cozinheiros chineses e japoneses aparece no lomo saltado, no chaufa e no tiradito. No centro, o damero traçado em 1535 reúne a Plaza Mayor e o Convento de San Francisco, com catacumbas onde foram enterradas cerca de 25 mil pessoas. Em Miraflores, um malecón de parques segue pela beira dos barrancos até Barranco, com o Pacífico 60 a 80 metros abaixo. Venha entre o fim de janeiro e o começo de abril, quando o céu abre e o cinza de maio a outubro fica para trás, e reserve dois dias.
Ficha rápida
- População
- 10.129.708 em Lima Metropolitana (censo 2025); 29,7% dos 34,16 mi de peruanos
- Fundação
- 18 de janeiro de 1535, por Francisco Pizarro, como Ciudad de los Reyes; ocupação do vale desde cerca de 200 d.C.
- País e região
- Peru, costa central desértica, vale do Rímac; província de Lima mais a província constitucional de Callao
- Idioma
- Espanhol; quéchua e aimará também oficiais no país, com forte presença nas famílias migrantes da capital
- Moeda
- Sol (PEN, S/); cerca de 3,4–3,8 por dólar e cerca de 4,0–4,4 por euro em 2026
- Fuso
- PET, UTC−5, sem horário de verão
- Melhor época
- Fim de janeiro a começo de abril, quando o céu abre; junho a setembro é garúa fechada, 14–19 °C
- Custo médio por dia
- Mochilão S/120–180; conforto médio S/350–550; com jantares de alta cozinha, S/900 ou mais
Quando ir
Fim de janeiro a começo de abril, quando o céu abre; junho a setembro é garúa fechada, 14–19 °C
maio
15° a 25°C
0 mm de chuva
junho
13° a 23°C
1 mm de chuva
julho
12° a 22°C
1 mm de chuva
agosto
11° a 22°C
1 mm de chuva
setembro
13° a 23°C
0 mm de chuva
outubro
14° a 24°C
0 mm de chuva
novembro
15° a 24°C
0 mm de chuva
dezembro
16° a 25°C
0 mm de chuva
O que muda ao longo do ano
De dezembro a abril é verão em Lima, com 20 a 29 °C, praias da Costa Verde e do sul cheias nos fins de semana e alta temporada doméstica, mas o céu firme, a melhor janela do ano, vai do fim de janeiro ao começo de abril. De maio a outubro chega a garúa: a umidade fica entre 85% e 95%, as temperaturas entre 14 e 19 °C, e o céu passa semanas encoberto. Não faz frio de verdade, e as mínimas raramente descem de 12 °C, mas quase nenhuma casa tem aquecimento, e a umidade faz o interior parecer mais frio que a rua. Chove menos de 10 mm por ano, em qualquer estação, então guarda-chuva é quase inútil e um casaco corta-vento resolve. Anos de El Niño esquentam o mar e mudam tudo, inclusive a pesca e o preço do peixe. Se você quer sol, evite julho e agosto, que ainda somam os preços altos de Fiestas Patrias.
Os mesmos números em tabela
| Mês | Temperatura °C | Chuva mm |
|---|---|---|
| janeiro · | 17 a 26 | 1 |
| fevereiro · | 18 a 27 | 1 |
| março · | 18 a 27 | 0 |
| abril · | 17 a 26 | 0 |
| maio | 15 a 25 | 0 |
| junho | 13 a 23 | 1 |
| julho | 12 a 22 | 1 |
| agosto | 11 a 22 | 1 |
| setembro | 13 a 23 | 0 |
| outubro | 14 a 24 | 0 |
| novembro | 15 a 24 | 0 |
| dezembro | 16 a 25 | 0 |
Dicas do Nilo
Peça ceviche entre 12h30 e 14h
O peixe cru se come enquanto a pesca do dia está fresca, e para o limenho pedir ceviche às 21h é imprudência alimentar. Nunca peça depois das 16h. A cevicheria ao lado do Mercado n.º 1 de Surquillo fica a dez minutos a pé de Miraflores e cobra S/30–55. Quando o peixe acabar, beba a leche de tigre, o caldo ácido que sobra no fundo do prato.
Contrate o táxi no balcão dentro do terminal: S/50–90
Na porta do desembarque, motoristas com crachá e conversa organizada oferecem corrida fora do balcão oficial. Passe direto e feche o carro no balcão, lá dentro, ou pelo aplicativo. Se alguém for buscar você, combine o encontro no terminal novo, porque o antigo foi desativado em 2025. De madrugada, o trajeto até Miraflores leva meia hora; às 18h, pode chegar a uma hora e meia.
Compre os dois cartões: o do metrô e o do Metropolitano
O cartão recarregável da Linha 1 do metrô não funciona no Metropolitano, que tem cartão próprio. A viagem custa S/1,50 no metrô e, no Metropolitano, S/3,20 na troncal e S/3,50 na integrada. Se você vai usar os dois, compre os dois logo na primeira estação. Combis e custers não aceitam cartão nenhum: só dinheiro, e param onde você pedir.
Veja a Huaca Pucllana iluminada, na visita noturna
À noite a fila e o calor caem juntos, e a visita guiada mostra a pirâmide iluminada. As fontes do Parque de la Reserva também só funcionam depois de escurecer e fecham alguns dias da semana, então confira o dia antes de atravessar a cidade por elas. Se quiser o Museo Larco no fim da tarde, entre até as 17h, porque ele fecha às 19h todos os dias.
Confira os 10% de servicio antes de dar gorjeta
Muitos restaurantes lançam “servicio” de 10% na conta. Leia a linha antes de somar outros 10% de gorjeta, porque é fácil pagar em dobro sem perceber. No hotel, peça no check-in a isenção do IGV de 18% na hospedagem, porque ninguém a oferece sem pedido. Ela vale para o estrangeiro com estadia de até 60 dias, com passaporte e cartão de entrada na mão.
Faça os trajetos longos no domingo cedo
No domingo cedo, 12 km levam 25 minutos, então deixe os bairros vizinhos para os dias úteis. Em dia de clássico de futebol, o trânsito se reorganiza e os arredores do estádio deixam de ser caminho. Confira o calendário da Liga 1 antes de marcar qualquer coisa do outro lado da cidade.
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Explore o mapa, consulte os outros lugares e monte os dias da sua viagem no app.
Abrir o appO que ver
Lima: O cascalho, os rios e a garúa
Entre a cidade e o mar há um paredão de barrancos de 60 a 80 metros, e ao pé dele corre a Costa Verde, avenida à beira-mar aberta nos anos 1960 sobre praias de seixo. No alto do paredão fica o malecón, que vai de Miraflores a Barranco.

Museo Larco
Em Pueblo Libre, dentro de uma mansão do século XVIII construída sobre uma huaca. Reúne cerca de 45 mil peças pré-colombianas, com depósito aberto ao público, ourivesaria moche e a sala de cerâmica erótica. Abre todos os dias das 9h às 19h.
Dentro de uma mansão antiga construída sobre uma huaca, o acervo pré-colombiano inclui depósito aberto ao público, ourivesaria e uma sala de cerâmica erótica, e abre todos os dias; cerca de 45 mil peças; das 9h às 19h.
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Huaca Pucllana
Pirâmide de adobe da cultura Lima (200–700 d.C.), com cerca de 22 m de altura, cercada de prédios residenciais em Miraflores. Os tijolos foram fincados de pé e espaçados, o que absorve tremores; há visita guiada também à noite, com iluminação.
Os tijolos fincados de pé e espaçados absorvem tremores.
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Malecón de Miraflores e Parque del Amor
Onze quilômetros de parques sobre barrancos de 60 a 80 m acima do Pacífico, com o mosaico curvo e a escultura El Beso, de Victor Delfín, instalada em 1993. É de onde saem os voos de parapente e onde a cidade vê o pôr do sol.
A altura dos barrancos vai de 60 a 80 m, dali decolam os parapentes e a cidade vê o dia acabar.
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Plaza Mayor e Palacio de Gobierno
A praça fundacional de 1535, com o palácio no lote que coube a Pizarro na divisão original. A troca da guarda dos Húsares de Junín acontece por volta do meio-dia; a fonte de bronze no centro é de 1651 e é o objeto mais antigo da praça.
O palácio ocupa o lote que coube a Pizarro na partilha inicial de 1535, e nesse largo, onde a fonte de bronze de 1651 é a peça mais velha, a troca da guarda ocorre por volta do meio-dia.
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Catedral de Lima
Começada em 1535 e refeita depois dos terremotos de 1687 e 1746; as torres atuais são de 1797. Guarda a capela com os restos atribuídos a Francisco Pizarro, identificados em 1977, e um coro de talha do século XVII.
Na capela repousam restos atribuídos a Pizarro, e o reconhecimento desses restos saiu em 1977.
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Convento de San Francisco
Conjunto barroco concluído em 1674, com claustro de azulejos sevilhanos, biblioteca de milhares de volumes antigos e catacumbas onde foram enterradas cerca de 25 mil pessoas até 1808. Só se entra com visita guiada, de cerca de 45 minutos.
O acesso ao conjunto exige acompanhamento de guia durante cerca de 45 minutos, e nas catacumbas cerca de 25 mil pessoas foram enterradas até 1808.
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MALI: Museo de Arte de Lima
No Palacio de la Exposición, de 1872, dentro do Parque de la Exposición. Cobre três mil anos de arte peruana, do têxtil pré-inca à pintura da escola limenha e ao contemporâneo, num único percurso cronológico.
Dentro do parque, o palácio de 1872 organiza num só caminho, em ordem de tempo, três mil anos que começam no tecido anterior aos incas.
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Puente de los Suspiros e MATE, em Barranco
A ponte de madeira de 1876 atravessa a Bajada de Baños, a alameda de casas antigas que desce até o mar. A cem passos dali, o MATE, museu de Mario Testino aberto em 2012, ocupa uma casa republicana restaurada.
A ponte de madeira de 1876 fica a cem passos do museu de Mario Testino, inaugurado em 2012 dentro de uma moradia do período republicano recuperada.
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Casa de Aliaga
Casa entregue por Pizarro a Jerónimo de Aliaga em 1535 e ocupada pela mesma família desde então: a residência mais antiga em uso contínuo das Américas. Entra-se apenas com visita agendada, em grupos pequenos.
Só se entra com visita agendada e em grupo pequeno, o que prende uma manhã a uma única casa de família. Com o mesmo tempo, no mesmo centro histórico, os 45 minutos de claustro, biblioteca e catacumbas de San Francisco rendem mais.
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O roteiro do Nilo
Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · O damero de 1535 e o centro histórico
Comece às 9h na Plaza Mayor e fique para a troca da guarda dos Húsares de Junín, no Palacio de Gobierno, por volta do meio-dia.
Faça a visita guiada do Convento de San Francisco, com claustro, biblioteca e catacumbas, cerca de 45 minutos.
Almoce até 13h30 no Barrio Chino: chifa na calle Capón, a dois quarteirões do Mercado Central.
Visite à tarde o MALI, no Parque de la Exposición, e, se sobrar fôlego, a Casa de la Literatura Peruana, na antiga estação Desamparados.
Termine no Circuito Mágico del Agua, no Parque de la Reserva, que só funciona depois do escurecer.
Dia 2 · Huaca, ceviche e os barrancos até Barranco
Faça de manhã a visita guiada à Huaca Pucllana, em Miraflores, que sai em intervalos curtos e mostra a pirâmide de adobe cercada de prédios.
Almoce ceviche entre 12h30 e 14h numa cevicheria ao lado do Mercado n.º 1 de Surquillo, a dez minutos a pé.
Caminhe os cerca de 4 km de malecón até Barranco, passando pelo Parque del Amor e pelos pontos de decolagem de parapente.
Atravesse em Barranco a Puente de los Suspiros, desça a Bajada de Baños até o mar e visite o MATE, museu de Mario Testino.
Fique para o pôr do sol no mirante e jante anticuchos numa carrocinha depois das 19h.
Se ficar mais
Dia 3 · Museus pré-colombianos de manhã, jantar à noite
Abra o dia no Museo Larco, em Pueblo Libre, que funciona das 9h às 19h, e reserve a manhã inteira para o acervo pré-colombiano da mansão.
Almoce na Antigua Taberna Queirolo, aberta em 1880, a uma quadra do museu.
Passe a tarde em San Isidro, a pé entre o bosque El Olivar e a huaca Huallamarca.
Reserve com meses de antecedência um jantar de alta cozinha (Central, Maido ou Kjolle) ou, então, uma peña criolla em Barranco.
Se preferir sair da cidade, troque a tarde por Pachacamac, a 32 km ao sul, e volte para o jantar.
Comida
Ilustração com IACeviche
Peixe branco em cubos curtido em suco de limão com cebola roxa, ají limo e sal, servido com camote cozido, choclo e cancha. Come-se ao meio-dia, quando a pesca do dia ainda é fresca; o caldo que sobra é a leche de tigre, tomada em copo à parte.
Ilustração com IATiradito e causa
O tiradito é o ceviche sem cebola, cortado em lâminas e coberto por creme de ají: herança do corte japonês. A causa é um bolo frio de batata amarela amassada com limão e ají amarelo, recheado de frango, atum ou caranguejo. Ambos são entradas de almoço.
Ilustração com IALomo saltado e arroz chaufa
Herança dos cozinheiros chineses do século XIX: carne salteada em wok com cebola, tomate, molho de soja e vinagre, servida com batata frita e arroz ao mesmo tempo, nunca um ou outro. O chaufa é o arroz frito peruano, com ovo, cebolinha e o que houver.
Ilustração com IAAjí de gallina e papa a la huancaína
Frango desfiado num creme de ají amarelo, pão, leite e nozes, sobre batata e arroz. A huancaína é batata cozida fria coberta por creme de ají com queijo fresco. São os pratos que sustentam o menú de esquina do dia útil.
Ilustração com IAAnticuchos
Espetos de coração de boi marinados em ají panca, vinagre e cominho, grelhados no carvão das carrocinhas depois das 19h e servidos com batata cozida e choclo. Custam poucos soles a unidade e se comem em pé, na calçada.
Ilustração com IAPollo a la brasa
Frango inteiro assado em forno de carvão giratório, criado em Chaclacayo por volta de 1950 e vendido por quartos, com batata frita, salada e quatro molhos na mesa. É a refeição de domingo em família e tem dia próprio no calendário, no terceiro domingo de julho.
Ilustração com IAChifa e nikkei
Duas cozinhas de migração viraram cozinha limenha: chifa, a cantonesa adaptada que se concentra na calle Capón do Barrio Chino desde os anos 1850, e nikkei, a japonesa-peruana formalizada nos anos 1980. O Maido, de Mitsuharu Tsumura, foi eleito o melhor restaurante do mundo em 2025.
Ilustração com IADoces e bebidas
Picarones de abóbora e camote com mel de chancaca, suspiro a la limeña de manjar branco e merengue, mazamorra morada e o turrón de Doña Pepa, que só aparece em outubro. Para beber: chicha morada de milho roxo, emoliente quente nas carrocinhas de madrugada, Inca Kola (criada em 1935) e o pisco sour, nascido no Morris Bar do centro nos anos 1920.
Bate-voltas

Pachacamac
Santuário e oráculo pré-inca a 32 km ao sul, ocupado do século III ao XVI, com templo do sol inca, o Acllahuasi e museu de sítio inaugurado em 2016. São 45 a 60 minutos de carro fora do horário de pico; meia jornada basta.

Caral
A cidade mais antiga das Américas, ocupada entre cerca de 3000 e 1800 a.C., no vale de Supe, a cerca de 185 km ao norte pela Panamericana. Patrimônio da Unesco desde 2009; são 3 a 3h30 de estrada em cada sentido, portanto um dia inteiro.

Paracas e Islas Ballestas
Reserva costeira e ilhas com lobos-marinhos, pinguins de Humboldt e o geoglifo do Candelabro, a cerca de 250 km ao sul; 3h30 a 4h de ônibus pela Panamericana Sul. O barco parte de manhã cedo e dá para emendar com as dunas de Huacachina.
Por onde começar
O damero de 1535 e o centro histórico

Comece às 9h na Plaza Mayor e fique para a troca da guarda dos Húsares de Junín, no Palacio de Gobierno, por volta do meio-dia.
Huaca, ceviche e os barrancos até Barranco

Faça de manhã a visita guiada à Huaca Pucllana, em Miraflores, que sai em intervalos curtos e mostra a pirâmide de adobe cercada de prédios.
Museus pré-colombianos de manhã, jantar à noite

Abra o dia no Museo Larco, em Pueblo Libre, que funciona das 9h às 19h, e reserve a manhã inteira para o acervo pré-colombiano da mansão.
Dinheiro
A moeda é o sol (PEN, S/), com notas de 10 a 200 e moedas de 1, 2 e 5. Em 2026 gira em torno de 3,4–3,8 por dólar e 4,0–4,4 por euro. Na comida, conte com café a S/8–15, menú del día com entrada, prato e refresco a S/12–25, ceviche em cevicheria de bairro a S/30–55, cerveja a S/10–18 e pisco sour a S/25–40. No resto, a corrida curta de aplicativo sai por S/12–25, o hostel por S/40–80, o hotel médio por S/250–450 e o jantar degustação em restaurante de lista mundial por S/700–1.200 por pessoa com harmonização. A gorjeta usual é 10%, mas muitos restaurantes já lançam “servicio” de 10% na conta, então confira antes de somar outra vez. Cartão passa sem atrito em Miraflores, San Isidro e Barranco, enquanto mercados, carrocinhas, combis e cevicherias de bairro trabalham com dinheiro. Yape e Plin, os pagamentos por QR no celular, estão em toda parte, inclusive em barraca de rua, mas em geral exigem conta bancária peruana, então não conte com eles. Troque em casas de câmbio registradas ou com os cambistas de colete credenciados de Miraflores e San Isidro, e evite o câmbio do aeroporto. O IGV de 18% já vem embutido nos preços, mas na hospedagem em hotel registrado o estrangeiro com estadia de até 60 dias é isento dele.
Como chegar e se locomover
Aeroporto Jorge Chávez, a 12 km do centro, terminal novo desde 2025
O aeroporto internacional Jorge Chávez fica em Callao, a cerca de 12 km do centro histórico e 17 km de Miraflores. Desde 1º de junho de 2025 ele opera num terminal novo, com segunda pista. Não há trem até lá, porque a ligação ferroviária depende de um ramal das obras da Linha 2/4, ainda em construção em 2026. O táxi autorizado do balcão dentro do terminal e o carro de aplicativo custam S/50–90 conforme a hora. O ônibus Airport Express vai até Miraflores por cerca de US$ 12 e leva de 40 a 70 minutos. Não aceite motorista que aborda na porta de desembarque, por mais organizada que a abordagem pareça.
Três sistemas que não conversam entre si
Dentro da cidade, metrô, Metropolitano e ônibus não conversam entre si, e essa é a informação mais útil do primeiro dia. A Linha 1 do metrô é elevada, tem 34,6 km e 26 estações entre Villa El Salvador e Bayóvar, foi aberta entre 2011 e 2012 e estendida em 2014, e cobra S/1,50 por viagem com cartão recarregável comprado na estação. O Metropolitano é um BRT em corredor exclusivo pela Vía Expresa, de Naranjal, ao norte, a Matellini, em Chorrillos, com tarifa troncal de S/3,20 e integrada de S/3,50 em 2026, e tem cartão próprio, que não serve no metrô. Os ônibus são de dois tipos: os dos corredores (o azul pela Av. Arequipa e Tacna, o vermelho pela Javier Prado e o morado) e as combis e custers informais, que param em qualquer lugar e só aceitam dinheiro. A Linha 2, subterrânea e leste-oeste, está em obra desde 2014 e vem abrindo trechos desde dezembro de 2023. Táxi de rua não tem taxímetro: o preço se combina pela janela antes de entrar, e a recomendação padrão, inclusive dos limenhos, é usar aplicativo. A pé funcionam bem duas coisas, o eixo Miraflores–Barranco, com cerca de 4 km de malecón contínuo, e o centro histórico de dia. Há ciclovia na Av. Arequipa e no malecón, com bicicletas compartilhadas em Miraflores e San Isidro.
Segurança
O risco real em Lima é patrimonial, não violento contra o visitante: o que se perde aqui é celular e mochila, em transporte lotado, no Mercado Central, no Jirón de la Unión e na saída de bares, além do roubo em dupla de moto no semáforo, com o vidro do carro aberto. Miraflores, San Isidro, Barranco e o centro histórico durante o dia se caminham com a atenção normal de qualquer cidade grande. Eu evitaria andar à noite pelo centro depois que o comércio fecha, pelas ruas do Rímac, por La Victoria fora do eixo comercial de Gamarra e pelos arredores dos estádios em dia de clássico, e não usaria caixa eletrônico de rua no escuro. Desde 2024 a extorsão contra transportistas e pequeno comércio é o tema de segurança do país, com estados de emergência declarados em Lima e Callao em 2025 e 2026; para quem está de passagem, isso significa ver mais polícia e militares em pontos de checagem, e quase nada além disso. Fique atento a três golpes comuns: o troco devolvido com nota falsa, o motorista que diz não ter troco e o câmbio de rua fora dos cambistas credenciados. Nas notas de S/100 e S/200, confira a marca d’água antes de guardar. Anote dois números: 105 para a polícia e 116 para os bombeiros; a Polícia de Turismo tem posto em Miraflores.
Dicas de etiqueta
O beijo de cumprimento
Um beijo na bochecha direita entre mulheres e entre homem e mulher, inclusive em apresentações de trabalho; entre homens, aperto de mão. Recusar e estender a mão soa distante, ainda que ninguém comente.
Ceviche só até a tarde
Ceviche é prato de almoço; a regra do limenho é nunca pedir depois das 16h.
O pisco é peruano
A disputa com o Chile sobre a origem do pisco é assunto sério e ocupa até o calendário oficial. Chamar o pisco sour de bebida chilena encerra a conversa; o mesmo vale para atribuir a batata ou a quinoa a outro país.
Almoço: a refeição grande do dia, entre 13h e 15h30
Come-se entre 13h e 15h30, é a refeição grande do dia e o menú de três tempos é a norma nos dias úteis. Jantar antes das 20h30 é cedo, e restaurante cheio às 22h é normal.
Convites sociais atrasam 20 a 40 minutos
Convite social com hora marcada costuma começar 20 a 40 minutos depois do combinado; compromisso de trabalho, não. Avisar por WhatsApp que está a caminho faz parte do protocolo.
Pedir a conta
O garçom não traz a conta antes de você pedir, porque isso soaria como pressa para despachar o cliente. Diga “la cuenta, por favor” e espere; sentar por uma hora depois do café é aceito.
Erros a evitar

O centro e Miraflores pedem dois dias
Tratar Lima como escala de uma noite a caminho de Cusco. Quem pousa à noite e embarca para Cusco na manhã seguinte conhece só o aeroporto e o hotel, enquanto o centro histórico, o malecón de Miraflores a Barranco e uma cevicheria de bairro pedem dois dias inteiros.
Doze quilômetros que viram uma hora
Subestimar o trânsito. Um trajeto de 12 km leva 25 minutos às 7h de domingo e mais de uma hora e meia às 18h30 de sexta. Reserve o dobro do tempo que o aplicativo de mapas indica e não marque duas reservas com menos de três horas de intervalo.
Parar táxi na rua sem combinar preço
Parar táxi na rua e entrar sem combinar preço. Não existe taxímetro na cidade: ou você usa aplicativo, ou negocia o valor pela janela antes de abrir a porta. Entrar primeiro e perguntar depois é a ordem errada.
Garúa de inverno: casaco, não guarda-chuva
Esperar sol entre junho e setembro e levar só roupa de verão. A garúa não molha o bastante para justificar guarda-chuva, mas encharca um casaco em uma hora de caminhada no malecón, e nenhum hotel médio tem aquecimento.
Água da torneira e gelo de rua
Beber água da torneira ou aceitar gelo em barraca de rua. Em Lima o costume da casa é ferver a água ou comprá-la engarrafada, então fique na garrafa lacrada e peça sucos em lugar movimentado.
Frases úteis
¿Cuánto está?
Quanto custa? Mais usado na feira e na rua do que “¿cuánto cuesta?”
La cuenta, por favor
A conta, por favor. É preciso pedir, ninguém traz antes
Al toque
Agora mesmo, na hora: “te lo traigo al toque”
¡Qué bacán!
Que legal: gíria limenha corrente; “chévere” também funciona
¿Me da la yapa?
Me dá um pouquinho a mais? O extra de cortesia que o vendedor põe no pacote
¡Qué palta!
Que vergonha, que mico: literalmente “que abacate”
Bairros

Cercado de Lima (Centro Histórico)
O damero de 1535 em torno da Plaza Mayor, patrimônio da Unesco desde 1988: catedral, Palacio de Gobierno, conventos, balcões de madeira de influência mourisca e o Jirón de la Unión como calçadão. Concentra igrejas, museus e órgãos públicos, e esvazia depois que o comércio fecha.

Miraflores
Distrito sobre os barrancos, com 11 km de malecón, o Parque Kennedy e a huaca Pucllana no meio das quadras residenciais. Reúne a maior parte dos hotéis, agências e bares da cidade; é caro para o padrão local e é onde quase todo visitante se hospeda.

Barranco
Antigo balneário do século XIX em 3,4 km², hoje o distrito das galerias, casas republicanas coloridas e bares da Av. Grau. Puente de los Suspiros e MATE ficam a cinco minutos um do outro, e o malecón o liga a Miraflores a pé.
San Isidro
Centro financeiro do país: sedes de bancos, o bosque El Olivar com oliveiras descendentes das plantadas a partir de 1560 e a huaca Huallamarca cercada de prédios. Restaurantes caros e pouca vida de rua depois das 20h.

Pueblo Libre e Magdalena
Bairros de casas baixas e ruas arborizadas onde ficam o Museo Larco e o Museo Nacional de Arqueología, Antropología e Historia. A Antigua Taberna Queirolo, aberta em 1880, é a parada clássica de almoço na esquina do museu.
Rímac
Do outro lado do rio, ligado pelo Puente de Piedra de 1610: Alameda de los Descalzos, Paseo de Aguas, o convento dos Descalzos e a Plaza de Acho, praça de touros de 1766. Também é a base do cerro San Cristóbal; visita-se de dia.
La Victoria e Gamarra
Distrito operário colado ao centro que abriga o maior polo têxtil da América do Sul, com milhares de lojas e oficinas em poucos quarteirões de Gamarra. É a casa do Alianza Lima, no estádio de Matute, e pede atenção fora das ruas comerciais.
Callao e Callao Monumental
Província constitucional separada, com o porto, o aeroporto e a Fortaleza del Real Felipe, de 1747. O núcleo antigo de Chucuito e o projeto Monumental Callao recuperaram quarteirões com murais, ateliês e bares; o resto do Callao não é área de caminhada.
História
cerca de 200–700 d.C. · A cultura Lima ergue as huacas
As pirâmides de adobe de Pucllana e do complexo Maranga são levantadas com milhões de tijolinhos fincados de pé e com folga entre si, técnica que dissipa o tremor. O vale já vivia de canais de irrigação.
séc. XV · Taulichusco e a chegada inca
O curacazgo de Taulichusco administra a água do Rímac sob a esfera religiosa de Pachacamac, o oráculo mais consultado da costa. Os incas incorporam a região ao império por volta de 1470.
1535 · Pizarro funda a Ciudad de los Reyes
Em 18 de janeiro, Francisco Pizarro traça um damero de 117 quarteirões na margem sul do rio, a 12 km do porto natural de Callao. O nome oficial não pegou: venceu Lima, castelhanização de Rímac.
1542–1551 · Capital do Vice-Reino do Peru
A cidade passa a governar do Panamá ao Chile e recebe a Casa da Moeda (1565) e o tribunal da Inquisição (1570). Em 12 de maio de 1551 nasce a Universidade de San Marcos, a mais antiga em funcionamento nas Américas.
1687–1746 · Muralha, terremoto e tsunami
Entre 1684 e 1687 Lima se fecha atrás de 11 km de muralha de adobe. Em 28 de outubro de 1746 um terremoto derruba quase todo o centro e um tsunami varre Callao, matando a maioria de seus cerca de 5.000 moradores.
1821 · Independência na Plaza Mayor
José de San Martín proclama a independência em 28 de julho de 1821, data que virou feriado nacional. A guerra só se decide em Ayacucho, em dezembro de 1824.
1851–1870 · Guano, ferrovia e queda das muralhas
A renda do guano paga a ferrovia Lima–Callao, inaugurada em 1851 e a primeira do Peru. Entre 1868 e 1870 as muralhas são demolidas para abrir a cidade ao crescimento.

1881–1883 · Ocupação chilena
Depois das batalhas de San Juan e Miraflores, em 13 e 15 de janeiro de 1881, o exército chileno ocupa Lima por dois anos e nove meses. O acervo da Biblioteca Nacional é levado.

1919–1940 · A cidade se estende ao mar
Augusto Leguía abre a Avenida Arequipa e refaz a Plaza San Martín, ligando o centro aos balneários de Miraflores, Barranco e Chorrillos, já servidos por bonde elétrico desde 1904. Em 1940 a cidade tem 645 mil habitantes.
1950–1990 · Migração andina e os conos
Entre 1940 e 1993 a população passa de 645 mil para mais de 6 milhões, quase dez vezes, com ocupações de terra que fundam distritos inteiros, como Villa El Salvador em 1971. Os “pueblos jóvenes” passam a abrigar mais gente que a Lima antiga.
Ilustração com IA1980–2026 · Terrorismo, boom gastronômico e crise política
A bomba do Sendero Luminoso na rua Tarata mata 25 pessoas em 16 de julho de 1992 e o MRTA ocupa a residência do embaixador japonês de dezembro de 1996 a abril de 1997. Depois de 2000 a cidade vira destino gastronômico mundial, enquanto o país troca de presidente seis vezes entre 2016 e 2025.
Ilustração com IAHistória completa
Terra irrigada muito antes dos espanhóis
O vale do Rímac era terra irrigada muito antes dos espanhóis. Entre os séculos III e VII a cultura Lima ergueu conjuntos de adobe como Pucllana e Maranga, e a partir do século XV o curacazgo de Taulichusco administrava os canais sob a esfera religiosa de Pachacamac, o oráculo mais consultado da costa, já incorporado ao império inca por volta de 1470. Francisco Pizarro escolheu esse vale em 18 de janeiro de 1535 por três razões práticas: água doce, terra plana e uma baía navegável a 12 quilômetros, em Callao. O nome oficial, Ciudad de los Reyes, nunca colou; venceu Lima, castelhanização do topônimo Rímac, que quer dizer “o que fala”.
Capital do Vice-Reino do Peru, de 1542 à independência
A partir de 1542 Lima foi a capital do Vice-Reino do Peru e, por dois séculos, a cidade mais poderosa da América do Sul espanhola. Por ela passava a prata de Potosí, e nela ficavam a Casa da Moeda de 1565, o tribunal da Inquisição instalado em 1570 e a Universidade de San Marcos, criada em 12 de maio de 1551. Entre 1684 e 1687 a cidade se fechou atrás de 11 quilômetros de muralha de adobe contra corsários. O terremoto de 28 de outubro de 1746 apagou boa parte disso: quase todas as construções do centro caíram e um tsunami destruiu Callao. A reconstrução foi feita em quincha, e é essa Lima de teto leve e balcão de madeira que sobrevive no centro histórico, patrimônio da Unesco desde 1988.
A independência proclamada na Plaza Mayor
A independência foi proclamada por José de San Martín na Plaza Mayor em 28 de julho de 1821, mas a riqueza só voltou nos anos 1850, com o guano das ilhas: o dinheiro do adubo pagou a ferrovia a Callao em 1851, a demolição das muralhas entre 1868 e 1870 e uma classe rentista que gastou mais do que o país produzia. A conta chegou na Guerra do Pacífico. Depois das batalhas de San Juan e Miraflores, em 13 e 15 de janeiro de 1881, o exército chileno ocupou Lima por dois anos e nove meses. A cidade saiu daí endividada e sem o litoral salitreiro, e só voltou a crescer nos anos 1920, com as avenidas de Leguía e os bondes que emendaram o centro colonial aos balneários do sul.
A cidade de hoje foi construída depois de 1940
A Lima de hoje foi construída depois de 1940. Naquele ano a cidade tinha 645 mil habitantes; em 1993 passava de 6 milhões. A migração andina, empurrada pela falta de terra e pela concentração industrial da capital, ocupou os areais em “invasiones” organizadas que viraram distritos inteiros: Comas, San Juan de Lurigancho, Villa El Salvador, fundada em 1971 e reconhecida internacionalmente como modelo de autogestão urbana. A reforma agrária de Velasco, em 1969, desmontou a economia de fazenda que sustentava a elite limenha. Nos anos 1980 vieram duas crises ao mesmo tempo, a hiperinflação, que chegou a 7.650% em 1990, e a guerra do Sendero Luminoso. A guerra levou a violência ao centro, com apagões de noites inteiras, carros-bomba e o atentado da rua Tarata, em Miraflores, que matou 25 pessoas em 16 de julho de 1992.
Uma década e meia de crescimento
Depois de 2000 a economia peruana cresceu por uma década e meia com mineração e agroexportação, e Lima trocou de cara: shoppings sobre os barrancos, o BRT Metropolitano em 2010, a Linha 1 do metrô entre 2011 e 2012, e uma indústria de restaurantes que virou política externa; Gastón Acurio abriu o Astrid y Gastón em 1994, o festival Mistura reuniu centenas de milhares de pessoas por edição entre 2008 e 2017, e Central e Maido chegaram ao topo das listas mundiais, com o Maido em primeiro lugar em 2025. A política andou no sentido contrário: sete presidentes entre 2016 e 2025, num pano de fundo de insegurança que virou assunto dominante da capital. As eleições gerais de abril de 2026 e a posse de 28 de julho fecharam esse ciclo, enquanto as obras da Linha 2 do metrô, iniciadas em 2014, seguem abrindo trechos.
O centro foi reconstruído em quincha, barro sobre cana: material leve, que não mata quando desaba.
Geografia e forma da cidade

O cascalho, os rios e a garúa
Lima ocupa um leque de cascalho aluvial entre o Pacífico e as primeiras encostas dos Andes, de 0 a cerca de 500 m de altitude, com cerros áridos aparecendo dentro da malha urbana. Três rios de regime torrencial descem da cordilheira e cortam a cidade (Rímac, Chillón e Lurín) e é do Rímac que vem quase toda a água potável, o que transforma qualquer estiagem serrana em problema urbano. Chove menos de 10 mm por ano porque a corrente fria de Humboldt e o anticiclone do Pacífico Sul criam uma inversão térmica que prende a umidade numa camada baixa: em vez de chuva, a cidade recebe garúa, uma neblina que molha sem cair, e um teto de nuvem cinza de maio a outubro. Entre a cidade e o mar há um paredão de barrancos de 60 a 80 metros, e ao pé dele corre a Costa Verde, avenida à beira-mar aberta nos anos 1960 sobre praias de seixo.
Três camadas de traçado: do damero colonial aos conos
O traçado tem três camadas sobrepostas: o damero espanhol de 1535, com 117 quarteirões originais em torno da Plaza Mayor; os balneários do sul, costurados ao centro por avenidas radiais como a Arequipa nos anos 1920; e os “conos” (Lima Norte, Este e Sul) bairros nascidos de ocupações de terra a partir dos anos 1950 que hoje concentram a maior parte da população, com San Juan de Lurigancho sozinho passando de 1,2 milhão de habitantes.
A zona de subducção e o terremoto de 1746
Lima inteira se assenta sobre uma zona de subducção ativa: o terremoto de 1746 destruiu quase a cidade toda, e um evento de magnitude próxima de 8 é tratado pelo Estado como certeza estatística, não como hipótese.
Chove menos de dez milímetros por ano por causa da corrente fria de Humboldt, no mar.
Cultura
A valsa europeia virou criolla
Lima transformou a valsa europeia dos salões do século XIX em valse criollo, tocado com violão, cajón e voz; Chabuca Granda fixou o repertório com “La flor de la canela”, de 1950, e o 31 de outubro virou o Día de la Canción Criolla, disputado a cada ano com o Halloween importado. A costa central é também a origem do cajón, caixa de madeira que escravizados afro-peruanos transformaram em tambor e que hoje é instrumento padrão do flamenco espanhol; o grupo Perú Negro, de 1969, e cantoras como Susana Baca e Eva Ayllón levaram o festejo e o landó para fora do país. Nos distritos do sul e do leste, a cumbia peruana e a chicha (huayno andino com guitarra elétrica, nascida da migração dos anos 1960) enchem salões de milhares de pessoas nos fins de semana.
Literatura peruana: Ricardo Palma, Vargas Llosa e Ribeyro
Boa parte da literatura peruana é literatura de Lima. Ricardo Palma inventou a cidade colonial nas Tradiciones peruanas, publicadas entre 1872 e 1910; Julio Ramón Ribeyro escreveu em prosa baixa os contos de escritório, pensão e ressentimento que a definem; e Mario Vargas Llosa, Nobel de 2010 e morto em abril de 2025, usou o colégio Leoncio Prado e os bares do centro como mapa. Sebastián Salazar Bondy respondeu a toda essa nostalgia com o ensaio Lima la horrible, de 1964. No cinema, Francisco Lombardi e Claudia Llosa filmaram a cidade da migração e do conflito interno, e o Festival de Cine de Lima, organizado pela PUCP desde 1997, ocupa as salas de Miraflores e San Isidro em agosto.
O futebol divide a cidade
O clássico entre Alianza Lima e Universitario divide a cidade: o Alianza manda seus jogos em Matute, em La Victoria, e o Universitario no Estadio Monumental. Em dia de clássico, o trânsito em volta do estádio se reorganiza, e os arredores ficam cheios de torcida e de polícia, por isso é melhor chegar cedo ou ver o jogo num bar.
O Alianza Lima joga em Matute e o Universitario no Monumental, e quando os dois se enfrentam a cidade inteira sente o clássico no trânsito.
Festas e eventos

Señor de los Milagros
Durante todo o mês de outubro, com as procissões maiores nos dias 18, 19 e 28. O Cristo que um escravo angolano pintou em 1651 numa parede do atual santuário das Nazarenas resistiu ao terremoto de 1655 e continua lá; quem sai às ruas é uma cópia a óleo, numa anda de quase duas toneladas carregada por turnos. A cidade se veste de roxo e as ruas do centro fecham.
Ilustração com IAFiestas Patrias
28 e 29 de julho, aniversário da independência, proclamada em 1821. Missa e Te Deum na catedral, desfile militar, bandeiras obrigatórias nas fachadas; muita gente viaja, os serviços reduzem e as passagens sobem.
Ilustração com IASanta Rosa de Lima
30 de agosto, feriado nacional. Fiéis fazem fila no santuário da Av. Tacna para atirar cartas com pedidos no poço onde a santa teria jogado a chave do seu cilício, o cinto de penitência que usava.
Ilustração com IADía de la Canción Criolla
31 de outubro. Peñas, restaurantes e clubes tocam valse, festejo e marinera a noite inteira, com jarana que costuma virar a madrugada.

Festival de Cine de Lima
Agosto, organizado pela Pontifícia Universidade Católica desde 1997. Uma semana de cinema latino-americano em salas de Miraflores, San Isidro e do centro, com ingressos baratos e sessões que esgotam.
Livros e filmes
Conversación en La Catedral, de Mario Vargas Llosa (1969)
O romance que abre perguntando em que momento o Peru se estragou e disseca a Lima da ditadura de Odría, bar por bar, redação por redação.
Lima la horrible, de Sebastián Salazar Bondy (1964)
Ensaio curto que desmonta a nostalgia da “Arcádia colonial” e explica por que a capital se envergonhava do país que a sustentava.
La teta asustada, de Claudia Llosa (2009)
Urso de Ouro em Berlim, filmado nas encostas de areia de Manchay: a Lima construída por quem fugiu da violência dos anos 1980, do outro lado do malecón.
Perguntas frequentes
Lima: dá para ver a cidade numa noite de escala a caminho de Cusco?
Não. Quem pousa à noite e embarca para Cusco na manhã seguinte conhece só o aeroporto e o hotel, enquanto o centro histórico, o malecón de Miraflores a Barranco e uma cevicheria de bairro pedem dois dias inteiros.
Lima: o que é Pachacamac e a que distância fica?
É um santuário e oráculo pré-inca a 32 km ao sul, ocupado do século III ao XVI, com templo do sol inca, o Acllahuasi e museu de sítio inaugurado em 2016.
Lima: quando faz sol na cidade?
O verão de Lima vai de dezembro a abril, com 20 a 29 °C e praias da Costa Verde e do sul cheias nos fins de semana, mas o céu firme, a melhor janela do ano, vai do fim de janeiro ao começo de abril. De maio a outubro, a garúa deixa o céu encoberto por semanas.
Lima: como as pessoas se cumprimentam?
Mulheres entre si, e homem com mulher, se cumprimentam com um beijo na bochecha direita, inclusive em apresentações de trabalho; entre homens, o cumprimento é o aperto de mão. Recusar o beijo e estender a mão soa distante, ainda que ninguém comente.
Lima: qual é o risco real para quem visita?
O risco real em Lima é patrimonial, não violento contra o visitante: o que se perde aqui é celular e mochila, em transporte lotado, no Mercado Central, no Jirón de la Unión e na saída de bares, além do roubo em dupla de moto no semáforo, com o vidro do carro aberto.
Outras cidades do país
Peru ↗- Dias
- 4–5
- Quando
- abr–mai · set–out
- Por pessoa/dia
- Média de 350–600 S/Perfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 1–2
- Quando
- abr–out
- Por pessoa/dia
- Média de 425 S/Perfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 2–3
- Quando
- mai–out
- Por pessoa/dia
- Consultar custosEstimativa do guia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 2–3
- Quando
- abr–nov
- Por pessoa/dia
- Média de 209 PENPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 2–3
- Quando
- jan–abr · dez
- Por pessoa/dia
- Média de 294 PENPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.














