
Estados Unidos
Nova Orleans
Jazz de bairro, second lines, cozinha crioula e o Quarter
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
O primeiro é do Vieux Carré e do rio; o segundo, da Uptown de bonde e do National WWII Museum; o terceiro, do Tremé e do Mid-City. Um quarto dia compensa se cair num domingo de second line. Não venha atrás de museu grande a cada esquina, calçada plana, transporte pontual ou noite silenciosa. Com um único dia, coma beignets às 8h no Café du Monde e passe a manhã entre a Jackson Square e o Cabildo. Divida uma muffuletta no almoço e pegue a balsa para Algiers no fim da tarde. Depois das 21h, entre em três casas da Frenchmen Street. O que decepciona é a Bourbon Street, um corredor de bares que não representa a música daqui. Decepciona também a infraestrutura, com asfalto esburacado, ruas que alagam em meia hora de chuva e o calor de agosto.
3
Quando Fevereiro a maio, e de meados de outubro ao começo de dezembro
Como o guia chega a este número
As melhores janelas são de fevereiro a maio e de meados de outubro ao começo de dezembro, com máximas entre 20 °C e 28 °C e umidade tolerável. O verão, de junho a setembro, é outra cidade: máximas de 32 °C a 34 °C, mínimas que não descem de 25 °C, sensação térmica acima de 38 °C com frequência e chuva quase toda tarde. Nessa época, a vida se organiza em torno do ar-condicionado e das horas antes das 11h, então deixe o meio-dia para interiores. A temporada de furacões corre de 1º de junho a 30 de novembro, com pico entre meados de agosto e o fim de setembro. Agosto é o mês a evitar, pela combinação de calor, risco meteorológico e férias coletivas de parte dos restaurantes. O inverno é ameno, entre 8 °C e 17 °C, com frentes frias curtas e geada rara, e é nele que cai o Carnaval. Chove cerca de 1.600 mm por ano, distribuídos o ano inteiro, com máximo no verão. Preço e lotação sobem nas duas semanas finais do Carnaval, no French Quarter Fest em abril, nos dois fins de semana do Jazz Fest na virada de abril para maio e no Essence, no começo de julho; nesses períodos, reserve com quatro a seis meses de antecedência.
Por pessoa/dia US$ 120–180 econômico; US$ 250–350 confortável (aproximado, 2026)
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaNova Orleans pede três dias. O primeiro é do Vieux Carré e do rio; o segundo, da Uptown de bonde e do National WWII Museum; o terceiro, do Tremé e do Mid-City. Um quarto dia compensa se cair num domingo de second line. Não venha atrás de museu grande a cada esquina, calçada plana, transporte pontual ou noite silenciosa. Com um único dia, coma beignets às 8h no Café du Monde e passe a manhã entre a Jackson Square e o Cabildo. Divida uma muffuletta no almoço e pegue a balsa para Algiers no fim da tarde. Depois das 21h, entre em três casas da Frenchmen Street. O que decepciona é a Bourbon Street, um corredor de bares que não representa a música daqui. Decepciona também a infraestrutura, com asfalto esburacado, ruas que alagam em meia hora de chuva e o calor de agosto.Venha a Nova Orleans pela música que sai à rua. Num domingo de second line, um clube de bairro desfila com sua banda de metais e o bairro inteiro vai atrás. À noite, ouça jazz tradicional de pé no Preservation Hall ou pule de porta em porta na Frenchmen Street, com notas pequenas para o balde da banda. Coma gumbo, po-boy e beignets com café de chicória, e feche o dia com um Sazerac, o coquetel oficial da cidade. No French Quarter, repare que o casario é espanhol, refeito depois dos incêndios de 1788 e 1794, e que só as sacadas de ferro são americanas. A melhor época vai de fevereiro a maio, com calor tolerável e o Carnaval ou o Jazz Fest no calendário, e a cidade pede três dias.
Ficha rápida
- População
- cerca de 362 mil na cidade (estimativa de 2025); cerca de 1,0 milhão na região metropolitana
- Fundação
- 1718, por Jean-Baptiste Le Moyne de Bienville, como La Nouvelle-Orléans
- País e região
- Estados Unidos: Louisiana, paróquia de Orleans, delta do Mississippi
- Idioma
- Inglês; o crioulo louisianês e o francês cajun sobrevivem em pequenas comunidades do interior
- Moeda
- Dólar americano (US$)
- Fuso
- UTC−6 no inverno, UTC−5 no horário de verão (segundo domingo de março ao primeiro de novembro)
- Melhor época
- Fevereiro a maio, e de meados de outubro ao começo de dezembro
- Custo médio por dia
- US$ 120–180 econômico; US$ 250–350 confortável (aproximado, 2026)
Quando ir
Fevereiro a maio, e de meados de outubro ao começo de dezembro
janeiro
8° a 17°C
132 mm de chuva
junho
24° a 32°C
193 mm de chuva
julho
25° a 33°C
172 mm de chuva
agosto
25° a 33°C
176 mm de chuva
setembro
23° a 31°C
130 mm de chuva
O que muda ao longo do ano
As melhores janelas são de fevereiro a maio e de meados de outubro ao começo de dezembro, com máximas entre 20 °C e 28 °C e umidade tolerável. O verão, de junho a setembro, é outra cidade: máximas de 32 °C a 34 °C, mínimas que não descem de 25 °C, sensação térmica acima de 38 °C com frequência e chuva quase toda tarde. Nessa época, a vida se organiza em torno do ar-condicionado e das horas antes das 11h, então deixe o meio-dia para interiores. A temporada de furacões corre de 1º de junho a 30 de novembro, com pico entre meados de agosto e o fim de setembro. Agosto é o mês a evitar, pela combinação de calor, risco meteorológico e férias coletivas de parte dos restaurantes. O inverno é ameno, entre 8 °C e 17 °C, com frentes frias curtas e geada rara, e é nele que cai o Carnaval. Chove cerca de 1.600 mm por ano, distribuídos o ano inteiro, com máximo no verão. Preço e lotação sobem nas duas semanas finais do Carnaval, no French Quarter Fest em abril, nos dois fins de semana do Jazz Fest na virada de abril para maio e no Essence, no começo de julho; nesses períodos, reserve com quatro a seis meses de antecedência.
Os mesmos números em tabela
| Mês | Temperatura °C | Chuva mm |
|---|---|---|
| janeiro | 8 a 17 | 132 |
| fevereiro · | 10 a 19 | 105 |
| março · | 13 a 22 | 111 |
| abril · | 17 a 26 | 133 |
| maio · | 21 a 30 | 143 |
| junho | 24 a 32 | 193 |
| julho | 25 a 33 | 172 |
| agosto | 25 a 33 | 176 |
| setembro | 23 a 31 | 130 |
| outubro · | 18 a 27 | 94 |
| novembro · | 12 a 22 | 98 |
| dezembro · | 9 a 18 | 122 |
Dicas do Nilo
Na Frenchmen Street, deixe US$ 5 a 10 no balde por set
Como a maioria das casas dispensa o couvert, os músicos tiram desse balde o pagamento da noite. O valor é por pessoa e vale para cada set inteiro que você ficar, então leve US$ 20 em notas pequenas. Saque no banco antes de sair do hotel, porque o caixa eletrônico dentro do bar cobra US$ 5 ou mais por saque. Três quarteirões do Marigny somam uma dúzia de casas de música, e as quatro que eu escolheria são The Spotted Cat, d.b.a., Snug Harbor e Blue Nile.
Preservation Hall: ingresso online, nunca a fila da porta
A fila de porta raramente entra, então compre o ingresso online antes de viajar. A sala não tem bar nem ar-condicionado, e boa parte do público assiste de pé. Vá sem bebida na mão e de roupa leve: o que se compra ali é o jazz tradicional a três metros da banda.
Ouça a WWOZ 90.7 FM para achar o cortejo de domingo
Não há calendário fixo publicado, e a rota da semana sai na WWOZ 90.7 FM, que você confere na manhã do próprio domingo. Entre o fim de agosto e junho, um social aid and pleasure club diferente desfila quase todo domingo, em quatro horas de cortejo com brass band por bairros que nenhum passeio guiado cobre. Ande sempre atrás da banda, nunca entre a banda e os membros fardados. Compre da barraca de bebida que segue o cortejo, porque é ela que paga a saída do ano que vem.
A melhor vista do rio custa US$ 2
A balsa da Canal Street atravessa em 10 minutos até Algiers Point, uma vila do século XIX com a melhor vista frontal do skyline e praticamente nenhum turista. O cruzeiro no vapor Natchez custa muitas vezes mais pelo mesmo rio. Atravesse no fim da tarde e volte com o pôr do sol.
Jazzy Pass no app Le Pass: a partir de 3 viagens
A partir da terceira viagem no dia, o Jazzy Pass sai mais barato que a passagem avulsa. Os carros verdes de madeira da St. Charles, de 1923–24, não têm ar-condicionado, então embarque antes das 10h e sente do lado da sombra. Use o bonde como passeio e não para compromisso com hora marcada, porque o intervalo entre os carros varia.
Peça crawfish só na temporada e feijão vermelho às segundas
A temporada do lagostim vai de janeiro a junho; fora dela, o crawfish boil provavelmente veio congelado, então pergunte antes de sentar. Na segunda-feira, peça feijão vermelho com arroz, prato do antigo dia de lavar roupa, que nesse dia sai mais barato e mais bem feito nos restaurantes de bairro. A ostra crua também tem calendário: casas antigas como a Casamento’s seguem a regra dos meses sem “r” e a tiram do balcão de maio a agosto. A própria Casamento’s fecha de junho a agosto.
Explorar o mapa
Explore o mapa, consulte os outros lugares e monte os dias da sua viagem no app.
Abrir o appO que ver
Nova Orleans: O meandro e a faixa alta
A cidade ocupa a margem leste de um meandro em forma de crescente do Mississippi, daí o apelido Crescent City, espremida entre o rio e o lago Pontchartrain, um corpo de água salobra de cerca de 1.630 km² ligado ao golfo. O Vieux Carré de hoje tem cerca de 78 quarteirões entre Canal Street, Esplanade Avenue, Rampart e o rio, crescidos a partir da grade de 66 quarteirões traçada em 1721.

Jackson Square e a catedral de St. Louis
A praça de armas de 1721, convertida em jardim em 1851, com a estátua equestre de Andrew Jackson de 1856. A catedral atual foi erguida entre 1789 e 1794 e ganhou as torres centrais em 1850; é a catedral católica em funcionamento contínuo mais antiga dos Estados Unidos.
A catedral de St. Louis, a mais antiga dos Estados Unidos em funcionamento contínuo, se vê em vinte minutos, e a praça de armas de 1721, na frente, vale tanto quanto o interior.
Consultar acesso

Frenchmen Street
Três quarteirões no Marigny com uma dúzia de casas de música: The Spotted Cat, d.b.a., Snug Harbor, Blue Nile. Na maioria não há couvert: a banda vive do balde de gorjetas que circula entre uma música e outra.
Em duas horas cabem três casas de música, pagando a banda pelo balde de gorjetas em vez de couvert. Como os shows engrenam depois das 21h, não é programa para quem tem voo cedo no dia seguinte.
Consultar acesso

Balsa de Algiers e o vapor Natchez
A balsa da Canal Street cruza o Mississippi em cerca de 10 minutos por cerca de US$ 2 e é a forma mais barata de ver a cidade da água. O Natchez, vapor de roda de popa lançado em 1975, faz cruzeiros de duas horas com órgão a vapor tocado ao vivo antes de zarpar.
Vinte minutos ida e volta, e o que vale é a vista durante a travessia, mais do que Algiers. Vá no fim da tarde: é quando as luzes do centro acendem do outro lado.
Consultar acesso

Cabildo e Presbytère
Os dois prédios coloniais espanhóis que ladeiam a catedral, hoje sedes do Museu do Estado da Louisiana. Foi no salão do segundo andar do Cabildo que se assinou a transferência da Louisiana aos EUA em 20 de dezembro de 1803; o Presbytère abriga a exposição permanente sobre o furacão Katrina.
Os dois prédios espanhóis ladeiam a catedral e são uma visita só: no Cabildo se assinou a transferência da Louisiana em 20 de dezembro de 1803, e o Presbytère guarda a exposição permanente sobre o Katrina, que explica a cidade de hoje.
Consultar acesso

National WWII Museum
Inaugurado em 6 de junho de 2000 por iniciativa do historiador Stephen Ambrose, porque as barcaças de desembarque Higgins usadas na Normandia foram projetadas e construídas na cidade. Ocupa cinco pavilhões no Warehouse District; reserve meio dia e compre o ingresso online (cerca de US$ 36).
São cinco pavilhões, e vale reservar ao menos meia jornada para percorrê-los; o ingresso comprado on-line custa cerca de US$ 36. Ele existe aqui porque as barcaças Higgins usadas na Normandia foram projetadas e construídas na cidade, não porque a guerra passou por aqui.
Consultar acesso

Bonde da St. Charles Avenue
Aberta em 1835 como New Orleans & Carrollton Railroad, é a linha de bonde em operação contínua mais antiga do mundo. Os carros verdes de madeira são Perley Thomas de 1923–24, sem ar-condicionado, e cobrem 13 km entre a Canal Street e Carrollton em cerca de 50 minutos.
É a linha de bonde em operação contínua mais antiga do mundo, com carros de madeira de 1923–24, e vale pela viagem em si; para quem tem hora marcada, o intervalo irregular atrapalha.
Consultar acesso

City Park e o Museu de Arte (NOMA)
Parque de cerca de 5,3 km², maior que o Central Park, com uma das maiores concentrações de carvalhos-vivos centenários do mundo. O NOMA é de 1911 e o Jardim de Esculturas Sydney and Walda Besthoff, ao lado, tem entrada gratuita e cerca de 90 obras ao ar livre.
Meia manhã cobre o parque e o jardim de esculturas, que não cobra entrada; o NOMA pede outra. Chega-se pelo bonde vermelho da Canal, ramal City Park/Museum.
Consultar acesso

Preservation Hall
Sala aberta em 1961 na St. Peter Street, dedicada ao jazz tradicional: sem bar, sem ar-condicionado, com cerca de 100 lugares e boa parte do público de pé. São três a quatro apresentações de cerca de 45 minutos por noite; compre online, porque a fila de porta raramente entra.
É o jazz tradicional de Nova Orleans desde 1961, tocado a poucos metros de quem ouve, sem nada entre a banda e o público. A única garantia de entrar é o ingresso comprado online antes da viagem.
Consultar acesso

Cemitério St. Louis No. 1
Aberto em 1789, com túmulos de alvenaria acima do chão por causa do lençol freático alto e do calor, que transformam a cripta num forno crematório natural. Desde 2015 só se entra com guia licenciado ou em visita da arquidiocese; o túmulo atribuído a Marie Laveau fica perto da entrada.
A visita ao cemitério leva cerca de vinte minutos, mas desde 2015 só se entra com guia licenciado, contratado e agendado antes. Vá só se o passeio já estiver marcado; sem ele, o túmulo atribuído a Marie Laveau fica atrás do muro.
Consultar acesso
O roteiro do Nilo
Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · Vieux Carré, o rio e a primeira noite de música
Chegue ao Café du Monde às 8h, antes da fila, para três beignets e um café au lait com chicória, por cerca de US$ 9.
Atravesse para a Jackson Square e a catedral de St. Louis, e visite as duas alas do Museu do Estado: o Cabildo pela manhã e, em seguida, o Presbytère, com a exposição sobre o Katrina.
Almoce uma muffuletta da Central Grocery ou um po-boy de ostra frita perto da Decatur; peça meia porção ou divida, porque a unidade inteira alimenta quatro pessoas.
No fim da tarde, pegue a balsa para Algiers Point (US$ 2, 10 minutos) para ver o skyline do meio do rio, e volte com o pôr do sol.
Jante no Marigny e, depois das 21h, entre em três casas da Frenchmen Street com notas pequenas no bolso.
Dia 2 · Uptown de bonde e o século XX no Warehouse District
Pegue o bonde verde da St. Charles no cruzamento com a Canal (US$ 1,25) e desça na Washington Avenue, 20 minutos depois.
Caminhe 90 minutos pelo Garden District, entre a Prytania e a Coliseum, contornando por fora o Lafayette Cemetery No. 1 (1833).
Almoce na Magazine Street e reserve uma hora para as lojas e sebos do trecho entre a Washington e a Napoleon.
Volte ao CBD para o National WWII Museum, com ingresso comprado online (cerca de US$ 36); reserve três horas no mínimo.
Termine o dia com um Sazerac, no Sazerac Bar do hotel Roosevelt ou no Carousel Bar do Monteleone, que dá uma volta completa a cada 15 minutos.
Dia 3 · Tremé, Mid-City e a música de bairro
Comece pela Congo Square, dentro do Louis Armstrong Park, e siga a pé para o Backstreet Cultural Museum, no Tremé, que guarda trajes de Mardi Gras Indians.
Pegue o bonde vermelho da Canal Street, ramal City Park/Museum, até o NOMA e o Jardim de Esculturas Besthoff, de entrada gratuita.
Almoce um po-boy no Parkway, em Mid-City, e caminhe pela margem do Bayou St. John até a Pitot House (1799).
Se for domingo entre o fim de agosto e junho, confira na WWOZ 90.7 FM a rota da second line da semana e acompanhe um trecho do cortejo, sempre atrás da banda.
Encerre num show de bairro: Tipitina’s na Uptown, Chickie Wah Wah no Mid-City ou o Preservation Hall com ingresso comprado com antecedência.
Comida
Ilustração com IAGumbo
Ensopado servido sobre arroz, engrossado com roux, farinha tostada na gordura, e com quiabo ou pó de sassafrás (filé). A versão crioula da cidade costuma levar tomate e frutos do mar; a cajun, do interior, tem roux quase preto, frango e linguiça andouille.
Ilustração com IAPo-boy
Sanduíche no pão francês local, crocante por fora e leve por dentro (a padaria Leidenheimer abastece a cidade desde 1896). Recheio de camarão ou ostra fritos, ou rosbife com o molho de debris; pedir “dressed” significa alface, tomate, picles e maionese. Surgiu na greve dos bondes de 1929, quando os irmãos Martin alimentaram os grevistas de graça.
Ilustração com IAMuffuletta
Pão siciliano redondo com gergelim, recheado de mortadela, salame, presunto, provolone e salada de azeitona marinada. Foi criado na Central Grocery, na Decatur Street, em 1906; uma unidade inteira alimenta quatro pessoas.
Ilustração com IABeignets e café au lait
Três quadrados de massa frita sob uma montanha de açúcar de confeiteiro, acompanhados de café com chicória e leite quente. A chicória entrou no hábito local durante o bloqueio da Guerra Civil, quando faltou café. O Café du Monde funciona no French Market desde 1862, hoje das 7h15 às 23h, e até a meia-noite às sextas e aos sábados.
Ilustração com IAFeijão vermelho com arroz na segunda-feira
Red beans cozidos lentamente com andouille ou pé de porco, servidos sobre arroz branco. A tradição vem do dia de lavar roupa, quando a panela podia ficar sozinha no fogo; Louis Armstrong assinava cartas com “Red beans and ricely yours”.
Ilustração com IAOstras cruas e chargrilled
Ostras do golfo abertas na hora no balcão, com limão e raiz-forte, ou grelhadas no fogo alto com manteiga de alho e parmesão. Casas antigas como a Acme (1910) e a Casamento’s (1919) mantêm a regra dos meses sem “r”: a Casamento’s fecha de junho a agosto.
Ilustração com IACrawfish boil
Lagostins fervidos com milho, batata e tempero, despejados sobre a mesa forrada de jornal e comidos com a mão. A temporada vai de janeiro a junho, com pico entre março e maio; vende-se por libra em peixarias, mercados e até postos de gasolina.
Ilustração com IASazerac e os coquetéis da casa
Uísque de centeio ou conhaque, açúcar, bitters Peychaud’s (criado por um farmacêutico da cidade em 1838) e o copo enxaguado com absinto: coquetel oficial de Nova Orleans desde 2008. Da mesma cidade saíram o Ramos Gin Fizz, o Vieux Carré (Hotel Monteleone, 1938) e o Hurricane (Pat O’Brien’s, anos 1940).
Bate-voltas

Whitney Plantation, Wallace
A Whitney Plantation fica cerca de 90 km rio acima pela River Road, a 1 hora de carro. É o único museu de plantação do sul dos EUA que conta a história do ponto de vista das pessoas escravizadas; abriu em 2014 e a visita guiada leva cerca de 2 horas. Laura e Oak Alley ficam a dez minutos dali, para quem quiser comparar as abordagens.

Barataria Preserve (Jean Lafitte NHP), Marrero
A Barataria Preserve, do parque nacional Jean Lafitte, fica cerca de 30 km ao sul, a 40 minutos de carro. São cerca de 13 km de passarelas de madeira sobre pântano de ciprestes e tupelos, com jacarés visíveis de março a outubro e entrada gratuita. Leve repelente e vá pela manhã.

Breaux Bridge e a bacia do Atchafalaya
Breaux Bridge fica cerca de 215 km a oeste pela I-10, a 2h15 de carro, no coração do país cajun. Nas manhãs de sábado há café da manhã com zydeco ao vivo, e dali sai o passeio de barco pela bacia do Atchafalaya, o maior pântano dos Estados Unidos, onde o francês cajun ainda se fala nas mesas.
Por onde começar
Vieux Carré, o rio e a primeira noite de música

Chegue ao Café du Monde às 8h, antes da fila, para três beignets e um café au lait com chicória, por cerca de US$ 9.
Uptown de bonde e o século XX no Warehouse District

Pegue o bonde verde da St. Charles no cruzamento com a Canal (US$ 1,25) e desça na Washington Avenue, 20 minutos depois.
Tremé, Mid-City e a música de bairro

Comece pela Congo Square, dentro do Louis Armstrong Park, e siga a pé para o Backstreet Cultural Museum, no Tremé, que guarda trajes de Mardi Gras Indians.
Dinheiro
A moeda é o dólar americano, e o preço da etiqueta não é o que se paga no caixa. Desde 1º de janeiro de 2025, quando a Louisiana subiu a alíquota estadual para 5%, o imposto sobre vendas em Orleans é de 10%, e chega a 11% em alguns distritos especiais; ele nunca aparece na etiqueta nem no cardápio. Hotéis cobram impostos maiores que os do comércio, mais uma taxa de ocupação de US$ 1 a US$ 3 por noite, e no French Quarter entra ainda uma sobretaxa temporária de 0,245%. Em 2026, café au lait com três beignets sai por US$ 8–10, e po-boy por US$ 12–18. Prato do dia em restaurante de bairro custa US$ 15–22, e prato principal em casa de jantar, US$ 28–45. Coquetel custa US$ 14–18 no French Quarter e US$ 10–13 num bar de bairro; chope, US$ 5–8. Hotel de categoria média fica entre US$ 150 e US$ 250 a diária fora de temporada, e no Carnaval e no Jazz Fest sobe para US$ 400 a US$ 700, quase sempre com mínimo de quatro ou cinco noites. Cartão é aceito em praticamente tudo, mas leve notas pequenas para gorjeta de músico, balde de second line e bares com consumo mínimo em dinheiro, porque os caixas eletrônicos dentro dos bares cobram US$ 5 ou mais por saque. Conte a gorjeta como parte do preço: 18–20% em restaurante, US$ 1–2 por drinque no balcão, US$ 5 por dia para a camareira e 15–20% no táxi.
Como chegar e se locomover
Do aeroporto Louis Armstrong (MSY), em Kenner, ao French Quarter
O aeroporto internacional, código MSY, fica em Kenner, a oeste da cidade. O táxi cobra tarifa fixa para o centro e o French Quarter: cerca de US$ 36 para uma ou duas pessoas e cerca de US$ 15 por pessoa a partir de três, o que encarece a corrida para grupos. Uber e Lyft ficam entre US$ 35 e US$ 55, conforme o horário. A alternativa barata é o ônibus 202 Airport Express da RTA até a Union Passenger Terminal, por US$ 1,50, com poucas saídas por dia e cerca de 50 minutos de percurso. A mesma Union Passenger Terminal, na Loyola Avenue, concentra os trens da Amtrak e os ônibus rodoviários. Dali saem o City of New Orleans para Chicago, o Crescent para Nova York, o Sunset Limited para Los Angeles e, desde agosto de 2025, o Mardi Gras Service para Mobile, no Alabama. Brasileiros precisam de visto americano B1/B2 emitido em consulado: não há isenção nem autorização eletrônica para o Brasil.
Quatro linhas de bonde e as balsas do rio
Dentro da cidade, a RTA opera ônibus, quatro linhas de bonde (St. Charles, Canal Street, Riverfront e Rampart–St. Claude) e as balsas do rio. A passagem avulsa custa US$ 1,25, mais US$ 0,25 pela baldeação, e o Jazzy Pass sai por US$ 3 o de 1 dia, US$ 8 o de 3 dias e US$ 15 o de 7 dias. Compre no aplicativo Le Pass ou a bordo, com dinheiro trocado, porque o motorista não dá troco. Os bondes passam a cada 10 a 20 minutos e param a cada dois ou três quarteirões, então levam aonde você precisa, mas sem pressa. O núcleo turístico é plano e caminhável: do Jackson Square ao Garden District são cerca de 4 km sem subir um degrau. Alugar carro só compensa para sair da cidade, porque a diária de estacionamento no Quarter passa de US$ 40, os guinchos removem carros em minutos nas rotas de desfile e o asfalto tem buracos profundos que a chuva forte esconde sob a água. Depois da meia-noite, prefira aplicativo a caminhar entre bairros.
Segurança
Nova Orleans tem taxa de homicídio historicamente entre as mais altas dos Estados Unidos, mas a violência letal se concentra em conflitos entre pessoas que se conhecem e fora do corredor turístico, e 2024 e 2025 registraram os números mais baixos em cerca de cinco décadas. O risco real para quem visita é outro: arrombamento de carro (nunca deixe nada à vista, nem no porta-malas), furto de celular e assalto à mão armada nas bordas do French Quarter de madrugada, sobretudo na Rampart, na Iberville e na Canal depois das 2h, além de batedores de carteira nas multidões de desfile. Ande acompanhado depois da meia-noite e chame carro por aplicativo em vez de cortar caminho a pé entre bairros. O golpe mais conhecido é o do sujeito que aposta que adivinha “onde você comprou seus sapatos”: a resposta é “nos seus pés”, e a cobrança vem em seguida. Desconfie também de guias sem licença na porta dos cemitérios e de artistas de rua que cobram pela foto sem combinar antes. Não deixe o copo sem vigilância nos bares da Bourbon. No verão, desidratação e insolação levam mais gente ao pronto-socorro que o crime, e chuvas fortes alagam ruas em meia hora. Entre junho e novembro, acompanhe os avisos do National Hurricane Center e siga as ordens de evacuação, que invertem o sentido das rodovias. Emergência: 911.
Dicas de etiqueta
Na second line, fique atrás da banda
Qualquer pessoa pode acompanhar o desfile de domingo, mas não se entra entre a banda e os membros fardados do clube, que pagaram pelo desfile e ensaiaram a coreografia. O dinheiro gasto na banquinha ambulante de bebidas que acompanha o cortejo ajuda a pagar a edição do ano seguinte.
Não toque nos trajes dos Mardi Gras Indians
Cada traje leva um ano de costura à mão e custa milhares de dólares em pena e miçanga. Peça antes de fotografar e chame de suit, nunca de fantasia.
Colar se pega no ar, não se toma da mão
Nos desfiles, os colares são atirados dos carros alegóricos: pegar do chão vale, tirar da mão de outra pessoa não. O costume de levantar a camisa em troca de colar é fenômeno turístico de dois quarteirões da Bourbon, não tradição da cidade.
O balde de gorjeta paga a banda a cada set
Na maioria das casas de música não há couvert, e o balde circula entre as músicas. US$ 5 a US$ 10 por pessoa é o mínimo para quem ficou um set inteiro; sair antes do balde passar é notado.
“Where’d you go to school?” pergunta o colégio
Entre moradores, a pergunta se refere ao ensino médio, não à faculdade. É a forma local de situar alguém no mapa da cidade. Responder com a universidade denuncia na hora que você chegou ontem.
Copo plástico sim, vidro não
É legal andar na rua com bebida alcoólica em copo plástico; peça um “go cup” ao sair do bar e o barman transfere. Vidro ou lata na calçada rende multa, principalmente no French Quarter.
Erros a evitar
Achar que a música está na Bourbon
Achar que a Bourbon Street é a cena musical da cidade. A música ao vivo de verdade está na Frenchmen, no Tremé, no Tipitina’s da Uptown, no Chickie Wah Wah do Mid-City e nas second lines de domingo anunciadas pela WWOZ 90.7 FM.
Chamar o French Quarter de francês
Chamar a arquitetura do French Quarter de francesa. Os incêndios de 1788 e 1794 destruíram a cidade colonial francesa, e o que está de pé é espanhol (pátio, telha e parede corta-fogo), com as sacadas de ferro fundido acrescentadas pelos americanos na década de 1850.
Reservar o Carnaval sem ver a logística
Reservar o Carnaval sem entender a logística. Os hotéis triplicam o preço e exigem estadias mínimas de quatro ou cinco noites. As rotas de desfile fecham avenidas inteiras por três a cinco horas seguidas, inclusive para pedestres atravessarem. Ficar do lado errado da rua pode significar esperar o tempo de um filme inteiro.
Guincho na rota do desfile passa de US$ 200
Alugar carro para ficar no centro. Além do estacionamento, que passa de US$ 40 por dia no Quarter, arrombamento de veículo é o crime mais comum contra visitantes. Em dia de desfile, a placa de proibição é instalada poucas horas antes, e o carro que ficou na rota vai para o guincho, com taxa acima de US$ 200.
Sensação de 38 °C e pico dos furacões
Ir em agosto. É o mês de sensação térmica acima de 38 °C, tempestade quase diária e pico da temporada de furacões, e uma parte dos restaurantes de bairro fecha para férias.
Frases úteis
Where y’at?
“Como vai?”: saudação local; quem fala assim é chamado de Yat
Making groceries
“Fazer compras de supermercado”: decalque literal do francês faire son marché
Neutral ground
O canteiro central de qualquer avenida, nome herdado da fronteira entre o setor crioulo e o americano na Canal Street
Lagniappe
“Um algo a mais” de graça: o brinde que o vendedor põe no pacote sem cobrar
Go cup
Copo plástico para levar a bebida do bar para a rua, que é legal na maior parte da cidade
Who dat?
Grito de torcida do Saints, abreviação de “Who dat say dey gonna beat dem Saints?”
Bairros
Vieux Carré (French Quarter)
O Vieux Carré de hoje tem cerca de 78 quarteirões entre Canal Street, Esplanade Avenue, Rampart e o rio, crescidos a partir da grade de 66 quarteirões traçada em 1721. Royal e Chartres concentram antiquários e galerias, Bourbon concentra bares e turistas, e Decatur dá para o rio e para o French Market.

Faubourg Marigny e Bywater
Logo abaixo da Esplanade, casas crioulas e shotguns pintadas em cores fortes, ocupadas por moradores e não por hotéis. A Frenchmen Street tem a maior densidade de música ao vivo de verdade da cidade; Bywater tem cafés, ateliês e o Crescent Park à beira do rio.
Tremé
O bairro negro mais antigo dos Estados Unidos, formado por pessoas livres de cor a partir de 1810. Abriga a Congo Square, a igreja de St. Augustine (1841) e a base social das brass bands e das second lines de domingo.
Garden District
Setor americano ocupado depois de 1803 por comerciantes anglófonos que não foram aceitos entre os crioulos do Quarter. Mansões de 1840 a 1870 entre a Magazine e a St. Charles, com o Lafayette Cemetery No. 1 (1833) no meio, em restauro desde 2020 e com acesso restrito a visitas guiadas.
Uptown e Carrollton
Faixa alongada ao longo da St. Charles Avenue, com os campi de Tulane e Loyola, o Audubon Park (sede da exposição mundial de 1884) e o clube Tipitina’s. A Magazine Street corre paralela por cerca de 10 km, com lojas, bares e restaurantes de bairro.

CBD e Warehouse District
Centro de negócios e antigos armazéns de algodão convertidos em museus, galerias e lofts. Reúne o National WWII Museum, as galerias da Julia Street, o Caesars Superdome e a maioria dos hotéis grandes.

Mid-City e Bayou St. John
Em volta do City Park e do bayou que servia de atalho indígena até o lago. Bairro residencial de casas duplas, com o Fair Grounds (onde acontece o Jazz Fest), a linha vermelha de bonde da Canal Street e alguns dos melhores po-boys da cidade.
Algiers Point
Do outro lado do rio, a dez minutos de balsa a partir do centro. Vila do século XIX com ruas curtas, casas de madeira e a melhor vista frontal do skyline, praticamente sem turistas.
História
1718 · Bienville escolhe o meandro
Jean-Baptiste Le Moyne de Bienville instala o posto francês numa faixa de terra alta do meandro, a 170 km da foz. O engenheiro Adrien de Pauger desenha em 1721 a grade retangular que ainda é o Vieux Carré.
1763–1803 · Espanha governa a Louisiana por quatro décadas, a partir do tratado de 1762
O Tratado de Fontainebleau (1762) transfere a Louisiana à Espanha. Os incêndios de 1788 (856 casas) e 1794 obrigam a reconstruir em tijolo, com pátio interno e sacada. O “bairro francês” é, na prática, arquitetura colonial espanhola.
1791–1809 · Refugiados de Saint-Domingue
A revolução haitiana empurra milhares de pessoas para Cuba e daí para a Louisiana: só em 1809 chegam cerca de 10 mil, entre brancos, pessoas livres de cor e escravizados. A população dobra e o francês, o catolicismo e a cultura crioula se reforçam.
1803 · Compra da Louisiana
Os Estados Unidos compram 2,1 milhões de km² da França por US$ 15 milhões. A transferência formal é assinada no Cabildo, ao lado da catedral, em 20 de dezembro de 1803.
1815 · Batalha de Nova Orleans
Em 8 de janeiro, em Chalmette, tropas de Andrew Jackson derrotam os britânicos: duas semanas depois de o Tratado de Ghent já ter encerrado a guerra na Europa. A vitória fixa a cidade no imaginário nacional e lança Jackson à presidência.
1812–1860 · O porto, o vapor e o mercado de pessoas
O primeiro vapor chega em 1812 e o algodão e o açúcar descem o rio. Em 1840 Nova Orleans é a terceira maior cidade dos EUA e o maior mercado de pessoas escravizadas do país; ao mesmo tempo, na Congo Square, tambores e danças africanas se mantêm aos domingos.
1862–1896 · Ocupação e segregação legal
A União toma a cidade em abril de 1862 sem destruí-la. Em 1892 Homer Plessy é preso de propósito num vagão da Press Street, e a decisão Plessy v. Ferguson (1896) transforma a segregação em lei em todo o país.
1897–1917 · Storyville e o nascimento do jazz
Uma ordenança municipal cria em 1897 um distrito de prostituição legalizado ao lado do Tremé. Nas salas de baile da região tocam Buddy Bolden, Jelly Roll Morton e King Oliver; Louis Armstrong nasce na cidade em 1901 e a Marinha fecha Storyville em 1917.

1913–1965 · Bombas, drenagem e afundamento
A bomba-parafuso de A. Baldwin Wood (1913) permite drenar o pântano atrás da cidade e ocupar terreno abaixo do nível do mar. O solo orgânico seca e afunda; em 1965 o furacão Betsy alaga o Lower Ninth Ward e antecipa o que viria.
2005 · Katrina e o colapso dos diques
Em 29 de agosto o furacão passa a leste, mas as paredes dos canais 17th Street, London Avenue e Industrial cedem e cerca de 80% da cidade fica submersa. O Katrina mata cerca de 1.390 pessoas, e a população cai de cerca de 455 mil para cerca de 230 mil em um ano.

2006–2026 · Reconstrução e novo perímetro
O Corpo de Engenheiros gasta cerca de US$ 14,5 bilhões em diques, comportas e na barreira de Lake Borgne (2013), a maior do gênero nos EUA. A cidade celebra o tricentenário em 2018 e chega a 2025 com cerca de 362 mil habitantes, cerca de 42% abaixo do pico de 1960, quando tinha perto de 627 mil.

História completa
Bienville funda a cidade em 1718, 170 km rio acima do mar
Em 1718 Bienville fundou La Nouvelle-Orléans 170 km rio acima, longe do mar, sobre a faixa de terra que o próprio Mississippi depositou ao longo de um meandro, o único chão firme da região, e a poucos quilômetros do Bayou St. John, que dava acesso rápido ao lago Pontchartrain e ao golfo por trás. Em 1721 Adrien de Pauger traçou a grade de 66 quarteirões que deu origem ao Vieux Carré, e em 1722 a capital da Louisiana francesa mudou-se de Biloxi para lá. A França cedeu a colônia à Espanha pelo Tratado de Fontainebleau (1762), e foram os espanhóis que definiram a aparência atual do centro: depois dos incêndios de 1788 e 1794, que juntos consumiram mais de mil construções, as ordenanças exigiram tijolo, telha, pátio interno e paredes corta-fogo. As sacadas de ferro fundido que todo mundo fotografa vieram depois, nos anos 1850, já sob domínio americano.
Os refugiados de Saint-Domingue mudam a cidade, 1791–1809
A cidade ficou única pelas pessoas que chegaram. A revolução haitiana empurrou para cá, entre 1791 e 1809, milhares de refugiados de Saint-Domingue: brancos, pessoas escravizadas e uma numerosa população de gens de couleur libres, pessoas livres de cor que tinham propriedade, ofício e escola. Só em 1809 desembarcaram cerca de 10 mil, dobrando a população e garantindo que o francês, o catolicismo e o direito civil de matriz napoleônica sobrevivessem à Compra da Louisiana de 1803. Quando os americanos anglófonos chegaram, os crioulos mantiveram distância: os recém-chegados construíram do outro lado da Canal Street, no que viraria o Garden District, e o canteiro central da avenida ficou conhecido como neutral ground, nome que até hoje se usa para o canteiro de qualquer rua da cidade.
A prosperidade veio do rio e da escravidão
A prosperidade do século XIX veio do rio e da escravidão. O vapor chegou em 1812 e, por três décadas, o porto exportou o algodão e o açúcar do vale inteiro; em 1840 a cidade era a terceira maior do país e também o maior mercado de pessoas escravizadas dos Estados Unidos, com leilões em hotéis e pátios do centro. Na Congo Square, no Tremé, os domingos livres autorizados desde o período colonial mantiveram tambor, canto e dança africanos vivos por gerações: a linha direta que, entre 1895 e 1917, produziu o jazz. A União tomou a cidade em 1862 sem bombardeá-la, o que explica por que tanta construção antebellum continua de pé, mas o pós-guerra trouxe a segregação: foi um caso deliberadamente montado por ativistas crioulos, o de Homer Plessy em 1892, que acabou legalizando o “separados mas iguais” em 1896. No século XX, a bomba de A. Baldwin Wood (1913) drenou o pântano dos fundos e permitiu que a cidade se espalhasse para terreno que só se manteve seco enquanto as bombas funcionaram, e que, ao secar, afundou.
Em 2005 a engenharia falhou
Em 29 de agosto de 2005 essa engenharia falhou. O Katrina passou a leste, e as paredes de contenção dos canais 17th Street, London Avenue e Industrial se romperam e inundaram a cidade: cerca de 80% da área urbana ficou sob água, em pontos por três semanas. O Katrina matou cerca de 1.390 pessoas. A população despencou de cerca de 455 mil para cerca de 230 mil e a recomposição foi desigual: bairros altos como o French Quarter e a Uptown, que nunca alagaram, voltaram rápido, e o Lower Ninth Ward e partes de New Orleans East ainda têm terrenos vazios. O sistema de proteção reconstruído custou cerca de US$ 14,5 bilhões e inclui a barreira contra maré de Lake Borgne, de cerca de 3 km, concluída em 2013. Foi ela que segurou o furacão Ida em 2021, quando a cidade perdeu energia por dias mas não inundou.
Nova Orleans em 2026: menor e mais dependente de turismo
A Nova Orleans de 2026 é uma cidade menor e mais dependente de visitantes do que era em 2000: cerca de 362 mil habitantes, economia apoiada em turismo, porto, saúde, universidades e produção audiovisual (os incentivos fiscais estaduais de 2002 renderam à Louisiana o apelido de Hollywood South). Os problemas do presente têm nome: o custo do seguro residencial, que multiplicou depois de 2020; a perda de costa no delta, algo como 4.800 km² de terra desde 1930; e a segurança pública, tema central desde o atentado de 1º de janeiro de 2025 na Bourbon Street, que matou 14 pessoas e levou à instalação de novos bloqueios de aço removíveis no French Quarter. O investimento recente foi para o turismo e o transporte: o Super Bowl de fevereiro de 2025 no Caesars Superdome reformado e a volta do trem de passageiros para Mobile, em agosto de 2025.
Apesar do nome, o French Quarter é em grande parte espanhol: depois dos incêndios de 1788 e 1794, as ordenanças espanholas exigiram tijolo, telha, pátio interno e parede corta-fogo.
Geografia e forma da cidade
O meandro e a faixa alta
A cidade ocupa a margem leste de um meandro em forma de crescente do Mississippi, daí o apelido Crescent City, espremida entre o rio e o lago Pontchartrain, um corpo de água salobra de cerca de 1.630 km² ligado ao golfo. O terreno alto natural é a faixa estreita que o próprio rio depositou ao longo de milênios, de 1 a 4 metros acima do mar: é ali que estão o Vieux Carré, o Garden District e a Uptown, o que os moradores chamam de sliver by the river.
O pântano drenado e as bombas
Tudo o que fica atrás dessa faixa era pântano de ciprestes até a bomba-parafuso de A. Baldwin Wood permitir drená-lo a partir de 1913; o solo orgânico secou, compactou e afundou, e hoje Lakeview, Gentilly e New Orleans East estão de 1 a 3 metros abaixo do nível do mar. A consequência prática é que Nova Orleans é uma bacia fechada por centenas de quilômetros de diques e paredes de contenção, que só se mantém seca porque dezenas de estações bombeiam a chuva para fora: quando cai muita água em pouco tempo, as ruas enchem em meia hora.
Riverside, lakeside e a temporada de furacões
A malha urbana acompanha a curva do rio em vez dos pontos cardeais, e por isso ninguém dá direção por norte e sul: os moradores dizem riverside e lakeside, uptown e downtown. O clima é subtropical úmido, com cerca de 1.600 mm de chuva por ano, verões longos e temporada de furacões de 1º de junho a 30 de novembro.
Cultura
O jazz se formou entre 1895 e 1917
O jazz se formou aqui entre 1895 e 1917, no encontro entre a percussão africana preservada na Congo Square, as bandas de metais dos funerais e desfiles, a ópera francesa que a cidade consumia desde o século XVIII e o repertório de dança das salas de Storyville. Buddy Bolden, Jelly Roll Morton, King Oliver e Sidney Bechet saíram daí; Louis Armstrong nasceu em 1901 num bairro pobre atrás da Rampart e levou a música para Chicago em 1922. A cidade não parou de produzir: Professor Longhair e Fats Domino fixaram o piano do rhythm and blues nos anos 1950, The Meters inventaram o funk de Nova Orleans nos anos 1970, Allen Toussaint escreveu e produziu meio século de sucessos, a família Marsalis reabasteceu o jazz moderno e Trombone Shorty faz a ponte com o presente. Há música ao vivo em qualquer noite da semana, e o rádio comunitário WWOZ 90.7 FM é o guia mais confiável de quem toca onde.
Instituições antigas e pouco visíveis
A cultura de rua é organizada por instituições antigas e pouco visíveis para quem passa. Os social aid and pleasure clubs, herdeiros das sociedades de auxílio mútuo criadas por negros no século XIX, saem à rua quase todo domingo do fim de agosto a junho: a chamada second line, um desfile de quatro horas com banda de metais, integrantes fardados e um cortejo de centenas atrás, cruzando bairros inteiros. Os Mardi Gras Indians, ou Black Masking Indians, costuram durante um ano inteiro trajes de pena e miçanga que pesam dezenas de quilos e aparecem em três datas: terça-feira gorda, a noite de São José (19 de março) e o Super Sunday seguinte. O funeral de jazz segue a mesma lógica: marcha fúnebre na ida, música de dança na volta. Nada disso é espetáculo montado para turista; é calendário de bairro, anunciado por rádio e boca a boca.
Literatura desproporcional ao tamanho
Fora da música, a cidade rendeu literatura desproporcional ao seu tamanho: Kate Chopin, Tennessee Williams (que escreveu “Um Bonde Chamado Desejo” morando na St. Peter Street), Walker Percy, Anne Rice e John Kennedy Toole, cujo “Uma Confraria de Tolos” ganhou o Pulitzer em 1981, doze anos depois do suicídio do autor. Desde os incentivos fiscais de 2002, a Louisiana virou base de produção audiovisual, e a série “Treme” (HBO, 2010–2013) documentou a cidade pós-Katrina com músicos reais no elenco. A religião é majoritariamente católica, com festa de rua no dia de São José, altares sicilianos e um vodu louisianês sincrético cuja figura central, Marie Laveau (1801–1881), foi cabeleireira e curandeira do Vieux Carré. No esporte, tudo gira em torno do Saints, campeão do Super Bowl em fevereiro de 2010, quando a vitória funcionou como marco simbólico da reconstrução.
A rota dos desfiles de domingo sai na rádio WWOZ 90.7 FM, na manhã do próprio dia.
O Sazerac, coquetel oficial da cidade desde 2008, leva os bitters Peychaud’s, criados por um farmacêutico de Nova Orleans em 1838.
Festas e eventos

Mardi Gras / Carnaval
Começa em 6 de janeiro (Twelfth Night) e termina na terça-feira gorda: 9 de fevereiro em 2027. Dezenas de krewes desfilam nas duas semanas finais: Rex (1872, que fixou o roxo, o verde e o dourado), Zulu (1909, dos cocos pintados à mão), Endymion, Bacchus, Muses e o satírico Krewe du Vieux. Nenhum desfile grande entra no French Quarter desde 1973, por causa da largura das ruas.

New Orleans Jazz & Heritage Festival
Último fim de semana de abril e primeiro de maio, no hipódromo Fair Grounds, em Mid-City, desde 1970. Cerca de 14 palcos simultâneos, com brass bands, gospel, Mardi Gras Indians e barracas de cozinha regional; o ingresso diário fica na casa de US$ 100.

French Quarter Festival
Quatro dias em abril, com cerca de 20 palcos gratuitos espalhados pelo bairro e pela beira do rio. É o festival de música gratuito de maior público do sul dos EUA e o que os moradores frequentam mais que o Jazz Fest.

Essence Festival of Culture
Primeiro fim de semana de julho, no Caesars Superdome e no centro de convenções, desde 1995. Maior encontro anual de cultura afro-americana do país: painéis e feira de dia, shows de grande porte à noite.

Southern Decadence
Fim de semana do Labor Day, no começo de setembro, no French Quarter, desde 1972. Festa LGBT+ com desfile de domingo saindo da esquina da Bourbon com a St. Ann, no coração do bairro gay da cidade.
Livros e filmes
“Uma Confraria de Tolos”, John Kennedy Toole (escrito nos anos 1960, publicado em 1980)
Pulitzer de 1981. Percorre a cidade real (Canal Street, o French Quarter, uma fábrica de calças, um carrinho de cachorro-quente) e capta a relação local com o trabalho, o bairro e a família.
“When the Levees Broke”, Spike Lee (2006)
Documentário em quatro atos sobre o Katrina e a falha dos diques, construído com depoimentos de moradores. Explica por que o mapa social da cidade em 2026 não é o de 2005.
“Hot Fives and Hot Sevens”, Louis Armstrong (1925–1928)
As gravações que transformaram o jazz coletivo de Nova Orleans em música de solista. Ouvir “West End Blues” explica a origem de quase tudo o que se toca na Frenchmen Street hoje.
Perguntas frequentes
Nova Orleans: onde ouvir música ao vivo fora da Bourbon Street?
A música ao vivo de verdade está na Frenchmen, no Tremé, no Tipitina’s da Uptown, no Chickie Wah Wah do Mid-City e nas second lines de domingo anunciadas pela WWOZ 90.7 FM.
Nova Orleans: quanto custa o táxi do aeroporto ao centro?
O táxi cobra tarifa fixa para o centro e o French Quarter: cerca de US$ 36 para uma ou duas pessoas e cerca de US$ 15 por pessoa a partir de três, o que encarece a corrida para grupos.
Nova Orleans: a que distância fica a Whitney Plantation?
A Whitney Plantation fica cerca de 90 km rio acima pela River Road, a 1 hora de carro.
Nova Orleans: o preço da etiqueta já inclui imposto?
Não: o imposto sobre vendas em Orleans é de 10%, e chega a 11% em alguns distritos especiais; ele nunca aparece na etiqueta nem no cardápio.
Nova Orleans: qual é a melhor época para ir?
As melhores janelas são de fevereiro a maio e de meados de outubro ao começo de dezembro, com máximas entre 20 °C e 28 °C e umidade tolerável.
Outras cidades do país
Estados Unidos ↗- Dias
- 4–5
- Quando
- abr–jun · set–out
- Por pessoa/dia
- Média de 180–320 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 4–5
- Quando
- abr–mai · nov
- Por pessoa/dia
- Média de 220–330 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 3
- Quando
- set–out
- Por pessoa/dia
- Média de 180–280 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 4
- Quando
- mai–jun · set–out
- Por pessoa/dia
- Média de 150–260 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 2–3
- Quando
- jan–abr · nov–dez
- Por pessoa/dia
- Média de 200–350 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 2–3
- Quando
- mar–mai · out–nov
- Por pessoa/dia
- Média de 200–350 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 3
- Quando
- mar–mai
- Por pessoa/dia
- Média de 220–320 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 2–3
- Quando
- set–out
- Por pessoa/dia
- Média de 190–330 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 2–3
- Quando
- jun–set
- Por pessoa/dia
- Média de 130–220 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 5–6
- Quando
- jan–abr · nov–dez
- Por pessoa/dia
- Média de 368 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 4–6
- Quando
- abr–mai · set
- Por pessoa/dia
- Média de 329 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 2
- Quando
- abr–mai · set–out
- Por pessoa/dia
- Média de 203 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 3
- Quando
- abr · set–out
- Por pessoa/dia
- Média de 251 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
- Dias
- 3
- Quando
- mai–jun · set–out
- Por pessoa/dia
- Média de 158 USDPerfil médio · por pessoa/dia
Escopo do custo
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.




















