
Nepal
Katmandu
Praças Durbar, estupas de Boudha e Swayambhu, Pashupatinath
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
Com quatro dias, durma em Bhaktapur no fim do terceiro, ande pelas praças quase sem ninguém na manhã seguinte e suba depois a Nagarkot, a 32 km de Katmandu, para dormir no mirante e ver o nascer do sol sobre a cordilheira. Não venha atrás de ar limpo, calçada e silêncio, porque o centro é barulhento, empoeirado e, no inverno, abafado pela fumaça presa no vale. Da cidade, as montanhas só se veem ao longe e nas manhãs sem bruma; a vista das fotos é a de Nagarkot ou a da janela do avião. Com um dia só, comece em Asan às 7h, passe pela Praça Durbar e pelo Kasthamandap e almoce em Jhochhen. Depois vá de aplicativo até Boudha e fique até o fim da tarde, dando voltas na estupa junto com os moradores. Quem espera um santuário parado no tempo encontra andaime, tapume e obra, porque desde o terremoto de 2015 os templos são restaurados à vista de quem passa, e ver os artesãos refazendo a talha à mão faz parte da visita.
3–4
Quando Outubro e novembro (céu limpo, 10–25 °C); março funciona, com mais bruma no horizonte
Como o guia chega a este número
Outubro e novembro são a melhor época: a monção acabou, o ar é o mais limpo do ano e a cordilheira fica à vista nas manhãs sem bruma. As máximas ficam em 22–25 °C, com mínimas de 10–12 °C. É também a alta temporada, com Dashain e Tihar no meio e preços de hospedagem 30% a 50% acima da média. De dezembro a fevereiro faz frio de casa sem aquecimento (mínimas de 1–4 °C, máximas de 18–20 °C), e a inversão térmica prende a fumaça dentro do vale, com janeiro registrando os piores índices de qualidade do ar do ano. Março e abril esquentam para 25–30 °C, mas a queima agrícola e a poeira levantam uma bruma que apaga o horizonte: é boa época de festas (Holi, Bisket Jatra) e má época de vista. De junho a meados de setembro cai a monção, que concentra a maior parte dos cerca de 1.400 mm de chuva anuais. Chove sobretudo à tarde e à noite, o verde volta, os preços caem, e os deslizamentos fecham estradas para fora do vale. Eu cortaria dois meses: janeiro, pelo ar, e agosto, pela chuva contínua e pelo risco nas estradas.
Por pessoa/dia Mochilão US$ 25–40; conforto médio US$ 50–100; num dia cheio os ingressos de monumento somam cerca de US$ 20 à parte
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaDê três dias ao vale: um para o núcleo antigo de Katmandu, um para Swayambhunath, Pashupatinath e Boudha, e um para Patan e Bhaktapur. Com quatro dias, durma em Bhaktapur no fim do terceiro, ande pelas praças quase sem ninguém na manhã seguinte e suba depois a Nagarkot, a 32 km de Katmandu, para dormir no mirante e ver o nascer do sol sobre a cordilheira. Não venha atrás de ar limpo, calçada e silêncio, porque o centro é barulhento, empoeirado e, no inverno, abafado pela fumaça presa no vale. Da cidade, as montanhas só se veem ao longe e nas manhãs sem bruma; a vista das fotos é a de Nagarkot ou a da janela do avião. Com um dia só, comece em Asan às 7h, passe pela Praça Durbar e pelo Kasthamandap e almoce em Jhochhen. Depois vá de aplicativo até Boudha e fique até o fim da tarde, dando voltas na estupa junto com os moradores. Quem espera um santuário parado no tempo encontra andaime, tapume e obra, porque desde o terremoto de 2015 os templos são restaurados à vista de quem passa, e ver os artesãos refazendo a talha à mão faz parte da visita.Em Katmandu, os moradores dão voltas em sentido horário em torno das estupas, girando os cilindros de oração com a mão direita, e quem chega entra na roda. O vale, a 1.400 m, guarda três antigas cidades reais newares, Katmandu, Patan e Bhaktapur, com praças de palácio, pagodes de madeira entalhada e o Kasthamandap, o pavilhão que deu nome à cidade. Em volta delas ficam os grandes sítios sagrados: Swayambhunath no alto de 365 degraus, as piras funerárias de Pashupatinath, no Bagmati, e Boudhanath, centro da comunidade tibetana. Coma momos de búfalo, dal bhat com repetição livre e o juju dhau, a coalhada firme de Bhaktapur servida em pote de barro. Desde o terremoto de 2015, andaime e fachada restaurada dividem a mesma rua, e os artesãos refazem a talha à mão diante de quem passa. Venha em outubro ou novembro, quando a monção acabou e o Himalaia aparece nas manhãs sem bruma, e dê três dias ao vale.
Ficha rápida
- População
- cerca de 1 mi no município (censo de 2021: 845.767); cerca de 3,3 mi no Vale de Katmandu
- Fundação
- Assentamento licchavi desde o séc. IV; a cidade de Kantipur é atribuída ao rei Gunakamadeva, por volta de 723
- País e região
- Nepal · província de Bagmati · distrito de Katmandu
- Idioma
- Nepali (oficial); nepal bhasa (newari) no núcleo histórico; inglês corrente no comércio e no turismo
- Moeda
- Rupia nepalesa (NPR, Rs), atrelada à rupia indiana a 1,60 NPR = 1 INR · cerca de 140 NPR = 1 US$ em 2026
- Fuso
- NPT, UTC+5h45, sem horário de verão; é um dos poucos fusos do mundo com deslocamento de 45 minutos
- Melhor época
- Outubro e novembro (céu limpo, 10–25 °C); março funciona, com mais bruma no horizonte
- Custo médio por dia
- Mochilão US$ 25–40; conforto médio US$ 50–100; num dia cheio os ingressos de monumento somam cerca de US$ 20 à parte
Quando ir
Outubro e novembro (céu limpo, 10–25 °C); março funciona, com mais bruma no horizonte
janeiro
3° a 19°C
15 mm de chuva
fevereiro
5° a 22°C
24 mm de chuva
março
9° a 26°C
38 mm de chuva
abril
12° a 29°C
63 mm de chuva
maio
16° a 29°C
129 mm de chuva
junho
19° a 30°C
242 mm de chuva
julho
20° a 29°C
384 mm de chuva
agosto
20° a 29°C
343 mm de chuva
setembro
19° a 29°C
208 mm de chuva
dezembro
4° a 20°C
8 mm de chuva
O que muda ao longo do ano
Outubro e novembro são a melhor época: a monção acabou, o ar é o mais limpo do ano e a cordilheira fica à vista nas manhãs sem bruma. As máximas ficam em 22–25 °C, com mínimas de 10–12 °C. É também a alta temporada, com Dashain e Tihar no meio e preços de hospedagem 30% a 50% acima da média. De dezembro a fevereiro faz frio de casa sem aquecimento (mínimas de 1–4 °C, máximas de 18–20 °C), e a inversão térmica prende a fumaça dentro do vale, com janeiro registrando os piores índices de qualidade do ar do ano. Março e abril esquentam para 25–30 °C, mas a queima agrícola e a poeira levantam uma bruma que apaga o horizonte: é boa época de festas (Holi, Bisket Jatra) e má época de vista. De junho a meados de setembro cai a monção, que concentra a maior parte dos cerca de 1.400 mm de chuva anuais. Chove sobretudo à tarde e à noite, o verde volta, os preços caem, e os deslizamentos fecham estradas para fora do vale. Eu cortaria dois meses: janeiro, pelo ar, e agosto, pela chuva contínua e pelo risco nas estradas.
Os mesmos números em tabela
| Mês | Temperatura °C | Chuva mm |
|---|---|---|
| janeiro | 3 a 19 | 15 |
| fevereiro | 5 a 22 | 24 |
| março | 9 a 26 | 38 |
| abril | 12 a 29 | 63 |
| maio | 16 a 29 | 129 |
| junho | 19 a 30 | 242 |
| julho | 20 a 29 | 384 |
| agosto | 20 a 29 | 343 |
| setembro | 19 a 29 | 208 |
| outubro · | 14 a 27 | 43 |
| novembro · | 8 a 24 | 6 |
| dezembro | 4 a 20 | 8 |
Dicas do Nilo
Estenda no mesmo dia o ingresso de Rs 1.000 da Praça Durbar
Feita no mesmo dia da compra, a extensão é gratuita e o ingresso de estrangeiro passa a valer pelo tempo do seu visto; no dia seguinte, você paga tudo de novo. Sem a extensão, ele vale só por um dia. Leve o canhoto e uma foto ao escritório da praça. Bhaktapur faz igual, com preço próprio.
Leve US$ 30 em notas para o visto de 15 dias
O visto na chegada é pago em espécie, e as leitoras de cartão do aeroporto caem com frequência. O quiosque do saguão cobra US$ 30 por 15 dias, US$ 50 por 30 e US$ 125 por 90, e o caixa eletrônico do saguão tem fila exatamente quando o seu voo pousa. Traga as notas e a foto de casa. Troque o resto nas casas de câmbio do Thamel, que dão taxa melhor que o aeroporto e emitem recibo; é o recibo que permite reconverter na saída.
Ande até fora do estacionamento do aeroporto
Fora do estacionamento, a corrida até o Thamel sai por Rs 300–600 pelo aplicativo, contra cerca de Rs 900 no balcão de táxi pré-pago do saguão. Ali funcionam Pathao, InDrive e Yango. Na InDrive, o passageiro faz a oferta e o motorista decide se aceita.
Vá a Asan às 7h e a Swayambhunath às 8h
Às 7h chegam o arroz e as flores a Asan Tole, e ainda dá para andar no cruzamento de seis ruas. Swayambhunath pede as 8h, enquanto os moradores fazem a volta matinal. Depois das 10h o trânsito toma as ruas, e o pico da tarde vai das 16h30 às 19h30.
Diga “pugyo” para parar o dal bhat; pague com a direita
A repetição do dal bhat é livre, e o garçom volta com a panela até você dizer “pugyo” (púguio), que quer dizer chega. No bhojanalaya de bairro, o prato custa Rs 200–400, e as cozinhas o servem por volta das 10h e das 19h, os horários reais das refeições. Receba e entregue o dinheiro com a mão direita, porque a esquerda não participa da mesa.
No Dashain, as lojas fecham por até uma semana
No festival, quem mora em Katmandu volta à aldeia, e a cidade esvazia. O Dashain segue o calendário lunar e toma quinze dias, que em 2026 vão de 11 a 25 de outubro, e nesse período ônibus e voos internos lotam. Se a sua viagem cai nessas datas, reserve o transporte interno com antecedência e conte com o comércio parado. Vale o mesmo para o bandh, a greve geral que para o transporte de um dia para o outro; quando ele acontece, o núcleo antigo continua inteiro a pé.
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Explore o mapa, consulte os outros lugares e monte os dias da sua viagem no app.
Abrir o appO que ver
Katmandu: A bacia fechada e a saída de água
O vale é uma bacia oval de cerca de 665 km² a 1.300 a 1.400 m de altitude, cercada por quatro serras que passam dos 2.000 m (Shivapuri ao norte, Phulchoki ao sul, Nagarjun a oeste e Chandragiri a sudoeste), com uma única saída natural de água, a garganta de Chobhar, por onde o Bagmati escorre para o sul.

Praça Durbar de Katmandu (Hanuman Dhoka)
Complexo palaciano dos reis Malla e Shah, com mais de 50 templos e pátios, Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1979. O portão tem a estátua de Hanuman coberta de vermelhão desde 1672; o ingresso de estrangeiro custa Rs 1.000 e inclui o Museu Tribhuvan, dentro do palácio.
A estátua do portão está coberta de vermelhão.
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Swayambhunath
Estupa sobre um morro a oeste do centro, um dos sítios budistas mais antigos do vale, com registro documental desde o séc. V. São 365 degraus de pedra pela escada leste até os olhos pintados na cúpula; a área tem centenas de macacos rhesus e o ingresso é de cerca de Rs 200.
Quem sobe pelo lado leste chega aos olhos pintados na cúpula da estupa, no morro a oeste do centro, com registro desde o século V, enquanto centenas de macacos rhesus ocupam o terreno. São 365 degraus de pedra.
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Boudhanath
Estupa de cerca de 36 m de altura, erguida sobre uma base em mandala de cerca de 100 m de diâmetro, uma das maiores do mundo, no eixo da antiga rota comercial ao Tibete. A cúpula rachou em 2015 e foi refeita com financiamento das comunidades budistas, reconsagrada em novembro de 2016; entrada em torno de Rs 400.
A estupa de cerca de 36 m de alto, sobre mandala de cerca de 100 m de diâmetro na antiga rota ao Tibete, tem entrada em torno de Rs 400, e o domo, depois de abrir fenda em 2015, foi reposto com o dinheiro das comunidades budistas antes da consagração nova de novembro de 2016.
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Praça Durbar de Bhaktapur e Nyatapola
Conjunto medieval de quatro praças ligadas, com o Portão Dourado de 1754 e o Palácio das 55 Janelas. A poucos passos, o templo Nyatapola, de 1702, tem cinco telhados e cerca de 30 m. Foi o edifício alto que não caiu nem em 1934 nem em 2015.
O Nyatapola, de 1702, tem cinco telhados e cerca de 30 m. Foi o edifício alto que não caiu em 1934 nem em 2015.
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Kumari Ghar
Casa de tijolo e madeira de 1757 onde vive a Kumari real, uma menina newar da casta Shakya cultuada como deusa viva até a puberdade. Ela aparece brevemente à janela do pátio algumas vezes por dia; fotografar a menina é proibido, o pátio não.
Na janela do pátio dá para ver de relance, ao longo do dia, a Kumari, menina newar da casta Shakya tida por deusa viva até a puberdade, numa morada de madeira que data de 1757; fotografar a menina continua proibido.
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Kasthamandap
O pavilhão de madeira que deu nome à cidade, com base datada por escavação no séc. VII. Desabou em 2015 matando dezenas de pessoas e foi reconstruído com técnica tradicional, reabrindo em 4 de abril de 2022. A peça mais didática do vale sobre o que restauro significa aqui.
A base foi datada por escavação no século VII, a estrutura desabou em 2015 matando dezenas, foi erguida outra vez no ofício antigo e a reabertura veio em 4 de abril de 2022, e no vale este é o exemplo mais didático do que o restauro significa.
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Pashupatinath
O maior templo de Shiva do Nepal, às margens do Bagmati, com registro desde o séc. V e a estrutura atual de 1692. O santuário interno é proibido a não hindus, mas o complexo aberto inclui as piras funerárias de Arya Ghat, os 15 santuários de Pandra Shivalaya e a floresta de sadhus; ingresso Rs 1.000.
É o maior templo de Shiva do Nepal, com a estrutura atual de 1692.
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Praça Durbar de Patan
A mais coesa das três praças reais, com o Krishna Mandir de pedra de 1637, de 21 santuários, e o pátio Sundari Chowk com o tanque de banho real Tusha Hiti, de 1647. O Museu de Patan, no antigo palácio, é o melhor museu de arte religiosa do Himalaia.
Krishna Mandir de 1637 reúne 21 santuários junto do pátio Sundari Chowk, onde o tanque Tusha Hiti está desde 1647, no mesmo conjunto do museu. É o melhor museu de arte religiosa do Himalaia.
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Jardim dos Sonhos (Swapna Bagaicha)
Jardim neoclássico de 1920, mandado construir pelo marechal Kaiser Shumsher Rana ao lado do Thamel, restaurado com apoio austríaco e reaberto em 2007. Meio hectare murado, seis pavilhões dedicados às estações e o único lugar do centro onde o ruído da rua some; entrada em torno de Rs 400.
É meio hectare murado de 1920 ao lado do Thamel, com entrada de Rs 400. É o único lugar do centro onde o ruído da rua some, e esse silêncio é o motivo de entrar. Num vale com três praças reais e três sítios sagrados, use-o para descansar meia hora entre as visitas.
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O roteiro do Nilo
Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · O núcleo antigo, a pé
Comece às 7h em Asan Tole, quando chegam o arroz e as flores; siga a pé pela antiga rota comercial até Indra Chowk e o templo de Seto Machhindranath.
Compre o ingresso da Praça Durbar de Katmandu e peça no escritório da praça, com uma foto, a extensão gratuita pelo tempo do visto.
Percorra Hanuman Dhoka, o Kasthamandap reconstruído em 2022, o Museu Tribhuvan e o pátio da Kumari Ghar.
Almoce um khaja set newar em Jhochhen (Freak Street) e desça até o Rani Pokhari, o tanque de 1670 devolvido ao desenho histórico em 2020.
Termine o dia no Jardim dos Sonhos, ao lado do Thamel, e jante momo em uma casa local fora do circuito de bares.
Dia 2 · Os três sítios sagrados
Suba os 365 degraus de Swayambhunath antes das 8h, quando os moradores fazem a volta matinal e o vale ainda aparece inteiro do mirante.
Vá de app até Pashupatinath e caminhe pela margem leste do Bagmati: os 15 santuários de Pandra Shivalaya, a floresta de sadhus e, do outro lado do rio, as piras de Arya Ghat.
Almoce em Chabahil e siga 2 km a pé até Boudhanath, entrando pelo portão principal da estupa.
Faça o kora no sentido horário no fim da tarde, quando os moradores tibetanos dão as voltas, e assista à aula de cânticos em um dos mosteiros vizinhos.
Jante em um terraço com vista para a cúpula e volte de Pathao ou InDrive, mais barato que táxi de rua à noite.
Dia 3 · As outras duas cidades reais
Atravesse o Bagmati até Patan logo cedo e reserve duas horas para a Praça Durbar, o Krishna Mandir de 1637 e o Museu de Patan.
Visite uma oficina de fundição por cera perdida no bairro de Uku Bahal e pare no Mahaboudha, o templo de terracota de mil budas.
Almoce em Jhamsikhel e pegue um micro-ônibus ou app até Bhaktapur, 13 km a leste, entre 40 e 70 minutos.
Percorra as quatro praças ligadas de Bhaktapur, o Portão Dourado de 1754, o Nyatapola de 1702 e a Pottery Square, com os discos de oleiro em funcionamento.
Coma um pote de juju dhau na rua e volte ao anoitecer, antes que o trânsito de Koteshwor congele.
Se ficar mais
Dia 4 · Nagarkot
Bate-volta
32 km a nordeste, 1h30 a 2h de carro pela estrada de Bhaktapur, a 2.175 m na borda leste do vale. É o mirante clássico do nascer do sol sobre Ganesh Himal, Langtang e Dorje Lakpa, com o Everest visível ao longe em dias muito limpos de outubro e novembro; dá para descer a pé até Changunarayan em cerca de 3 horas.
Comida
Ilustração com IAMomo
Pastelzinho cozido no vapor, de búfalo (buff), frango ou vegetais, servido com achar de tomate e pimenta. Dez unidades saem por Rs 150–350 numa casa local; a variante jhol momo vem submersa num molho de sésamo e tomate, e a kothey é frita de um lado só.
Ilustração com IADal bhat tarkari
Arroz, sopa de lentilha, curry de legumes, achar e às vezes carne, servido em bandeja de metal com repetição livre. A frase para recusar mais é “pugyo”. Custa Rs 200–400 num bhojanalaya de bairro e é a única refeição do país que se come duas vezes por dia, por volta das 10h e das 19h.
Ilustração com IASamay baji e o khaja set newar
Bandeja ritual newar com arroz batido (chiura), soja frita, ovo, gengibre, feijão preto, um pedaço de carne e um copo de aila. É a comida das festas e dos guthi, servida o ano inteiro nas casas de comida newari de Patan e Kirtipur.
Ilustração com IAChoila e bara
Choila é búfalo grelhado na brasa e depois temperado com mostarda, pimenta e óleo fumegante; bara é uma panqueca espessa de lentilha preta, às vezes com ovo por cima. Os dois se comem à tarde, com chiura, e quase nunca no jantar.
Ilustração com IASel roti
Anel de massa de arroz fermentada frito na hora, doce, crocante por fora e elástico por dentro. Vende-se de manhã em tabuleiros de rua em Asan e nos arredores dos templos, por Rs 20–50 a unidade, e é obrigatório em Tihar.
Ilustração com IAJuju dhau
Coalhada de búfalo fermentada em potes de barro não vitrificados, especialidade de Bhaktapur: o nome quer dizer “iogurte-rei” em newari. O barro absorve o soro e deixa a textura firme; um pote custa Rs 60–150 e se come na rua, com colher de plástico.
Ilustração com IASekuwa e bhatmas sadeko
Sekuwa é carne (cabra, búfalo ou frango) marinada e assada em espeto sobre brasa, servida com chiura; bhatmas sadeko é soja frita com cebola, limão e pimenta. São a comida de bar do Nepal, pedidos junto com a bebida a partir das 17h.
Ilustração com IAChiya, tongba e raksi
O chiya é chá preto fervido com leite, açúcar e às vezes cardamomo, vendido em copo pequeno por Rs 20–50 em qualquer esquina. À noite, o tongba é milhete fermentado servido quente num tubo de madeira com água quente e canudo de bambu, tradição limbu do leste; o raksi é destilado caseiro de arroz ou milhete.
Bate-voltas

Bhaktapur
13 km a leste, 40 a 70 minutos de micro-ônibus ou app conforme o trânsito. É a cidade real mais bem preservada do vale, com ingresso de estrangeiro de Rs 1.800 (cerca de US$ 13), extensível pelo tempo do visto, e centro histórico praticamente sem carros. Vale dormir uma noite para ver as praças vazias de manhã.

Nagarkot
32 km a nordeste, 1h30 a 2h de carro pela estrada de Bhaktapur, a 2.175 m na borda leste do vale. É o mirante clássico do nascer do sol sobre Ganesh Himal, Langtang e Dorje Lakpa, com o Everest visível ao longe em dias muito limpos de outubro e novembro; dá para descer a pé até Changunarayan em cerca de 3 horas.

Dhulikhel e Namobuddha
30 km a leste pela estrada de Araniko, 1h30 de carro. Dhulikhel é uma cidade newar de encosta com vista aberta para a cordilheira; de lá são 3 a 4 horas de caminhada por trilha de aldeia até o mosteiro de Namobuddha, um dos três grandes sítios budistas do Nepal, com almoço servido no refeitório do monastério.
Por onde começar
O núcleo antigo, a pé

Comece às 7h em Asan Tole, quando chegam o arroz e as flores; siga a pé pela antiga rota comercial até Indra Chowk e o templo de Seto Machhindranath.
Os três sítios sagrados

Suba os 365 degraus de Swayambhunath antes das 8h, quando os moradores fazem a volta matinal e o vale ainda aparece inteiro do mirante.
Dinheiro
A moeda é a rupia nepalesa (NPR, Rs), atrelada à rupia indiana a 1,60 NPR = 1 INR, o que em 2026 dá cerca de 140 NPR por dólar. É uma economia de dinheiro vivo, e o bolso costuma ficar pesado o tempo todo: um chá custa Rs 20–50, um prato de dal bhat de bairro Rs 200–400, dez momos Rs 150–350, um prato em restaurante turístico de Thamel Rs 600–1.200, uma cerveja grande Rs 350–600, uma pensão simples Rs 1.500–3.500 a diária e um hotel médio com café da manhã Rs 4.000–9.000. Cartão funciona em hotel, agência e supermercado, e quase nunca em barraca, táxi ou templo. Os caixas eletrônicos costumam limitar o saque a Rs 35.000 por operação e cobram cerca de Rs 500 de tarifa local, além da que o seu banco cobrar. No Thamel, o câmbio paga mais que no aeroporto e dá recibo, necessário para reconverter rupias na saída. Restaurante turístico acrescenta 13% de IVA e 10% de taxa de serviço à conta; quando esse serviço aparece impresso, não é preciso gorjeta. Onde não aparece, arredondar para cima é o padrão. Os pagamentos por QR (eSewa, Khalti, FonePay) dominam o comércio local, mas exigem conta bancária nepalesa e raramente estão ao alcance de quem está de passagem.
Como chegar e se locomover
Seis quilômetros que viram uma hora no pico
O Aeroporto Internacional Tribhuvan (KTM) é o único internacional do vale e fica a cerca de 6 km do Thamel, a 20 minutos fora do pico e até 1h no fim da tarde. O visto na chegada é emitido em quiosques do saguão e pago só em dólares, por isso traga as notas e uma foto de casa. O balcão de táxi pré-pago cobra cerca de Rs 900 até o Thamel, com acréscimo de cerca de Rs 100 depois das 21h e 25% a mais se o carro tiver ar-condicionado. Do lado de fora do estacionamento, os aplicativos custam menos: não há Uber no Nepal, mas Pathao, InDrive e Yango cobram a partir de Rs 100–200 de moto e Rs 300–600 de carro dentro do centro. Os táxis de rua têm taxímetro que quase ninguém liga, então combine o preço antes de entrar.
Micro-ônibus, ônibus Sajha e aplicativos
Katmandu não tem metrô nem trem urbano. O transporte público são micro-ônibus e vans privadas, em que o cobrador grita o destino pela janela, além dos elétricos Safa Tempo em algumas rotas e dos ônibus azuis da cooperativa pública Sajha Yatayat, que rodam no Anel Viário, na linha Budhanilkantha–Lagankhel–Godawari e na ligação Nagdhunga–aeroporto. Desde 14 de abril de 2026 existem também linhas noturnas operadas com a prefeitura. As passagens vão de Rs 20 a Rs 50 dentro do vale, pagas em dinheiro ao cobrador, e não existe bilhete único nem cartão integrado. Para se orientar, use o nome da parada, como Ratna Park, Kalanki, Koteshwor e Lagankhel, que funciona melhor que endereço. Dentro do núcleo antigo, ande a pé, porque os becos são estreitos demais para carro; fora dele a calçada é escassa e o trânsito é pela esquerda. Alugar moto custa Rs 1.200–1.800 por dia, com capacete obrigatório. Desde 27 de julho de 2026, o túnel de Nagdhunga–Sisnekhola, o primeiro túnel rodoviário do país, com cerca de 2,7 km, tirou boa parte do gargalo da saída oeste rumo a Pokhara.
Segurança

O risco número um em Katmandu é o trânsito; não é o crime. Mão inglesa, motos que usam a contramão, calçadas ocupadas e travessias sem semáforo, num vale onde a maioria das vítimas de acidente é de pedestres e motociclistas. Crime violento contra estrangeiros é raro. O que existe é furto em multidão (Asan, Thamel à noite, ônibus lotado, festivais) e golpes previsíveis: taxímetro “quebrado”, guia improvisado que cobra depois, sadhu que oferece bênção e cobra pela foto, agência de trekking sem registro que pede pagamento integral adiantado. Os macacos de Swayambhunath e Pashupatinath roubam comida e sacola aberta, e mordem se você reagir; ande de mãos vazias. A cidade fica sobre uma zona sísmica ativa (1934, 2015), e vale localizar, na primeira noite, a saída do prédio onde você dorme. No inverno o ar é o problema de saúde mais concreto: em janeiro os índices de material particulado atingem faixas insalubres com frequência, e uma máscara com filtro faz diferença real para quem tem asma. Greves gerais (bandh) ainda param o transporte sem aviso de um dia para o outro, e desde o levante de setembro de 2025 há manifestações políticas periódicas em Maitighar e Baneshwor; são localizadas e anunciadas, e basta desviar. Mulheres viajando sozinhas descrevem a cidade como tranquila de dia; à noite, prefira o app ao beco vazio, sobretudo fora do eixo Thamel-Durbar Marg.
Dicas de etiqueta

Sapato fora; couro também fica fora
Descalce na porta de templos, pátios internos e casas particulares. Em Pashupatinath e em vários santuários hindus, objetos de couro (cinto, bolsa, sandália) também precisam ficar do lado de fora.
A regra do jutho
Comida ou bebida que tocou a sua boca, o seu prato ou a sua colher fica impura para os outros. Não ofereça a sua garrafa nem prove do prato alheio: sirva no copo sem encostar o gargalo, e não devolva à travessa o que já foi para o seu prato.
Mão direita para tudo
Entregue dinheiro, receba troco, coma e ofereça com a direita. A esquerda tem função higiênica e não participa da mesa nem da oferenda; para dar mais respeito, entregue com as duas mãos.
Sempre no sentido horário
Contorne estupas, templos e fileiras de moinhos de oração mantendo o monumento à sua direita. Vale em Boudha, em Swayambhu e em qualquer chorten no meio da calçada, e gire os cilindros também no sentido horário.
Pés baixos; cabeça sempre alta
Não aponte a sola do pé para uma pessoa, um altar ou uma oferenda, não passe por cima de quem está sentado no chão e não sente sobre um degrau de templo com as pernas esticadas para dentro. A cabeça é a parte mais respeitada do corpo: não afague a de ninguém, nem a de criança.
Cremação não é vista como cenário
Nas piras de Arya Ghat, em Pashupatinath, a família enlutada está a poucos metros. Observe da margem oposta do Bagmati, sem aproximar a lente de rostos, e recuse a “bênção” de sadhus que pedem pagamento depois da foto. Combine antes ou não fotografe.
Erros a evitar
Quatro pontos distantes no mesmo dia
Programar quatro pontos distantes no mesmo dia sem contar o trânsito. 8 km dentro do vale levam de 20 minutos a 1h30 conforme a hora, e o pico vai das 9h às 11h e das 16h30 às 19h30.
Sem dólares em espécie para o visto
Chegar sem dólares em espécie para o visto na chegada (US$ 30 a 125, conforme os dias). As máquinas de cartão do saguão falham a toda hora, e o caixa eletrônico enche bem na hora em que os voos pousam.
Achar que as Durbar são largos gratuitos
Achar que as praças Durbar são largos públicos e gratuitos. O ingresso de estrangeiro é cobrado na entrada da rua e fica entre Rs 1.000 e Rs 1.800 por praça, válido para um dia, e em Katmandu e em Bhaktapur dá para estender o bilhete pelo tempo do visto, de graça, levando uma foto ao escritório da praça no mesmo dia.
Água de torneira e salada
Beber água de torneira, gelo de barraca ou salada lavada em água não tratada. Use engarrafada, filtrada ou fervida, e leve garrafa reutilizável, porque há estações de recarga em boa parte das pensões do Thamel.
Guia de trekking abordado na rua
Pagar adiantado a um “guia” abordado na rua para trekking ou tour, ou aceitar tika e cordão vermelho sem perguntar o preço. Contrate por agência registrada e confirme se a permissão de trekking (TIMS e a taxa do parque) está incluída.
Frases úteis
नमस्ते (namastê)
Olá e adeus, com as palmas juntas na altura do peito; para mais respeito, “namaskar”
धन्यवाद (dhanniabád)
Obrigado: usado bem menos que em português; um aceno de cabeça costuma bastar
कति हो? (káti ho?)
Quanto custa? A pergunta que abre qualquer compra fora de loja com etiqueta
मीठो छ (mîtho tchá)
Está gostoso: dito à cozinha ou à dona da casa depois da primeira garfada
पुग्यो (púguio)
Chega, já é suficiente: a frase que interrompe a quarta rodada de dal bhat
फेरि भेटौंला (féri bhetáunla)
Até a próxima: a despedida comum, já que não se diz “adeus”
Bairros
Thamel
Cerca de dez quarteirões de becos fechados a carros em boa parte do dia, com lojas de trekking, casas de câmbio, agências, livrarias e bares ao vivo. É a base de quem chega e o lugar onde tudo custa duas a três vezes o preço nepalês.
Basantapur e Jhochhen (Freak Street)
O largo do palácio real e a rua que nos anos 1960 e 1970 abrigou a rota hippie. Hoje Jhochhen é uma rua tranquila de cafés baratos e pensões antigas, boa alternativa a Thamel para quem quer dormir dentro da cidade velha.
Asan e Indra Chowk
O mercado newar em funcionamento contínuo há séculos, no cruzamento de seis ruas da antiga rota comercial ao Tibete. Especiarias, arroz, cordões de flores, incenso e utensílios de latão; é o melhor lugar da cidade para andar sem destino de manhã cedo.
Boudha
O bairro em torno da grande estupa, nordeste do centro, formado por refugiados tibetanos a partir de 1959 e cheio de mosteiros, oficinas de thangka e cafés de terraço. Ao amanhecer e ao anoitecer a praça enche de gente fazendo o kora, a volta ritual no sentido horário.

Patan / Lalitpur
Cidade real separada até o séc. XVIII, hoje contígua a Katmandu do outro lado do Bagmati. Concentra a metalurgia de cera perdida, o Museu de Patan e a maior densidade de templos por metro quadrado do vale.
Jhamsikhel e Sanepa
Sul de Patan, área de organismos internacionais e de classe média alta, com os restaurantes, bares e cafés mais caros e menos turísticos do vale. É onde se come comida não nepalesa que vale o preço.
Lazimpat e Durbar Marg
Eixo de embaixadas, hotéis grandes, concessionárias e escritórios, entre o palácio Narayanhiti e o norte. Ruas largas, calçada de verdade e pouco interesse histórico além do próprio palácio.

Bhaktapur
A terceira cidade real, 13 km a leste, dentro do mesmo vale. Manteve o tecido medieval mais íntegro das três, com pouco trânsito no centro, oficinas de cerâmica em Pottery Square e a torre Nyatapola, de cinco telhados e 30 m, erguida em 1702.
História
séc. IV–VIII · O vale licchavi
As inscrições em pedra mais antigas do Nepal, a partir de 464, são do rei Manadeva. Os licchavis organizam o vale em cidades comerciais, cunham moeda e erguem as primeiras grandes estupas.
c. 723 · Fundação de Kantipur
A tradição atribui a fundação da cidade ao rei Gunakamadeva. O nome Katmandu vem do Kasthamandap, o pavilhão de madeira do largo do palácio, cuja escavação após 2015 datou a base no séc. VII.
1200–1482 · Malla unificado
Os reis Malla governam o vale inteiro e patrocinam o desenho urbano de praças, pátios e poços de pedra que ainda está de pé. O comércio com o Tibete, em sal, lã e ouro, paga a arquitetura.
1482 · A divisão em três reinos
Com a morte de Yaksha Malla, o vale se parte entre Kantipur, Patan e Bhaktapur. As três cortes passam três séculos competindo em templos, e é por isso que há três praças de palácio a poucos quilômetros uma da outra.
1768 · Conquista gorkha
Prithvi Narayan Shah toma Kantipur em 25 de setembro de 1768, durante a festa de Indra Jatra, e faz dela a capital do reino que estava unificando. É o marco de fundação do Nepal moderno.
1846–1951 · Regime Rana
Depois do massacre do Kot, em 1846, Jung Bahadur Rana reduz o rei a figura decorativa e instala uma dinastia hereditária de primeiros-ministros. A família constrói palácios neoclássicos brancos e mantém o país praticamente fechado a estrangeiros.

1934 · O terremoto Nepal-Bihar
Um sismo de magnitude cerca de 8,0 em 15 de janeiro mata cerca de 8.500 pessoas no país e derruba boa parte do centro histórico, inclusive a torre Dharahara. A reconstrução dos anos 1930 abre a New Road, a primeira avenida larga da cidade.
1951–1990 · Abertura e Panchayat
A queda dos Rana em 1951 abre o país ao mundo; nos anos 1960 e 1970 Katmandu vira parada da rota hippie e a rua Jhochhen ganha o apelido de Freak Street. O regime Panchayat, sem partidos, dura de 1960 a 1990.
1996–2008 · Guerra maoísta e fim da monarquia
O conflito maoísta (1996–2006) empurra centenas de milhares de pessoas do campo para o vale e explica boa parte da mancha urbana atual. Em 1º de junho de 2001 quase toda a família real é morta no palácio Narayanhiti; em 28 de maio de 2008 a monarquia é abolida.

2015 · Terremoto e constituição federal
Em 25 de abril de 2015 um sismo de magnitude 7,8 mata cerca de 9.000 pessoas no país e derruba monumentos das três praças de palácio. Em 20 de setembro o Nepal promulga a constituição que o torna uma república federal de sete províncias.

2025–2026 · Levante Gen Z e nova eleição
Entre 8 e 13 de setembro de 2025, protestos contra a corrupção, disparados por um bloqueio de redes sociais, deixam mais de 70 mortos e incendeiam prédios públicos, entre eles o Singha Durbar e o parlamento; o primeiro-ministro KP Sharma Oli renuncia e Sushila Karki assume um governo interino. Na eleição de 5 de março de 2026 o Rastriya Swatantra Party vence com 182 das 275 cadeiras, e Balendra Shah, então prefeito de Katmandu, toma posse como primeiro-ministro em 27 de março.

História completa
O leito de um lago que secou
O Vale de Katmandu é o leito de um lago que secou. A geologia confirma o que a lenda budista já contava: o bodisatva Manjushri teria cortado o morro com a espada em Chobhar para escoar a água e liberar a terra. O sedimento desse lago é o solo agrícola mais fértil do Himalaia médio, e por isso o vale sustentou uma densidade populacional impossível nas montanhas em volta. A partir do séc. IV, sob os licchavis, essas aldeias viram cidades: as inscrições de Manadeva, de 464, já mencionam impostos, corporações e templos. O que fixa a riqueza, porém, não é a agricultura e sim a posição. O vale é o gargalo de um dos poucos corredores praticáveis entre a planície indiana e o platô tibetano.
Os Malla transformam o pedágio em cidade
Entre os séculos XII e XVIII, os reis Malla transformam em tijolo, madeira e bronze a renda das caravanas que cruzavam o vale entre a Índia e o Tibete. Depois de 1482, o vale se divide em três reinos rivais (Kantipur, Patan e Bhaktapur), e a competição entre eles explica por que existem três praças de palácio quase idênticas em função e completamente diferentes em detalhe, a menos de 15 km uma da outra. Quem executa a obra é a comunidade newar, com um sistema de castas ocupacionais e associações comunitárias hereditárias, os guthi, encarregadas de manter cada templo, cada poço e cada festa. O guthi é a instituição-chave para entender a cidade: ele explica por que as praças foram conservadas por séculos sem estado, e por que a sua erosão no séc. XX corresponde à degradação do centro histórico.
Prithvi Narayan Shah entra em 1768
Em 25 de setembro de 1768, Prithvi Narayan Shah entra em Kantipur durante o Indra Jatra, quando a corte está distraída pela procissão, e encerra a era Malla. A partir daí Katmandu deixa de ser uma capital de vale e vira capital de um estado que vai do Teraí ao Himalaia. Em 1846, o massacre do Kot dá o poder real à família Rana, que governa até 1951 mantendo o país fechado: os primeiros palácios brancos de colunas coríntias (Singha Durbar, Narayanhiti, Baber Mahal) são desse período e importam para a cidade de hoje porque muitos viraram ministério, museu ou centro comercial. O terremoto de 1934 destrói metade desse conjunto e a reconstrução abre a New Road, o eixo comercial que ainda corta o centro.
Da abertura de 1951 ao fim da guerra maoísta, em 2006
O século XX comprime na cidade tudo o que o Nepal fez em oitenta anos. A abertura de 1951 traz ajuda internacional, aeroporto e estradas; os anos 1960 e 1970 trazem a rota hippie a Jhochhen; o Panchayat (1960–1990) centraliza empregos e escolas na capital; e a guerra maoísta de 1996 a 2006 despeja no vale centenas de milhares de deslocados do campo. A população do município triplica em uma geração, o Anel Viário de 27 km, construído com ajuda chinesa nos anos 1970 para contornar a cidade, é engolido por ela, e os arrozais entre Katmandu e Patan desaparecem sob prédios de concreto de cinco andares construídos sem código sísmico. Em 1º de junho de 2001, o massacre da família real em Narayanhiti liquida o prestígio da monarquia, abolida em 28 de maio de 2008.
O terremoto de 2015, a reconstrução e o levante de 2025
O terremoto de 25 de abril de 2015 deixou cerca de 9.000 mortos no país, mais de 600 mil casas destruídas e monumentos inteiros no chão. A reconstrução foi lenta, mas real e visível. O Kasthamandap reabriu em 4 de abril de 2022, refeito com técnica tradicional; o Dharahara foi reerguido em concreto em 2021 ao lado dos escombros do original de 1832; o Rani Pokhari foi devolvido em 2020 no desenho histórico, depois de uma disputa pública sobre concreto contra tijolo. A política, no entanto, seguiu travada, e em setembro de 2025 o bloqueio de redes sociais acendeu um levante juvenil que deixou mais de 70 mortos e queimou o Singha Durbar e o parlamento. A eleição de 5 de março de 2026 deu 182 cadeiras ao Rastriya Swatantra Party, e Balendra Shah, rapper, engenheiro civil e prefeito de Katmandu desde 2022, conhecido por demolir construções irregulares sobre calçadas e leitos de rio, assumiu como primeiro-ministro em 27 de março. Quem chega em 2026 vê os dois processos ao mesmo tempo: fachadas históricas restauradas e prédios de governo ainda cobertos de tapume.
O morro de Chobhar, que segundo a lenda Manjushri cortou com a espada para esvaziar o lago do vale, é também a única saída natural de água, por onde o Bagmati escorre para o sul.
Na mesma rua, no mesmo dia, há fachada restaurada de um lado e tapume de obra do outro.
Geografia e forma da cidade
A bacia fechada e a saída de água
O vale é uma bacia oval de cerca de 665 km² a 1.300–1.400 m de altitude, cercada por quatro serras que passam dos 2.000 m (Shivapuri ao norte, Phulchoki ao sul, Nagarjun a oeste e Chandragiri a sudoeste) com uma única saída natural de água, a garganta de Chobhar, por onde o Bagmati escorre para o sul. Essa panela fechada explica duas coisas do cotidiano: o inverno seco prende poluição sob uma camada de inversão térmica, e o solo de sedimento lacustre amplifica ondas sísmicas, motivo pelo qual os terremotos de 1934 e 2015 foram tão destrutivos aqui e menos nas encostas.
A malha urbana tem três camadas
A malha urbana tem três camadas sobrepostas: o núcleo newar medieval, um labirinto de becos de tijolo organizado em pátios internos (bahal e chowk) em torno de praças com poços de pedra e templos de pagode; o cinturão Rana e do pós-1951, com avenidas retas como a New Road e a Durbar Marg; e a periferia pós-1990, feita de casas de concreto de quatro a seis andares, erguidas sobre antigos arrozais e ligadas por vias sem calçada.
Um anel vira eixo interno da cidade
O Anel Viário de 27 km circunda o conjunto e hoje é um eixo interno; não é uma borda. A cidade cresceu grudada em Lalitpur ao sul, sem interrupção visível a não ser o rio Bagmati.
Cultura
A cultura material é newar
A cultura material da cidade é newar antes de ser nepalesa. A comunidade newar, que fala nepal bhasa e é ao mesmo tempo hindu e budista sem contradição aparente, produziu a talha em madeira das janelas, os pagodes de telhados sobrepostos, a fundição de bronze por cera perdida em Patan e a pintura de thangka: técnicas que continuam sendo exercidas comercialmente hoje, sobretudo nas oficinas de Patan e Boudha. O calendário é organizado por associações comunitárias hereditárias, os guthi, responsáveis por manter templos e financiar festas; a Kumari, menina escolhida como deusa viva, é a manifestação mais visível desse sistema. Vale saber que quase todo templo em atividade tem regras de acesso: em muitos santuários hindus a entrada é reservada a hindus, enquanto em pátios e estupas budistas a circulação é livre.
Hip-hop, rock folk, cinema e festivais
A cidade produz cultura popular em ritmo próprio. O hip-hop nepalês em nepali, nascido em Katmandu nos anos 2000, foi tão central que o rapper Balendra Shah virou prefeito em 2022 e primeiro-ministro em 2026; o rock folk de bandas como Nepathya lota estádios; e a cena de música ao vivo se concentra nos bares de Thamel e Jhamsikhel. O cinema nepalês comercial se reinventou a partir de “Loot” (2012), rodado nas ruas da cidade, e o circuito de festivais é sólido: o Jazzmandu acontece desde 2002 em outubro ou novembro, o Kathmandu International Mountain Film Festival desde 2000 em dezembro, e o Nepal Literature Festival reúne autores em nepali e inglês. A literatura em inglês da diáspora (Samrat Upadhyay, Manjushree Thapa) descreve exatamente a classe média que ocupa esses espaços.
O críquete passou o futebol
No esporte, o críquete passou o futebol em audiência depois que a seleção nepalesa entrou nos torneios internacionais: os estádios de Mulpani e de Tribhuvan University enchem em dia de jogo e a cidade acompanha em telões nos bares. O futebol resiste no estádio Dasharath, em Tripureshwor, reformado após 2015. A vida noturna termina cedo pelos padrões asiáticos: bares de Thamel e Jhamsikhel fecham geralmente entre meia-noite e 1h, e o mesmo vale para restaurantes, que costumam servir o último prato por volta das 22h.
Quase todo templo em atividade tem regra de acesso; confira antes de subir o primeiro degrau.
Festas e eventos

Indra Jatra (Yenya)
Oito dias em agosto ou setembro, pela lua. O poste cerimonial yosin é erguido em Basantapur, máscaras de Lakhey dançam nos becos e a Kumari é puxada pela cidade em carro processional. Foi durante esta festa que Prithvi Narayan Shah tomou a cidade em 1768.

Dashain
Quinze dias pelo calendário lunar, que em 2026 vão de 11 a 25 de outubro, na maior festa do calendário hindu nepalês. A cidade esvazia porque quem mora aqui volta à aldeia de origem: as lojas fecham por até uma semana, ônibus e voos internos ficam lotados e os balanços de bambu (ping) aparecem nos terrenos vazios.

Tihar (Deepawali)
Cinco dias em outubro ou novembro, com um dia dedicado ao corvo, um ao cão, um à vaca, um a Laxmi e o último, Bhai Tika, aos irmãos. Filas de lamparinas nas soleiras, mandalas de pó colorido nas portas e grupos de crianças cantando deusi-bhailo de casa em casa por doces e moedas.

Bisket Jatra
Nove dias em torno de 14 de abril, o Ano-Novo nepalês, principalmente em Bhaktapur e Thimi. Dois carros processionais pesados são puxados por multidões em cabo de guerra pelas ruas estreitas, e um mastro de 25 m é derrubado à mão para marcar a virada do ano.

Fagu Purnima (Holi)
Um dia de lua cheia em março, com pó colorido e água atirada nas ruas: em Katmandu se celebra um dia antes do que no Teraí. Concentra-se em Basantapur e Thamel a partir do meio-dia; se você não quiser participar, evite sair de mochila e sem capa de chuva.
Livros e filmes
“Kathmandu”, de Thomas Bell (2014)
Reportagem e história no mesmo volume: o autor viveu quinze anos na cidade e liga a expansão urbana desordenada ao colapso do sistema guthi, à guerra maoísta e à economia da ajuda internacional. É o melhor livro único sobre por que a cidade tem a cara que tem.
“Arresting God in Kathmandu”, de Samrat Upadhyay (2001)
Contos de classe média nos anos 1990, dentro dos apartamentos e não nas praças: casamento arranjado, dinheiro curto, desejo e templo na mesma quadra. Mostra a cidade que os monumentos escondem.
“Loot”, de Nischal Basnet (2012)
O filme que reinventou o cinema comercial nepalês: um assalto contado na gíria de Katmandu, rodado em locações reais como Kalanki, o Anel Viário e os bares do Thamel. Deu origem a uma continuação em 2017 e a uma geração inteira de diretores.
Perguntas frequentes
Katmandu: preciso levar dólares em espécie para o visto?
Sim: o visto na chegada (US$ 30 a 125, conforme os dias) é pago só em dólares. As máquinas de cartão do saguão falham a toda hora, e o caixa eletrônico enche bem na hora em que os voos pousam.
Katmandu: como ir do aeroporto ao Thamel?
O balcão de táxi pré-pago do saguão cobra cerca de Rs 900 pelos 6 km até o Thamel, mais uns Rs 100 depois das 21h. Andando até fora do estacionamento, a corrida sai por Rs 300 a 600 pelo aplicativo (Pathao, InDrive e Yango).
Katmandu: qual é a moeda e quanto vale?
A moeda é a rupia nepalesa (NPR, Rs), atrelada à rupia indiana a 1,60 NPR = 1 INR, o que em 2026 dá cerca de 140 NPR por dólar.
Katmandu: qual é a melhor época para ir?
Outubro e novembro são a melhor época: a monção acabou, o ar é o mais limpo do ano e a cordilheira fica à vista nas manhãs sem bruma.
Katmandu: objetos de couro podem entrar nos templos?
Em Pashupatinath e em vários santuários hindus, não: cinto, bolsa e sandália de couro ficam do lado de fora, junto com o sapato.









