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Nilo pelo mundo
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Guia no app
Conjunto do Registan com fachadas, minaretes e cúpulas azuis, pátio e árvores; balaustrada geométrica, visitantes e passeio em primeiro plano.
ccFoto: Bobyrr · CC BY-SA 4.0

Uzbequistão

Samarcanda

Samarcanda tem a cidade de Timur e a do tsar lado a lado

Ver o roteiro de 2 diasAbrir Samarcanda no mapa

Dias2
Quandoabr–mai · set–out
Por pessoa/diaMédia de 60–90 USDPerfil médio · por pessoa/dia≈ R$ 311–466 · câmbio de 24 de set. de 2026

Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.

Como o guia chega a este número

Dedique o primeiro ao Registan, a Gur-e-Amir, onde está o túmulo de Timur, e à cidade russa. No segundo, reúna Bibi-Khanym, o bazar de Siab, Shah-i-Zinda e o planalto de Afrasiab, com o observatório de Ulugh Beg. Para uma visita de um dia, entre no Registan às 8h, caminhe até Bibi-Khanym e pare no mercado ao lado para almoçar osh antes das 14h. Termine em Shah-i-Zinda, a 800 m do bazar. Vale vir pelo azulejo e pelo tempo de olhar, sabendo que muito dele foi refeito no século XX, durante o restauro soviético. O calçadão de 2018–2019 esconde a vida das mahallas, que começa uma rua para dentro: entre de manhã, mesmo sem placa. Para sair à noite, a escolha é curta: perto das 22h o centro esvazia e restam as brasas de shashlik.

2

Quando Abril–maio e setembro–outubro, com máximas de 20–28 °C e quase nenhuma chuva

Como o guia chega a este número

Abril e maio são a melhor janela: 20–28 °C, damasqueiros e romãzeiras floridos, tudo aberto. Setembro e outubro repetem o clima e acrescentam a colheita: melão, uva e damasco seco tomam o bazar de Siab, e o corredor das frutas muda de cheiro de uma semana para outra. De junho a agosto faz 35–40 °C, com céu sem nuvem e nenhuma sombra na praça do Registan; se for nessa época, visite monumentos das 7h às 10h e volte depois das 18h. De dezembro a fevereiro a temperatura fica entre 0 e 8 °C, com neve algumas vezes por inverno, hotéis pela metade do preço e as necrópoles quase vazias. Leve casaco de verdade, porque o aquecimento nem sempre é confiável. Março traz o Navruz, no dia 21, e a maior movimentação doméstica do ano, com tempo instável. Julho é o mês que eu evitaria.

Por pessoa/dia US$ 25–35 no básico; US$ 60–90 com hotel de padrão médio e táxi (2026)

Como o guia chega a este número

Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.

O que o Nilo acha
Separe dois dias para ver os conjuntos de Samarcanda sem correr de um pátio para outro. Dedique o primeiro ao Registan, a Gur-e-Amir, onde está o túmulo de Timur, e à cidade russa. No segundo, reúna Bibi-Khanym, o bazar de Siab, Shah-i-Zinda e o planalto de Afrasiab, com o observatório de Ulugh Beg. Para uma visita de um dia, entre no Registan às 8h, caminhe até Bibi-Khanym e pare no mercado ao lado para almoçar osh antes das 14h. Termine em Shah-i-Zinda, a 800 m do bazar. Vale vir pelo azulejo e pelo tempo de olhar, sabendo que muito dele foi refeito no século XX, durante o restauro soviético. O calçadão de 2018–2019 esconde a vida das mahallas, que começa uma rua para dentro: entre de manhã, mesmo sem placa. Para sair à noite, a escolha é curta: perto das 22h o centro esvazia e restam as brasas de shashlik.

Três madrassas revestidas de azulejo azul fecham a praça do Registan, e é por ela que se vem a Samarcanda. A cidade foi a capital do império de Timur a partir de 1370, e o que ele e seus sucessores ergueram continua de pé: o túmulo de Timur sob a cúpula canelada de Gur-e-Amir, a mesquita Bibi-Khanym e a Shah-i-Zinda, uma ladeira de mausoléus com o azulejo mais bem preservado da cidade. Ao lado dos monumentos seguem habitadas outras duas cidades, as mahallas de língua tadjique e as avenidas de plátanos do traçado russo de 1871, onde a vinícola Khovrenko produz vinho desde 1868. No bazar de Siab, o non carimbado sai quente do tandyr; apoie-o sempre com o carimbo para cima e parta-o com a mão, nunca com faca. À mesa, o plov samarcandino chega em camadas, com a carne por cima, e o shashlik na brasa é o jantar da cidade. Venha em abril e maio ou em setembro e outubro, com 20 a 28 °C, e reserve dois dias.

Ficha rápida

População
cerca de 595 mil na cidade (janeiro de 2025); cerca de 1,3 milhão na aglomeração: terceira do país
Fundação
Século VII a.C. como Marakanda, no planalto de Afrasiab; refundada ao sul do sítio antigo depois de 1220
País e região
Uzbequistão, província de Samarcanda, vale do Zarafshan, Ásia Central
Idiomas
Uzbeque (oficial, alfabeto latino desde 1993), tadjique nas mahallas antigas, russo como língua de balcão
Moeda
Som uzbeque (UZS); cerca de 11.800 som por dólar em 2026
Fuso
UTC+5, sem horário de verão
Melhor época
Abril–maio e setembro–outubro, com máximas de 20–28 °C e quase nenhuma chuva
Custo médio por dia
US$ 25–35 no básico; US$ 60–90 com hotel de padrão médio e táxi (2026)

Quando ir

Abril–maio e setembro–outubro, com máximas de 20–28 °C e quase nenhuma chuva

0°10°20°30°40°média do ano 15°50100mmhojehojehojehojehojehojehojehojehojehojehojehojejanfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez0°15°30°100JFMAMJJASOND
melhor épocatemperatura °Cchuva mmNormais 1991-2020 da OMM (NOAA NCEI), estação Samarkand, a 3 km. Domínio público.

abril

10° a 22°C

63 mm de chuva

Melhor época

O que muda ao longo do ano

As três madraçais do Registan, em Samarcanda, com portais de azulejo e cúpulas azuis, vistas da borda da praça.
Praça do Registan

Abril e maio são a melhor janela: 20–28 °C, damasqueiros e romãzeiras floridos, tudo aberto. Setembro e outubro repetem o clima e acrescentam a colheita: melão, uva e damasco seco tomam o bazar de Siab, e o corredor das frutas muda de cheiro de uma semana para outra. De junho a agosto faz 35–40 °C, com céu sem nuvem e nenhuma sombra na praça do Registan; se for nessa época, visite monumentos das 7h às 10h e volte depois das 18h. De dezembro a fevereiro a temperatura fica entre 0 e 8 °C, com neve algumas vezes por inverno, hotéis pela metade do preço e as necrópoles quase vazias. Leve casaco de verdade, porque o aquecimento nem sempre é confiável. Março traz o Navruz, no dia 21, e a maior movimentação doméstica do ano, com tempo instável. Julho é o mês que eu evitaria.

Os mesmos números em tabela
MêsTemperatura °CChuva mm
janeiro-1 a 741
fevereiro0 a 1052
março5 a 1573
abril ·10 a 2263
maio ·14 a 2740
junho18 a 337
julho20 a 352
agosto18 a 332
setembro ·14 a 293
outubro ·8 a 2216
novembro3 a 1540
dezembro0 a 939

Dicas do Nilo

O ingresso do Registan vale o dia inteiro

Assim dá para entrar às 8h, antes do calor e das excursões, e voltar à praça no fim da tarde. O ingresso custa em torno de 100 mil som (2026). Guarde o comprovante e volte por volta das 18h30, pelo lado da madrassa de Ulugh Beg, quando a luz bate cheia nas duas fachadas em frente.

No Siab, compre o pão antes das 7h, com a fornada ainda quente

O bazar de Siab abre por volta das 6h, e o non carimbado sai quente do tandyr logo cedo. Compre antes das 7h, porque às 10h a fornada boa já se foi. Nas bancas de frutas secas, prove antes de fechar o quilo: o vendedor espera por isso, e estranho é quem não prova.

Almoce o plov antes das 14h, quando a panela acaba

O osh samarcandino é comida de almoço, e depois das 14h a panela acaba sem que se faça outra. Numa oshxona de bairro, em Bogishamol ou nos microdistritos, o prato sai por 30–50 mil som e a refeição inteira por 40–70 mil, enquanto num restaurante de turista do centro a conta vai a 100–200 mil. À noite, sem plov, a opção é o shashlik na brasa.

Compre o trem Afrosiyob com duas semanas de antecedência

Na alta temporada, o Afrosiyob esgota semanas antes, e a bilheteria na véspera não resolve. Garanta o lugar pela internet assim que tiver a data; a econômica custa em torno de 300 mil som (2026). Sem vaga, os trens mais lentos levam uma hora a mais no mesmo trajeto e custam bem menos. A estação fica a 5 km do Registan, então chegue com o Yandex Go aberto.

Das 12h às 16h no verão, espere o calor numa chaikhana

Entre meio-dia e quatro da tarde, em julho e agosto, a rua fica em 35–40 °C de ar seco, e no Registan não há sombra nenhuma. Passe essas horas numa chaikhana, onde um bule de 5 a 10 mil som garante a mesa pela tarde inteira, e saia de novo quando o sol baixar.

Vá à feira de Urgut, a 45 km, no sábado ou no domingo

A feira de suzanis, tecidos e antiguidades só acontece nesses dois dias, a sudeste da cidade, a cerca de 1h de carro. Saia às 7h, porque o mercado esvazia ao meio-dia e o que sobra depois é o corredor de plástico. No mesmo dia, passe pelo bosque de Chor-Chinor, com plátanos de várias centenas de anos, um deles oco por dentro, e volte a tempo do fim de tarde no Registan.

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O que ver

Samarcanda: O vale do Zarafshan e a água

Samarcanda está a cerca de 700 m de altitude, sobre terraços do vale do Zarafshan. A água é toda de montanha e toda canalizada, e o canal Siab é o motivo de existir uma cidade neste ponto.

Mausoléu Gur-e-Amir, em Samarcanda, com a cúpula azul canelada e dois minaretes, iluminado à noite.
Gur-e-Amir

Gur-e-Amir

EssencialSamarcanda · Até meia hora

Mausoléu concluído em 1404 para Muhammad Sultan, neto morto de Timur, e ocupado pelo próprio Timur em 1405. A cúpula canelada tem 64 nervuras. O tampo do túmulo, de jade verde-escuro, era um bloco único até 1740, quando Nadir Shah tentou levá-lo para a Pérsia e ele se partiu em dois; a emenda se vê até hoje. A sepultura foi aberta pelo antropólogo Mikhail Guerassimov em 21 de junho de 1941.

Timur ocupou em 1405 o que tinha ficado concluído em 1404 para Muhammad Sultan, sob a cúpula canelada de 64 nervuras e sob o tampo de jade que era um bloco só até 1740, ano em que Nadir tentou levar esse tampo à Pérsia e o tampo se partiu em dois, com a emenda ainda visível, e Guerassimov abriu a sepultura em 21 de junho de 1941.

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Mausoléu revestido de azulejos azuis, com cúpula verde-azulada, na necrópole Shah-i-Zinda, em Samarcanda.
Mausoléu em Shah-i-Zinda

Shah-i-Zinda

EssencialSamarcanda · Até meia hora

Rua estreita de mausoléus em ladeira, dos séculos XI ao XIX, construída em torno do túmulo de Kussam ibn Abbas, primo do profeta Maomé. É o conjunto de azulejo mais bem preservado da cidade. Conta-se a escada na subida e na descida: se der o mesmo número, diz o costume, você é uma pessoa correta.

O beco íngreme de túmulos, feito entre o século XI e o XIX ao redor da cova de Kussam ibn Abbas, primo do profeta Maomé, guarda o azulejo mais bem conservado da cidade, e o hábito é contar os degraus na subida e na descida.

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Portão de três arcos com azulejos na entrada do Bazar de Siab, em Samarcanda, sob céu azul.
Portão do Bazar de Siab

Bazar de Siab

EssencialSamarcanda

O mercado principal, ao lado de Bibi-Khanym, sob uma estrutura coberta dos anos 2000. É onde se compra o non carimbado ainda quente, damasco seco, uva-passa verde, kurt (bolinha de coalhada seca e salgada), navat (cristal de açúcar) e especiarias. Preço de comida é fixo; abre por volta das 6h.

A feira central, junto de Bibi-Khanym e sob um teto feito nos anos 2000, é onde se leva o non ainda quente, damasco seco, kurt de coalhada salgada, navat e especiarias, o preço da comida fica fixo e a abertura é por volta das 6h.

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Portal revestido de azulejos e base do Observatório de Ulugh Beg, sob céu claro, com visitantes à esquerda.
Observatório de Ulugh Beg

Observatório de Ulugh Beg

Vale a visitaSamarcanda · Até meia hora

Construído nos anos 1420 sobre uma colina a nordeste. Do sextante de meridiano de 40 m de raio sobrou o trecho escavado na rocha, com cerca de 11 m expostos. O catálogo Zij-i Sultani (1437) fixou 1.018 estrelas. As ruínas foram identificadas em 1908 por Vassili Viatkin, sepultado no local.

Do sextante sobrou o trecho escavado na rocha.

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Fachada do Museu de Afrasiab, prédio baixo de pedra clara com friso de figuras e a palavra MUSEUM no topo.
Museu de Afrasiab

Museu de Afrasiab

Vale a visitaSamarcanda · Até meia hora

Guarda os murais sogdianos do século VII descobertos em 1965 durante obras de estrada: uma parede inteira com embaixadores chineses, coreanos e turcos diante do rei Varkhuman. Fica na borda do planalto onde ficava a cidade antiga, hoje um descampado que se pode caminhar.

As pinturas da Sogdiana, do século VII, foram achadas em 1965 quando se abria uma via, e uma parede inteira põe chineses, coreanos e turcos como embaixadores na frente do rei Varkhuman.

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Mesquita Hazrat Khizr, em Samarcanda, com varanda de colunas de madeira, e visitantes na calçada em frente.
Mesquita Hazrat Khizr e mausoléu de Islam Karimov

Mesquita Hazrat Khizr e mausoléu de Islam Karimov

Vale a visitaSamarcanda · Até meia hora

A mesquita, na borda sul de Afrasiab, é reconstrução do século XIX sobre fundações do século VIII e tem a varanda de madeira mais fotografada da cidade. Ao lado está o túmulo de Islam Karimov (1938–2016), primeiro presidente do Uzbequistão, aberto ao público desde 2017 e com fila constante de visitantes locais.

O quilômetro entre a praça do Registan e a mesquita Bibi-Khanym virou calçadão em 2018 a 2019, com lojas, cafés e polícia turística.

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Mausoléu de Khoja Doniyor, em Samarcanda, um pequeno prédio claro de cúpula baixa, entre caminhos e gramado.
Mausoléu de Khoja Doniyor

Mausoléu de Khoja Doniyor

Vale a visitaSamarcanda · Até meia hora

Na margem do rio Siab, abaixo de Afrasiab. Abriga um cenotáfio de 18 m ligado ao profeta Daniel; a lenda local diz que o corpo cresce e por isso o sarcófago foi sendo alongado. É visitado por muçulmanos, cristãos e judeus, e tem uma fonte e uma amoreira antiga ao lado.

Na margem do rio Siab, abaixo de Afrasiab, há um cenotáfio de 18 m ligado ao profeta Daniel, o sarcófago foi sendo alongado porque ali se conta que o corpo não para de crescer, e o lugar recebe muçulmanos, cristãos e judeus e tem uma fonte.

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Portal de entrada monumental da Mesquita Bibi-Khanym, em Samarcanda, com o arco alto e árvores na frente.
Portal da Mesquita Bibi-Khanym

Mesquita Bibi-Khanym

Se sobrar tempoSamarcanda · Até meia hora

Erguida entre 1399 e 1404 com o butim da campanha de Timur na Índia. Foi ambiciosa demais para a engenharia da época e começou a desabar em décadas; a reconstrução pesada é de 1974 em diante. No pátio está o atril de mármore encomendado por Ulugh Beg.

O que está de pé hoje é a reconstrução pesada de 1974 em diante, e isso se vê de perto. Vinte minutos bastam, e melhor de manhã, quando o pátio ainda tem sombra.

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O roteiro do Nilo

Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.

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  1. Dia 1 · O eixo timúrida

    1. 8h: Registan na abertura, antes do calor e dos ônibus de excursão. Ingresso em torno de 100 mil som; entre na sala dourada da Tilya-Kori e olhe os tigres-sóis da fachada da Sher-Dor.

    2. 10h30: Gur-e-Amir, a 900 m a sudoeste. O tampo de jade verde sobre o túmulo de Timur se partiu em dois em 1740, e a emenda está à vista; Ulugh Beg está enterrado ao lado. Passe no Ruhobod, dos anos 1380, a cem metros.

    3. Almoce osh às 12h30 numa oshxona de bairro: o plov samarcandino vem em camadas, com a carne por cima, e acaba às 14h.

    4. Na época amena, caminhe às 15h30 pela cidade russa, pelo Universitet xiyoboni, com sombra de plátanos, e prove os vinhos na vinícola Khovrenko, aberta em 1868. No verão, deixe a caminhada para depois das 17h e confirme se o horário da vinícola permite combinar as visitas.

    5. Volte às 20h ao Registan iluminado; em alguns meses há espetáculo de luz projetado nas três fachadas.

  2. Dia 2 · Afrasiab, o bazar e as estrelas

    1. Comece às 8h pela mesquita Bibi-Khanym e veja no pátio o atril de mármore de Ulugh Beg.

    2. 9h30: bazar de Siab, do outro lado da rua. Compre damasco seco, navat, kurt e um non carimbado para levar, e prove antes de fechar o preço; o pão quente do tandyr é de quem chega antes das 7h.

    3. 11h: Shah-i-Zinda, o corredor de mausoléus dos séculos XI ao XIX em torno do túmulo de Kussam ibn Abbas. Conte os degraus na subida e na descida.

    4. Na época amena, suba às 13h à mesquita Hazrat Khizr, na borda do planalto, e visite ao lado o mausoléu de Islam Karimov (1938–2016). No verão, evite esse horário: faça o percurso antes das 10h ou após as 17h, confirmando o funcionamento dos dois locais.

    5. Visite às 16h o museu de Afrasiab, com os murais sogdianos do século VII achados em 1965, e o observatório de Ulugh Beg, com o arco do sextante escavado na rocha.

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Comida

Ilustração com IA

Non de Samarcanda (obi non)

Pão redondo assado colado na parede do tandyr, com o centro afundado e carimbado pelo chekich, um sinete de pregos. É mais denso e mais salgado que o non de Tachkent e seca sem mofar, o que lhe deu fama de durar meses. Compra-se quente no Siab, de manhã.

Ilustração com IA

Osh (plov) samarcandino

Diferente do de Tachkent: o arroz não é mexido, fica em camadas, com cenoura amarela e vermelha, grão-de-bico, passas e a carne de carneiro servida por cima na hora. É comida de almoço: depois das 14h a panela acabou.

Ilustração com IA

Shashlik

Espetos de carneiro sobre brasa, alternando carne e gordura, e a versão lula, de carne moída com cebola. Vêm servidos sobre pão, com cebola crua fatiada e vinagre. É o prato da noite, quando as casas de almoço já fecharam.

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Samsa

Pastel assado colado na parede do tandyr, recheado com carneiro picado, cebola e gordura da cauda. Sai por fornada; espere a próxima em vez de comprar a que esfriou. A versão de folhado é mais comum nos arredores do bazar.

Ilustração com IA

Lagman

Macarrão puxado à mão, de origem uigur e dungan, servido como sopa (suyuq) ou frito com legumes e carne (quruq). É a alternativa quando o arroz cansa, e costuma ser o prato mais barato do cardápio.

Ilustração com IA

Manti e chuchvara

Trouxinhas grandes cozidas no vapor, com carneiro e cebola (manti), e raviólis pequenos servidos em caldo ou fritos (chuchvara). Vêm com katyk, iogurte azedo, ou com nata.

Ilustração com IA

Kok choy e o ritual do bule

Chá verde é o padrão no verão, preto no inverno. Quem serve tira e devolve a infusão ao bule três vezes antes da primeira xícara, e enche a xícara sempre pela metade. Um bule custa 5–10 mil som e compra tempo de mesa ilimitado.

Ilustração com IA

Frutas secas, kurt e halva

Damasco seco, uva-passa verde, kurt, a bolinha de coalhada seca e salgada, e halva são a compra de bazar que aguenta a viagem de volta: prove um pedaço antes de fechar o saco.

Bate-voltas

As duas torres revestidas de azulejos geométricos azuis do portal em ruínas do Ak-Saray, em Shakhrisabz, com nuvens e um pavilhão baixo ao lado.
Shakhrisabz, Ak-Saray · THORSTEN · CC BY-SA 4.0

Shakhrisabz

85 km ao sul, cerca de 2h de carro pela passagem de Takhtakaracha (1.675 m). Cidade natal de Timur: sobrou o portal do palácio Ak-Saray (1380–1405), com cerca de 38 m, além do conjunto Dorut Tilovat e do mausoléu de Jahongir. Táxi compartilhado sai do terminal sul; reserve o dia inteiro.

Um plátano na frente de uma porta entalhada.
Urgut, o plátano · Alaexis · CC BY-SA 2.5

Urgut

Urgut, a 45 km e cerca de uma hora de carro, é a cidade da feira de fim de semana, onde se garimpam bordados suzani, panos e peças antigas até o meio-dia. Perto dali fica o bosque de Chor-Chinor, de plátanos centenários.

Muralha e torre redonda de tijolo com ameias da cidadela Ark de Bukhara, contra um céu azul intenso, com um monte de terra à direita.
Bukhara, a cidadela Ark · Petar Milošević · CC BY-SA 4.0

Bukhara

270 km a oeste, 1h30 no Afrosiyob. Cabe como bate-volta apertado, mas o casco antigo (Poi Kalyan, Lyabi-Hauz, a fortaleza Ark e o mausoléu samânida do século X) pede pelo menos uma noite.

Por onde começar

O eixo timúrida

O eixo timúrida

8h: Registan na abertura, antes do calor e dos ônibus de excursão. Ingresso em torno de 100 mil som; entre na sala dourada da Tilya-Kori e olhe os tigres-sóis da fachada da Sher-Dor.

Ofícios, aldeias e a última luz

Ofícios, aldeias e a última luz

Vá às 9h à aldeia de Konigil, 8 km a nordeste, onde a oficina Meros refaz o papel de amoreira com moinho de água, segundo a técnica do século VIII.

Dinheiro

A moeda é o som uzbeque (UZS), em notas de 1.000 a 200.000, então conte os zeros com calma no balcão. Em 2026 o dólar vale por volta de 11.800 som e o real algo perto de 2.200 som (confira na véspera). Desde a liberalização cambial de 2017 não existe mais mercado paralelo: troque em banco ou casa de câmbio oficial e ignore quem oferecer taxa melhor na rua. Os caixas eletrônicos de Kapitalbank, NBU e Ipoteka aceitam Visa com mais frequência que Mastercard, e alguns entregam dólares. As faixas reais: chá com pão numa chaikhana 10–15 mil som; prato de plov 30–50 mil; refeição numa oshxona de bairro 40–70 mil; jantar em restaurante voltado a turistas 100–200 mil; guest house com café da manhã 250–450 mil a diária; hotel quatro estrelas 700 mil a 1,2 milhão. Cartão funciona em hotéis e restaurantes do centro; bazar, táxi de rua e bilheteria de monumento pedem dinheiro. Não há tradição de gorjeta, e os restaurantes turísticos já somam 10% de serviço na conta.

Como chegar e se locomover

Portão de três arcos com azulejos na entrada do Bazar de Siab, em Samarcanda, sob céu azul.
Bazar de Siab · Portão do Bazar de Siab

Aeroporto: 6 km a nordeste, terminal novo desde 2022

O aeroporto internacional de Samarcanda (SKD) tem terminal novo desde março de 2022, fica a cerca de 6 km a nordeste do centro e se resolve em 15 a 20 minutos de táxi por 30–50 mil som. Há voos diretos de Tachkent (1h), Istambul, Dubai, Almaty, Moscou e Jeddá. A chegada mais usada, porém, é de trem, e é a que eu escolheria: o Afrosiyob (Talgo 250) faz Tachkent–Samarcanda em 2h05 a 2h20, com econômica em torno de 300 mil som em 2026, e segue para Bukhara em mais 1h30. Os trens Sharq e Registon fazem o mesmo trecho em 3h–3h30 por bem menos. Compre com antecedência em chipta.railway.uz ou no aplicativo da ferrovia. A estação fica a cerca de 5 km a oeste do Registan e exige táxi na chegada.

Ônibus e bondes, dois mil som a passagem

Dentro da cidade circulam ônibus e bondes (o serviço de bonde foi inaugurado em 2017). A passagem custa por volta de 2.000 som, paga em dinheiro ou por cartão no validador, e não existe bilhete integrado turístico para comprar. Na prática quase todo visitante usa Yandex Go: corridas urbanas de 12 a 25 mil som, com preço fechado antes de embarcar. Táxi de rua é qualquer carro que pare quando você levanta a mão. Combine o valor antes, sempre, nunca depois. O núcleo monumental se faz a pé: do Registan a Bibi-Khanym e ao bazar de Siab é cerca de 1 km de calçadão; de lá a Shah-i-Zinda, mais 800 m. Do Registan a Gur-e-Amir, 900 m no sentido oposto. Bicicleta é rara e o trânsito não a acomoda; no verão, ande antes das 10h e depois das 17h, evitando o meio do dia.

Segurança

O crime violento em Samarcanda é muito baixo, furto de rua é raro e caminhar à noite pelo centro e pelo calçadão do Registan é rotina. Os riscos reais são trânsito, calor e o táxi sem preço combinado. Trânsito: o pedestre não tem prioridade, e atravessar fora de faixa com semáforo é a principal causa de acidente com estrangeiro. Espere o carro parar de verdade antes de acreditar nele. Calor: em julho e agosto, 35–40 °C de ar seco desidratam sem aviso, então são 3 litros de água por dia, chapéu e pausa das 12h às 16h. Água de torneira não se bebe; use engarrafada, inclusive para escovar os dentes se o seu estômago for sensível. O golpe mais comum é o táxi sem preço combinado, que triplica no fim da corrida: feche o valor antes de entrar ou use Yandex Go. Trocar dinheiro com desconhecidos é ilegal e não compensa desde 2017. A polícia é presente e correta; ande com cópia do passaporte e guarde os comprovantes de hospedagem, a registratsiya, que hotéis e guest houses emitem automaticamente. A fiscalização ficou rara, mas a regra continua em vigor. Fotografar instalações militares e prédios de governo é proibido, e esse é um assunto em que ninguém aqui acha graça.

Dicas de etiqueta

O pão non nunca fica de cabeça para baixo

O pão non se parte com a mão, nunca se corta com faca, não se apoia com o carimbo virado para baixo e não se joga sobra fora. Deixe a sobra de pão no murinho reservado para isso, não no lixo.

A xícara de chá vem pela metade

Uma xícara completamente cheia é o jeito educado de dizer que já está na hora de ir.

Sapatos fora nas mesquitas em uso e nas casas

Nas madrassas-museu do Registan não é preciso descalçar; em Hazrat Khizr, no Khoja Doniyor e em qualquer casa para onde você for convidado, sim. Leve meia sem furo.

Cumprimento com a direita e a esquerda no coração

Ao cumprimentar, aperte a mão com a direita e leve a esquerda ao coração; entre homens, o aperto costuma vir com as duas mãos. Homens não estendem a mão a uma mulher a menos que ela ofereça primeiro, e uma inclinação leve de cabeça basta.

Fotografia de pessoas se pede antes

No bazar quase sempre autorizam com um gesto; senhoras mais velhas costumam recusar, e a recusa é definitiva. Evite fotografar prédios oficiais, quartéis e postos policiais.

A pechincha tem lugar certo

Suzani, tapete, cerâmica e faca se negociam, e o primeiro número costuma ceder 20–30%. Pão, fruta e comida no Siab têm preço fixo, e regatear ali soa mal.

Erros a evitar

Mausoléu revestido de azulejos azuis, com cúpula verde-azulada, na necrópole Shah-i-Zinda, em Samarcanda.
Shah-i-Zinda · Mausoléu em Shah-i-Zinda

Samarcanda como bate-volta de Tachkent

Fazer Samarcanda como bate-volta de Tachkent. As horas somem rápido: o Afrosiyob de ida e volta no mesmo dia deixa cerca de cinco horas na cidade, e só o triângulo Registan–Bibi-Khanym–Shah-i-Zinda consome isso inteiro.

Comprar o Afrosiyob em cima da hora

Comprar bilhete de trem no dia. Na alta temporada (abril–maio, setembro–outubro) o Afrosiyob esgota com uma a duas semanas de antecedência, e o que sobra é o trem lento ou o táxi compartilhado de 4h.

Andar só com cartão

Andar só com cartão. O caixa eletrônico mais próximo pode estar a 2 km de onde o cartão falhar, então leve dinheiro sempre. Bazar de Siab, táxi de rua, bilheteria de monumento e chaikhana de bairro só funcionam em espécie.

Marcar o Registan para o meio-dia

Ver o Registan ao meio-dia, quando a luz de frente achata as três fachadas de azulejo, que são justamente o que se vem ver. Chegue às 8h, na abertura, ou volte por volta das 18h30, quando o sol baixo bate nas fachadas.

Supor que todo mundo fala uzbeque

Supor que todo mundo fala uzbeque. Em Samarcanda o tadjique é língua de casa para uma parcela grande da população e o russo é o idioma comum entre gerações. Para agradecer, “rahmat” serve em uzbeque e em tadjique; em russo se diz “spasibo”.

Frases úteis

Assalomu alaykum

“a paz esteja convosco”, o cumprimento padrão (assalámu alaikúm)

Rahmat

obrigado: vale em uzbeque e em tadjique (rakhmát)

Kechirasiz

com licença, desculpe (ketchirasíz)

Qancha turadi?

quanto custa? (kantchá turadí)

Yo‘q, kerak emas

não, não preciso: a recusa educada no bazar (yók, kerák emás)

Bir piyola choy

uma xícara de chá (bir piyolá tchói)

Bairros

As três madraçais do Registan, em Samarcanda, com portais de azulejo e cúpulas azuis, vistas da borda da praça.
Praça do Registan

Registon e o eixo de pedestres

O quilômetro entre a praça do Registan e a mesquita Bibi-Khanym virou calçadão em 2018–2019, com lojas, cafés e polícia turística. É onde se passa metade do tempo na cidade e onde os preços são de turista.

Mausoléu revestido de azulejos azuis, com cúpula verde-azulada, na necrópole Shah-i-Zinda, em Samarcanda.
Mausoléu em Shah-i-Zinda

Cidade velha (Siab e mahallas)

Ruas curvas, muros cegos de barro, portões de madeira e pátios internos a nordeste do Registan, entre o bazar e Shah-i-Zinda. Fala-se tadjique, as casas não têm janela para a rua e a vida acontece no pátio. Ande de manhã.

Afrosiab

Os 220 hectares da cidade pré-mongol, ao norte: um planalto de terra com trilhas, escavações abertas e o museu dos murais sogdianos. Não há sombra nem comércio. Vá cedo e com água.

Cidade russa (Universitet xiyoboni)

Traçado em leque a partir de 1871, a sudoeste do Registan: avenidas largas, plátanos, praças redondas, a universidade, cafés com wi-fi e as lojas onde os moradores de fato compram. É a Samarcanda do dia a dia.

Bairro judeu (Mahallai Yahudiyon)

Quarteirões entre a rua Khudjum e o Registan onde viveu a comunidade judaica bukhariana, com a sinagoga Gumbaz (1891) e casarões de fachada dupla. Restaram poucas famílias depois da emigração dos anos 1990; a arquitetura ficou.

Bogishamol e os microdistritos

Blocos residenciais soviéticos dos anos 1960 a 1980 ao sul e a leste, com mercados de bairro, oshxonas baratas e nenhum turista. É onde se come plov pelo preço local.

Konigil e Motrid

Aldeias a 6–8 km a nordeste, ainda no município: moinho de água, oficina de papel de amoreira, pomares e criação de bicho-da-seda. Táxi de quinze minutos e outra escala de cidade.

Vista alta da Cidade Eterna em Samarcanda, com cúpulas e pátios numa ilha, o canal em volta e uma ponte com gente pequena.
Cidade Eterna

Silk Road Samarkand (Ipak Yo‘li)

Complexo hoteleiro e de congressos inaugurado em 2022 a leste, com lago artificial, oito hotéis e a Cidade Eterna. Foi construído para a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai de setembro de 2022 e concentra a hotelaria de padrão internacional.

História

séc. VII a.C. · Marakanda, capital sogdiana

Assentamento fortificado no planalto de Afrasiab, no norte da cidade atual. As muralhas cercavam cerca de 220 hectares abastecidos por um canal derivado do Zarafshan.

329 a.C. · Alexandre toma a cidade

O exército macedônio ocupa Marakanda a caminho do Oxus. É num banquete ali que Alexandre mata Clito, o Negro, seu general.

712 · Conquista árabe

Qutayba ibn Muslim toma Samarcanda para o califado omíada. Ao longo do século seguinte o islã substitui o zoroastrismo, o budismo e o maniqueísmo dos sogdianos.

751 · O papel chega a oeste

Depois da batalha de Talas, artesãos ligados à produção chinesa de papel teriam instalado em Samarcanda o primeiro moinho a oeste da China. O papel da cidade abastece Bagdá por três séculos.

1220 · Gêngis Khan arrasa Afrasiab

Os mongóis destroem as canalizações que levavam água ao planalto e Afrasiab é abandonado depois de dezoito séculos. A cidade renasce mais abaixo, onde estão hoje o Registan e Gur-e-Amir.

1370–1405 · Capital de Timur

Timur (Tamerlão) faz de Samarcanda a capital de um império que ia de Ancara a Deli e deporta para cá os artesãos das cidades que destruía. Bibi-Khanym e Gur-e-Amir são desse período.

1409–1449 · Ulugh Beg e o observatório

O neto de Timur governa como astrônomo. Seu sextante de meridiano, de 40 m de raio, produz em 1437 o catálogo Zij-i Sultani, com 1.018 estrelas. Ele é assassinado em 1449 por ordem do próprio filho.

1619–1660 · A praça do Registan ganha suas três fachadas

Yalangtush Bahodur manda erguer as madrassas Sher-Dor (1619–1636) e Tilya-Kori (1646–1660) diante da de Ulugh Beg. Só então a praça ganha as três fachadas que se veem hoje.

Portal de madrassa com dois minaretes e barracas de mercado na frente.
A praça do Registan, em Samarcanda, em 1895. · Rijksmuseum

1868 · Conquista russa

As tropas do general Kaufman tomam a cidade e o Império Russo constrói a sudoeste uma cidade nova de avenidas radiais. A ferrovia transcaspiana chega em 1888.

Mapa histórico de Samarcanda com ruas, muralhas, a cidadela e uma legenda em russo no canto superior esquerdo.
Mapa de 1906 sobre a defesa de Samarcanda em 1868. · Mikhail A. Terentyev / Wikimedia Commons

1925–1930 · Capital soviética

Samarcanda é a capital da República Socialista Soviética do Uzbequistão por cinco anos, até a transferência para Tachkent em 1930. O grande restauro dos monumentos viria depois, entre os anos 1960 e 1980.

Vista elevada de um bazar de barracas, com gente miúda na rua e, ao fundo, um edifício de cúpulas e um grande arco.
A Samarcanda antiga · Wilhelm Harteveld

2001–2022 · Patrimônio e reconstrução

A UNESCO inscreve “Samarcanda: encruzilhada de culturas” em 2001. Em 2022 abrem o novo terminal do aeroporto e o complexo Silk Road Samarkand, sede da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai em setembro.

Três fachadas de azulejo e minaretes em volta da praça, com o céu azul no meio.
A praça do Registan · Bernard Gagnon
História completa

Marakanda, capital da Sogdiana

Samarcanda começa como Marakanda, capital da Sogdiana, sobre o planalto de Afrasiab, onde o canal Siab garantia água num vale semiárido. Os sogdianos não formaram um império: eram comerciantes que operavam a rota da seda entre a China e o Irã, com colônias em Turfan e Chang’an e uma língua franca própria. Os murais do século VII encontrados em Afrasiab em 1965 mostram embaixadores chineses, coreanos e turcos chegando à corte do rei Varkhuman. É o retrato mais direto do que a cidade era antes do islã.

A conquista árabe muda religião e economia

A conquista árabe de 712 muda a religião e a economia. Depois da batalha de Talas, em 751, prisioneiros ligados à produção chinesa de papel teriam montado aqui o primeiro moinho de papel a oeste da China; o produto abastece Bagdá e vira sinônimo de qualidade por três séculos. Sob os samânidas, nos séculos IX e X, a cidade é persa em língua e muçulmana em fé. Essa dupla camada explica por que ainda hoje boa parte de Samarcanda fala tadjique em casa e uzbeque no balcão.

Em 1220, a cidade se muda para o terreno do Registan

Em 1220, Gêngis Khan destrói as canalizações que subiam a água até Afrasiab e o planalto habitado havia dezoito séculos é abandonado; a cidade renasce mais abaixo, no terreno do Registan atual. Cento e cinquenta anos depois, Timur escolhe Samarcanda como capital e importa à força os artesãos das cidades que arrasava. Bibi-Khanym (1399–1404) foi erguida com o butim da campanha indiana, inclusive noventa elefantes trazidos de Deli, e começou a ruir ainda no século XV: era grande demais para a técnica disponível.

Ulugh Beg e o observatório (1409–1449)

O neto de Timur, Ulugh Beg, governa de 1409 a 1449 e dedica o reinado à astronomia. Seu observatório, com um arco de meridiano de 40 m de raio parcialmente escavado na rocha, produz em 1437 o Zij-i Sultani, catálogo de 1.018 estrelas e uma medida do ano sideral com erro inferior a um minuto. Antes disso, entre 1417 e 1420, ele ergue no Registan a madrassa que leva seu nome, a primeira das três da praça: a Sher-Dor só vai encará-la a partir de 1619, e a Tilya-Kori, a partir de 1646. Ulugh Beg é decapitado em 1449 por ordem do próprio filho e o observatório é demolido; as ruínas só voltam à luz em 1908, com o arqueólogo Vassili Viatkin.

Declínio e repovoamento russo, do século XVIII a hoje

Do século XVIII até 1868 a cidade encolhe e chega a ficar quase vazia. São os russos que a repovoam: tomada em 1868, ela ganha a sudoeste uma cidade nova de avenidas em leque e plátanos, separada da antiga. Samarcanda é capital da RSS do Uzbequistão entre 1925 e 1930, perde o posto para Tachkent e passa o resto do século XX como canteiro de restauro: muito do azulejo que se fotografa hoje é reconstrução soviética dos anos 1960 a 1980. Depois de 2017 o país abre as fronteiras e dispensa visto para dezenas de nacionalidades, entre elas a brasileira. Em 2018–2019, o trecho entre o Registan e Bibi-Khanym virou calçadão, obra que demoliu quadras da mahalla antiga e rendeu críticas de conservação, e desde 2022 a cidade tem terminal de aeroporto novo e o complexo Silk Road Samarkand.

Para erguer Bibi-Khanym, vieram noventa elefantes de Deli.

Geografia e forma da cidade

O vale do Zarafshan e a água

Samarcanda está a cerca de 700 m de altitude, sobre terraços do vale do Zarafshan: rio que desce das montanhas do Turquestão e some no deserto antes de alcançar o Amu Dária. A água é toda de montanha e toda canalizada, e o canal Siab é o motivo de existir uma cidade neste ponto. O clima é continental semiárido: verões de 35–40 °C sem chuva, invernos de 0–8 °C com neve ocasional e cerca de 330 mm de precipitação por ano, concentrados entre novembro e abril.

Camadas da cidade: Afrasiab, a timúrida e a russa

Samarcanda tem três camadas, de norte a sudoeste. Ao norte fica o planalto de Afrasiab, onde estava a cidade antiga até 1220, hoje um descampado que se pode caminhar. No meio, em volta do Registan, estão os conjuntos timúridas e as mahallas, com muros de barro sem janela e língua tadjique. A sudoeste, o bairro planejado por engenheiros russos depois de 1871 tem avenidas em leque, ruas largas e sombra de plátanos desenhada de propósito.

As montanhas do Zarafshan e a passagem de Takhtakaracha

As montanhas do Zarafshan aparecem ao sul em dias limpos e marcam a passagem de Takhtakaracha, a 1.675 m, por onde sai a estrada para Shakhrisabz.

Cultura

Uzbeque nas placas, tadjique na fala da cidade velha

Samarcanda é bilíngue de um jeito que não aparece nas placas. O uzbeque é a língua oficial e se escreve em alfabeto latino desde 1993, com cirílico ainda em muros e cardápios, mas boa parte da cidade velha fala tadjique, persa, em casa, e o russo segue como idioma de balcão entre gerações. O islã é sunita da escola hanafita, praticado sem ostentação: as madrassas do Registan são museus, quem funciona são as mesquitas de bairro. Até os anos 1970 havia uma comunidade judaica bukhariana grande em torno da rua Khudjum, com a sinagoga Gumbaz (1891) ainda de pé; quase toda emigrou depois de 1991.

O shashmaqom e os seis maqams

A música clássica local é o shashmaqom, ciclo de seis maqams cantados com tanbur, doira e ghijak, reconhecido pela UNESCO em 2003. Nos casamentos, porém, o que se ouve na porta de casa é o karnay, trompa reta de até dois metros, com surnay. O artesanato vivo tem endereço: os suzanis bordados a ponto basma, o papel de amoreira refeito na aldeia de Konigil desde os anos 1990 pela família Mukhtarov segundo a técnica do século VIII, e a cerâmica de esmalte turquesa. A cidade também produz vinho desde 1868, quando o comerciante Dmitri Filatov abriu a fábrica que hoje leva o nome de Khovrenko e mantém sala de degustação.

A mahalla e a noite que acaba cedo

A vida da cidade velha se organiza na mahalla, o bairro de muros de barro sem janela onde se fala tadjique em casa, e é nela que, no Navruz, se cozinha o sumalak, pasta de brotos de trigo mexida a noite inteira em caldeirão comunitário. A rua, por outro lado, recolhe cedo: por volta das 22h o centro esvazia e sobram as brasas de shashlik, e o programa noturno fica para o Registan iluminado e o complexo Silk Road Samarkand.

Na Shah-i-Zinda, o costume é contar os degraus na subida e na descida: se der o mesmo número, você é uma pessoa correta.

A cúpula canelada do mausoléu de Gur-e-Amir, onde está Timur, tem 64 nervuras.

Festas e eventos

Tigela clara com pasta marrom espessa e uma colher de madeira, numa mesa ao sol.Ilustração com IA
Tigela de sumalak · Nilo pelo mundo

Navruz

21 de março, ano-novo persa e feriado nacional. Nas mahallas se cozinha o sumalak, pasta de brotos de trigo mexida a noite inteira em caldeirão comunitário, e há shows nas praças e kupkari nos arredores.

Quatro músicos tocam num palco ao ar livre diante de um arco revestido de azulejos azuis e dourados.
Sharq Taronalari · Het netepaleis · CC BY-SA 4.0

Sharq Taronalari (Melodias do Oriente)

Festival internacional de música criado em 1997, tradicionalmente bienal, com palco na praça do Registan. A edição de 2024 ocorreu de 26 a 30 de agosto; as interrupções do calendário impedem deduzir a próxima data pela alternância dos anos. Confira a programação oficial antes de marcar a viagem.

Ramalhete de flores brancas sobre uma mesa de madeira clara, ao sol.Ilustração com IA
Flores · Nilo pelo mundo

Ramazon Hayit e Qurbon Hayit

As duas festas islâmicas, de datas móveis pelo calendário lunar, são feriado nacional. As famílias visitam parentes e cemitérios logo cedo e boa parte do comércio fecha por um ou dois dias.

Estante de música vazia sobre um piso de madeira clara, ao sol.Ilustração com IA
Estante de música · Nilo pelo mundo

Dia da Independência

1º de setembro, com desfile, concerto e fogos. Coincide com o começo da alta temporada de outono, e os hotéis do centro lotam na semana.

Cavaleiros pequenos num campo aberto, ao sol, vistos de longe.Ilustração com IA
Cavaleiros · Nilo pelo mundo

Kupkari (ulak)

De dezembro a março, aos fins de semana, nos vilarejos do vale do Zarafshan: dezenas de cavaleiros disputam a carcaça de um bode em campo aberto. Não há calendário publicado. Pergunte no hotel na véspera.

Livros e filmes

Samarcanda, de Amin Maalouf (1988)

Romance que segue o manuscrito das rubaiyat de Omar Khayyam do século XI ao naufrágio do Titanic. Explica o lado persa e científico da cidade melhor que qualquer guia.

O Coração Perdido da Ásia, de Colin Thubron (1994)

Viagem pela Ásia Central logo depois da queda da URSS. O trecho de Samarcanda mostra a cidade presa entre o restauro soviético e um país recém-inventado.

A Estrela de Ulugbek, de Latif Faiziyev (1964)

Filme do estúdio Uzbekfilm sobre o astrônomo-governante e sua queda em 1449, rodado nos próprios monumentos antes das grandes restaurações.

Perguntas frequentes

Samarcanda: é preciso comprar o trem Afrosiyob com antecedência?

Sim, na alta temporada: em abril, maio, setembro e outubro o Afrosiyob esgota com uma a duas semanas de antecedência, e o que sobra é o trem lento ou o táxi compartilhado de 4h.

Samarcanda: qual é a moeda local?

A moeda é o som uzbeque (UZS), em notas de 1.000 a 200.000, então conte os zeros com calma no balcão.

Samarcanda: qual é a melhor época para ir?

Abril e maio são a melhor janela: 20 a 28 °C, damasqueiros e romãzeiras floridos, tudo aberto.

Samarcanda: que cuidados ter com o pão non à mesa?

O pão non se parte com a mão, nunca se corta com faca, não se apoia com o carimbo virado para baixo e não se joga sobra fora. Deixe a sobra de pão no murinho reservado para isso, não no lixo.

Samarcanda: é seguro andar pelo centro à noite?

O crime violento em Samarcanda é muito baixo, furto de rua é raro e caminhar à noite pelo centro e pelo calçadão do Registan é rotina.

Roteiros que passam por aqui