
Uzbequistão
Samarcanda
Samarcanda tem a cidade de Timur e a do tsar lado a lado
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
Dedique o primeiro ao Registan, a Gur-e-Amir, onde está o túmulo de Timur, e à cidade russa. No segundo, reúna Bibi-Khanym, o bazar de Siab, Shah-i-Zinda e o planalto de Afrasiab, com o observatório de Ulugh Beg. Para uma visita de um dia, entre no Registan às 8h, caminhe até Bibi-Khanym e pare no mercado ao lado para almoçar osh antes das 14h. Termine em Shah-i-Zinda, a 800 m do bazar. Vale vir pelo azulejo e pelo tempo de olhar, sabendo que muito dele foi refeito no século XX, durante o restauro soviético. O calçadão de 2018–2019 esconde a vida das mahallas, que começa uma rua para dentro: entre de manhã, mesmo sem placa. Para sair à noite, a escolha é curta: perto das 22h o centro esvazia e restam as brasas de shashlik.
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Quando Abril–maio e setembro–outubro, com máximas de 20–28 °C e quase nenhuma chuva
Como o guia chega a este número
Abril e maio são a melhor janela: 20–28 °C, damasqueiros e romãzeiras floridos, tudo aberto. Setembro e outubro repetem o clima e acrescentam a colheita: melão, uva e damasco seco tomam o bazar de Siab, e o corredor das frutas muda de cheiro de uma semana para outra. De junho a agosto faz 35–40 °C, com céu sem nuvem e nenhuma sombra na praça do Registan; se for nessa época, visite monumentos das 7h às 10h e volte depois das 18h. De dezembro a fevereiro a temperatura fica entre 0 e 8 °C, com neve algumas vezes por inverno, hotéis pela metade do preço e as necrópoles quase vazias. Leve casaco de verdade, porque o aquecimento nem sempre é confiável. Março traz o Navruz, no dia 21, e a maior movimentação doméstica do ano, com tempo instável. Julho é o mês que eu evitaria.
Por pessoa/dia US$ 25–35 no básico; US$ 60–90 com hotel de padrão médio e táxi (2026)
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaSepare dois dias para ver os conjuntos de Samarcanda sem correr de um pátio para outro. Dedique o primeiro ao Registan, a Gur-e-Amir, onde está o túmulo de Timur, e à cidade russa. No segundo, reúna Bibi-Khanym, o bazar de Siab, Shah-i-Zinda e o planalto de Afrasiab, com o observatório de Ulugh Beg. Para uma visita de um dia, entre no Registan às 8h, caminhe até Bibi-Khanym e pare no mercado ao lado para almoçar osh antes das 14h. Termine em Shah-i-Zinda, a 800 m do bazar. Vale vir pelo azulejo e pelo tempo de olhar, sabendo que muito dele foi refeito no século XX, durante o restauro soviético. O calçadão de 2018–2019 esconde a vida das mahallas, que começa uma rua para dentro: entre de manhã, mesmo sem placa. Para sair à noite, a escolha é curta: perto das 22h o centro esvazia e restam as brasas de shashlik.Três madrassas revestidas de azulejo azul fecham a praça do Registan, e é por ela que se vem a Samarcanda. A cidade foi a capital do império de Timur a partir de 1370, e o que ele e seus sucessores ergueram continua de pé: o túmulo de Timur sob a cúpula canelada de Gur-e-Amir, a mesquita Bibi-Khanym e a Shah-i-Zinda, uma ladeira de mausoléus com o azulejo mais bem preservado da cidade. Ao lado dos monumentos seguem habitadas outras duas cidades, as mahallas de língua tadjique e as avenidas de plátanos do traçado russo de 1871, onde a vinícola Khovrenko produz vinho desde 1868. No bazar de Siab, o non carimbado sai quente do tandyr; apoie-o sempre com o carimbo para cima e parta-o com a mão, nunca com faca. À mesa, o plov samarcandino chega em camadas, com a carne por cima, e o shashlik na brasa é o jantar da cidade. Venha em abril e maio ou em setembro e outubro, com 20 a 28 °C, e reserve dois dias.
Ficha rápida
- População
- cerca de 595 mil na cidade (janeiro de 2025); cerca de 1,3 milhão na aglomeração: terceira do país
- Fundação
- Século VII a.C. como Marakanda, no planalto de Afrasiab; refundada ao sul do sítio antigo depois de 1220
- País e região
- Uzbequistão, província de Samarcanda, vale do Zarafshan, Ásia Central
- Idiomas
- Uzbeque (oficial, alfabeto latino desde 1993), tadjique nas mahallas antigas, russo como língua de balcão
- Moeda
- Som uzbeque (UZS); cerca de 11.800 som por dólar em 2026
- Fuso
- UTC+5, sem horário de verão
- Melhor época
- Abril–maio e setembro–outubro, com máximas de 20–28 °C e quase nenhuma chuva
- Custo médio por dia
- US$ 25–35 no básico; US$ 60–90 com hotel de padrão médio e táxi (2026)
Quando ir
Abril–maio e setembro–outubro, com máximas de 20–28 °C e quase nenhuma chuva
janeiro
-1° a 7°C
41 mm de chuva
fevereiro
0° a 10°C
52 mm de chuva
março
5° a 15°C
73 mm de chuva
junho
18° a 33°C
7 mm de chuva
julho
20° a 35°C
2 mm de chuva
agosto
18° a 33°C
2 mm de chuva
novembro
3° a 15°C
40 mm de chuva
dezembro
0° a 9°C
39 mm de chuva
O que muda ao longo do ano

Abril e maio são a melhor janela: 20–28 °C, damasqueiros e romãzeiras floridos, tudo aberto. Setembro e outubro repetem o clima e acrescentam a colheita: melão, uva e damasco seco tomam o bazar de Siab, e o corredor das frutas muda de cheiro de uma semana para outra. De junho a agosto faz 35–40 °C, com céu sem nuvem e nenhuma sombra na praça do Registan; se for nessa época, visite monumentos das 7h às 10h e volte depois das 18h. De dezembro a fevereiro a temperatura fica entre 0 e 8 °C, com neve algumas vezes por inverno, hotéis pela metade do preço e as necrópoles quase vazias. Leve casaco de verdade, porque o aquecimento nem sempre é confiável. Março traz o Navruz, no dia 21, e a maior movimentação doméstica do ano, com tempo instável. Julho é o mês que eu evitaria.
Os mesmos números em tabela
| Mês | Temperatura °C | Chuva mm |
|---|---|---|
| janeiro | -1 a 7 | 41 |
| fevereiro | 0 a 10 | 52 |
| março | 5 a 15 | 73 |
| abril · | 10 a 22 | 63 |
| maio · | 14 a 27 | 40 |
| junho | 18 a 33 | 7 |
| julho | 20 a 35 | 2 |
| agosto | 18 a 33 | 2 |
| setembro · | 14 a 29 | 3 |
| outubro · | 8 a 22 | 16 |
| novembro | 3 a 15 | 40 |
| dezembro | 0 a 9 | 39 |
Dicas do Nilo
O ingresso do Registan vale o dia inteiro
Assim dá para entrar às 8h, antes do calor e das excursões, e voltar à praça no fim da tarde. O ingresso custa em torno de 100 mil som (2026). Guarde o comprovante e volte por volta das 18h30, pelo lado da madrassa de Ulugh Beg, quando a luz bate cheia nas duas fachadas em frente.
No Siab, compre o pão antes das 7h, com a fornada ainda quente
O bazar de Siab abre por volta das 6h, e o non carimbado sai quente do tandyr logo cedo. Compre antes das 7h, porque às 10h a fornada boa já se foi. Nas bancas de frutas secas, prove antes de fechar o quilo: o vendedor espera por isso, e estranho é quem não prova.
Almoce o plov antes das 14h, quando a panela acaba
O osh samarcandino é comida de almoço, e depois das 14h a panela acaba sem que se faça outra. Numa oshxona de bairro, em Bogishamol ou nos microdistritos, o prato sai por 30–50 mil som e a refeição inteira por 40–70 mil, enquanto num restaurante de turista do centro a conta vai a 100–200 mil. À noite, sem plov, a opção é o shashlik na brasa.
Compre o trem Afrosiyob com duas semanas de antecedência
Na alta temporada, o Afrosiyob esgota semanas antes, e a bilheteria na véspera não resolve. Garanta o lugar pela internet assim que tiver a data; a econômica custa em torno de 300 mil som (2026). Sem vaga, os trens mais lentos levam uma hora a mais no mesmo trajeto e custam bem menos. A estação fica a 5 km do Registan, então chegue com o Yandex Go aberto.
Das 12h às 16h no verão, espere o calor numa chaikhana
Entre meio-dia e quatro da tarde, em julho e agosto, a rua fica em 35–40 °C de ar seco, e no Registan não há sombra nenhuma. Passe essas horas numa chaikhana, onde um bule de 5 a 10 mil som garante a mesa pela tarde inteira, e saia de novo quando o sol baixar.
Vá à feira de Urgut, a 45 km, no sábado ou no domingo
A feira de suzanis, tecidos e antiguidades só acontece nesses dois dias, a sudeste da cidade, a cerca de 1h de carro. Saia às 7h, porque o mercado esvazia ao meio-dia e o que sobra depois é o corredor de plástico. No mesmo dia, passe pelo bosque de Chor-Chinor, com plátanos de várias centenas de anos, um deles oco por dentro, e volte a tempo do fim de tarde no Registan.
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Abrir o appO que ver
Samarcanda: O vale do Zarafshan e a água
Samarcanda está a cerca de 700 m de altitude, sobre terraços do vale do Zarafshan. A água é toda de montanha e toda canalizada, e o canal Siab é o motivo de existir uma cidade neste ponto.

Praça do Registan
Três madrassas de frente umas para as outras: Ulugh Beg (1417–1420), Sher-Dor (1619–1636) e Tilya-Kori (1646–1660). A fachada da Sher-Dor traz tigres com sóis nas costas, figuras animais raras na arte islâmica sunita. Ingresso em torno de 100 mil som (2026); a sala dourada da Tilya-Kori é o interior mais trabalhado da cidade.
A fachada traz tigres com sóis nas costas. São figuras animais raras na arte islâmica sunita.
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Gur-e-Amir
Mausoléu concluído em 1404 para Muhammad Sultan, neto morto de Timur, e ocupado pelo próprio Timur em 1405. A cúpula canelada tem 64 nervuras. O tampo do túmulo, de jade verde-escuro, era um bloco único até 1740, quando Nadir Shah tentou levá-lo para a Pérsia e ele se partiu em dois; a emenda se vê até hoje. A sepultura foi aberta pelo antropólogo Mikhail Guerassimov em 21 de junho de 1941.
Timur ocupou em 1405 o que tinha ficado concluído em 1404 para Muhammad Sultan, sob a cúpula canelada de 64 nervuras e sob o tampo de jade que era um bloco só até 1740, ano em que Nadir tentou levar esse tampo à Pérsia e o tampo se partiu em dois, com a emenda ainda visível, e Guerassimov abriu a sepultura em 21 de junho de 1941.
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Shah-i-Zinda
Rua estreita de mausoléus em ladeira, dos séculos XI ao XIX, construída em torno do túmulo de Kussam ibn Abbas, primo do profeta Maomé. É o conjunto de azulejo mais bem preservado da cidade. Conta-se a escada na subida e na descida: se der o mesmo número, diz o costume, você é uma pessoa correta.
O beco íngreme de túmulos, feito entre o século XI e o XIX ao redor da cova de Kussam ibn Abbas, primo do profeta Maomé, guarda o azulejo mais bem conservado da cidade, e o hábito é contar os degraus na subida e na descida.
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Bazar de Siab
O mercado principal, ao lado de Bibi-Khanym, sob uma estrutura coberta dos anos 2000. É onde se compra o non carimbado ainda quente, damasco seco, uva-passa verde, kurt (bolinha de coalhada seca e salgada), navat (cristal de açúcar) e especiarias. Preço de comida é fixo; abre por volta das 6h.
A feira central, junto de Bibi-Khanym e sob um teto feito nos anos 2000, é onde se leva o non ainda quente, damasco seco, kurt de coalhada salgada, navat e especiarias, o preço da comida fica fixo e a abertura é por volta das 6h.
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Observatório de Ulugh Beg
Construído nos anos 1420 sobre uma colina a nordeste. Do sextante de meridiano de 40 m de raio sobrou o trecho escavado na rocha, com cerca de 11 m expostos. O catálogo Zij-i Sultani (1437) fixou 1.018 estrelas. As ruínas foram identificadas em 1908 por Vassili Viatkin, sepultado no local.
Do sextante sobrou o trecho escavado na rocha.
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Museu de Afrasiab
Guarda os murais sogdianos do século VII descobertos em 1965 durante obras de estrada: uma parede inteira com embaixadores chineses, coreanos e turcos diante do rei Varkhuman. Fica na borda do planalto onde ficava a cidade antiga, hoje um descampado que se pode caminhar.
As pinturas da Sogdiana, do século VII, foram achadas em 1965 quando se abria uma via, e uma parede inteira põe chineses, coreanos e turcos como embaixadores na frente do rei Varkhuman.
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Mesquita Hazrat Khizr e mausoléu de Islam Karimov
A mesquita, na borda sul de Afrasiab, é reconstrução do século XIX sobre fundações do século VIII e tem a varanda de madeira mais fotografada da cidade. Ao lado está o túmulo de Islam Karimov (1938–2016), primeiro presidente do Uzbequistão, aberto ao público desde 2017 e com fila constante de visitantes locais.
O quilômetro entre a praça do Registan e a mesquita Bibi-Khanym virou calçadão em 2018 a 2019, com lojas, cafés e polícia turística.
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Mausoléu de Khoja Doniyor
Na margem do rio Siab, abaixo de Afrasiab. Abriga um cenotáfio de 18 m ligado ao profeta Daniel; a lenda local diz que o corpo cresce e por isso o sarcófago foi sendo alongado. É visitado por muçulmanos, cristãos e judeus, e tem uma fonte e uma amoreira antiga ao lado.
Na margem do rio Siab, abaixo de Afrasiab, há um cenotáfio de 18 m ligado ao profeta Daniel, o sarcófago foi sendo alongado porque ali se conta que o corpo não para de crescer, e o lugar recebe muçulmanos, cristãos e judeus e tem uma fonte.
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Mesquita Bibi-Khanym
Erguida entre 1399 e 1404 com o butim da campanha de Timur na Índia. Foi ambiciosa demais para a engenharia da época e começou a desabar em décadas; a reconstrução pesada é de 1974 em diante. No pátio está o atril de mármore encomendado por Ulugh Beg.
O que está de pé hoje é a reconstrução pesada de 1974 em diante, e isso se vê de perto. Vinte minutos bastam, e melhor de manhã, quando o pátio ainda tem sombra.
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O roteiro do Nilo
Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · O eixo timúrida
8h: Registan na abertura, antes do calor e dos ônibus de excursão. Ingresso em torno de 100 mil som; entre na sala dourada da Tilya-Kori e olhe os tigres-sóis da fachada da Sher-Dor.
10h30: Gur-e-Amir, a 900 m a sudoeste. O tampo de jade verde sobre o túmulo de Timur se partiu em dois em 1740, e a emenda está à vista; Ulugh Beg está enterrado ao lado. Passe no Ruhobod, dos anos 1380, a cem metros.
Almoce osh às 12h30 numa oshxona de bairro: o plov samarcandino vem em camadas, com a carne por cima, e acaba às 14h.
Na época amena, caminhe às 15h30 pela cidade russa, pelo Universitet xiyoboni, com sombra de plátanos, e prove os vinhos na vinícola Khovrenko, aberta em 1868. No verão, deixe a caminhada para depois das 17h e confirme se o horário da vinícola permite combinar as visitas.
Volte às 20h ao Registan iluminado; em alguns meses há espetáculo de luz projetado nas três fachadas.
Dia 2 · Afrasiab, o bazar e as estrelas
Comece às 8h pela mesquita Bibi-Khanym e veja no pátio o atril de mármore de Ulugh Beg.
9h30: bazar de Siab, do outro lado da rua. Compre damasco seco, navat, kurt e um non carimbado para levar, e prove antes de fechar o preço; o pão quente do tandyr é de quem chega antes das 7h.
11h: Shah-i-Zinda, o corredor de mausoléus dos séculos XI ao XIX em torno do túmulo de Kussam ibn Abbas. Conte os degraus na subida e na descida.
Na época amena, suba às 13h à mesquita Hazrat Khizr, na borda do planalto, e visite ao lado o mausoléu de Islam Karimov (1938–2016). No verão, evite esse horário: faça o percurso antes das 10h ou após as 17h, confirmando o funcionamento dos dois locais.
Visite às 16h o museu de Afrasiab, com os murais sogdianos do século VII achados em 1965, e o observatório de Ulugh Beg, com o arco do sextante escavado na rocha.
Comida
Ilustração com IANon de Samarcanda (obi non)
Pão redondo assado colado na parede do tandyr, com o centro afundado e carimbado pelo chekich, um sinete de pregos. É mais denso e mais salgado que o non de Tachkent e seca sem mofar, o que lhe deu fama de durar meses. Compra-se quente no Siab, de manhã.
Ilustração com IAOsh (plov) samarcandino
Diferente do de Tachkent: o arroz não é mexido, fica em camadas, com cenoura amarela e vermelha, grão-de-bico, passas e a carne de carneiro servida por cima na hora. É comida de almoço: depois das 14h a panela acabou.
Ilustração com IAShashlik
Espetos de carneiro sobre brasa, alternando carne e gordura, e a versão lula, de carne moída com cebola. Vêm servidos sobre pão, com cebola crua fatiada e vinagre. É o prato da noite, quando as casas de almoço já fecharam.
Ilustração com IASamsa
Pastel assado colado na parede do tandyr, recheado com carneiro picado, cebola e gordura da cauda. Sai por fornada; espere a próxima em vez de comprar a que esfriou. A versão de folhado é mais comum nos arredores do bazar.
Ilustração com IALagman
Macarrão puxado à mão, de origem uigur e dungan, servido como sopa (suyuq) ou frito com legumes e carne (quruq). É a alternativa quando o arroz cansa, e costuma ser o prato mais barato do cardápio.
Ilustração com IAManti e chuchvara
Trouxinhas grandes cozidas no vapor, com carneiro e cebola (manti), e raviólis pequenos servidos em caldo ou fritos (chuchvara). Vêm com katyk, iogurte azedo, ou com nata.
Ilustração com IAKok choy e o ritual do bule
Chá verde é o padrão no verão, preto no inverno. Quem serve tira e devolve a infusão ao bule três vezes antes da primeira xícara, e enche a xícara sempre pela metade. Um bule custa 5–10 mil som e compra tempo de mesa ilimitado.
Ilustração com IAFrutas secas, kurt e halva
Damasco seco, uva-passa verde, kurt, a bolinha de coalhada seca e salgada, e halva são a compra de bazar que aguenta a viagem de volta: prove um pedaço antes de fechar o saco.
Bate-voltas

Shakhrisabz
85 km ao sul, cerca de 2h de carro pela passagem de Takhtakaracha (1.675 m). Cidade natal de Timur: sobrou o portal do palácio Ak-Saray (1380–1405), com cerca de 38 m, além do conjunto Dorut Tilovat e do mausoléu de Jahongir. Táxi compartilhado sai do terminal sul; reserve o dia inteiro.

Urgut
Urgut, a 45 km e cerca de uma hora de carro, é a cidade da feira de fim de semana, onde se garimpam bordados suzani, panos e peças antigas até o meio-dia. Perto dali fica o bosque de Chor-Chinor, de plátanos centenários.

Bukhara
270 km a oeste, 1h30 no Afrosiyob. Cabe como bate-volta apertado, mas o casco antigo (Poi Kalyan, Lyabi-Hauz, a fortaleza Ark e o mausoléu samânida do século X) pede pelo menos uma noite.
Por onde começar
O eixo timúrida

8h: Registan na abertura, antes do calor e dos ônibus de excursão. Ingresso em torno de 100 mil som; entre na sala dourada da Tilya-Kori e olhe os tigres-sóis da fachada da Sher-Dor.
Afrasiab, o bazar e as estrelas

Comece às 8h pela mesquita Bibi-Khanym e veja no pátio o atril de mármore de Ulugh Beg.
Ofícios, aldeias e a última luz

Vá às 9h à aldeia de Konigil, 8 km a nordeste, onde a oficina Meros refaz o papel de amoreira com moinho de água, segundo a técnica do século VIII.
Dinheiro
A moeda é o som uzbeque (UZS), em notas de 1.000 a 200.000, então conte os zeros com calma no balcão. Em 2026 o dólar vale por volta de 11.800 som e o real algo perto de 2.200 som (confira na véspera). Desde a liberalização cambial de 2017 não existe mais mercado paralelo: troque em banco ou casa de câmbio oficial e ignore quem oferecer taxa melhor na rua. Os caixas eletrônicos de Kapitalbank, NBU e Ipoteka aceitam Visa com mais frequência que Mastercard, e alguns entregam dólares. As faixas reais: chá com pão numa chaikhana 10–15 mil som; prato de plov 30–50 mil; refeição numa oshxona de bairro 40–70 mil; jantar em restaurante voltado a turistas 100–200 mil; guest house com café da manhã 250–450 mil a diária; hotel quatro estrelas 700 mil a 1,2 milhão. Cartão funciona em hotéis e restaurantes do centro; bazar, táxi de rua e bilheteria de monumento pedem dinheiro. Não há tradição de gorjeta, e os restaurantes turísticos já somam 10% de serviço na conta.
Como chegar e se locomover

Aeroporto: 6 km a nordeste, terminal novo desde 2022
O aeroporto internacional de Samarcanda (SKD) tem terminal novo desde março de 2022, fica a cerca de 6 km a nordeste do centro e se resolve em 15 a 20 minutos de táxi por 30–50 mil som. Há voos diretos de Tachkent (1h), Istambul, Dubai, Almaty, Moscou e Jeddá. A chegada mais usada, porém, é de trem, e é a que eu escolheria: o Afrosiyob (Talgo 250) faz Tachkent–Samarcanda em 2h05 a 2h20, com econômica em torno de 300 mil som em 2026, e segue para Bukhara em mais 1h30. Os trens Sharq e Registon fazem o mesmo trecho em 3h–3h30 por bem menos. Compre com antecedência em chipta.railway.uz ou no aplicativo da ferrovia. A estação fica a cerca de 5 km a oeste do Registan e exige táxi na chegada.
Ônibus e bondes, dois mil som a passagem
Dentro da cidade circulam ônibus e bondes (o serviço de bonde foi inaugurado em 2017). A passagem custa por volta de 2.000 som, paga em dinheiro ou por cartão no validador, e não existe bilhete integrado turístico para comprar. Na prática quase todo visitante usa Yandex Go: corridas urbanas de 12 a 25 mil som, com preço fechado antes de embarcar. Táxi de rua é qualquer carro que pare quando você levanta a mão. Combine o valor antes, sempre, nunca depois. O núcleo monumental se faz a pé: do Registan a Bibi-Khanym e ao bazar de Siab é cerca de 1 km de calçadão; de lá a Shah-i-Zinda, mais 800 m. Do Registan a Gur-e-Amir, 900 m no sentido oposto. Bicicleta é rara e o trânsito não a acomoda; no verão, ande antes das 10h e depois das 17h, evitando o meio do dia.
Segurança
O crime violento em Samarcanda é muito baixo, furto de rua é raro e caminhar à noite pelo centro e pelo calçadão do Registan é rotina. Os riscos reais são trânsito, calor e o táxi sem preço combinado. Trânsito: o pedestre não tem prioridade, e atravessar fora de faixa com semáforo é a principal causa de acidente com estrangeiro. Espere o carro parar de verdade antes de acreditar nele. Calor: em julho e agosto, 35–40 °C de ar seco desidratam sem aviso, então são 3 litros de água por dia, chapéu e pausa das 12h às 16h. Água de torneira não se bebe; use engarrafada, inclusive para escovar os dentes se o seu estômago for sensível. O golpe mais comum é o táxi sem preço combinado, que triplica no fim da corrida: feche o valor antes de entrar ou use Yandex Go. Trocar dinheiro com desconhecidos é ilegal e não compensa desde 2017. A polícia é presente e correta; ande com cópia do passaporte e guarde os comprovantes de hospedagem, a registratsiya, que hotéis e guest houses emitem automaticamente. A fiscalização ficou rara, mas a regra continua em vigor. Fotografar instalações militares e prédios de governo é proibido, e esse é um assunto em que ninguém aqui acha graça.
Dicas de etiqueta
O pão non nunca fica de cabeça para baixo
O pão non se parte com a mão, nunca se corta com faca, não se apoia com o carimbo virado para baixo e não se joga sobra fora. Deixe a sobra de pão no murinho reservado para isso, não no lixo.
A xícara de chá vem pela metade
Uma xícara completamente cheia é o jeito educado de dizer que já está na hora de ir.
Sapatos fora nas mesquitas em uso e nas casas
Nas madrassas-museu do Registan não é preciso descalçar; em Hazrat Khizr, no Khoja Doniyor e em qualquer casa para onde você for convidado, sim. Leve meia sem furo.
Cumprimento com a direita e a esquerda no coração
Ao cumprimentar, aperte a mão com a direita e leve a esquerda ao coração; entre homens, o aperto costuma vir com as duas mãos. Homens não estendem a mão a uma mulher a menos que ela ofereça primeiro, e uma inclinação leve de cabeça basta.
Fotografia de pessoas se pede antes
No bazar quase sempre autorizam com um gesto; senhoras mais velhas costumam recusar, e a recusa é definitiva. Evite fotografar prédios oficiais, quartéis e postos policiais.
A pechincha tem lugar certo
Suzani, tapete, cerâmica e faca se negociam, e o primeiro número costuma ceder 20–30%. Pão, fruta e comida no Siab têm preço fixo, e regatear ali soa mal.
Erros a evitar

Samarcanda como bate-volta de Tachkent
Fazer Samarcanda como bate-volta de Tachkent. As horas somem rápido: o Afrosiyob de ida e volta no mesmo dia deixa cerca de cinco horas na cidade, e só o triângulo Registan–Bibi-Khanym–Shah-i-Zinda consome isso inteiro.
Comprar o Afrosiyob em cima da hora
Comprar bilhete de trem no dia. Na alta temporada (abril–maio, setembro–outubro) o Afrosiyob esgota com uma a duas semanas de antecedência, e o que sobra é o trem lento ou o táxi compartilhado de 4h.
Andar só com cartão
Andar só com cartão. O caixa eletrônico mais próximo pode estar a 2 km de onde o cartão falhar, então leve dinheiro sempre. Bazar de Siab, táxi de rua, bilheteria de monumento e chaikhana de bairro só funcionam em espécie.
Marcar o Registan para o meio-dia
Ver o Registan ao meio-dia, quando a luz de frente achata as três fachadas de azulejo, que são justamente o que se vem ver. Chegue às 8h, na abertura, ou volte por volta das 18h30, quando o sol baixo bate nas fachadas.
Supor que todo mundo fala uzbeque
Supor que todo mundo fala uzbeque. Em Samarcanda o tadjique é língua de casa para uma parcela grande da população e o russo é o idioma comum entre gerações. Para agradecer, “rahmat” serve em uzbeque e em tadjique; em russo se diz “spasibo”.
Frases úteis
Assalomu alaykum
“a paz esteja convosco”, o cumprimento padrão (assalámu alaikúm)
Rahmat
obrigado: vale em uzbeque e em tadjique (rakhmát)
Kechirasiz
com licença, desculpe (ketchirasíz)
Qancha turadi?
quanto custa? (kantchá turadí)
Yo‘q, kerak emas
não, não preciso: a recusa educada no bazar (yók, kerák emás)
Bir piyola choy
uma xícara de chá (bir piyolá tchói)
Bairros

Registon e o eixo de pedestres
O quilômetro entre a praça do Registan e a mesquita Bibi-Khanym virou calçadão em 2018–2019, com lojas, cafés e polícia turística. É onde se passa metade do tempo na cidade e onde os preços são de turista.

Cidade velha (Siab e mahallas)
Ruas curvas, muros cegos de barro, portões de madeira e pátios internos a nordeste do Registan, entre o bazar e Shah-i-Zinda. Fala-se tadjique, as casas não têm janela para a rua e a vida acontece no pátio. Ande de manhã.
Afrosiab
Os 220 hectares da cidade pré-mongol, ao norte: um planalto de terra com trilhas, escavações abertas e o museu dos murais sogdianos. Não há sombra nem comércio. Vá cedo e com água.
Cidade russa (Universitet xiyoboni)
Traçado em leque a partir de 1871, a sudoeste do Registan: avenidas largas, plátanos, praças redondas, a universidade, cafés com wi-fi e as lojas onde os moradores de fato compram. É a Samarcanda do dia a dia.
Bairro judeu (Mahallai Yahudiyon)
Quarteirões entre a rua Khudjum e o Registan onde viveu a comunidade judaica bukhariana, com a sinagoga Gumbaz (1891) e casarões de fachada dupla. Restaram poucas famílias depois da emigração dos anos 1990; a arquitetura ficou.
Bogishamol e os microdistritos
Blocos residenciais soviéticos dos anos 1960 a 1980 ao sul e a leste, com mercados de bairro, oshxonas baratas e nenhum turista. É onde se come plov pelo preço local.
Konigil e Motrid
Aldeias a 6–8 km a nordeste, ainda no município: moinho de água, oficina de papel de amoreira, pomares e criação de bicho-da-seda. Táxi de quinze minutos e outra escala de cidade.

Silk Road Samarkand (Ipak Yo‘li)
Complexo hoteleiro e de congressos inaugurado em 2022 a leste, com lago artificial, oito hotéis e a Cidade Eterna. Foi construído para a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai de setembro de 2022 e concentra a hotelaria de padrão internacional.
História
séc. VII a.C. · Marakanda, capital sogdiana
Assentamento fortificado no planalto de Afrasiab, no norte da cidade atual. As muralhas cercavam cerca de 220 hectares abastecidos por um canal derivado do Zarafshan.
329 a.C. · Alexandre toma a cidade
O exército macedônio ocupa Marakanda a caminho do Oxus. É num banquete ali que Alexandre mata Clito, o Negro, seu general.
712 · Conquista árabe
Qutayba ibn Muslim toma Samarcanda para o califado omíada. Ao longo do século seguinte o islã substitui o zoroastrismo, o budismo e o maniqueísmo dos sogdianos.
751 · O papel chega a oeste
Depois da batalha de Talas, artesãos ligados à produção chinesa de papel teriam instalado em Samarcanda o primeiro moinho a oeste da China. O papel da cidade abastece Bagdá por três séculos.
1220 · Gêngis Khan arrasa Afrasiab
Os mongóis destroem as canalizações que levavam água ao planalto e Afrasiab é abandonado depois de dezoito séculos. A cidade renasce mais abaixo, onde estão hoje o Registan e Gur-e-Amir.
1370–1405 · Capital de Timur
Timur (Tamerlão) faz de Samarcanda a capital de um império que ia de Ancara a Deli e deporta para cá os artesãos das cidades que destruía. Bibi-Khanym e Gur-e-Amir são desse período.
1409–1449 · Ulugh Beg e o observatório
O neto de Timur governa como astrônomo. Seu sextante de meridiano, de 40 m de raio, produz em 1437 o catálogo Zij-i Sultani, com 1.018 estrelas. Ele é assassinado em 1449 por ordem do próprio filho.
1619–1660 · A praça do Registan ganha suas três fachadas
Yalangtush Bahodur manda erguer as madrassas Sher-Dor (1619–1636) e Tilya-Kori (1646–1660) diante da de Ulugh Beg. Só então a praça ganha as três fachadas que se veem hoje.

1868 · Conquista russa
As tropas do general Kaufman tomam a cidade e o Império Russo constrói a sudoeste uma cidade nova de avenidas radiais. A ferrovia transcaspiana chega em 1888.

1925–1930 · Capital soviética
Samarcanda é a capital da República Socialista Soviética do Uzbequistão por cinco anos, até a transferência para Tachkent em 1930. O grande restauro dos monumentos viria depois, entre os anos 1960 e 1980.

2001–2022 · Patrimônio e reconstrução
A UNESCO inscreve “Samarcanda: encruzilhada de culturas” em 2001. Em 2022 abrem o novo terminal do aeroporto e o complexo Silk Road Samarkand, sede da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai em setembro.

História completa
Marakanda, capital da Sogdiana
Samarcanda começa como Marakanda, capital da Sogdiana, sobre o planalto de Afrasiab, onde o canal Siab garantia água num vale semiárido. Os sogdianos não formaram um império: eram comerciantes que operavam a rota da seda entre a China e o Irã, com colônias em Turfan e Chang’an e uma língua franca própria. Os murais do século VII encontrados em Afrasiab em 1965 mostram embaixadores chineses, coreanos e turcos chegando à corte do rei Varkhuman. É o retrato mais direto do que a cidade era antes do islã.
A conquista árabe muda religião e economia
A conquista árabe de 712 muda a religião e a economia. Depois da batalha de Talas, em 751, prisioneiros ligados à produção chinesa de papel teriam montado aqui o primeiro moinho de papel a oeste da China; o produto abastece Bagdá e vira sinônimo de qualidade por três séculos. Sob os samânidas, nos séculos IX e X, a cidade é persa em língua e muçulmana em fé. Essa dupla camada explica por que ainda hoje boa parte de Samarcanda fala tadjique em casa e uzbeque no balcão.
Em 1220, a cidade se muda para o terreno do Registan
Em 1220, Gêngis Khan destrói as canalizações que subiam a água até Afrasiab e o planalto habitado havia dezoito séculos é abandonado; a cidade renasce mais abaixo, no terreno do Registan atual. Cento e cinquenta anos depois, Timur escolhe Samarcanda como capital e importa à força os artesãos das cidades que arrasava. Bibi-Khanym (1399–1404) foi erguida com o butim da campanha indiana, inclusive noventa elefantes trazidos de Deli, e começou a ruir ainda no século XV: era grande demais para a técnica disponível.
Ulugh Beg e o observatório (1409–1449)
O neto de Timur, Ulugh Beg, governa de 1409 a 1449 e dedica o reinado à astronomia. Seu observatório, com um arco de meridiano de 40 m de raio parcialmente escavado na rocha, produz em 1437 o Zij-i Sultani, catálogo de 1.018 estrelas e uma medida do ano sideral com erro inferior a um minuto. Antes disso, entre 1417 e 1420, ele ergue no Registan a madrassa que leva seu nome, a primeira das três da praça: a Sher-Dor só vai encará-la a partir de 1619, e a Tilya-Kori, a partir de 1646. Ulugh Beg é decapitado em 1449 por ordem do próprio filho e o observatório é demolido; as ruínas só voltam à luz em 1908, com o arqueólogo Vassili Viatkin.
Declínio e repovoamento russo, do século XVIII a hoje
Do século XVIII até 1868 a cidade encolhe e chega a ficar quase vazia. São os russos que a repovoam: tomada em 1868, ela ganha a sudoeste uma cidade nova de avenidas em leque e plátanos, separada da antiga. Samarcanda é capital da RSS do Uzbequistão entre 1925 e 1930, perde o posto para Tachkent e passa o resto do século XX como canteiro de restauro: muito do azulejo que se fotografa hoje é reconstrução soviética dos anos 1960 a 1980. Depois de 2017 o país abre as fronteiras e dispensa visto para dezenas de nacionalidades, entre elas a brasileira. Em 2018–2019, o trecho entre o Registan e Bibi-Khanym virou calçadão, obra que demoliu quadras da mahalla antiga e rendeu críticas de conservação, e desde 2022 a cidade tem terminal de aeroporto novo e o complexo Silk Road Samarkand.
Para erguer Bibi-Khanym, vieram noventa elefantes de Deli.
Geografia e forma da cidade
O vale do Zarafshan e a água
Samarcanda está a cerca de 700 m de altitude, sobre terraços do vale do Zarafshan: rio que desce das montanhas do Turquestão e some no deserto antes de alcançar o Amu Dária. A água é toda de montanha e toda canalizada, e o canal Siab é o motivo de existir uma cidade neste ponto. O clima é continental semiárido: verões de 35–40 °C sem chuva, invernos de 0–8 °C com neve ocasional e cerca de 330 mm de precipitação por ano, concentrados entre novembro e abril.
Camadas da cidade: Afrasiab, a timúrida e a russa
Samarcanda tem três camadas, de norte a sudoeste. Ao norte fica o planalto de Afrasiab, onde estava a cidade antiga até 1220, hoje um descampado que se pode caminhar. No meio, em volta do Registan, estão os conjuntos timúridas e as mahallas, com muros de barro sem janela e língua tadjique. A sudoeste, o bairro planejado por engenheiros russos depois de 1871 tem avenidas em leque, ruas largas e sombra de plátanos desenhada de propósito.
As montanhas do Zarafshan e a passagem de Takhtakaracha
As montanhas do Zarafshan aparecem ao sul em dias limpos e marcam a passagem de Takhtakaracha, a 1.675 m, por onde sai a estrada para Shakhrisabz.
Cultura
Uzbeque nas placas, tadjique na fala da cidade velha
Samarcanda é bilíngue de um jeito que não aparece nas placas. O uzbeque é a língua oficial e se escreve em alfabeto latino desde 1993, com cirílico ainda em muros e cardápios, mas boa parte da cidade velha fala tadjique, persa, em casa, e o russo segue como idioma de balcão entre gerações. O islã é sunita da escola hanafita, praticado sem ostentação: as madrassas do Registan são museus, quem funciona são as mesquitas de bairro. Até os anos 1970 havia uma comunidade judaica bukhariana grande em torno da rua Khudjum, com a sinagoga Gumbaz (1891) ainda de pé; quase toda emigrou depois de 1991.
O shashmaqom e os seis maqams
A música clássica local é o shashmaqom, ciclo de seis maqams cantados com tanbur, doira e ghijak, reconhecido pela UNESCO em 2003. Nos casamentos, porém, o que se ouve na porta de casa é o karnay, trompa reta de até dois metros, com surnay. O artesanato vivo tem endereço: os suzanis bordados a ponto basma, o papel de amoreira refeito na aldeia de Konigil desde os anos 1990 pela família Mukhtarov segundo a técnica do século VIII, e a cerâmica de esmalte turquesa. A cidade também produz vinho desde 1868, quando o comerciante Dmitri Filatov abriu a fábrica que hoje leva o nome de Khovrenko e mantém sala de degustação.
A mahalla e a noite que acaba cedo
A vida da cidade velha se organiza na mahalla, o bairro de muros de barro sem janela onde se fala tadjique em casa, e é nela que, no Navruz, se cozinha o sumalak, pasta de brotos de trigo mexida a noite inteira em caldeirão comunitário. A rua, por outro lado, recolhe cedo: por volta das 22h o centro esvazia e sobram as brasas de shashlik, e o programa noturno fica para o Registan iluminado e o complexo Silk Road Samarkand.
Na Shah-i-Zinda, o costume é contar os degraus na subida e na descida: se der o mesmo número, você é uma pessoa correta.
A cúpula canelada do mausoléu de Gur-e-Amir, onde está Timur, tem 64 nervuras.
Festas e eventos
Ilustração com IANavruz
21 de março, ano-novo persa e feriado nacional. Nas mahallas se cozinha o sumalak, pasta de brotos de trigo mexida a noite inteira em caldeirão comunitário, e há shows nas praças e kupkari nos arredores.

Sharq Taronalari (Melodias do Oriente)
Festival internacional de música criado em 1997, tradicionalmente bienal, com palco na praça do Registan. A edição de 2024 ocorreu de 26 a 30 de agosto; as interrupções do calendário impedem deduzir a próxima data pela alternância dos anos. Confira a programação oficial antes de marcar a viagem.
Ilustração com IARamazon Hayit e Qurbon Hayit
As duas festas islâmicas, de datas móveis pelo calendário lunar, são feriado nacional. As famílias visitam parentes e cemitérios logo cedo e boa parte do comércio fecha por um ou dois dias.
Ilustração com IADia da Independência
1º de setembro, com desfile, concerto e fogos. Coincide com o começo da alta temporada de outono, e os hotéis do centro lotam na semana.
Ilustração com IAKupkari (ulak)
De dezembro a março, aos fins de semana, nos vilarejos do vale do Zarafshan: dezenas de cavaleiros disputam a carcaça de um bode em campo aberto. Não há calendário publicado. Pergunte no hotel na véspera.
Livros e filmes
Samarcanda, de Amin Maalouf (1988)
Romance que segue o manuscrito das rubaiyat de Omar Khayyam do século XI ao naufrágio do Titanic. Explica o lado persa e científico da cidade melhor que qualquer guia.
O Coração Perdido da Ásia, de Colin Thubron (1994)
Viagem pela Ásia Central logo depois da queda da URSS. O trecho de Samarcanda mostra a cidade presa entre o restauro soviético e um país recém-inventado.
A Estrela de Ulugbek, de Latif Faiziyev (1964)
Filme do estúdio Uzbekfilm sobre o astrônomo-governante e sua queda em 1449, rodado nos próprios monumentos antes das grandes restaurações.
Perguntas frequentes
Samarcanda: é preciso comprar o trem Afrosiyob com antecedência?
Sim, na alta temporada: em abril, maio, setembro e outubro o Afrosiyob esgota com uma a duas semanas de antecedência, e o que sobra é o trem lento ou o táxi compartilhado de 4h.
Samarcanda: qual é a moeda local?
A moeda é o som uzbeque (UZS), em notas de 1.000 a 200.000, então conte os zeros com calma no balcão.
Samarcanda: qual é a melhor época para ir?
Abril e maio são a melhor janela: 20 a 28 °C, damasqueiros e romãzeiras floridos, tudo aberto.
Samarcanda: que cuidados ter com o pão non à mesa?
O pão non se parte com a mão, nunca se corta com faca, não se apoia com o carimbo virado para baixo e não se joga sobra fora. Deixe a sobra de pão no murinho reservado para isso, não no lixo.
Samarcanda: é seguro andar pelo centro à noite?
O crime violento em Samarcanda é muito baixo, furto de rua é raro e caminhar à noite pelo centro e pelo calçadão do Registan é rotina.







