
Cazaquistão
Almaty
Em Almaty, a montanha aparece no fim de quase toda rua
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
No primeiro, junte o Parque Panfilov, o Bazar Verde e a Praça da República; no segundo, suba de Medeu a Shymbulak logo cedo, quando o ar está mais limpo. O terceiro dia fica para o teleférico do Kok-Tobe pela manhã, as estações de mosaico do metrô e uma tarde no Museu Kasteev. Com um dia só, faça a montanha cedo, almoce lagman numa cantina na descida e termine no Parque Panfilov, onde ficam a catedral de madeira e os Banhos Arasan, que pedem duas horas. Quem procura ruas medievais vai se decepcionar: a cidade é uma grade militar prática e pouco bonita, reconstruída depois dos tremores de 1887 e 1911. Evite janeiro, porque o frio se resolve com casaco, mas a fumaça que a inversão térmica prende na parte baixa não tem remédio. Se puder escolher, venha em setembro, quando a aport é vendida nas esquinas.
2–3
Quando Setembro e outubro; para esquiar, fevereiro em Shymbulak; evite janeiro, o mês de ar mais poluído
Como o guia chega a este número
O clima é continental seco, com quatro estações bem marcadas. O inverno vai de dezembro a março, com médias entre −4 °C e −10 °C, mínimas que chegam a −20 °C e neve garantida na montanha. É a temporada de esqui em Shymbulak e, ao mesmo tempo, o pior momento do ar, porque a inversão térmica prende a fumaça na parte baixa da cidade. Abril e maio trazem chuva, degelo e o verde das encostas, com tulipas silvestres floridas nos morros a partir do fim de abril. O verão, de junho a agosto, é seco e quente, com máximas de 30 a 35 °C no centro e tardes de tempestade nas montanhas, onde a temperatura cai 10 °C ou mais. Setembro e outubro são a melhor janela: 18 a 25 °C, céu limpo, safra da maçã aport e diária de hotel mais baixa que no pico de julho. O mês a evitar é janeiro, pela combinação de frio com poluição, e março, se o seu problema for lama, calçada escorregadia e neve suja.
Por pessoa/dia 18.000–36.000 ₸ (cerca de US$ 35–70) com hotel simples, comida local e transporte público
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaReserve dois dias para Almaty, um para o centro e outro para a montanha, e acrescente um terceiro se puder. No primeiro, junte o Parque Panfilov, o Bazar Verde e a Praça da República; no segundo, suba de Medeu a Shymbulak logo cedo, quando o ar está mais limpo. O terceiro dia fica para o teleférico do Kok-Tobe pela manhã, as estações de mosaico do metrô e uma tarde no Museu Kasteev. Com um dia só, faça a montanha cedo, almoce lagman numa cantina na descida e termine no Parque Panfilov, onde ficam a catedral de madeira e os Banhos Arasan, que pedem duas horas. Quem procura ruas medievais vai se decepcionar: a cidade é uma grade militar prática e pouco bonita, reconstruída depois dos tremores de 1887 e 1911. Evite janeiro, porque o frio se resolve com casaco, mas a fumaça que a inversão térmica prende na parte baixa não tem remédio. Se puder escolher, venha em setembro, quando a aport é vendida nas esquinas.Almaty fica ao pé do Zailiysky Alatau, e os picos brancos de 4.000 m aparecem atrás dos prédios em boa parte dos cruzamentos. O melhor programa é subir: a gôndola leva até 3.200 m, onde faz frio mesmo no verão. Na planície, prove carne de cavalo curada e kurt nas bancas do mercado coberto da Zhibek Zholy, e morda uma aport, a maçã que deu nome à cidade. A arquitetura é soviética por um motivo: os tremores de 1887 e 1911 derrubaram as construções de tijolo. De pé ficou a igreja de toras que Zenkov terminou em 1907, no Parque Panfilov. Choupos e carvalhos em fileira sombreiam as avenidas largas, regados por valas de água que correm junto ao meio-fio. Venha no começo do outono, com dias amenos e a colheita da maçã nas bancas de esquina.
Ficha rápida
- População
- cerca de 2,37 mi na cidade (dado oficial de julho de 2026); cerca de 2,7 mi na aglomeração
- Fundação
- Forte Zailiyskoye em 1854, renomeado Verny em 1855; antes disso, o povoado de Almatu na Rota da Seda entre os séc. X e XIII
- País/região
- Cazaquistão, região histórica de Zhetysu (Sete Rios), no sopé do Zailiysky Alatau
- Idioma
- Cazaque (língua do Estado) e russo (língua oficial de comunicação interétnica); na rua de Almaty o russo resolve quase tudo
- Moeda
- Tenge (KZT, ₸), em set/2026, US$ 1 valia cerca de 455 ₸ e €1, cerca de 520 ₸
- Fuso
- UTC+5 o ano inteiro desde 1º de março de 2024, quando o país inteiro passou a ter um fuso único; 8 horas à frente de Brasília
- Melhor época
- Setembro e outubro; para esquiar, fevereiro em Shymbulak; evite janeiro, o mês de ar mais poluído
- Custo médio por dia
- 18.000–36.000 ₸ (cerca de US$ 35–70) com hotel simples, comida local e transporte público
Quando ir
Setembro e outubro; para esquiar, fevereiro em Shymbulak; evite janeiro, o mês de ar mais poluído
janeiro
-8° a 1°C
35 mm de chuva
Evitarfevereiro
-6° a 3°C
43 mm de chuva
março
0° a 10°C
72 mm de chuva
abril
7° a 18°C
112 mm de chuva
maio
12° a 23°C
99 mm de chuva
junho
16° a 28°C
59 mm de chuva
julho
19° a 31°C
43 mm de chuva
agosto
17° a 30°C
34 mm de chuva
novembro
-1° a 8°C
55 mm de chuva
dezembro
-6° a 2°C
44 mm de chuva
O que muda ao longo do ano

O clima é continental seco, com quatro estações bem marcadas. O inverno vai de dezembro a março, com médias entre −4 °C e −10 °C, mínimas que chegam a −20 °C e neve garantida na montanha. É a temporada de esqui em Shymbulak e, ao mesmo tempo, o pior momento do ar, porque a inversão térmica prende a fumaça na parte baixa da cidade. Abril e maio trazem chuva, degelo e o verde das encostas, com tulipas silvestres floridas nos morros a partir do fim de abril. O verão, de junho a agosto, é seco e quente, com máximas de 30 a 35 °C no centro e tardes de tempestade nas montanhas, onde a temperatura cai 10 °C ou mais. Setembro e outubro são a melhor janela: 18 a 25 °C, céu limpo, safra da maçã aport e diária de hotel mais baixa que no pico de julho. O mês a evitar é janeiro, pela combinação de frio com poluição, e março, se o seu problema for lama, calçada escorregadia e neve suja.
Os mesmos números em tabela
| Mês | Temperatura °C | Chuva mm |
|---|---|---|
| janeiro | -8 a 1 | 35 |
| fevereiro | -6 a 3 | 43 |
| março | 0 a 10 | 72 |
| abril | 7 a 18 | 112 |
| maio | 12 a 23 | 99 |
| junho | 16 a 28 | 59 |
| julho | 19 a 31 | 43 |
| agosto | 17 a 30 | 34 |
| setembro · | 12 a 25 | 28 |
| outubro · | 5 a 17 | 50 |
| novembro | -1 a 8 | 55 |
| dezembro | -6 a 2 | 44 |
Dicas do Nilo
O cartão Onay custa 500 ₸ e se paga na sétima viagem
Com o Onay, que sai por 500 ₸, a tarifa de metrô e ônibus cai de 200 ₸ em dinheiro para 120 ₸. Os 80 ₸ poupados a cada embarque cobrem o preço do cartão depois de sete viagens. Compre no quiosque da estação ou num terminal e recarregue pelo aplicativo. Se preferir não ter cartão nenhum, o cartão bancário por aproximação também abre a validadora, e o cobrador não costuma avisar disso.
No aeroporto, o motorista do saguão cobra o triplo
O motorista que aborda dentro do saguão costuma pedir cerca do triplo do aplicativo. Do aeroporto ALA, 15 km ao norte, o ônibus urbano 92 leva ao centro por 120 ₸ com o Onay, em 40 a 60 minutos; um Yandex Go ou inDrive custa de 2.500 a 4.500 ₸ e leva de 25 a 40 minutos. Feche o preço no aplicativo antes de atravessar a porta.
Leve dinheiro, porque o QR do Kaspi exige conta cazaque
No dia a dia, Almaty paga com o QR do Kaspi.kz, que exige conta cazaque e não aceita cartão estrangeiro. Visa e Mastercard passam em café, supermercado e restaurante, mas bazar, barraca de rua e táxi fora do aplicativo pedem tenge na mão. Troque nas casas de câmbio das ruas Nazarbayev e Zheltoqsan, que mostram a taxa na vitrine e pagam mais do que o balcão do aeroporto.
Suba os 842 degraus de Medeu antes da gôndola até 3.200 m
Pegue o ônibus 12 ou um carro por aplicativo até Medeu, a 1.691 m, e suba primeiro os 842 degraus até a barragem contra fluxos de lama. Fazer isso depois da gôndola, com o corpo já frio, é castigo. Em seguida, entre na gôndola para Shymbulak, a 2.200 m, e continue até a estação superior, a 3.200 m, com ida e volta em torno de 6.500 ₸. Lá em cima faz mais de 10 °C a menos que no centro mesmo em julho, então leve casaco.
No inverno, suba cedo ao Kok-Tobe, a 1.100 m
No inverno, o ar da parte baixa fica preso sob uma tampa fria e melhora à medida que se sobe a encosta. Por isso, pegue logo cedo o teleférico que sai da Dostyk até o Kok-Tobe, a 1.100 m, quando a vista ainda alcança a planície inteira. Se a sua semana tiver uma única manhã de céu aberto, gaste-a com a paisagem e deixe o museu para outro dia.
No Bazar Verde, provar antes é o combinado
Nas bancas do pavilhão da Zhibek Zholy, o primeiro valor é ponto de partida para a barganha, e o vendedor espera que você experimente. Peça uma lasca de kurt e uma fatia de kazy antes de fechar o peso, e leve dinheiro, porque ali o cartão é exceção.
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Abrir o appO que ver
Almaty: O leque aluvial e a altitude
Almaty ocupa um leque aluvial inclinado no sopé do Zailiysky Alatau, ramo norte do Tian Shan: o centro está a cerca de 700 m e os bairros mais altos passam de 1.000 m, com o pico Talgar (4.979 m) visível da rua em dia limpo. No centro, o Quadrado Dourado, o retângulo aproximado entre as avenidas Abay e Raiymbek e as ruas Seifullin e Nazarbayev (ex-Furmanov), concentra cafés, galerias, escritórios e o metro quadrado mais caro do país.

Bazar Verde (Kök Bazar)
Mercado coberto na Zhibek Zholy, com origem no fim do século XIX e o pavilhão atual dos anos 1970. Dividido por corredores: carne de cavalo e kazy, laticínios, castanhas e frutas secas do sul, e as pirâmides brancas de kurt; provar antes de comprar é esperado, e o preço inicial é negociável.
Experimentar a mercadoria antes da compra é o costume, e o valor de partida se discute, no meio de kazy, kurt e frutas secas.
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Medeu
Pista de patinação de velocidade a 1.691 m de altitude, aberta em 1972 e conhecida pelo gelo de água de montanha, onde se bateram dezenas de recordes mundiais. Fica a 15 km do centro pela estrada do desfiladeiro; a escadaria de 842 degraus ao lado sobe até a barragem anti-lama.
A ida à pista a 1.691 m se justifica porque dezenas de recordes mundiais foram batidos no gelo de água de montanha, e 842 degraus sobem até a barragem.
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Shymbulak
Estação de esqui entre 2.200 e 3.200 m, ligada a Medeu por gôndola desde 2011. Funciona no inverno para esqui e no verão para caminhada; a diferença de temperatura para o centro passa de 10 °C e o topo exige agasalho mesmo em julho.
A gôndola de Medeu sobe até 3.200 m, com caminhada no verão e esqui no inverno, e no cume julho ainda exige agasalho.
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Parque dos 28 Guardas Panfilov
Parque central de 18 hectares com aleias de choupos, dedicado à divisão de infantaria formada em Alma-Ata que combateu diante de Moscou em 1941. Guarda o memorial de guerra de granito preto de 1975, com chama eterna, e é onde a cidade se fotografa em datas oficiais.
Quem vem nas datas oficiais posa diante do monumento de granito preto de 1975 e da chama eterna, num parque de 18 hectares.
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Catedral da Ascensão (Zenkov)
Igreja ortodoxa de madeira concluída em 1907 pelo engenheiro Andrey Zenkov, com cerca de 56 m e estrutura calculada para absorver tremores. Sobreviveu ao terremoto de 1911, foi museu no período soviético e voltou ao culto em 1995; entrada gratuita, ombros e cabeça cobertos para mulheres.
A construção de madeira de 1907 mede cerca de 56 m e tem estrutura calculada para absorver tremores, resistiu ao terremoto de 1911 e voltou ao culto em 1995.
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Kok-Tobe
Colina a 1.100 m no limite sul da cidade, alcançada por teleférico desde 1967 a partir da rua Dostyk. Reúne mirante sobre a grade urbana, parque de diversões e a estátua dos Beatles de 2007; acima dela está a torre de TV de 372 m, fechada ao público.
O teleférico funciona desde 1967 e o alto reúne mirante e parque de diversões, enquanto a torre de 372 m permanece fechada ao público.
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Museu Central do Estado do Cazaquistão
Aberto em 1985 num prédio de cúpula azul junto à Praça da República, cobre da pré-história à independência em quatro salas. A peça mais visitada é a reconstituição do Homem Dourado, coberto por cerca de 4.000 placas de ouro, encontrado em 1969 num kurgan a 50 km da cidade.
O Homem Dourado, coberto por cerca de 4.000 placas de ouro e encontrado em 1969, aparece reconstituído no prédio de cúpula azul aberto em 1985.
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Ilustração com IABanhos Arasan
Complexo termal de 1982 na borda do Parque Panfilov, com alas russa, finlandesa e oriental e capacidade para milhares de pessoas por dia. É a instituição social mais soviética que ainda funciona na cidade. Vá com chinelo e reserve duas horas.
O banho público ainda em uso justifica chegar de chinelo e separar duas horas, nas alas russa, finlandesa e oriental do complexo de 1982.
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Praça da República e Monumento da Independência
Praça monumental de 1980 onde ocorreu o Zheltoqsan em dezembro de 1986. O obelisco de 1996, com 28 m, é encimado pela réplica do Homem Dourado, o guerreiro cita do túmulo de Issyk, de pé sobre um leopardo alado.
O que está no alto do obelisco de 28 m é réplica: o Homem Dourado reconstituído, com cerca de 4.000 placas de ouro, está a poucos passos dali, dentro do Museu Central do Estado. A praça, de 1980, é só o caminho até o museu.
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O roteiro do Nilo
Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · As ruas do centro, o parque e o bazar
Comece no Parque dos 28 Guardas Panfilov, veja a Catedral de Zenkov de 1907 por dentro e o memorial de granito de 1975 ao lado.
Entre no Museu de Instrumentos Musicais Ykylas, na casa de madeira de 1908 do mesmo parque, para ouvir gravações de küy antes de reconhecer o som na rua.
Almoce no Bazar Verde: kazy fatiado, kurt para provar e uma maçã aport na banca da frente; pague em dinheiro e negocie o preço inicial.
Caminhe pela Zhibek Zholy até o Quadrado Dourado, com parada num café de torrefação local na rua Kabanbay Batyr.
Termine na Praça da República, com o obelisco de 1996, e no Museu Central do Estado para ver a reconstituição do Homem Dourado.
Dia 2 · A montanha em três altitudes
Pegue o ônibus 12 ou um carro por aplicativo até Medeu (1.691 m) e suba os 842 degraus até a barragem antes de entrar na gôndola, enquanto o corpo ainda está quente.
Siga de gôndola de Medeu a Shymbulak (2.200 m) e, se o tempo estiver aberto, até a estação superior a 3.200 m: bilhete de ida e volta em torno de 6.500 ₸.
Leve casaco e óculos escuros, porque no alto faz frio mesmo em pleno verão.
Volte à cidade no fim da tarde e reserve duas horas nos Banhos Arasan, no Parque Panfilov.
Jante lagman ou manty numa cantina do centro e feche com chá em tigela: aceite a segunda dose.
Se ficar mais
Dia 3 · Vista de cima e vida de bairro
Suba de teleférico da rua Dostyk até Kok-Tobe (1.100 m) de manhã e identifique a grade da cidade do mirante.
Desça a pé ou de ônibus até a avenida Al-Farabi e percorra o Parque do Primeiro Presidente, de 2010, com sua vista alinhada às montanhas.
Ande de metrô de ponta a ponta na linha única para ver as estações Baikonur e Auezov Teatry, decoradas em mosaico e mármore.
Reserve a tarde para o Museu Estatal de Artes Kasteev, o maior acervo de arte do país, com pintura cazaque do século XX.
Termine no eixo Dostyk–Kabanbay Batyr para jantar e ver a noite do Quadrado Dourado.
Comida
Ilustração com IABeshbarmak
Prato nacional: folhas largas de massa cozida no caldo, cobertas por carne de cavalo ou cordeiro desfiada e cebola em anéis escaldados. Servido numa travessa comunitária em ocasiões de família, com o caldo (sorpa) bebido depois em tigela; o nome significa “cinco dedos” e come-se com a mão.
Ilustração com IAKazy e shuzhyk
Embutidos de costela de cavalo curados e cozidos, fatiados finos e servidos frios como entrada do dastarkhan. Vendidos por peso no Bazar Verde e considerados o item de prestígio de qualquer mesa.
Ilustração com IALagman
Macarrão puxado à mão de origem uigur, servido em caldo com carneiro, pimentão e cominho, ou frito (“qurma”). Está em toda cantina e é o almoço mais barato e mais confiável da cidade.
Ilustração com IAManty
Pastéis grandes cozidos no vapor, recheados de carne picada à faca com cebola ou abóbora, servidos com creme azedo. Comem-se com a mão, mordendo primeiro a lateral para não perder o caldo.
Ilustração com IASamsa
Pastel assado na parede do forno tandyr, de massa folhada com carne e cebola. Item clássico de rua e de bazar: quente, custa em torno de 400–700 ₸ e resolve um café da manhã.
Ilustração com IAKurt e chá com leite
O kurt são bolinhas duras de leite fermentado e seco, muito salgadas, que o Bazar Verde vende empilhadas em pirâmides brancas. Leve e fácil de carregar, era a comida de viagem dos nômades. Peça uma lasca para provar antes de comprar, como é costume no bazar, porque o sal é forte e cada banca tem o seu ponto.
Ilustração com IAMaçã aport e kumys
A aport é a variedade grande e aromática desenvolvida por enxertia na cidade desde os anos 1860, com safra em setembro e outubro nas barracas de rua. O kumys, leite de égua fermentado, e o shubat, de camela, são vendidos em garrafa plástica no bazar e têm gosto ácido e levemente alcoólico.
Bate-voltas

Cânion de Charyn
Cerca de 200 km a leste, 3 a 3h30 de carro por estrada asfaltada. O Vale dos Castelos, trecho mais visitado, tem paredes de arenito vermelho de 150 a 300 m e uma trilha de 3 km até o rio Charyn; o parque nacional é de 2004 e cobra entrada em torno de 2.000 ₸.

Lagos Kolsai e Kaindy
Entre 280 e 330 km a leste, 4 a 5 horas de carro; costumam ser feitos em pernoite. Kaindy, a 2.000 m, é o lago com o bosque de abetos submersos formado pelo terremoto de 1911, e os três Kolsai estão escalonados entre 1.800 e 2.850 m junto à fronteira do Quirguistão.

Petróglifos de Tamgaly
Cerca de 170 km a noroeste, 2h30 de carro pelo caminho da estepe. São mais de 5.000 gravuras rupestres da Idade do Bronze ao período turco, com as figuras de divindades solares que viraram símbolo do país; sítio inscrito na lista da Unesco em 2004.
Por onde começar
As ruas do centro, o parque e o bazar

Comece no Parque dos 28 Guardas Panfilov, veja a Catedral de Zenkov de 1907 por dentro e o memorial de granito de 1975 ao lado.
A montanha em três altitudes

Pegue o ônibus 12 ou um carro por aplicativo até Medeu (1.691 m) e suba os 842 degraus até a barragem antes de entrar na gôndola, enquanto o corpo ainda está quente.
Vista de cima e vida de bairro

Suba de teleférico da rua Dostyk até Kok-Tobe (1.100 m) de manhã e identifique a grade da cidade do mirante.
Dinheiro
A moeda é o tenge (₸), a cerca de 455 ₸ por dólar e 520 ₸ por euro em 2026. Caixas eletrônicos dos bancos Kaspi e Halyk estão em toda parte e cartões Visa e Mastercard passam em cafés, supermercados e restaurantes, mas o pagamento cotidiano de verdade é o QR do Kaspi.kz, que exige conta cazaque e fica fora do alcance de quem não tem uma. Trocar em casa de câmbio da cidade rende mais do que no aeroporto, e as ruas Nazarbayev e Zheltoqsan concentram várias, com a taxa escrita na vitrine. Estes são os preços em 2026: café expresso 700–1.200 ₸; almoço numa cantina (stolovaya) 1.500–2.500 ₸; jantar em restaurante médio 6.000–12.000 ₸ por pessoa; cerveja local em bar 900–1.800 ₸; passagem de metrô 120 ₸; cama em hostel 5.000–9.000 ₸; hotel médio 25.000–45.000 ₸ a diária. Gorjeta não é obrigatória e muitos restaurantes já somam 10% de serviço na conta. Confira antes de arredondar, porque é fácil somar duas vezes o que já está incluído; táxi não espera gorjeta.
Como chegar e se locomover
Do aeroporto ao centro: ônibus 92 ou aplicativo
O aeroporto internacional de Almaty (ALA) fica 15 km ao norte do centro e ganhou um terminal internacional novo em junho de 2024. O ônibus urbano 92 liga o aeroporto ao centro em até uma hora, dependendo do trânsito. Um carro por aplicativo (Yandex Go ou inDrive, os dois dominantes) sai por volta de 2.500 a 4.500 ₸ e leva de 25 a 40 minutos. Não aceite motorista que aborda dentro do saguão: o preço combinado ali costuma ser o triplo, e a abordagem geralmente começa antes mesmo de chegar à porta. Para viagens longas, a estação Almaty-2 é a mais central e a Almaty-1 fica no norte. Os trens Talgo para Astana levam de 13 a 14 horas em cabine-leito e custam entre 8.000 e 20.000 ₸, conforme a classe. Os ônibus intermunicipais e os que vão para Bishkek saem da rodoviária Sayran, a oeste, e chegam à capital quirguiz em cerca de 4 horas.
Metrô de Almaty: linha única em mármore e mosaico
Dentro da cidade, o metrô é uma linha só, de 13,4 km e 11 estações, aberta em dezembro de 2011, com paredes de mármore e mosaico e trens a cada 7 a 10 minutos das 6h20 à meia-noite. A tarifa é de 120 ₸ com o cartão Onay, tanto no metrô quanto no ônibus, contra 200 ₸ pagos em dinheiro a bordo em 2026. O cartão custa 500 ₸ e se recarrega em quiosque, terminal ou aplicativo. A rede de ônibus é grande e cobre o que o metrô não alcança, inclusive o corredor de BRT da avenida Timiryazev, inaugurado em 2018, e o Yandex Maps mostra os horários em tempo real com mais confiança do que as placas do ponto. O centro se caminha bem dentro da grade, mas os quarteirões são longos, as avenidas têm seis pistas e os aryks abertos viram armadilha depois que escurece. Existe bicicleta compartilhada, mas conte com subida constante sempre que pedalar para o sul, rumo à montanha.
Segurança
Almaty é uma cidade grande de risco baixo para quem visita: crime violento contra estrangeiro é raro, e o que acontece é furto em bazar, em transporte lotado e em área de estação, sobretudo em Barakholka e em volta da Almaty-1. Para o visitante, os riscos mais prováveis são o trânsito e o clima. O carro não para sozinho na faixa, então a travessia segura é a que tem semáforo, e no inverno a calçada vira gelo compacto e os aryks abertos somem debaixo da neve. Evite carro que se oferece como táxi sem aplicativo, principalmente no aeroporto e na saída dos bares. A cidade está em zona sísmica ativa: leia o cartaz de evacuação do hotel e saiba onde fica a saída antes de precisar dela. Na montanha, mudança de tempo e avalanche são riscos reais fora de pista, então avise alguém, não caminhe sozinho até os lagos e verifique se o trecho exige permissão de fronteira. Beber álcool em via pública é proibido e multado, e participar de manifestação política pode render deportação a estrangeiro. Janeiro de 2022 mostrou que um protesto fecha o centro em poucas horas, e a orientação nesses casos é sair da área e acompanhar o consulado.
Dicas de etiqueta
Tire os sapatos ao entrar em qualquer casa
Tirar o sapato na porta de casa não tem exceção, nem é preciso perguntar: há chinelos de visita junto à entrada, e usá-los é o esperado, porque entrar calçado é lido como sujar o espaço da família. Dentro de casa, evite também assobiar, já que a superstição local diz que o assobio espanta o dinheiro.
A tigela de chá vem pela metade de propósito
Encher a kese até a borda significa “beba e vá embora”; a metade quer dizer que servirão de novo e que você deve ficar. Não peça para completar e não recuse a segunda dose sem antes ter aceitado a primeira.
Receba e entregue com a mão direita ou com as duas
Dinheiro, cartão, prato e presente se entregam e se recebem com a mão direita ou com as duas, e a mão esquerda sozinha é lida como descuido. Ao cumprimentar um homem mais velho, o aperto com as duas mãos é o gesto de respeito padrão.
Não recuse a comida do dastarkhan
A mesa posta é obrigação do anfitrião, e recusar o que foi servido soa como recusar a casa. Se estiver sem fome, prove uma porção pequena e elogie: “дәмді” (dâmdí) basta.
Cazaque é etnia; cazaquistanês, a nacionalidade
Cerca de um terço da população do país não é etnicamente cazaque, e a distinção importa na conversa. Também evite tratar o país como “ex-União Soviética”: a independência de 1991 é central para a identidade do país.
Ceda o assento no transporte sem esperar pedido
Idosos, grávidas e quem carrega criança têm prioridade absoluta no metrô e no ônibus, e quem não cede o lugar costuma ouvir a cobrança em voz alta de outro passageiro.
Erros a evitar

Contar com o inglês fora dos cafés do centro
Contar com o inglês fora dos cafés do centro. O russo resolve praticamente tudo, o cazaque é a língua do Estado, e um tradutor offline com teclado cirílico economiza horas em bazares, farmácias e estações.
Braço levantado para o táxi
Parar táxi com o braço levantado na rua e combinar o preço depois. O padrão da cidade é aplicativo, Yandex Go ou inDrive, com preço fechado antes de embarcar. Carro particular sem tarifa acertada é onde acontece a maior parte das cobranças abusivas.
Vestir-se para o centro e subir a serra
Vestir-se para o centro e subir a montanha assim mesmo. No topo de Shymbulak, a 3.200 m, faz frio mesmo em julho, e o sol de altitude queima ainda que haja neve e nuvem: casaco, óculos escuros e protetor são obrigatórios o ano todo.
Banho no Big Almaty Lake
Tratar o Big Almaty Lake como área de banho. É reservatório de água potável da cidade: entrar na água é proibido e multado, e a estrada acima dele leva à zona de fronteira, que exige permissão obtida com antecedência.
Confundir com a capital
Confundir Almaty com a capital do país. A capital é Astana desde 1997; embaixadas, ministérios e a maior parte da burocracia federal estão a 1.200 km de distância, o que importa se você precisar de documento consular.
Frases úteis
Сәлеметсіз бе (cazaque)
Olá, forma respeitosa (pron. “salemetssíz be”)
Рахмет (cazaque)
Obrigado (pron. “rakhmét”)
Қанша тұрады? (cazaque)
Quanto custa? (pron. “kanchá turadý”)
Сколько стоит? (russo)
Quanto custa? A versão que funciona em qualquer bazar (pron. “skólka stóit”)
Я не понимаю (russo)
Não entendo (pron. “ia ne panimáiu”)
Дәмді (cazaque)
Está delicioso: a palavra certa para elogiar a mesa (pron. “dâmdí”)
Bairros
Quadrado Dourado (Zolotoy Kvadrat)
O retângulo aproximado entre as avenidas Abay e Raiymbek e as ruas Seifullin e Nazarbayev (ex-Furmanov) concentra cafés, galerias, escritórios e o metro quadrado mais caro do país. É onde a grade militar de 1854 continua legível, com quarteirões regulares e aryks correndo ao lado da calçada.

Almaly
Distrito central que vai do Parque dos 28 Guardas Panfilov ao Bazar Verde e à rua pedestre Zhibek Zholy, o “Arbat” local. Reúne hotéis, o Teatro de Ópera e Balé Abay, o comércio de rua e a maior parte das estações de metrô.

Medeu
Sobe a encosta ao sul da avenida Al-Farabi e contém os endereços mais caros da cidade, a colina de Kok-Tobe, a pista de gelo de Medeu a 1.691 m e a estrada para Shymbulak. Quanto mais alto o endereço, mais limpo o ar no inverno, e é isso que faz o preço.

Bostandyk
Bairro de universidades (KazNU al-Farabi, KBTU) e de escritórios ao longo da Al-Farabi, com a torre Esentai (168 m, 2008) e o shopping do mesmo nome. Funciona como o eixo corporativo e estudantil ao mesmo tempo.
Auezov
Oeste de microdistritos numerados dos anos 1960 e 1970, com blocos padronizados, o lago Sayran e a rodoviária Sayran de onde saem ônibus para Bishkek e para as províncias. Residencial, denso e bem mais barato que o centro.
Turksib e Zhetysu
Norte plano e ferroviário, com a estação Almaty-1, o aeroporto, galpões e o mercado de Barakholka, maior atacadão de roupa e utilidades da Ásia Central. Serve a quem chega de trem pela Almaty-1 ou quer percorrer o atacado, sempre de olho na bolsa, porque é ali que o furto mais acontece.
Alatau e Nauryzbai
Cinturão de expansão a norte e sudoeste formado por migração interna desde os anos 1990; bairros como Shanyrak cresceram sem plano e receberam água, asfalto e ônibus só depois de ocupados. Concentra a população mais jovem e as obras mais recentes.
História
séc. X–XIII · Almatu na Rota da Seda
Um povoado chamado Almatu ocupa o vale entre Kashgar e a estepe e chega a cunhar moeda de prata no séc. XIII. As invasões mongóis o apagam e a região volta ao pastoreio nômade por três séculos.
1854 · O forte russo
O Império Russo levanta o forte Zailiyskoye na margem do rio Malaya Almatinka, marco do avanço militar sobre o Grande Jüz cazaque. Em 1855 passa a se chamar Verny e recebe colonos cossacos, russos e ucranianos.

1867 · Capital do Semirechye
Verny vira capital do óblast de Semirechye e ganha a grade ortogonal de ruas largas desenhada por engenheiros militares, com canais de irrigação (aryks) ao lado de cada calçada.
1887 e 1911 · Terremotos que mantiveram a cidade baixa e de madeira
O tremor de 28 de maio de 1887 derruba quase todo o casario de tijolo; o de janeiro de 1911, na falha de Kemin, arrasa o que havia sido reconstruído. As duas datas explicam por que a cidade ficou baixa e de madeira até a era soviética.

1907 · A catedral de madeira
Andrey Zenkov conclui a catedral da Ascensão no atual Parque Panfilov, com cerca de 56 m de altura e estrutura antissísmica de madeira. Ela resiste ao terremoto de 1911 e vira o símbolo mais fotografado da cidade.

1929–1930 · Capital soviética e o Turksib
Alma-Ata (nome adotado em 1921) substitui Kyzylorda como capital da república soviética cazaque em 1929. Em 1930 a ferrovia Turquestão–Sibéria a conecta a Novosibirsk e a Tashkent.
1930–1945 · Fome, deportação e cinema
A coletivização provoca o Asharshylyq, fome que mata cerca de 1,5 milhão de cazaques e refaz a demografia da república. Nos anos seguintes chegam coreanos deportados do Extremo Oriente (1937), alemães, chechenos e poloneses, e em 1941 os estúdios de cinema evacuados de Moscou e Leningrado: Eisenstein filma “Ivan, o Terrível” na cidade.
1972 · Medeu e a barragem de lama
É inaugurada a pista de patinação de Medeu, a 1.691 m, onde se bateriam dezenas de recordes mundiais de velocidade no gelo. A barragem contra fluxos de lama construída acima dela segura, em 1973, uma avalanche de lama que teria destruído bairros inteiros.

dez. 1986 · Zheltoqsan
Milhares de jovens ocupam a praça central contra a nomeação de Gennadi Kolbin, um russo sem ligação com a república, para chefiar o partido no Cazaquistão. A repressão deixa mortos e presos e é lembrada como o primeiro grande protesto étnico da perestroika.

1991–1997 · Fim da URSS e perda da capital
Em 21 de dezembro de 1991, a Declaração de Alma-Ata assinada na cidade formaliza a dissolução da União Soviética e a criação da CEI. Em 1997 a capital é transferida para Akmola, depois Astana, e Almaty se reposiciona como centro econômico.

jan. 2022 · Qandy Qantar
Protestos contra a alta do preço do gás liquefeito viram uma crise nacional que atinge com mais força a praça da República e a prefeitura de Almaty, ambas incendiadas. O balanço oficial é de 238 mortos no país.

História completa
O povoado de Almatu e a Rota da Seda
O vale de Zhetysu foi corredor antes de ser cidade. Entre os séculos X e XIII existiu ali um povoado chamado Almatu, ponto de parada entre Kashgar e a estepe cazaque, com cunhagem própria de moeda, arrasado pela expansão mongol. Depois vieram trezentos anos sem cidade: o território pertenceu ao Grande Jüz cazaque e foi usado como pasto de verão, com deslocamentos sazonais entre o vale e as encostas. Esse fundo nômade explica o calendário de festas, a cozinha de carne e leite fermentado e a etiqueta de hospitalidade que sobrevive intacta na cidade de hoje.
Nasce como forte, em 1854
A cidade moderna nasce militar. Em 1854 o Império Russo instala o forte Zailiyskoye no rio Malaya Almatinka; em 1855 ele vira Verny e em 1867 capital do óblast de Semirechye. Engenheiros do exército desenham a grade ortogonal que Almaty conserva até hoje, com ruas largas, quarteirões regulares e aryks, canais de irrigação abertos, correndo ao lado das calçadas para levar água do degelo às árvores plantadas em fileira. Colonos trazidos de Voronezh e da Ucrânia enxertam macieiras a partir dos anos 1860 e criam a variedade aport, maçã grande e aromática que virou marca da cidade. Dois terremotos, em 1887 e 1911, destruíram sucessivamente o casario de tijolo e obrigaram a construção baixa e em madeira; a catedral de Zenkov, de 1907, é o que restou intacto dessa engenharia antissísmica de toras.
Capital soviética, fome e deportações (1921–1941)
O século XX soviético foi o mais violento e o mais transformador. Alma-Ata, renomeada em 1921, tornou-se capital da república em 1929 e ganhou ligação ferroviária permanente com a Sibéria em 1930, com a conclusão do Turksib. Na mesma década a coletivização forçada produziu o Asharshylyq, fome que matou cerca de um terço da população cazaque e transferiu sobreviventes do campo para a cidade. Em seguida vieram as deportações em massa (coreanos do Extremo Oriente em 1937, alemães do Volga, chechenos, ingushes, poloneses) e, em 1941, a evacuação de fábricas, universidades e estúdios de cinema da frente de guerra. Almaty saiu da guerra multiétnica por imposição do Estado, com uma comunidade coreana, uma uigur e uma alemã que até hoje se leem no cardápio e nos sobrenomes.
Microdistritos, Medeu e o fim da URSS (1960 a 1991)
No pós-guerra, a cidade ganhou a forma que o visitante percorre hoje. Nos anos 1960 e 1970, microdistritos de blocos padronizados avançaram para o oeste e avenidas de seis pistas cortaram a grade. A montanha recebeu obras na mesma época: a pista de patinação de Medeu abriu em 1972, e a barragem contra fluxos de lama construída acima dela com explosões controladas conteve em 1973 uma avalanche de lama que teria varrido o sul da cidade. Em dezembro de 1986, o Zheltoqsan levou estudantes à praça contra a nomeação de um dirigente de fora, e o episódio virou marco fundador do nacionalismo cazaque contemporâneo. Em 21 de dezembro de 1991, a Declaração de Alma-Ata, assinada na cidade, pôs fim formal à União Soviética.
Sem a capital desde 1997: bancos, universidades e bolsa
A perda da capital para Astana, em 1997, não esvaziou Almaty: concentrou nela bancos, universidades, editoras, cinema e a bolsa. A cidade cresceu para o norte e o sudoeste por migração interna: bairros como Shanyrak surgiram sem plano nos anos 1990 e só depois receberam água e asfalto. A cidade ganhou metrô em dezembro de 2011 e um corredor de BRT na Timiryazev em 2018. Dois problemas dominam o debate local: a poluição de inverno, produto da inversão térmica numa bacia fechada por montanhas somada à queima de carvão, e a especulação imobiliária encosta acima. Janeiro de 2022, com a praça e a prefeitura em chamas durante o Qandy Qantar, mostrou que a antiga capital continua sendo o lugar onde a política do país aparece na rua.
“Ivan, o Terrível”, o épico de Eisenstein, foi filmado nesta cidade durante a Segunda Guerra, longe do front.
Geografia e forma da cidade

O leque aluvial e a altitude
Almaty ocupa um leque aluvial inclinado no sopé do Zailiysky Alatau, ramo norte do Tian Shan: o centro está a cerca de 700 m e os bairros mais altos passam de 1.000 m, com o pico Talgar (4.979 m) visível da rua em dia limpo.
A grade de 1854 e os aryks
A grade de 1854 acompanha essa inclinação, o que dá à cidade um sistema de orientação sem bússola: sul é “para cima”, na direção da montanha, e norte é “para baixo”, na direção da estepe e do aeroporto. Dois rios de degelo, o Bolshaya e o Malaya Almatinka, descem canalizados pelo tecido urbano e alimentam os aryks abertos ao lado das calçadas, que sustentam as fileiras de choupos e carvalhos plantadas no período soviético.
O ar preso e o risco sísmico
Almaty fica numa bacia fechada por montanhas, e no inverno a inversão térmica prende a fumaça de carvão e o escapamento sob uma camada de ar frio, deixando o índice de poluição na parte baixa muitas vezes pior do que 300 m acima. A cidade também está em zona sísmica de alto risco e sob ameaça de fluxos de lama glacial, o que explica as barragens do desfiladeiro de Medeu e a limitação histórica de altura dos prédios.
Do centro, a cerca de 700 m, aos bairros altos, acima de 1.000 m, Almaty sobe mais de trezentos metros, por isso andar rumo ao sul é subir o caminho inteiro.
Cultura
O cinema, a credencial mais forte
O cinema é a credencial mais forte da cidade. Os estúdios evacuados de Moscou e Leningrado em 1941 deram origem à Kazakhfilm, onde Eisenstein rodou “Ivan, o Terrível” entre 1942 e 1944, e onde nos anos 1980 surgiu a Nova Onda Cazaque, geração formada em Moscou que voltou para filmar a cidade real. O marco é “A Agulha” (1988), de Rashid Nugmanov, com Viktor Tsoi no papel principal; Tsoi, líder do grupo Kino e filho de pai coreano nascido no Cazaquistão, tem um monumento na rua Tole Bi que continua recebendo flores. A cena atual vai do pop de exportação de Dimash Kudaibergen ao Q-pop do grupo Ninety One, cuja mistura de cazaque com estética coreana provocou protestos conservadores em 2016 e virou debate nacional sobre modernidade.
Abai, Auezov, a dombra e o islã moderado
A tradição letrada e musical é anterior ao cinema e continua no currículo escolar. Abai Qunanbaiuly (1845–1904), poeta e tradutor de Púchkin e Goethe, é a referência moral do país e dá nome à avenida principal; Mukhtar Auezov escreveu em Alma-Ata o romance-rio “O Caminho de Abai”, publicado entre 1942 e 1956, e sua casa-museu está aberta na cidade. A música de estepe se organiza em torno da dombra, alaúde de duas cordas, e do küy, peça instrumental que conta uma história sem letra: Kurmangazy, do século XIX, é o compositor canônico e nomeia a orquestra nacional de instrumentos folclóricos. Quanto à religião, a maioria segue o islã sunita hanafita de forma moderada: a mesquita central, de 1999, enche às sextas, mas o álcool é legal e a mesa de família raramente é abstêmia.
Patinação, o Kairat e a noite do Quadrado Dourado
Os esportes de inverno pesam em Almaty por causa das montanhas que cercam a cidade. A pista de Medeu produz recordes mundiais de patinação de velocidade desde os anos 1970, a cidade sediou os Jogos Asiáticos de Inverno de 2011 e a Universíade de 2017, e disputou duas vezes os Jogos Olímpicos de Inverno, perdendo para Pequim por 44 a 40 na votação de 2015. Fora do gelo, a paixão é o futebol, e o Kairat Almaty, clube da cidade, alcançou a fase de liga da Liga dos Campeões em 2025-26. Depois do estádio ou do rinque, a vida se concentra no centro: à noite, os bares enchem o Quadrado Dourado e a avenida Dostyk, e de dia o movimento é dos cafés de terceira onda, que depois de 2015 transformaram casas antigas do centro em torrefações.
O monumento a Viktor Tsoi, o cantor do grupo Kino, na rua Tole Bi, quase nunca fica com o pé sem flores.
Festas e eventos

Nauryz (21–23 de março)
Ano-novo da estepe, feriado nacional de três dias. Yurts montadas nas praças, competições de dombra e o nauryz köje, sopa de sete ingredientes que promete um ano completo; quase tudo fecha e a cidade come na rua.
Ilustração com IADia da Cidade de Almaty (setembro)
Comemorado no terceiro fim de semana de setembro, com fechamento de avenidas, palcos ao ar livre e feira da colheita da maçã aport. Coincide com o melhor clima do ano.

The Spirit of Tengri (junho)
Festival de música étnica contemporânea criado em 2012, com bandas da Ásia Central, Sibéria e Cáucaso tocando dombra, garganta e eletrônica ao ar livre. Entrada gratuita na maioria das edições.
Ilustração com IAKurban Ait e Oraza Ait (datas móveis)
As duas grandes festas islâmicas são feriado no Cazaquistão e enchem a Mesquita Central; famílias visitam parentes e distribuem carne. Como o calendário é lunar, as datas mudam cerca de 11 dias por ano.
Ilustração com IADia da Independência e Zheltoqsan (16–17 de dezembro)
Feriado nacional que marca a independência de 1991 e, no mesmo par de datas, os protestos de dezembro de 1986. Cerimônias oficiais na Praça da República e comércio fechado.
Livros e filmes
“A Agulha” (Igla, 1988), de Rashid Nugmanov
Filmado em Alma-Ata com Viktor Tsoi no papel principal, é o marco da Nova Onda Cazaque e mostra a cidade tardo-soviética sem cenografia, com os pátios e os blocos de apartamentos que o visitante ainda encontra nos bairros de hoje.
“As maçãs vêm do Cazaquistão”, de Christopher Robbins (2008)
Relato de viagem que parte da origem genética da macieira no vale de Almaty para explicar o país inteiro: nômades, deportações, estepe e independência, com reportagem sobre a cidade nos anos 2000.
“Gruppa Krovi”, do Kino (1988)
Disco que definiu a última geração do rock soviético, gravado pelo grupo de Viktor Tsoi, filho de pai coreano nascido no Cazaquistão. Explica por que há um monumento a ele na rua Tole Bi que continua recebendo flores.
Perguntas frequentes
Almaty: que língua ajuda a se virar na cidade?
O russo resolve praticamente tudo, o cazaque é a língua do Estado, e um tradutor offline com teclado cirílico economiza horas em bazares, farmácias e estações.
Almaty: como ir do aeroporto ao centro?
O ônibus urbano 92 liga o aeroporto ao centro em até uma hora, conforme o trânsito; de carro por aplicativo (Yandex Go ou inDrive) são 2.500 a 4.500 ₸ e 25 a 40 minutos.
Almaty: preciso tirar os sapatos ao entrar numa casa?
Tirar o sapato na porta de casa não tem exceção, nem é preciso perguntar: há chinelos de visita junto à entrada, e usá-los é o esperado, porque entrar calçado é lido como sujar o espaço da família.
Almaty: a cidade é segura para quem visita?
Almaty é uma cidade grande de risco baixo para quem visita: crime violento contra estrangeiro é raro, e o que acontece é furto em bazar, em transporte lotado e em área de estação, sobretudo em Barakholka e em volta da Almaty-1.
Almaty: o que é o beshbarmak?
Prato nacional: folhas largas de massa cozida no caldo, cobertas por carne de cavalo ou cordeiro desfiada e cebola em anéis escaldados.








