
Brasil
Ouro Preto
Igrejas do Aleijadinho e de Mestre Ataíde, o Museu da Inconfidência e as ladeiras de pedra entre o Pilar e Antônio Dias
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
No primeiro, eu começaria por São Francisco de Assis às 8h30, desceria à Matriz de Antônio Dias e à Mina do Chico Rei e passaria a tarde no Museu da Inconfidência e na Igreja do Carmo. No segundo, eu iria ao Parque Estadual do Itacolomi na abertura, às 8h, e voltaria ao centro para a Basílica do Pilar, que reabre ao meio-dia, a Igreja do Rosário, que só abre às 13h, e a Casa dos Contos. Com um terceiro dia, eu iria a Mariana, a cerca de 12 km, para a Praça Minas Gerais e a Sé. Com um quarto, a Congonhas, de carro, para os profetas e os Passos do Aleijadinho; quem tem carro e só três dias pode trocar Mariana por Congonhas, que reúne a parte mais importante da obra de escultura dele. Eu pularia a Mina da Passagem: são R$ 290 por pessoa, só em dinheiro, por cerca de 40 minutos, e a Mina do Chico Rei, dentro da cidade, já mostra uma galeria de mineração colonial. Tiradentes, a 156 km, eu deixaria para uma noite no caminho de volta, nunca para um bate-volta.
2–4
Quando Maio a setembro: é a estação seca, com dias firmes para andar nas ladeiras de pedra e noites frias em junho e julho; quem viaja pela festa escolhe a Semana Santa, entre março e abril, ou o Festival de Inverno, em julho
Como o guia chega a este número
O ano se divide pela chuva. De outubro a abril chove muito, com o pico entre novembro e março, e as ladeiras de pedra ficam escorregadias; é também quando aumentam os riscos de deslizamento nas encostas. De maio a setembro o tempo é seco, com dias claros e noites frias, e junho e julho podem ter geada. Como referência, a normal 1991–2020 de Belo Horizonte, a cerca de 70 km e mais baixa, registra 339 mm de chuva em dezembro e 5 mm em julho; Ouro Preto, a 1.179 m, é mais fria. As datas de maior programação são a Semana Santa, entre março e abril, a Mostra de Cinema em junho, o Festival de Inverno em julho e o Mês do Rosário em outubro. Para andar pelas igrejas e trilhas sem chuva, maio a setembro é a melhor janela; leve agasalho para a noite.
Por pessoa/dia Some hospedagem por noite, refeições por pessoa e as entradas das igrejas e museus; vários museus são gratuitos, e o carro para os bate-voltas muda o total.
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaEu ficaria dois dias inteiros em Ouro Preto, de preferência entre quarta e sábado, porque às segundas quase todas as igrejas e museus fecham. No primeiro, eu começaria por São Francisco de Assis às 8h30, desceria à Matriz de Antônio Dias e à Mina do Chico Rei e passaria a tarde no Museu da Inconfidência e na Igreja do Carmo. No segundo, eu iria ao Parque Estadual do Itacolomi na abertura, às 8h, e voltaria ao centro para a Basílica do Pilar, que reabre ao meio-dia, a Igreja do Rosário, que só abre às 13h, e a Casa dos Contos. Com um terceiro dia, eu iria a Mariana, a cerca de 12 km, para a Praça Minas Gerais e a Sé. Com um quarto, a Congonhas, de carro, para os profetas e os Passos do Aleijadinho; quem tem carro e só três dias pode trocar Mariana por Congonhas, que reúne a parte mais importante da obra de escultura dele. Eu pularia a Mina da Passagem: são R$ 290 por pessoa, só em dinheiro, por cerca de 40 minutos, e a Mina do Chico Rei, dentro da cidade, já mostra uma galeria de mineração colonial. Tiradentes, a 156 km, eu deixaria para uma noite no caminho de volta, nunca para um bate-volta.Em Ouro Preto, as igrejas do ciclo do ouro ainda dão a forma da cidade: a Basílica do Pilar, de interior dourado, numa ponta, a Matriz de Antônio Dias, onde está enterrado o Aleijadinho, na outra, e a Praça Tiradentes no alto do morro que separava os dois arraiais. Entre elas, as ladeiras de pedra levam à Igreja de São Francisco de Assis, onde o projeto do Aleijadinho e o forro pintado por Mestre Ataíde estão no mesmo prédio, e ao Museu da Inconfidência, de entrada gratuita, que conta a conspiração de 1789 e o uso que a República fez dela. Tiradentes foi executado no Rio de Janeiro, mas a cabeça dele ficou exposta nesta praça. A cidade perdeu a capital para Belo Horizonte em 1897 e, sem crescer, guardou o casario que fez dela o primeiro Patrimônio Mundial do Brasil. Hoje é também cidade universitária, e boa parte dos estudantes mora em repúblicas, casas administradas por eles mesmos. Em volta ficam o Pico do Itacolomi, de 1.772 m, Mariana, a cerca de 12 km, e os profetas de pedra-sabão do Aleijadinho em Congonhas, a cerca de 57 km.
Ficha rápida
- População
- 78.210 habitantes no município, que inclui a sede e distritos rurais como Lavras Novas e São Bartolomeu (estimativa do IBGE para 2026); 74.821 no Censo de 2022
- Fundação
- 24 de junho de 1698, data adotada pelo município para a chegada da bandeira de Antônio Dias e do padre João de Faria Fialho; elevada a vila, com o nome de Vila Rica, em 8 de julho de 1711
- País e região
- Brasil: Minas Gerais, região Sudeste, no Quadrilátero Ferrífero; a 1.179 m de altitude, 96 km de Belo Horizonte e 142 km do Aeroporto Internacional de Confins por estrada
- Idioma
- Português, no falar mineiro da região central de Minas Gerais
- Moeda
- Real (R$, BRL)
- Fuso horário
- UTC−3 o ano inteiro, sem horário de verão
- Melhor época
- Maio a setembro: é a estação seca, com dias firmes para andar nas ladeiras de pedra e noites frias em junho e julho; quem viaja pela festa escolhe a Semana Santa, entre março e abril, ou o Festival de Inverno, em julho
- Custo médio por dia
- Some hospedagem por noite, refeições por pessoa e as entradas das igrejas e museus; vários museus são gratuitos, e o carro para os bate-voltas muda o total.
Quando ir
Maio a setembro: é a estação seca, com dias firmes para andar nas ladeiras de pedra e noites frias em junho e julho; quem viaja pela festa escolhe a Semana Santa, entre março e abril, ou o Festival de Inverno, em julho
janeiro
fevereiro
março
abril
maio
Melhor épocajunho
Melhor épocajulho
Melhor épocaagosto
Melhor épocasetembro
Melhor épocaoutubro
novembro
dezembro
O que muda ao longo do ano
O ano se divide pela chuva. De outubro a abril chove muito, com o pico entre novembro e março, e as ladeiras de pedra ficam escorregadias; é também quando aumentam os riscos de deslizamento nas encostas. De maio a setembro o tempo é seco, com dias claros e noites frias, e junho e julho podem ter geada. Como referência, a normal 1991–2020 de Belo Horizonte, a cerca de 70 km e mais baixa, registra 339 mm de chuva em dezembro e 5 mm em julho; Ouro Preto, a 1.179 m, é mais fria. As datas de maior programação são a Semana Santa, entre março e abril, a Mostra de Cinema em junho, o Festival de Inverno em julho e o Mês do Rosário em outubro. Para andar pelas igrejas e trilhas sem chuva, maio a setembro é a melhor janela; leve agasalho para a noite.
Dicas do Nilo
Monte os dias pelos horários das igrejas
Cada igreja tem seu horário: São Francisco de Assis abre às 8h30, o Pilar fecha entre 10h45 e 12h, o Rosário só abre às 13h, e o Carmo fecha às 16h50. Eu faria São Francisco e Antônio Dias de manhã, o Pilar e o Rosário depois do almoço, e deixaria o Museu da Inconfidência, que fica aberto até mais tarde, para o fim do dia.
Prefira de quarta a sábado
Às segundas, quase tudo fecha; às terças, o Carmo e o Museu do Oratório; aos domingos, a prefeitura dá horários conflitantes para a Matriz de Antônio Dias. Com dois dias entre quarta e sábado, eu veria tudo o que importa sem trocar a ordem do roteiro.
Leve dinheiro para as taxas
As igrejas cobram taxa de visitação na porta, e a Mina da Passagem aceita só dinheiro. Eu sairia de manhã com notas pequenas e deixaria o cartão para hotel e restaurante.
Use o Horto dos Contos como atalho
A trilha do Horto liga a rodoviária, o Pilar e a Casa dos Contos pelo fundo do vale, das 8h às 18h. Eu a usaria na volta da Casa dos Contos para o Pilar, em vez de subir pela rua.
Para o Pico do Itacolomi, comece a trilha até as 11h
A Trilha do Pico tem cerca de 6 km ida e volta, de nível moderado a difícil, e o parque recomenda sair para ela até as 11h para voltar com luz do dia. A saída do parque é até as 17h, e não há serviço de resgate. Eu chegaria na abertura, às 8h, em dia sem chuva, e deixaria para a tarde só o Pilar e o Rosário, abertos até 16h45, e a Casa dos Contos.
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Abrir o appO que ver
Entre a Serra de Ouro Preto e o Itacolomi
Ouro Preto ocupa um vale estreito entre a Serra de Ouro Preto, ao norte, e o maciço do Itacolomi, ao sul, cujo pico de 1.772 m serviu de marco aos bandeirantes e se vê de vários pontos do centro. O alto da cidade, entre os dois arraiais antigos.

Museu da Inconfidência
Ocupa a antiga Casa de Câmara e Cadeia, construída entre 1785 e 1855, que funcionou como prisão até 1937. O Panteão guarda desde 1942 os restos dos inconfidentes trazidos do degredo na África, e as salas tratam da mineração, dos transportes, da construção, da arte sacra e da vida em Vila Rica nos séculos XVIII e XIX, com obras do Aleijadinho e de Mestre Ataíde. A entrada é gratuita. Abre de terça a quinta das 10h às 18h, às sextas e aos sábados das 10h às 20h e, segundo a prefeitura, aos domingos das 10h às 18h; a última entrada é uma hora antes do fechamento, e o museu fecha às segundas.
Conta a Inconfidência, a mineração e a vida em Vila Rica no prédio da antiga cadeia, com o Panteão dos inconfidentes e obras do Aleijadinho e de Ataíde, e tem entrada gratuita; aberto até as 20h às sextas e aos sábados.
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Igreja de São Francisco de Assis
A igreja da Ordem Terceira de São Francisco, iniciada em 1766, segue um projeto do Aleijadinho, que também fez a portada, os relevos e os púlpitos de pedra-sabão. Mestre Ataíde pintou o forro da nave, sua composição mais conhecida, e os painéis entre 1801 e 1812. As torres cilíndricas recuadas e o medalhão no lugar do óculo da fachada são as marcas do projeto. Abre de terça a domingo, das 8h30 às 17h, com taxa de visitação; o valor se confirma pelo telefone (31) 3551-4661.
É a igreja em que o projeto e os relevos do Aleijadinho e o forro pintado por Mestre Ataíde estão no mesmo prédio, a obra que define o barroco mineiro; abre às 8h30, e chegar na abertura evita grupos.
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Basílica de Nossa Senhora do Pilar
A matriz do arraial do Pilar foi reconstruída a partir do fim da década de 1720 e recebeu por mais de vinte anos a talha e a pintura que cobrem o interior de dourado; segundo a prefeitura, o ouro é folheado, não maciço. O título de basílica veio em 2012. O ingresso, de R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia em outubro de 2026, inclui o Museu de Arte Sacra, na cripta, com cerca de 400 peças dos séculos XVII a XIX. A basílica abre de terça a domingo, das 9h às 10h45 e das 12h às 16h45; para o Museu de Arte Sacra, a prefeitura publica outro horário, das 9h às 11h30 e das 13h às 17h.
O interior inteiro coberto de talha dourada mostra a riqueza da paróquia mais rica de Vila Rica, e o ingresso inclui o Museu de Arte Sacra na cripta; fecha entre 10h45 e 12h.
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Praça Tiradentes
A praça ocupa o alto do antigo Morro de Santa Quitéria, que separava os arraiais do Pilar e de Antônio Dias, e foi onde a cabeça de Tiradentes ficou exposta em 1792. A estátua dele, de 1894, encara o prédio do Museu da Inconfidência, e do outro lado está o antigo Palácio dos Governadores, prédio da Escola de Minas. Quase todo percurso a pé pela cidade passa por aqui.
É o ponto de passagem entre o Pilar e Antônio Dias e o lugar onde a cabeça de Tiradentes ficou exposta em 1792; se vê em minutos, no caminho entre o museu e as igrejas.
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Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias
A matriz do arraial de Antônio Dias foi construída a partir de 1727 pelo mestre de obras Manuel Francisco Lisboa, pai do Aleijadinho, e os dois estão enterrados nela. A igreja abriga o Museu Aleijadinho, criado em 1968, com peças atribuídas ao artista, como leões de essa em madeira e uma imagem de São Francisco de Paula em pedra-sabão. Segundo o texto da prefeitura, a visitação vai de terça a domingo, das 8h30 às 11h45 e das 13h30 às 16h45, com taxa; o quadro de horários da mesma página dá o domingo como fechado, então confirme pelo (31) 3551-3282 antes de ir num domingo. O acervo do museu se divide entre a sacristia e a cripta da matriz, a Igreja de São Francisco de Assis e a das Mercês e Perdões.
Guarda o túmulo do Aleijadinho e do pai, que construiu a igreja, e o Museu Aleijadinho; fica a 300 m de São Francisco, no mesmo percurso da manhã, e a visita da manhã vai até 11h45.
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Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Ao lado do Museu da Inconfidência, foi projetada em 1756 por Manuel Francisco Lisboa, e a portada de pedra é atribuída ao Aleijadinho, que fez também dois altares laterais entre 1807 e 1809. A capela-mor tem azulejos portugueses com temas carmelitas, raros nas igrejas de Minas, e Mestre Ataíde dourou a talha em 1813. Abre às segundas e de quarta a sábado, das 9h às 16h50, e fecha às terças; para o domingo, a prefeitura não publica horário, então confirme pelo (31) 3551-2601. No casarão do adro funciona o Museu do Oratório.
Ao lado do Museu da Inconfidência, tem portada atribuída ao Aleijadinho, altares dele e azulejos portugueses na capela-mor; entra no mesmo fim de tarde do museu, mas fecha às terças.
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Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos
Erguida pela Irmandade do Rosário dos Pretos a partir da década de 1760 e concluída em 1823, tem nave e capela-mor em forma de duas elipses, frontão curvo e torres cilíndricas, desenho sem paralelo nas outras igrejas da cidade. A autoria do projeto é discutida. Abre só à tarde, de terça a domingo, das 13h às 16h45, com taxa de visitação.
A planta em duas elipses é o desenho mais diferente entre as igrejas da cidade e conta a história da irmandade dos negros; abre só à tarde, das 13h às 16h45.
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Casa dos Contos
O sobrado de cantaria foi construído entre 1782 e 1784 pelo contratador de impostos João Rodrigues de Macedo, amigo de vários inconfidentes. Em 1789 virou quartel e prisão, e o poeta Cláudio Manuel da Costa morreu preso sob a escadaria. Depois foi sede da contabilidade da capitania, daí o nome. Hoje expõe moedas e documentos do ciclo do ouro, com entrada gratuita, de terça a sábado das 10h às 18h e aos domingos em horário reduzido. Pelos fundos se entra no Horto dos Contos.
O sobrado onde Cláudio Manuel da Costa morreu preso em 1789 tem entrada gratuita e dá acesso ao Horto dos Contos, no caminho entre a praça e o Pilar.
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Museu do Oratório
Instalado em 1998 no casarão de 1753 da Ordem Terceira do Carmo, reúne 162 oratórios e 300 imagens dos séculos XVII ao XX, da coleção de Angela Gutierrez. Os oratórios de viagem, de parede e de altar mostram como a devoção doméstica se organizava nas casas mineiras. Abre das 9h30 às 17h30, com venda de ingresso até as 17h, e fecha às terças. O ingresso custava R$ 8 a inteira e R$ 4 a meia em outubro de 2026, e estudantes e professores não pagam.
Os 162 oratórios mostram a devoção dentro das casas, o lado da religião que as igrejas não mostram, e o museu fica no adro do Carmo, a passos do Museu da Inconfidência; fecha às terças.
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O roteiro do Nilo
Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · São Francisco, Antônio Dias e a Praça Tiradentes
Às 8h30, entre na Igreja de São Francisco de Assis, a 200 m da Praça Tiradentes, e reserve uma hora para o forro de Mestre Ataíde e os púlpitos de pedra-sabão.
Desça cerca de 300 m até a Matriz de Antônio Dias, veja o túmulo do Aleijadinho e o Museu Aleijadinho antes das 11h45, quando a visita para até 13h30 (aos domingos, confirme pelo telefone).
Siga cerca de 270 m até a Mina do Chico Rei, na Rua Dom Silvério, para a visita às galerias iluminadas; confirme o preço antes pelo telefone.
Almoce comida mineira em Antônio Dias, com feijão-tropeiro ou tutu.
Suba cerca de 700 m até a Praça Tiradentes e passe a tarde no Museu da Inconfidência, gratuito, a partir das 14h.
Antes das 16h50, entre na Igreja do Carmo, ao lado do museu, e no Museu do Oratório, no adro, com última entrada às 17h (os dois fecham às terças).
Às sextas e aos sábados, o Museu da Inconfidência fica aberto até as 20h, com última entrada às 19h, se quiser voltar ao Panteão com calma; jante no centro.
Dia 2 · Itacolomi pela manhã, Pilar e Rosário à tarde
Às 8h, vá até a portaria do Parque Estadual do Itacolomi, na BR-356, km 98, no bairro Bauxita, de táxi, de carro, de táxi-lotação ou nos ônibus das linhas Cooperouro, Hospital e Pocinho; o parque fecha às segundas.
Faça a Trilha do Pico, de cerca de 6 km ida e volta e nível moderado a difícil, saindo bem antes das 11h, limite que o parque recomenda; na volta, passe pela Fazenda São José do Manso, onde fica o centro de visitantes, e volte ao centro no começo da tarde.
Por volta das 13h30, entre na Basílica do Pilar e desça ao Museu de Arte Sacra, na cripta (R$ 20 a inteira, com os dois incluídos).
Caminhe cerca de 600 m até a Igreja do Rosário, aberta das 13h às 16h45, para ver a nave em elipse.
Volte cerca de 900 m até a Casa dos Contos, gratuita, aberta até as 18h, e saia pelos fundos para uma volta no Horto dos Contos, com entrada até as 17h45 (aos domingos, a Casa dos Contos fecha mais cedo e a portaria do Horto por ela funciona só até as 14h).
Termine na Praça Tiradentes no fim da tarde e jante no centro.
Se ficar mais
Dia 3 · Mariana
Bate-volta
Mariana fica a cerca de 12 km, 20 minutos de carro ou de ônibus da Transcotta. Foi a primeira vila de Minas, criada em abril de 1711, e virou sede do primeiro bispado de Minas em 1745. Na Praça Minas Gerais ficam lado a lado as igrejas de São Francisco de Assis e do Carmo e a antiga Casa de Câmara e Cadeia; a Catedral da Sé, reaberta em 2022, tem um órgão de tubos do começo do século XVIII, instalado na Sé em 1753 como presente da Coroa portuguesa, que voltou a tocar em 8 de dezembro de 2025. Mestre Ataíde nasceu e morreu na cidade. Meio dia basta para o centro de Mariana. A Mina da Passagem fica no caminho, a 8 km de Ouro Preto, como parada opcional: o ingresso custava R$ 290 por pessoa em outubro de 2026, só em dinheiro, por cerca de 40 minutos de visita.
Dia 4 · Congonhas
Bate-volta
Fica a cerca de 57 km, 1h10 de carro; a prefeitura de Ouro Preto não lista ônibus direto. O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, construído entre 1757 e 1875 e Patrimônio Mundial desde 1985, tem no adro os doze profetas de pedra-sabão do Aleijadinho e, nas seis capelas da ladeira, as 66 figuras de madeira dos Passos da Paixão, feitas por ele e sua oficina a partir de 1796. Ali está a parte mais importante da obra de escultura do Aleijadinho, e uma manhã dá conta do conjunto.
Comida
Pão de queijo
Bolinho de polvilho de mandioca, queijo, ovo e gordura, assado até ficar elástico por dentro. Surgiu em Minas Gerais por volta de 1750, quando sobras de queijo endurecido se misturavam ao polvilho. Come-se no café da manhã e no lanche da tarde, em padarias e cafés do centro.
Feijão-tropeiro
Feijão cozido e misturado com farinha de mandioca, linguiça, toucinho, ovo e cheiro-verde, prato dos tropeiros que levavam mercadorias no lombo de mula e precisavam de comida que não estragasse na viagem. Aparece no almoço, ao lado de couve refogada e torresmo.
Tutu de feijão
Feijão amassado e engrossado até virar um creme, servido com linguiça. É um dos pratos que os viajantes do século XIX já descreviam nas mesas de Minas.
Frango com quiabo e angu
Frango caipira cozido com quiabo, legume de origem africana que chegou ao Brasil no século XVI, acompanhado de angu, um creme de fubá de milho sem sal. É almoço de restaurante de comida mineira e de casa.
Goiabada e doces em compota
Os doces de frutas cozidas em tacho, como goiaba, cidra e banana, vêm da tradição portuguesa de conservar a fruta da estação. O distrito de São Bartolomeu faz a Festa da Goiaba todo ano, e a goiabada se come com queijo mineiro, a combinação chamada romeu e julieta.
Torresmo
Pele e gordura de porco fritas até estourar, herança da criação doméstica de porcos que abastecia as casas mineiras de carne e banha. Vem como petisco no bar e como acompanhamento do feijão.
Onde comer
- Centro e Praça Tiradentes · $
Pão de queijo e café no balcão de manhã, antes da primeira igreja.
- Centro e Praça Tiradentes · $$
Almoço de comida mineira com feijão-tropeiro, tutu, couve e torresmo.
- Antônio Dias · $$
Frango com quiabo e angu no almoço, entre a matriz e a Mina do Chico Rei.
- Pilar · $
Goiabada com queijo mineiro e doces em compota como sobremesa.
- Centro e Praça Tiradentes · $$$
Jantar em restaurante de cozinha mineira contemporânea.
$: café, pão de queijo e lanche no balcão · $$: almoço de comida mineira em restaurante · $$$: jantar em restaurante de cozinha contemporânea · 2026-10-15
Bate-voltas
Mariana
Mariana fica a cerca de 12 km, 20 minutos de carro ou de ônibus da Transcotta. Foi a primeira vila de Minas, criada em abril de 1711, e virou sede do primeiro bispado de Minas em 1745. Na Praça Minas Gerais ficam lado a lado as igrejas de São Francisco de Assis e do Carmo e a antiga Casa de Câmara e Cadeia; a Catedral da Sé, reaberta em 2022, tem um órgão de tubos do começo do século XVIII, instalado na Sé em 1753 como presente da Coroa portuguesa, que voltou a tocar em 8 de dezembro de 2025. Mestre Ataíde nasceu e morreu na cidade. Meio dia basta para o centro de Mariana. A Mina da Passagem fica no caminho, a 8 km de Ouro Preto, como parada opcional: o ingresso custava R$ 290 por pessoa em outubro de 2026, só em dinheiro, por cerca de 40 minutos de visita.
Congonhas
Fica a cerca de 57 km, 1h10 de carro; a prefeitura de Ouro Preto não lista ônibus direto. O Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, construído entre 1757 e 1875 e Patrimônio Mundial desde 1985, tem no adro os doze profetas de pedra-sabão do Aleijadinho e, nas seis capelas da ladeira, as 66 figuras de madeira dos Passos da Paixão, feitas por ele e sua oficina a partir de 1796. Ali está a parte mais importante da obra de escultura do Aleijadinho, e uma manhã dá conta do conjunto.
Tiradentes
Fica a 156 km, cerca de 3h de carro em cada sentido, longe demais para ida e volta no mesmo dia. A antiga Vila de São José del-Rei, de 1718, tem a Matriz de Santo Antônio, um chafariz de 1749 que ainda funciona e a ferrovia a vapor de 12 km até São João del-Rei, inaugurada em 1881; confira os dias e horários do trem antes de ir. Vale como pernoite no caminho para o sul de Minas ou para o Rio de Janeiro.
Por onde começar
São Francisco, Antônio Dias e a Praça Tiradentes

Às 8h30, entre na Igreja de São Francisco de Assis, a 200 m da Praça Tiradentes, e reserve uma hora para o forro de Mestre Ataíde e os púlpitos de pedra-sabão.
Itacolomi pela manhã, Pilar e Rosário à tarde

Às 8h, vá até a portaria do Parque Estadual do Itacolomi, na BR-356, km 98, no bairro Bauxita, de táxi, de carro, de táxi-lotação ou nos ônibus das linhas Cooperouro, Hospital e Pocinho; o parque fecha às segundas.
Dinheiro

A moeda é o real (R$, BRL). Boa parte do que importa na cidade é barata ou gratuita: o Museu da Inconfidência e a Casa dos Contos têm entrada gratuita, e a Praça Tiradentes, as fachadas e os mirantes não cobram nada. As igrejas cobram taxa de visitação, e a prefeitura não publica os valores, só o telefone de cada paróquia; a Basílica do Pilar cobrava R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia, com o Museu de Arte Sacra incluído, e o Museu do Oratório, R$ 8 a inteira e R$ 4 a meia, em outubro de 2026. O acervo do Museu Aleijadinho se divide entre a Matriz de Antônio Dias, a Igreja de São Francisco de Assis e a das Mercês e Perdões, e a prefeitura não publica um valor utilizável; pergunte na bilheteria se a taxa vale para mais de uma igreja. O Parque Estadual do Itacolomi cobrava R$ 28,75, mais R$ 20 de estacionamento, e moradores de Ouro Preto e Mariana não pagam em dias úteis. A Mina da Passagem cobrava R$ 290 por pessoa, só em dinheiro, e lembra que só há agências bancárias nos centros de Mariana e de Ouro Preto. Leve algum dinheiro para taxas de igreja e para a mina; para hotel e restaurante, confirme a forma de pagamento ao reservar.
Como chegar e se locomover

Chegar por Belo Horizonte
O aeroporto mais usado é o Internacional de Confins (CNF), a 142 km de Ouro Preto por estrada, cerca de 2h20 de carro; o da Pampulha fica a 110 km. Não há linha direta do aeroporto para Ouro Preto na lista da prefeitura: quem vai de ônibus pega o ônibus executivo ou uma linha urbana do aeroporto até Belo Horizonte, cuja rodoviária fica a cerca de 40 km, e de lá segue com a Pássaro Verde pelos 96 km até Ouro Preto. Confira operador e horário do ônibus do aeroporto antes de viajar. Há também ônibus da Útil para o Rio de Janeiro e São Paulo e da Gontijo para Vitória. A rodoviária de Ouro Preto, o Terminal Rodoviário 8 de Julho, fica a cerca de 900 m da Praça Tiradentes a pé, em subida; de carro são 1,2 km.
A pé, nas ladeiras
O centro histórico se percorre a pé: da Basílica do Pilar à Matriz de Antônio Dias são cerca de 850 m, passando pela Praça Tiradentes. As ruas são ladeiras de pedra irregular, e a distância no mapa engana, porque cada trecho sobe ou desce. As ruas são estreitas e enchem de carros, que disputam espaço com os pedestres; quem chega de carro faz melhor em deixá-lo na pousada. O Horto dos Contos liga o Pilar, a rodoviária e a Casa dos Contos por trilha, das 8h às 18h.
Ônibus para Mariana e os distritos
A Transcotta faz a linha para Mariana, a cerca de 12 km, passando por Passagem de Mariana, e para Antônio Pereira. O Consórcio Rota Real atende Lavras Novas, São Bartolomeu, Cachoeira do Campo e outros distritos. Para Congonhas e Tiradentes não há linha direta na lista da prefeitura. O trem turístico entre Ouro Preto e Mariana está fechado, sem previsão de volta.
Segurança

Os riscos mais concretos em Ouro Preto são de terreno. As ladeiras de pedra escorregam com chuva, e a cidade tem encostas instáveis: em 2016 o Serviço Geológico do Brasil contou 313 áreas de risco geológico, e em janeiro de 2022 um deslizamento derrubou o Solar Baeta Neves, no centro histórico. Em dias de chuva forte, siga os avisos da Defesa Civil e evite o pé dos barrancos. No Parque Estadual do Itacolomi, a administração avisa que não há serviço de resgate e que a saída é até as 17h; leve água, fique nas trilhas sinalizadas e não vá sozinho para áreas afastadas. Nas festas, como a Semana Santa e o Carnaval, a multidão nas ladeiras pede atenção com celular e carteira. Emergências: SAMU 192 e Corpo de Bombeiros 193.
Dicas de etiqueta
Visite as igrejas fora da missa
As igrejas continuam em uso: a Basílica do Pilar tem missa todos os dias às 7h e às 19h, e São Francisco de Assis, aos sábados às 19h30. A visita turística é no horário de visitação, com taxa; na missa, entre para participar ou fique do lado de fora.
Não pise nos tapetes da Semana Santa
No domingo de Páscoa, os moradores desenham com serragem o tapete por onde passa a Procissão da Ressurreição. Ande pela calçada e espere a procissão passar antes de atravessar.
Repúblicas são casas de moradores
As repúblicas estudantis têm nome na fachada e às vezes recebem visitantes em festas, mas são moradias com regras próprias de entrada. Não entre sem convite.
Erros a evitar

Planejar as igrejas para a segunda-feira
A maior parte das igrejas e museus fecha às segundas, e o Carmo fecha às terças. Com dois dias, prefira de quarta a sábado, quando tudo está aberto, e confirme o domingo por telefone: a prefeitura publica horários conflitantes para a Matriz de Antônio Dias e não publica o do Carmo.
Chegar à igreja na hora do almoço
A Basílica do Pilar fecha entre 10h45 e 12h, e a Igreja do Rosário só abre às 13h. Monte o dia pelos horários de cada uma, e não pela ordem no mapa.
Contar com o trem para Mariana
O trem turístico entre Ouro Preto e Mariana está fechado, sem previsão de volta. O ônibus da Transcotta e o carro fazem o trajeto de cerca de 12 km.
Ir à Mina da Passagem sem dinheiro vivo
A bilheteria cobra R$ 290 por pessoa e aceita só dinheiro, sem garantia de Pix ou cartão. Saque antes, no centro de Ouro Preto ou de Mariana.
Fazer Tiradentes como bate-volta
Tiradentes fica a 156 km, cerca de 3h de carro em cada sentido. Num dia só, sobra pouco tempo na cidade; durma lá ou deixe para outra viagem.
Andar de sapato liso
As ladeiras são de pedra irregular, e com chuva ficam escorregadias. Use sapato com sola de borracha, que agarra melhor na pedra lisa e molhada.
Frases úteis
Bom dia
Cumprimento até o meio-dia; depois, «boa tarde» e, à noite, «boa noite»
Quanto é a visitação?
Quanto custa a taxa para visitar a igreja?
A igreja está aberta?
Pergunta útil antes de entrar, fora do horário de missa
Uai
Interjeição muito usada em Minas Gerais para surpresa, dúvida ou confirmação («É isso, uai»)
Trem
Em Minas Gerais, além de trem de ferro, quer dizer «coisa», qualquer objeto ou fato
Pode tirar foto?
Pode fotografar? Pergunte antes dentro das igrejas e museus
Onde ficar
- Centro e Praça Tiradentes · Primeira viagem, sem carro · $$: O Museu da Inconfidência, o Carmo e São Francisco ficam a poucos minutos a pé, e o entorno concentra pousadas e restaurantes. Em troca, é a parte mais movimentada nas festas.
- Pilar · Quem chega de ônibus ou quer silêncio perto do centro · $$: Fica perto da Basílica do Pilar e de uma das entradas do Horto dos Contos, cuja trilha leva à rodoviária, em ruas mais residenciais. A Praça Tiradentes fica a cerca de 500 m, em subida.
- Antônio Dias · Quem quer pousada menor e não se importa com ladeira · $: Fica entre São Francisco de Assis e a Mina do Chico Rei, longe do movimento da praça. A volta para o centro é sempre em subida.
- Lavras Novas · Casais com carro que preferem a serra · $$: Distrito a cerca de 19 km, com paisagem de montanha e ecoturismo, que enche nos feriados. Cada ida ao centro histórico pede estrada, então serve como segunda base, não como a única.
$: pousada simples · $$: pousada ou hotel no centro histórico · $$$: hotel em casarão restaurado · 2026-10-15
Bairros

Centro e Praça Tiradentes
O alto da cidade, entre os dois arraiais antigos. Reúne o Museu da Inconfidência, a Igreja do Carmo, o Museu do Oratório, o antigo Palácio dos Governadores e a Casa da Ópera, e é por onde passa quase todo roteiro a pé. Concentra pousadas, restaurantes e lojas de pedra-sabão.
Pilar
O antigo arraial do Pilar, a oeste da praça, em volta da basílica de interior dourado. É a parte da cidade mais próxima da rodoviária e do Horto dos Contos, com ruas residenciais e pousadas menores.

Antônio Dias
O arraial do lado leste, ladeira abaixo da Igreja de São Francisco de Assis. Tem a matriz onde está enterrado o Aleijadinho, o Museu Aleijadinho e a Mina do Chico Rei.
Rosário
O antigo Caquende, além do Pilar, onde fica a Igreja do Rosário, de planta elíptica. É o ponto de chegada da procissão da Ressurreição na Semana Santa.
Alto da Cruz e Padre Faria
Os bairros do extremo leste, morro acima de Antônio Dias, com a Igreja de Santa Efigênia, ligada pela tradição a Chico Rei, e a pequena Capela do Padre Faria, um dos templos mais antigos de Minas. Perto da igreja fica o Mirante da Santa Efigênia, um dos mirantes listados pela prefeitura.

Bauxita
O bairro do campus da UFOP, na saída para Mariana, onde fica a portaria do Parque Estadual do Itacolomi. Serve a quem vai ao parque, mais do que a quem quer o centro histórico.
Lavras Novas
Distrito a cerca de 19 km da sede, povoado por volta de 1716, de comunidade majoritariamente negra e casario colonial, procurado por turistas desde os anos 1990 pela paisagem de montanha e pelo ecoturismo. Nos feriados, a população chega a sextuplicar. Serve a quem quer dormir fora da cidade e tem carro; a ligação por ônibus é feita pelo Consórcio Rota Real.
História
séc. XVII · Território indígena e chegada dos bandeirantes
A região era habitada por povos de línguas do tronco macro-jê; hoje a população indígena originária do município é identificada como Borum-Kren. Desde o século XVI, bandeiras saídas de São Paulo percorriam o território atrás de ouro e de indígenas para escravizar.
1698 · Os arraiais do ouro escuro
A bandeira de Antônio Dias e do padre João de Faria Fialho se instala nos córregos onde se achava um ouro coberto de óxido de ferro, o «ouro preto». O município adota 24 de junho de 1698 como data de fundação.
1711 · Vila Rica
Em 8 de julho, a fusão de vários arraiais forma a vila de Vila Rica, três meses depois de Ribeirão do Carmo, a atual Mariana.
1720 · Capital e o fogo do Morro da Queimada
Vila Rica se torna capital da nova Capitania de Minas Gerais. No mesmo ano, depois da Sedição de 1720, conhecida como Revolta de Felipe dos Santos, que queria depor o governador, o Conde de Assumar manda demolir e incendiar as casas de Pascoal da Silva Guimarães e de outros revoltosos no morro que passou a se chamar da Queimada.
1733 · Triunfo Eucarístico
O Santíssimo Sacramento volta à Matriz do Pilar, reconstruída, numa procissão que ficou como a mais lembrada do período colonial. A Irmandade do Rosário dos Pretos abriu a rua do trajeto, a atual Rua Getúlio Vargas.
1766–1812 · A Igreja de São Francisco de Assis
A Ordem Terceira de São Francisco ergue a igreja projetada pelo Aleijadinho; Mestre Ataíde pinta o forro da nave e os painéis entre 1801 e 1812.
1789 · A Inconfidência Mineira
A conspiração contra o domínio português, articulada por membros da elite local, é denunciada antes de começar. O poeta Cláudio Manuel da Costa morre preso na Casa dos Contos em 4 de julho.
1792 · A execução de Tiradentes
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, é enforcado no Rio de Janeiro em 21 de abril. A cabeça é exposta em Vila Rica, no lugar da atual Praça Tiradentes; os outros condenados vão para o degredo na África.
1823 · Imperial Cidade de Ouro Preto
Depois da Independência, Pedro I dá a Vila Rica o título de Imperial Cidade, e ela passa a se chamar Ouro Preto. Em 1876, Claude Henri Gorceix funda a Escola de Minas, que hoje ocupa o antigo Palácio dos Governadores.
1897 · A capital vai para Belo Horizonte
A capital do estado muda para Belo Horizonte, cidade planejada. Ouro Preto perde cerca de 45% da população, e o centro deixa de ser reconstruído.
1938–1944 · Monumento nacional e o museu
A cidade é tombada como monumento nacional em 1938. Em 1942, os restos dos inconfidentes trazidos da África são instalados no Panteão da antiga Casa de Câmara e Cadeia, que abre como Museu da Inconfidência em 1944.
1980 · Patrimônio Mundial
A Unesco inscreve a Cidade Histórica de Ouro Preto na lista do Patrimônio Mundial, o primeiro sítio brasileiro a recebê-lo.
2022 · Deslizamento no Morro da Forca
Em 13 de janeiro, um deslizamento de terra destrói o Solar Baeta Neves, no centro histórico. Um estudo do Serviço Geológico do Brasil havia contado 313 áreas de risco geológico na cidade em 2016.
História completa
O ouro escuro e os arraiais
Ouro Preto não foi fundada de uma vez: ela é a soma de arraiais de mineradores que se formaram em volta dos córregos auríferos no fim do século XVII. Bandeirantes de Taubaté, guiados pelo Pico do Itacolomi, acharam ali um ouro coberto por uma película de óxido de ferro, e o apelido do metal virou o nome do lugar. Os arraiais do Pilar, de Antônio Dias, do Ouro Podre e do Taquaral cresceram separados, cada um com sua capela, e em 8 de julho de 1711 foram reunidos na vila de Vila Rica. É por isso que a cidade de hoje tem duas matrizes, a do Pilar e a de Antônio Dias, e uma praça no alto do morro que separava os dois núcleos.
O quinto, a revolta de 1720 e a capital
Pelo direito da época, o subsolo era do rei, que cobrava um quinto do ouro extraído. A cobrança gerou motins, e o de 1720, que pretendia depor o governador e formar um novo governo, terminou com o Conde de Assumar mandando demolir e queimar as casas do líder Pascoal da Silva Guimarães e de outros revoltosos no alto da Serra de Ouro Preto. O lugar ficou conhecido como Morro da Queimada, e as ruínas de casas, minas e currais de pedra formam hoje um ecomuseu a céu aberto. No mesmo ano, Vila Rica foi escolhida capital da nova Capitania de Minas Gerais, e a presença da Coroa se consolidou em meados do século com o Palácio dos Governadores e as ruas que ligaram os arraiais.
As irmandades e as igrejas do ouro
As igrejas de Ouro Preto foram construídas por irmandades leigas, que reuniam fiéis por grupo social e disputavam prestígio pelo tamanho e pela decoração dos templos. Na Matriz do Pilar, a mais rica da vila, cada irmandade tinha seu lugar no interior. A Irmandade do Rosário dos Pretos, de 1715, ergueu a Igreja do Rosário, de planta elíptica, e a de Santa Efigênia, no Alto da Cruz, é ligada pela tradição oral a Chico Rei, africano escravizado que teria comprado a própria liberdade e a de outros com ouro de mina. As ordens terceiras de São Francisco e do Carmo, de membros da elite, contrataram o Aleijadinho e Mestre Ataíde na segunda metade do século XVIII, quando o ouro já rendia menos e as igrejas continuavam em obras.
A Inconfidência e a construção de um herói
Com a produção de ouro em queda, a ameaça da derrama, a cobrança extraordinária dos impostos atrasados, reuniu em 1788 e 1789 proprietários, militares, padres e poetas numa conspiração para separar Minas de Portugal. O movimento não previa o fim da escravidão e foi denunciado antes de começar. Cláudio Manuel da Costa morreu preso na Casa dos Contos, e Tiradentes, o único executado, foi enforcado no Rio de Janeiro em 1792. Depois de 1889, a República fez dele um herói nacional: a estátua da praça é de 1894, e o governo Vargas trouxe da África os restos dos degredados e criou o Museu da Inconfidência, aberto em 1944. O museu conta essa história, e também mostra como ela foi usada para construir uma ideia de nação.
A capital que saiu e a cidade que ficou
No fim do século XIX, a elite mineira via Ouro Preto como símbolo de atraso, e a capital foi transferida em 1897 para Belo Horizonte. A cidade perdeu cerca de 45% dos moradores e quase não construiu nas décadas seguintes, o que preservou o centro. Nos anos 1920, os modernistas passaram a ver nas igrejas do Aleijadinho e de Ataíde as primeiras manifestações de uma arte brasileira, e o tombamento de 1938 fez de Ouro Preto o primeiro monumento nacional. A universidade, formada em 1969 a partir das escolas de Farmácia, de 1839, e de Minas, de 1876, trouxe os estudantes e as repúblicas. O desafio atual é material: ruas estreitas cheias de carros, mineração em volta e encostas instáveis, que em janeiro de 2022 derrubaram um casarão no Morro da Forca. Em 2005, a cidade trocou o lema da bandeira, «Precioso, ainda que negro», considerado racista pelos movimentos negros, por «Precioso ouro negro».
Geografia e forma da cidade

Entre a Serra de Ouro Preto e o Itacolomi
Ouro Preto ocupa um vale estreito entre a Serra de Ouro Preto, ao norte, e o maciço do Itacolomi, ao sul, cujo pico de 1.772 m serviu de marco aos bandeirantes e se vê de vários pontos do centro. A região faz parte do Quadrilátero Ferrífero, e o subsolo ainda é explorado para ferro, bauxita e manganês. No município nascem os rios das Velhas e Piracicaba, e o relevo vai de cerca de 700 m em Amarantina a mais de 1.600 m em Antônio Pereira.
Dois arraiais e uma praça no alto
A cidade se estende ao longo de uma encosta, com dois núcleos antigos nas pontas: o Pilar, a oeste, e Antônio Dias, a leste. Entre eles fica a Praça Tiradentes, no antigo Morro de Santa Quitéria, que separava os dois arraiais. Duas ruas principais descem da praça para cada lado, e o resto da malha são ladeiras calçadas de pedra, becos e escadarias. O córrego de Ouro Preto, antigo Tripuí, passa sob a Ponte dos Contos, de 1744, ao lado da Casa dos Contos, e o Horto dos Contos ocupa o fundo do vale com 2,5 km de trilha.
Clima de altitude
O clima é tropical de altitude: as chuvas vão de outubro a abril, o inverno é seco, e junho e julho têm noites frias e geada ocasional. A estação mais próxima com normal climática da Organização Meteorológica Mundial fica em Belo Horizonte, a cerca de 70 km e 916 m de altitude, e registra 339 mm de chuva em dezembro e 5 mm em julho (normal 1991–2020); Ouro Preto, mais alta, é mais fria que a capital. O Inmet registrou 0 °C em 15 de junho de 1925 na cidade.
A Praça Tiradentes ocupa o alto do antigo Morro de Santa Quitéria, que separava os arraiais do Pilar e de Antônio Dias.
Cultura
O barroco mineiro: o que olhar nas igrejas
As igrejas de Ouro Preto foram decoradas na passagem do barroco para o rococó, e dois nomes dominam a visita. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (Ouro Preto, c. 1738–1814), foi escultor, entalhador e autor de projetos; das mais de 400 obras ligadas ao nome dele, a maioria é atribuída por semelhança de estilo, sem documento, e a biografia mistura fato e lenda. Manuel da Costa Ataíde (Mariana, 1762–1830) pintou forros em perspectiva com cores vivas e anjos e santas de traços mestiços, e encarnou várias esculturas do Aleijadinho. Na visita, vale reparar na pedra-sabão das portadas e dos púlpitos, mais fácil de esculpir que a pedra comum, e no contraste entre a talha dourada mais antiga do Pilar e o branco e ouro mais leve de São Francisco.
Cidade universitária
A Universidade Federal de Ouro Preto nasceu em 1969 da Escola de Farmácia, de 1839, e da Escola de Minas, de 1876, e trouxe à cidade estudantes de todo o Sudeste. Boa parte deles mora em repúblicas: as Repúblicas Federais de Ouro Preto são 67 casas administradas pelos próprios moradores, e ex-alunos voltam para as festas de 12 de outubro, aniversário da Escola de Minas, e de 21 de abril. O calendário cultural tem o Festival de Inverno, organizado com Mariana, a Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP), em junho, o Fórum das Letras, em novembro, e o Tudo é Jazz, festival que começou na cidade em 2002.
Música, procissão e congado
O Museu da Inconfidência guarda o arquivo de partituras reunido pelo musicólogo Francisco Curt Lange, com missas e motetos de compositores mineiros dos séculos XVIII e XIX. A Casa da Ópera, hoje Teatro Municipal, foi inaugurada em 6 de junho de 1770. O calendário religioso continua cheio: a Semana Santa com procissões, o Mês do Rosário em outubro e os reinados e festejos do Rosário e de Santa Efigênia, com guardas de congo. O pintor Alberto da Veiga Guignard (1896–1962), que passou os últimos 18 anos em Minas e pintou muito Ouro Preto, tem museu próprio no centro.
Das mais de 400 obras ligadas ao nome do Aleijadinho, a maioria é atribuída por semelhança de estilo, sem documento que prove a autoria.
Festas e eventos
Semana Santa
Março ou abril, conforme a Páscoa (em 2026, a Sexta-feira da Paixão caiu em 3 de abril). Na quinta-feira há o Lava-pés; na sexta, o Descendimento da Cruz no adro de São Francisco de Assis e a Procissão do Enterro; no domingo, a Procissão da Ressurreição vai até a Igreja do Rosário sobre um tapete de serragem desenhado pelos moradores.
Dia de Tiradentes
21 de abril. Feriado nacional em memória da execução de 1792, com cerimônia cívica na cidade e festa das repúblicas estudantis.
Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP)
Junho, em data definida a cada ano. Mostra de cinema com sessões e debates no centro histórico.
Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana
Julho, em data definida a cada ano. Programação de música, teatro, artes e oficinas nas duas cidades.
Mês do Rosário
Outubro inteiro, com festa de Nossa Senhora do Rosário na sede, além da festa de São Francisco de Assis em 4 de outubro. Na mesma época há festejos do Rosário com guardas de congado nos bairros e distritos.
Livros e filmes
Romanceiro da Inconfidência (1953), Cecília Meireles
Em 85 romances, além de cenários e poemas de abertura e de fecho, Cecília Meireles conta a história de Minas da corrida do ouro à Inconfidência, com a escravidão nas lavras, Tiradentes, Tomás Antônio Gonzaga e Marília.
Marília de Dirceu (1792), Tomás Antônio Gonzaga
Os poemas de amor do inconfidente Gonzaga para Maria Doroteia de Seixas, a Marília, cujo túmulo está no Museu da Inconfidência. O museu guarda um exemplar da primeira edição.
Os Inconfidentes (1972), Joaquim Pedro de Andrade
Filme sobre a conspiração, do começo ao degredo e à execução de Tiradentes, com José Wilker no papel principal. Filmado em Ouro Preto durante a ditadura militar, parte dos Autos da Devassa e do Romanceiro de Cecília Meireles e usa a conspiração para falar da repressão do período.
Perguntas frequentes
Ouro Preto: como chegar do aeroporto de Confins?
Confins (CNF) fica a 142 km por estrada, cerca de 2h20 de carro; de ônibus, vá do aeroporto até a rodoviária de Belo Horizonte e siga com a Pássaro Verde pelos 96 km até Ouro Preto.
Ouro Preto: quantos dias ficar?
Eu ficaria dois dias inteiros, de preferência entre quarta e sábado, porque às segundas quase todas as igrejas e museus fecham; com um terceiro dia, eu iria a Mariana, a cerca de 12 km.
Ouro Preto: como ir a Mariana?
Mariana fica a cerca de 12 km, 20 minutos de carro ou de ônibus da Transcotta, e meio dia basta para o centro; o trem turístico entre as duas cidades está fechado, sem previsão de volta.
Ouro Preto: preciso levar dinheiro vivo?
Sim: as igrejas cobram taxa de visitação na porta, e a Mina da Passagem cobra R$ 290 por pessoa e aceita só dinheiro, sem garantia de Pix ou cartão; saque antes, no centro de Ouro Preto ou de Mariana.
Ouro Preto: qual a melhor época?
De maio a setembro, na estação seca, com dias firmes para andar nas ladeiras de pedra e noites frias em junho e julho; quem viaja pela festa escolhe a Semana Santa, entre março e abril, ou o Festival de Inverno, em julho.
Outras cidades do país
Brasil ↗- Dias
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