
Brasil
Chapada dos Veadeiros
Cachoeiras, cânions e campos de cerrado no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, com São Jorge na porta do parque e Alto Paraíso de Goiás como cidade de apoio
Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Como o guia chega a este número
Os três primeiros eu passaria em São Jorge: o Vale da Lua na chegada, a Trilha Amarela até os saltos do Rio Preto no segundo dia e a Trilha Vermelha até o Cânion II no terceiro, sempre entrando no parque às 8h. No quarto eu mudaria para Alto Paraíso pelas Almécegas e Loquinhas, e no quinto iria ao Engenho II, em Cavalcante, para a Santa Bárbara, que é longe e de estrada de terra, mas é a cachoeira que eu não deixaria de fora com tempo. Com três dias, eu ficaria só em São Jorge e faria o Vale da Lua e as duas trilhas do parque, que são a razão da viagem. A Catarata dos Couros eu guardaria para quem tem um dia a mais e carro preparado para terra.
3–5
Quando Maio a setembro; é a estação seca, com menos de 6 mm de chuva média em junho, julho e agosto, trilhas firmes e a travessia das Sete Quedas aberta a partir de junho.
Como o guia chega a este número
De novembro a abril chove mais, as cachoeiras ficam cheias e os rios podem subir de repente
Maio a setembro; é a estação seca, com menos de 6 mm de chuva média em junho, julho e agosto, trilhas firmes e a travessia das Sete Quedas aberta a partir de junho. De novembro a abril chove mais, as cachoeiras ficam cheias e os rios podem subir de repente
Por pessoa/dia Some hospedagem por noite, refeições por pessoa, a taxa municipal de Alto Paraíso, o ingresso e o transporte interno do parque e as entradas das cachoeiras em fazenda; feriados e julho mudam bastante o total.
Como o guia chega a este número
Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.
O que o Nilo achaEu ficaria cinco dias na Chapada dos Veadeiros. Os três primeiros eu passaria em São Jorge: o Vale da Lua na chegada, a Trilha Amarela até os saltos do Rio Preto no segundo dia e a Trilha Vermelha até o Cânion II no terceiro, sempre entrando no parque às 8h. No quarto eu mudaria para Alto Paraíso pelas Almécegas e Loquinhas, e no quinto iria ao Engenho II, em Cavalcante, para a Santa Bárbara, que é longe e de estrada de terra, mas é a cachoeira que eu não deixaria de fora com tempo. Com três dias, eu ficaria só em São Jorge e faria o Vale da Lua e as duas trilhas do parque, que são a razão da viagem. A Catarata dos Couros eu guardaria para quem tem um dia a mais e carro preparado para terra.O que organiza a Chapada dos Veadeiros é a água. Os rios correm sobre um planalto de quartzito no meio do cerrado goiano e, quando a pedra acaba, caem: o Rio Preto em dois saltos de 120 e 80 metros, o São Miguel em caldeirões arredondados no Vale da Lua, o Rio dos Couros em quedas sucessivas. Entre uma cachoeira e outra há campos rupestres, veredas de buritis e longos trechos de estrada de terra. As duas bases contam a história da região. São Jorge nasceu do garimpo de cristal e virou a vila dos condutores, na porta do Parque Nacional; Alto Paraíso foi uma fazenda que abastecia as minas de ouro de Cavalcante e hoje mistura ecoturismo, terapias alternativas e a vida de cidade pequena. Mais ao norte, as comunidades kalungas recebem visitantes nas próprias cachoeiras.
Ficha rápida
- População
- 11.421 habitantes no município de Alto Paraíso de Goiás (IBGE, estimativa para 2026); 10.306 no Censo de 2022. A vila de São Jorge é um distrito do município
- Fundação
- Município criado com o nome de Veadeiros pela lei estadual de 12 de outubro de 1953, desmembrado de Cavalcante e instalado em 1º de janeiro de 1954; passou a se chamar Alto Paraíso de Goiás em 1963. O Parque Nacional foi criado em 11 de janeiro de 1961
- País e região
- Brasil, Centro-Oeste; nordeste de Goiás, a cerca de 230 km de Brasília. Sede a 1.232 m de altitude
- Idioma
- Português
- Moeda
- Real (BRL, R$)
- Fuso horário
- UTC−3
- Melhor época
- Maio a setembro; é a estação seca, com menos de 6 mm de chuva média em junho, julho e agosto, trilhas firmes e a travessia das Sete Quedas aberta a partir de junho. De novembro a abril chove mais, as cachoeiras ficam cheias e os rios podem subir de repente
- Custo médio por dia
- Some hospedagem por noite, refeições por pessoa, a taxa municipal de Alto Paraíso, o ingresso e o transporte interno do parque e as entradas das cachoeiras em fazenda; feriados e julho mudam bastante o total.
Quando ir
Maio a setembro; é a estação seca, com menos de 6 mm de chuva média em junho, julho e agosto, trilhas firmes e a travessia das Sete Quedas aberta a partir de junho. De novembro a abril chove mais, as cachoeiras ficam cheias e os rios podem subir de repente
janeiro
fevereiro
março
abril
maio
Melhor épocajunho
Melhor épocajulho
Melhor épocaagosto
Melhor épocasetembro
Melhor épocaoutubro
novembro
dezembro
O que muda ao longo do ano
A chapada tem duas estações bem marcadas. A seca vai de maio a outubro, segundo a concessionária do parque, e a chuva se concentra de novembro a abril: nas médias de 1976 a 2001 do governo de Goiás, chovem 4,8 mm em junho, 2,3 mm em julho e 5,6 mm em agosto, contra 258,6 mm em dezembro e 246,6 mm em janeiro. De maio a setembro as trilhas estão firmes, o céu costuma ficar limpo e a travessia das Sete Quedas abre em junho; maio e junho ainda guardam boa água nas cachoeiras. No fim da seca a umidade do ar cai muito, o calor sobe e o cerrado fica sujeito a incêndios, como o de outubro de 2017. Na chuva as cachoeiras ficam cheias e o verde volta, a Trilha da Seriema e algumas quedas sazonais abrem, mas a água pode subir de repente e as estradas de terra pioram. O parque funciona o ano inteiro, inclusive em dias de chuva.
Dicas do Nilo
Sem carro, eu dormiria em São Jorge
Não há ônibus direto de Brasília à vila, e a portaria do parque fica dentro dela. Quem chega de ônibus a Alto Paraíso e combina o trecho de 36 km até São Jorge uma vez faz as trilhas do parque a pé, sem depender de transporte todo dia.
O Segredo sai de São Jorge
A Cachoeira do Segredo fica cerca de 17 km além da vila e só aceita entrada até as 13h. Saindo de São Jorge cedo, ela cabe numa manhã; saindo de Alto Paraíso, são 53 km.
Isenções que valem a pena registrar
Menores de 12 e maiores de 60 anos não pagam a taxa municipal, mas precisam preencher os dados no site para gerar a liberação. No parque, quem tem 60 anos ou mais paga meia-entrada, de qualquer nacionalidade.
Trilha noturna
O parque abre a Trilha Amarela e a Trilha Azul à noite, de quarta a domingo, em grupos de até seis pessoas com condutor autorizado obrigatório. A bilheteria fica fechada nesse horário, então o ingresso é comprado antes, e cada pessoa leva lanterna própria, porque lanterna de celular não é aceita; o banho de rio não é recomendado à noite. Em maio de 2026, a Trilha Noturna dos Saltos custava R$ 49 a inteira.
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Abrir o appO que ver
Chapada dos Veadeiros: O planalto
A chapada é um planalto alto no nordeste de Goiás. Distrito de Alto Paraíso, de ruas de terra, casas baixas, pousadas, campings, restaurantes e bares, ao lado da portaria do Parque Nacional.

Saltos do Rio Preto
Os dois saltos do Rio Preto, de 120 e 80 metros, são o motivo de quase toda primeira viagem ao parque. A Trilha Amarela, sinalizada com setas amarelas, sai do Centro de Visitantes em São Jorge e passa por áreas de antigos garimpos de cristal até o mirante do salto de 120 metros; o de 80 metros, a Cachoeira do Garimpão, tem poço para banho. O mesmo percurso inclui o Carrossel, um conjunto de quedas e cânions, e as Corredeiras, pequenas quedas e piscinas naturais. São cerca de 11 km ida e volta, de seis a sete horas, em terreno íngreme e pedregoso, classificado pela concessionária como de dificuldade moderada superior. A pé, a entrada vai até as 12h; com o transporte interno, pago à parte, dá para encurtar a caminhada até as Corredeiras.
Os saltos de 120 e 80 metros do Rio Preto são a razão da viagem, e a Trilha Amarela, de seis a sete horas, só cabe no dia de quem entra a pé antes do meio-dia.
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Cânion II
O Cânion II é um poço grande no Rio Preto, entre paredes de pedra, ao fim da Trilha Vermelha. A mesma trilha leva à Cachoeira das Cariocas, com quedas e poços, a cerca de meia hora de caminhada do cânion. São cerca de 11 km ida e volta, de quatro a cinco horas, por caminho pedregoso com pouca inclinação, de dificuldade moderada. É a escolha para o segundo dia no parque, mas pede atenção à chuva: os bombeiros já resgataram um grupo de 16 visitantes ilhado no Cânion II depois que a água subiu em cerca de dois minutos.
O poço do Rio Preto entre paredes de pedra, somado às Cariocas na mesma trilha, faz o segundo dia no parque; é também onde os bombeiros já resgataram um grupo ilhado por uma subida da água em cerca de dois minutos, e por isso não se fica ali com chuva rio acima.
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Vale da Lua
Fora do parque, numa propriedade particular à margem da GO-239, o Rio São Miguel escavou o quartzito em caldeirões, sulcos e piscinas de formas arredondadas que dão nome ao lugar. A trilha é curta e fácil, cerca de 1,5 km ida e volta, e o acesso tem 4 km de terra a partir do asfalto. Funciona das 8h às 17h, com entrada paga só em dinheiro ou Pix, o pagamento instantâneo brasileiro. Em dia de chuva parte do vale fica inacessível, e os caldeirões se tornam perigosos quando o rio sobe.
As pedras escavadas pelo São Miguel não se parecem com nada do parque, e a trilha curta encaixa na tarde da chegada a São Jorge.
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Cachoeiras Almécegas
Na Fazenda São Bento, com entrada a 8 km de Alto Paraíso pela GO-239, ficam a Almécegas I, de 45 metros, vista de um mirante e com banho embaixo da sequência de quedas, a Almécegas II e a Cachoeira São Bento. As três ficam na mesma propriedade e têm características diferentes, o que faz da fazenda uma boa manhã para quem se hospeda na cidade. A entrada é cobrada na portaria.
Três cachoeiras diferentes na mesma fazenda, a 8 km de Alto Paraíso: a melhor manhã para quem troca São Jorge pela cidade.
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Cachoeira Loquinhas
Complexo de dezoito poços e pequenas quedas de água verde-esmeralda numa fazenda a 4,4 km do centro de Alto Paraíso, pela Rua do Segredo. O circuito soma cerca de 2,2 km em três trilhas com boa estrutura e acesso fácil, e por isso é das opções mais indicadas para famílias com crianças. Macacos soltos costumam acompanhar o caminho.
Dezoito poços em trilhas curtas e bem estruturadas perto do centro; é a escolha para famílias e para uma tarde sem estrada de terra longa.
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Cachoeira do Segredo
Cachoeira de 130 metros em cascata a 53 km de Alto Paraíso, passando por São Jorge: são cerca de 17 km além da vila, com os últimos 8 km de terra, o que faz de São Jorge a base certa. A trilha tem cerca de 7 km ida e volta e acompanha o rio por dentro da mata, com dois poços para banho no caminho. A entrada vai das 8h às 13h, e o sol bate na queda de outubro a abril.
A queda de 130 metros pede 7 km de trilha e entrada até as 13h, a cerca de 17 km além de São Jorge; vale para quem já fez o parque e quer outro dia inteiro de caminhada a partir da vila.
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Jardim de Maytrea
Mirante à beira da GO-239, entre Alto Paraíso e São Jorge, sobre uma vereda de buritis e campos de cerrado, com o Morro da Baleia ao fundo. A área está dentro do Parque Nacional e não é aberta à entrada: a vista é da cerca, sem cobrança. O movimento se concentra no fim da tarde, quando carros param no acostamento para o pôr do sol.
É uma vista da cerca, à beira da estrada, sem entrada; funciona como parada de fim de tarde entre São Jorge e Alto Paraíso, não como programa.
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Cachoeira dos Cristais
Fazenda a 11 km de Alto Paraíso, sentido Cavalcante, com 3 km de terra até o estacionamento. A trilha de cerca de 3 km ida e volta passa por nove quedas até a cachoeira principal, e há restaurante e camping no local. Funciona das 8h às 17h. Serve a quem tem poucas horas na cidade ou viaja com crianças.
Perto da cidade, na saída para Cavalcante, e com estrutura para crianças, resolve uma meia jornada, mas não acrescenta nada que as Almécegas e as Loquinhas não deem.
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O roteiro do Nilo
Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.
Organizar meus dias no app ↗Dia 1 · De Brasília a São Jorge, com o Vale da Lua no caminho
Antes de sair, pague pela internet a Taxa de Conservação Ambiental de Alto Paraíso e guarde o QR code; compre também os ingressos do parque para os dias 2 e 3.
Saia cedo de Brasília: são cerca de 230 km até Alto Paraíso pela BR-020 e pela BR-010/GO-118, quase quatro horas de carro.
Almoce e saque dinheiro em Alto Paraíso; é a última cidade com bancos antes de São Jorge.
Siga pela GO-239 sentido São Jorge até a entrada do Vale da Lua e percorra os 4 km de terra até o estacionamento. A visita funciona até as 17h, e a trilha tem cerca de 1,5 km ida e volta; se chover rio acima, fique fora da água.
Continue até a vila de São Jorge, faça o check-in e jante na vila.
Dia 2 · Trilha Amarela: os saltos do Rio Preto
Esteja no Centro de Visitantes às 8h com o ingresso da data, água, lanche, protetor solar e capa de chuva; a entrada a pé vai até as 12h.
Siga as setas amarelas até o mirante do salto de 120 metros e desça ao poço da Cachoeira do Garimpão, de 80 metros, para o banho.
Na volta, passe pelo Carrossel e termine nas Corredeiras. São cerca de 11 km e de seis a sete horas no total. Se quiser poupar o caminho de volta, o transporte interno vende a volta separadamente, por R$ 45; confirme na bilheteria, de manhã, de onde ele sai.
Saia do parque até as 18h e passe a noite em São Jorge.
Dia 3 · Trilha Vermelha: Cânion II e Cariocas, e o fim de tarde no Jardim de Maytrea
Volte à portaria às 8h com o ingresso do dia e siga as setas vermelhas até o Cânion II, um poço grande entre paredes de pedra no Rio Preto.
Caminhe cerca de meia hora até a Cachoeira das Cariocas. A trilha soma cerca de 11 km e de quatro a cinco horas.
Depois do almoço na vila, descanse; no fim da tarde, pegue a GO-239 sentido Alto Paraíso até o Jardim de Maytrea para ver a vereda de buritis da beira da estrada.
Volte a São Jorge para a última noite na vila.
Se ficar mais
Dia 4 · Almécegas e Loquinhas, já com base em Alto Paraíso
Deixe São Jorge de manhã e siga pela GO-239 até a entrada da Fazenda São Bento, a 8 km de Alto Paraíso.
Veja a Almécegas I, de 45 metros, do mirante e depois de baixo, e complete com a Almécegas II e a Cachoeira São Bento.
Almoce e faça o check-in em Alto Paraíso.
À tarde, vá às Loquinhas, a 4,4 km do centro, e percorra os cerca de 2,2 km do circuito de poços. Confirme o horário de entrada com a fazenda.
Durma em Alto Paraíso, que é de onde saem as estradas para Cavalcante e para a Catarata dos Couros.
Dia 5 · Cachoeira Santa Bárbara e o Engenho II (Cavalcante)
Bate-volta
A cerca de 117 km de Alto Paraíso, no Engenho II, comunidade do Território Kalunga em Cavalcante. Os últimos 27 km, a partir de Cavalcante, são de terra, e o trecho final até a cachoeira é feito no transporte da comunidade, pago à parte, e depois a pé, por cerca de 1,5 km; em dias de chuva a estrada pode exigir 4x4. A Santa Bárbara é conhecida pela água azul-turquesa, e no mesmo roteiro ficam as cachoeiras Capivara e Candaru. A visita exige condutor, que pode ser contratado no Centro de Atendimento ao Turista da comunidade; em dias cheios, o tempo de cada grupo na cachoeira pode ser limitado a uma hora. Confirme regras e valores com a comunidade antes de ir, saia de Alto Paraíso bem cedo e durma de novo na cidade.
Comida
Arroz com pequi
O prato tradicional de Goiás: arroz cozido com pequi, fruto do cerrado de casca grossa e polpa amarela, de cheiro forte. O pequi se rói com cuidado, sem morder, porque tem espinhos finos por dentro do caroço.
Galinhada
Frango cozido com arroz, em geral com milho, açafrão e, conforme a casa, pequi ou guariroba. É o almoço de panela das cidades do interior goiano.
Empadão goiano
Torta alta de massa, recheada mais comumente com frango, batata cozida e queijo minas, às vezes com carne de porco ou de boi.
Frango com guariroba
A guariroba é o palmito de uma palmeira do cerrado, mais amargo que o palmito comum, cozida com frango caipira.
Pamonha
Massa de milho verde cozida na palha. Aparece entre os lanches do Centro de Visitantes do parque, ao lado de tapiocas, empadas e salgados.
Sucos do cerrado
Cajuzinho-do-cerrado, mangaba, cupuaçu e graviola estão entre os sucos de fruta vendidos na lanchonete do Centro de Visitantes. O baru, castanha do cerrado, entra em doces e paçocas.
Onde comer
- Centro de Visitantes do parque, em São Jorge
Lanche antes e depois da trilha: a lanchonete funciona das 8h às 18h, com pausa de 12h às 13h15 nos dias úteis, e vende salgados, tapiocas, empadas, pamonhas e sucos de frutas do cerrado, como cajuzinho e mangaba. Nas Corredeiras há um trailer de lanches nos fins de semana e feriados.
- Centro de Alto Paraíso
Almoço de comida goiana, como arroz com pequi, galinhada e empadão, e compras para montar o lanche da trilha nos mercados e padarias da cidade antes de seguir para São Jorge.
$: lanche e suco na lanchonete do parque ou numa padaria de Alto Paraíso · $$: almoço ou jantar à la carte em Alto Paraíso ou em São Jorge · $$$: jantar em restaurante de pousada · 2026-10-16
Bate-voltas
Cachoeira Santa Bárbara e o Engenho II (Cavalcante)
A cerca de 117 km de Alto Paraíso, no Engenho II, comunidade do Território Kalunga em Cavalcante. Os últimos 27 km, a partir de Cavalcante, são de terra, e o trecho final até a cachoeira é feito no transporte da comunidade, pago à parte, e depois a pé, por cerca de 1,5 km; em dias de chuva a estrada pode exigir 4x4. A Santa Bárbara é conhecida pela água azul-turquesa, e no mesmo roteiro ficam as cachoeiras Capivara e Candaru. A visita exige condutor, que pode ser contratado no Centro de Atendimento ao Turista da comunidade; em dias cheios, o tempo de cada grupo na cachoeira pode ser limitado a uma hora. Confirme regras e valores com a comunidade antes de ir, saia de Alto Paraíso bem cedo e durma de novo na cidade.
Catarata dos Couros (Parque Estadual Águas do Paraíso)
Ao sul de Alto Paraíso: segundo o governo de Goiás, são cerca de 18 km pela GO-118, sentido São João d'Aliança, e depois cerca de 20 km pela GO-575, de terra, até a entrada do parque estadual criado em 2020. O Rio dos Couros forma ali uma sequência de quedas: a Cachoeira da Muralha, a São Vicente, a do Parafuso, com poço para banho, e a própria Catarata dos Couros, três quedas que somam cerca de 70 metros, vistas de um mirante e não abertas a banho por causa da altura. A visita é gratuita, das 8h às 17h com entrada até as 15h, em grupos de até seis pessoas acompanhados de condutor local. Uma das trilhas percorre cerca de 3 km por terreno plano até o início da descida para o mirante.
Por onde começar
De Brasília a São Jorge, com o Vale da Lua no caminho

Antes de sair, pague pela internet a Taxa de Conservação Ambiental de Alto Paraíso e guarde o QR code; compre também os ingressos do parque para os dias 2 e 3.
Trilha Amarela: os saltos do Rio Preto

Esteja no Centro de Visitantes às 8h com o ingresso da data, água, lanche, protetor solar e capa de chuva; a entrada a pé vai até as 12h.
Trilha Vermelha: Cânion II e Cariocas, e o fim de tarde no Jardim de Maytrea

Volte à portaria às 8h com o ingresso do dia e siga as setas vermelhas até o Cânion II, um poço grande entre paredes de pedra no Rio Preto.
Almécegas e Loquinhas, já com base em Alto Paraíso

Deixe São Jorge de manhã e siga pela GO-239 até a entrada da Fazenda São Bento, a 8 km de Alto Paraíso.
Dinheiro

A moeda é o real (R$). Bancos e caixas eletrônicos estão em Alto Paraíso; São Jorge tem estrutura mais rústica. Algumas cachoeiras em fazendas, como o Vale da Lua, aceitam só dinheiro ou Pix, o sistema brasileiro de pagamento instantâneo, que em geral exige conta num banco do Brasil. Quem não tem Pix deve sacar dinheiro em Alto Paraíso antes de seguir para a vila. A prefeitura de Alto Paraíso cobra a Taxa de Conservação Ambiental de R$ 20 por visitante, válida para estadias de até sete dias; acima de sete dias, é cobrada de novo. Ela é paga pela internet ou por aplicativo, gera um QR code conferido na entrada da vila de São Jorge e nos atrativos, e isenta, entre outros, pessoas acima de 60 anos e menores de 12, que preenchem os dados no site, pessoas com deficiência e moradores da região. No Parque Nacional, conforme o site da concessionária consultado em 16 de outubro de 2026, o ingresso custa R$ 49 a inteira e R$ 5 para moradores dos seis municípios do entorno com comprovante. A meia-entrada, de R$ 24,50, vale para estudantes com carteira estudantil, pessoas com deficiência e o acompanhante quando necessário, jovens de 15 a 29 anos de baixa renda inscritos no CadÚnico e pessoas com 60 anos ou mais; crianças de até 6 anos não pagam. O ingresso vale só para a data comprada e não inclui o transporte interno (R$ 35 a ida e R$ 45 a volta) nem o acampamento (R$ 25). O estacionamento fica fora do parque e é particular. As cachoeiras em fazendas cobram entrada própria; o portal de turismo da prefeitura, sem data de atualização, lista R$ 40 no Vale da Lua, R$ 50 nas Loquinhas, R$ 60 na Cachoeira do Segredo e R$ 70 no conjunto das Almécegas com a São Bento, e é melhor confirmar os valores com cada atrativo antes de ir.
Como chegar e se locomover
Chegar por Brasília
Não há aeroporto com voos regulares na região. O mais próximo é o Aeroporto Internacional de Brasília, a 235 km de Alto Paraíso pela BR-020 e pela BR-010, que vira GO-118 ao entrar em Goiás; a prefeitura calcula cerca de 3h50 de carro, toda a estrada asfaltada. Da cidade a São Jorge são mais 36 km pela GO-239, também asfaltada. Brasília é a escala natural da viagem.
Ônibus e chegada sem carro
Linhas diretas saem da Rodoviária Interestadual de Brasília para a rodoviária de Alto Paraíso, operadas pela Real Expresso e pela Real Maia; em outubro de 2026 o agregador Buson listava de uma a sete partidas por dia, com viagens de 2h55 a 5h15. Os horários e as tarifas mudam: confira na rodoviária ou no site da empresa. A prefeitura informa que não há ônibus direto até São Jorge e indica, para quem sai de Brasília sem carro, as caronas organizadas em grupos como o Conexão Chapada e o Carona Solidária Chapada dos Veadeiros. Do terminal de Alto Paraíso até a vila são 36 km de asfalto pela GO-239; acerte esse trecho com a pousada ou com uma agência antes de chegar. Sem carro, dormir em São Jorge é o que permite ir a pé à portaria do parque.
Entre os atrativos
A prefeitura informa que não há transporte público até as cachoeiras e que as estradas de acesso são quase sempre de terra e de má qualidade. Com carro, a viagem fica muito mais simples; sem carro, a alternativa são agências e condutores que levam aos atrativos. Para Cavalcante, Santa Bárbara e a Catarata dos Couros, os trechos de terra podem exigir veículo 4x4 em dias de chuva. Dentro do parque há transporte interno pago, com veículo acessível, que leva da portaria às trilhas.
Segurança

O risco principal da chapada é a cabeça d'água: a chuva cai na cabeceira do rio, às vezes longe e com o céu ainda claro no poço, e em poucos minutos o volume sobe muito, sem nenhum aviso sonoro, conforme explicou o comando do Corpo de Bombeiros de Goiás. Os bombeiros já resgataram um grupo de 16 visitantes ilhado no Cânion II, onde a área inundou em cerca de dois minutos, e em 2023 um turista morreu na Cachoeira Raizama, arrastado por uma subida repentina da água. Nos dias de chuva, a orientação é não entrar nos rios e respeitar as áreas interditadas. As trilhas do parque têm longos trechos expostos ao sol, cascalho solto e pedras, e na seca a umidade do ar cai muito: água, chapéu, protetor solar e calçado firme fazem diferença. Nas travessias, o condutor não é obrigatório, mas a concessionária recomenda fortemente contratá-lo. Na visitação noturna, os grupos têm no máximo seis pessoas, com condutor autorizado obrigatório, e cada um leva a própria lanterna; lanterna de celular não é aceita, e o banho de rio não é recomendado. Fora do parque, as estradas de terra pedem atenção e luz do dia, e a sinalização de alguns acessos é fraca.
Dicas de etiqueta
Pagar a taxa antes de chegar
A Taxa de Conservação Ambiental de Alto Paraíso é conferida por QR code na entrada da vila de São Jorge e nos atrativos. Pagá-la pela internet antes da viagem evita fila na portaria.
Nada sai do parque
É proibido retirar plantas, animais e minerais do Parque Nacional, inclusive cristais de quartzo soltos na trilha, e é proibido sair dos caminhos oficiais ou usar atalhos.
Sem álcool, cigarro nem animais
O parque proíbe fumar e beber durante a visita e não aceita animais domésticos. O lixo volta com o visitante, num saco levado para isso.
No território Kalunga
As cachoeiras do Engenho II ficam numa comunidade quilombola que organiza a visitação, com Centro de Atendimento ao Turista, transporte próprio até a trilha e condutores da comunidade. A visita é feita com condutor, e as regras da comunidade valem como as de qualquer área protegida.
Erros a evitar

Chegar à portaria depois do meio-dia
A pé, a entrada nas trilhas do parque vai das 8h às 12h. Depois disso, só se entra com o transporte interno, até as 15h, e a partir das 12h ele depende de vaga e precisa ser comprado ida e volta. Quem dorme em Alto Paraíso precisa contar os 36 km até a portaria, e a Trilha Amarela inteira pede de seis a sete horas.
Achar que um ingresso vale para dois dias
O ingresso do parque vale só para a data comprada. Duas trilhas em dois dias são dois ingressos, e comprá-los pelo site antes da viagem evita depender da bilheteria.
Entrar na água com chuva na cabeceira
Um rio pode subir em minutos por causa de chuva que caiu longe, rio acima, com o céu ainda limpo no poço, e não há aviso sonoro. Em dia de chuva na região, a orientação dos bombeiros é não entrar nos rios e respeitar as áreas interditadas.
Contar com caixa eletrônico em São Jorge
A estrutura bancária está em Alto Paraíso, a 36 km. Várias fazendas cobram só em dinheiro ou Pix, e quem não tem conta em banco brasileiro depende do dinheiro sacado na cidade.
Planejar a Trilha Azul (da Seriema) na seca
A Trilha Azul, ou da Seriema, é a mais leve do parque: cerca de 850 m ida e volta, perto de 1h30, em terreno plano, indicada pela concessionária para idosos, crianças, gestantes e pessoas com dificuldade de locomoção, com entrada a pé até as 16h. Ela fica fechada de junho a outubro, quando o Córrego Preguiça seca.
Subestimar as estradas de terra
Santa Bárbara, a Catarata dos Couros e a Cachoeira do Segredo têm trechos longos de terra, com pouca sinalização no caso dos Couros. Saia cedo e, na estação chuvosa, confira se a estrada está passando para carro comum.
Frases úteis
Cabeça d'água
Subida repentina de um rio por chuva na cabeceira; o aviso mais importante da região
Condutor
Guia local credenciado que acompanha a trilha; nas travessias e no Kalunga, é a pessoa a contratar
Poço
Piscina natural no rio, onde se toma banho
Vereda
Área úmida do cerrado, com buritis e brejo
Porteira
A entrada de uma fazenda; nas cachoeiras particulares, é onde se paga a entrada
Onde ficar
- Vila de São Jorge · Quem vai passar dois ou mais dias nas trilhas do parque e no Vale da Lua, quem viaja sem carro e quer sair a pé da pousada para a portaria às 8h, e quem vai à Cachoeira do Segredo.: A portaria do parque fica na própria vila, o Vale da Lua está a poucos quilômetros pela GO-239 e o Segredo, a cerca de 17 km adiante. Há pousadas, campings, restaurantes e bares. A desvantagem é a estrutura rústica, com ruas de terra e sem a rede de bancos e serviços da cidade, e a distância de 36 km de Alto Paraíso, das cachoeiras perto da cidade e da estrada para Cavalcante.
- Centro de Alto Paraíso · Quem viaja de carro com crianças ou idosos e prefere serviços por perto, e quem vai fazer Loquinhas, Cristais, Almécegas, Santa Bárbara ou a Catarata dos Couros.: A cidade tem bancos, mercados, farmácias, padarias e a rodoviária, e é o ponto de partida das estradas para Cavalcante e para o sul. A desvantagem é a ida ao parque: são 36 km de estrada até a portaria, que precisam ser feitos cedo para entrar a pé antes do meio-dia, e sem carro esse trecho depende de transporte combinado.
$: camping ou pousada simples em São Jorge ou em Alto Paraíso · $$: pousada com café da manhã · $$$: pousada de chalés fora das vilas · 2026-10-16
Bairros

Vila de São Jorge
Distrito de Alto Paraíso, de ruas de terra, casas baixas, pousadas, campings, restaurantes e bares, ao lado da portaria do Parque Nacional. É a base para quem vai fazer as trilhas do parque e o Vale da Lua, e o lugar onde a noite acontece depois da caminhada. A estrutura é mais rústica que a da cidade.
Centro de Alto Paraíso
A cidade do município, a 36 km do parque, com bancos e caixas eletrônicos, mercados, farmácias, padarias e a rodoviária onde chegam os ônibus de Brasília. Serve de base para as cachoeiras perto da cidade, como as Loquinhas, e as da saída para Cavalcante, como a dos Cristais, e para as estradas rumo a Cavalcante e à Catarata dos Couros.

GO-239
A estrada entre Alto Paraíso e São Jorge funciona como um corredor de atrativos: a Fazenda São Bento com as Almécegas, o Jardim de Maytrea e a entrada do Vale da Lua ficam à margem dela, e algumas pousadas e chácaras ficam espalhadas pelo caminho.
Povoado do Moinho
Comunidade quilombola a poucos quilômetros de Alto Paraíso, por estrada de terra, conhecida pelos saberes tradicionais e pelo artesanato feito à mão. Também é o caminho de algumas cachoeiras em propriedades da região.
História
1740 · Ouro em Cavalcante
Bandeirantes em busca de ouro e de escravizados fugidos abrem o ciclo da mineração no norte da chapada e fundam Cavalcante. Veadeiros, a fazenda que daria origem a Alto Paraíso, passa a produzir comida e gado para as lavras.
década de 1940 · O auge do cristal
O garimpo de quartzo e cristal de rocha chega ao auge. O cristal era exportado para componentes de sonares, rádios, telégrafos e telefones, e cresce o povoado dos garimpeiros, chamado primeiro de Garimpão e depois de Baixa dos Veadeiros.
1952 · A vila ganha o nome de São Jorge
No início dos anos 1950, Baixa dos Veadeiros passa a se chamar Vila de São Jorge, em homenagem ao santo escolhido como protetor dos garimpeiros; a primeira festa ao santo acontece em 23 de abril de 1952.
1953 · Veadeiros vira município
Lei estadual de 12 de outubro desmembra Veadeiros de Cavalcante. O município é instalado em 1º de janeiro de 1954 e, em 1963, muda o nome para Alto Paraíso de Goiás.
1961 · Nasce o parque
Juscelino Kubitschek cria, em 11 de janeiro, o Parque Nacional do Tocantins, com 625 mil hectares. O garimpo dentro dele passa a ser restringido; em 1972, já menor, o parque recebe o nome de Chapada dos Veadeiros.
década de 1980 · Do garimpo ao turismo
O ecoturismo dentro do parque é autorizado e muitos ex-garimpeiros viram condutores de visitantes. No mesmo período chegam a São Jorge e a Alto Paraíso grupos filosóficos e esotéricos.
2001 · Patrimônio Mundial e uma ampliação que não durou
Em dezembro, a UNESCO inscreve as Áreas Protegidas do Cerrado, os parques nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas, na lista do Patrimônio Natural da Humanidade. No mesmo ano, um decreto amplia o parque para 235 mil hectares, mas o Supremo Tribunal Federal o suspende em 2003, e o parque volta aos cerca de 65 mil hectares definidos em 1981.
2017 · Ampliação e incêndio
Em 5 de junho, decreto federal amplia o parque de cerca de 65 mil para cerca de 240 mil hectares. Em outubro, um incêndio com pelo menos cinco focos, segundo relatório do ICMBio, queima cerca de 65 mil hectares, perto de um quarto da área do parque, ao longo de mais de duas semanas.
2018–2019 · Concessão
O ICMBio assina em dezembro de 2018 o contrato de concessão dos serviços de visitação por 20 anos; desde 2019 a Parquetur opera bilheteria, Centro de Visitantes e transporte interno, e o ICMBio segue na gestão do parque.
2024 · Taxa municipal
Alto Paraíso regulamenta a Taxa de Conservação Ambiental, criada por lei complementar de dezembro de 2023 e cobrada de cada visitante, com conferência por QR code na entrada da vila de São Jorge e dos atrativos.
História completa
Ouro, gado e o nome dos veados
A ocupação colonial da chapada começou pelo ouro. Bandeirantes chegaram atrás de lavras e de escravizados fugidos, e Cavalcante nasceu em 1740. Mais ao sul, numa fazenda fundada por Francisco de Almeida, formou-se o núcleo de Veadeiros, que vendia alimento e gado para as minas. O nome, registra o histórico municipal, vem da quantidade de veados na região. Quando o ouro se esgotou, ficaram a pecuária e as pequenas lavouras, e Veadeiros seguiu como distrito de Cavalcante até se emancipar em 1953. Dez anos depois, o município trocou o nome para Alto Paraíso de Goiás.
O cristal e a vila de São Jorge
A vila de São Jorge tem outra origem: o garimpo de quartzo e cristal de rocha, que chegou ao auge no começo da década de 1940, quando o cristal era exportado para a indústria de rádio, sonar e telefonia. O povoado se chamou Garimpão, depois Baixa dos Veadeiros, e no início dos anos 1950 ganhou o nome do santo dos garimpeiros. A prosperidade durou pouco: depois da Segunda Guerra, o cristal sintético passou a ser fabricado em laboratório e as exportações caíram, e o ciclo terminou no fim dos anos 1960. Nos intervalos de crise, os moradores viviam de roças pequenas e da coleta de flores secas do cerrado. As cavas abertas nessa época ainda aparecem ao longo da Trilha Amarela.
O parque e a virada para o turismo
Em 1961, o governo federal criou um parque nacional de 625 mil hectares no planalto. Ele encolheu duas vezes: em 1972, quando ganhou o nome atual, e em 1981, quando ficou com cerca de 65 mil hectares. Uma ampliação para 235 mil hectares, decretada em 2001, foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal em 2003; só o decreto de 2017 levou o parque aos cerca de 240 mil hectares de hoje. A criação do parque restringiu o garimpo e, a partir dos anos 1980, com o ecoturismo autorizado, os garimpeiros passaram a conduzir visitantes pelas mesmas trilhas que usavam para chegar às lavras. A busca espiritual na região é mais antiga: a Fazenda Bona Espero, ligada ao esperanto, chegou nos anos 1950, e a Cidade da Fraternidade, de orientação espírita, nos anos 1960; nos anos 1980 vieram outros grupos esotéricos e comunidades alternativas, atraídos pelo quartzo e pela ideia do paralelo 14, e dão a Alto Paraíso parte da reputação que tem hoje. Vieram depois a inscrição na UNESCO, em 2001, e a concessão da visitação, em 2019, que organizou bilheteria, Centro de Visitantes e transporte interno na portaria de São Jorge.
Geografia e forma da cidade

O planalto
A chapada é um planalto alto no nordeste de Goiás. A sede de Alto Paraíso está a 1.232 m, e o Morro do Pouso Alto, no mesmo município, apontado como o ponto mais alto de Goiás e do Planalto Central, passa de 1.670 m: a prefeitura cita 1.676 m, a medida da Comissão Cruls no fim do século XIX, e outras fontes trazem 1.691 m. Os pontos altos do parque ficam perto de 1.600 m, com afloramentos de rocha e campos rupestres; nos vales, o terreno desce para 400 a 500 m. A maior parte do parque está sobre rochas metamórficas derivadas de antigos sedimentos marinhos, e o quartzito duro é o que forma os paredões das cachoeiras.
Rios e cerrado
O Rio Preto atravessa o parque e despenca em dois saltos, de 120 e 80 metros, antes de entrar no Cânion II. Fora do parque, o Rio São Miguel esculpiu as pedras do Vale da Lua, e o Rio dos Couros forma a catarata do mesmo nome. A vegetação é de cerrado em várias formas: mata de galeria nas margens, cerrado aberto, campo limpo, campo rupestre nas encostas de pedra e veredas com buritis nas áreas úmidas. O parque registra 1.476 espécies de plantas, e entre os animais estão o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, o veado-campeiro e o pato-mergulhão, uma ave ameaçada.
Como as bases se distribuem
Tudo depende da GO-239, a estrada asfaltada que sai de Alto Paraíso para oeste e chega à vila de São Jorge, a cerca de 36 km, onde fica a portaria do parque. Pelo caminho ficam as entradas da Fazenda São Bento, com as Almécegas, o Jardim de Maytrea e o Vale da Lua. Para o norte, a GO-118 leva a Teresina de Goiás e à estrada de Cavalcante e do território Kalunga; para o sul, segue para Brasília. As cachoeiras ficam em geral a dezenas de quilômetros umas das outras, e o último trecho costuma ser de terra.
São Jorge para os dias de parque, Alto Paraíso para os dias de fazendas e de Cavalcante. Mudar de base no meio da viagem economiza estrada.
As trilhas do parque são autoguiadas e marcadas por cores: amarelo para os Saltos, vermelho para os Cânions, azul para a Seriema, laranja na travessia das Sete Quedas.
Cultura
Garimpeiros que viraram condutores
A cultura da vila de São Jorge vem do garimpo. O nome da vila e a primeira festa a São Jorge, em 1952, vêm dos garimpeiros, que escolheram o santo como protetor. Quando o parque restringiu a extração e o turismo foi autorizado, nos anos 1980, muitos deles passaram a trabalhar como condutores de visitantes, nas trilhas que antes levavam às lavras de cristal.
Alto Paraíso esotérico
A região atrai movimentos espirituais desde os anos 1950. Segundo a prefeitura, o pioneiro foi o esperantismo, com a Fazenda Bona Espero, fundada em 1957 por uma missão vinda do Recife e instalada perto do Parque Nacional, na GO-239; nos anos 1960 veio a Cidade da Fraternidade, de orientação espírita kardecista. A partir dos anos 1980 chegaram mais grupos filosóficos e esotéricos, atraídos pelo quartzo e pelo paralelo 14 sul, que atravessa a chapada. Hoje a prefeitura divulga a cidade também pelo turismo de bem-estar, e a oferta de terapias e vivências alternativas convive com o ecoturismo.
Quilombolas e culturas tradicionais
A chapada tem comunidades quilombolas antigas. Perto de Alto Paraíso, o povoado do Moinho é conhecido pelos saberes tradicionais e pelo artesanato. Ao norte, o Território Kalunga, com mais de 260 mil hectares e mais de 39 comunidades em Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás, é o maior território quilombola do Brasil em extensão, e recebe visitantes num turismo de base comunitária. Em São Jorge, a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge organiza o Encontro de Culturas Tradicionais, que reúne mestres e grupos de cultura popular de várias regiões do país.
Festas e eventos
Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros
Festival na vila de São Jorge com apresentações, oficinas, rodas de conversa e cortejos de grupos tradicionais de várias regiões do Brasil, organizado pela Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge. A data muda de um ano para outro e é anunciada pela organização: a edição de 2025 foi de 13 a 20 de setembro, e a de 2026, a 26ª, de 6 a 17 de outubro. A vila lota nesses dias.
Livros e filmes
Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa
O romance não se passa na chapada, mas é a obra que fixou na literatura brasileira a paisagem de veredas, buritis e chapadões do cerrado do Brasil central, a mesma que se vê da beira da GO-239.
Vila de São Jorge e Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros: os caminhos da geografia passam por lá (revista Ateliê Geográfico, UFG, 2007)
Nota de campo de estudantes e professora de geografia da UFG que resume a passagem da vila do garimpo de cristal ao turismo, com os nomes antigos do povoado e o efeito da criação do parque sobre os moradores. Descreve a vila como era em 2007.
Perguntas frequentes
Chapada dos Veadeiros: como chegar?
O aeroporto mais próximo é o de Brasília, a 235 km de Alto Paraíso, cerca de 3h50 de carro por estrada asfaltada, e São Jorge fica 36 km adiante. Há ônibus de Brasília a Alto Paraíso, mas não até São Jorge: combine esse trecho com a pousada ou uma agência.
Chapada dos Veadeiros: quantos dias ficar?
O ideal são cinco dias: três em São Jorge, para o Vale da Lua e as trilhas Amarela e Vermelha do parque, um em Alto Paraíso, para Almécegas e Loquinhas, e um para a Santa Bárbara, em Cavalcante. Com três dias, fique só em São Jorge.
Chapada dos Veadeiros: um ingresso do parque vale para dois dias?
Não. O ingresso vale só para a data comprada, então duas trilhas em dois dias são dois ingressos; a inteira custa R$ 49, sem o transporte interno. Comprar pelo site antes da viagem evita depender da bilheteria.
Chapada dos Veadeiros: até que horas dá para entrar no parque?
A pé, a entrada nas trilhas vai das 8h às 12h; depois, só com o transporte interno, até as 15h, sujeito a vaga e comprado ida e volta. A exceção é a Trilha Azul, com entrada a pé até as 16h, fechada de junho a outubro.
Chapada dos Veadeiros: é melhor dormir em São Jorge ou em Alto Paraíso?
São Jorge fica na portaria do parque e serve a quem vai fazer as trilhas ou viaja sem carro, mas é rústica e não tem bancos. Alto Paraíso, a 36 km, tem serviços e é a base para Loquinhas, Almécegas, Santa Bárbara e a Catarata dos Couros.
Chapada dos Veadeiros: como visitar a Cachoeira Santa Bárbara?
Fica no Engenho II, comunidade kalunga em Cavalcante, a cerca de 117 km de Alto Paraíso; os 27 km finais são de terra e, com chuva, podem exigir 4x4. Depois vêm o transporte da comunidade, pago à parte, e 1,5 km a pé, com condutor obrigatório; em dias cheios, cada grupo pode ficar só uma hora na cachoeira.
Chapada dos Veadeiros: qual é a melhor época?
De maio a setembro, na seca, as trilhas estão firmes, o céu costuma ficar limpo e a travessia das Sete Quedas abre em junho. De novembro a abril as cachoeiras ficam cheias, mas a água pode subir de repente e as estradas de terra pioram.
Outras cidades do país
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