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Nilo pelo mundo
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Dunas do Jalapão
ccFoto: Marcel Favery · CC BY-SA 4.0

Brasil

Jalapão

Dunas alaranjadas, nascentes onde o corpo não afunda e cachoeiras de água verde no cerrado do leste do Tocantins, com Mateiros como base e estradas de areia que pedem 4x4

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Dias4–5
Quandomai–set
Por pessoa/diaConsultar custosEstimativa do guia

Dias Comece pelo programa básico e escolha as extensões conforme o tempo disponível.

Como o guia chega a este número

No primeiro, eu dormiria em Ponte Alta, depois do pôr do sol na Pedra Furada. No segundo, passaria pelo Cânion Sussuapara e chegaria às dunas na janela da tarde, a caminho de Mateiros, onde ficaria três noites: um dia para subir a Serra do Espírito Santo de madrugada e descansar à tarde, e outro para a Cachoeira do Formiga, a Comunidade Mumbuca e os fervedouros do Ceiça e do Buritizinho, que ficam perto uns dos outros. No quinto, eu mudaria para São Félix do Tocantins pelo Fervedouro Bela Vista e pela Cachoeira da Arara, e no dia seguinte sairia pelo norte, por Lagoa do Tocantins. Com quatro dias, eu cortaria São Félix e voltaria de Mateiros para Palmas por Ponte Alta na manhã seguinte; com menos que isso, a maior parte do tempo vai para a estrada. A Cachoeira da Velha eu deixaria para quem tem um sexto dia.

4–5

Quando Maio a setembro; é a estação seca, com estradas de areia mais firmes e quase nenhuma chuva de junho a agosto.

Como o guia chega a este número

De agosto a outubro as máximas médias passam de 35 °C, e de novembro a abril as chuvas deixam estradas enlameadas e limitam o acesso a vários atrativos

Maio a setembro; é a estação seca, com estradas de areia mais firmes e quase nenhuma chuva de junho a agosto. De agosto a outubro as máximas médias passam de 35 °C, e de novembro a abril as chuvas deixam estradas enlameadas e limitam o acesso a vários atrativos

Por pessoa/dia Some hospedagem por noite, refeições por pessoa, o guia ou a agência com veículo 4x4, a taxa de turismo de Mateiros e as entradas dos fervedouros que escolher; o pacote com transporte muda bastante o total.

Como o guia chega a este número

Por pessoa e por dia: hospedagem, refeições, transporte urbano, visitas e uma margem para extras. Voos não incluídos; compras maiores variam. Estimativa editorial, não cotação.

O que o Nilo acha
Eu ficaria cinco dias no Jalapão, mais o dia de saída para Palmas. No primeiro, eu dormiria em Ponte Alta, depois do pôr do sol na Pedra Furada. No segundo, passaria pelo Cânion Sussuapara e chegaria às dunas na janela da tarde, a caminho de Mateiros, onde ficaria três noites: um dia para subir a Serra do Espírito Santo de madrugada e descansar à tarde, e outro para a Cachoeira do Formiga, a Comunidade Mumbuca e os fervedouros do Ceiça e do Buritizinho, que ficam perto uns dos outros. No quinto, eu mudaria para São Félix do Tocantins pelo Fervedouro Bela Vista e pela Cachoeira da Arara, e no dia seguinte sairia pelo norte, por Lagoa do Tocantins. Com quatro dias, eu cortaria São Félix e voltaria de Mateiros para Palmas por Ponte Alta na manhã seguinte; com menos que isso, a maior parte do tempo vai para a estrada. A Cachoeira da Velha eu deixaria para quem tem um sexto dia.

O Jalapão é cerrado em escala grande: chapadões de arenito que se perdem no horizonte, veredas de buriti e quase nenhuma gente, menos de um morador por quilômetro quadrado. O que atrai é a combinação de três paisagens que raramente aparecem juntas. As dunas alaranjadas nascem da erosão da serra vizinha e têm um riacho de água clara correndo no pé. Os fervedouros são nascentes onde a água sobe pela areia com tanta força que o corpo boia, e cada um tem uma cor, do azul ao verde. E os rios, como o Novo e o Formiga, correm transparentes sobre areia branca. Entre um lugar e outro há estrada de areia, que define o ritmo da viagem e faz de Mateiros, uma cidade de menos de 3 mil habitantes, o ponto de encontro de quem vem de longe. Na Mumbuca, a cerca de 30 km dali, as artesãs costuram com seda de buriti o capim dourado que cresce nas veredas, um ofício atribuído aos indígenas Xerente, que o teriam passado à comunidade na década de 1920.

Ficha rápida

População
2.955 habitantes em Mateiros e 1.919 em São Félix do Tocantins (IBGE, estimativas municipais para 2026); no Censo de 2022 eram 2.748 e 1.783. A região do Jalapão tem densidade de cerca de 0,8 habitante por km²
Fundação
Mateiros foi distrito de Ponte Alta a partir de 1963 e virou município pela Lei Estadual nº 251, de 20 de fevereiro de 1991, instalado em 1º de janeiro de 1993; a mesma lei emancipou São Félix do Tocantins. O Parque Estadual do Jalapão foi criado pela Lei nº 1.203, de 12 de janeiro de 2001
País e região
Brasil, Região Norte; leste do Tocantins. Mateiros fica a cerca de 300 km de Palmas por estrada, e o asfalto termina em Ponte Alta do Tocantins
Idioma
Português
Moeda
Real (BRL, R$)
Fuso horário
UTC−3 (horário do Tocantins, sem horário de verão)
Melhor época
Maio a setembro; é a estação seca, com estradas de areia mais firmes e quase nenhuma chuva de junho a agosto. De agosto a outubro as máximas médias passam de 35 °C, e de novembro a abril as chuvas deixam estradas enlameadas e limitam o acesso a vários atrativos
Custo médio por dia
Some hospedagem por noite, refeições por pessoa, o guia ou a agência com veículo 4x4, a taxa de turismo de Mateiros e as entradas dos fervedouros que escolher; o pacote com transporte muda bastante o total.

Quando ir

Maio a setembro; é a estação seca, com estradas de areia mais firmes e quase nenhuma chuva de junho a agosto. De agosto a outubro as máximas médias passam de 35 °C, e de novembro a abril as chuvas deixam estradas enlameadas e limitam o acesso a vários atrativos

hojehojehojehojehojehojehojehojehojehojehojehojejanfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdezJFMAMJJASOND
melhor épocaNenhuma estação perto daqui mediu temperatura e chuva por tempo suficiente para uma média confiável. Os meses destacados são a época que o guia recomenda.

O que muda ao longo do ano

A estação seca, de maio a setembro, é a época de visita. As estradas de areia ficam mais firmes, a água dos fervedouros fica mais clara e o céu limpo favorece o nascer do sol na Serra do Espírito Santo e o fim de tarde nas dunas. Na normal de 1991 a 2020 da estação de Alto Parnaíba (MA), a mais próxima com dados da Organização Meteorológica Mundial, junho, julho e agosto somam de 0 a 3 mm de chuva por mês, com mínimas médias de 17 a 18 °C. De agosto a outubro as máximas médias passam de 35 °C, com o pico em setembro, e caminhar ao meio-dia pesa. Setembro também é o mês da colheita do capim dourado, permitida a partir do dia 20. Outubro é transição, ainda muito quente, com as primeiras chuvas e o cerrado verdejando. De novembro a abril chove muito, com mais de 190 mm por mês de janeiro a março na mesma estação; as cachoeiras ficam cheias, mas as estradas enlameiam e o acesso a vários atrativos fica limitado.

Dicas do Nilo

Feche com agência licenciada

Eu escolheria uma agência ou condutor com licença do Naturatins e pediria o número antes de pagar. Sem eles não se entra nas dunas nem na Serra do Espírito Santo, que dependem de voucher do parque, e dirigir na areia fofa exige experiência que pouca gente tem.

Pergunte o que o pacote inclui

Veículo 4x4, motorista, condutor, entradas dos fervedouros e cachoeiras, taxa de Mateiros e refeições aparecem em combinações diferentes de agência para agência. Eu compararia pacotes item por item, não pelo preço final.

Protetor solar só depois do banho

Os fervedouros proíbem protetor solar, repelente e hidratante na pele. Eu usaria camisa de proteção UV e chapéu nos dias de fervedouro e deixaria o protetor para depois da água.

A serra pede a madrugada

A trilha da Serra do Espírito Santo começa no escuro para o nascer do sol, e a descida já é no calor. Eu dormiria cedo na véspera, levaria lanterna e dois litros de água e deixaria a tarde livre.

Dinheiro, tanque e sinal

O sinal de celular falta na maior parte das estradas de terra, e a internet de algumas pousadas é instável. Eu levaria dinheiro em espécie para entradas e compras na Mumbuca, baixaria os mapas antes de sair de Palmas e, dirigindo por conta própria, sairia de Palmas com o tanque cheio e perguntaria na pousada onde abastecer antes de cada trecho longo.

Guarde o comprovante da taxa

O comprovante da taxa de R$ 30 de Mateiros, com QR Code, pode ser pedido nos atrativos. Eu pagaria antes de chegar, pela agência ou por Pix quando possível, e deixaria uma cópia no celular e outra impressa.

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O que ver

Jalapão: Chapadões e areia

O Jalapão é um mosaico de chapadões de arenito, com até cerca de 800 m de altitude, e planícies de areia clara entre eles. A erosão constante do arenito das serras forma as dunas alaranjadas, que ficam ao pé da Serra do Espírito Santo, dentro do Parque Estadual do Jalapão, cujo território se divide entre Mateiros e São Félix do Tocantins. Sede do município que divide com São Félix do Tocantins o território do Parque Estadual do Jalapão e, com Ponte Alta, a cidade de melhor estrutura turística da região.

O paredão claro e avermelhado da Serra do Espírito Santo erguendo-se sobre o cerrado, com uma lagoa em primeiro plano.
Serra do Espírito Santo

Serra do Espírito Santo

EssencialTocantins · Meio dia ou mais

Paredão de arenito ao lado das dunas, dentro do Parque Estadual do Jalapão. A trilha sobe por um trecho íngreme, com bancos para descanso, até o primeiro mirante, onde os grupos chegam para o nascer do sol; de lá são cerca de 3 km pelo topo até o segundo mirante, com vista para as dunas. O percurso tem por volta de 7 km ida e volta e leva de três a quatro horas. A subida é feita com condutor e voucher, de madrugada, e a descida já acontece no calor: leve lanterna, água e calçado fechado.

O nascer do sol no primeiro mirante e a vista das dunas do segundo justificam a madrugada; a trilha de cerca de 7 km ida e volta pede condutor, voucher e algum preparo físico.

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A água azul-clara do Fervedouro do Ceiça, cercada de bananeiras e vegetação densa.
Fervedouro do Ceiça

Fervedouro do Ceiça

EssencialMateiros · Até meia hora

Apontado como o primeiro fervedouro aberto à visitação pública, numa propriedade particular ao norte de Mateiros. A água, de tom azul a esmeralda, brota da areia, e o visitante flutua sem esforço. Como nos outros fervedouros, a entrada é paga na propriedade, os grupos são pequenos, o tempo dentro da água é limitado e é proibido entrar com protetor solar, repelente ou hidratante na pele.

Boiar numa nascente sem conseguir afundar é a experiência que só os fervedouros dão, e o Ceiça, o primeiro aberto à visitação, fica perto de Mateiros e de outros fervedouros.

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A pequena queda da Cachoeira do Formiga caindo num poço de água verde e transparente, cercado de mata.
Cachoeira do Formiga

Cachoeira do Formiga

EssencialAlto Paraíso de Goiás · Uma a duas horas

Cachoeira de água verde e transparente sobre areia branca, a cerca de 30 km de Mateiros, numa propriedade com área de camping. Ao contrário da Cachoeira da Velha, aqui o banho é o programa. A entrada é cobrada na propriedade, e chegar cedo evita a lotação.

É a cachoeira do Jalapão onde o banho é o programa, com água verde e transparente sobre areia branca a cerca de 30 km de Mateiros; chegar cedo evita a lotação.

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O Fervedouro Bela Vista visto de cima, um poço de água clara no meio da mata, com o deck de madeira e a cobertura de palha ao lado.
Fervedouro Bela Vista

Fervedouro Bela Vista

Vale a visitaSão Félix do Tocantins · Até meia hora

Fervedouro a cerca de 6 km de São Félix do Tocantins, dentro de uma propriedade com pousada, que recebe grupos de até dez pessoas. Quem se hospeda na pousada pode entrar à noite, quando os grupos de passeio já foram embora. Fica no caminho natural de quem dorme em São Félix.

Vale para quem dorme em São Félix: fica a cerca de 6 km da cidade, e quem se hospeda na pousada da propriedade pode entrar à noite.

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Uma casa de adobe com telhado de palha no povoado da Mumbuca, sob céu azul com nuvens.
Comunidade Mumbuca

Comunidade Mumbuca

Vale a visitaAté meia hora

Povoado quilombola onde começou o artesanato de capim dourado. As artesãs, organizadas numa associação presidida por mulheres, vendem bolsas, chapéus, mandalas e bijuterias costuradas com seda de buriti. Comprar ali deixa o dinheiro com quem faz as peças.

É onde nasceu o artesanato de capim dourado, e comprar na associação das artesãs deixa o dinheiro com quem faz as peças; fica perto do Formiga, do Ceiça e do Buritizinho, e cabe no mesmo dia.

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A Cachoeira da Velha, larga e em degraus de pedra, com flores rosadas na margem em primeiro plano.
Cachoeira da Velha

Cachoeira da Velha

Vale a visitaMateiros · Meio dia ou mais

A maior cachoeira do Jalapão, no Rio Novo, dentro do Parque Estadual: duas quedas em semicírculo, separadas por um paredão, com cerca de 100 m de largura e 15 m de queda. O acesso é de carro até uma plataforma de observação e não é cobrado; o banho nas quedas é proibido por causa da força da água. Guias de viagem citam descidas de rafting no Rio Novo a partir dali; a operação e a duração variam, e é preciso confirmar com as agências antes de ir. Fica no norte do parque, longe das outras paradas.

A maior cachoeira da região impressiona da plataforma, mas fica no norte do parque, a cerca de 115 km de Mateiros pelo traçado do OpenStreetMap, e pede um dia só para ela; não se nada nas quedas.

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A fenda estreita do Cânion Sussuapara, com paredes de pedra cobertas de vegetação e o córrego no fundo.
Cânion Sussuapara

Cânion Sussuapara

Vale a visitaAté meia hora

Cânion estreito a cerca de 15 km de Ponte Alta do Tocantins, onde a água pinga devagar das paredes de pedra. A visita é curta e costuma ser a primeira parada no caminho de Ponte Alta para Mateiros.

Parada curta no caminho de Ponte Alta para Mateiros, que vale pela fenda de pedra com água pingando das paredes, sem desvio grande.

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Os arcos de arenito claro e rosado da Pedra Furada, com o cerrado visto através das aberturas.
Pedra Furada

Pedra Furada

Vale a visitaPonte Alta do Tocantins · Até meia hora

Formação de arenito vazada, como diz o nome, a cerca de 30 km de Ponte Alta do Tocantins. É parada comum para ver o pôr do sol na entrada do Jalapão e funciona bem como programa da primeira tarde, para quem chega de Palmas e dorme em Ponte Alta.

É o pôr do sol da primeira tarde para quem dorme em Ponte Alta, a cerca de 30 km da cidade, antes de entrar na areia.

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O roteiro do Nilo

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  1. Dia 1 · De Palmas a Ponte Alta, com pôr do sol na Pedra Furada

    1. Saia de Palmas pela manhã pela TO-030 e pela TO-130, no asfalto, até Ponte Alta do Tocantins, a cerca de 160 km.

    2. Deixe a bagagem na pousada e almoce na cidade.

    3. No meio da tarde siga para a Pedra Furada, a cerca de 30 km, para chegar antes do pôr do sol.

    4. Volte a Ponte Alta para jantar e dormir; a estrada do dia seguinte é longa e de areia.

  2. Dia 2 · Cânion Sussuapara, a estrada de areia e o fim de tarde nas dunas

    1. Saia cedo de Ponte Alta e pare no Cânion Sussuapara, a cerca de 15 km, para uma visita curta antes do calor.

    2. Siga pela TO-255 em direção a Mateiros com o 4x4 e o condutor, parando para almoçar no caminho.

    3. Entre nas Dunas do Jalapão na janela da tarde, com o voucher do parque, e fique até a luz baixar; saia no horário definido pelo parque.

    4. Siga para Mateiros, a cerca de 30 km das dunas, e durma lá pelas três noites seguintes.

  3. Dia 3 · Nascer do sol na Serra do Espírito Santo

    1. Saia de Mateiros de madrugada com o condutor para começar a trilha da Serra do Espírito Santo antes do amanhecer, com lanterna, água e calçado fechado.

    2. Veja o nascer do sol do primeiro mirante e siga pelo topo até o segundo mirante, sobre as dunas; o percurso todo leva de três a quatro horas.

    3. Volte a Mateiros para almoçar e deixe a tarde livre para descansar, nas horas mais quentes do dia.

    4. Jante e durma em Mateiros.

  4. Dia 4 · Cachoeira do Formiga, a Mumbuca e os fervedouros ao norte de Mateiros

    1. Chegue cedo à Cachoeira do Formiga, a cerca de 30 km de Mateiros, para nadar antes de o poço lotar.

    2. Siga para a Comunidade Mumbuca, a cerca de 10 km dali, para conhecer o trabalho das artesãs e comprar peças de capim dourado na associação.

    3. Almoce no caminho ou leve lanche, conforme o plano do condutor, sem voltar a Mateiros.

    4. À tarde visite o Fervedouro do Ceiça e o Fervedouro do Buritizinho, perto da Mumbuca; entre na água sem protetor solar nem repelente.

    5. Volte a Mateiros para a última noite na cidade.

Se ficar mais

  1. Dia 5 · São Félix do Tocantins: Fervedouro Bela Vista e Cachoeira da Arara

    1. Saia de Mateiros pela manhã rumo a São Félix do Tocantins, a cerca de 80 km pela TO-110, de terra.

    2. Visite o Fervedouro Bela Vista, a cerca de 6 km de São Félix.

    3. À tarde vá à Cachoeira da Arara, a cerca de 16 km da cidade, ou fique na Praia do Alecrim, no Rio Soninho.

    4. Durma em São Félix. No dia seguinte, saia pelo norte, pela TO-030 e pela TO-247 até Lagoa do Tocantins e dali para Palmas, cerca de 240 km com trechos de terra; eu não marcaria voo para a mesma tarde.

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Comida

Peixes do bioma

O catálogo de gastronomia de Mateiros, lançado pelo Sebrae em dezembro de 2025, destaca os peixes do bioma entre os produtos regionais. O catálogo não detalha espécies nem preparos; pergunte na pousada ou no restaurante qual peixe é da região.

Mangaba

Fruta do cerrado listada entre os produtos regionais de Mateiros. No catálogo da cidade, vira o molho do Filé Rosa Jalapão, servido com purê de banana-da-terra.

Cagaita

Fruta azeda do cerrado. No catálogo de Mateiros, ela aparece como molho de um prato de pirarucu.

Coco catolé

Coquinho de uma palmeira nativa do cerrado, listado entre os produtos regionais de Mateiros.

Pimenta-de-macaco

Tempero do cerrado, listado entre os produtos regionais de Mateiros.

Onde comer

  • Restaurante Mama Cadela · Mateiros

    Pirarucu ao molho de cagaita, fruta azeda do cerrado. O catálogo de gastronomia de Mateiros, do Sebrae, lista o prato nesta casa, mas não detalha tipo de serviço, preços ou horários; confirme na pousada se o restaurante segue aberto.

    Fonte · 2026-10-16

  • Pé Rachado Gastrobar · Mateiros

    Filé flambado na cachaça de mel, outro prato listado no catálogo de Mateiros. O catálogo só cita o prato; confirme horário e funcionamento antes de ir.

    Fonte · 2026-10-16

  • Comunidade Mumbuca e pousadas da região

    O catálogo de Mateiros inclui experiências na Comunidade Mumbuca e em pousadas que juntam culinária e vivências tradicionais, sem detalhar os pratos. Combine com a agência ou o condutor antes de ir, porque a refeição depende de agendamento com quem recebe.

$: lanche ou prato simples em restaurante de Mateiros, São Félix ou Ponte Alta · $$: almoço ou jantar à la carte em restaurante de Mateiros · $$$: jantar com prato autoral em restaurante ou pousada de Mateiros · 2026-10-16

Bate-voltas

Cachoeira da Velha

A maior cachoeira do Jalapão fica no norte do parque, no Rio Novo, longe das outras paradas: pelo traçado do OpenStreetMap são cerca de 115 km a partir de Mateiros, em terra e areia, e o tempo de estrada depende do estado das pistas, por isso o condutor estima melhor. A observação, numa plataforma, é gratuita, e o banho nas quedas é proibido. Guias de viagem citam rafting no Rio Novo a partir dali; confirme com as agências se a descida está sendo oferecida. Vale como sexto dia, dormindo mais uma noite em Mateiros.

Lagoa do Japonês

Lagoa em Pindorama do Tocantins, a sudoeste de Ponte Alta, a cerca de 90 km da cidade pelo traçado das estradas no OpenStreetMap. É uma extensão para quem passa uma noite a mais em Ponte Alta no começo da viagem, com entrada cobrada na propriedade.

Por onde começar

De Palmas a Ponte Alta, com pôr do sol na Pedra Furada

De Palmas a Ponte Alta, com pôr do sol na Pedra Furada

Saia de Palmas pela manhã pela TO-030 e pela TO-130, no asfalto, até Ponte Alta do Tocantins, a cerca de 160 km.

Cânion Sussuapara, a estrada de areia e o fim de tarde nas dunas

Cânion Sussuapara, a estrada de areia e o fim de tarde nas dunas

Saia cedo de Ponte Alta e pare no Cânion Sussuapara, a cerca de 15 km, para uma visita curta antes do calor.

Nascer do sol na Serra do Espírito Santo

Nascer do sol na Serra do Espírito Santo

Saia de Mateiros de madrugada com o condutor para começar a trilha da Serra do Espírito Santo antes do amanhecer, com lanterna, água e calçado fechado.

São Félix do Tocantins: Fervedouro Bela Vista e Cachoeira da Arara

São Félix do Tocantins: Fervedouro Bela Vista e Cachoeira da Arara

Saia de Mateiros pela manhã rumo a São Félix do Tocantins, a cerca de 80 km pela TO-110, de terra.

Dinheiro

A Cachoeira da Velha, larga e em degraus de pedra, com flores rosadas na margem em primeiro plano.
Cachoeira da Velha

A moeda é o real (R$). Desde 1º de maio de 2026, a Prefeitura de Mateiros cobra uma taxa de turismo de R$ 30 por pessoa, válida por até oito dias consecutivos. As reportagens sobre a taxa citam pagamento por Pix, por transferência ou em pontos autorizados; quem não tem conta em banco brasileiro deve perguntar à agência ou à pousada onde pagar. O comprovante, com QR Code, deve ser apresentado na fiscalização e nos atrativos. Ficam isentos moradores cadastrados, crianças até 10 anos, pessoas acima de 65 anos, pessoas com deficiência e servidores municipais em serviço. Em pacote de agência, confira se a taxa já está incluída. Os fervedouros e as cachoeiras em propriedades particulares cobram entrada à parte: um levantamento atualizado em março de 2026 indicava entradas de R$ 10 a R$ 25 por pessoa nos fervedouros. A observação da Cachoeira da Velha não é cobrada. Como o sinal de celular falta na maior parte das estradas e a internet de algumas pousadas é instável, leve dinheiro em espécie para entradas e pequenas compras. Para saber o total da viagem, peça às agências o que o pacote inclui: veículo 4x4, motorista, condutor, entradas, taxa municipal e refeições costumam ser cobrados de formas diferentes.

Como chegar e se locomover

O paredão claro e avermelhado da Serra do Espírito Santo erguendo-se sobre o cerrado, com uma lagoa em primeiro plano.
Serra do Espírito Santo

Chegar por Palmas

A porta de entrada é o Aeroporto de Palmas (PMW), a cerca de 20 km do centro da capital do Tocantins. A entrada mais usada segue pela TO-030 até Santa Tereza do Tocantins e pela TO-130 até Ponte Alta do Tocantins, onde o asfalto termina; para Mateiros, segue-se pela TO-255, de terra. Mateiros fica a cerca de 300 km de Palmas por esse caminho, e a viagem leva de cinco a seis horas.

O circuito e a saída pelo norte

Muitos roteiros fazem um circuito: entram por Ponte Alta, seguem para Mateiros, passam para São Félix do Tocantins pela TO-110, de terra, e saem pelo norte, pela TO-030 e pela TO-247 até Lagoa do Tocantins, e dali por asfalto até Palmas; também se faz no sentido inverso. Pelo traçado do OpenStreetMap, de São Félix a Palmas por esse caminho são cerca de 240 km. O trecho até Lagoa do Tocantins mistura terra e asfalto e está em obras de pavimentação: em novembro de 2025 o governo do estado entregou cerca de 25 km asfaltados da TO-030 até a ponte do Rio do Sono. Confirme o estado da estrada com a agência antes de sair.

Agência ou carro próprio

Dentro do Jalapão as estradas são de terra e areia fofa, e a tração 4x4 é indispensável. A maioria dos visitantes viaja com agência, que fornece o veículo, o motorista e o condutor. Quem aluga um 4x4 em Palmas e dirige por conta própria precisa de experiência em areia e, mesmo assim, contrata guia ou condutor local para entrar nas dunas e na Serra do Espírito Santo, que exigem voucher do parque. As agências e os condutores precisam de licença do Naturatins; confira o número antes de fechar. O sinal de celular não existe na maior parte das estradas de terra, então combine pontos e horários antes de cada trecho.

Distâncias entre os atrativos

Os atrativos ficam longe uns dos outros e das cidades. Pelo traçado das estradas no OpenStreetMap, Ponte Alta está a cerca de 160 km de Mateiros, Mateiros a cerca de 80 km de São Félix do Tocantins, e as dunas, o Fervedouro do Ceiça e a Cachoeira do Formiga a cerca de 30 km de Mateiros. A Comunidade Mumbuca fica a poucos quilômetros do Ceiça e do Buritizinho, o que permite juntar os três no mesmo dia. Na areia, a velocidade é baixa e o tempo varia com a estação e com o estado da estrada; o condutor é quem melhor estima cada trecho.

Segurança

Os principais riscos do Jalapão vêm da distância e do clima. As estradas de areia atolam veículos sem tração e quem não conhece o terreno, os trechos entre atrativos são longos e pouco sinalizados, e o sinal de celular não existe na maior parte das estradas de terra; viajar com condutor ou agência licenciada pelo Naturatins resolve a maior parte disso, e quem dirige sozinho deve deixar o roteiro do dia com a pousada. O calor é forte, com máximas médias acima de 35 °C de agosto a outubro: a descida da Serra do Espírito Santo e as caminhadas nas dunas pedem água, chapéu e horário de manhã cedo ou fim de tarde. O atendimento médico é limitado: em Mateiros, o serviço público é o Centro Municipal de Saúde Cristo Rei, que em março de 2026 foi alvo de decisão judicial por falta de equipamentos, e uma reportagem de 2020 indicava o hospital mais próximo de São Félix em Porto Nacional, a cerca de 255 km. Leve os remédios de uso pessoal e um kit de primeiros socorros. Nos fervedouros o corpo não afunda, mas não há fundo firme para pisar, e é preciso seguir a orientação do responsável. Nas quedas da Cachoeira da Velha o banho é proibido pela força da água. Na estação seca o cerrado queima com facilidade, e fogueiras são proibidas no parque.

Dicas de etiqueta

Entrar limpo no fervedouro

Protetor solar, repelente, hidratante e maquiagem são proibidos na água. A regra existe para preservar a água da nascente. Também não se pula nem se mergulha de cabeça, porque o movimento agita a areia do fundo.

Respeitar o tempo de cada grupo

Os fervedouros recebem grupos pequenos, em geral de até dez pessoas, por cerca de 15 a 20 minutos. Quando há fila, o tempo pode encurtar. Sair na hora é o que permite que o próximo grupo entre.

Ficar na trilha das dunas

Nas dunas, sobe-se e desce-se pelos caminhos indicados pelo condutor. As regras divulgadas pelo Naturatins em 2023 proíbem usar o paredão, voar drone sem autorização, levar bebida alcoólica, som alto, fogueira e animais domésticos ao parque. Confirme com a agência se houve mudança.

Comprar capim dourado já transformado

As regras do Tocantins proíbem que o capim dourado saia da região em estado natural. Compre as peças prontas, de preferência na associação da Mumbuca ou de artesãos locais, e não arranque hastes nas veredas.

Erros a evitar

A pequena queda da Cachoeira do Formiga caindo num poço de água verde e transparente, cercado de mata.
Cachoeira do Formiga

Alugar um carro sem tração 4x4

Depois de Ponte Alta as estradas são de areia fofa e terra. Um carro comum atola, e mesmo um 4x4 pede quem saiba dirigir em areia, por isso a maioria vai com agência.

Chegar às dunas sem voucher

A entrada nas dunas e na Serra do Espírito Santo depende de voucher emitido pela administração do parque e, pelas regras de 2023, de guia ou condutor local. Sem agendamento feito pelo condutor ou pela agência, não se entra.

Subestimar as distâncias

Uma tarde nas dunas e uma manhã na Cachoeira do Formiga parecem perto no mapa, mas cada trecho é feito devagar na areia. Planeje um conjunto de atrativos vizinhos por dia em vez de cruzar a região.

Passar protetor antes do fervedouro

Quem vai direto da cachoeira ou da trilha para o fervedouro com protetor na pele não entra. Deixe o protetor para depois do banho ou use roupa com proteção solar.

Esperar banho na Cachoeira da Velha

A Velha se observa da plataforma, e o banho nas quedas é proibido por causa da correnteza. Para nadar, a Cachoeira do Formiga é a opção.

Esquecer a taxa de Mateiros

Desde maio de 2026, quem visita Mateiros paga R$ 30 por pessoa e precisa guardar o comprovante, que pode ser pedido nos atrativos. Quem não tem Pix deve perguntar à agência ou à pousada sobre os pontos autorizados de pagamento, e quem viaja com pacote deve conferir se a taxa já está incluída.

Frases úteis

Fervedouro

Nascente onde a água sobe sob pressão através da areia e faz o corpo boiar

Vereda

Campo úmido com buritis ao longo de um curso de água, onde cresce o capim dourado

Chapadão

Planalto de topo plano e bordas de paredão, comum no relevo do Jalapão

Seda de buriti

Fibra fina das folhas novas do buriti, usada para costurar as peças de capim dourado

Atolar

Ficar com o carro preso na areia ou na lama, o problema mais comum nas estradas da região

Onde ficar

  • Mateiros · Para quem faz o roteiro principal em três ou quatro noites e quer ficar perto das dunas, da Serra do Espírito Santo, da Cachoeira do Formiga e dos fervedouros do norte da cidade.: É, com Ponte Alta, a cidade de melhor estrutura turística do Jalapão, e a que fica mais perto da maior parte dos atrativos, entre 20 e 35 km pelas estradas. A desvantagem é a estrutura de cidade pequena, de menos de 3 mil habitantes, e a distância de cerca de 80 km até os fervedouros de São Félix.
  • São Félix do Tocantins · Para uma noite no fim do roteiro, por quem quer o Fervedouro Bela Vista de manhã cedo e a Cachoeira da Arara.: Fica a poucos quilômetros do Fervedouro Bela Vista, do Fervedouro do Alecrim e da Praia do Alecrim. É menor e tem menos opções que Mateiros, e fica longe das dunas e da Serra do Espírito Santo.
  • Ponte Alta do Tocantins · Para a primeira noite, por quem chega de Palmas à tarde e quer ver o pôr do sol na Pedra Furada e o Cânion Sussuapara no dia seguinte.: É onde termina o asfalto e tem boa estrutura turística. Não serve como base para o resto da viagem: Mateiros fica a cerca de 160 km por estrada de areia.

$: camping ou pousada simples nas cidades · $$: pousada com café da manhã em Mateiros, São Félix ou Ponte Alta · $$$: pousada de mais estrutura em Mateiros ou São Félix · 2026-10-16

Bairros

As dunas de areia alaranjada do Jalapão, com ilhas de vegetação verde e um curso d'água ao pé delas, sob a luz do fim da tarde.
Dunas do Jalapão

Mateiros

Sede do município que divide com São Félix do Tocantins o território do Parque Estadual do Jalapão e, com Ponte Alta, a cidade de melhor estrutura turística da região. É a base mais prática para as dunas, a Serra do Espírito Santo, a Cachoeira do Formiga, a Comunidade Mumbuca e o conjunto de fervedouros ao norte da cidade. É uma cidade pequena, de menos de 3 mil habitantes, e a internet de algumas pousadas é instável.

Uma casa de adobe com telhado de palha no povoado da Mumbuca, sob céu azul com nuvens.
Comunidade Mumbuca

Comunidade Mumbuca

Povoado quilombola a cerca de 30 km de Mateiros, perto da TO-110, na estrada para São Félix. É onde nasceu o artesanato de capim dourado, e a associação das artesãs vende as peças diretamente. A visita combina bem com os fervedouros do caminho.

O Fervedouro Bela Vista visto de cima, um poço de água clara no meio da mata, com o deck de madeira e a cobertura de palha ao lado.
Fervedouro Bela Vista

São Félix do Tocantins

Cidade pequena no centro-norte do Jalapão, dividida em duas partes pelo Ribeirão São Félix, com hospedagem simples. Fica a poucos quilômetros do Fervedouro Bela Vista, do Fervedouro do Alecrim e da Praia do Alecrim, no Rio Soninho, e a cerca de 16 km da Cachoeira da Arara. É a última noite de quem faz o circuito completo e sai do Jalapão pelo norte, por Novo Acordo e Lagoa do Tocantins.

A fenda estreita do Cânion Sussuapara, com paredes de pedra cobertas de vegetação e o córrego no fundo.
Cânion Sussuapara

Ponte Alta do Tocantins

A cidade onde termina o asfalto vindo de Palmas, conhecida como portal do Jalapão. Fica perto do Cânion Sussuapara e da Pedra Furada, e é a primeira noite de muitos roteiros. Tem boa estrutura turística, mas está a cerca de 160 km de Mateiros por estrada de terra.

História

séc. XVIII · Os primeiros arraiais

Migrantes vindos do Piauí, do Maranhão e da Bahia povoaram o sertão do Jalapão. O histórico municipal de São Félix do Tocantins registra o arraial que deu origem à cidade em 1736.

1909 · A origem da Mumbuca

Famílias negras saídas da Bahia se fixam perto de Mateiros e formam a comunidade quilombola da Mumbuca, isolada a quatro dias de caminhada de Porto Nacional, a cidade mais próxima no começo do século XX.

década de 1920 · O capim dourado chega à Mumbuca

A técnica de costurar o capim dourado com a seda do buriti é atribuída aos indígenas Xerente, que a ensinaram às famílias da Mumbuca.

1963 · Mateiros vira distrito

Uma lei municipal cria o distrito de Mateiros dentro de Ponte Alta do Norte, então parte do norte de Goiás. O nome vem dos veados-mateiros comuns na região.

1988 · Nasce o Tocantins

Em 5 de outubro de 1988, o norte de Goiás é emancipado como estado do Tocantins, instalado em 1º de janeiro de 1989, e o Jalapão passa a pertencer ao novo estado.

1991 · Mateiros e São Félix viram municípios

A Lei Estadual nº 251, de 20 de fevereiro de 1991, emancipa Mateiros e São Félix do Tocantins. Os dois municípios são instalados com as primeiras prefeituras eleitas a partir de 1993.

1993 · O artesanato sai do sertão

As peças de capim dourado da Mumbuca são apresentadas na primeira Feira de Folclore, Comidas Típicas e Artesanato do Tocantins (Fecoarte), em Palmas, e passam a ser vendidas fora da região.

2001 · O parque e a estação ecológica

O Parque Estadual do Jalapão é criado em 12 de janeiro, com cerca de 159 mil hectares distribuídos entre Mateiros e São Félix do Tocantins. Em 27 de setembro, um decreto federal cria a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, de 716 mil hectares, administrada hoje pelo ICMBio.

2008 · O Jalapão na televisão

A rede americana CBS grava na região a 18ª temporada de Survivor, exibida a partir de fevereiro de 2009 como Survivor: Tocantins. Em 2017, a novela O Outro Lado do Paraíso, da TV Globo, também filma cenas ali.

2022 · Condutor licenciado

A Instrução Normativa nº 04 do Naturatins, de 26 de maio de 2022, passa a exigir licença de guias, condutores e empresas que atuam no parque.

2024 · Capital do capim dourado

A Lei federal nº 15.050, de 20 de dezembro de 2024, confere a Mateiros o título de Capital Nacional do Capim Dourado.

2025 · Mais visitas no parque

O Parque Estadual do Jalapão recebe 50.302 visitantes no ano, 16,6% a mais que os 43.131 de 2024, segundo o Naturatins.

2026 · Taxa de turismo em Mateiros

A Prefeitura de Mateiros oficializa em abril uma taxa de R$ 30 por visitante, com validade de até oito dias, cobrada a partir de 1º de maio.

História completa

A ocupação do sertão

O Jalapão foi ocupado devagar, por migrantes vindos sobretudo do Piauí, do Maranhão e da Bahia. São Félix do Tocantins guarda no histórico municipal o arraial de 1736. O isolamento era a regra: no começo do século XX, os moradores da Mumbuca andavam quatro dias para chegar a Porto Nacional, a cidade mais próxima.

A Mumbuca e o capim dourado

A Mumbuca nasceu em 1909, quando famílias negras vindas do sertão baiano se estabeleceram perto de onde hoje fica Mateiros. Do convívio com os indígenas da região, provavelmente os Xerente, veio a técnica de costurar o capim dourado com a fibra fina do buriti, conhecida localmente como seda. Durante décadas foi um ofício doméstico. Em 1993 as peças foram mostradas na primeira Fecoarte, em Palmas, e o artesanato virou a principal fonte de renda da comunidade e de outras localidades do Jalapão. Hoje a colheita tem calendário fixo, de 20 de setembro a 20 de novembro, e o capim só sai da região já transformado em peça.

Do norte de Goiás ao Tocantins

Até 1988 o Jalapão era o extremo do norte de Goiás, longe da capital Goiânia. A criação do Tocantins, em 1988, aproximou a região de um governo estadual próprio, hoje sediado em Palmas, e reorganizou o mapa: Mateiros e São Félix do Tocantins deixaram de ser distritos e se emanciparam pela mesma lei estadual, em 1991.

Proteção e turismo

Em 2001 o estado criou o Parque Estadual do Jalapão, em terras de Mateiros e São Félix do Tocantins, e o governo federal criou ao lado a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins, com 716 mil hectares; junto com a APA do Jalapão e o Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, as duas formam um conjunto contínuo de áreas protegidas de cerrado. A gravação de Survivor: Tocantins, em 2008, e a novela O Outro Lado do Paraíso, em 2017, levaram as dunas e os fervedouros à televisão. O fluxo cresceu, e as regras vieram junto: licença para guias e condutores em 2022 e entrada nas dunas e na Serra do Espírito Santo só com voucher. Em 2025 o parque recebeu 50.302 visitantes, 16,6% a mais que no ano anterior, e em 2026 Mateiros, uma cidade de menos de 3 mil moradores, passou a cobrar uma taxa municipal de turismo, que a prefeitura justifica com cerca de 50 mil visitantes por ano.

Geografia e forma da cidade

A água azul-clara do Fervedouro do Ceiça, cercada de bananeiras e vegetação densa.
Fervedouro do Ceiça

Chapadões e areia

O Jalapão é um mosaico de chapadões de arenito, com até cerca de 800 m de altitude, e planícies de areia clara entre eles. A erosão constante do arenito das serras forma as dunas alaranjadas, que ficam ao pé da Serra do Espírito Santo, dentro do Parque Estadual do Jalapão, cujo território se divide entre Mateiros e São Félix do Tocantins. A sede de Mateiros fica a 493 m, e o município é o único do Tocantins que faz divisa com o Piauí, além da Bahia e do Maranhão.

Rios, veredas e fervedouros

A região é cortada por rios de corredeira e água transparente: o Novo, o Sono, o Soninho, o Balsas, o Preto e o Caracol. Nos campos úmidos ao longo deles crescem as veredas de buriti e o capim dourado. Os fervedouros são nascentes onde a água subterrânea brota sob pressão através de camadas profundas de areia fina; a areia fica em suspensão, não há fundo firme para pisar, e o corpo é empurrado de volta à superfície. Há cerca de 20 catalogados na região, a maioria em terras particulares entre Mateiros e São Félix do Tocantins.

Clima e distâncias

O clima é tropical, com duas estações bem marcadas. Na estação da Organização Meteorológica Mundial mais próxima com normal publicada, em Alto Parnaíba (MA), a cerca de 170 km de Mateiros, a média de 1991 a 2020 registra de 0 a 3 mm de chuva por mês de junho a agosto e mais de 190 mm por mês de janeiro a março; de agosto a outubro as máximas médias passam de 35 °C, com o pico em setembro. Os atrativos ficam espalhados: pelo traçado das estradas no OpenStreetMap, Mateiros está a cerca de 30 km das dunas, do Fervedouro do Ceiça e da Cachoeira do Formiga, e a cerca de 80 km de São Félix do Tocantins, quase tudo em terra e areia.

Os fervedouros se parecem na experiência: o corpo boia e a água muda de cor. Eu faria dois ou três, escolhidos pelo caminho do dia, em vez de tentar todos.

Quase tudo o que justifica a viagem fica a cerca de 30 km de Mateiros. Eu concentraria ali as noites e trataria Ponte Alta e São Félix como passagem.

Cultura

Capim dourado e seda de buriti

A cultura viva do Jalapão passa pelas mãos das artesãs. O capim dourado é colhido nas veredas uma vez por ano, a partir de 20 de setembro, e costurado com a seda, a fibra fina tirada das folhas novas do buriti. Mumbuca é o núcleo, mas o ofício se espalhou por Mateiros, São Félix do Tocantins e outras localidades. A venda das peças é a atividade que mais gera renda nessas comunidades, ao lado da agricultura de subsistência e do turismo.

A viola de buriti

Na Mumbuca nasceu, na década de 1940, a viola de buriti, uma variante regional da viola brasileira feita com a madeira leve do talo da palmeira. Tem quatro cordas, não tem tampo nem fundo, e o braço sem trastes é preso com grampos de taboca. Em 2018 a associação dos artesãos da Mumbuca pediu ao Iphan o registro do instrumento como patrimônio imaterial.

Festas do sertão

O calendário segue a colheita e a religião. Na Mumbuca, a Festa da Colheita do Capim Dourado acontece em setembro, quando o capim pode ser cortado. Em São Félix do Tocantins, os festejos de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, a padroeira, vão de 29 de novembro a 8 de dezembro.

Festas e eventos

Festa da Colheita do Capim Dourado

Setembro, na Comunidade Mumbuca, em Mateiros, no período em que a colheita do capim dourado é permitida, a partir de 20 de setembro. Confirme a data do ano com a comunidade ou com a agência.

Festejos de Nossa Senhora da Imaculada Conceição

De 29 de novembro a 8 de dezembro, em São Félix do Tocantins. Festa da padroeira da cidade, com o dia principal em 8 de dezembro.

Livros e filmes

Survivor: Tocantins (CBS, 2009)

A 18ª temporada do reality show americano foi gravada no Jalapão em 2008 e mostrou ao mundo os chapadões, os rios e as dunas, com as equipes batizadas de Timbira e Jalapao.

O Outro Lado do Paraíso (TV Globo, 2017)

A novela usou o Jalapão como cenário e levou as dunas e os fervedouros ao horário nobre da televisão brasileira.

Passarim do Jalapão, de Dorivã

Canção do cantor e compositor tocantinense Dorivan Borges da Silva, que usa o nome artístico Dorivã Passarim do Jalapão. Sucesso regional, ela dá título ao primeiro disco dele, cujas composições tratam das raízes culturais do Tocantins.

Perguntas frequentes

Jalapão: como chegar a partir de Palmas?

A porta de entrada é o Aeroporto de Palmas (PMW). De Palmas, a TO-030 e a TO-130 levam por asfalto até Ponte Alta do Tocantins, onde o asfalto termina; para Mateiros, segue-se pela TO-255, de terra. Mateiros fica a cerca de 300 km, de cinco a seis horas de viagem.

Jalapão: quantos dias ficar?

Cinco dias, mais o de saída para Palmas: a primeira noite em Ponte Alta, três em Mateiros e a última em São Félix do Tocantins. Com quatro dias, dá para cortar São Félix; com menos que isso, a maior parte do tempo vai para a estrada.

Jalapão: dá para ir de carro próprio, sem agência?

Só com 4x4 e experiência em areia fofa, e mesmo assim é preciso contratar guia ou condutor local para entrar nas dunas e na Serra do Espírito Santo, que exigem voucher do parque. Agências e condutores precisam de licença do Naturatins.

Jalapão: quem paga a taxa de Mateiros?

Mateiros cobra R$ 30 por pessoa desde maio de 2026, válidos por até oito dias consecutivos. São isentos crianças até 10 anos, pessoas acima de 65 anos, pessoas com deficiência, moradores cadastrados e servidores municipais em serviço. Em pacote, confira se a taxa já está incluída.

Jalapão: como pagar a taxa e as entradas?

A taxa se paga por Pix, transferência ou em pontos autorizados; sem conta em banco brasileiro, pergunte à agência ou à pousada. Fervedouros e cachoeiras em propriedades particulares cobram entrada à parte, de R$ 10 a R$ 25 nos fervedouros (março de 2026): leve dinheiro em espécie.

Jalapão: qual é a melhor época?

De maio a setembro, a estação seca, com estradas de areia mais firmes e a água dos fervedouros mais clara. De agosto a outubro as máximas médias passam de 35 °C, e de novembro a abril as chuvas enlameiam as estradas e limitam o acesso a vários atrativos.

Jalapão: como é a visita a um fervedouro?

A água sobe da areia sob pressão, e o corpo boia, mas não há fundo firme para pisar: siga a orientação do responsável. Os grupos são pequenos, por 15 a 20 minutos, sem protetor solar, repelente, hidratante ou maquiagem na pele, e não se pula nem se mergulha de cabeça.

Jalapão: dá para nadar na Cachoeira da Velha?

Não: a Velha se observa de uma plataforma, de graça, e o banho nas quedas é proibido pela força da água. Fica a cerca de 115 km de Mateiros e vale como sexto dia; para nadar, a opção é a Cachoeira do Formiga.

Jalapão: como é o atendimento médico na região?

Limitado: em Mateiros, o serviço público é o Centro Municipal de Saúde Cristo Rei, alvo de decisão judicial por falta de equipamentos em março de 2026, e uma reportagem de 2020 situava o hospital mais próximo de São Félix em Porto Nacional, a cerca de 255 km. Leve remédios e kit de primeiros socorros.

Outras cidades do país

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